CAPÍTULO IV
Pansy imaginou que se sentiria hu milhada durante a cerimônia, mas percebeu que fora capaz de assistir a tudo como se não estivesse pre sente, como se não passasse de um sonho. Ela era bem mais conciente da presença de Harry Potter ao seu lado.
No altar a noiva estava adorável, suas respostas claras e decididas. Astoria transbordava satisfação e felicidade pelo enlace. Ela parecia ter ensaiado todo o seu discurso.
Já o noivo pareceu menos firme do que sempre fora. Malfoy parecia estar no automático. Ele não tinha expressão, não demonstrava seus sentimentos. Falava em um tom baixo e monótono, parecendo desejoso de que tudo acabasse logo.
Pansy, recebendo apoio de Harry, observou toda a cerimônia com agradável indiferença. Ela percebia os olhares das pessoas sobre ela, como se esperassem que ela fizesse ou dissesse algo enquanto o casamento era oficializado. Ela se manteve impassível.
O mesmo se deu após a cerimônia, quando os convidados foram para fora, onde uma grande tenda tinha sido organizada para a recepção. Os convidados se agrupavam para tirar fotografias com os noivos antes de se dirigirem para suas mesas.
Pansy caminhou na fila com Harry ao seu lado, ainda de mãos dadas. Agora todos estavam cientes de que Harry e Pansy tinham ido juntos ao casamento. Ela podia ouvir os nomes deles sendo pronunciados pelos convidados entre sussurros.
Pansy manteve a cabeça erguida e respondeu com alegria aos cumprimentos da fa mília, dos amigos e dos conhecidos que passavam por ela. A maioria olhava com admiração para o homem ao lado dela. Em alguns casos femininos, ela claramente via inveja, o que era sem dúvida muito melhor do que piedade! Ela se sentiu satisfeita.
Quando chegaram diante dos noivos, Pansy desejou felicidades a ambos, sorrindo afetuosamente enquanto apertava as mãos de Draco e Astoria. Harry fez o mesmo. Ambos demonstraram educação e cordialidade, o que pareceu desconcertar o casal de recém-casados.
Enquanto caminhavam em direção a mesa, Pansy sentiu seu corpo relaxar. O pior tinha passado, ela pensou. E mais uma vez ela se deu conta de que conseguiu suportar tudo. Especialmente porque tinha Harry Potter ao seu lado.
Quando eles encontraram uma grande mesa com o nome de Pansy nele e de seu acompanhante ao lado, eles se sentaram.
- Por que Draco a deixou?
- Essa é uma pergunta indelicada Potter. – Ela o observou, soltando a mão dele e pegando uma taça de champanhe. - Se eu responder, você terá de fazer o mesmo.
- Certo. – Harry concordou acenando sua taça para ela.
- Par ti para a Irlanda, para estudar. Queria continuar meus estudos, me especializar. Draco não queria que eu fosse, mas não éramos noivos, apenas namorados, e eu julguei que era o melhor para mim no momento. Ele não aceitou a distância. Decidiu terminar comigo.
- Não lutou por ele? Ou já tinha alguém mais interessante em vista?
- Nenhum homem merece que uma mulher lute por ele. E não, eu não tinha ninguém a vista. Draco sempre fora único para mim. Eu realmente estava concentrada nos meus estudos.
- Nesse caso, lamento por Draco não ter sido o que você esperava.
- Tenho certeza que não lamento! Acredito que foi melhor assim.
- Se você diz – Harry acrescentou em um tom que demonstrava claramente que ele não acreditava nela.
- Olha, minha mãe virá atrás de você em alguns minutos, ela não tira os olhos daqui.
- Noto que não se dá muito bem com ela.
- Frederick não é meu verdadeiro pai. Ele nos abandonou antes que eu nascesse. Mamãe estava comprometida com Frederick e ele era apaixonado por ela, incapaz de ver que desde cedo mamãe queria mais de um homem em sua cama. Ela terminou grávida e ao que sei, meu pai biológico não a assumiu. Ela casou com Frederick e eu nasci de forma prematura. Essa foi a grande mentira de sua vida, das nossas vidas. Acho que está no meu destino, ser abandonada pelos homens sempre que as coisas ficarem sérias.
Ofegante, Pansy parou de falar e mordeu o lábio trémulo, horrorizada com o que acabara de confessar a Harry Potter.
Harry ficou perturbado ao notar a angústia nos olhos sombrios dela, mas sufocou rápido qual quer instinto protetor. Não deixaria, de modo al gum, se enganar por aquela mulher.
- Frederick sabe?
- Soubemos durante a guerra. Mamãe pensou que ia morrer e quis confessar seus pecados. Frederick é meu pai de todas as formas.
- Entendo.
Nesse momento Pansy ouviu a voz de Astoria a pouca distancia. Aquilo só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto. Pansy nunca imaginara que pudessem colocá-la na mesa dos noivos, mas pressentiu o toque de Astoria naquele arranjo. De qualquer modo, Pansy tranquilizou-se notando que Harry a protegia da visão do casal feliz. As vozes, entretanto, não eram tão fáceis de ser bloqueadas.
Pansy tentou ignorá-los no decorrer da recepção. Ela se manteve conversando com outras pessoas próximas a eles, que claramente estavam mais interessados em Harry Potter do que nela. Ela rezava silenciosamente para que Potter tivesse cuidado com o dizia, para que ele não estragasse o disfarce deles.
Quando as pessoas os deixaram em paz por um momento, enquanto o buffet era servido, Pansy achou melhor advertir Harry.
- Tenha cuidado com o que diz, Harry!
- O que prefere que eu diga? - Franziu o cenho ao ouvir a risada infantil de Astoria. - Sabe o que eu acho? Você deveria sentir pena do Malfoy, ele terá de conviver com essa ri sada pelo resto da vida. Se é que vai aguentar muito...
- Desejo o melhor para eles.
- Mentirosa... - Harry ergueu a taça de champanhe e ficou observando o movimento da bebida enquanto a balançava. - Como todas as mulhe res, você é vingativa e não pode esperar para ver seu amado arrastar-se a seus pés.
- E fácil acreditar que as mulheres que você conhece ajam desse modo - comentou com des prezo. – Mas eu não gosto do papel de vítima, e é por isso que você está aqui. Não tenho a mínima von tade de causar ciúme em Draco e, para dizer a verdade, não conseguiria, considerando que ele está tão indiferente. Além disso, Draco sempre se achou melhor que você.
No entanto, Pansy verdadeiramente imaginou muitas vezes a cena amorosa na qual Draco apareceria para implorar seu perdão.
- Os olhos verdes se estreitaram, e os lábios de Harry se curvaram com desdém.
- Você concorda? Acha que não sou melhor do que aquilo?- Fez um gesto arrogante com os ombros e olhou com altivez na direção de Draco.
- Você tem a si mesmo em alto conceito, não é?
- Minha auto-estima sempre foi elevada, con cordo. Mas escute, sei que hoje está sendo um dia trau mático para você, então por que não esquecemos esse tolo insensível que a humilhou e relaxamos? A comida está ótima, a bebida poderia ser melhor, mas é farta, e não permitirei que sua farsa seja descoberta. Alegre-se, coma, beba e dance um pou co. Aproveite o charmoso companheiro que sua amiga lhe enviou. – Disse Harry com um sorriso sedutor.
- Charmoso?! - Pansy riu.
- Tenho uma reputação a manter - disse Harry, com ar solene. - Então, combinado?
Naquele momento Harry levou a mão de Pansy aos lábios e beijou-a de maneira delicada, enviando ondas de calor pelo corpo todo dela, o que a surpreendeu. Estar suscetível ao toque sensual das mãos de Harry Potter quando o homem que amava estava a menos de meio metro de distância, era inacreditável.
O sorriso que ele lançou a Pansy em seguida chegava ao li mite do irresistível, então, ela resolveu erguer a taça, e concordar com a proposta.
