CAPÍTULO V
- Pansy, querida, ele é lindo demais! Como aconteceu?
- Magia, Emília - Pansy res pondeu à amiga de escola.
- Sim, inacreditável! Você e Harry Potter, quem diria?! Aposto que todos aqui estão morrendo de curiosidade para saber tudo.
Harry estava dançando com a noiva, dando um show de graça e coordenação. Nem parecia aquele menino desengonçado na abertura do baile de inverno no quarto ano.
- Você não costumava ser enigmática - res mungou a amiga, os olhos fixos no movimentos de Harry. - Está até com uma aparência diferente.
Emília olhou com despeito para o corpo esguio de Pansy, que mal ouviu o comentário. Harry podia ser um grande convencido, mas tinha motivos para isso. Possuía controle, graça e habilidade suficientes para ganhar a admiração de todos os presentes. Além é claro, de ser o menino que sobreviveu.
Ele ainda era uma incógnita. Apesar de, du rante toda a recepção, ter se comportado com char me e desembaraço, ele rebatia todas as pergun tas pessoas que diziam respeito a si próprio, sem respondê-las de maneira direta. Por que o mistério? Tudo bem que ele era o melhor auror do Ministério da Magia Inglês, que vivia em missões secretas e tal, mas isso não justificava as poucas informações sobre si. Ele só repetia o que diziam os tabloides. Harry Potter era cheio de segredos.
De súbito, Harry olhou na direção dela. Em vez de desviar o olhar, Pansy o manteve fixo no dele, o queixo erguido. Havia uma indagação e um desafio no olhar de Harry. Em seguida, a expressão dele mudou para evidente desejo e luxúria.
Nunca nenhum homem a fitara daquele modo, nem mesmo Draco. A mensagem contida nos olhos verdes era uma con fissão clara de volúpia. Pansy nunca experimen tara até então as sensações selvagens e conflitan tes que percorreram seu corpo. E ela nunca imaginou que o menino de ouro podia olhar para alguém assim.
Pansy permaneceu imóvel, incapaz de reagir ao calor que Harry lhe transmitia à distância. Sabia que estava sendo vítima das próprias necessidades básicas, mas sentia-se impotente para resistir.
Harry desculpou-se com a parceira de dança e seguiu em direção a Pansy.
- Esta é Emília, Harry, não sei se recorda dela de Hogwarts. - Pansy ficou ner vosa quando ele se aproximou.
- Olá, Emília! Ainda não dancei com Pansy, importa-se se eu a roubar por alguns minutos?
Quando se deu conta, Pansy já estava na pista, nos braços de Harry.
- Hoje está sendo completamente diferente do que eu esperava, Parkinson.
- É mesmo? - Pansy sentia todo o seu ser reagir à proximidade de Harry. Havia bebido de mais.
- Afirmaram para mim que você era muito boa e bonita, mas eu não estava preparado para os cabelos fartos e macios, a pele sedosa e perfeita, os lábios sensuais e apetitosos que encontrei.
Pansy engoliu em seco, ciente do poder que a voz e o olhar de Harry exerciam em sua libido. O bom senso disse-lhe que seu ego magoado estava frágil e traumatizado, ansiando, com urgência, por carinho e atenção. Ela tentou pensar sobre o que ele disse, qual seria o sentido daquilo, mas era difícil conciliar o ra ciocínio com a febre em seu sangue por Harry Potter.
- Muito poético. - Pansy esforçou-se por co locar uma nota de desdém na voz.
Pansy resolveu concentrar-se nos passos da dan ça. Seria o cúmulo da estupidez deixar-se envolver por um olhar e uma voz sensuais. Ainda mais o olhar de um homem que a detestara até então, com quem ela nunca teve um relacionamento amigável.
- Como imaginou que eu estava? - Pansy sentiu-se curiosa.
- Ainda a cara de buldogue de Hogwarts.
Pansy riu.
- Já havia esquecido esse apelido.
- Tem todos os motivos para tal.
- Você é mesmo muito galante Potter. Talvez seja por isso que Luna o descreveu como perfeito cavalheiro, apesar de ela não ter feito advertências quanto ao seu comportamento um tanto...conquistador.
- Luna, nossa amiga travessa - Harry também sorriu. - Mas fique tranquila, nunca misturo negócios com prazer.
- Fico feliz em saber. - Disse Pansy com pouca firmeza.
Merlin, como podia ser tão tola a ponto de se deixar levar por uma conversa macia e o brilho do olhar verde? Aquela atração era superficial, apenas isso. Pansy tentou se convencer de que seus sentidos estavam confundidos por todo aquela champanhe que ela tomou.
- Eu é que ficaria mais do que feliz em ser seu acom panhante sempre, querida.
Pansy tinha quase certeza de que Harry que ria provocá-la, e aquilo a ajudou a lutar contra a magia que a música, a atmosfera... e ele exerciam sobre ela.
- Sinto-me lisonjeada, Harry, mas você não é o tipo de homem com quem costumo sair.
Com habilidade, Harry evitou uma colisão com um casal que dançava ao lado deles.
- Na verdade, eu não estava pensando em sair... - admitiu ele, com olhar maroto.
- Duvido que sejamos compatíveis.
- Estranho... Não é o que seu corpo parece dizer. – Ele deslizou a mão pelas costas de Pansy.
- Não sei do que você está falando – Pansy lutava para ignorar a atração que ela sentia por ele.
- Será que o problema é que você, como todos os puro-sangues, não deseja se misturar com alguém que não seja de sua classe social? Eu seria, como mestiço, um estorvo para uma distinta bruxa de sucesso e tradição?
Pansy notou o menosprezo e a ironia nas palavras ásperas.
- Está me chamando de esnobe e preconceituosa? - ela indagou. - Você não acredita nisso, não é mesmo Harry?
O leve roçar dos dedos dele na nuca de Pansy enviou ondas de arrepio pelo corpo dela. Com a outra mão, Harry a puxou para mais perto, e Pansy teve de lutar contra a tentação de apoiar a cabeça naquele tórax sólido e musculoso.
- Diga-me com franqueza, Pansy, se eu fosse um puro-sangue como seu amado "ex", ainda assim estaria lutando contra a atração que sente por mim?
A comparação entre aquela insanidade tempo rária com o que sentira por Draco teria feito Pansy sorrir em outras circunstâncias. Sempre idolatrara Draco, sem restrições, mas nunca sentira nada, nem de perto, tão arrasador e inebriante nos bra ços do ex-namorado. Harry exercia um poder de atração tão forte, que ela nunca experimentara antes, com homem nenhum.
- Não quero mais complicações emocionais em minha vida, Harry. Começo a crer que termos vindo aqui juntos foi um erro.
- Mas não acha que o que está havendo aqui é muito mais instintivo do que emocional? Não são os nosso sentimentos que estão no controle, mas nossos corpos.
Quando o fitou, Pansy notou algo muito poderoso no rosto bonito. Sem perceber, passou a observar os lábios dele, e o calor que já dominava seu ventre propagou-se para as pernas e os braços.
- Esse é um pensamento tipicamente masculino. As mulheres, em geral, não se contentam apenas com um envolvimento físico, sem sentimentos.
- Pensei que houvesse desistido de se envolver. - Harry ergueu as sobrancelhas. - Então, só posso concluir que fez um voto de castidade.
- Seria assim tão ultrajante?
- Acho que, para algumas pessoas, o celibato pode ser uma boa saída. Gente com personalidade assexuada, sem dúvida, mas esse não é o seu caso. Você é muito sexy, muito atraente. Seria um desperdício se reprimisse sua natureza verdadeira.
- E você me conhece desde que nasci, por isso pode dizer de tudo a meu respeito sem risco de errar! - ela deu um sorriso irônico.
- Acho que é o tipo de mulher que tem medo de contrariar seus princípios, Pansy. Conquistou sua independência e autossuficiência, mas, quan do surge a oportunidade de se expor, o que faz? Corre em busca de alguém para fingir ser seu homem, pois assim poderá se misturar a seu meio. Precisa ter coragem para fazer o que quer. Tenho a impressão de que prefere não se arriscar.
Aquelas palavras tocaram fundo nas dúvidas que Pansy tivera ao decidir buscar alguém para acompanhá-la ao casamento. Harry Potter estava certo no que dizia, mas ela não iria admitir isso a ele.
- Quer dizer que o único modo de eu demons trar que sou capaz de tomar atitudes radicais será indo para a cama com você? Ou seja, escolher a opção do perigo?
Harry não pareceu se abalar com a acusação.
- Não me diga que chegou a pensar nessa pos sibilidade!? - indagou ele, um sorriso brincando nos cantos dos lábios.
O impulso de negar aquela indagação desapa receu quando Pansy deparou com a expressão brincalhona de Harry. A música parara e ambos haviam ficado imó veis, no meio do salão. A atenção de Pansy es tava tão concentrada no parceiro que não ouviu Draco na primeira vez em que a chamou.
- Dê-me o prazer da próxima dança, Pans.
Pansy se virou, de olhos arregalados, as fa ces ainda coradas em consequência das sensa ções perturbadoras que o diálogo com Harry havia despertado. Ela encarou Draco.
