CAPÍTULO VII

Ainda observando Harry partir, Pansy mal se deu conta da presença de Astoria a seu lado. A noiva não perdeu tempo em começar a falar, os lábios trémulos de raiva:

- Eu deveria ter imaginado que você tentaria arruinar meu dia por puro despeito!

Pansy encarou-a sem saber o que dizer ante uma acu sação tão absurda.

- Por que eu faria uma coisa dessas, Astoria? - A última coisa que Pansy queria, naquele momento, era uma cena desagradável.

- Como se não soubesse! Imagino que não te nha notado que Draco não tira os olhos de você.

- Não, não notei. Harry me distrai o tempo todo. - Disse Pansy com um sorriso complacente.

- Não acredito que você esteja com o Potter, você é tão insignificante! Se bem que ele gosta desse tipo não é mesmo? Afinal ele namorou uma Weasley.

- Acredito que o que Harry é ou deixa de ser não te diz respeito Astoria. Você só precisa se preocupar

- Tem razão. Mas lembre-se que o Potter é o salvador do mundo e isso lhe dá status e gloria, atrai muitas mulheres melhores que você! Então tenha cuidado para não ser trocada mais uma vez.

Pansy não respondeu. Astoria tinha conseguido perturbá-la.

- Eu só não consigo entender o motivo de ele te escolher.

- Por que se importa? É uma mulher casada agora!

- Eu me importo com ele, não com você. A imagem dele pode ficar arruinada. Você não é a melhor companhia. Você nem mesmo tem o corpo apropriado para usar este tipo de roupa, fica vulgar.

- Então, imagino que Draco só esteja abismado com minha falta de gosto - respondeu Pansy a ponto de perder a paciência. – Escuta, você não tem motivos para se preocupar, Astoria. Não tenho a mínima intenção de roubar seu marido. E mais, desejo que vocês sejam absurdamente felizes. Não estou sozinha, lembra-se?

- Muito me admira, Pansy! Potter ainda não descobriu que você é frígida? - Os olhos da loira brilharam com malícia, e ela riu. - Draco me disse que estar com você era como dormir com uma estátua. Daphne também comentou algumas vezes, o quão casta você é. Por isso eu não estava preocupada com meu marido, eu sei o que fazer com ele na cama, coisa que você nunca soube.

Com um sorriso triunfante, Astoria se afastou, as longas saias de seda farfalhando no piso de mármore. O véu se arrastando logo atrás.

Pansy surpreendeu-se com seu autocontrole. Cada flecha de maldade lançada pela irmã de sua melhor amiga atin gira direto o alvo, mas não deixara que Astoria percebesse. Ela precisava se conter e manter sua fachada de tranquilidade. O casamento estava acabando e logo essa tortura terminaria.

- Você parece pálida. Está tudo bem? - Harry retornara com uma xícara de café fumegante, materializando-se ao lado dela.

- Desculpe-me, falou comigo?

- A conversa com a noiva esfuziante deixou-a arrasada?

- Não tenho a mínima intenção de comparti lhar o conteúdo vil da conversa com Astoria. – Pansy bebeu um gole do café e devolveu a xícara para Harry - Vou ao toalete retocar a maquiagem.

Harry não pôde deixar de admirar a linha de terminada do maxilar que se destacava no rosto delicado. Pansy Parkinson era uma mulher de muita coragem, além de muito bonita e atraente.

Quando Pansy voltou do banheiro a noiva estava pronta para deixar o salão para a suíte de núpcias. Todos os convidados estavam reunidos para o ritual da despedida dos noivos, quando Astoria encarou Pansy com um olhar de triunfo e malícia.

Lembrando-se de sua conversa com Draco durante a recepção, Pansy quase sentia pena de Astoria, com ênfase para o "quase". Astoria merecia e Pansy não desviou o olhar, manteve-o fixo no rosto maldoso da noiva, que se virou apenas para lançar o buquê.

Pansy foi surpreendida pelo arremesso certeiro do buque em sua direção. Segurando o ramalhete, ela teve de fazer força para não chorar, sobretudo quando notou que os outros convidados riam e comentavam em voz baixa.

Pansy sentiu quando Harry a enlaçou pela cintura, beijando-lhe o rosto e, quando ela olhou para ele, os lábios. Aquilo serviu para atrair a atenção para eles e todos aplaudiram. Quando Pansy olhou para Astoria, ela tinha as faces coradas de raiva, e quando ela olhou para Draco, ele a olhava intensamente com uma expressão magoada nos olhos.

- Acha que notariam se eu me recolhesse sem me despedir? – Pansy sussurrou para Harry.

- Tenho certeza de que todos notariam se nós nos recolhêssemos.

- Vamos apenas agradecer aos anfitriões e subiremos em seguida. Estou com muita dor de cabeça.

Harry concordou e eles se dirigiram aos noivos e pais destes. Após breves agradecimentos, Pansy e Harry seguiram para o quarto indicado por Narcisa, e ela agradeceu a Merlin por não ser ao lado do de Draco, apesar de ser no mesmo corredor. O quarto era parecido com qualquer outro dormitório da mansão: luxuoso e impessoal. Pansy suspirou.

- Acho que agora já podemos deixar de repre sentar: livre-se disto.

Pansy franziu o nariz, desgostosa, ao colocar o buque nas mãos de Harry.

- Mas ele é um sinal de que se casará em breve, não é?

- Não se eu tiver um pingo de bom-senso.

- Acho que está desafiando o destino, Pansy. Ou devo chamá-la de srta. Parkinson, agora que meu papel de acompanhante oficial terminou.

- A única coisa que deve fazer é ficar em silêncio.

- Pelo visto, está sendo torturada pela ressaca.

- Um pouco, e você?

- Bebi pouco, não tenho o costume de me entregar ao álcool.

- Imagino que não. Ouça, tive um dia terrível e não estou com a mínima vontade de ficar conversando.

Pansy tirou os sapatos e dirigiu-se a cama, deitando-se. Ela pretendia descansar por algum tempo. Através dos olhos semicerrados, notou que Harry se esticara no sofá, que, por sinal, era pequeno demais para acomodá-lo. Ela sabia que devia oferecer-lhe a cama para que ele descansasse, mas manteve a boca fechada. Um pouco de desconforto não faria mal a ele, pensou. Afinal, ele a tinha torturado diversas vezes durante a noite.

- Astória não tem uma irmã que era sua amiga? – Harry questionou, parecendo não ter ouvido o que Pansy dissera sobre não querer conversar.

- Tinha, Daphne morreu na guerra. - Os olhos de Pansy se encheram de lágrimas, mas ela tentou disfarçar. - Bem, vou cochilar um pouco, Harry. - Pansy fingiu um bocejo.

O dia para ela fora mais estressante do que antecipara e as pálpebras estavam pesadas. Resolveu relaxar, sabia que Harry não tiraria proveito da situação. Sem notar, caiu em sono profundo e não percebeu quando uma coberta foi estendida por cima dela.