Eu queria primeiro me desculpar pela demora, mas aqui está — finalmente — o capítulo 02. Eu vinha tendo uns problemas em como concluir esse capítulo — além da falta do tempo (o contato social parou, mas meu colégio não para por nada) —, porém, finalmente, algo minimamente decente saiu dentro do que eu tinha imaginado, primeiramente, para essa história.
E eu também queria agradecer pelos comentários! Vocês não imaginam o quão feliz e quão mais motivada eu fiquei quando eles chegaram no meu email.
Então, eu acho que é isso. Esse aqui ficou um pouco mais longo que o primeiro e teve mais James-Lily, e eu espero que vocês gostem e comentem. Boa leitura!
Dependências
Capítulo 02
por lumosmaqixma
James estava atrasado. Bem, quase atrasado. Deveria encontrar-se com Lily na sala de poções em seis minutos, e ele estava na Torre da Grifinória. Se fosse qualquer outro aluno, mesmo atlético, levaria, no mínimo, dez minutos para alcançar as masmorras correndo. Porém, James Potter não era qualquer aluno. Ele era curioso e maroto. Por isso, entre passos apertados, o garoto chegou a uma das estátuas do sétimo andar, certificou-se de que não seria visto, e sussurrou um feitiço que fez a estátua mover-se, revelando uma das muitas passagens secretas da escola.
James, definitivamente, não era um aluno qualquer.
E, guardando a varinha em suas vestes, o grifinório apressou-se entre as paredes do castelo, alcançando um dos corredores das masmorras às 18h58, como ele checou em seu relógio de pulso, e caminhou calmamente até a sala de poções, encontrando uma Lily que havia entrado no aposento há menos de 30 segundos. Seu timing era perfeito.
— Eu não esperava que você chegasse aqui no horário. — foi o comentário da ruiva quando deixou suas coisas numa bancada e virou-se, apoiando-se nessa, para ver James poucos passos atrás dela.
— Você se surpreenderia com as coisas que posso fazer, Evans. — James comentou, com seu clássico sorriso torto no rosto, passando a mão sobre os cabelos rebeldes em seguida, num movimento ansioso pela reação dela.
A monitora-chefe apenas levantou uma sobrancelha em resposta e preferiu não fazer comentários. Ele provavelmente deveria filtrar melhor o que dizia para a garota, mas era tão mais divertido deixá-la desconfortável, e James não conseguia evitar dar-se esses pequenos prazeres. Ele sorriu.
— Então — ela começou, mudando de assunto, enquanto tirava vários livros de sua mochila e espalhava-os de maneira ordenada pela bancada — eu estava pensando em começarmos pela Poção Audiens, que é rápida, simples e não causa muitos danos se mal preparada.
O maroto assentia enquanto Lily falava, contendo sua vontade de começar a brincar com ela simplesmente para despertar alguma reação dela, qualquer uma. Diversão, ódio, incredulidade. Ele faria qualquer coisa para quebrar aquela barreira de indiferença entre eles.
Ela abriu um dos livros e colocou diante dele, explicando os procedimentos da poção. — Primeiramente, nós vamos precisar de três joaninhas…
Ele estava atento a cada palavra dela, ele estava, de verdade. James sabia como precisava dessas aulas e não estava disposto a desperdiçá-las, mas Lily não estava facilitando para o garoto. Ela era a primeira em poções — e em outras matérias — no ano deles, a ruiva, naturalmente, gostava da matéria e Potter podia ver isso nitidamente em seus olhos esverdeados que brilhavam conforme ela falava. Ele nunca estivera tão próximo, nunca tivera a chance de examinar seu rosto tão bem.
A esse ponto, o garoto não ouvia mais a explicação da monitora-chefe. Ele estava absorto demais em seus olhos para conseguir prestar atenção em qualquer outra coisa. Era como se o mundo tivesse parado e só existissem aqueles olhos, fitando-o. Eram belos olhos.
James sentiu um cutucão no braço, arrancando-lhe de seus pensamentos.
— Potter? Você é surdo? — Lily dizia, cruzando os braços na altura do peito, com uma expressão impaciente no rosto.
— Uh? — Foi o único som que ele conseguiu proferir naquele momento, momento na qual ele se chamaria de idiota por não ser sequer capaz de dizer uma frase decente mais tarde.
A monitora bufou, decepcionada, como se já esperasse por isso — Os ingredientes, Potter.
— Ah, claro. — Ele passou os olhos pela página aberta, memorizando o que precisaria pegar e foi até o armário de ingredientes, grato. Alguns minutos longe dela seriam bons para ele se recuperar, apesar dele ainda não saber do quê.
Diante do armário, o garoto abriu suas portas para encontrar várias prateleiras amontoadas e empoeiradas com os itens mais exóticos. Como diabos Slughorn conseguia aquelas coisas? James demorou-se por alguns minutos, tentando localizar tudo que precisava, o que se apresentou como um pequeno desafio, já que, mesmo depois de 7 anos em Hogwarts, o garoto não fazia ideia do sistema que o professor usava no armário — ou se sequer havia um sistema. Porém, o maroto foi capaz de encontrar as joaninhas, as orelhas de morcego, o mel e o pó de raiz de suporífera e retornar para onde Lily o aguardava.
— Por Merlin, você demorou quase 10 minutos para pegar quatro coisas. — a ruiva reclamou, pondo-se a conferir os ingredientes, certificando-se de que eram os corretos. Provavelmente ela não confiava na capacidade de James de apanhar quatro coisas.
Os cantos da boca de James curvaram-se num sorriso convencido enquanto o garoto apoiava seus cotovelos sobre a bancada e procurava encontrava o olhar da monitora-chefe — Eu sei que deve ser simplesmente insuportável ficar longe de mim, mas você não precisa se preocupar, Evans. Estou aqui a noite inteira.
Ela soltou uma risada abafada ao mesmo tempo que levantava os olhos que inspecionavam as raízes de suporífera em pó para sustentar os olhos castanhos-esverdeados dele, que caiam sobre ela. — Eu acho que você quis dizer "eu sei que deve ser simplesmente insuportável ficar perto de mim", Potter.
O maroto colocou uma das mãos sobre seu peito e uma expressão de ofensa fingida no rosto, como se a garota houvesse dito o maior absurdo que ele já ouviu. — Você magoa meus sentimentos, Lily.
Lily revirou os olhos, contendo-se para não dar a satisfação de rir da cena para o garoto. — Você é um garoto crescido. Tenho certeza que consegue lidar com isso. — Ela afirmou, dando um tapinha de consolação no ombro de James. — Agora, vamos trabalhar. Não temos a noite inteira.
O moreno concordou, apesar de soltar um suspiro que deixava claro a insatisfação que sentia em estudar poções. Na verdade, ele preferia continuar provocando sua tutora em vez de fazer alguma poção chata que ele provavelmente nunca usaria na vida, porém ela não deixou isso acontecer. Apesar de James ser o mais interessado no arranjo deles, era ela quem fazia as coisas caminharem. Se não fosse por ela, eles sequer teriam fervido a água no caldeirão.
James seguiu todos os passos para a realização da poção, esperando os comandos e dicas de Lily e recebendo algumas repreensões ocasionalmente, principalmente quando ele era desleixado com algum passo. Aquela garota realmente gostava de tudo perfeito. Contudo, não era uma poção difícil, e o garoto conseguiu seguir os preparativos sem muita resistência.
— Bem — ela começou, dando uma boa olhada no conteúdo do caldeirão — até agora tudo parece estar certo. — os olhos verdes dela voaram do caldeirão para o maroto — Agora é esperar ela engrossar. Deve demorar meia hora.
A monitora-chefe afastou-se do caldeirão para sentar-se em um dos banquinhos que acompanhavam a bancada e James acomodou-se no lugar ao lado dela, um pouco incerto do que dizer enquanto os dois esperavam, mesmo tendo milhões de perguntas atravessando sua mente sobre a garota na sua frente, porque ela era malditamente impossível de ler.
Por fim, o maroto optou por fazer a pergunta que mais o havia incomodado desde esta manhã, quando ele fora conversar primeiramente com Lily.
— Por que você não gosta de mim? — O moreno perguntou, sem nenhum resquício de provocação em sua voz. Na verdade, era possível ver a sinceridade e seriedade da questão por trás dos óculos do garoto.
A ruiva franziu o cenho, certamente surpresa pela pergunta e pela honestidade no tom de James. Ela se demorou, analisando o colega por alguns segundos, para seu rosto suavizar-se numa expressão mais neutra e ela afirmou, com firmeza — Eu não-não gosto de você, Potter.
— Não, você não gosta de mim. — O garoto insistiu, cruzando os braços na altura do peito, contrariado.
A monitora-chefe revirou os olhos, o que tirou um olhar repreensível do moreno, e deu um suspiro cansado — O que te faz achar isso?
— Bem — o grifinório desviou seu olhar, um pouco incerto sobre a situação e passou sua mão direita pelos seus cabelos antes de voltar a fitar a garota — você sequer se dá o trabalho de me dirigir sua atenção, e quando você o faz, é para ser completamente seca comigo ou me lançar um dos seus olhares cheios de julgamento. — ele passou a mão pelos cabelos mais uma vez.
Lily desviou seus olhos e fixou-os no chão, apenas por um instante, em que James achou que ela pareceu desconfortável com o rumo da conversa, mas logo ela voltou a fitá-lo com a mesma impassibilidade usual — Eu não sei o que você quer que eu diga, Potter. Acho que é simplesmente como eu ajo com meus colegas. — ela deu de ombros, como que tentando afastar o tópico.
Agora, o capitão era quem revirava os olhos. Ele colocou as mãos no quadril, antes de lançar um olhar cético à garota — Qual é, Evans. Não somos só colegas. Nós moramos na mesma maldita torre há sete anos e, mesmo assim, eu sei exatamente três coisas sobre você, e uma delas é que você é monitora-chefe.
Ela mordeu seu lábio inferior antes de soltar seus braços e segurar nas bordas de seu banquinho — Você não pode me culpar aqui, Potter. Nossas personalidades, uh, não são exatamente compatíveis.
O garoto automaticamente franziu o cenho com a afirmação da ruiva, ofendido, para se dizer o mínimo — O quê, eu não sou bom o suficiente para ser seu amigo? — ele exigiu — Além de que você é amiga de Remus, um dos meus melhores amigos.
— Você e eu sabemos que Remus e você têm gênios bem diferentes. — ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha antes de lhe lançar um olhar censurável — E você sabe que não foi isso que eu quis dizer. Me desculpe se foi o que pareceu.
James não estava feliz com a resposta dela. Ele achava que ela lhe dera uma desculpa esfarrapada sobre porque por sete anos ela havia sido incrivelmente fria e distante dele. Ele queria pressionar o assunto até chegar ao fundo deste, porém ele optou por deixar a questão. Ela claramente estava desconfortável e o garoto não queria chateá-la ou estressá-la na primeira vez que estavam tendo uma conversa de verdade.
O garoto se demorou um segundo antes de responder, respirando fundo enquanto abaixava sua cabeça e a levantava logo em seguida — Está tudo bem — ele balançou a mão direita, como que afastando a questão, apesar de ainda insatisfeito com a resposta dela.
Ele sabia que, se eles caíssem no silêncio, seria um silêncio desconfortável, e foi o que aconteceu porque depois da afirmação de James, uma vez que Lily manteve-se quieta e o garoto começou a ficar nervoso. O maroto tendia a fazer um idiota dele mesmo quando estava numa situação desconfortável, e ele não queria ser mais idiota do que ele já era na frente da ruiva.
Então, ele começou a procurar tópicos para conversarem, mas acabou que não precisou deles.
Ela começou a falar.
— Você não é tão ruim em poções como eu pensei que fosse, pela nossa conversa mais cedo. — Ela quebrou o silêncio, mudando de assunto e olhando para o garoto um pouco de insegurança, incerta sobre se ele havia realmente abandonado o tópico anterior.
As sobrancelhas de James saltaram para cima diante da observação de Lily, porque a última coisa que ele esperava era ser elogiado por ela. Ele riu, aceitando o assunto mais leve dela, e dando espaço para uma expressão divertida surgir em seu rosto. — Já está me elogiando, Evans? Quem diria? Apenas uma aula e eu já conquistei o lugar aluno favorito.
Ela levantou uma sobrancelha — ela, aparentemente, fazia muito isso quando James estava por perto — e cruzou seus braços na altura do peito. — Eu dificilmente acho que dizer que você é menos ruim do que eu imaginei é um elogio. — a ruiva argumentou, o olhar firme nunca deixando seu rosto — Além disso, você é meu único aluno.
— Oh, obrigado — Ele disse, num tom agradecido como se ela tivesse acabado de dizer para deixá-lo lisonjeado — Você é única pra mim também, Evans.
Relutante, ela deixou um sorriso escapar de seus lábios enquanto balançava a cabeça em reprovação — Eu acho que nós deveríamos checar poção — ela lembrou, indicando o caldeirão com a cabeça.
— Oh, é claro — James concordou, seu tom de voz um tanto decepcionado pelo fim da conversa amigável que finalmente estavam tendo.
Os dois puseram-se de pé e aproximaram-se do caldeirão. O garoto desligou o fogo e mirou o conteúdo do recipiente. O líquido rosa, apesar de um pouco mais escuro, estava brilhando para eles, como o livro indicava que deveria estar. Lily tomou em mãos a colher que descansava sobre o balcão e mexeu algumas vezes. Ela levantou um pouco do fluido e deixou cair novamente, conferindo a textura. Estava viscoso, como deveria estar, também.
O capitão fitou a ruiva com expectativa, enquanto ela, despreocupadamente, colocou a colher de lado e apanhou um frasquinho da bancada, enchendo-o com poção e oferecendo-o ao garoto em seguida. Um tanto incerto, ele pegou o frasco, seus olhos ainda atentos sobre ela.
— Então… qual é o veredicto, tutora? — Ele perguntou.
A ruiva levantou suas íris esverdeadas para ele e manteve um semblante severo no rosto por alguns instantes, até que um sorriso começou a brincar entre seus lábios. — Excede Expectativas.
Um sorriso do próprio James abriu caminho entre seus lábios para fazer companhia ao da garota, que logo converteu-se no sorriso usual de lado dele — um sorriso maroto.
— Bem, poções não é a única coisa em que eu excedo expectativas. — ele acrescentou, ganhando mais um revirar de olhos de Lily.
Eles limparam tudo que sujaram e guardaram os objetos, levando uma conversa leve. Em seguida, Lily e James fizeram o caminho até a Torre da Grifinória, no sétimo andar, se alfinetando e rindo. Ela deu a senha à Mulher Gorda, que abriu o caminho para eles entraram na Sala Comunal. Eles seguiram, lado a lado, num silêncio, desta vez, confortável, por entre a sala até o ponto da escadaria que se ramificava no dormitório das garotas e dos garotos.
— Boa noite, amigo. — Lily despediu-se com um sorriso.
James ficou um tanto surpreso pela escolha de palavras da garota num primeiro momento, para, em seguida, um sorriso agradecido surgir em seu rosto — Boa noite, Lily.
Ela, então, virou-se, dando as costas para ele, e subiu as escadas para o dormitório das garotas do sétimo ano. Ele aguardou um segundo, observando a monitora desaparecer sob as escadas antes de fazer o caminho para seu próprio dormitório.
