Não tenho muito a falar sobre o capitulo, apenas espero que gostem! Boa Leitura! ^^

/ * /

O canto dos pássaros ajudou a relaxar naquela tarde, havia ido à biblioteca com Kouha para que pegasse um livro ou dois para ler. Aneesa adorava ler e quando não fazia gostava de cavalgar por aí como uma pessoa livre, sentir o vento contra si a fazia esquecer que havia deveres com seu povo, mesmo que seu reino estivesse decadente. Havia se passado dois dias desde que cavalgara com Kouen e que na mesma noite escutara a criada dizer que ele passaria a noite com princesa Milianna.

Se lembrava do aperto no peito que sentiu e apesar de não tê-lo visto desde aquele dia, ainda sentia sensações estranhas quando ouvia somente o nome dele. Mas achou que não era nada e que estivesse ficando gripada. Em uma parte do jardim, onde havia uma enorme árvore de cerejeira, Aneesa se encontrava abaixo dela desfrutando de sua leitura. Keira havia chamando-a para treinar o manuseio de espada, mas estava em duvida se iria.

Porém, sua leitura foi interrompida com o barulho de algo e ao se virar deparou-se com a irmã mais nova de Kouen, Ren Kougyoku. Ela trajava um kimono simples, mas com as mesmas características: mangas longas e folgadas, onde ela usava-as como "esconderijo" em situações de constrangimento.

- Kougyoku-sama, deseja alguma coisa? – falou Aneesa se levantando e se curvando.

Notou que ela estava sozinha, não estava acompanhada de dois guardas e seu fiel acompanhante. No qual ela nem se recordava o nome.

- Ah, não... É que... – ergueu as mãos tampando o rosto que atingiu uma coloração escarlate – Apenas... Bom, queria conversar – disse mais calma e deixando seu rosto a mostra – Notei que fica mais distante das outras, como possui uma personalidade como a minha, achei que...

Aneesa sorriu docemente e esticou a mão demonstrando para que se sentasse, assim a mais nova o fez. Sentou-se diante de Aneesa e começaram a conversar.

- Se me permite dizer, notei que também é bem distante de todos no palácio. Não se dá bem com seus irmãos? – perguntou Aneesa.

- Mais ou menos – disse fitando suas mãos escondidas pela manga do kimono – Os únicos que conversam comigo são Judal e Kouen, mas quando eles estão ocupados ou ausentes, acabo ficando sozinha – sorriu entristecida – Kouha não tem muita paciência em falar comigo, está mais preocupado em tocar o terror nos inimigos e no treino, Koumei sempre é atarefado e me ignora completamente – explicou.

- Entendo – disse ela – Eu possuía apenas um irmão, mas ele também não tinha muita paciência comigo – riu divertida – Então aprendi a apreciar a minha própria companhia – virou-se para a ruiva – E depois... Do que houve, fiquei ainda mais sozinha – completou dando um suspiro.

- Ouvi Kouen comentar que em seu reino na família real, para que um irmão seja superior ao outro e possa governar Xian ele deve derrotar o outro. É verdade que matou seu irmão? – indagou curiosa e temerosa com a resposta.

- Pode guardar um segredo? – Kougyoku assentiu – Não o matei, mas ele ficou gravemente ferido e por vergonha foi embora. Não tive coragem de matá-lo, apesar de possuir grande ressentimento para com ele – suspirou.

- Acho que eu também não conseguiria matar nenhum de meus irmãos, nem mesmo Kouha ou Koumei – comentou.

A conversa com Kougyoku era até agradável, Aneesa pensou. Logo estavam conversando sobre Sindria, um lugar encantador que a princesa havia conhecido e claro sobre o rei Sinbad. A princesa de Xian sorria pela forma como Kougyoku falava sobre Sinbad e notou claramente seus sentimentos pelo rei de Sindria. Mas também viu que a mesma não era correspondida.

Enquanto conversavam, nem perceberam que eram observadas por alguém.

Kouen naquele momento estava em um escritório dentro do palácio que dava acesso a aquela ala do jardim enorme que cercava o fundo do palácio. Aproximou-se da janela para abri-la e foi quando viu as duas ali sentadas debaixo da cerejeira, conversando e rindo sobre coisas que ele desconhecia, mas que atiçou sua curiosidade. Ficou ali por um tempo apenas observando-as, de vez em quando mexia em um livro repousado em uma mesa retangular e grudada na parede ao lado da janela.

Folheava o livro, mas apenas era pretexto para continuar ali as observando. Principalmente Aneesa, que naquela tarde parecia mais bonita e suave do nunca, era incrível como ela conseguia mudar de postura dependendo do lugar em que ela se encontrava. Durante as refeições, ela era séria, sempre postura ereta e com medo de cometer alguma falha, mas quando estava fora do palácio ela falava de forma suave, calma e sorria mais. Por um momento sentiu inveja de Kougyoku por receber aqueles sorrisos que mostravam animação e entusiasmo com a conversa.

O sorriso que ela deu quando cavalgaram pela floresta rondou a mente de Kouen e ele sempre o via em seus sonhos. Porém, o que o irritava era não saber que tipo de ligação ela possuía com Judal, aquela frase ecoava em sua mente e ás vezes acaba pensando besteira. Chegou a imaginar Judal tocando o corpo pequeno daquela garota, imaginou a boca dele desfrutando daqueles lábios. Por mais que Judal fosse um magi, ele possuía um corpo humano e não estava imune aos desejos que um homem sentia.

Vendo que sua irritação havia retornado ele largou o livro que havia pegado na mesa ao lado da janela e retornou para a grande mesa onde mapas estavam abertos e mostravam todos os reinos daquele mundo. Sentou-se a cadeira e tentou se concentrar em sua respiração. E depois de muitas tentativas ele conseguiu se acalmar e voltar a se concentrar no que fazia.

- Está aí! – ouviu a voz de Koumei suar na porta.

- Me procurava? – indagou sem tirar seus olhos do livro que lia no momento.

Koumei assentiu e caminhou pelo escritório com seu leque de penas frente ao rosto, chegou perto da janela e viu a mesma cena que Kouen.

- Elas parecem ter se dado bem – comentou descontraído.

- Parece que sim – respondeu ele desinteressado.

Koumei se voltou para ele e o fitou, apesar de parecer calmo sabia que aquela mente aguçada do irmão mais velho estava borbulhando. Sua respiração estava alterada e ele por ser mais observador conseguia notar a diferença, coisa que mais ninguém conseguia.

- Pela sua feição me parece que não superou o passeia a cavalo com a princesa Aneesa – disse o fitando – Pensei que a noite que teve com a princesa Milianna, fosse ajudar. Foi tão ruim assim? – riu por detrás do leque.

- Pelo contrario, Milianna será uma boa esposa, mas somente se o homem quiser sua cama sempre quente, para o resto eu duvido muito que preste – respondeu e Koumei se surpreendeu com a resposta – O que quer?

- Estava com nosso pai, ele me pediu para lhe avisar que fará uma espécie de prova... Ele quer saber se as princesas são capazes de lhe satisfazer em todos os sentidos, não só o carnal – contou e esperou alguma expressão ou resposta dele.

E logo o teve. Kouen abaixou o livro e o olhou com confusão nos olhos pequenos e suaves, naquele momento.

- Que tipo de prova?

- Bom, ele não falou. Disse que quer fazer suspense, mas logo ficará sabendo – falou pensativo.

- Então acho melhor eu me preparar para tudo, dependendo de nosso pai... Desse teste pode vir qualquer coisa – falou apoiando a cabeça na mão levemente fechada enquanto seu cotovelo apoiava-se no descanso de braço da cadeira – Terei que avaliá-las?

- Não sei ao certo, mas parece que será individual. Mas não adiante especular, terá que esperar nosso pai se pronunciar – disse tão inconformado quanto Kouen.

Mas o mais velho se sentia ainda mais frustrado. Kouen odiava falta de conhecido, sobre tudo, seja de um assunto, uma história, um acontecimento, qualquer coisa. Não era atoa que estava quase se descabelando por não saber o que ligava a princesa Aneesa com Judal. E as provocações apenas pioravam sua situação e curiosidade.

Achando que havia passado tempo demais naquele cômodo, Kouen se levantou e se esticou escutando os braços estralarem.

- Onde está Kouha?

- Treinando.

Kouen assentiu e saiu do escritório tendo Koumei logo atrás de si. Talvez treinar um pouco aliviaria a tensão.

/ * /

Depois de se conhecerem um pouco mais, Kougyoku e Aneesa acabaram se entrosando melhor ainda. A conversa agora era animada e se encaminhavam para a área de treinos onde Keira lutava espadas com Kouha, ao chegarem viram os dois no gramado em uma parte do fundo do palácio onde não havia flores ou plantas para serem pisoteadas e assim poderiam treinar sem algo lhe impedindo.

Keira exibia um sorriso nos lábios e parecia feliz, principalmente quando Kouha vinha com tudo para cima dela com sua espada. Aneesa até se animou um pouco vendo os dois lutarem, sentiu-se empolgada e quis entrar no meio para participar da luta, mas achou melhor esperar. Quem vencesse lutaria contra ela.

Mais a frente Aneesa viu o primeiro príncipe chegar à área aberta enquanto Koumei seguiu reto indo para outro lugar e logo sumindo quando adentrou uma porta do palácio. Seus olhos se conectaram e sem jeito pela presença dele acabou desviando e quebrando o contato que havia estabelecido. Kougyoku observou a cena calada e sorriu internamente, era obvio que Aneesa estava interessada em seu irmão, tão claro quanto os seus por Sinbad. Límpidos como a água, ela sorriu.

- Você é bom – respondeu Keira atraindo a atenção de todos, ela estava deitada no chão com a espada de Kouha apontada para seu pescoço – Nunca ninguém conseguiu me empolgar durante um treino ou uma luta de verdade, você conseguiu isso.

- Bom saber – riu Kouha e ao virar o rosto avistou Aneesa e logo acenou – Que tal lutar comigo, princesa de Xian?

- Estava apenas esperando – respondeu Aneesa se aproximando e Kouen não perdia nenhum movimento seu.

Keira saiu do campo e foi para o lado de Kougyoku, que sentou-se em um tronco posto ao chão e usado como banco, as duas ficaram a observar Aneesa que escolhia uma das espadas. Kouha se sentia entusiasmado, era difícil de encontrar bons guardas que soubessem lutar pra valer, muitos pegavam leve com ele por ser príncipe, mas com a princesa Keira ele se sentiu vivo como nunca e agora esperava que Aneesa o desse algum tipo de divertimento. Ou que fosse, pelo menos, estimulante.

Após escolher sua espada Aneesa se preparou parando diante de Kouha, que mostrava um sorriso ardiloso que dizia claramente o quão eufórico estava com aquela luta. Preparam-se e então o primeiro golpe de ambos os lados foi proferido e as espadas se chocaram, Kouha tentava avançar, mas Aneesa conseguia bloqueá-lo com maestria. Era notável a felicidade do garoto com a luta iniciada.

Kouen se mantinha de braços cruzados apenas observando o chocar de espadas, mas também aproveitava para fazer uma analise critica a respeito da desenvoltura da princesa. Se a comparasse com Keira ela precisaria melhorar um pouco mais, Aneesa apesar de saber manusear uma espada não parecia querer machucar Kouha ao contrario de Keira que avançava nele com fúria e garra. Por outro lado o primeiro príncipe observava a postura dela, novamente diante dele se encontrava outra princesa.

Não era aquela com jeito tímido e retraído, era aquela com um sorriso vivo e um olhar cheio de mistérios, e que estes o estavam fazendo perder o sono.

De repente uma das espadas sobrevoa e assim a cena de Aneesa apontando a espada para Kouha é mostrada, deixando Kouen surpreso. Ninguém nunca fora capaz de vencer o irmão, apenas ele.

- Ando me surpreendendo com vocês, achei que fossem apenas garotas mimadas e fingiam saber lutar, mas me enganei – disse ele sorrindo de canto – Peço perdão por zombar de vocês... Mentalmente – falou simplesmente e se erguendo – Então quem vai lutar contra Aneesa agora? Quer participar Kougyoku? – olhou para a irmã mais nova.

A princesa olhou do mais novo para o mais velho, ela viu claramente o brilho de desafio naqueles olhos suaves e tão penetrantes de Kouen. Negou e deu a vez para o irmão, que se sentia eufórico com a possibilidade de lutar com Aneesa. Mesmo que seja apenas um treino.

- Eu gostaria de participar, se possível!

A voz arranhada e carregada de deboche ecoou acima de suas cabeças e ao ergue-las depararam-se com Judal flutuando no ar, de braços cruzados e os olhos carmesim queimando em cima de Aneesa. Que desta vez o encarou com seriedade. Mas era apenas por estar com a adrenalina da luta de segundos atrás, se estivesse em seu "estado normal" abaixaria a cabeça e sairia dali.

- Você vai acabar matando ela – comentou Kouha com desdém – Kouen é quem vai lutar contra Aneesa! – retrucou.

Judal desceu e com seus pés tocou a grama verde do quintal do palácio. Uma rajada de vento soprou e o sorriso de canto do magi negro se alargou ao ver a face séria da princesa.

- Esse semblante sério não combina com você, princesa – disse cruzando os braços – Prefiro você mais quieta e me evitando, me instiga mais – riu.

Aneesa se irritou e largou a espada no chão e virou-se no próprio eixo e seguiu rumo ao palácio, fazendo o magi rosnar entre dentes por ser ignorado. Pensou em ir atrás dela e exigir que a encarasse, mas achou que brincar com ela seria mais divertido.

- Ora, Aneesa, devia me tratar com mais respeito! Ainda mais depois do que aconteceu entre nós – disse e vibrou internamente ao vê-la parar. Deu uma rápida olhada de canto e viu Kouen trincar o maxilar – Depois do que aconteceu me ignorar desse jeito... Me machuca, sabia? – colocou as mãos na cintura.

Aneesa parou de andar no mesmo instante, era obvio que ele queria brincar, que queria vê-la destroçada por causa daquele acontecimento. Mas não deixaria que ele brincasse com ela daquela maneira, não permitiria que usasse isso para manipulá-la. Calmamente e ainda de costas para Judal, a princesa começou a proferir palavras em sussurros, para que somente ela escutasse.

- Ah? O que está dizendo, bruxa velha? – indagou o magi tombando um pouco a cabeça.

As palavras continuaram e ninguém ali conseguia escutar, até ela as proferiu mais alto.

- Tome meu corpo, Berith! – gritou erguendo uma de suas mãos rumo ao peito.

Um dos três anéis que ela usava brilhou e logo Aneesa estava equipada com seu Djinn. O Djinn que ela possuía era um gênio da luz, seu equipamento se revestia em uma cor prata ao longo do corpo, apesar de ser bem revelador, sua roupa parecia ser feita de penas de anjos. Seu cabelo ficou todo jogado para trás revelado seus olhos que mudaram para um prateado. Um cetro se encontrava em sua mão também.

Ela se virou e fitou Judal com um ódio mortal, mas que apenas fez o magi sorrir animado.

- Undas Divinum! (Latim: ondas divinas) – exclamou apontando o cetro na direção de Judal.

O magi nem mesmo teve tempo para revidar, pois quando percebeu havia sido pego por aquele golpe que era feito de uma luz branca e forte que fora capaz de lançá-lo contra várias árvores e parar no muro do palácio onde varias rachaduras se formaram ao redor dele.

Kouha olhou perplexo para a princesa assim como Kouen e as outras duas princesas, vários guardas apareceram após o estrondo causado, pouco depois Koumei e as princesas candidatas a imperatriz apareceram no quintal também. Milianna ficou abismada com o fato da princesa de Xian estar usando seu equipamento de Djinn e ter atacado um magi, um ser que estava acima deles.

- Realmente não esperava por isso – a voz enlouquecida de Judal ecoou atraindo a atenção de todos – Do que mais é capaz, princesa? – indagou.

Aneesa trincou os dentes e apertou o cetro em suas mãos. O cetro de repente desapareceu e no lugar uma espada prateada apareceu, no centro do cabo entre a lamina havia uma pedra de rubi adornando a mesma. A princesa segurou firmemente no cabo e a ergueu, no mesmo instante vários pontos de luz ao redor dela se formaram e logo tomaram forma de uma sombra da espada que segurava e todas miradas para Judal.

- Não darei tempo para que me ataque! Eu sou um magi! – berrou ele erguendo sua "varinha" e acertando estacas de gelo na direção dela, porém nenhuma acertou. Todas se quebraram ao se chocar contra uma proteção invisível ao redor de Aneesa – O que?

- Berith possui uma proteção própria, nenhum ataque me fará mau enquanto estiver equipada com este Djinn! Seja magi ou outra pessoa qualquer – respondeu simplesmente – Acho que agora é a minha vez! – disse – Lumini sabii! (Luzes de espadas) – exclamou.

As espadas de luzes rasgaram a distancia entre ela e Judal e em seguida elas o atingiram, apesar de que a maioria foi repelida por ele, mas as outras que ele não conseguiu impedir o acertaram arranhando partes de seu corpo, como braços e pernas e dois cortes na barriga a mostra.

Um grunhido vindo por parte dele fez Aneesa riu discretamente, Judal estava provando do próprio remédio. Ela não gostava de usar seu equipamento de Djinn para uma luta banal como aquela, ele deveria ser usado para defender seu país, mas precisava calar a boca daquele magi idiota. Judal se apoiou nos joelhos e tentou respirar enquanto pequenas linhas de sangue escorriam manchando um pouco o chão.

- Isso ainda não acabou! – rosnou ele enfurecido – Ninguém pode vencer um magi!

- Está enganado, Judal! Isso já acabou! – disse ela desarmando seu Djinn e chamando outro – Balam! – gritou e seu corpo se revestiu de lenços brancos e esvoaçantes tendo seu corpo coberto por somente uma armadura rumo aos seios levemente volumosos – Isso acaba aqui! Darba! (sopro) – disse.

Em um segundo Aneesa estava acima de Judal e após dizer o nome de seu golpe, uma rajada de vento forte e esmagador atingiu Judal que sentiu o corpo ser prensado contra o chão que rachava ao seu redor a cada instante. A pressão era imensa, tanto que achou que seus órgãos fossem ser esmagados por aquela força descomunal. Quando Aneesa achou que já era bom o bastante para ele, a mesma interrompeu o golpe deixando o magi devastado no chão.

Calmamente ela pousou na grama próxima de novo de Keira e Kougyoku, que estavam tão perplexas quanto a todos ao redor que assistiram a cena. Calmamente ela se aproximou de Kouen que parecia ainda aéreo com o ocorrido, de repente a viu diante de si e curvada e sem seu equipamento de Djinn.

- Lamento pelo transtorno que causei, meu príncipe – disse ela ainda curvada – Prometo que não irá se repetir – dito isso ela se retirou do jardim ainda tendo todos a olhando perplexos.

/ * /

- Como ele está? – indagou a uma curandeira que saiu de um quarto onde Judal estava sendo cuidado, ainda era possível ouvir os xingamentos dele, o que dizia que estava se recuperando.

Judal fora logo levado para ser tratado, Kougyoku ajudou a curandeira a cuidar dele e tentava de algum jeito fazê-lo se acalmar enquanto o magi proferia injurias e ameaças de morte a princesa de Xian.

- Ele ficará bem, se está gritado desse jeito quer dizer que seu corpo está se recuperando. Apesar dos golpes terem sido fortes, não causaram danos internos apenas externos – explicou ela calmamente.

- Então ela não queria matá-lo – ponderou Koumei, que estava do lado de fora junto de Kouen e Kouha.

- Não, apenas queria humilhá-lo. Humilhação é pior que a morte – disse Kouen abaixou seu olhar para o piso daquele corredor.

A curandeira se retirou após ser dispensada, como Judal gritava daquele jeito era fato que ele já se encontrava melhor. Kouen, porém, parecia sério e pensativo. Estava admirado com a força da princesa, mesmo que ela não tenha ferido o magi. Mas se quisesse poderia te-lo feito.

- Não é atoa que ela conseguiu conquistar quatro Djinn – comentou Kouha com as mãos atrás da cabeça – Acho que agora Judal aprendeu onde é seu lugar – riu ele que foi aos poucos sumindo pelo corredor a frente.

Kouen em seguida se levantou, precisava pensar com clareza. Mais uma coisa para deixá-lo intrigado com a princesa. Já não bastava aquela conexão com Judal, agora tinha o fato dela ser bem forte e tanto poder o fez querer ficar mais próximo daquela princesa. Se despediu de Koumei e seguiu para a biblioteca, que era o único lugar calmo o suficiente para que pudesse por as idéias no lugar.

Ao chegar a biblioteca encontrou-a como de costume: vazia e silenciosa. Adorava aquele silencio. Mas ao adentrá-la escutou um barulho de cadeira sendo arrastada e ao andar pela biblioteca, viu a silhueta única da princesa de Xian. Aneesa se encontrava lá naquele momento e procurava algo para ler e distrair a mente, já que a mesma a martirizava pelo que fez a Judal e pelas conseqüências que teria com aquilo. Um bom livro a faria esquecer daquele incidente e de Judal também.

Mas ao tentar pegar um livro da alta prateleira Aneesa sentiu a cadeira balançar e quando percebeu estava caindo para trás tendo o livro que queria em mãos e sendo apertado contra o corpo. Porém, o mais estranho era que ela não sentiu a queda e muito menos a dor que sentiria em suas costas, foi quando resolveu abrir os olhos e então deparou-se com Kouen a segurando.

- Kouen-sama! – disse.

Em seguida foi ajeitada por ele, que a colocou no chão, mas a manteve próxima a si. Por um motivo inexplicável.

- Devia tomar cuidado, pode acabar se machucando – disse.

- Ah sim – assentiu – Obrigada – disse.

Um silencio se instalou no recinto e novamente Aneesa se sentiu incomodada com aquela falta de palavras e falta de jeito que sentia perto dele, mas mesmo assim ainda conseguia se manter ao seu lado mesmo calada. Notou que o príncipe a observava e provavelmente queria falar sobre o incidente com Judal, que era tudo o que ela menos queria falar. Apenas queria esquecer que cedeu ao momento, a raiva pelas provocações dele e o atacou.

Mas Kouen não estava preocupado com aquilo, pouco importava que ela tivesse dado uma bela surra no magi, estava surpreso coma força dela isso era verdade, mas sua curiosidade ainda o atormentava. Mas ao virar o rosto e ver dois livros em uma pequena mesa e ao ver sobre as historias que continham nele ficou intrigado.

- Não imaginava que gostava desse tipo de leitura, princesa – comentou se aproximando da mesa e pegando um dos livros – Uma categoria um tanto incomum para uma princesa ler, apesar de não ter nada contra esse tipo de leitura – completou voltando-se para ela.

- Uma garota não pode gostar de um conto de aventuras? Onde seus personagens fazem uma viajem e em meio a ela lutas e perigos se escondem – disse e em sua voz havia um tom divertido, que o surpreendeu.

- Lamento se a ofendi, é que não me parece esse tipo de garota, ou melhor, mulher – revelou indo até uma das prateleiras e procurando por algum livro de sua preferência.

- E quanto a você, Kouen-sama, quais livros prefere? – indagou ela observando-o pegar um livro de capa escura e seu nome escrito em dourado.

- Quanto mais conhecimento, mais vivo me sinto – disse – Então acho que aqueles que contem historias e me intrigam – contou e Aneesa sentiu o coração acelerar ao ver um leve levantar do canto da boca do príncipe.

- Ah sim, Kougyoku comentou algo sobre isso – disse sem pensar e logo tampou a boca – Ai, perdão...

- Vocês se tornaram bem intimas em tão pouco tempo – disse e ela assentiu sem jeito – Então quer dizer que conversaram sobre mim – comentou indo até uma mesa onde se sentou.

Havia uma janela próxima a esta mesa e a claridade daquela tarde ensolarada entrada pela janela escancarada. Ele abriu o livro iniciando sua leitura, mas ao mesmo tempo queria continuar a conversar com a princesa, sentia que ela estava aberta a um dialogo mais duradouro e talvez poderia obter as respostas que queria.

- Ah bom... Kougyoku apenas comentou que gostava de obter conhecimento, o assunto surgiu de repente quando falávamos sobre... Irmãos – disse ela apertando ainda mais o livro contra seu peito.

Kouen a olhou e ela pareceu perder o ar de repente, tanto que precisou virar o rosto para poder respirar normalmente.

- Pelo jeito não gosta de falar sobre esse assunto, já que parece lhe incomodar. Seria por que matou seu irmão para mostrar que era uma líder forte? – questionou e estreitou levemente os olhos.

- Talvez, não queria fazer aquilo – disse cabisbaixa.

- Ás vezes somos obrigados a fazer o que não queremos – disse um tanto sério – Mas... Onde aprendeu a lutar tão bem daquele jeito? Ninguém consegue derrotar um magi com tanta facilidade como você fez – perguntou entrando no assunto de seu interesse.

Kouen possuía a cabeça apoiada na mão levemente fechada e a olhava sentindo a euforia do saber e querer obter o conhecimento daquela "união" dela com Judal lhe dominar da cabeça aos pés.

- Como sabe em meu país o líder tem que ser forte, aprendi da pior maneira que ser forte é o único jeito de sobreviver a esse mundo cruel e frio – disse de forma contida e novamente diante dele a princesa que se controlava aparecia – Poder e força andam juntas – completou.

- Pelo jeito que fala sobre este mundo, parece que conhece apenas o lado ruim dele – comentou – E esse lado ruim que conhece tem haver com o fato de você e Judal serem próximos?

Sua voz havia mudado ao fazer tal pergunta, proferir as palavras que causavam tormento em sua mente era irritante para Kouen. Se via dominado por suas emoções naquele momento e sentiu as palavras saírem amargas da boca, mas ele precisava saber sobre aquilo ou então morreria devido a sua curiosidade.

Aneesa abaixou a cabeça e sentia que a qualquer momento estragaria o livro em suas mãos de tanta força que colocava naquele aperto. Não acreditava que o primeiro príncipe ainda não havia desistido daquele assunto, que para ela, era tão doloroso de ser lembrado.

- Por favor, não insista nesse assunto – pediu andando a passos apressados até a porta.

Mas Kouen não a deixaria sair dali sem uma explicação plausível para aquele comportamento e fuga do assunto, quando ela tentou fugir ele se levantou bruscamente da cadeira e bloqueou o caminho de Aneesa que se chocou contra o corpo enorme do príncipe. A princesa batia no rumo do peito dele e corou ao ver um pedaço do kimono dele aberto e a pele clara dele a mostra.

- Por que sempre foge? – indagou ele bem sério, mas sua voz ainda continuava aveludada.

- Eu...

- Há algo entre vocês dois? Houve algo entre vocês dois que ninguém pode saber? – cobriu-a de perguntas.

Aneesa ficou pasma com as perguntas feitas, Kouen parecia acusá-la de ter algo com Judal. Nem em seus sonhos aquele magi povoaria seus pensamentos ou sua mente, não conseguia se imaginar gostando ou amando aquele ser que apenas gostava de si mesmo e queria ver a destruição alheia. Ela olhou para o ruivo ressentida.

- O que está insinuando? Que tenho um caso com Judal?! – exclamou demonstrando seu ressentimento.

- Parece – respondeu dominado por um sentimento desconhecido por ele – A forma como ele te olha e a trata, na primeira noite de vocês aqui ele se aproximou com tanta intimidade e lhe tocou de maneira atrevida – revidou.

- Ele não me tocou! Eu fui humilhada por ele, seus toques eram de humilhação e já que se sentiu incomodado por que não fez nada a respeito, Kouen-sama? – indagou séria. Vendo o silencio dele Aneesa abaixou a cabeça – Minha vida não lhe diz respeito, pelo menos não ainda!

Dito isso se soltou dele e passou pelo mesmo, mas Kouen não estava de bom humor para deixá-la ir tão facilmente. Foi atrás dela e a puxou pelo braço e a jogou contra uma estante de pergaminhos, alguns caíram no chão e a distancia entre eles era pequena. A respiração de ambos era descompassada e pesada, principalmente a de Aneesa que novamente se esqueceu de como respirar.

Era difícil para ela manter o foco quando o tinha tão perto daquela maneira, suas mãos firmes seguravam seus braços finos deixando uma mensagem clara de que ele não a soltaria. Ele a olhava tão intensamente que as bochechas da princesa estavam levemente coradas, era estranho a forma em que se encontrava. Não se recordava de sentir aquela ansiedade e vontade absurda lhe dominar quando se encontrava diante de uma mulher. Nem mesmo com Milianna ele sentiu tal coisa.

Mas com Aneesa parecia que ele não tinha domínio sobre seus atos e pensamentos e aquilo o frustrava.

Ele estava tão perto dela, a uma distancia extremamente curta daquela boca que o convidava para um beijo intenso e arrebatador. Era intenso o desejo de provar aquela boca pequena e rosada naturalmente, dispensando uma cor nos lábios. Viu quando Aneesa engoliu em seco e aquilo pareceu convidá-lo ainda mais a encurtar a distancia. Suas bocas já se roçavam de leve e causava arrepios na princesa.

Faltava pouco para que eles selassem os lábios e iniciasse um beijo. E então...

- Ah está aí! – uma voz os interrompeu fazendo ambos se afastarem e se virarem para a intrusa – Pelo visto cheguei bem na hora – falou Milianna de forma ríspida. Ela olhava para Aneesa mortalmente e a mesma virou o rosto.

- O que quer, Milianna? – indagou Kouen sério e deixando bem claro que não gostou de sua intromissão.

- Vim convidá-lo para um piquenique – falou sorrindo e se aproximando dele, a mesma passou os braços por seu pescoço e depois deslizou as pontas dos dedos pelo peitoral levemente a mostra do príncipe – As outras princesa também irão e Aneesa se quiser pode se juntar a nós – disse a contra gosto.

- Sinto muito, mas... Prefiro ficar lendo – disse ela fazendo de tudo para não encarar o ruivo.

- Ler? Que coisa mais chata – reclamou – Não tem como um livro ser divertido.

- Depende do ponto de vista – comentou Aneesa – Com licença – pediu e rapidamente saiu da biblioteca.

- Espere! – ordenou Kouen. Aneesa fechou os olhos por um momento e se virou com receio – Milianna ofereceu um piquenique e acho que seria uma desfeita recusar, você irá. E é uma ordem, assim posso conhecer um pouco mais as princesas que querem se tornar imperatrizes – disse ele.

Aneesa teve a leve impressão de que aquela ordem era mais por ela ter se esquivado da pergunta dele sobre Judal e pela intromissão que Milianna fez, era nítida a irritação em seu semblante. Como não havia outra alternativa, assentiu concordando em ir a tal piquenique.

/ * /

Como puderam notar uma amizade está nascendo entre Kougyoku e Aneesa... Kouen ainda está curioso com esse elo entre Judal e a princesa, mas Judal parece apenas querer provocar Kouen... E tivemos um pequeno momento e quase um beijo entre o primeiro principe e Aneesa... Será que dá próxima rola beijo?! Fiquem na torcida...! kkkk Obrigada por lerem e até o próximo capitulo! Beijos! ^^