Desde já agradeço os favoritos e comentários! =) Não tenho muito a dizer sobre o capitulo, apenas desejo a todas(os) uma boa leitura! E peço perdão por qualquer erro ortográfico!

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Dois dias após o incidente entre Aneesa e Judal se passaram, as coisas no palácio ficaram um tanto monótono, principalmente devido a ausência de Kouen que passava horas no escritório com Koumei em reuniões a respeito de cidades onde Kou dominava, exemplo desse domínio era Balbadd. Com isso as princesas não tiveram muito com o que fazer ou desfrutar de sua companhia, fazendo assim algumas, sendo esta a princesa Milianna, ficar enfurecida.

Ela era a que mais "perseguia" Kouen em todos os cantos do palácio, apesar de estar acostumado a ter pessoas, sendo eles guardas, atrás de si, ter uma mulher tão vazia quanto Milianna era um tanto chato para ele. Se fosse a princesa Keira ou até mesmo a princesa Aneesa, ele não reclamaria as duas sabiam como manter um homem atento a determinado assunto. A princesa de Xang, Leena, também não parecia ser de todo vazia e fútil, apesar de ter conversado pouco com ela. Já as princesas Milianna e Anisah, aquelas lhe causavam dor de cabeça.

Naquele dia Kouen passou a manhã toda em seu escritório discutindo certos assuntos com Koumei e com isso ele nem viu sinal das princesas. Algumas delas, sendo Aneesa, Keira e Leena, conseguiram se ocupar, mas na hora do almoço não viram sinal do primeiro príncipe, nem mesmo o Imperador se fez presente para a refeição.

Sendo assim certa parte da tarde passou e agora elas se encontravam sentadas a mesa novamente desfrutando de um belo café da tarde na companhia de Kougyoku, que acabou se entrosado com as princesas, mais precisamente com Aneesa. Elas discutiam sobre alguns assuntos triviais, a princesa de Xin e do até então desconhecido reino que era onde a princesa Anisah pertencia, não haviam chegado.

- Por falar nisso, onde está aquele magi insuportável? – indagou Keira, ela não parecia ter problemas com a língua, principalmente diante de pessoas que eram mais intimas dela.

- Judal ás vezes some daqui, mas creio que ele voltará – contou Kougyoku sem jeito pela forma tão simples e despojada que a princesa falou, ela sempre tinha que ser educada e manter a postura, mas Keira não parecia ligar para isso e a invejava por poder falar o que pensa.

- Duvido que ele volte, se voltar aposto que Aneesa acaba com ele de novo – riu Leena timidamente.

- Ora, não vou fazer aquilo de novo – contou dando um gole em seu chá – Posso me dar mal, ainda não sei como não fui punida – disse.

- Meu pai entendeu que fora Judal quem provocou, além do mais ele disse que gostou da sua atuação e que você é bem forte, seria uma ótima aliada ao Império Kou – disse Kougyoku sorrindo – Acho que ganhou pontos com ele – piscou – Ainda mais depois de Kouen pedir para que não fosse punida e te defender – deixou escapar.

Aneesa ficou surpresa com a frase da ruiva.

- Kouen-sama me defendeu diante do imperador? – disse surpresa.

- Sim – sorriu.

- Algum problema, Aneesa? – questionou Keira, que estava sentada ao seu lado.

- Não é nada... Apenas não esperava essa atitude de Kouen-sama – respondeu.

- Kouen pode ser distante e frio na maior parte do tempo, mas ele sabe ser justo.

Naquele mesmo instante a princesa Milianna e Anisah adentraram o salão onde elas faziam as refeições, como sempre a princesa de Xin andava confiante e deslumbrante com seus kimonos super decotados e que faziam até mesmo os guardas do palácio babarem em seus decotes. Por estar andando demais com ela, Anisah estava indo no mesmo ritmo. Antes ela era até legal e parecia ser uma pessoa boa, agora vivia atrás de Milianna como um cachorrinho.

Sentaram-se a mesa juntando-se as outras. E mais que depressa se juntou a conversa, já que escutara a frase de Kougyoku.

- Kouen-sama é realmente um homem esplêndido – disse Milianna que esperou a criada servi-la de chá – Formidável talvez seja a palavra mais correta. E seus atributos... – suspirou enquanto movia a mão como se estivesse se abanando, um sorriso malicioso acompanhava o gesto.

Todas ficaram sem entender aquele gesto e dos atributos que Kouen parecia possuir, Anisah negou com a cabeça enquanto sorria diante da ingenuidade e inocência daquelas princesas.

- O que Milianna quer dizer é que ela e Kouen já estiveram juntos... Sabem, já fizeram aquilo... – riu mais anda ao ver a cara de confusão delas – Aquilo! Um homem... Uma mulher... Em uma cama – falou sugestiva.

Demorou um pouco e logo todas entenderam e coraram, Aneesa e Kougyoku eram as mais vermelhas e se pudessem se esconderiam debaixo da mesa. Mas um estalo se fez na mente da irmã mais nova de Kouen.

- Mas isso não pode acontecer! Kouen não escolheu nenhuma de vocês ainda – disse.

- Princesa Kougyoku, com todo o respeito, mas... Vale tudo quando se quer alcançar o topo e ser a melhor – falou Milianna erguendo a xícara para a mesma e depois dando um pequeno gole.

Enquanto Anisah e Milianna pareciam se divertir as custas da confusão e constrangimento delas, no canto da mesa Aneesa parecia mergulhar em uma confusão de sentimentos que por um momento a deixou tonta. Agradeceu por estar sentada, caso contrario teria desmaiado ao ouvir a mesma dizer tal coisa.

Um incomodo no peito se formou, de repente sentiu-se tola por cogitar beijá-lo dois dias atrás quando se encontraram na biblioteca. Naquela noite ela dormira nas nuvens por causa do ocorrido, sonhara que o beijava e apesar de ter sido só um sonho, parecia que havia sido real, pois ainda podia sentir a textura de seus lábios sobre os seus. Mas então se viu criando uma bolha de sonhos que era considerado idiotice.

Discretamente olhou para Milianna e viu que em comparação a ela, seu corpo não era chamativo, não possuía curvas atraentes e muito menos era tão bonita quanto à outra princesa. Abaixou a cabeça descrente de suas chances.

- Senhoritas... O imperar deseja vê-las – disse um criado que apareceu a sala de jantar.

Todas se olharam e depois fitaram o servo.

Mais que depressa o seguiram até o grande salão do trono.

Ao chegarem o imperador se encontrava sentado em seu trono, Kouen estava de pé ao lado dele e sua expressão apesar de séria e analítica parecia abatida e cansada. As janelas da sala do trono estavam abertas deixando a claridade entrar por ela deixando o ambiente mais amigável do que da primeira vez que entraram ali. Pararam diante do trono e se curvaram respeitosamente e aguardaram suas palavras.

- Princesas, as chamei aqui hoje para avisar sobre uma pequena prova para ajudar Kouen a escolher quem será sua noiva – disse o imperador – Como foi dito vocês ficarão aqui durante três meses para serem testadas e após esses meses Kouen escolhera sua esposa. A primeira prova consiste em... Satisfazer o príncipe.

As palavras fizeram Milianna sorriu maliciosa e as outras princesas coraram fortemente, já que o assunto que falavam antes de irem a sala do trono era sobre prazer.

- Como sabe um imperador é cheio de tarefas e quase sempre não há algo que o faça realmente relaxar, então quero ver como vão se comportar em uma situação. Além do mais, uma imperatriz deve sempre estar lá para ajudar seu imperador, até mesmo em uma hora de relaxamento – contou – Digo que vale de tudo para fazer meu filho relaxar – sorriu de lado e Milianna entendeu o recado – Cada uma de vocês passará uma noite com Kouen, à primeira noite será amanhã! Então qual de vocês passará a primeira noite com Kouen? – indagou olhando-as com divertimento.

- Eu irei, vossa majestade! – exclamou Milianna erguendo sofisticadamente a mão.

Kouen teve que segurar um suspiro de desolação quando a viu dar um passo a frente, seus olhos estavam mantidos a todo momento na ultima princesa, que na hora da pergunta recuou um passo. Pena que ele não pode escolher qual delas seria a primeira a passar a noite com ele, a princesa Aneesa seria sua "vitima" e assim poderia se livrar daquela curiosidade que lhe matava a cada dia.

- Porém, há algo a respeito desse "teste" – observou o imperador – Apesar de vocês terem o comando por um momento, Kouen também terá sua vez. A cada princesa ele fará uma pergunta, não importa qual seja a questão levantada, a mesma deverá ser respondida!

Aneesa arregalou os olhos ao mesmo tempo em que Kouen olhou para ela, um leve sorriso de canto quase imperceptível se apossou seus lábios. Ali ela havia percebido que não adiantaria fugir como fazia desde daquela noite em que Judal a humilhou no durante o jantar, se encontraria em um beco sem saída. Por mais que soubesse que poderia haver outras perguntas que pudessem ser feitas Aneesa já sabia que ele não perderia a chance, podia as palavras se formando em seus olhos que ainda a fitavam.

Kouen se sentia triunfante naquele momento, havia conversado o pai a respeito desse teste após saber do mesmo por Koumei, então sugeriu algo tendo em mente sua descoberta da ligação entre Aneesa e Judal. O imperador nada viu de ruim nessa proposta e acatou prontamente, deixando o primogênito ainda mais entusiasmado, era uma pena que teria que começar com Milianna. Havia tentado argumentar que queria escolher quem seria a primeira princesa, mas essa segunda opção foi negada pelo imperador.

Mas ele sobreviveria até a noite esperada. E até lá, teria que aprender a conviver com a mais chata das princesas.

Seu estomago até se revirava ao olhar para Milianna.

/ * /

- Está quieta – comentou Kougyoku.

Era final de tarde, poucas horas depois da reunião das princesas com o imperador, após sair da sala do trono Aneesa pediu permissão para cavalgar ao ar livre, assim se acalmaria e conseguiria pensar no que faria em sua noite com o príncipe. Logo depois de saírem, no corredor mesmo, elas decidiram quais seriam as outras princesas que passariam a noite com Kouen.

A segunda princesa seria Anisah, obvio, a terceira seria Keira, a quarta a princesa Leena e por ultimo Aneesa. Até agradeceu por ser a ultima, assim poderia pensar em algo e ganharia tempo para se preparar emocionalmente para a pergunta dele.

- Aneesa! – a chamou ao ver que ela estava aérea, viu-a piscar varias vezes a então a fitar – Tudo bem com você? Parece meio avoada – constatou.

- Ah... Não é nada – respondeu virando o rosto para frente.

Andavam calmamente a cavalo deixando os animais as guiarem para onde quisessem. Enquanto isso conversavam mais um pouco.

- Preocupada por ter que passar uma noite com meu nii-san? – indagou mostrando um sorriso amigável.

- Um pouco – respondeu.

- Lhe chamaria de doida se não estivesse, até mesmo eu ficaria se tivesse que passar uma noite no quarto de um homem no qual nem conheço direito e que pode ser meu marido em um futuro distante – disse – Mas sabe... Eu gostaria que você se casasse com Kouen – contou.

Aneesa a fitou surpresa.

- Eu? Tem certeza? Não creio que seja apta ao cargo de imperatriz – falou entristecida e percebeu os olhares da outra em cima de si.

- Dentre todas eu gosto mais de você e acho que meu nii-san também gosta – sorriu – Nunca vi Kouen olhar para alguém do jeito que ele olha para você – observou fitando as rédeas em suas mãos – Ele parece olhá-la como quem olha para um livro que contém mistérios que muitos não conseguem desvendar, mas ele sabe que somente ele é capaz de descobrir seus mistérios – riu de sua comparação.

- Talvez seja por isso que ele me olha tanto.

- Uh? Como assim? – disse confusa.

- Kouha-sama disse que Kouen-sama é louco do conhecimento, talvez ele só esteja interessado porque possuo conhecimentos que ele não tem. Mas garanto que ele perderá o interesse assim que me desvendar – afirmou.

Ela sabia que no fundo Kouen só se aproximava dela por querer saber a respeito de sua interação com Judal, um acontecimento ela preferia esquecer para sempre e o havia feito, mas jamais imaginou que encontraria o magi ali no palácio e que o mesmo lhe traria dor de cabeça. Agradecia por ele não estar no palácio... Pelo menos por enquanto.

- Você se menospreza demais – disse Kougyoku – Aposto que está enganada. Seria ótimo se Kouen se apaixonasse por você, acho que o que falta na vida do meu irmão é um amor de verdade – suspirou – Ele está sempre tão ocupado, assim como Koumei, os dois quase não possuem tempo para relaxar. É só trabalho, trabalho e trabalho – estalou a língua.

- Mas é isso que os imperadores fazem... Eles se afundam em seu trabalho!

Mas será possível? Ela não tinha nenhum sossego naquela lugar?

A voz de Judal soou debochada como de costume, havia divertimento também ao ver a cara fechada da princesa, que apertou as rédeas com força. Talvez ele estivesse ficando louco por ir até ela depois da surra que levou dias atrás, mas não podia evitar, provocá-la estava sendo sua rotina. Ainda mais quando não se tinha muito que fazer naquela droga de lugar. Kouha já não lhe dava mais diversão como antigamente.

O magi antes flutuava no ar, mas logo tratou de descer e parar a uma distancia delas. Seus braços estavam cruzados frente ao corpo e ele as encarava esperando alguma resposta mal criada, ansiava por essas respostas. Havia acordado com sede de provocações e sabia onde poderia encontrar as provocações que queria.

- Judal! O que faz aqui, quando voltou?! – indagou Kougyoku surpresa.

- Andei por aí, mas creio que minha vida não seja da sua conta, bruxa velha – ralhou ele como de costume – Estava andando por aí quando ouvi as vozes de vocês duas, achei que poderia participar da cavalgada, mas claro que iria voando – falou.

- E quem disse que você é bem-vindo? – respondeu Aneesa já irritada.

Judal sorriu abertamente ao escutar a voz dela, adorou ouvi-la irritada.

- Eu deveria lhe castigar da pior maneira possível pelo que me fez, mas não estou com muita vontade de me cansar hoje – falou dando de ombros – Então achei que seria mais divertido lhe provocar – sorriu de lado.

- Provocar?

Judal não respondeu apenas assentiu esperando alguma frase mal criada por parte dela.

- Kougyoku, volte para o palácio! – disse endurecendo sua voz e a mesma saiu autoritária.

- Quer que eu a deixe aqui sozinha com Judal? Não posso! – exclamou e o cavalo se agitou.

- Ficarei bem, agora vá! – ordenou.

Kougyoku deu uma rápida olhada para a princesa e depois para Judal que fitava a morena diante de si. O magi agora estava sério e esperava alguma coisa por parte da princesa.

- Não ouviu, Kougyoku? – a voz de Judal soou ameaçadora.

Rapidamente ela agitou as rédeas e o cavalo relinchou e depois ela deu a volta cavalgando de volta para o palácio, mas ela não ficaria quieta fingindo que não viu nada. Ela avisaria Kouen, Koumei ou até mesmo Kouha sobre Judal, após o sumiço do magi Kouen ordenou a todos que se caso ele retornasse e se aproximasse da princesa deveria ser avisado imediatamente. E era isso que ela faria, avisaria os irmãos antes que Judal apanhasse de novo ou então Aneesa, já que ela sabia como Judal podia ser rancoroso e vingativo.

Na floresta ainda montada em seu cavalo Aneesa encarava Judal com raiva e seriedade em suas expressões. O magi lhe fitava da mesma maneira e ainda esperava por alguma ação, em seguida a princesa se moveu e desceu do cavalo. Deu alguns passos adiante e ficou a centímetros de Judal.

- O que quer afinal de contas? Me persegue desde o dia em coloquei os pés aqui! – disse séria – O que quer de mim?

O magi moveu a boca mostrando desinteresse, mas em seguida seus olhos afiados e perigosos se estreitaram ao fitar a garota a sua frente com superioridade.

- Já falei: meu pagamento por ter lhe salvado – respondeu tombando um pouco a cabeça para o lado.

- Não pedi para ser salva e se soubesse que seria atormentada por você desse jeito, seria melhor que tivesse me largado lá para sofrer por minha estupidez! – disse ríspida.

- Quem diria que uma princesa com traços tão delicados fosse ter uma língua tão afiada – riu pelo nariz – Mas já que quer a verdade... Lhe darei – falou andando e se aproximando dela – A verdade, queria princesa, é que eu também passei a lhe desejar – contou ao aproximar sua boca do ouvido dela.

Os olhos de Aneesa se arregalaram com a frase dita sem pudor algum.

- Quando lhe salvei achei que fosse a irmã de Kouen ou até mesmo Hakuei, já que possuem os cabelos negros, mas me enganei e quando vi já tinha lhe salvado por engano. Mas ao olhar para você pude entender o motivo daquele homem querer lhe possuir, você é belíssima, Aneesa – disse rouco, ainda mantendo-se bem perto a ela com sua boca colada ao ouvido dela, para que a mesma pudesse escutar tudo perfeitamente – Você possuía uma beleza rara, nem mesmo Milianna com todas aquelas curvas causa a metade do que você causa nos homens ao redor, até mesmo Kouha que é um pirralho e mais novo que você se sentiu excitado ao lhe olhar – disse rindo e se afastando dela e contemplando a face corada que ela exibia.

- Você é desprezível... – disse enojada.

- Posso ser muitas coisas e me orgulho disso – falou sem se importar com a ofensa.

- Então não me salvou por que quis e sim porque me confundiu com uma das princesas do Império Kou – afirmou e ele sorriu de lado.

- É – disse e voltou a se aproximar dela calmamente se divertindo da forma como ela recuava feito um animal assustado.

Judal avançava e ela recuava, até que algo chocou-se contra suas costas e viu que encostou-se no cavalo que agora parecia mais preocupado em comer a grama sob si, o magi vibrou quando viu os olhos azuis assustados dela lhe fitar. Adorava aquele pânico que conseguia causar nos humanos, era tão fácil deixá-los desesperados.

Não havia saída para ela, com suas mãos bloqueou a passagem pelas laterais, uma em cada lado de sua cabeça e aos poucos foi encurtando a distancia. Ele não seria louco de fazer aquilo se não tivesse certeza de que não apanharia novamente como da ultima vez em que a provocou, observou que ela não usava seus receptáculos de metais e sorriu internamente por isso. Ela era somente uma humana indefesa.

- Judal... – sussurrou temerosa.

- Desta vez... – segurou o rosto dela – Não irá me escapar!

Dito isso Judal quebrou a curtíssima distancia e selou seus lábios nos dela. Aneesa não quis corresponder, uma por estar perplexa demais com a ousadia dele e segunda por não conseguir retribuir, mas o magi não facilitava e a forçava a beijá-lo também. Seus lábios, apesar de beijarem os seus com brutalidade, eram macios e possuíam um gosto único.

De repente se viu sendo tomada por aquele beijo intenso e violento, sentiu seus lábios se moverem involuntariamente e corresponder ao beijo. Mas não porque estava gostando, mas sim por não haver outra alternativa, pois não se encontrava com seu receptáculo de metal para lutar contra ele. Em maio ao beijando achando que ele abaixaria a guarda, ela tentou empurrá-lo ou até mesmo chutá-lo, mas fora em vão. Judal era mais forte que ela e usava o próprio corpo para prendê-la entre seus braços.

O magi estava adorando senti-la se contorcer em seus braços, apesar de preferi que ela ficasse quieta e aproveitasse aquela caricia. Mas ele era um tanto sádico e gostava de um pouco de sofrimento em qualquer coisa que fizesse, até mesmo em um simples beijo. Para aproveitar mais aquele ato Judal invadiu a boca dela com a língua fazendo o beijo ficar mais molhado e intenso, ele a prensou mais contra o cavalo que relinchou e a agarrou mais fervorosamente. Ele se encontrava em êxtase com aquele beijo, jamais havia provado algo igual. Mesmo que tenha beijado outras mulheres por aí apenas por prazer próprio e curiosidade.

Aquele beijo para ele beirava a insanidade, era puro delírio. Tinha certeza de que não se arrependeria.

Para deixar as coisas ainda mais empolgantes, suas mãos curiosas e atrevidas percorreram o corpo dela subindo em direção à frente do tronco. Aneesa se desesperou quando sentiu as mãos de Judal se moverem, com o corpo um pouco mais livre tentou se livrar dele, mas ele interrompeu o beijo e segurou suas mãos.

- Fique quieta – ordenou.

O coração de Aneesa batia desenfreado e ela só pode rezar naquele momento. Lágrimas já escorriam por seu rosto. Novamente sua boca fora tomada enquanto o magi ao mesmo tempo se concentrava no beijo enlouquecedor (para ele) tentava abrir o kimono de Aneesa. Mas ele estava tendo certa dificuldade já que por causa do pano na cintura abrir o mesmo era difícil, mas não para ele, quando ele queria algo ele conseguia. Foi então que em uma puxada só um pedaço do kimono que cobria o seio esquerdo dela rasgou revelando aquele pedaço de pele, na qual era macia e convidativa.

Seus toques eram tão brutos quando seu beijo, ela sentia sua pele arrepiada por causa da repulsa que sentia de si mesma. Mais lágrimas escorriam e ela achou que sua vida acabaria ali.

Foi então que de repente a brutalidade vinda de Judal desapareceu, de um minuto para o outro ela não sentiu mais o beijo fervoroso dele em sua boca já vermelha e levemente machucada, não sentiu suas mãos atrevidas lhe massageando os seios a mostra pelo kimono rasgado naquela área. Sentiu-se livre e quando ousou abrir os olhos viu uma figura grande e de ombros largos acertar um soco em Judal que caiu para trás.

- Kouen-sama! – exclamou baixo.

Kouen estava de costas para Aneesa, que encarava a cena toda perplexa, porém aliviada. Havia sido resgatada das mãos daquele magi, mas ficou preocupada com o que viria a seguir. Judal se ergueu e passou as costas da mão direita na boca limpando um pouco do sangue que escorreu, ele fitava Kouen mais sério do que nunca e ali Aneesa temeu pelo pior. O moreno deu um passo em direção a Kouen e o mesmo acertou outro soco e depois mais outro. Não dando espaço para ele revidar.

O terceiro e ultimo soco fez Judal cair no chão e receber um chute na barriga.

- Melhor ficar aí caído ou você morrer aqui – disse Kouen ameaçadoramente.

Judal fez uma careta e ali mesmo ficou, ele sabia que seria tolice de sua parte enfrentar Kouen mesmo que o primeiro príncipe estivesse desarmado. Kouen era forte até mesmo sem uma arma e o magi viu o receptáculo de metal com ele, não seria tolo de começar uma briga onde sabia que perderia e que já havia perdido. Mas havia valido a pena, pois conseguiu o que queria daquela princesa idiota. O magi sorriu malicioso para o ruivo e depois flutuou no ar e então desapareceu.

Kouen fitou o céu tingido de laranja intenso ainda esperando alguma coisa vinda de Judal, quando constatou que ele havia ido embora realmente virou-se para a princesa que tentava inutilmente tampar-se com o kimono rasgado na frente. Suas bochechas estavam mais do que coradas e seu choro parecia se intensificar a cada tentativa falha de se cobrir.

A princesa parou seus gestos e arregalou os olhos quando Kouen retirou sua capa costumeira capa preta e a jogou nos ombros dela. Ele não disse nada, apenas jogou a capa em si e a encaminhou até seu cavalo onde a colocou sentada e depois subiu ficando atrás dela. Aneesa olhou para o seu cavalo e em seguida com um assobio do príncipe o mesmo começou a segui-los. Parecia ser bem treinado.

E calmamente e em um silencio constrangedor retornaram para o palácio.

/ * /

Kougyoku mantinha seus olhos arregalados e sua boca tapada pelas mãos pequenas que possuía, ao seu lado Saahira trincava o maxilar enquanto ouvia a historia toda de Aneesa, que naquele momento se encontrava deitada em sua cama trajando um roupão aconchegante, depois de tomar um banho para se acalmar.

- Judal fez isso? – a pergunta fora retórica.

Nenhuma das duas conseguiu dizer nada diante da historia contada, pelo menos ela fizera o certo ao ir chamar Kouen. Pode ver exata e bem nitidamente a feição de enfurecimento que se apossou do irmão na hora em que contou que Judal fora atrás de Aneesa, seu irmão havia se transformado em um furacão quando passou por ela, deixando a mesma e Koumei surpresos e perplexos com sua atitude.

Aneesa possuía a expressão abatida, parecia que Judal havia roubado mais do que simplesmente um beijo, mas talvez tivesse mesmo. Saahira conhecia bem demais a menina para saber que Judal estragou sua vida com isso, pode ter sido um beijo, mas fora seu primeiro beijo e o mesmo estava sendo guardado para seu futuro marido. Algo assim era um ultraje e era quase que ser violada. Aneesa agora seria vista como impura ou meia pura, suas chances em se casar com Kouen estava na corda bamba.

- Maldito Magi – rosnou Saahira baixo e em seguida saiu do quarto para dar mais privacidade a princesa.

Kougyoku a seguiu e fechou a porta com cuidado. Olhou para os lados e não viu Saahira em lugar algum, preocupada com o que ela poderia fazer foi procurar por ela.

Ficou alguns minutos correndo pelos corredores a procura da mesma e logo ao passar pelo escritório de Koumei a viu ali, a porta estava aberta e Saahira se encontrava parada diante de seus irmãos. Para não ser vista ela se escondeu ao lado da porta e tomou cuidado para que não notassem sua presença.

- Como está sua princesa? – indagou Koumei, sua voz demonstrava total desinteresse, o que preocupou Kougyoku.

Será que Aneesa seria "desclassificada" e iria embora de Kou? Pensou ela aflita.

- Pior do que eu esperava – respondeu Saahira ríspida – Quero saber o que vão fazer a respeito d magi Judal? – questionou.

Kouen a encarava e apesar do semblante calmo, por dentro estava tão furioso quanto à dama de companhia da princesa de Xian. Ainda não havia pensado no que faria realmente, mas Judal pagaria de alguma forma. Koumei por outro lado não queria se intrometer naquele assunto, mas também não ficou nada contente com o atrevimento de Judal e achava que um castigo seria o mais plausível.

Para Saahira, se ela pudesse, arrebentaria a cara daquele magi. Poderia até acabar morta, mas não desistiria de arrebentar daquele abusado.

- Qual realmente o envolvimento de sua princesa com nosso magi? Desde que ela chegou Judal tem demonstrado conhecê-la e isso tem trago situações constrangedoras para todos – disse Koumei erguendo seu leque de penas negras frente ao rosto, permitindo que seus olhos sejam vistos.

Saahira ficou tensa. Não tinha permissão para falar sobre aquilo e se falasse quebraria a promessa que fizera a Aneesa. Ela abaixou a cabeça em desolação.

- Lamento, mas não tenho permissão para falar. Apenas posso dizer que Judal salvou Aneesa – contou parte da verdade e do ocorrido.

- Salvou de que? – indagou Kouen, que até então tinha se mantido calado – Deve ter sido algo grande para que Judal se comporte desse jeito, apesar de que sempre gostou de debochar das pessoas ao seu redor e vê-las se afogar em seu sofrimento – constatou apertando a ponte do nariz.

Saahira fechou os olhos se odiando pelo que ia dizer, mas não tinha outra alternativa.

- Então pergunte a ela – falou e os irmãos a olharam – Aneesa passara uma noite com você e pelo que soube o príncipe tem direito a fazer uma pergunta, então faça essa pergunta, ela não terá escapatória. Mas... Quando ouvir a resposta peço que seja compreensível, por favor – pediu.

Teria feito a coisa certa?

Koumei abriu a boca para falar algo, mas Kouen o interrompeu.

- Está certo, irei aguardar a minha noite com a princesa Aneesa – disse ele somente.

- Obrigada, Kouen-sama – se curvou e em seguida saiu deixando-os a sós.

- Por que não arrancou a verdade dela aqui e agora? Ou até mesmo da princesa? – questionou Koumei.

- Acha que Aneesa conseguiria responder algo no estado de nervos em que ela se encontra? Provavelmente sairia correndo do palácio e fugiria de mim... Melhor esperar ela se acalmar e até lá, vou pensando em algo para que ela não fuja quando for questionada – falou Kouen voltando sua atenção ao pergaminho que lia.

- E quanto a Judal?

- Sofrerá as conseqüências – respondeu somente.

/ * /

Espero que tenham gostado!

Judal avançou o sinal e roubou um beijo (e que beijo!) de Aneesa e Kouen não gostou nada... Tenho até pena do Judal agora...

A amizade entre Kougyoku e Aneesa está se fortificando e isso é bom, a ruiva será uma grande aliada para a princesa! E isso conta pontos, já que a futura imperatriz e esposa de Kouen deverá se dar bem com todos da família!

No próximo capitulo teremos a primeira noite das princesas com Kouen, muitas surpresas aguardam para o próximo capitulo! Nos vemos logo! Beijos!