Olá! Peço perdão pela demora, mas aqui está o capitulo e o mesmo está cheios de surpresas... Desculpem por qualquer erro de ortografia. Tenham uma boa leitura! ^^

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O tempo mudou de repente de um dia para o outro, o dia ensolarado que se fez agora se encontrava nublado e fechado como se estivesse compadecido com sua dor. Ela não saiu do quarto para nada naquele dia, tomou seu café da manhã no quarto mesmo e depois voltou a ficar deitada, virada para a janela, observando aquele céu melancólico e que parecia compartilhar a mesma dor e tristeza que possuía consigo.

Saahira ficou parte da manhã com ela, havia pegado um livro na biblioteca com a ajuda de Kougyoku, já que no palácio os criados não tinham a permissão de ler, mas usaram a desculpa de que era para a princesa de Xian e assim ninguém desconfiou. A dama de companhia não vira Kouen nos poucos minutos que saiu do quarto, questionou a irmã mais nova do príncipe e nem ela sabia onde o mesmo se encontrava.

À hora do almoço chegara mais rápido do que Aneesa esperava, a porta de seu quarto foi aberta e então seu almoço chegou posto em uma bandeja de prata reluzente. Uma comida digna dos deuses. Porém, para o paladar da princesa parecia sem gosto, mas tentou comer mesmo assim para não parecer ingrata, mas não conseguiu ir muito longe e largou metade da comida na bandeja. A criada olhou para Saahira e a mesma assentiu mostrando que não adiantaria insistir.

Quando a criada saiu Saahira se aproximou da cama onde novamente Aneesa adotou a mesma postura desde que acordara.

- Não pode ficar nessa cama para sempre – falou tentando fazer a mesma ter alguma reação – Logo sua noite com o príncipe Kouen vai chegar, tem que pensar em algo, não pode deixar que isso atrapalhe suas chances – disse.

- Não sei se me importo – sua voz saira como um suspiro.

Saahira suspirou desolada e saiu do quarto achando que seria melhor deixá-la com seus próprios pensamentos.

Quando a mesma saiu Aneesa esboçou alguma reação: voltou a chorar como fez na noite passada. Ainda sentia-se humilhada e violada pelo que Judal fez a ela, mas também sentia uma fúria sem igual se apossar dela. Afundou a cabeça no travesseiro e deixou-se chorar.

/ * /

No salão de jantar o almoço se seguia calmamente, Saahira retornou ao salão e assim que entrou os olhos questionadores e aflitos de Kougyoku e os curiosos de Keira caíram em cima dela. Parada ao lado das criadas que eram obrigadas a ficarem ali, de pé, ela apenas negou com a cabeça. Situação e gestos que não passaram despercebidos por Kouen sentado desta vez ao lado de Kougyoku. Ele comia calmamente, mas seus ouvidos e olhos estavam sempre em alertas, principalmente na direção da porta. Tinha esperança de ver Aneesa aparecer para almoçar com eles.

Mas ela não apareceu.

- Hey, você não é a dama de companhia da princesa Aneesa? – como sempre Kouha não possuía papas na língua – Onde ela está?

- Em seu quarto, meu príncipe, ela não está se sentindo muito bem – respondeu ela educadamente.

Kouha não gostou daquela resposta, mas após ganhar um olhar sério demais por parte de Koumei ele deixou de lado aquela questão e voltou sua atenção ao prato de comida pela metade. Depois disso ninguém mais disse uma palavra, vez ou outra Kougyoku ainda trocava olhares preocupados com Saahira.

Após terminar Kouen se levantou e saiu do salão de jantar, ninguém se deu o trabalho de olhá-lo, até por que todos sabiam que Kouen quando terminava de comer ia para algum canto do palácio ou muitas vezes se trancava na biblioteca. O silencioso e constrangedor salão de jantar ficara para trás e agora Kouen se encontrava andando pelos corredores tendo como companhia a chuva fina que caia do lado de fora.

Nunca reclamou do clima fechado e inconstante do seu país, mas naquele dia ele estava odiando aquela chuva. Possuía mil idéias para se ocupar, já que no período da manhã apesar de ter ficado trancafiado naquele escritório com Koumei sua mente vagava para longe e foram raras às vezes em prestou atenção de verdade no irmão. Se Koumei percebeu sua distração ou não, ele não sabia dizer, pois o mesmo não comentou nada a respeito.

Mas não era só isso, havia algo o incomodando nesses quatro dias que se passaram em uma velocidade absurda. Sua concentração era a melhor qualidade que possuía, mas naquele momento não conseguia se concentrar em nada e ele nem sabia o por que. Procurava em sua mente alguma razão para ter ficado desse jeito, mas nada lhe vinha à cabeça.

Kouen estava tão absorto em pensamentos que nem percebeu aonde seus pés o levavam, só fora notar quando parou de andar e fitou o corredor em que se encontrava com estranheza, já que raramente ia a aquela parte do palácio. De repente se deu conta de onde estava e virou o rosto para do lado direito vendo a porta de um quarto e ele sabia perfeitamente a quem aquele quarto pertencia.

Então era por ela que estava tão desconcentrado? Era por causa do sofrimento dela e de sua obsessão por saber o que houve entre ela e Judal? Pelo beijo abusivo que viu aquele magi insolente dar nela enquanto suas mãos percorriam seu corpo de forma atrevida e eloquente?

Sua respiração ficou acelerada e tensa, engoliu com dificuldade a saliva e podia sentir uma pequena onda de fúria percorrer seu ser. Se encontrava sentindo a mesma coisa que sentiu quando Kougyoku o avisou que Judal estava com Aneesa e tudo piorou quando o viu em cima dela, seu corpo vibrou quando acertou em cheio a cara daquele magi idiota. Mas ao mesmo tempo em que desejava a morte lenta e dolorosa de Judal, não podia negar que por um lado parecia entender certa "perseguição" a princesa de Xian.

Aneesa era a perfeição em pessoa, sua pele pálida e macia parecia lhe chamar para ser tocada, mas não bruscamente e sim levemente apenas para sentir sua textura, seus olhos o convidavam para mergulhar naquele mar límpido e magnífico. Sua boca rosada naturalmente o chamava para sentir o gosto adocicado daqueles lábios, que pareciam ser viciantes. Tudo nela o convidava, mas era incapaz de ser tão abusado e bruto como Judal fora. Se pudesse tocá-la seria com a leveza de uma pena.

Era estranho como se comportava em relação a ela, não conseguia erguer a voz com ela mesmo que já tivessem seus desentendimentos, mas não conseguia usar palavras ou gestos para feri-la e isso o confundia a cada instante, a cada dia. Não era como Milianna, com a princesa de Xin ele podia fazer o que quiser, era somente estalar os dedos e a mesma estaria na sua cama como uma meretriz. Ela não era como Aneesa, nenhuma delas era como Aneesa.

O som de algo se quebrando o fez sair do transe de seus pensamentos.

- Hime, se acalme, onegai – ouviu uma voz desconhecida, havia uma criada no quarto com ela.

- Não me peça calma, como posso me acalmar quando minha vida está em ruínas? – a voz chorosa da princesa fez Kouen se aproximar da porta, não era de seu costume ficar ouvindo através das coisas, mas nesse caso era diferente – Eu sou uma vergonha para minha família! Não só para ela, mas para a família Ren também, o que o imperador deve estar pesando sobre mim – voltou a chorar.

Ela parecia desesperada e algo despertou dentro do primeiro príncipe. Uma vontade de entrar naquele quarto e ampará-la em seus braços. Estranhou aquela sensação no mesmo instante em que ela apareceu, mas a voz da criada o tirou dos pensamentos e analise do que sentia.

- O imperador não a odeia e nem acha que é uma vergonha, Judal é quem errou. Tenho certeza de que Kouen-sama também entende a situação. Não chore, precisa estar bonita para o jantar de hoje a noite – ouviu ela falar.

Mesmo detrás da porta Kouen pode ouvir Aneesa dar um riso sem animo.

- Beleza. Esse foi o motivo de minha vida ter se cruzado com aquele verme! Antes ele tivesse me deixado a mercê de outro crápula do que ter ficado nas mãos desse magi nojento – havia uma mistura de raiva e desespero em sua voz.

Mas ao ouvir tais palavras Kouen fincou seus pés no piso e não sairia dali, nem se o Império pegasse fogo. Sua curiosidade aumentou quando ela tocou no assunto que mais tem lhe atormentado e se tivesse que saber ouvindo detrás da porta então que assim fosse.

- O que está dizendo? Que...

A frase da criada morreu e Kouen ficou tenso.

- Minha beleza sempre me causou problemas, mesmo quando era apenas uma criança. Houve um tempo em que eu tive que andar coberta da cabeça aos pés, pois assim nenhum homem me olharia de forma errada e cobiçada. Eu sou amaldiçoada! – sua voz era tremula e havia mais do que apenas tristeza na mesma.

Kouen fitava o piso forrado por um tapete vinho escuro confuso.

- Kouen-sama deve me odiar agora – disse.

Já basta.

Quatro toques foi o suficiente para ele se anunciar, em seguida ele mesmo abriu a porta deparando-se com a criada que se encontrava indo a sua direção para abrir a porta para si. Seus olhos se assustaram com a figura do primeiro príncipe e rapidamente se curvou e depois lançou um olhar preocupado para a princesa.

Aneesa se encontrava sentada na cama e com um travesseiro em seu colo, ele estreitou os olhos quando viu uma mancha escura na manga do robe de sua camisola.

- Deixe-nos – ordenou e sem outra alternativa saiu do quarto deixando-os a sós.

Quando Kouen fechou a porta Aneesa abaixou o olhar fitando o travesseiro colocado no colo, atrás de si uma bandeja com comida pela metade. Ela não havia comido direito e as olheiras abaixo dos olhos indicavam uma noite mal dormida junto do inchaço do choro intenso. Novamente aquela sensação de ampará-la se apossou dele. Mas tratou de se livrar dela.

Andou pelo quarto a observando evitar seu olhar.

- O que houve? – questionou e Aneesa ao perceber que ele falava sobre a mancha escura, tentou rapidamente esconde-la. Mas Kouen se aproximou dela e puxou seu braço e ela fez uma careta – Esconder só vai piorar as coisas – avisou.

- Lamento – disse ainda mantendo o rosto abaixando dificultando Kouen de vê-la.

O príncipe ergueu mais o braço dela fazendo a manga leve e um pouco larga do robe escorregar e mostrar um ferimento no antebraço, parecia um corte pequeno, mas havia sangrado muito.

- Você fez isso em si mesma? – perguntou temendo pela resposta.

Os olhos azuis cristalinos dela se arregalaram e o fitaram.

- De maneira nenhuma, posso estar em péssimo estado, mas jamais seria capaz de me ferir e fazer tal coisa... – disse recolhendo o braço – Eu cai, apenas – falou e indicou uma direção com a cabeça.

Kouen se virou e viu um jarro de porcelana quebrado no chão perto de uma mesinha do quarto, havia um rastro de sangue que ainda não fora limpado então o acontecimento havia sido recente. Será que o barulho de algo se quebrando fora aquilo?

- Aconteceu agora?

- Sim.

Kouen nada disse apenas caminhou até o banheiro do quarto dela e em um armário pegou um porta jóias de cor prata e com um emblema vermelho na frente. Ele sentou-se ao seu lado na beirada da cama e pegou um lenço molhado que jazia em seu braço, calmamente pegou o braço dela e limpou o corte. Aneesa fez uma careta pela leve ardência, logo depois de limpar ele pegou uma pomada que usavam muito para não infeccionar os cortes que ás vezes ganhavam e passou em cima do ferimento.

- A pomada demora a fazer efeito, se começar a arder é sinal de que está funcionando – explicou ele, em seguida pegou uma faixa e enfaixou o local do ferimento.

- Obrigada, Kouen-sama, não precisava se preocupar tanto – disse sem jeito e recolhendo novamente o braço.

Alguns segundos se seguiram sem que nenhum deles trocassem palavras. Até que Kouen decide quebrar o silencio incomodo.

- Esse semblante melancólico não combina com você – disse ele afastando uma mecha de cabelo e o pondo detrás da orelha dela.

Ao ouvir tais palavras, Aneesa ficou sem ação, mas logo depois por algum motivo sem explicação plausível no momento, ela acabou sorrindo suavemente. Deixando-o contente por ter conseguido arrancar um sorriso, pequeno e pouco visível, mas um sorriso.

A mão de Kouen era suave e quente, no momento em que ele a tocou seu corpo se aqueceu e mesmo achando errado ela se encontrar daquela maneira com o príncipe não pode deixar de contemplar e sentir aquele toque. Ainda sentia-o acariciar seu rosto em um carinho tão leve que a fazia sentir cócegas. E novamente se encontravam próximos, uma distancia tão perigosa quanto da outra vez em que se encontraram na biblioteca.

O ruivo se encontrava um pouco curvado enquanto segurava o rosto dela com somente uma das mãos, tomava o extremo cuidado para não soar invasivo ou bruto como Judal fora, ele não queria traumatizá-la. Mas o que ele queria então? Quão a razão para aquela necessidade de senti-la, de querer mante-la em seus braços? Estaria ela tão confusa quanto ele?

Na verdade, ela estava mais confusa do Kouen se encontrava.

Aneesa era um furacão de emoções, bastava Kouen se aproximar para que um turbilhão de sensações se apossasse dela tão rapidamente quanto uma tempestade. Mas ela queria provar dele, sentir aquela boca belamente esculpida contra a sua de uma forma na qual sempre sonhou que seria beijada, mas também tinha receio de Kouen não ser aquilo que aparentava. Se enganara com Judal, quem garantiria que Kouen não era como ele ou até pior?

O magi lhe pareceu uma pessoa boa ao lhe ajudar, mas agora quando o encontrou de novo, o moreno se mostrou traiçoeiro feito uma cobra.

- Melhor ir – disse o fitando, doeu ter que dizer aquilo, mas achou que era o melhor – Com certeza tem coisas importantes a fazer... Não quero que perca tempo comigo – completou.

- Claro – concordou, mas também não se afastou assim como ela.

Ele queria ter falado mais, porém as palavras não saiam de sua boca e terminar aquela curta distancia parecia algo impossível no momento. A contragosto ele recuou voltando a se endireitar e em seguida se levantou abandonando o rosto dela e a mão pequena que segurava com sua outra mão.

- Com licença – pediu e após uma breve curvada se retirou do quarto.

Aneesa suspirou alto após ele sair e voltou a deitar-se na cama, mas agora possuía um sorriso nos lábios rosados.

/ * /

A chuva tinha dado uma trégua, porém o céu ainda continuava nublado. Aproveitando aquela trégua Kouen saiu do escritório e resolveu ler algo para relaxar, havia uma parte do palácio onde havia um caramanchão no enorme e belo jardim do palácio, normalmente ele adorava sentar lá e aproveitar o silencio e paisagem.

O caramanchão era de uma tonalidade branca destoando do resto do palácio, seu teto, que ao invés de possuir flores como teto, era de tijolos avermelhados. Havia uma árvore com flores vermelhas e alguns galhos invadiam o caramanchão, bancos se encontravam ao redor de todo o local, que não era muito espaçoso, mas também não era pequeno. Poderia abrigar uma família de cinco membros ali avontade para um lanche.

Se encontrava perdido em sua leitura que nem mesmo percebeu alguém se aproximar lentamente e com um andar silencioso.

- Esse semblante tão sério não combina com você, Kouen-sama!

A voz o atraiu rapidamente e seus olhos se ergueram vendo a figura da princesa, Ren Hakuei.

- Concordo – disse ele – Não devia estar indo em direção as terras de um clã cujo qual você quer fazer aliança? – indagou estranhando vê-la ali.

- Devia, mas as negociações não foram muito bem e para evitar problemas achei melhor retornar – contou – Mas pretendo voltar.

- Parece determinada – observou e ela sorriu.

- Ouvi de Koumei que você está noivo... Ou melhor, que o imperador escolheu cinco noivas de reinos que pertencem a Kou para se casar com você – falou de forma divertida.

- Acho que meu pai apenas quer se divertir um pouco, ele adora essas coisas – disse sem interesse.

O olhar de Hakuei mudou e Kouen percebeu, parecia acalentador e um tanto acusador, mas de maneira sutil. O príncipe lhe encarou esperando alguma palavra para aquele olhar e o sorriso costurado nos lábios, acompanhado de risinhos.

- Você está diferente – comentou ela ainda sorrindo – Parece... Pensativo, mas de uma maneira estonteante – explicou – Normalmente é tão quieto e concentrado, mas agora parece que seus pensamentos se esvoaçam conforme o vento sopra – completou.

- Bem observadora – disse ele – Mas creio que esteja errada – falou.

E ela estava errada, apesar de saber que a observação de Hakuei era verdadeira. Ele mesmo já havia notado que se perdia muito durante suas reuniões, seus treinos e até mesmo em sua leitura. A figura de Aneesa sempre o rondava quando ele menos esperava e até aquele momento não sabia o que estava acontecendo com ele.

- Creio que eu esteja certa, Kouen-dono – proferiu sorrindo – Você nunca soube mentir – disse.

Kouen suspirou e se levantou talvez conversar com alguém como Hakuei, não fosse uma idéia ruim. Talvez ela soubesse o que se passava com ele, para o príncipe o mesmo se encontrava doente ou querendo adoecer, principalmente pelos sintomas. Mas quais sintomas? Ele não sentia nada e mesmo assim parecia que sabia quando ficaria de cama por conta de uma gripe forte.

- Algo o preocupa? – indagou vendo o silencio por parte dele.

- Não é nada – se virou e exibiu um semblante mais brando.

- Já disse, você não sabe mentir – falou se levantando e tocando o ombro dele com cuidado.

Eram amigos e por mais já tivessem assumido um amor platônico, aquele sentimento havia morrido por algum motivo. Já sentia o arrepiar de seu pelo quando Hakuei se encontrava por perto, na verdade ultimamente quem o está fazendo sentir coisas que nunca sentiu é Aneesa.

Kouen se virou para falar algo, quando um barulho chamou a atenção deles. A uma certa distancia deles Aneesa se encontrava carregando alguns livros e estava na companhia de Kouha, que prontamente a ajudou a pegar os livros. No mesmo instante em que se levantou o olhar cristalino da garota se conectou com o de Kouen que por um momento sentiu o ar faltar. Mas também sentiu preocupação, ainda mais por Hakuei estar tão perto assim dele.

Então ele a afastou, foi um tanto rude, achou Hakuei, mas ao ver a forma como Kouen mirava a morena e deduzindo que ela era uma das princesas sorriu minimamente. Viu a princesa se curvar brevemente e em seguida sair com Kouha que conversava algo com ela, quando se afastaram Hakuei se aproximou novamente do príncipe.

- Então é ela – disse de forma afirmativa e Kouen a olhou confuso – Ora, Kouen-dono, o conheço muito bem para saber que esse olhar direcionado a ela é mais do que... Admiração – falou.

- O que quer dizer?

Hakuei riu.

- Não vou falar, acho que é melhor descobrir por si só – falou caminhando e passando por ele – Só não perceba tarde demais – avisou e acenou se despedindo dele.

Kouen continuou ali parado, observando Hakuei desaparecer e tentando entender suas palavras.

/ * /

A noite chegara rápida, para o desagrado de Kouen.

O mesmo passou a tarde toda com a cara enfiada em um livro e aproveitando de sua leitura a fim de espairecer a cabeça, a noite que teria com a princesa Milianna e as palavras de Hakuei o deixaram meio atônito e a leitura o ajudou a relaxar. Depois de conversar com Hakuei, o príncipe havia ido atrás de Aneesa, mas não a encontrou e pouco depois soube por um criado que a princesa havia ido cavalgar com Kouha e Kougyoku.

Naquele momento Kouen se encaminhava para seu quarto, o jantar já havia ocorrido e o mesmo não estava com animo para ficar diante de todos, então pediu que seu jantar fosse levado até a biblioteca. Apesar de querer ver muito a princesa de Xian, Kouen preferiu ficar só naquele momento.

Os corredores do palácio estavam desertos e silenciosos, a noite com nuvens acobertando as estrelas deixavam um ar de perigo e aquilo deixou o príncipe em alerta, mas talvez fosse coisa de sua cabeça apenas. Parou diante de seu quarto e antes de entrar, ele respirou fundo e em seguida abriu a porta. Não fora surpresa para ele encontrar a princesa Milianna deitada em sua casa a espera dele.

Contudo, achou a atitude da princesa muito audaciosa. A bela e exuberante princesa de Xin, se encontrava deitada em meio aos lençóis brancos e de seda da cama de Kouen, o pano fino sobre o corpo volumoso deixava claro que a princesa se encontrava completamente nua somente a espera dele.

- Demorou, meu príncipe – disse ela de forma sensual.

Kouen caminhou pelo quarto e retirou a capa preta que sempre usava e a pendurou.

- Tive que terminar umas coisas – falou somente – Você preparou bem o quarto – observou.

Havia velas acesas por todo o quarto para dar um ar mais romântico, mas Kouen sentiu como se estivesse em um harem ou bordel de quinta a procura de alguma mulher para possuir. Os lençóis finos agora lhe pareciam sujos e ao contrario do que a princesa queria parecer, para Kouen, ela ainda continuava com ações vulgares. Era estranha a forma como tudo que Milianna fazia lhe parecia vulgar, talvez estivesse certo a respeito dela.

Milianna era o tipo que apenas servia para esquentar sua cama e nada mais.

No momento seguinte, a princesa se levantou da cama ainda segurando o lençol. Em seguida o soltou permitindo a seda deslizar por seu corpo esbelto e curvilíneo, apesar de não gostar de suas atitudes Kouen não podia negar que a princesa possuía atributos chamativos, mas por alguma razão naquele instante o príncipe imaginou Aneesa no lugar de Milianna. Imaginou como seria o tecido escorrer pelo corpo pequeno e com curvas levemente destacadas, imaginou ela lhe olhando de forma retraída, mas ao mesmo tempo ousada.

Sentiu as mãos da princesa de Xin desatar o laço do kimono que usava e ele ainda não havia movido um músculo. Sua camisa escorregou por seus braços e logo atingiu o chão, se viu guiado pela mesma até a cama, onde a princesa se deitou ficando frente a ele e com seu corpo bem a mostra.

Talvez fosse errado seguir em frente, mas se a princesa estava se entregando com tanta facilidade, ele não iria impedi-la, só esperava que ela não achasse que depois isso ganharia algum ponto. Pois, pelo contrario, ela apenas estava perdendo ponto com ele e Kouen já tinha uma pergunta a ser feita para a princesa, mas a faria depois.

O ato não durou muito, Kouen se movimentava dentro dela de forma firme e forte, enquanto a princesa Milianna delirava ao ter seu corpo preenchido, o príncipe apenas se satisfazia e ainda se encontrava confuso por imaginar Aneesa no lugar dela. E como da outra vez, Kouen se quer tocou seus lábios, apesar de Milianna ter tentado. Ao fim do ato Kouen deitou-se ao lado da princesa enquanto a mesma sorria abobada e depois se virou se aconchegando no primeiro príncipe.

Mas Kouen tirou a mão dela de cima de seu peitoral e se sentou, fitando-a um tanto sério.

- Como foi explicado, tenho direito a uma pergunta para cada princesa – falou ele.

- E o que gostaria de saber, Kouen-sama? – indagou sentando-se e se exibindo para ele.

- Você é realmente uma princesa? – questionou.

Kouen observou Milianna perder a fala e ficar um pouco tensa.

- Não entendi a pergunta, Kouen-sama – falou confusa e temerosa.

- Vou reformular a pergunta – disse – Onde nasceu exatamente? Você não parece ter nascido em berço de ouro assim como as outras, suas ações indicam uma pessoa que não fora educada corretamente como eu e assim como as outras princesas – comentou sério – Você parece um tanto vulgar e superior demais.

Milianna engoliu em seco diante das duras palavras do príncipe. Porém, não adiantaria mentir afinal estava claro como água, que Kouen já havia percebido tudo. Ela recuou e se cobriu novamente com o lençol e depois o fitou.

- Está certo, não sou uma princesa como as outras – disse – A família real de Xin fugiu após uma rebelião por conta de altos impostos e das atrocidades que faziam, depois disso tiveram que escolher alguém para comandar a cidade e meu pai foi escolhido, ele não é meu pai de verdade... Eu fui criada em uma casa de mulheres, criada para servir um homem em sua cama e nada mais. Quando o Imperador de Kou mandou a carta achando que estava enviando a família real, na verdade, meu pai adotivo que recebeu a carta – contou – Então ele viu uma saída para erguer a cidade de Xin, apesar dela ter mudado e prosperado ao contrario de Xian, que é nosso vizinho.

- E por ser filha dele, você foi mandada para cá – falou ele virando o rosto.

- Não – respondeu ela e o príncipe voltou a olhá-la – Meu pai pediu que todas as meninas da casa dele fossem chamadas e ele queria as qualidades de todas e então... Eu acabei sendo escolhida – disse.

- Sabe que se meu pai souber disso, você será mandada embora – avisou ele.

- Pro favor, meu príncipe, não faça isso! – implorou.

- Por que eu não deveria?

- Sou a melhor coisa que você poderá arrumar nessa vida, serei uma boa esposa, uma boa imperatriz. Estarei sempre ao seu lado... E... – proferiu em desespero, mas Kouen pouco se importou e então se levantou da cama.

Cobriu-se com outro lençol e andou pelo quarto, parou e a fitou.

- As outras princesas são mais dignas do que você, uma meretriz como você não serve para governar um país ao meu lado – disse rudemente.

- E acha que a princesa de Xin vale alguma coisa? – jogou as palavras com rancor, após a ofensa – Acha que aquela princesinha é digna de estar ao seu lado quando na verdade ela já fora tocada por alguém?

As palavras atingiram em cheio Kouen, que ficou sério e fechou as mãos em punho.

- Do que está falando?

- Não falarei nada, até por que creio que seja esperto o suficiente para perceber o que se passou com aquela princesa tonta – ralhou irritava.

Kouen sentiu seu sangue subir e rumou para cima de Milianna, segurou firma seu rosto com as mãos e a fitou intensamente.

- Dobre sua língua ao falar dela – disse baixo, porém imponente e ameaçador – Aneesa pode não ser digna, mas vale mais do que você ou qualquer outra – proferiu, em seguida a voltou e entrou em seu banheiro onde vestiu uma calça negra e uma blusa da mesma cor – Quando voltar, não quero vê-la aqui – disse e saiu fechando a porta do quarto.

Kouen caminhava pelo palácio a passos firmes e duros, sentia uma raiva lhe subir pelo corpo e onda de desespero em saber de tudo sobre a vida de Aneesa. Estava transtornado e confuso, e ele odiava aquilo.

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Quase que Kouen beija Aneesa, mas calma que isso logo acontece... :) Como viram Milianna não é uma princesa de verdade e isso pode comprometer suas chances de se casar com Kouen. Veremos o que vai acontecer agora... No próximo capitulo mostrarei um pouco da noite de Kouen com as outras princesas e logo a noite de Aneesa chegará! Espero que tenham gostado do capitulo e agradeço os comentários do capitulo passado! ^^

Até o próximo! Beijos!