Peço perdão pela demora, mas tive uns probleminhas para desenvolver o capitulo, com isso acabei demorando. Como podem notar, pelo enunciado, a noite das outras princesas não foi mostrado, mas eu irei detalhar o que houve. A noite da princesa Keira será mostrada porque haverá uma surpresinha pra vocês, creio que muitas estão esperando. Hihi...

Então tenham uma boa leitura!

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A tentativa de massagear as temporãs a fim de cessar aquela dor irritante e latente em sua cabeça parecia não estar dando certo. As últimas três noites foram um verdadeiro tormento para ele, talvez nem de todo, a noite passada fora até agradável ele devia ressaltar. Sua primeira noite com uma das princesas lhe rendeu uma noite quente, mas apenas por alguns minutos, descobrir que Milianna não era de fato uma princesa fora uma surpresa e tanto.

Ainda se lembrava da cara de espanto de Koumei ao lhe contar, na noite seguinte fora a fez da princesa Anisah, que por Deus fora um desastre, a garota falara tanto que ele nem ao menos conseguia entender o que saia da boca dela e os assuntos eram tão triviais e vazios que fora preciso muito esforço de sua parte para que continuasse acordado e ouvido-a falar. A noite passada fora com a princesa Leena, no qual poderia lhe dar uma ótima nota devido às especiarias que a mesma lhe preparou.

A princesa de Xang possuía dotes culinários que até mesmo seu pai, que era exigente demais com a comida, ficaria encantado pelas deliciosas especiarias. A conversa fora agradável e também bastante reveladora, Leena nascera de uma cozinheira pela qual o governante de Xang se apaixonou e logo depois ela nasceu. Descobriu que a mesma detestava aquela atenção toda e que se pudesse ficaria o dia inteiro na cozinha preparando pratos para saciar a fome de todos de seu palácio.

- Realmente você não parece bem – disse Kouha adentrando o escritório com uma bandeja de prata contendo uma taça com um chá para acalmar a dor de cabeça do mais velho.

- Se soubesse o que já passei com essas princesas – disse Kouen pegando a taça e então deu um gole grande no chá – O que diabos é isso? – ralhou ao sentir o gosto amargo do liquido.

- Um chá que fará sua dor de cabeça se esvair – a voz de Koumei preencheu o local – Pensei que Leena havia lhe proporcionado uma noite agradável, ao contrario das outras duas – comentou se aproximando da enorme mesa de madeira.

- Sim, mas acho que as noites com a princesa Milianna e com a princesa Anisah me causaram tormento demais – confessou terminando de beber aquele chá horrendo – Sabe qual das princesas terei que aturar hoje?

- Ouvi Kougyoku comentar que Aneesa seria a ultima, então creio que seja a Keira – contou o mais novo e os outros dois o olharam – O que? – falou.

- Desde quando possui tanta intimidade com as duas princesas? – questionou Koumei, principalmente pela cara séria que Kouen fez ao notar que Kouha e Aneesa estavam bem próximos – Não me diga que se interessou por uma delas? – falou e só então se tocou do que acabara de falar.

Rapidamente tapou a boca e ergueu seu leque de penas escuras frente ao rosto.

- Claro que não, mas sempre as encontro na área de treino e acabamos conversando e como a Kougyoku ficou bem amiga de Aneesa acabei fazendo amizade com elas também – contou Kouha se sentando em uma das cadeiras ao redor da mesa.

- É verdade, Kougyoku tem se aproximado bastante da princesa de Xian – observou – Talvez podemos tirar proveito disso – olhou para Kouen.

- O que tem em mente, Koumei? – indagou Kouen.

- Talvez Aneesa tenha contato a Kougyoku sobre seu ligamento com Judal, como estão tão próximas, aposto que já devem ter trocado segredos – ponderou – Garotas fazem esse tipo de coisa... Eu acho – coçou a cabeça.

- Pode ser, mas prefiro perguntar eu mesmo – falou Kouen se levantando – Parece ser algo bem profundo para que ela conte para qualquer pessoa, mas a mim ela não poderá enganar! A princesa Aneesa terá que contar, seja por bem ou por mal! – completou parando na porta do escritório e em seguida saiu.

- En parece bem obcecado com Aneesa – comentou Kouha despreocupado.

- Não Kouha, o que Kouen tem é outra coisa... Ou melhor, o que ele sente pela princesa é outra coisa, mas ele ainda não percebeu – falou Koumei, que deu um pequeno sorriso de canto.

/ * /

Não levou muito tempo, nem muitos minutos na verdade e Kouen se encontrava batendo a porta do quarto de Kougyoku. As batidas eram fortes e por pouco a madeira não fora quebrada. A ruiva abriu a porta assustada e ficou ainda mais surpresa quando viu seu irmão mais velho parado diante de si com um semblante sério.

- Nii-san – emitiu confusa e surpresa ao mesmo tempo.

- Preciso conversar com você – disse, mas parecia uma ordem.

Assentindo ela abriu mais a porta e permitiu que o irmão adentrasse, após isso ela a fechou novamente.

- S-Sobre o que quer conversar? – indagou parada ainda próxima a porta.

- Você e a princesa Aneesa têm ficado muito juntas ultimamente – comentou parado no centro do quarto dela, Kougyoku assentiu – Então provavelmente deve saber sobre que tipo de relação Aneesa e Judal tem – foi direto.

- En-nii-san... Lamento, mas não sei nada sobre isso. Eu e Aneesa conversamos sobre tudo, mas este é um assunto que ela não gosta de tocar e como amiga devo entender – falou sentindo medo de ser repreendida.

Já havia dias que Kouen estava subindo pelas paredes por causa daquele assunto e vê-lo daquele jeito fez Kougyoku perceber que ele não estava apenas curioso, ele precisava esclarecer aquele assunto com a princesa o quanto antes, caso contrario o mesmo teria um colapso de ansiedade diante de sua curiosidade.

Mas havia outra coisa também, que ela percebeu. Kouen se encontrava em um conflito interno, parecia ver o que não existia e ele pareceu piorar desde que flagrou Judal roubando um beijo abusivo da princesa. Ao constatar o que rondava a cabeça do mais velha, Kougyoku tampou a boca no mesmo instante em que grunhiu.

- Ah! – emitiu e o olhou surpresa, Kouen a encarou confuso – Não me diga que... Acha que eles tiveram algo no passado? Seria possível algo desse tipo?

- Depois daquele beijo não duvido – constatou, nunca fora de conversar muito com Kougyoku ainda mais sobre sentimentos, mas naquele momento tudo parecia diferente, parecia que poderia se abrir com ela sem parecer idiota – Desde que ela colocou os pés aqui que Judal fica rondando ela feito abelha em mel! E ela fica fugindo sempre que toco no assunto – disse.

- Então é algo muito sério, se fosse um simples caso que tiveram Judal já teria dado com as línguas nos dentes... Sabe como ele gosta de esfregar alguma vantagem na cara das pessoas – falou Kougyoku – Não deixe o ciúme controlar você – avisou tentando ser firme, mas falhou ao ganhar um olhar sério demais do outro.

- Ciúme? Acha que estou com ciúme? – bufou irritado – Não estou com ciúme e não teria por que ter, mas se Aneesa teve um caso com Judal ela não serve para ser imperatriz de Kou e provavelmente não é mais pura. Sabe que não posso me casar com alguém que já não possui mais pureza em seu corpo – explicou ainda furioso.

E a cada palavra saída da boca de Kouen, a princesa ia percebendo como o irmão já se encontrava rendido pela princesa, mesmo que não soubesse. Era tão nítida como a água. Um sorriso pequeno costurou os lábios pintados de um rosa claro, mas por sorte seu irmão não percebeu o sorriso, parecia mais preocupado em falar como uma imperatriz deve se comportar.

- O que sentiu quando viu Judal beijando-a? – indagou sem saber bem o motivo.

Talvez quisesse saber a reação do irmão ou que sentimento o mesmo sentia por Aneesa.

- O que? – indagou confuso – Que raio de pergunta é essa?

- Apenas responda, Kouen-nii-san! – pediu séria.

Mas Kougyoku não ganhou sua resposta, apenas recebeu uma cara fechada de Kouen e em seguida o mesmo saiu do quarto ralhando que não era obrigado a responder nenhum questionamento por parte dela. A porta fora fechada com certa brutalidade, mas a ruiva não se importou, pois havia conseguido a resposta que queria mesmo que indiretamente.

E sorriu com aquilo.

Kouen adentrou a biblioteca feito um furacão, por sorte a mesma se encontrava deserta, fechou a porta e sentou-se em uma cadeira tentando controlar a respiração. Que de repente havia ficado descompassado. Apoiou os cotovelos nos próprios joelhos e enterrou o rosto entre as mãos.

Ele sabia que tinha uma resposta para aquela pergunta de Kougyoku, mas ele não queria dar o braço a torcer e expor o que sentiu naquele dia. Era um misto de sentimentos que jamais sentiu na vida, nem mesmo quando perdeu pessoas importantes.

Sentiu raiva, uma fúria incontrolável, um desespero em saber o que Judal poderia fazer a Aneesa. Tinha medo de ele a machucar, um aperto no peito que jamais doera, parecia que iria ter seu peito rasgado. Sentiu cada celular de seu corpo vibrar quando acertou a cara daquele Magi desgraçado.

Aos poucos, foi se acalmando. Mas seus pensamentos ainda rondavam a princesa de Xian.

E assim Kouen passou o dia todo na biblioteca, perdido em pensamentos e inúmeros livros a fim de aplacar aquela confusão que sentia por dentro.

/ * /

Pouco tempo depois, quando se sentiu melhor, Kouen pediu a uma criada que chamassem seu pai para uma conversa urgente. E não demorou muito para o imperador adentrasse a biblioteca, deixando um guarda de prontidão na porta para que ninguém interrompesse.

- Espero que o assunto seja de suma importância para me chamar tão urgentemente – disse o imperador caminhando pelo recinto.

Kouen se mostrava imparcial quanto ao assunto, apesar de ser importante. Seus olhos estavam compenetrados em um pergaminho, mas logo desviou sua atenção ao pai, que parou próximo a mesa onde ele estava. O príncipe sentia sua cabeça latejar fracamente, mas havia melhorado bastante se comparado a mais cedo.

- E é, meu pai – disse ele – Eu devia ter lhe falado sobre isso no dia seguinte a noite em que passei com a princesa Milianna, mas devido as suas tarefas tive que espera uma brecha e um tempo livre do senhor – comentou.

- A princesa de Xin fez algo errado? – questionou.

- Não, até por que ela não é princesa – respondeu e o imperador o olhou confuso e chocado – Confesso que teria feito essa mesma cara ao saber sobre esse fato, se eu não tivesse percebido antes algo de errado com a "princesa" – ponderou.

- Se ela não é princesa o que ela é então?

- Uma mera meretriz – disse Kouen se levantando e indo até uma estante onde guardou o pergaminho que lia – Milianna me contou que a família real de Xin foi exilada devido ter levado o reino a falência, então seu pai que é um homem dono de um harem passou a comandar a cidade! E ele ao saber de sua proposta escolheu uma de suas garotas para se passar de princesa do reino de Xin – explicou – Ele achou que Milianna seria a melhor escolha e a treinou antes de mandá-la para cá – completou.

- Se já estava desconfiado disso por que então continuou com ela na seleção? – quis saber.

- Eu tinha minhas duvidas, mas queria ter certeza e quando tivemos "nossa noite" a questionei e ela me contou tudo – disse simplesmente – Agora quero saber o que acontece com ela? Kou não pode ter uma meretriz como imperatriz, não é?

- Nisso está certo, Kouen – falou ele irritado – Jamais esperava isso de Xin, mas... Vamos fingir que ela ainda está na competição e que esse fato ficou apenas entre vocês dois.

- Devo descartá-la desde já, eu suponho – mirou o pai.

- Sim – assentiu e em seguida o imperador saiu da biblioteca.

Logo depois da saída de seu pai, Koumei entrou com alguns papeis em mãos.

- Não me diga que isso são papeis para assinar – disse irritado.

- Não – falou sério – Estes são papeis com informações a respeito da família de Aneesa, como foi solicitado por você – explicou jogando os papeis em cima da mesa.

Os olhos de Kouen abaixaram e em seguida os pegou e mesmo que temeroso começou a ler o que continha neles, mas ao cada linha pareceu notar algo de errado. Ou era isso que queria acreditar.

- Tem certeza de que é só isso que conseguiu? – questionou ele lendo folha por folha, tudo atentamente.

- Tenho, meu irmão – assentiu – Li tudo o que está aí, linha por linha e depois li novamente – falou – Mas aparentemente ninguém sabe sobre Aneesa e Judal.

- Não pode ser – ralhou nervoso.

- Aparentemente a família real de Xian está enfrentando problemas financeiros causados pelo reino de Xin, que também está falido após a queda da família real. Aneesa é bem conhecida por fornecer comida aos mais necessitados em seu reino e é uma ótima guerreira, esteve ao lado de seu pai na batalha entre Xian e Xin, de resto não há muita coisa a levar em consideração – explicou calmamente Koumei.

Kouen largou os papeis em cima da mesa e o fitou com total desapontamento, esperava encontrar um escândalo abafado pela família real diante de um suposto envolvimento da princesa com o magi, mas não havia nada ali. Nem mesmo havia registros de que Judal freqüentava o território de Xian.

- Pelo visto também, ninguém sabe da existência de Judal exceto... Aneesa – completou temendo a reação do irmão – O que pensa em fazer, Kouen-nii-san?

- Não tenho o que fazer a não ser esperar pela noite de amanhã, a princesa Aneesa não terá outra escolha a não ser me responder. Seja por bem ou por mal – falou sério.

- Kouen, eu sei que está obcecado com esse envolvimento e acho que se deve ao fato de que... Acabou se interessando demais pela princesa não só por estar curioso a respeito dela e sim porque... Eu creio que esteja apaixonado por ela! – disse de uma vez, mas com cautela temendo a fúria do irmão.

Kouen o fitou de maneira furiosa e perplexa, eram dois extremos habitando aqueles olhos amendoados que ás vezes pareciam ser um vermelho opaco.

- Ah, você também não – massageou as temporãs e se sentou – Kougyoku me acusou de estar com ciúmes e agora me acusa de estar apaixonado? De onde tiram essas idiotices?! – ralhou.

- Diante das circunstancias, tenho que concordar com nossa irmã... Está tão cego de ciúme que não vê nada a sua frente, será mesmo que não sabe nada a respeito desse assunto? Judal deixou escapar dicas e provavelmente a princesa fez a mesma coisa, mas você não notou – explicou ele se escondendo detrás do leque.

Koumei abriu a boca para continuar a falar, mas Kouen ergueu a mão pedindo silencio.

- Deixe-me sozinho, preciso pensar – pediu fitando a mesa.

- Sim – assentiu e se retirou.

Assim que escutou a porta da biblioteca ser fechada, ele suspirou sentindo sua cabeça latejar ainda mais. Era muita coisa para ser processada e sua mente parecia uma bagunça, parecia um campo após uma guerra ter acontecido. Ele não conseguia se concentrar direito no momento e ficaria ali para se acalmar, talvez se deitasse um pouco poderia colocar os pensamentos em ordem.

/ * /

O anoitecer chegara de forma lenta e arrastante, todos no palácio pareciam bem atarefados e com isso conseguiram se ocupar, até mesmo as princesas. Kouen passou o dia todo dentro da biblioteca e no final da tarde saíra para ir até seu quarto tomar um banho relaxante, ficou por lá mesmo e jantou em seu quarto e logo depois ficou a espera da princesa Keira. No qual passaria a noite com ela.

Se encontrava sentado em uma poltrona de seu quarto saboreando um chá, outro para sua dor de cabeça, quando escutou batidas na porta. Se levantou e ao abrir encontrou-se com a princesa Keira, que trajava uma roupa ao invés da camisola, já que o intuito era de dormir no quarto do príncipe.

- Lamento se esperava me encontrar de forma vulgar como as outras – proferiu.

- Confesso que estava, mas prefiro que fique assim... Apesar de não saber se irá avançar em mim como as outras – disse Kouen dando espaço para ela passar – Olhando para sua roupa eu diria que não irá dormir em meu quarto – fechou a porta.

- Não – respondeu – Nunca estive em um quarto de um homem antes e não será agora que o farei, a não ser que seja afirmado que me casarei com ele – explicou – Sinto muito se estou sendo direta. Não tenho paciência para as frescuras que as outras princesas, apesar de que Aneesa não é tão fresca assim – comentou.

- É bem amiga da princesa Aneesa? – ponderou curioso.

- Um pouco, não suficiente para nos abrirmos umas com as outras, mas ela é uma ótima oponente em espadas e lutas de Djinn – contou sorrindo.

- O que sabe sobre ela? – indagou ele caminhando pelo quarto e Keira o olhou confusa.

- Por que quer saber? Não creio que sua noite comigo será resumida em fazer perguntas sobre Aneesa – disse desconfiada.

- Apenas curioso, confesso que pedi a meu irmão para investigar sobre a vida dela, mas não encontrei nada que a incriminasse – se aproximou de uma mesinha pequena e serviu-se de chá – Aceita? – ofereceu e a princesa aceitou.

- Não sei muito a respeito dela, apenas o que os reinos sabem – contou após pegar a xícara – Todos sabem que desde pequena o pai de Aneesa, o rei de Xian, proibiu a filha de mostrar o rosto devido ela ser bonita demais – disse dando um gole – Muitos homens cobiçavam-na desde pequena e por isso ela vivia coberta, uma vez quando era pequena cheguei a ir com meu pai até Xian, a vi somente uma vez e a mesma sempre usava um vel branco indicando sua pureza – completou.

Kouen estava se interessando ainda mais a cada frase dita por Keira, apesar de não ter revelado o principal.

- Creio que não conhecia Judal antes de vir para cá – falou.

- Não, todos os outros reinos sabiam que Kou possuía um Magi, mas ninguém conhecia seu nome ou aparência – disse – Todos o mencionavam como 'o magi de Kou'.

- Entendo – falou – Então, o que me preparou para esta noite?

- Fiquei sabendo que gosta de trocar conhecimento e obter mais ainda, pensei que poderíamos nos ajudar, príncipe Kouen – falou Keira animada.

- O que quer saber? – perguntou.

- Logo irei assumir o trono no lugar de meu pai ou de minha mãe, nunca se sabe, então gostaria de saber tudo sobre governar um reino ou império. Claro que meu reino não chega aos pés de Kou, mas gosto de meu lar e quero cuidar dele como vocês cuidam de Kou – explicou com determinação.

- Você é bem diferente das outras princesas, parece mais preocupada em governar corretamente o reino do que se estará casada – comentou com um sorriso de canto – Mas já que quer saber... Então...

Kouen explicou detalhadamente como era governar um reino, na verdade era uma tarefa mais fácil do que governar um império. A cada explicação via os olhos de Keira brilharem diante de seu futuro como princesa.

Conversaram sobre varias coisas e a noite fora aproveitadora, se sentiu revigorado com o conhecimento que obteve da princesa e após terminar, a mesma voltou para seu quarto. Como havia dito não dormiria ali a não ser que tivesse certeza de que se casaria com ele futuramente.

Quando Keira sumiu no corredor para retornar ao seu quarto, Kouen saiu do seu a fim de ir a cozinha levar o bule e as xícaras que pegara. Como já era tarde, passava das duas da manhã, não havia criados acordados e não seria cruel a ponto de mandar acordar um deles somente para levar uma louça até a cozinha, coisa que ele mesmo poderia fazer.

Ao chegar à cozinha se surpreendeu ao deparar-se com a mesma cheia de velas e lamparinas para iluminar, perto de uma mesa grande e retangular feita de madeira se encontrava Aneesa colocando algo em uma xícara.

- Perdeu o sono? – indagou e Aneesa se assustou ao perceber que ele estava ali.

- Kouen-dono! – exclamou quase deixando o bule em mãos cair, resmungou algo que o príncipe não entendeu e depois o fitou – Ah, sim. Quando não consigo dormir, sempre faço um chá, me ajuda bastante – sorriu minimamente.

- Então possuímos a mesma mania – mostrou seu bule para ele, que em seguida fora posto na pia bem feita e decorada.

- Não devia estar com Keira nesse momento? – indagou sem jeito e alisando os fios negros.

- Devia, mas ela se recusou a ficar em meu quarto e após conversarmos ela retornou para seu quarto – explicou.

- Entendo – fitou sua xícara e observou a fumaça subir.

Kouen ficou a admirando silenciosamente, foi então que seus olhos baixaram para o antebraço e viu a faixa ainda presa nele.

- Como está seu braço? – e sem perceber se aproximou dela e tocou levemente seu braço.

- Bem melhor – falou olhando para o corte coberto e depois ao voltar sua atenção ao príncipe se assustou ao vê-lo tão perto de si. Engoliu em seco e depois continuou: – Tenho que lhe agradecer, a pomada é realmente boa – disse.

- Não gosto de me gabar, mas nossos curandeiros são os melhores. Não há pomada que eles não façam que não funciona – comentou.

Calmamente tocou o braço de Aneesa, que se sentiu estranha com o toque. Não que não havia gostado, mas sempre acontecia de ficar nervosa ou sem saber como agir perto do primeiro príncipe. E não queria deixar a vista o sentimento que começava a nutrir por ele.

Kouen deslizou os dedos suavemente por cima do ferimento, mesmo com a faixa era possível sentir a pele macia e sensível ao toque. Ambos estavam concentrados nos dedos curiosos, aos poucos ele foi subindo e Aneesa se arrepiou quando sentiu a mão dele em seu ombro afastando uma pequena mexa de cabelo caído na frente do ombro direito. Sua respiração se tornou irregular quando ele se aproximou mais de si.

Seus olhos se encontraram e estabeleceram contato, porém, Aneesa queria não ter feito isso. Pois, se perder naqueles olhos penetrantes e suaves ao mesmo tempo era como cair de um precipício e talvez ela gostasse e queria se atirar do alto e ver o que a queda lhe revelaria. Novamente se encontravam perto um do outro.

- Sabe... Estou pensando em burlar parte desse teste – disse ele se aproximando ainda mais, Aneesa se moveu e ele fez o mesmo, logo ela sentiu a mesa atrás de si e o príncipe bloqueou sua passagem com os braços, que se apoiaram um de cada lado do corpo dela.

- Burlar o teste? O... O que pretende, príncipe Kouen? – indagou sem entender ou talvez tenha entendido, mas a presença do mesmo deixava sua mente um tanto lerda.

- Pretendo duas coisas, mas talvez a segunda deva vir primeiro – disse e em seguida sem que a princesa estivesse preparada Kouen quebrou a distancia curta entre eles e seus lábios se colaram em um beijo.

Ele não era impulsivo e nunca foi, mas Kouen simplesmente não conseguia mais se controlar perante a princesa de Xian. Sua mente paralisava toda vez que a via, seu corpo agia por conta própria e as palavras saiam de sua boca sem que pudesse impedir. Tentou varias vezes tomar as rédeas da situação, mas após o dia em que fora ao quarto dela e a viu machucada no braço, que ele parou de tentar manter o controle.

Apenas permitiu que algo invisível o comandasse.

Aneesa estava extasiada, seus olhos se arregalaram diante do ato. Seu corpo inteiro se arrepiou e uma onde elétrica pareceu percorrer seu corpo, ela arfou contra a boca de Kouen e quando este moveu seus lábios aprofundando o beijo ela se deixou ser dominada.

Suas bocas se movimentavam de forma calma e intensa, apenas se sentiam e se conheciam. Apreciavam o gosto de chá na boca que naquele momento pareceu ficar mais doce e apetitoso. Kouen apertava o corpo de Aneesa fazendo com que ela grudasse mais ao seu, prendia sua cintura de forme firme, mas com paixão. Não queria machucá-la e muito menos que relembrasse de Judal.

Mas foi inevitável, pois a princesa pouco depois o empurrou e recuou abraçando o próprio corpo. Ele ainda fora capaz de ver uma lágrima escorrer de um dos belos olhos azuis.

- Perdoe-me princesa – pediu prontamente e tentou se aproximar dela, mas ela recuou novamente.

- Não se preocupe, príncipe Kouen. Já estou acostumada com atrevimentos por parte de homens – disse amargurada.

Foi então que ele se deu conta do que havia feito e das palavras de Koumei e Keira.

"Muitos homens cobiçavam-na desde pequena e por isso ela vivia coberta, uma vez quando era pequena cheguei a ir com meu pai até Xian, a vi somente uma vez e a mesma sempre usava um vel branco indicando sua pureza"

As palavras de Keira lhe atingiram como uma espada bem afiada no peito. E ele se desesperou.

- Me perdoe – disse de novo e desta vez a puxou para si e a abraçou, até estranhou aquele ato seu, mas não argumentou contra si mesmo – Me perdoe... Não queria lhe faltar com respeito – colou sua boca na testa dela.

Aneesa lutava contra a vontade de chorar e a vontade de permanecer ali naqueles braços fortes. Mas não queria se iludir como já fizera outras vezes.

- Qual... Qual era a segunda coisa que queria fazer? – indagou com a voz embargada.

Kouen juntou suas testas, ainda a prendendo perto de si.

- Irei te levar para meu quarto – falou e Aneesa sentiu seu pobre coração se arrebentar, sentiu-se tola por seus sentimentos para com o príncipe sendo que ele apenas queria o que todos queriam... Ela – E cuidarei de você! – ela o olhou surpresa – Quero me redimir com você, quando a salvei de Judal eu fui ríspido e apenas a deixei no quarto e desapareci. Devia ter voltado e conversar com você, cuidado de você...

Novamente as palavras estavam saindo de sua boca sem que pudesse fazer alguma coisa. Se sentia um tolo por estar assim tão vulnerável, mas já era tarde demais para se remoer.

- Não precisa se redimir, você não fez nada, Kouen-sama – falou ela com a voz falha – Eu...

- Não tente me repelir como sempre faz – pediu, mas sua voz saiu firme – Não fuja desta vez, por favor.

Aneesa não teve como revidar, em seu interior uma batalha era travada. Metade de si queria ir com Kouen e sabia que ele seria respeitador consigo, mas a outra metade diria que seria ousadia dela em ir ao quarto dele sendo que não era sua noite. Tinha medo do imperador saber e brigar com ela ou com Kouen por não seguir o teste como deveria.

Mas entre uma discussão e outra consigo mesma, a princesa de repente se viu sendo guiada e então num piscar de olhos viu a porta do quarto dele diante de si. Engoliu em seco e olhou de relance para ele.

Kouen apenas abriu a porta e adentrou seu aposento na companhia da princesa, que parecia atordoada demais com o que estava acontecendo, para questionar algo ou recusar. Pela primeira vez estava vendo o quarto do príncipe, o cômodo era grande, suas paredes possuíam cores neutras como o branco e os rodapés pintados de um bege escuro. O piso de madeira deixava o recinto aconchegante.

Havia uma cama de casal ao lado direito, as cobertas estavam dobradas nos pés da cama e os travesseiros colocados nos devidos lugares e intactos. O que mostrava que ele nem havia chegado perto daquela cama, uma pequena mesinha redonda estava ao lado da cama e em cima dela havia dois pergaminhos e uma taça contendo água. O quarto possuía duas janelas gigantes e as cortinas as cobriam impedindo de ver a noite do lado de fora.

- Não farei nada – avisou ao vê-la nervosa.

Aneesa assentiu e seguiu para a cama timidamente, deitou-se após retirar seu robe e cobriu-se até o pescoço. Kouen riu internamente do jeito retraído, tão diferente das outras princesas que já conviveu. Ela lembra e muito Kougyoku com seu jeito retraído, apesar de Aneesa saber se impor ao contrario de sua irmã mais nova.

- Não vai dormir? – indagou ela ao ver que Kouen se sentou na beirada da cama e com uma vela acesa ao seu lado lia algo atentamente em seu pergaminho.

- Meu sono anda me abandonando ultimamente – comentou apenas.

- Não quero lhe atrapalhar, esses pergaminhos parecem importantes – disse ela sentando-se na cama se segurando a ponta do lençol contra o corpo.

Kouen exibiu um pequeno sorriso e acariciou de leve a bochecha naturalmente corada da princesa, em seguida apagou a vela e guardou o pergaminho.

- Não são importantes, posso resolver isso amanhã – disse – Não quero atrapalhar seu sono.

Ele se ajeitou a cama também e Aneesa corou fortemente quando o príncipe retirou a blusa de seu kimono ficando apenas com a calça branca que usava. Kouen se deitou na cama ao lado dela e em seguida pegou a delicada mão da princesa e depositou um beijo casto ali.

- Boa noite – disse ele.

- B-Boa noite – respondeu ela corada.

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Bom, é isso. Espero que tenham gostado e principalmente do beijo. Demorou mais aconteceu,eu tinha planejado esse beijo mais pra frente, mas achei que estava enrolando demais então deixei rolar agora. Kkkk

Como viram Kouen já desclassificou Milianna da competição, apesar dela não saber disso ainda e nem vai. Keira possui gostos similares aos de Kouen, por isso a noite deles ao foi lá essas coisas, mas era essencial. Notaram também, que ninguém sabe que Aneesa conheceu Judal. Mas calma que a historia desses dois será revelada no próximo capitulo!

Não esqueçam de comentar e até o próximo! ^^