Peço perdão pela demora.

À noite com a princesa Aneesa não acontece nesse capitulo, mas ele está cheio de coisas que precisão aparecer. Tipo um complemento, sabe?

Espero que gostem do capitulo!

Boa Leitura!

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A claridade adentrava o quarto vagarosamente, mesmo que não houvesse feixe de luz em sua cara, Kouen logo despertou de seu sono. Sua visão no inicio ficou embaçada, mas não demorou muito para que se focasse e logo o teto se formou a sua frente. Piscou algumas vezes e então se mexeu na cama sentindo algo em cima de si.

Um sorriso quase imperceptível se formou em seus lábios ao virar o rosto e deparar-se com a face serena e angelical de Aneesa. Seu sono era tranqüilo e ela se encontrava agarrada ao seu braço e a cabeça apoiada no travesseiro, mas ainda sim bem próximo dele. Kouen ergueu momentaneamente a cabeça e levou a outra mão aos fios negros da princesa, que agora se encontravam espalhados pelo travesseiro branco.

O primeiro príncipe ficou alguns minutos ainda deitado, apenas fitando o teto do quarto e ás vezes alternava para a face adormecida da princesa, velava seu sono e sentia-se calmo como nunca sentiu antes. Algo dentro dele se aquecia a cada mirada que lançava para ela, se dependesse dele ficaria ali o dia todo ou até que ela despertasse.

Mas ele conhecia a si mesmo para saber que dentro de alguns minutos sentiria a agonia lhe tomar por ficar tanto tempo na cama, sua necessidade de se ocupar era tamanha que nem mesmo a mais bela princesa conseguiria fazê-lo ficar ali. Se bem que, somente pelo fato de cogitar a idéia, já era um avanço.

Não demorou muito para que Kouen sentisse vontade de levantar, mas não queria estragar aquele sono suave e tranquilo que a princesa parecia ter. Então se limitou a apenas sentar-se a cama, encostando suas costas na cabeceira e ainda mantendo a mão fina e delicada de Aneesa a sua. Os pergaminhos ainda se encontravam na cômoda ao lado de sua cama, usando apenas uma mão ele abriu um deles e passou a lê-los calmamente.

Optou por esperar que ela acordasse.

No entanto, aquela manhã calma parecia carregar uma tormenta as escondidas.

Quando o sol se movimentou um pouco mais fazendo-se intensificar contra a cortina clara, Kouen soube que se aproximava das oito e meia. Normalmente levantava as sete em ponto, e notando isso estranhou o fato de nenhuma criada ter vindo ao seu encontro. Franziu o cenho. Mas a resposta para isso logo apareceu...

- Irmão!

A porta de seu quarto foi aberta bruscamente e por ela um Koumei adentrou eufórico e preocupado, pelo seu estado dava para ver que correra muito, o suor escorria na lateral de seu rosto. Mas ele apenas ganhou um gesto com a mão de Kouen pedindo silêncio. Então os olhos de Koumei abaixaram e se arregalaram ao deparar-se com Aneesa ali e não Keira.

- O que ela faz aqui? – indagou baixo para não acordá-la.

- Explico depois, agora me conte por que entrou assim no meu quarto? – indagou sério.

- Temos problemas... E bem sério – falou somente – Precisa vir, explico no caminho – completou.

Kouen fitou Aneesa por um instante e apertou levemente sua mão a dela, em seguida fitou o irmão.

- Me espere lá fora – ordenou e em seguida Koumei saiu.

O primeiro príncipe tomou o extremo cuidado para não acordá-la, deixaria que dormisse até a hora que quisesse. Trocou de roupa no banheiro e saiu do quarto, no corredor Koumei andava de um lado para o outro.

- O que houve? – indagou novamente, mas mais sério que antes.

- Nosso pai – disse somente e Kouen sentiu o ar faltar. Logo se puseram a andar as pressas para ir ao quarto dele, no qual ficava em outra parte do palácio Ren – Uma serva encontrou ele caído no chão de seu quarto, parecia paralisado, mas logo os curandeiros conseguiram trazê-lo de volta e agora está repousando. Gyokuen está com ele e os curandeiros – contou.

Kouen apenas assentiu e continuou sua caminhada as pressas até os aposentos do pai.

Ao chegarem depararam-se com vários guardas no corredor vasto e largo, Kouha e Kougyoku já se encontravam lá junto de Hakuei e Hakuryu. No entanto somente Koumei e Kouen tiveram permissão de entrar.

O quarto estava parcialmente iluminado pela claridade do sol, a cama larga possuía o corpo do imperador que estava adormecido por conta do chá que tomara após ser tirado da paralisia repentina. Na beirada da cama velando o sono dele, se encontrava sua esposa, Gyokuen. Mãe de Hakuei e Hakuryu.

- Como ele está? – perguntou o mais velho ao se aproximar.

Gyokuen se virou com a cara (fingidamente) entristecida. As mangas longas do kimono que usava lhe tampavam metade do rosto e escondia o sorriso perverso que exibia.

- Oh, Kouen-dono, achei que perderia seu pai – disse choramingando – Eu acordei e fui fazer meus afazeres, mas notei que ele estava demorando a se levantar então pedi a uma serva que o acordasse. Foi então que ela o encontrou caído no chão – explicou – Não entendo, ele estava tão bem ontem, jantamos e apreciamos um bom vinho – acrescentou.

E toda aquela fala, o sorriso desdenhoso ainda era mantido e escondido pelas mangas da roupa.

- O que os curandeiros disseram? – questionou Koumei erguendo o leque de penas rente ao rosto.

- Que talvez ela tenha sido envenenado – falou virando-se para o imperador novamente – Mas eu não tenho idéia de quem poderia querer isso. Claro que ele possui vários inimigos, mas somos muito bem protegidos e não tem como isso acontecer!

- Será que foi alguém aqui de dentro? – Koumei fitou o irmão que estava sério e desconfiado – Você disse que tomaram um vinho ontem, certo? Quem lhe deu esse vinho?

- Foi um presente, mas não me recordo do nome da pessoa agora – disse e suspirou forçando uma voz embargada – Ah, fiquei com tanto medo! Não sei se poderia passar por outra perda tão grande, amo demais seu pai – acariciou a mão grande do imperador, mas na verdade, sentia era aversão a ele.

- O que faremos, Kouen?

- Vamos mandar inspecionar todos! Procurem pela pessoa que enviou esse vinho e o prendam, iremos interrogá-lo depois – ordenou – Cuide dele, Gyokuen-sama! – disse antes de sair do quarto.

A imperatriz apenas assentiu e voltou a contemplar a face adormecida do marido.

- E então, En? – indagou Kouha ao ver os irmãos saírem.

- Nosso pai está bem, está sob efeito de um chá forte que o curandeiro deu a ele e vai dormir por umas horas – contou – Mas parece que o imperador foi envenenado!

Um som de espanto ecoou no corredor, rostos carregavam surpresa e perplexidade.

- Envenenado, Kouen-dono? – se pronunciou Hakuei, preocupada.

Ele apenas assentiu.

- Quero que vasculhem cada canto do palácio e quero os registros dos vinho que entram em Kou! Achamos que o veneno veio do vinho que o imperador tomou ontem a noite – avisou Koumei aos demais guardas.

Logo eles dispersaram e sumiram do corredor.

- E nós, o que faremos? – questionou Kouha cruzando os braços.

- Vamos encontrar o culpado e interrogá-lo – disse Kouen somente.

/ * /

Seu corpo despertara aos poucos, mesmo de olhos fechados ela se espreguiçou. Estranhamente se sentia feliz naquela manhã, um sorriso bobo pairava em seus lábios. A cama macia parecia ter contribuído para que seu sono fosse...

Espera!

Os olhos cristalinos de Aneesa se abriram prontamente ao notar a cama macia demais, conhecia a cama em que dormia naquele palácio e ele era um tanto duro, apesar de não ser desconfortável. Notou então que as cores predominantes em seu quarto estavam diferentes, não havia a cor branca com detalhes em creme. O quarto em que estava possuía tons neutros e o mesmo valia para os moveis de madeira e a cortina que tinha um tom mesclado entre cinza e branco.

Sentada na cama ela deu uma varrida no mesmo com seu olhar, percebendo cada detalhe. Quando chegou a cômoda ao lado da cama e viu os pergaminhos, suas bochechas adotaram um tom escarlate. Logo o ocorrido na noite passada lhe veio a mente, deixando-a ainda mais corada.

Levantou-se da cama e logo viu em uma poltrona um kimono seu e um papel dobrado em cima. Ao pegar viu uma caligrafia exemplar e bem feita.

"Pedi que trouxessem uma roupa para você.

Bom dia.

Kouen."

Um sorriso costurou seus lábios e ela não pode deixar de sentir uma euforia lhe dominar, ao se lembrar do beijo que trocaram. Levou uma das mãos aos lábios e fechou os olhos, como se ainda pudesse sentir o gosto do primeiro príncipe.

Mas logo tratou de afastar aquelas imagens de sua mente, pegou o kimono e entrou no banheiro.

A troca de roupa não demorara muito e logo ela saiu do banheiro, mas seu corpo parou bruscamente quando avistou alguém no centro do enorme quarto do príncipe. Alguém que ela não queria encontrar. Não naquele momento.

- O que faz aqui? – ralhou Milianna, que olhava de cima abaixo a morena.

- Ia perguntar o mesmo – respondeu imparcial, mas temia o que a outra princesa poderia fazer.

Não gostava dela e sabia que era ardilosa, mais do que Judal poderia ser. E por isso, todo cuidado com ela era pouco.

Milianna sorriu de canto, mas sua ira era visível. Havia acordado bem cedo para encontrar com Kouen em algum canto do palácio, mas ficará sabendo do ocorrido com o imperador e achou que poderia tirar proveito da situação e se aproximar ainda mais dele e de seu objetivo. Ponderou achando que o mesmo estaria em seu quarto relaxando após a tensão com o pai, mas ao invés disse se depara com a sonsa da princesa de Xian no quarto dele.

- Não sabia que jogava no mesmo time que o meu – riu de canto e Aneesa a fitou confusa – Você é mais esperta do que parece, menina. Se entregando assim ao príncipe sem nem mesmo ter um laço matrimonial com ele – disse sugestiva.

Aneesa corou fortemente, mas revidou o olhar sério da outra.

- Não me entreguei ao príncipe, nós não fizemos nada – falou – E não tenho que dar explicações a você, Milianna! – retrucou.

- Acha mesmo que irei acreditar que você não se deitou com o príncipe? Ora essa, quanta ingenuidade – riu cruzando os braços. Em seguida caminhou na direção da morena e ao se aproximar segurou fortemente seu braço – Darei apenas um aviso, garota! Fique longe de Kouen, ele é meu! – ameaçou.

- E se eu não o fizer, o que vai fazer? Me bater? Se equipar com seu Djinn e lutar comigo? Cuidado! Arrebentei com a cara de um magi, o que faria com alguém como você? – disse séria.

Por mais que fosse dócil e gentil, Aneesa era de Xian e não levava desaforo para casa. Não abaixaria a cabeça para ninguém. Ninguém!

Seu braço foi solto e a fúria queimava nos olhos esverdeados da princesa de Xin.

- Está avisada! – disse e em seguida saiu do quarto.

Aneesa suspirou ao se encontrar sozinha, seria uma longa jornada durante o restante do segundo mês e até o terceiro. Mas saberia agüentar Milianna até lá.

Caminhando pelo corredor a fim de sair dali logo antes que mais alguém a visse e lhe questionasse o que fazia nos aposentos do príncipe, ela se encaminhou para a sala de jantar.

- Onde você estava?! – exclamou Saahira aflita – Procurei você por toda a parte! Está uma loucura esse palácio! – falava sem parar.

- O que houve? Não dormi até mais tarde então creio que não tenha acontecido algo de muito grave – comentou ela.

- Você acordou no seu horário normal, mas... Parece que o imperador passou mal, estão dizendo que ele foi envenenado – sussurrou a ultima parte.

- Envenenado? – disse confusa.

- Todos no palácio estão eufóricos e procurando pelo culpado – contou Saahira.

Aneesa suspirou preocupada.

Se o imperador morresse agora, Kouen assumiria logo o trono e então ele teria que escolher uma das princesas rapidamente. Então era por isso que Milianna foi até o quarto de Kouen! Pensou.

- Onde está Kougyoku? – perguntou.

- No quarto, depois do ocorrido ela se trancou. Não parece muito bem, nem mesmo quis comer.

- Peça para levarem o café da manhã dela ao seu aposento, tomarei café com ela – sorriu – Talvez eu consiga melhorar seu animo – disse.

Saahira apenas concordou.

/ * /

- Então? – indagou Koumei ao irmão.

Eles se encontravam agora em uma varanda mais afastada do palácio, a brisa fresca parecia ter acalmado seus ânimos agitados. E o café da manhã acalmaram seus estômagos famintos, apenas os irmãos se encontravam ali. Kouha ao ouvir a palavra de Koumei fitou os dois.

- Então o que? – devolveu.

- Quero saber o que a princesa de Xian estava fazendo no seu quarto? A caso ela trocou de noite com a princesa Keira? – indagou, e ele não parecia contente com aquilo.

- Aneesa dormiu no seu quarto, En? – falou Kouha.

Kouen suspirou, não queria dar explicações de sua vida. Mas não teria outra escolha, Koumei não lhe deixaria em paz.

- Não ela não trocou de noite com a princesa Keira, acontece que eu encontrei com ela na cozinha ontem a noite – disse dando um gole em seu chá, Koumei ainda o fitou e ele rolou os olhos – Por que quer tanto saber?

- Curiosidade, sem falar que... Achei o fato um tanto estranho – avaliou – Aconteceu mais alguma coisa?

- O que está insinuando? Que eu violei a princesa? Claro que não, Koumei! Ela apenas dormiu em minha cama, não fiz nada a ela – zangou-se – Não me compare a Judal!

- Não comparei e não precisa ficar nervoso, fora apenas uma pergunta de precaução! – disse – Falando em precauções... Talvez deva começar a pensar rápido em quem será sua noiva, temo que nosso pai não dure muito! Esse envenenamento me deixou preocupado, se ele morrer é provável que você assuma o trono e vai precisar de uma esposa – falou.

Kouen suspirou e apertou a ponte do nariz, não tinha pensado nessa parte. E pensar lhe dava dor de cabeça, ainda mais quando sabia que ao dar sua "sentença" iria aturar a princesa Milianna em seu encalço.

E isso era tudo o que menos queria. Ele já não a suportava mais. Até porque ela não era princesa de verdade.

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O café fora servido um pouco mais tarde do que de costume, mas não era para menos, após toda aquela euforia logo nas primeiras horas do raiar do sol, era normal que os ânimos e a fome de todos tivessem sido estragados. Enquanto os irmãos Ren se encontravam tomando um belíssimo café debaixo de um gazebo, Aneesa se encontrava agora no quarto de Kougyoku apreciando um farto café da manhã, na varanda do quarto dela.

A manhã parecia calma, nem aparentava que no interior do palácio a agitação tomava conta.

Desfrutavam de uma conversa calma e que não envolvesse alguém querendo a morte do imperador, Kougyoku parecia bem apesar da situação.

- Pensei que não me receberia por conta do que houve, achei que fosse querer ficar sozinha – falou Aneesa bebericando seu chá.

- Fiquei preocupada, confesso, mas... Normalmente sempre sou ignorada por todos aqui no palácio e até mesmo por meu pai, ás vezes até parece que ele morreu já que não possui um laço forte comigo – falou entristecida – Isso é diferente com Kouen ou Koumei, eles parecem mais próximos – virou o rosto – Os únicos que normalmente conversam comigo e conseguem ver algum valor em mim são Kouen e Judal – disse com receio devido tocar no nome do magi.

- O conselheiro real de meu país me contou de sua historia, na verdade ele detalhou a historias de todas as princesas e os príncipes. Disse que uma imperatriz deve conhecer todos que estão ao seu redor – recordou as palavras dele – E sabendo disso, deve ter sido difícil a vida aqui no inicio.

- Foi, mas tudo se ajeitou com o tempo – sorriu minimamente – E quanto a você e Kouen-nii-san?

- Ah, o que tem ele? – falou nervosa.

- Ouvi uma criada comentar com outra que Saahira estava louca atrás de você, já que todas as princesas já haviam levantado e você não! Sem contar que uma delas levou uma roupa sua para o quarto de Kouen – corou ao dizer – O que aconteceu ontem a noite? – a cor vermelha em sua bochecha se intensificou.

Aneesa se engasgou com o chá ao ouvir a pergunta, limpou a garganta e tentou ordenar as imagens e informações que passavam por sua mente.

- Ah bom, na verdade, não houve nada desse tipo – falou ela alisando os fios negros – Nós... Nos encontramos na cozinha e conversamos e... Elemebeijou! – disse a ultima parte rapidamente e em baixo tom.

- O que?

- Ele me beijou! – exclamou e depois tapou a face com as mãos e Kougyoku arregalou os olhos ficando ainda mais corada, nem ao menos havia dado um beijo em alguém e sempre ficava sem jeito com aqueles assuntos.

- E... E você gostou?

- Ah? – indagou confusa.

- Uma vez uma serva disse que um beijo tem que ser com quem a gente gosta, mas no caso de uma princesa... Ele acontece quando sua família lhe arranja um marido – suspirou, logo a imagem de Sinbad lhe veio a mente.

Aneesa concordou e pensou por um momento, estava confusa com seus sentimentos e tinha medo de criá-lo e então Kouen escolher outra princesa.

- Você gosta dele, não é? – disse ela sorrindo gentilmente.

Aneesa corou.

- A-Acho que sim... – respondeu abaixando a cabeça fazendo assim sua franja cobrir seus olhos – Mas não posso demonstrar tal sentimento, se Kouen escolher outra princesa irei morrer de desgosto por ter criado falsas esperanças para com ele! E... Não creio que Kouen possa desenvolver algum sentimento por mim, talvez ele me veja como vê a princesa Milianna.

- Não se compare a ela! – ralhou – Não gosto daquela princesa... Que na verdade nem pode ser considerada uma já que não nasceu na família real, nem nada!

- O que quer dizer?

- Ouvi Kouha falar algo sobre isso com Hakuryu durante um treino, parece que Milianna é apenas uma meretriz que foi escolhida pelo novo governante de Xin e que é dono do harem – contou – Kouen ficou uma fera e a desclassificou, mas ela não sabe e nem vai saber! – piscou.

- Entendo – disse.

- Isso é bom para você, assim pode ter mais chances com Kouen! Já falei para você, que ele gosta de você, mas que apenas não percebeu ainda ou está com medo do que está sentindo – explicou – Pelo menos você tem alguma chance, enquanto eu... Ficarei sonhando para sempre com uma possibilidade inexistente com Sinbad-sama – abaixou a cabeça.

Aneesa tocou o ombro da princesa e lhe sorriu amigavelmente, sabia do amor platônico que a mesma nutria pelo tal rei de Sindria e apesar de ser amiga dela, não gostaria de ficar nutrindo um amor impossível por Kouen. Preferia encarar os fatos da situação.

Mas era uma tarefa árdua, principalmente quando seu coração clamava pelo príncipe.

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Um sorriso ardiloso emoldurava os belos lábios pintados de vermelho, seus cabelos ondulados balançavam conforme ela andava. Seu olhar era confiante, sua postura demonstrava sedução. Não era atoa que qualquer um daquele palácio a mirava com segundas intenções, mas ela não queria nenhum deles, seu alvo precisava de um pequeno apoio.

Milianna era esperta e sabia muito bem que em momentos como este as pessoas ficavam fragilizadas, principalmente quando alguém da família estava envolvido. Sabia perfeitamente bem que Kouen era centrado e não se deixaria abalar por aquele mero detalhe que ocorrera com o imperador. Mas queria demonstrar sua compaixão para ele, sem contar essa seria sua chance de "atacar" o príncipe e garantir sua chegada ao topo.

Seus olhos brilhavam ao se imaginar sendo banhada de jóias e presente caros, ser mimada pelas servas daquele palácio. Chega de homens nojentos e estúpidos, chega de vida medíocre e chega de falação de seu pai. Seria imperatriz e teria o homem mais bonito e charmoso de todo o império Kou!

Abriu a porta dupla do escritório com confiança e um sorriso compadecido pairava seus lábios. No entanto, ela encontrou o cômodo vazio. O único ruído era o assobiar do vento que adentrava e fazia as cortinas balançarem, fazendo um papel ou outro em cima da mesa voar.

Seus olhos claros vasculharam cada canto daquela sala, mas nada encontrou.

- Não vai encontrá-lo aqui – uma voz soou por entre as inúmeras prateleiras daquele cômodo. Em seguida Koumei apareceu se aproximando da mesa grande de madeira carregando alguns pergaminhos importantes – Ele não está – falou depositando os mesmo a mesa.

- Como sabe quem estou procurando?

Koumei a olhou com tédio e ergueu uma sobrancelha.

- Pela forma como está vestida e toda enfeitada eu diria que veio para falar com Kouen e se depender de você fará outras coisas... – disse voltando sua atenção aos pergaminhos.

- Onde está Kouen?

- Em algum lugar do palácio... Bem longe de você – contou e ela bufou.

- Quero falar com ele, como uma das candidatas eu gostaria de prestar minhas condolências ao incidente com o imperador e mostrar a Kouen que...

- Por favor, Milianna, faça um favor a si mesma e se poupe de humilhação! – cortou Koumei a olhando sério – Não precisa fingir que se importa com alguém desta família, não há mais mascará para você usar! – falou. O olhar confuso da princesa fez Koumei rir baixo – Kouen me contou e contou ao nosso pai também sobre sua origem! Ainda acha que terá algum credito depois disso? Ora, não seja tola – foi ríspido.

Milianna fitou ereta e era visível seu desconforto. Sua feição antes (forçadamente) amigável agora estava séria e mirava o irmão do meio com desconfiança e de um jeito defensivo.

- Kouen quer distancia de você, ele está concentrado agora nas outras princesas e você seria um estorvo – falou calmamente, sem nem lhe lançar um olhar.

A princesa abriu e fechou a boca para falar algo, mas vendo que não havia nada com que retrucar se calou. Bateu o pé e em seguida saiu da sala, mas não antes de quase trombar contra Aneesa que iria adentrar a sala. As duas se fitaram, Milianna de forma agressiva. E Aneesa confusa.

- Ele não está aqui – falou ela com desdém.

- Eu sei, vim falar com Koumei-sama – disse Aneesa firme.

Milianna bufou e passou por ela apressadamente.

- Não ligue para ela – falou Koumei sentado na cadeira e lendo um dos pergaminhos que pegara.

- Aprendi a não ligar e as outras princesas parecem fazer o mesmo – falou – Queria falar comigo, Koumei-sama?

- Apenas Koumei... – disse e ela assentiu – E sim, queria falar com você. Feche a porta, por favor.

De portas de fechadas Aneesa se aproximou da mesa e esperou o ruivo voltar a falar.

- Sua noite com Kouen é hoje, estou certo? – ela assentiu – Tem algo em mente do que fazer? – o silencio por parte dela foi a resposta que queria, um sorriso amigável brotou nos lábios de Koumei – Então irei te ajudar – explicou.

- Me ajudar?

- Sim – afirmou – Kouen normalmente não relaxa, está sempre atarefado como eu, mas ele ainda consegue dormir mais – riu – E juntando com o acontecimento de hoje e outras coisas, creio que a melhor forma de aproveitar a noite seria fazê-lo relaxar – pronunciou.

- E como eu o faria relaxar? – indagou incerta.

- Bom, isso é por sua conta, creio que encontrará uma forma – disse a fitando.

- Por que está me ajudando, Koumei?

Koumei moveu a boca em incerteza, realmente não sabia. Mas ainda sim respondeu a pergunta dela com o que sentia.

- Creio que de todas, você seja a mais indicada a ocupar o cargo de imperatriz ou esposa de Kouen! – falou – E... Estou apostando em você – sorriu.

Aneesa ficou surpresa com aquilo.

A princesa de Xian abriu a boca para falar algo a mais, porém, foi interrompida com a porta sendo aberta prontamente. Os olhos azuis se encontraram com os suaves e intensos olhos de Kouen. Koumei riu discretamente, se havia alguma duvida dele em relação aos sentimentos do irmão, aquela cena e troca de olhares lhe dava todas as respostas que queria. Era nítida que o sentimento era recíproco.

- Koumei, precisa vir comigo! – falou ao sair do transe.

- Aconteceu algo? – indagou.

- Descobrimos algo do vinho envenenado do nosso pai – contou e Koumei se levantou rapidamente – Vá na frente! – pediu e o irmão sorriu de canto e sumiu pelos corredores.

Kouen fechou a porta novamente e sua atenção agora estava voltada para Aneesa, que encabulada alisava uma mecha de cabelo.

- Como dormiu? – ela o olhou e piscou algumas vezes, a voz grossa dele lhe fez arrepiar a pele.

- Ah, dormi bem, Kouen-sama – disse exibindo um sorriso singelo, capaz de aquecer o coração duro do príncipe – Ah, lamento o que houve com o imperador. Ele está melhor? – indagou.

- Ainda está repousando, mas já está fora de perigo – falou – Queria lhe pedir uma coisa. Quero que tome cuidado ao andar pelo palácio! Judal está aqui – disse sério.

Aneesa engoliu em seco e abaixou o olhar.

- Judal... – sussurrou temerosa.

- Se ele ousar se aproximar de você, quero ser avisado!

O aviso saíra tão imponente e autoritário, mas tudo isso se desmanchou diante da proximidade em que estavam. Aneesa sentia o coração acelerado novamente, seus lábios se abriram um pouco como se pedissem aos berros que queria a boca do príncipe contra a sua. Já era possível sentir suas bochechas arderem. Ela entendia Kougyoku perfeitamente, talvez seja assim que ela se sente quando está diante do rei de Sindria.

Kouen estava um pouco inclinado, seu corpo quase colado ao de Aneesa. Seus olhos miravam aquele mar e depois baixaram para os lábios entre abertos lhe convidando para um beijo, no qual não demorou a acontecer.

As bocas se colaram calmamente, se sentiam, se tocavam, se conheciam. Causava reações em ambos os corpos e Aneesa sentia o seu se aquecer como jamais o fez. O corpo pequeno era abraçado pelo maior e o beijo ia se intensificando. Se afastaram quando o ar foi necessário.

- A verei hoje a noite? – indagou ele e ela sorriu tímida.

- Sim – respondeu ainda de olhos fechados, sentindo seu rosto perto do dela.

- Então te vejo a noite – falou antes de se afastar dela e sair do escritório.

E Aneesa arfou. Sentindo novamente a euforia lhe contaminar. Ao mesmo tempo em que ansiava pela noite, a temia, mas sabia que mesmo sentindo esses opostos, seria uma noite e tanto. E ela mal podia esperar.

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Espero que tenham gostado.

A noite da princesa Aneesa acontecerá no próximo capitulo, eu ia por nesse, mas devido as cenas que escrevi resolvi deixar pra por tudo em um capitulo só!

Milianna tentou dar uma de espera, mas ganhou algumas respostas de Koumei, que até foram merecidas. E ela não gostou nada de ver Aneesa no quarto de Kouen.

O clima parece estar se estabilizando entre Kouen e Aneesa.

Mas não se esqueçam de que tudo pode mudar! Hehe...

Bom, não tenho nada a declarar! Apenas espero que tenham gostado do capitulo e nos vemos no próximo.

Desde já agradeço aos favoritos e aos reviews que tenho recebido! ^^

Muito obrigada!

Bjos! 3