A noite encantadora pairava do lado de fora, a lua se encontrava enorme e brilhante capaz de iluminar cada canto daquele império e o palácio. Através da janela, Aneesa observava a noite maravilhosa, mas ainda sim sentia-se nervosa. Sua noite com o príncipe havia chegado e com ela suas escapatórias a cerca de seu ligamento com Judal seriam nulas. Ela não teria para onde correr, mas parte dela dizia que era melhor o primeiro príncipe saber logo de uma vez e suas chances serem arruinadas do que continuar escondendo aquilo.
De um lado para o outro ela andava pelo quarto, velas estava espalhadas para dar um ar mais calmo e romântico, adorava aquelas coisas. Incensos nos quais Koumei contou que Kouen gostava preenchiam o quarto com o aroma adocicado. A cama bem forrada com lençóis limpos e no criado mudo líquidos nos quais usaria para fazer o primeiro príncipe relaxar. No banheiro, a banheira dele já estava pronta com água quente e a espuma se formava na superfície.
Ainda era hora do jantar, mas Aneesa comera no quarto de Kouen para dar tempo de preparar tudo. Aguardou alguns minutos e cerca de meia hora após o jantar ser servido a porta do quarto foi aberta e Kouen adentrou o local.
Aneesa interrompeu seus passos agoniados e o fitou, ansiosa e amedrontada. Daquela noite poderia sair de tudo.
- Confesso que estou curioso – comentou ele fechando a porta do quarto – Quando uma criada me disse que já se encontrava em meus aposentos e que me aguardava após o jantar, fiquei tentado a vir o mais rápido possível – completou se aproximando dela – O que planeja, princesa? – indagou a fitando intensamente.
Aneesa corou fortemente com aquele olhar, colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha e exibiu um pequeno sorriso para ele.
- Espero que tenha apreciado o jantar, não quero prejudicar sua alimentação – disse o encarando.
- Poderia ter me avisado que não comeria conosco, assim lhe faria companhia – falou ele.
- Peço desculpas, meu príncipe, mas tive que arrumar algumas coisas – contou – Então... – proferiu sem jeito – Eu tenho que confessar que não tinha idéia do que fazer, não sou a princesa mais interessante... Mas diante do que aconteceu hoje acho que o melhor seria fazê-lo relaxar, vi como estava tenso pela manhã – emendou.
- Me relaxar? E como pretende fazer isso? – se aproximou dela, que arfou com a proximidade.
- Preparei seu banho – explicou calmamente e a cada palavra sua bochecha ia se tornando cada vez mais escarlate – Um passarinho me contou que gosta de sais de banho para relaxar, então tomei a liberdade de colocar em sua banheira. Peço que se encaminhe para o banheiro, meu príncipe – pediu, mas sem deixar o tom vermelho abandonar sua face.
Kouen a fitou desconfiado, mas havia um sorriso de canto que demonstrava que ele estava gostando daquilo. E queria ver o que mais aquela princesa faria.
Retirou sua capa ainda mantendo contado com a princesa, pendurou-a em uma cadeira de seu quarto e seguiu para o banheiro. Mas deixou a porta encostada, Aneesa esperou alguns minutos antes de se aproximar da porta. Mesmo de longe era possível ouvir o barulho da roupa sendo tirada. Calmamente Kouen se despia, suas vestes ele as pendurou e em seguida adentrou a tina com espuma branca. A água morna aqueceu sua pele e o fez notar o quão tenso se encontrava.
- Irá me dar banho? – brincou e teve que conter um riso.
Sabia que a princesa se encontrava colada a porta, apenas para ouvir o que ele dizia. E o riso se devia ao fato de que sabia que ela se encontrava corada ao extremo naquele instante, por causa de seu comentário.
- Seria muito atrevimento meu, Kouen-dono – disse ela do outro lado da porta.
- A espuma está cobrindo tudo, não verá nada mesmo que queira – continuou com o tom zombeteiro.
Aneesa respirou fundo antes de adentrar aquele cômodo, abriu a porta lentamente e a encostou novamente, andou pelo banheiro com as pernas tremulas e achou que a qualquer momento iria desabar ali. Estava tão nervosa que nem conseguia olhar para ele. Pegou o que precisava e após pegar um banquinho e colocar atrás da tina e ter Kouen de costas para si ela se sentou.
Com cuidado, ela desatou a pequena fita que prendia os cabelos de Kouen e os deixou solto. Tombou a cabeça dele e calmamente o molhou, Kouen mantinha seus olhos fechados e apreciava o toque suave e delicado da princesa. E pela primeira vez tinha bons pressentimentos a respeito daquela noite, talvez seria a única que lhe agradasse.
Aneesa lavou calmamente os cabelos ruivos de Kouen, massageava-os tranquilamente e concentrava-se em apenas fazer o príncipe relaxar. E o mesmo já se encontrava mais do que relaxado, seus olhos fechados e sua expressão suave demonstravam isso junto dos ombros amolecidos. Seus braços agora jaziam dentro da tina enquanto apenas apreciava aqueles toques que o levariam a loucura a qualquer momento.
E ali vendo aquela face, dona de uma beleza sem igual, Aneesa não se conteve e curvou-se tocando os lábios de Kouen de forma única, mas que ele aprendeu a gostar e clamar constantemente. Logo ele abriu os lábios para receber a boca dela, sua cabeça jogada para trás e seu queixo tocando o nariz dela. Um tipo de beijo jamais sentido e que causou mais do que simples arrepios no primeiro príncipe de Kou.
O beijo foi interrompido e em seguida Aneesa se levantou, ao mesmo tempo em que Kouen abria sues olhos e deparou-se com ela abrindo a porta do banheiro. Ela lhe olhou e lhe sorriu timidamente.
- Lhe esperarei aqui no quarto, Kouen-sama – em seguida o deixou só.
Kouen encostou a cabeça na borda da tina e suspirou, seu corpo já começara a reagir aos toques da princesa e por um momento temeu seus atos para com ela. Mas não podia se conter, aquela princesa vinha mexendo com seus pensamentos, com seu corpo desde que chegou ao império. Querer se controlar estando tão perto dela era exigir demais dele. E ele que sempre fora o príncipe mais controlado de todos.
Um sorriso de canto cresceu nos lábios dele.
Rapidamente tomou o banho e saiu da tina, se secou e amarrou a toalha na cintura. Secou seu cabelo com uma outra toalha e em seguida vestiu apenas uma calça larga e branca, de tecido fino. A noite não estava muito fria, depois vestiu a camisa que era de um kimono que fazia parte da calça e saiu do banheiro. Apenas quando saiu do banheiro foi que Kouen olhou melhor para Aneesa e percebeu que ela somente usava um roupão e se questionou se usava algo por baixo. Atiçando sua curiosidade e seus pensamentos nada comportados.
Com a mão delicada, Aneesa estendeu-a mostrando a cama forrada com um lençol macio e branco. As cobertas estavam dobradas até os pés da cama, os travesseiros bem posicionados e velas iluminavam o local. Metade mergulhado em breu e a outra metade em total claridade das luzes da vela, um ar natural e sensual ao ver de Kouen. E aquilo o agradou.
- A cada dia me surpreende – comentou olhando para ela, que se aproximou dele.
Kouen se curvou para beijá-la, mas Aneesa se afastou e sorriu.
- Melhor deixar para depois – disse e o príncipe sorriu de lado e maliciosamente.
Com a respiração um pouco pesada por conta do próximo passo, Aneesa juntou toda sua coragem e ousadia para desatar o laço da fita que prendia a blusa do kimono dele. O mesmo se abriu de forma leve revelando o peitoral bem trabalhado do príncipe, fazendo-a arfar discretamente. Mas Kouen observava cada gesto seu, cada movimento, suspirada e gostou de vê-la um pouco mais ousada e ainda sim tímida. Uma contradição que adorava nela.
A blusa escorreu pelas costas largas dele e Aneesa contemplou a visão daquele tronco nu e musculoso. Kouen era bonito em todos os sentidos, não apenas fisicamente, além de possuir uma personalidade calma e ser justo, ele era o homem mais bonito que já vira. E não era atoa que as mulheres se jogavam aos seus pés. E isso a deixou apreensiva. Mas continuou com seu ato.
- Deite-se de costas, por favor – pediu tentando controlar sua voz que vacilou, devido seus pensamentos.
Kouen percebeu a repentina mudança nela, mas acatou o pedido. Deitou-se na cama e esperou por ela. Não demorou muito e logo sentiu algo em sua cintura, era Aneesa. Ela se sentou em cima dele, com suas pernas uma de cada lado. Com um vidro em mãos ela colocou um pouco do liquido nas mesmas e então começou a massagear as costas de Kouen.
O príncipe sentiu toda sua tensão enquanto sentia as mãos doces de Aneesa lhe percorrer, mesmo que sua vontade fosse de percorrer as suas no corpo dela. Fechou os olhos para se concentrar apenas nas mãos dela e não em seus pensamentos que pareciam piorar a cada instante.
Pelas costas, pelos braços, cintura e ombros, Aneesa percorreu tranquilamente. Fazendo questão de relaxar cada área daquele corpo enorme e bem definido, que a fazia arfar somente se estar na presença dele. Em seguida o príncipe girou na cama quando Aneesa se afastou e pediu que ficasse de barriga para cima. Novamente sentou-se sobre ele e fez o mesmo processo, mas agora com um pouco mais de dificuldade devido Kouen estar olhando diretamente para ela.
Suas bochechas ardiam a cada olhada que o príncipe lhe lançava, porém, ela se mantinha firme em suas mãos, mas sem abandonar na suavidade. Mas logo ela teve seus movimentos interrompidos pelas mãos do príncipe, que ainda mantendo seu olhar conectado ao dela ergueu uma das mãos até o rosto bem desenhado da morena. Rapidamente ela parou o que fazia e agora era ela quem sentia os toques, também suaves.
Kouen tocou seu rosto com as costas das mãos e depois desceu pelo pescoço e o decote curto do roube que ela usava. Um tom lilás que combinou com a cor negra dos cabelos longos da princesa. Lentamente e sem quebrar o contato, Kouen foi se erguendo e se aproximando dela. Sua outra mão segurava na cintura dela e quando se sentou não perdeu tempo e juntou suas bocas. Aneesa arfou com aquele beijo que começara ardente, mas calmo. A mão que estava no rosto dela passou para a nuca, para poder trazê-la para mais perto.
A passagem fora pedida e logo cedida pela princesa, era fácil adentrar aquela boca e ele adorava aquela entrega dela quando estava com ele. Ela era somente dele e de mais ninguém.
Kouen rodou com ela na cama ficando por cima e o beijo se intensificou, no entanto, Aneesa não pode conter a feição entristecida que começava a se formar em sua face. E seu beijo foi perdendo força e retribuição, fazendo Kouen soltar os lábios já avermelhados e a fitar preocupado.
- O que foi? – indagou sério, mas era visível a preocupação.
Mas Aneesa nada respondeu, espalmou sua mão no peito dele e o empurrou devagar até que ele saísse de cima de si. Sentou-se na beirada da cama se recusando a encará-lo, já podia sentir lágrimas se formando em seus olhos azuis cristalinos. Foi então que Kouen percebeu do que se tratava, um estalo se fez em sua mente e a pergunta que tanto rondou sua cabeça apareceu e ele compreendeu.
- Sabe que dessa vez não vai fugir – falou ele com a voz grossa e rouca.
- Eu sei – respondeu ela ainda de costas para ele – Faça a pergunta, príncipe – pronunciou.
Sua voz saiu cortante e embargada e aquilo feriu o príncipe internamente.
A verdade era que Kouen já tinha uma idéia do ligamento de Judal e ela, mas queria ouvir da própria princesa, da boca dela toda aquela historia. Mas em seu intimo temia ouvir a historia completa e os detalhes.
- Qual seu ligamento com Judal? O que você tem com ele? – insinuou, deixando novamente seu ciúme a frente da razão.
Aneesa se virou e o fitou, sem se importar se seus olhos a denunciavam.
- Primeiramente, meu príncipe, eu e Judal não temos nada! E nosso ligamento se deve pelo fato dele ter me salvado há uns meses atrás – contou com a voz firme, mas seu corpo inteiro tremia feito vara verde.
- Do que ele lhe salvou? – estreitou os olhos.
A princesa puxou o ar e ao soltá-lo abraçou o próprio corpo, se levantou da cama e andou pelo quarto. Para depois parar perto da cama e fitar o príncipe, que parecia falar com um subordinado seu.
- Judal... Ele... Ele me salvou de uma tragédia – contou aumentando o aperto de seus braços em torno do próprio corpo esguio – Há uns meses atrás, eu fiquei sabendo que algumas famílias que viviam perto da divisa com Xin não recebiam alimentos, então decidi ir para lá para cozinhar para eles. Nunca me importei de andar na ala mais pobre do reino e me sentia orgulhosa por cuidar dos mais necessitados... – emendou – Fui para lá e cozinhei, mas acabei perdendo a hora e temendo que meu pai brigasse comigo resolvi voltar para casa tarde da noite, mas fui burra o bastante para ir a aquela ala sem escolta ou sem meus recipientes de metais, até porque não queria demorar então achei não ser necessário... Eu sei, fui burra o bastante para isso...
Aneesa suspirou tomando fôlego para continuar. Fitou o chão para ganhar mais coragem e continuou:
- Caminhava pelas ruas sujas tomando o extremo cuidado, mas ainda sim fui seguida por um grupo de mais ou menos sete homens – contou e a feição de Kouen se tornou dura e mortal, mas Aneesa não o fitou para ver a expressão cravada na face dele – Percebi logo que estava sendo seguida e comecei a correr, tomei um rumo diferente onde poderia andar e me esconder ao mesmo tempo, mas ainda sim eles conseguiram me pegar. Um dos homens me agarrou pelos cabelos e tentando lutar acabei quebrando o pulso, fui jogada no chão... E... – ela parou tentando ordenar os pensamentos e as lembranças dolorosas que vinham constantemente em sua mente – Eu não consegui lutar – começou a chorar – Eles se seguraram no chão sujo e rasgaram minha roupa... Tentei gritar, mas um deles tapou minha boca. Quando achei que seria meu fim, que seria violada por aqueles brutamontes, Judal apareceu! – falou limpando as lágrimas grossas.
Novamente andou pelo quarto, respirou fundo. Kouen sentou-se na beirada da cama, mas logo se levantou ficando parado onde estava e vendo o transtorno se apossar de Aneesa. Suas mãos tremiam assim como seu queixo.
- Judal me salvou se ser violada por mais de um homem, no entanto, ele acabou sendo enfeitiçado também – disse com raiva, apesar das lágrimas molharem sua bela face – Durante alguns anos em minha adolescência, meu pai ordenou que eu andasse me cobrindo para não atiçar a cobiça dos homens e despertar neles a maldade e assim me ferisse. Foi então que fui atrás das dungeons, para poder ficar forte e aprender a me defender, mas não esperava que anos depois algo assim fosse acontecer – explicou.
Ele sabia. Não, ele tinha uma idéia do que fosse aquele ligamento que Judal tanto se vangloriava, mas não estava preparado para algo como aquilo. Não estava pronto para que sua mente tentasse de alguma forma ver as imagens das cenas do Aneesa passou naquela noite e pelo que quase aconteceu.
Quase?
- Quando Judal lhe salvou? – a face confusa da princesa o fez reformular a pergunta – Judal lhe salvou a tempo de ser... – ele não terminou a frase, mas a princesa entendeu.
Os lábios da princesa tremeram, mas assentiram.
- Ainda sou pura, príncipe Kouen! – se aproximou dele e o fitou – Mas se não acredita, então pode tirar a prova – disse abrindo seu robe.
Kouen foi para impedi-la, mas antes que pudesse fazer algo o tecido fino e leve do robe lilás dela escorreu e caiu graciosamente no chão aos pés dela. O corpo delicado e bem modelado de Aneesa ficou a mostra para ele, completamente nua a sua frente. Ele não sabia se ficava perplexo pela atitude dela ou se deleitava, mas diante da situação a surpresa o apossou. O choro dela aumentou e seus soluços também.
- Se não acredita, então tire a prova! Me tome como sua e eu não o questionarei, Kouen-sama! – falou em meio ao choro, sua cabeça pendeu para frente – Já não me importo mais comigo!
O silencio então se instalou ali no quarto enquanto Kouen analisava a situação e tentava pensar com clareza. Sentiu raiva, ira e um ódio mortal dos homens que ousaram tentar violar a própria princesa de seu reino. Olhar para ela lhe doía, vê-la daquela maneira lhe arrebentava e Kouen nunca esteve tão confuso quanto naquele momento.
Então agiu por instinto.
Se aproximou dela e se abaixou catando o robe e o colocando aberto por cima dos ombros, enquanto segurava a gola.
- Vista-se – pediu calmo.
Aneesa se mexeu e encaixou os braços nos lugares certos do robe, o amarrou cobrindo novamente seu corpo. Agora sentia vergonha do príncipe, ele sabia algo vergonhoso dele e sabia que mesmo que não tivesse sido violada tal fato poderia pesar na escolha dele. E ela sabia que não teria chance alguma.
- Perdão, príncipe – disse.
- Por que? – sua voz saiu rouca.
- Por envergonhá-lo, não queria trazer vergonha para sua família também – completou.
Kouen respirou fundo tentando aplacar sua fúria para com aqueles que tentaram abusar de sua princesa. SUA princesa. E tomando por um sentimento de cuidado, Kouen a puxou para si a embalando em seus braços, para logo depois beijá-la novamente. Dessa vez o beijo fora calmo. Em seguida Kouen a pegou no colo e a depositou na cama.
- Kouen, nossa noite ainda não acabou... – disse ela.
- Acabou, Aneesa – disse ele acariciando o rosto dela – Apenas descanse, você precisa – em seguida se afastou da cama.
- Não vai ficar? – perguntou ao vê-la abrir a porta do quarto e segurar sua blusa em uma das mãos.
- Não – respondeu somente e em seguida saiu.
Deixando Aneesa em seu lamento.
A verdade é que ele precisava pensar um pouco. E então foi para o escritório do palácio.
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O dia amanheceu e ao contrario do esperado o céu se encontrava coberto por nuvens densas e anunciando uma tempestade. Parecia que o clima acompanhava o humor das pessoas naquele palácio ou então somente o seu humor.
Kouen dormira no escritório, no chão. Seu corpo despertou todo dolorido e um pouco de claridade nem havia saído ainda, mostrando que ainda era antes do raiar do sol. Agora ele fitava o céu nublado e escondendo o sol radiante, seus pensamentos corriam para seu quarto e em como estaria a princesa. Agora que havia passado as noites com as princesas, Kouen queria se concentrar na escolha de sua imperatriz.
Mesmo que não soubesse que internamente, já havia escolhido uma.
Ouviu a porta ser aberta e Koumei se assustou ao vê-lo ali. Ainda mais trajando aquelas vestes de dormir.
- Caiu da cama ou a noite não fora como o esperado? – indagou adentrando o recinto e fechando a porta.
Kouen se afastou da janela e o fitou.
- Foi bastante satisfatória, devo dizer – falou, mas não havia emoção em sua voz – Koumei, quero que me faça um favor – o outro assentiu – Avise as princesas que não quero ser incomodado por três dias, nesse tempo ficarei apenas focado na minha escolha. Já está na hora de escolher minha imperatriz! – falou firme.
Koumei ficou um pouco confuso, mas acatou. Em seguida, Kouen saiu do escritório avisando que iria falar com seu pai a respeito disso.
Depois que saiu, o segundo príncipe ainda ficou fitando a porta por onde seu irmão saira. Olhou tanto e absorto em pensamentos que não a viu abrir novamente e uma pessoa adentrar.
- Koumei! – gritou a garota, de belos cabelos azuis e olhos doces.
- Ah?
- Está tudo bem, parece aéreo? – comentou ela.
- Está Anise – respondeu simplesmente.
Anise rolou os olhos e caminhou para a mesa, para ajudá-lo a arrumar aqueles pergaminhos espalhados.
- Bom dia para você também, querido marido! – disse irônica.
Exatamente, Anise era esposa de Koumei. Mas a historia deles é um pouco mais complicada do que a de Kouen e ficará para outra historia.
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Aquele silencio todo começava a incomodar Saahira, atentamente ela observava Aneesa que se encontrava imparcial, neutra e sem uma expressão fácil de ser decifrável no rosto. Duas criadas ajudavam-na a se vestir, estranhou quando adentrou o quarto e a encontrou sentada no sofá fitando a mesinha de centro completamente alheia ao se passava ao seu redor.
Esperava encontrar o quarto vazio, já que ela tivera a noite com o príncipe, mas ao entrar e deparar-se com ela fez a dama de companhia ficar preocupada. Após a faixa na cintura ser bem presa, as criadas saíram deixando-as a sós. Saahira parou diante da princesa e cruzou os braços, mas sua feição era calma.
- O que está havendo? – indagou.
- Nada.
- Nada? Se realmente não estivesse acontecendo nada, não estaria com essa cara – avaliou – Vamos, fale logo!
Aneesa suspirou e fitou o chão.
- Acho que minhas chances com Kouen se quebraram, talvez Milianna seja a escolhida – falou baixo.
Saahira arregalou os olhos entendo o motivo daquela melancolia toda.
- Você contou a ele! – disse surpresa – Como ele reagiu?
A princesa mordeu o lábio inferior tentando controlar a vontade de chorar, veio fazendo isso desde que Kouen saíra do quarto na noite passada. Apesar de ter falhado nas primeiras horas.
- Ele... Ah, não sei ao certo... Ele ficou estranho depois que contei tudo, me deitou na cama dele e apesar de ter me beijado, ele simplesmente saiu do quarto em seguida com a feição mais séria que já o vi dar – contou.
Um suspiro preocupado saiu dos lábios de Saahira, ela abriu a boca para falar algo, mas batidas na porta a interrompeu.
- Entre! – disse Saahira, já que Aneesa parecia não querer emitir voz alguma.
A porta foi aberta e Kouha adentrou, o mesmo possuía um sorriso harmonioso nos lábios, mas desfez ao ver a feição abatida na face de Aneesa.
- O Imperador está chamando toda as princesas ao salão do trono, Mei-nii tem um comunicado de En-nii! – contou ele, mas avaliando a princesa minuciosamente.
Estava confuso, a princesa deveria estar com um sorriso contagiante nos lábios rosados e seus olhos deveriam brilhar mais do que o sol. Ela passara a noite com Kouen e só ele e Koumei sabiam da euforia que o irmão mais velho se encontrava para vê-la, Kouen saíra as pressas do salão de jantar e nem havia comido direito. No entanto, ali se encontrava a princesa com a feição desolada, como se tivesse indo para um enterro ou já tivesse saído dele.
Aneesa nada disse, apenas assentiu e caminhou para fora do quarto. Saahira logo a acompanhou, tendo Kouha logo atrás.
O mais novo fitou a dama de companhia e com o olhar questionou, mas a garota apenas negou com a cabeça mostrando que a noite tão esperada fora um desastre. E aquilo o preocupou. Kouha gostava de Aneesa e pegara amizade com ela assim como com Keira, mas sua favorita para se casar com o irmão era Aneesa. Nenhum daquelas princesas cuidaria de Kouen como tinha certeza de que Aneesa faria.
Detestaria se alguma daquelas princesas, principalmente Milianna se casasse com Kouen. Uma careta se formou em sua face em pensar em tal possibilidade.
As outras princesas já se encontravam no salão, quando Aneesa cruzou a porta enorme e dupla. Pela janela notou o céu encoberto. Caminhou até onde estavam as outras e se posicionou, percebeu que Kouen não estava ali e até se sentiu melhor, não gostaria de vê-lo naquele momento e naquele estado de espírito.
O imperador sentado em seu trono, aguardou as princesas. E após elas chegarem, o mesmo se levantou de seu trono, mas apenas para mover sua mão e dar a vez a Koumei que aguardava em silencio e fixava em Aneesa notando seu semblante apagado. Ela se encontrava da mesma forma que Kouen e aquilo o estava deixando preocupado, conversaria com o mais velho mais tarde.
- Princesas, primeiramente obrigado por virem! – disse ele abaixando seu leque de penas – Trago um aviso de meu irmão, Kouen! Ele pediu que déssemos dois dias a ele, meu irmão quer esses dias para pensar em quem ele escolherá como sua esposa! – Aneesa sentiu seu corpo ficar tenso com a fala dele, e isso não passou despercebido por Koumei – Sei que havíamos dito que seriam três meses de testes, mas meu irmão decidiu antecipar sua decisão – emendou.
As princesas se entre olharem e uma delas sorriu de canto como se já soubesse que estaria com a vitoria, nem era preciso dizer que essa era Milianna.
- Peço que não o incomodem, durante esses dois dias – disse e em seguida se curvou – Vamos, pai, você tem que voltar para a cama. Está de repouso ainda – falou Koumei ajudando o pai a se levantar e retornar para o quarto.
- Aneesa, aonde vai? – indagou Kouha, que permanecera ao lado dela.
Mas nenhuma resposta veio da princesa, ela apenas continuou andando e sumiu pelo corredor adiante. Saahira e Kouha se fitaram.
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Seu peito doía, de alguma forma doía. Parecia que iria rasgar seu peito. Não se recordava em sentir tamanha dor como aquela. Mas por qual motivo estava assim realmente?
Seria pelo fato de Kouen ter saído daquele jeito ou por saber que suas chances diminuíram agora que ele sabe a verdade? Desde o inicio ela tentou lutar contra o que sentia, sabia que não poderia nutrir um amor pelo príncipe que a cada dia começava a crescer. Tinha plena consciência que Kouen apenas se aproximou mais dela para saber de sua ligação com Judal, ele não tinha outro motivo para chegar tão perto dela assim.
Mas pensar nos beijos que trocaram, por um curto período de tempo, dois dias apenas, ela sentiu-se nas nuvens e mesmo que fosse para casa iria feliz por ter sentido um pingo de felicidade em sua vida pacata.
Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha e pingou no tecido de seu kimono. Aneesa se encontrava sentada sobre suas pernas no pátio central do palácio, onde vários canteiros se encontravam, todos bem cuidados e uma única árvore no centro dava certa elegância ao mesmo. o vento gélido soprava e o tempo nublado parecia apenas piorar, mas pouco se importava em se molhar.
- Não me lembro de ver uma expressão tão triste nesse seu rosto, princesa! – ouviu-se uma voz trás dela – Nem em meus melhores sonhos!
Aneesa virou-se bruscamente ao ouvir a voz.
- Judal! – exclamou num sopro.
Espero que tenham gostado!
Como viram Aneesa quase fora estuprada e por sorte (ou azar) Judal apareceu na hora certa e a salvou, evitando uma tragédia.
No entanto, temos Kouen que agora se encontra confuso e isso será mostrado e explicado no próximo capitulo. Mostrarei os sentimentos do primeiro príncipe se misturando e por isso ele se isolou.
Notaram a aparição de uma personagem nova? Sim, Anise é uma nova Oc e esposa de Koumei, tive uma idéia para um spin-off (acho que é assim que se chama) da fic 'A Escolhida', contarei a historia de amor entre Anise e Koumei. Mas apenas avisando desde já que postarei a fic quando esta acabar.
E já tenho idéia para uma nova fic, envolvendo Jafar x Oc x Sinbad! Um triangulo amoroso... kkkkk Veremos qual postarei primeiro, mas enfim, apenas são projetos futuros. Quero me dedicar apenas a essa fic primeiro, não dou conta de escrever mais que uma fic XD kkkkk
Bom, espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar!
Bjos!
