Bella não planejava brigar daquele jeito com a mãe, não planejava bater de frente com James e muito menos ficar noiva. Mas ficar noiva não foi ruim, pois era Edward quem tinha pedido. E ela aceitou.
Eles estavam na casa dele. A garota vestia uma calcinha e a camisa de time de hóquei que Edward gosta de assistir. Ele nunca jogou, não era comum na cidade. Mas ele tinha como meta. Ela voltou a olhar a lua minguante. Estava pensativa desde o momento em que Edward caiu no sono.
Eles não fizeram amor, mas ficaram abraçados até Bella ficar mais calma. O choro angustiante dela durou muito. Mas o noivo estava preparado a muito tempo por aquilo. Ele sabia, sua mãe sabia e seu falecido pai também. Renné Swan era uma mulher materialista e tentava de tudo para continuar sendo através da filha.
Eles não moravam no casebre perto da mansão Swan. Tinha um terreno que era herança da família da mãe dele e que Esme e Carlisle defendiam com garras. Depois da doença que levou seu pai, Edward viu sua mãe lutando para manter o lugar. Viu quando ela descobriu a riqueza embaixo de seus pés e em nenhum momento se deixou levar.
Então, mesmo depois de mudar de vida, Esme ainda era considerada uma pobre mulher. Renné dizia ser superior a ela. E em meio a isso tudo, estavam Edward e Bella. Os dois se tornaram amigos e a menina, que na época tinha catorze anos ficou desolada ao ver o amigo, de dezoito, partindo para a faculdade. Cinco anos se passaram, entre idas e vindas. Todos, exceto a senhora Swan, tinham mudado, amadurecido.
Bella pensou na história dos pais. Charlie na faculdade de ciências políticas, Renné cantando em turnês. Em algum momento perdido no tempo e espaço, ela o amou e ele também. Ela se tornou possessiva, leia, possessiva e não ciumenta. Ela queria o poder que o filho do prefeito tinha. E então nasceu a filha deles e, os dois se casaram. A cantora largou os palcos e se tornou uma megera dondoca.
Voltando para o quarto, Bella olhou ao redor e percebeu que Edward entrou num sono mais pesado. Tirou as roupas e seguiu para o banheiro. Ligou a água para a banheira e esperou encher dentro dela. Bella estava angustiada de novo. Os artifícios que a mãe tinha usado eram pesados. Sentiu uma dor tomar seu peito e não se permitiu chorar mais uma vez.
Ela se deitou na banheira e foi afundando. Prendeu a respiração e manteve os olhos abertos. A luz branca do banheiro não ofuscava sua visão. Pelo contrário, debaixo d'água, Bella podia ver o colorido que a luz dava ao líquido. Ela se apertou mais naquele espaço sem permitir subir a superfície. Ela repensou enquanto seu corpo implorava por ar. Ela se debatia involuntariamente.
A luz branca sumiu e uma figura surgiu na frente dela a puxando da banheira. Bella respirou e tossiu diversas vezes. Seu peito doía e ela tremeu sobre a água gelada. Escutou alguns impropérios e Edward apareceu com uma toalha depois. Enrolou o corpo dela e a carregou de volta para o quarto. Ligou o aquecedor.
- Você estava tentando se matar? - a pergunta de Edward fez Bella parar de tremer. Ela olhou para os olhos dele. Ele estava magoado e machucado. Ela começou a chorar e soluçar.
- Não. Eu...eu sou boa em prender a respiração. Nã-não lembra?
Ele relaxou um pouco.
- Não me assusta assim! - Ele beijou os lábios dela. Bella retribuiu. - Não me deixa. Por favor, não me deixa.
Seria difícil fazê-lo acreditar que ela não estava tentando contra a própria vida a poucos instantes. Bella queria mesmo se matar?
Não. Não era isso, não assim. Bella queria resolver as coisas e morrer não estava na lista. Ela tinha que achar um jeito de fazê-lo entender que ela estava vulnerável e se sentia doente. Mas ela tinha acabado de assumir seu amor a ele, mal tinha começado seu relacionamento. Bella sabia que tinha que viver mais de uma vida para amar seu querido noivo. Seu primeiro amor.
- Edward, você acha que... ter filhos pode estragar meus sonhos? - Ela pergunta deitada nos braços dele, quase uma hora depois do incidente.
- Que pergunta amor, é claro que não. Alcançar objetivos não é vitória, o caminho é. Filhos vão deixar o caminho mais gostoso. - Ele diz beijando os cabelos que ele mesmo secou para ela. Bella achou aquilo fofo. Ele todo cuidadoso deixou ela amolecida.
- Eu quero um bebê.
- Eu também. Construir uma família com você é a maior meta da minha vida. Isso e te ver feliz, realizada.
- Que tal agora?
- Você está grávida?
- Não. - Ela solta uma risada. - Eu nunca faria essas mudanças durante uma gravidez. - Ela o encara.
- Ok, você está certa. Mas bem, já que não temos um bebê a bordo... ainda... vamos pensar com calma. Vamos casar, você começa a faculdade. Nós vamos curtir o sexo de casados. Vamos curtir sexo de qualquer jeito. E vamos começar a nos preparar para o bebê.
- Você tem tudo planejado?
- Sim e não.
- Sim e não?
- E estou pronto para tudo contigo mulher. - Ela se aninhou mais a ele e respirou pensando de novo na mãe.
- Eu amo ela e, pode duvidar, sei que ela me ama Edward, tem que amar. A ganância dela não pode ser maior... Não pode.
- Você sabe que não é de hoje que ela te trata assim. Por Deus, Bella, sua mãe te ensinou a se maquiar antes de aprender a falar. Você tem agido como uma lady do século passado.
- Isso é defeito?
- Sim e não. Acha que ter defeitos te faz ser ruim? Ou menor que qualquer outra pessoa? Todos temos defeitos. Eu tenho defeitos.
- Você deixa o carro sujo.
- E o que mais?
- E, agora mesmo, o seu quarto está uma zona. - Ele olha ao redor vendo as roupas jogadas de qualquer jeito pelo quarto.
- Quando eu morava com a minha mãe isso não acontecia. Eu nem sei qual roupa é a suja e qual é a limpa. - Ele coça a cabeça envergonhado.
-Tudo bem, eu ainda amo você.
- Eu vou tentar ser mais organizado. - Ele diz pensando no trabalho que vai ter. Bella o encarou, sabia que era assim que estava sendo interpretada. Como uma pessoa que não suporta ter ou ver defeitos.
- Se quiser deixar assim eu não me importo. - Ela beija o pescoço dele e ele percebe que ela entendeu o ponto dele. Amar ia além dos defeitos.
A mãe de Bella deveria pensar assim, mas talvez ela não tenha tempo para se redimir com a filha. Quando vai chegar o dia em que Renné vai deixar de ser uma mulher materialista?
