Bella se levantou da cama depois de calçar os sapatos. Não acreditava na história absurda da mãe. Dizer que Edward era viciado? E além disso, comercializava fora e dentro do hospital? Só podia estar louca. Discou o número do telefone do pai e colocou uma roupa nova. Precisava correr para a mansão. Sabia que a mãe ainda estava lá.
Como Bella sabia que a mãe era a denunciante anônima? Simples, ela estava muito mansa na festa de casamento e sumiu não muito tempo depois. Bella estava certa de que a mulher planejava isso a tempos, mais precisamente depois do anúncio de noivado. O que era tempo suficiente para a mente dela trabalhar.
- Renné! - Ela adentrou a casa e subiu as escadas gritando. Bella chorava de raiva. - Renné, onde você está? - Ela abriu a porta do quarto que era do casal, mas a mulher estava no quarto que ocupava a quase dez anos.
- Que gritaria é essa? - Renné saiu do banheiro, estava com uma máscara negra de tratamento no rosto e estava com bobs nos cabelos. - Aí, você me cansa Isabella. - Se sentou em frente a penteadeira e começava a tirar os bobs quando Bella explodiu de raiva jogando o controle no espelho onde Renné se admirava. - Está ficando louca?
- Ficando louca? Talvez, mas você já está, completamente! - Bella praguejava. - Você estragou a minha vida, anos e anos tentando te agradar, vivendo para ser o que você nunca conseguiu ser. Desculpa se eu fui o que te fez desistir de cantar, mas mãe... - Bella chorou magoada. - Mãe eu... nós. - Levou a mão ao peito. Mal conseguia respirar.
- Eu estraguei sua vida? Quem disse a você, muitas vezes, que se envolver com aquele povo era errado? Quem? Por Deus filha, Esme mal pode se cuidar, os filhos não são adequados, sem talento...
- Eu nunca vou te perdoar, e eu juro, que se algo acontecer com meu marido...
- Seu marido... nem consumaram esse casamento, podem muito bem anular. Chega a ser ridículo vocês dois. Um médico bobo de hospital geral, nem pode bancar uma clínica particular.
- E?
- James é tão inteligente, bonito...
- Rico. - Bella desdenhou.
- A melhor parte dele. E com isso, você vai ser feliz.
- Eu tenho pena de James, ele ainda não acordou para a vida. Tenho certeza que você manipula a Lola para que vocês juntem nós dois. Ele tem namorada caramba!
- Tem? Não parece.
- Pois é, ele tem e eu tenho um marido. Meu companheiro a mais tempo do que você jamais tentou. - Bella aumentou a voz de novo. - Agora me diz. Como colocou as drogas no escritório de Edward? - Renné ficou calada. - FALA! - A mulher se aproximou e quase segurou a mãe pelos cabelos.
- Isso não importa agora. Eu te salvei de um casamento infeliz. Te salvei e salvaria mil vezes. Eu sou sua mãe e você não vive dizendo que não faço nada por você? Então, eu fiz e o que eu recebo? Gritos, eu recebo gritos.
- Você não fez nada por mim. Nada. Você espera que eu volte a ser seu brinquedo, mas eu cansei Renné. Se Edward vai continuar preso naquela merda, então não tem mais motivos pra me segurar. Vou dizer ao meu pai sobre o seu adultério com aquele cara da mercearia no centro. Idas e idas ao "shopping" pra ver seu namorado... e que surpresa, ele não é padrão né? Não é rico, não faz seu tipo. Como é mesmo o nome dele? Philip?
- Você não pode... como você sabia?
- Isso não importa. Eu e você teremos uma conversa séria. Aquele garoto está desgraçando a sua mente.
- Não mais do que você. Eu só sei que eu quero que me deixe em paz e, se contar para o meu pai que você o traiu é o caminho, eu vou fazer. É o mínimo perto de toda dor que você nos causou.
- Dor? O que você entende de dor? Você sabe o motivo da sua avó nunca vir nos visitar? Sabe os motivos de eu deixar a minha cidade natal?
- Onde você quer chegar com isso? – Bella encarou a mãe com o coração acelerado.
- Lucinda Dywer é só a mulher menos apta para ser mãe. Sofri nas mãos dela, queria que eu me tornasse cantora só pela...
- Fama? – Bella sorriu achando graça da concepção que a mãe chegou. – Parabéns, descobriu o motivo de ser tão doente. Você precisa se tratar. Não percebe que fez comigo exatamente o que a vovó Lucy fez contigo? Uma pena você ter exagerado tanto a ponto de acusar meu marido só por eu não querer fazer o que você quer.
- Bell...
- Não! Você precisa parar com isso, está me machucando e machucando a minha família. Eu cansei. – Renné travou no lugar por um instante. – Vou ligar para o meu pai.
Bella pegou o celular e saiu do quarto. Renné a seguiu e puxou-a pela alça do vestido. Esbofeteou a mulher na face e, se possível, a filha quase partiu pra cima da mãe. Mas com o tapa, Bella cambaleou e pisou em falso caindo escada abaixo. A mulher assistiu a queda horrorizada. Demorou quase cinco minutos para descer e se aproximar do corpo quase inconsciente.
- Bella? O que você... o que... - Renné tentou conter o sangue que começou a sair do braço da filha. Estava dobrado demais pro lado oposto. Bella fechou os olhos e abriu com dificuldade e quase desmaiou de dor. - Bella! Bella fica acordada! Charlie, alguém chame a ajuda. - Ele gritou para qualquer um que aparecesse.
Renné poderia ligar para o número do genro, mas duvidava que ele tivesse saído da prisão. Charlie apareceu na porta e encontrou as duas no chão. Seu peito doeu ao ver a filha caída de mal jeito no chão.
- O que você fez? - Ele gritou para a esposa. Renné começou a chorar e soluçar quando Charlie ergueu uma inanimada Isabella para tentar ver mais. Ela deu um gemido angustiado.
- Eu só queria ela feliz! - Renné falava. - Ela só queria cantar.
Charlie desistiu de remover a filha dos pés da escada. Ligou para os paramédicos e depois para o amigo estrangeiro, um cirurgião ortopédico famoso que estava aqui justamente para a inauguração da nova ala. Queria o melhor para a filha.
- Comece a rezar Renné. - Ele encarou a ex-esposa com fúria.
Enquanto isso, Bella deu mais um gemido antes de fechar os olhos e desmaiar com a dor, que ficara alucinante.
- Renné? - Edward olhou a sogra como se não a reconhecesse. - O que te aconteceu? - Ela estava descabelada, tinha chorado e parecia uma...ele não sabia dizer.
Sentou-se a frente dela com o advogado. Ao lado de Renné estava o advogado dela. Edward teve as algemas retiradas e suspirou. Talvez isso tenha acabado. Bella tinha conseguido a confissão da mãe?
- Bem, eu sou o representante da senhora Swan, Tyler Crowley. A senhora Renné deseja fazer um acordo.
- Que tipo de acordo? - Jasper se fez presente.
- Ela confessa que incriminou o senhor Edward Cullen, mas não deseja ficar na prisão. Ela fica seis meses em um hospital psiquiátrico e depois passará a morar na cidade natal, ao lado da senhora Dywer.
- Não. Ainda não fui convencido. - Edward nem fez questão de sussurrar. - Renné não pode se aproximar mais da minha esposa, somente quando e se ela desejar. Também quero saber quem é ou quem são os cúmplices dela. Sei que não sujou suas mãos. - Ele a encarou.
- Certo, eu aceito. - Ela piscou e lágrimas caíram. - Eu não posso me despedir dela?
- Pode, se ela estiver aqui e aceitar. - Ele diz, deu de ombros e olha pensativo para o terno sujo.
- Ela... eu...- Renné temeu o que ele faria. Edward não era uma criança ou cabeça fraca.
- Assine aqui. - Edward tomou a caneta da mão de Tyler. Antes de começar, Charlie entrou na sala e encarou Renné como se quisesse esgana-la. Parece que o Senador tinha poder até para esse tipo de invasão. Charlie foi até bem perto dela. Os advogados o detiveram.
- Já contou o que fez?
- Estamos fazendo um acordo. – Jasper respondeu. O que houve? – Ao ver Charlie ainda mais bravo.
- Bella quebrou o braço, Edward. Ela está na cirurgia agora. – O sogro de Edward encarava a esposa como se quisesse pular nela.
- Ela... o que... ela está bem mesmo. Só quebrou isso, não é?
- Sim, ela acabou caindo da escada. Isso é o que ela... – ele apontou para a mulher chorando. – Diz.
- O que... – Edward resfolegou. – Você empurrou ela? – Ele perguntou para a sogra. Renné aumentou a crise de choro e negou com a cabeça.
- Não fiz isso de propósito. Eu não quis. Eu não quis... – ela chorou mais.
Edward bateu a mão na mesa e ela pulou com o susto.
- Eu quero ela presa por tudo que ela me fez, por tudo que ela fez a minha esposa e, eu juro Renné, se Bella estiver mais machucada eu vou te fazer passar pelo inferno.
Edward vestiu a roupa especial para entrar na sala de cirurgia. Colocou a máscara, mas não lavou as mãos, não poderia tocar na mulher na maca e também não conseguiria ficar longe. Ele se aproximou e sentou ao lado dela, apertou a mão imóvel e ficou assim até o fim da cirurgia. Ela estava bem, ficaria com o braço imobilizado por oito semanas e ele sabia que ela odiaria cada dia até as dores começarem a ceder.
Não muito tempo depois, Bella acordou no quarto. A anestesia ainda não tinha passado. Ela notou alguém no quarto e respirou fundo ao sentiu o cheiro do perfume de Edward. Sorriu e abriu mais os olhos para ver melhor o que passava dentro do quarto.
- Oi, está tudo bem? – Ele perguntou olhando para ela. Sorriu ao notar que ela não estava sóbria.
- Não. Você está muuuuuito longe. – Ela passou a mão pelo seio e arregalou os olhos. – Edward, roubaram os meus piercings.
- O pré-operatório tirou, o da sua língua também. – Bella colocou a língua para fora e os quase mordeu ela ao sorrir de novo.
- Amor, eu sinto que você é o cara mais azarado do mundo.
- Diz isso por...
- Você andou de pau duro por toda a festa e depois nem podemos fo... – Edward colocou a mão sobre a boca dela.
- É.… eu sei. Mas acredite, conheço gente mais azarada. – Ela não acreditou. Sorriu debilmente e prendeu a respiração antes de relembrar o motivo de estar ali.
- Eu briguei com ela. Briguei com a minha mãe. – Bella suspirou piscando lentamente.
- Você sabe me dizer o que aconteceu? Ela te...
- Ela me deu um tapa, não muito forte, mas eu pisei em falso eeeee eu caio pela escada e tudo girou e girou... e girou – Bella parou de falar quando voltou a dormir.
Edward beijou a cabeça dela e suspirou. Tinha que ligar para Jasper e pedir ajuda de outro advogado para seu companheiro de cela, ninguém merecia todo esse azar por mais tempo. Percebeu que esse pensamento era perfeito para ele e a esposa também. Infelizmente.
