– quem é você e o que está fazendo na minha cama? – ele disse. Eu não conseguia responder. – se não me disser nada vou chamar a policia. Você invadiu minha casa e meu quarto. – eu estava perdida.

– me... me desculpe. Eu pensei que a casa ainda estava abandonada por isso entrei. Precisava de um lugar para passar a noite. Me desculpe já estou saindo de sua casa. – rapidamente me levantei e ele segurou meu braço. Me assustei. Olhei para ele e só então percebi o quanto era belo. Tinha um olhar tão intenso que me perdi nele.

– não vou machuca-la menina. Se quiser pode passar a noite aqui em um dos quartos.

– não obrigada já vou indo, meu pai deve estar preocupado comigo. – menti. Sai da casa numa velocidade incrível. Aquele homem me assustava. Não disse a ele meu nome, ele não saberia que minha casa ficava apenas alguns metros da dele.

...

Voltei para casa e entrei em silencio. A sala estava escura. Subi direto para o meu quarto tomando todo cuidado do mundo para não fazer nenhum ruído para que ninguém percebesse que eu estava ali. Ao entrar no meu quarto acendi as luzes e deparo com meu pai sentado na cadeira da minha escrivaninha.

– finalmente você voltou sua malcriada. – ele se levantou. – vou lhe ensinar uma lição. Pago uma fortuna a aquele colégio e me devolvem você mal criada como está. Vai aprender a nunca mais desrespeitar sua madrasta ou a mim garota insolente. – ele tirou o sinto.

– por favor papai. Não. – mais ele não me ouviu. Me deu vários golpes com o sinto marcando minha pele pálida. Quando terminou eu estava no chão chorando com marcas de sinto por todo corpo.

– espero que tenha aprendido. Eu te amo filha e não gosto de te castigar. Mais é necessário. – e saiu do quarto me deixando caída no chão.

Levantei-me e fui para o banheiro. Olhei-me no espelho para ver o estrago, tinha algumas marcas em minhas cortas, uma no ombro, essa era a pior, acho que machuquei quando cai no chão e nos pulsos pois ele me segurou com força. Tomei um bom banho e me deitei. Chorei muito até cair no sono. Acordei tarde no dia seguinte. Levantei e meu corpo estava dolorido, tomei um rápido banho e desci para tomar café. Meu pai não estava mais em casa e kurenai andava de um lado para o outro arrumando algo aqui e ali e dando ordens as empregadas.

O dia passou voando e logo já era noite. Subi para o meu quarto para me arrumar pois os convidados não tardariam a chegar. Ao entrar no meu quarto tinha um vestido em cima da minha cama. O olhei e não gostei, era revelador demais para o meu gosto. Tinha um decote profundo na frente de deixava as costas nuas. Não vestiria isso. Procurei em meu guarda roupa algo mais adequado a mim, então achei um vestido rosa claro tomara eu caia. Tomei um banho demorado e o vesti. Quando estava me maquiando ouvi batidas na porta.

– pode entrar.

– o que pensa que esta fazendo? Onde está o vestido que comprei para você?

– não usarei aquilo.

– haa você vai usar sim. Ou quer que eu diga a seu pai para lhe dar outra surra daquela?

– não. Por favor.

– então seja boazinha.

– por que quer que eu use isso? Você nunca se importou com nada relacionado a mim.

– querida, você já não é mais uma criança, é uma mulher e deve se vestir como tal. E alias você já está na idade de casar e hoje haverá muitos empresários amigos de seu pai quem sabe você não arruma alguém.

– não quero me casar agora. Ainda sou muito jovem.

– vista o vestido e não discuta. Não quero você andando com esses trapos por ai. Depois das festas vamos a cidade comprar roupas novas para você.

– o que há de errado com as minhas?

– são muito infantis. Agora vista-se, os convidados já começaram a chegar. – dizendo isso saiu do quarto. Coloquei o vestido que ela me pediu. Não me sentia bem com ele, mas não queria ter problemas com meu pai. Passei uma boa maquiagem no meu ombro e pulsos para esconder as marcas roxas. Por sortes as manchas das costas tinha saído. Coloquei uma echarpe para cobrir meu ombro. Penteei meus cabelos os deixando soltos e desci para a festa.

Da escada vi meu pai conversando com algumas pessoas. Kurenai estava a seu lado e quando eu desci as escadas todos os olhares foram direcionados a mim. Meu rosto ficou vermelho. Nunca gostei de atenção. Meu pai me viu e fez sinal para que eu fosse até onde estava.

– sasuke, quero que conheça minha filha sakura. – eu não podia acreditar. Era o mesmo homem da noite passada. Eu estava em choque e não tive reações. – sakura, este é uchiha sasuke. O pai dele e eu fomos grandes amigos na faculdade. – sasuke pegou minha mão e a beijou. Ele agiu como se nunca tivesse me visto. Melhor assim, não queria passar pelo constrangimento de explicar alguma coisa seja lá a quem for. Ele me olhava de cima a baixo, me sentia nua diante do seu olhar.

– muito prazer senhor uchiha.

– o prazer é todo meu menina.

– bom, vou deixa-los conversar em paz. – e antes que meu pai pudesse dizer alguma coisa eu sai de perto deles. Estava atordoada e com vergonha.

– SAAAKURAAA! - nem precisei olhar para saber quem fazia todo esse escândalo. Era minha amiga loira Ino yamanaka. Ela veio até mim. – até que enfim consigo falar com você. Meus pais me encheram o saco a noite toda para que eu me comportasse como uma dama.

– coitados. De dama você não tem nada Ino.

– Hey! – rimos. – você viu o Deus grego que está aqui?

– quem?

– não se faça de boba. Eu vi você conversando com ele. Uchiha sasuke. Além de lindo ainda é milionário.

– pode até ser mais ele é muito velho pra nós.

– e desde quando isso importa? Olha só para o cara. Pena é frio e mulherengo.

– de onde você tirou isso?

– todo mundo sabe disso. Só você que não, mais também vive naquele colégio interno.

– eu gosto de lá.

– amiga que vestido é esse? Você está um arraso.

– você acha? Eu acho que esse vestido é revelador demais.

– que nada. Você está ótima.

– você também não fica pra traz senhorita yamanaka. – ela estava com um lindo vestido vermelho tomara que caia.

– quem dera aquele gostoso do sasuke olhasse pra mim. – ela ficou muda por um instante. – ai meu Deus! Ele está olhando pra cá. Sakura, acho que ele está olhando pra você.

– pra mim mesmo não. – me levantei.

– hey, pra onde você vai?

– vou ao banheiro. – menti. A verdade era que eu queria ficar um pouco sozinha. Sair desse ambiente e respirar um pouco. Não suporto ter que fingir ser quem não sou.

Fui para a varanda que dava para o jardim da casa. Parei me debrucei no parapeito. Fiquei observando as estrelas, a noite estava particularmente bela.

– finalmente consigo ficar a sós com você? – era ele.

– o que quer?

– nada. Apenas o prazer da sua companhia. Ou vai ser rude com um convidado do seu pai?

– não. Jamais faria isso. – ele se aproximou e tocou meu ombro.

– você se machucou. – não foi uma pergunta.

– não foi nada. Sou muito descuidada. – droga, ele não devia ter visto isso. Puxei a echarpe para cobrir meu ombro e me afastei. – porque agiu como se não me conhecesse?

– não foi melhor assim? Queria que eu dissesse para o seu pai que você estava em minha cama ontem? – fiquei vermelha e ele sorriu.

– é melhor eu voltar para a festa. – dei as costas para ele mais ele segurou meu pulso e me puxou de volta. – me solta!

– tem uma coisa que quero fazer desde que te vi deitada em minha cama. – ele não esperou que eu dissesse nada apenas selou seus lábios nos meus.