Notas do Autor
Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.
Capítulo 4
Enquanto caminhávamos pelos corredores vazios do castelo, algo formal preenchia o silêncio do ambiente. Estava me sentindo um pouco deslocada e confusa. Não restavam dúvidas de que meus sentimentos estavam claros, mas e os dele? O que quis dizer com estar disposto? Disposto a que? Era desejo carnal? Sim. E até quando seria? Eu não fazia ideia.
Era ele que me deixava confusa, era ele a quem eu não sabia ao certo o que pensar. Meu coração ansiava por aquelas respostas, mas eu não estava lidando com um adolescente, estava lidando com um homem mais velho, maduro e com experiência suficiente para saber que se relacionar comigo era se afundar em um mar de sentimentos confusos que levaria tempo demais para compreender.
Eu estava me conhecendo ainda, estava conhecendo todas aquelas sensações e não queria pressioná-lo a me dizer o que estava realmente acontecendo entre nós, se era passageiro e amanhã ele me daria às costas, ou se ele poderia me corresponder. Não queria parecer uma "criança", como ele mesmo já me julgara, não queria fazer birra nem ceninhas estúpidas, mas queria me sentir autosuficiente para elevar aquele sentimento se ele o quisesse também.
Sempre gostei de controlar as situações que me rodeavam, mas quando se tratava dele, algo sempre estava diferente. Percebia isso por não conseguir manter meus dedos quietos nem minha respiração calma ou sequer não o olhar tão fixamente.
Virei a cabeça para o lado analisando seu nariz torto e grande e sua cortina de cabelos negros, que escondia parcialmente seu rosto, e notei que todo seu visual me deixava arredia, ele era sombrio. Mas ao mesmo tempo, eu achava aquela aura misteriosa dele muito excitante, parecia algum tipo de miragem esquisita. Seu corpo ereto, seus lábios mantendo uma linha tênue, sua mandíbula contraída, a forma como suas sobrancelhas juntavam. Tudo nele despertava meu desejo.
— Você não parou de me encarar desde que saímos. — Falou sem ao menos desviar os olhos do corredor à sua frente e eu me senti corar no mesmo instante.
— Desculpe. — Voltei minha atenção para o corredor, tentando não encará-lo de novo e ficar tão nervosa quanto antes. — É que você tem uma aura tão misteriosa que me deixa intrigada. — Sussurrei.
Minha confissão fez o calor do seu olhar intenso cobrir todo meu corpo, fiquei imóvel até que escutei algo como um rosnado baixo atravessar meus ouvidos.
— Eu poderia beijar você agora, fica adorável quando está envergonhada.
Meu coração deu um pulo.
— Estamos no meio de um dos corredores do castelo...
— Esse é o problema? — Ele se virou para mim e ergueu a sobrancelha. — Não posso beijar você no meio dos corredores?
Arregalei os olhos virando minha face ruborizada na sua direção, até finalmente ter certeza de que tínhamos parado de caminhar. Escutei o barulho do passo suave dele em minha direção e senti sua mão roçar meus dedos, fazendo meu corpo entrar em combustão. Nos olhamos intensamente, mas, graças à Merlin ainda estávamos a uma distância segura.
Queria sentir seu gosto de novo, o calor que os seus lábios transmitiam aos meus, mas estava nervosa. Uma parte de mim tinha certeza de que aquela sensação de estômago embrulhando só vinha à tona quando ele me tocava e outra, bem menor, sabia que o que ele me proporcionava estava além disso.
— Não se importou com o perigo quando me beijou no meio da biblioteca.
Sem me dar tempo de responder, ele pressionou sua boca na minha e perdi o ar instantaneamente, meu coração palpitava como uma bomba relógio prestes a explodir. Ao sentir sua língua passear na parte superior do meu lábio deixei escapar um gemido baixo, controlado pela minha timidez que estava à flor da pele. Sentindo-me desconfortável por isso, o afastei antes que tivéssemos prolongado o beijo e, apesar de querer beijá-lo por mais tempo e mais vezes, não permiti que isso acontecesse e olhei à nossa volta. Tudo parecia tão deserto e silencioso quanto antes.
Por um impulso ou por mais cinco segundos da coragem Grifinória me dominando, o puxei de volta pela gola do seu manto até que seus lábios estivessem de novo nos meus, e decidi que precisava beijá-lo mais vezes, ignorando meu consciente em estado crítico. Não podia deixar minha insegurança e timidez atrapalharem aquilo, porque mesmo sem entender tudo que estava acontecendo ao meu redor, me senti corajosa de novo para beijá-lo em público.
— Você vai ser minha ruína com essa coragem estúpida típica de Grifinórios. — Ele resmungou ao me soltar, mas não parecia irritado. — Tem obrigações de monitoria hoje?
Arqueei a sobrancelha.
— Você vai me pedir para deixar minhas obrigações de monitora e sair com você? Tipo, num encontro?
Agora eu estava espantada com a ousadia dele.
— Se formos pegos em um encontro, eu vou ser levado para Azkaban ou, pior, torturado com a maldição Cruciatus. — Disse irônico. — Vou escrever a sua diretora de Casa e dizer que precisa de aulas extras.
Ele percebeu minha feição perplexa pela forma como desacelerou os passos.
— Minerva não vai acreditar que preciso de aulas extras. Por que quer mais tempo comigo?
— Quero entender o que estamos fazendo.
Ele foi tão direto que eu me assustei. Severo Snape surgiu em minha vida como um professor rancoroso e passei um ano inteiro desconfiando que ele queria roubar a Pedra Filosofal, nos anos seguintes eu precisei lutar contra fatos e insinuações de todos os lados, que indicavam que ele era uma pessoa maldosa.
— Quero que você jante comigo hoje à noite no apartamento do vilarejo.
Me levar para a casa dele? Isso só podia significar uma coisa, ele sentia algo que não fosse só uma atração física. Fiz uma cara confusa, estava tudo acontecendo rápido demais para que minha mente e meu coração trabalhassem juntos sem que eles se sentissem no meio de algo incoerente.
— Espero que esse seu olhar não seja de desconfiança por eu saber cozinhar.
— Não é isso. — Tentei sorrir e soar mais simpática, mas acho que toda a minha insegurança foi tomada por outra posse. — Está tudo acontecendo tão rápido que mal consigo respirar, até ontem eu estava tentando entender o que sentia, hoje é você quem me diz isso.
— Você tem que se decidir se acha isso bom ou ruim.
— O que quero dizer é: eu sei que quero você, e não é uma atração física ou um deslumbramento por você ser um homem mais velho e inteligente. Mas também preciso entender o que é que você sente.
— Certo. — Sua voz saiu baixa. — Sempre deixei claro que a via como uma criança e tivemos problemas desde o seu primeiro ano devido a sua preferência terrível para amigos.
— Não tivemos problemas…
— Fique calada. Você colocou fogo nas minhas vestes e assaltou meu estoque particular de ingredientes, Hermione.
Olhei para ele surpresa, não fazia ideia que ele conhecia os detalhes de quando aprontei com ele. Ele me lançou um olhar gelado e vi que estava concentrado nas lembranças.
— Eu via você, esbarrei em você algumas vezes nos corredores, te observei e até lhe ofendi em algumas situações, então, realmente não sei o que você espera de mim. Essa é a primeira vez que faço algo assim, nunca saí com uma aluna, nunca quebrei minha ética como professor, muito menos atravessei uma festa de bruxos adolescentes para tirar uma aluna em apuros. Com você foi tudo uma primeira vez. — Suspirou. — Se você está me dizendo algo sobre a escola, sim, não irei ficar de mãos dadas com você aqui. Se estiver me perguntando se eu gosto de você, sim, eu gosto. Agora, se você está me falando sobre Bettany, acredito que o nosso relacionamento já não vem dando certo há algum tempo e eu não sei o que é amor há muitos anos. Eu e Bettany mantemos a nossa relação de uma forma distante e, às vezes, não sei que caminho foi esse que nós escolhemos. Ambos conseguimos ser frios o suficiente a ponto de não nos deixarmos levar. Porém, eu não conseguirei levar adiante esse relacionamento com você no caminho, você tira meu foco e bagunça minha cabeça.
Eu me senti surpresa, porque ele se abriu para mim de um jeito que eu não esperava. Começava a desconfiar que Severo Snape era o bruxo mais sincero que eu conhecia. Meu sorriso surgiu em meus lábios, exposto e inocente, como uma boba apaixonada e mal percebi que havíamos chegado ao Salão Principal.
Olhei para a mesa da minha casa que parecia calma e tranquila, mas minhas pernas ficaram bambas e tive a impressão de meu corpo suar só de imaginar a justificativa que daria para Minerva. Era estranho demais chegar com outro diretor de Casa assim, do nada, imagine encarar Minerva e mentir.
Escutei risadas que reverberavam ao nosso lado direito e me virei para a mesa da Corvinal, meu corpo todo permaneceu extasiado quando vi Téo sentado lá de um jeito despojado, tranquilo, e Allie ao seu lado fazendo um lanche. Severo parou ao meu lado e quando criei coragem para encará-lo, vi o seu maxilar travado e lembrei imediatamente da pergunta que ele me fez em seus aposentos, antes de sair batendo a porta, mas não conseguia o imaginar sentindo ciúmes de mim com alguém. Ele era seguro de si, um homem de trinta e seis anos com a vida completamente formada. Tinha uma posição privilegiada, tanto na escola quanto no lado sombrio da sua vida, as pessoas ou o admiravam, ou o temiam. Não tinha um lugar sequer que ele passasse e não fosse notado.
Andei até mais próximo dos dois estudantes e não esperava que ele me acompanhasse, mas foi o que ele fez. Com sobressalto Téo respirou fundo olhando para mim e sorriu monótono.
— Hermione, estava te esperando.
Sorri em resposta ao seu comentário, mas na verdade, só me aproximei dele porque estava mais interessada em Allie.
— Você sumiu. — Ela veio me abraçar e acariciei seus fios ruivos. — Passou a noite com o professor? — Sussurrou só para que eu e Severo ouvíssemos, mas nenhum de nós dois respondeu. — Entendi, é segredo então.
— Hermione Granger. — Minerva McGonagall atravessou a porta com a expressão irada. — Eu estava louca atrás de você e por um triz não convoquei um auror do Ministério para encontrá-la! A Srta. Patil disse que você não dormiu no próprio dormitório. Exijo explicações. — Parou de falar assim que notou Severo ao meu lado.
— Ah, Severo. — Franziu a testa olhando de mim para ele, agora, exigindo por respostas de ambos.
— Encontrei a Srta. Granger tentando invadir a cozinha por ter perdido o café da manhã. Grifinória e seus monitores exemplares. — Sorriu ironicamente para Minerva, que lhe devolveu um olhar azedo. — Quando a adverti e disse que a entregaria a sua diretora de Casa, ainda ousou mentir, dizendo que você estaria em visita ao povoado, quando ambos sabemos que a visita foi adiada para o final de semana que vem.
Eu o olhei horrorizada com sua capacidade de ser um mentiroso tão convincente e por estar me ferrando com Minerva. Meu rosto esquentou de raiva.
— Então, já que nos encontramos, quero mesmo ter uma conversa com você sobre o desvio de conduta da sua monitora.
— Minerva, você sabe me dizer se o…
Observei a professora Sinistra, de Astronomia, atravessar o Salão até a mesa da Corvinal, onde a discussão com a minha diretora de Casa acontecia. Controlei minha pulsação no instante que ela pousou seus olhos em Severo e deixou muito claro que ela o admirava.
— Olá, Severo! — Sorriu para ele e como sabia que era educado demais para não retribuir, ele deu um sorriso contido de volta.
Ela intercalou seu olhar entre mim e ele, queria poder azará-la para que ela parasse de olhá-lo daquela forma, me deixava constrangida, apesar de não o ver ficar tenso um segundo sequer. Sinistra sorriu para mim porque, até trinta segundos atrás, a professora de Astronomia e eu tínhamos uma relação adorável.
Ela estendeu a mão para ele, apertando-a em seguida. Meu sangue ferveu e não me lembrei de notar nenhuma interação dos dois antes.
— Perdeu o café da manhã... onde estava? Fazendo exercícios?
— Ah sim, frequento uma academia de artes marciais.
Todos nós presentes ali, inclusive Téo, o olhamos espantados. O quê?
— É sarcasmo. — Se explicou quando percebeu todos os pares de olhos sobre ele. — Deviam estar acostumados. — Ele puxou sua mão de volta percebendo que Sinistra ainda a segurava no ar.
Eu estava mesmo enciumada, isso era trágico.
— Como estava dizendo, Minerva, a Monitora da Grifinória estava agindo ao contrário do que é esperado e a acompanhei até aqui para a segurança dos elfos domésticos que ela costuma aterrorizar desde o quarto ano.
— Obrigada por trazê-la, Severo. Srta. Granger, conversaremos em meu escritório mais tarde, aguarde meu bilhete.
Assenti irada e desviei os olhos para Téo, que já estava de pé e encostado na mesa da Corvinal com os braços cruzados, esperando por mim. Precisava dar atenção a ele, mas minhas pernas bambearam quando olhei para Severo que trocava olhares com Téo. Eu mal tinha percebido aquela atitude escassa.
— Severo, podemos falar sobre o projeto dos estudantes da Pedra da Lua? — Ouvi a Sinistra dizer.
— Desculpe, mas agora eu preciso conversar com a vice diretora por um instante. — Severo indiciou Minerva, que teve sua total atenção. — Quero falar sobre o comportamento e as notas da Srta. Granger.
Minerva crispou os lábios e olhou para mim enviando-me um olhar irritado.
— Tudo bem.
A vice diretora assentiu, o chamando em direção ao corredor que levava ao escritório dela e antes que eu pudesse segui-los senti as mãos de Téo me segurando pelo braço direito. Fiquei irritada por ele ter sido tão rude ao me puxar assim e notei Severo parar no mesmo instante.
— Só quero falar um pouco com você. Tudo bem?
Assenti e olhei por cima dos ombros em direção a Severo, seguimos pelo mesmo corredor que nossos professores seguiram, mas entramos em uma sala de aula vazia, enquanto Allie sumiu nas escadas em direção à Torre da Grifinória.
Téo fechou a porta e fiquei com os braços enroscados um ao outro esperando que ele falasse alguma coisa, mas ele tomou a mesma atitude que a minha. A diferença era que seus braços longos estavam caídos na lateral do seu corpo e vi como seus dedos se movimentavam, mostrando o quanto ele estava ansioso.
Apesar de estar ali com ele, minha mente só sabia estar no final do corredor, onde eu sabia que ficava o escritório de Minerva. Estava vivendo uma fantasia que vinha tendo há quase três meses, precisava me concentrar em encontrar uma forma de fazer Severo se apaixonar por mim sem pressioná-lo. Queria que ele gostasse de mim da mesma forma que eu gosto dele e não um sentimento confuso, conturbado, estranho. Tinha certeza do que sentia agora mais do que nunca e queria que ele sentisse.
Téo respirava baixo como se estivesse em uma guerra mental, olhava para meus olhos depois para meus lábios, até finalmente parar nos meus braços cruzados mostrando a total impaciência. Não costumava ser grossa nem como ele nem com ninguém. Prezava a boa educação que os meus pais me deram e gostaria de ser um exemplo para minha pupila em Hogwarts, porém, estávamos em uma situação que não me fazia ser uma pessoa caritativa e sim, muito, muito egoísta.
— Então?
Ergui uma sobrancelha esperando que ele dissesse alguma coisa, mas fui tomada por pânico quando sua língua entrou na minha boca e seus braços puxaram meu corpo em um solavanco me fazendo ter um impacto térmico ao seu corpo. Eu estava gelada e ele completamente quente. Seus lábios não tinham outra temperatura e a forma brusca como ele me beijava fez com que eu me retraísse.
Severo estava no fim daquele mesmo corredor e embora nosso relacionamento, se é que começamos algum, não fosse algo estável, eu não queria sair beijando quem mostrasse interesse por mim em um futuro breve ou distante. Eu queria Severo, apenas ele mandava no meu coração e naquele momento, meu coração me mandava puxar minha varinha e azarar Téo. Espalmei minhas mãos contra seu peito até que nossos lábios estivessem completamente separados, dei alguns passos para trás me mantendo em uma distância segura do seu corpo e puxei minha varinha.
— O que foi?
Ele arqueou as sobrancelhas em questionamento a minha atitude, suspirei, precisava ser sincera com ele sem precisar lhe contar a verdade.
— Gosto de você. Sério, Téo, você é incrível, mas meu gostar de você não é exatamente da forma como você espera. Você é um amigo pois, é assim que eu gosto de você.
— Nós ficamos ontem. Sabe quanto tempo eu esperei por aquilo? Foram… dias, meses, um ano inteiro. Você nunca reparou em mim. — Ele esbravejou batendo as duas mãos na coxa, depois me olhou com repulsa.
Parei e senti o peso em sua voz. Não chore, Téo, não faça isso comigo, por favor.
— Eu sempre reparei em você, Téo. — Revirei os olhos — Antes de você ter o rosto sem as espinhas, porque eu sempre prefiro olhar o interior das pessoas. Desculpe se não é exatamente da forma como você esperava.
— Você realmente está saindo com ele?
Téo cruzou os braços e minha mandíbula tremeu, fazendo com que uma dor aguda corroesse até meu tímpano e me afastei dois passos dele. Sabia a quem ele se referia.
— Responde, Hermione, estou falando com você.
— Não. — Falei olhando para seu rosto que mantinha uma expressão de nojo. — Não estou saindo com o professor coisa nenhuma, Gina estava bêbada e você sabe que isso não é verdade.
— Você bebeu ontem também. — Sorriu — Bebeu e me pediu, praticamente implorou, para que eu transasse com você. — Meu peito palpitou no instante em que ele usou as palavras rudimentares. — Eu não podia dizer não. Você estava tão… ousada, e quando sua voz gostosa falou ao pé do meu ouvido, não consegui dizer não para a mulher que tanto implorava para perder a virgindade.
Meus olhos já estavam cheios de lágrimas, eu me lembraria. Não lembraria? Olhei para baixo como se procurasse algum vestígio de ter perdido mesmo minha virgindade com ele. E não havia nada. Sim, eu me lembrava de ter ficado com ele no sofá daquela sala minúscula, mas não me lembrava de ter feito um pedido tão impensável. Ele estava mentindo, não havia possibilidades de eu ter feito algo tão ultrajante. A garganta seca me fez pigarrear antes de encará-lo. Eu me lembraria daquela noite em algum momento, deveria existir algum feitiço para isso.
— Você está mentindo. — Sussurrei enquanto a expressão limpa e feliz sumia de meu rosto. — Eu não fiz uma coisa dessas.
— Nunca peça para um cara te dar bebida outra vez, pode se dar mal.
Ele falou num tom que claramente zombava da minha inocência e a porta se abriu, Severo entrou e meu coração bateu mais forte. Percebi como o corpo de Téo ficou tenso com o professor encostando seu peito em suas costas. Via seu olhar frio, calculista. Eu nunca tinha visto esse olhar em Severo, mas ele estava irritado com Téo e antes de se aproximar mais, trancou a porta atrás de si com a mão esquerda.
— Peça desculpa a Srta. Granger, Boot. — Severo falou sério, com os olhos no topo da cabeça de Téo e ambos não se encaravam diretamente. Principalmente porque Téo continuava de costas para ele. — Falei com você, Sr. Boot, peça desculpas a ela. Você ter colocado alguma coisa na bebida dela, seja o que for, não foi muito inteligente.
— Eu não vou pedir desculpa coisa nenhuma. — Sibilou Téo corajosamente e sorriu para mim como se debochasse.
Vi os ombros de Severo ficarem rígidos e a expressão em sua face estava irreconhecível. Aquele não era meu professor controlado e de voz suave, aquele era o seguidor de Voldemort, um Comensal da Morte implacável. Ele sequer puxou a varinha, agarrou Téo pela manga das vestes e o empurrou contra uma das carteiras, fazendo com que ele caísse sentado e finalmente os olhos de ambos se chocaram.
— E você, professor Snape, o quanto inocente você é nessa história? Vai me azarar e depois vai transar com a Hermione nas costas dos pais dela e do diretor? Uma pena que você chegou tarde e ela não é mais virgem.
Tinha certeza de que Severo já o escutara falando isso, mas seu rosto se ergueu na minha direção e viu como eu chorava. Torcia para que ninguém mais tentasse entrar agora naquele ambiente ou tudo se complicaria de uma forma que fosse irreversível.
— Você não tem o direito de falar com ela dessa forma. — Severo sibilou, apontando o indicador para ele. — Mesmo que eu tivesse alguma coisa com a Srta. Granger, isso não diz respeito a você ou a qualquer outro. Fora da escola sou só o Severo Snape e ela é só a Hermione Granger, mais nada. Peça desculpas, é a última vez que vou mandar você fazer isso.
Através do contato visual de ambos ficou explícito que Severo o aterrorizava, a curiosidade de saber o porquê se instalou, mas ao perceber a expressão dele estava claro que até mesmo eu o temeria.
— E se eu disser não?
Téo levantou da cadeira, empinando o nariz e batendo seu peito contra o de Severo. Eu estava pasma com a coragem dele. Coragem não, burrice. Severo era nosso professor, mais velho e tinha uma superioridade quando se tratava de nós.
— Não me subestime. — Severo rosnou. — Melhor não se meter com ela ou vai ter que se ver comigo, sabe disso, não sabe? Estou ciente que todos nesse castelo sabem dos rumores sobre minhas atividades extracurriculares.
Severo olhou para mim, desviando sua atenção de Téo e seu ar de preocupação ficou óbvio quando piscou em minha direção.
— Eu vou cuidar pessoalmente para que as fileiras de seguidores do Lorde das Trevas saibam o seu nome, Sr. Boot.
Aquelas palavras atingiram nós dois como um raio.
— Sinto muito, Hermione. — Ouvi Téo sussurrar com a voz tomada pelo medo.
Severo imediatamente o empurrou de volta na carteira focando sua atenção em mim. Caminhou em minha direção, e seu polegar passeou pela minha pele úmida, secando lentamente cada lágrima que eu havia derrubado.
Não conhecia aquela pessoa que havia falado com Téo minutos antes, não fazia parte de quem Severo era, ou, os cinco anos anteriores não me deixaram conhecê-lo o suficiente para dizer aquilo. Estava confusa entre ter medo e ficar feliz ao mesmo tempo, porque ele não brincou quando disse que sentia uma necessidade insana de me proteger.
A imagem de Severo ameaçando Téo não sumia de minha cabeça. Quis esquecer aquilo pelo resto do dia, mas não consegui. Imaginei que se o diretor Dumbledore soubesse daquele nível de ameaça a um aluno, a posição de Severo na escola podia ser colocada em risco — o que fazia um frio subir na minha espinha — mas eu tinha certeza de que ele não voltaria atrás, Téo estaria marcado de agora em diante.
O que me tranquilizou foi que Minerva tinha concordado com a proposta que ele havia feito a ela enquanto Téo me beijava. Segundo ele, não precisou de muito, pois Minerva concordou assim que explicou a ela o motivo pelo qual nós não tínhamos prosseguido com os estudos ontem na biblioteca. Manteve de fora o detalhe em que eu o beijei, mas precisou dizer a ela o motivo pessoal para ter interrompido a lição: o seu noivado.
Admitir que ele fosse noivo, mas de agora em diante compartilharia seu tempo livre comigo, era um grande desafio e eu queria perguntar se pensava mesmo em romper tudo com Bettany, mas tinha medo de ser precipitada. Precisava ser mais paciente e calma. Fazia apenas algumas horas que a interação entre eles mudou, não poderia e nem queria colocá-lo sob pressão.
Eu não era uma pessoa calma e paciente, longe disso, mas era racional o suficiente para saber que, nesses aspectos, precisava trabalhar minha ansiedade e a afirmar ao meu cérebro de que as coisas não seriam no meu tempo.
— Srta. Granger, você ouviu o que eu disse? — Minerva perguntou com rispidez. — Onde anda o seu bom senso? O derreteu acidentalmente?
— São os hormônios adolescentes.
Foi a professora Sinistra quem falou enquanto sorria para mim e me perguntei porque Minerva estava me repreendendo na frente dela.
— A Srta. Granger não é esse tipo de garota. — Minerva respondeu irritada.
Minha garganta secou e tive de me desvencilhar dos pensamentos maçantes no qual estava afundada, dando finalmente uma atenção especial àquela conversa.
— Hermione Granger é uma estudante centrada, coerente e inteligente demais para se deixar levar por ebulições da adolescência. E só está com problemas em uma disciplina. — A professora me mirou novamente por cima de seus óculos quadrados. — Então? Porque suas notas em Defesa Contra as Artes das Trevas estão um desastre?
— Com certeza culpa da combinação de hormônios e Severo, isso desestabiliza qualquer garota. — Sinistra disse ainda sorrindo e juro que ouvi um rosnado de Minerva na direção dela.
— O Severo é um homem comprometido, de respeito e está completamente apaixonado por sua noiva. — Respondeu taxativamente.
Sinistra sorriu para minha diretora de Casa dessa vez.
— Foi só um palpite, Minerva. Pelo que entendi, Defesa Contra as Artes das Trevas é a única matéria que a Srta. Granger tem tido dificuldades, e não podemos negar que Severo é perturbador. Se tivesse sido aluna dele quando tinha dezessete anos, eu estaria caidinha por ele.
Minerva me olhou séria, como se eu fosse me defender, mas eu não consegui, pois, apesar de Sinistra estar agindo com uma imprudência absurda, ela tinha toda razão.
— Por sorte, a Srta. Granger não é você. — Exclamou Minerva.
Sinistra conseguiu irritá-la com esse assunto e eu estava assustada pela sua reação. Se ela soubesse da verdade, o que aconteceria comigo, ou com Severo? Nós havíamos nos beijado e ele ameaçou Téo a poucos passos dali…
Fiquei apavorada com o pensamento e suando frio.
— Você está bem, Srta. Granger? — Minerva disse assim que percebeu minha alteração.
— Sim, só... um pouco cansada.
— Ah, sim, cansada. Então é um excelente momento para me contar onde passou a noite. — Ela se levantou com as narinas abertas e a boca muito fina, assumindo uma expressão hostil. — Quero explicações, que inclusive serão direcionadas a seus pais.
— Estava no dormitório dos meninos. Ficamos tentando decifrar algumas anotações do livro de Poções do Harry e foi tão cansativo que eu acabei pegando no sono. Sinto muito.
— Com o Potter? — Ela me mirou por um momento e depois contornou sua escrivaninha, segurando a porta aberta para mim. — Pode ir, e eu espero de verdade que o diretor da Sonserina não venha me devolver você de mais uma de suas imprudências, ou serei obrigada a lhe dar uma semana de detenções. Agora, vá descansar.
— Obrigada, professora McGonagall, prometo que não vai mais se repetir.
Enquanto me ensaboava debaixo da água quente eu chorava e pensava em tudo que Téo havia me dito. Eu não tinha certeza, pois não me lembrava de muitas coisas da noite passada no que se referia a ele, além do nosso beijo e de ter bebido. Sempre que imaginei a minha primeira vez, achei que fosse ser especial, mas não com flores ou um lugar bonito e sim um momento que se tornaria especial se a pessoa também fosse. Nunca me colocaria em uma situação de me entregar assim, a menos, é claro, que eu estivesse fora de mim o suficiente para usar termos que eu não quisesse, e totalmente embriagada. Mas Téo não era a definição de especial que eu procurava.
Fechei o registro e me enrolei na toalha, em instantes estava de volta ao meu dormitório, deitada na cama. Fechei minhas cortinas antes de pegar meu galeão na esperança de ter uma mensagem de Severo.
Foi só então que me dei conta de que a paixão platônica que desenvolvi por ele, não se resolveria tão facilmente, não assim, depois de dois beijos. Ainda existiam coisas a serem resolvidas, como Bettany. Eu não poderia ficar com alguém que estava noivo e meu coração apertava só de imaginar na possibilidade. Já doía tanto que eu não queria esperar para ver quando realmente chegasse a hora de pôr as cartas na mesa. Fechei os olhos esperando que o sono viesse e ele veio tão rápido que mal o percebi chegar.
Três horas depois me espreguicei totalmente e desfiz o encantamento no despertador, interrompendo o barulho chato. Chutei os lençóis para fora da cama assim que a porta do quarto foi aberta, a visão da figura feminina de cabelos lisos, compridos e negros de Parvati adentrou o ambiente.
— Ah, estava vindo acordá-la, um monitor da Sonserina estava na moldura do retrato para avisá-la que o professor Snape a aguarda no seu escritório em trinta minutos. — Falou enquanto se acomodava ao meu lado. — Achei um pouco estranho você ter aula de reforços com ele em pleno sábado à noite.
Engoli em seco.
— Não deu para fazermos isso ontem. É uma reposição. — Falei, me levantando, indo em direção a meu armário e passando os olhos pelas roupas.
Despi-me rapidamente ignorando a presença dela, já dividimos o quarto há seis anos para termos algum pudor na frente uma da outra. Vesti minha veste escolar e puxei os fios de cabelo que minha capa havia prendido. Pus as sapatilhas nos pés, respirei fundo indo até o banheiro, escovei meus dentes rapidamente e passei um pouco de maquiagem. Voltei para o quarto e Parvati me olhou da cabeça aos pés, observei sua mão que estava ocupada com a minha mochila e eu entendi que era para pegá-la quando a esticou até mim.
Caminhei pelos corredores enquanto pensava nas palavras e atitudes da professora Sinistra mais cedo. Ficou óbvio que ela tinha algum tipo de interesse em Severo e meu ciúme estúpido não contribuiu para que eu me esforçasse em ser amigável com ela mais cedo, quando me ajudava a lidar com Minerva.
Eu temia que se ela falasse mais alguma coisa relacionada a ele, meu lado nublado pelo ciúme viesse à tona. Severo era um homem maduro e nunca expôs a vulnerabilidade de seus sentimentos. Ele não tinha nenhum tipo de insegurança, porque sabia que era bom o suficiente, já eu duvidava e questionava minha própria sombra.
Era óbvio que eu teria o azar de esbarrar com ela os corredores.
— Ah, Srta. Granger, está melhor?
— Eu estava doente? — Tentei soar natural, mas acho que meu tom saiu ríspido demais e Sinistra sorriu pra mim.
— Do cansaço, querida.
— Sim, estou melhor, obrigada por perguntar. — Respondi tentando soar mais simpática. — Professora. — Completei.
— Está indo ao escritório do Severo para sua aula de reposição? Eu acabei de vir de lá e não o encontrei, por sorte consegui apanhar minha poção que ele deixou sobre a sua mesa.
Franzi a testa prestando atenção a suas palavras. Meu coração me alertava a aproximação de uma breve explosão de raiva com uma mistura de ciúmes incrivelmente descontrolada e eu a olhava sem conseguir desviar.
— O que foi, querida? — Perguntou ao notar minha expressão.
— Você foi no escritório do professor Snape? — Soltei a pergunta bem mais grotesca do que esperava, mas no momento, a raiva era a única coisa constante que se expandia em mim. — Ele não estava e mesmo assim passou pelos feitiços de proteção dele?
— Sim, claro. — Sorriu nasalado — Nós professores temos uma dinâmica, ainda mais eu e o Severo que somos os mais jovens daqui. Gosto dele, é um homem muito reservado, inteligente, educado e... — Desviou os olhos para mim por um breve momento e voltei o olhar para frente, queria impedir que ela visse que meus olhos expressavam exatamente o que meu coração sentia. — … um ótimo colega de trabalho.
— Certo, preciso ir agora antes que me atrase.
Ajustei minha mochila sobre meu ombro e saí pisando duro em direção às masmorras. Estava furiosa, não sabia exatamente com quem, se era com ele ou com ela. Recebi uma mensagem no meu galeão antes de chegar na porta do seu escritório.
A senha da minha sala é SANTET, entre e use a lareira até o meu prédio, chame por "Hogsmeade 206" e suba até o apartamento.
Continuei meu percurso até estar dentro do escritório dele, apanhei o Flu sobre a lareira e as chamas verdes brilharam instantaneamente, me fazendo rodopiar até o hall do prédio onde Allie fez Bettany perder o controle. Fui direto para o andar em que o encontraria. Minha raiva anterior tinha se dissipado e existia em mim agora, uma garota querendo se esconder e incrivelmente envergonhada.
Eu não sabia mais como me comportar quando estava sozinha em sua presença e comecei a formular um script do que faria quando o encontrasse. Eu devia beijá-lo ou abraçá-lo? Esperar que ele fizesse isso? Era a primeira vez que aqueles momentos vinham até mim. Nunca tinha nem mesmo tido um encontro àquela altura, mas de certa forma, meu coração estava feliz que ele fosse o primeiro a me proporcionar tantas novas experiências.
Por algum motivo desconhecido e, suspeito que muito distorcido, Severo conseguia me fazer sentir segura, não era minha altura baixa em relação à dele, nem por minha timidez em sua presença, mas eu sentia como se todo o meu mundo fosse coberto por um grande feitiço escudo. Me senti assim hoje, quando Téo me ofendeu e ele me protegeu. Estar com ele me fazia sentir que nada me atingiria enquanto seus braços e sua varinha me protegessem.
Estava parada de frente para a porta do apartamento, respirava lentamente criando coragem para bater, a forma como meu coração palpitava dava a entender que eu estava bem mais do que nervosa. Não queria estar assim com ele, queria me sentir segura e pronta. Mas a minha coragem se foi por água abaixo antes mesmo de bater. Quando ele me olhasse, o que pensaria de mim? Que eu não tinha nada a oferecer, que era uma criança medrosa… Empurrei o pensamento pra longe, fechei os olhos e bati, aproveitando os míseros segundos de coragem implícita. Escutei o barulho vindo de dentro do apartamento até que seu rosto entrou em meu campo de visão.
Fiquei instável, o rosto dele estava machucado, seu lábio inferior cortado e havia cortes fundos no seu supercílio. Meu peito subia e descia em descompasso, minha respiração tinha mudado seus termos e agora eu estava ofegante como se tivesse subido as escadas correndo. Observei todo o seu corpo, seus olhos negros me fitavam de forma convidativa mesmo com a cara toda ferrada, e ele ainda conseguia me transmitir algum tipo de segurança.
Fiquei imóvel, esperando que seu corpo fizesse algum movimento. Várias questões se passaram na minha cabeça naquele momento, até que ele chegou para trás e eu entendi que essa era a minha deixa. Precisava mover minhas pernas que estavam bambas, rezei silenciosamente para que não me fizessem vacilar até que estivesse completamente lá dentro.
Severo usava roupas tão despojadas quanto as que vestia quando acordei nos aposentos dele pela manhã, e não foi hospitaleiro em me receber com um sorriso. Tentei mais uma vez buscar vestígios no seu corpo que me influenciassem a finalmente perguntar o motivo dele estar tão machucado.
Passei os olhos atentamente pela cozinha, havia uma garrafa de vinho tinto pela metade, junto dela, três taças. Outra vez meu coração batia forte, ele recebera visitas antes de mim. Suspirei criando coragem para perguntar o que havia acontecido.
— O que aconteceu com você?
Ele estava de costas para mim, praticamente debruçado sobre a ilha e o escutei respirar fundo como se não quisesse conversar sobre aquilo, mas precisasse.
— Rompi com a Bettany.
Engoli em seco quando percebi seus ombros relaxarem, mas ele não se virou para mim.
— Não foi tão fácil quanto eu esperava. Ela trouxe o irmão junto e, bem, você já deve imaginar o restante da história.
— Você deixaria... — Mordi o lábio inferior enquanto colocava minha mochila no sofá — que eu fechasse os cortes? Aprendi alguns feitiços de cura e também posso ajudar limpando o sangue. — Finalizei esvaziando meu peito.
— Confio em você, Hermione.
Ele se virou para mim. Não esperava que ele viesse em minha direção, mas ele veio calmo e tranquilo, consegui respirar normalmente até ele parar na minha frente e beijar o canto da minha boca liberando um gemido baixo.
— Oi.
Se afastou para me olhar.
— Oi. — Sorri para contribuir em minha resposta.
Severo agarrou minha mão me puxando para o quarto, que era no último cômodo do corredor, entramos e me acomodei na cama confortável. Fiquei brincando com meus dedos enquanto ele foi ao banheiro, quando voltou, trazia uma compressa na mão e havia se livrado da sua camisa. Não conhecia o irmão de Bettany, mas pelo estrago ele não tinha levado muito bem o fim do relacionamento dos dois e também me perguntei porque ele tinha batido em Severo de forma trouxa. Bruxos costumam duelar, e eu sei que Severo é um excelente duelista. Queria dizer algo que o confortasse, mas saber que eles haviam rompido me confortava enfim, e não queria parecer egoísta reconhecendo apenas o meu sentimento, esquecendo o dele.
Pedi em um tom quase inaudível para que se sentasse, tirei minhas sapatilhas e subi na cama, ficando de lado, e ele virou o rosto para mim. Peguei a compressa, murmurei o Aguamenti para umedecê-la e lentamente a levei até seu lábio inchado. Seu corpo retesou quando o toquei, o vi fechar os olhos e respirar fundo como se estivesse se concentrando em afastar a pequena dor que viera para incomodar toda aquela região. Limpei todo o sangue e foi minha vez de respirar fundo. Apontei minha varinha para a região do supercílio, em uma atitude impulsiva, Severo agarrou meu pulso fazendo com que eu parasse. Seus olhos estavam cerrados com força enrugando a parte inferior daquela região.
— Desculpe, força do hábito. — Ele disse numa voz rouca.
Sorri tentando manter a calma tanto em mim quanto nele.
— Tudo bem.
Sussurrei o feitiço de cura e fechei os cortes do supercílio e do seu lábio.
— Sinto que estraguei o jantar, não consegui cozinhar nada.
— Podemos comprar algo. — Dei de ombros.
— Você gosta de suflê?
— Gosto.
— Vou enviar uma mensagem a Rosmerta e pedir que envie um para nós.
— Sinto muito pelo rompimento.
— Você sente?
O vi levantar a sobrancelha ironicamente. Óbvio que ele não acreditaria, já que o rompimento era algo que eu queria, pois me sentiria culpada e mal por ser a outra.
— Não exatamente. Mas sei que vocês tiveram uma história, embora eu me sinta melhor por não ter que... você sabe... ser a amante.
— Você é insegura, Hermione, e não quero que se seja. É importante para mim que saiba exatamente o que está fazendo. — Ele abaixou a mão da minha varinha e eu olhei para o chão. — Não rompi com Bettany apenas por ter beijado você, não seria um motivo forte o bastante. Eu não sentia mais se podia proporcionar a ela uma vida feliz, pois a estaria enganando. — Contraiu o maxilar e me senti desconfortável com seus olhos fixos em mim. — Você é o que quero agora.
Tinha que admitir, Severo Snape era a minha percepção trouxa de Lúcifer: belo e maldoso. Ele me maliciava com seus olhos e eu me sentia nocauteada a cada toque dele e esmagada pela tortura de nunca saber exatamente o que ele estava fazendo quando se tratava de mim. Mesmo assim, eu queria beijá-lo agora loucamente e não era apenas a minha cabeça que ordenava tal ato, mas todo meu corpo refletia isso.
Por impulso ou completo descontentamento de nossos corpos estarem tão separados, subi em seu colo ajustando minhas pernas na sua cintura e ele agarrou meu tronco com força, me puxando contra seu abdômen. A necessidade pairava na minha pele a ferro e fogo, meu coração batia disparado e meus olhos brilhavam em desejo. Nossas respirações estavam juntas em uma constante ligação de energia mágica, que eu mal conseguiria explicar, mesmo que fosse a melhor da turma de Aritmancia.
Selei nossos lábios com urgência, passando os dedos pela sua pele exposta. Não tinha certeza se os cortes recém fechados podiam reabrir, mas a necessidade de senti-lo só me fazia esquecer o quanto ele estava machucado ainda há pouco. Ele gemeu quando pressionei sua boca, um resmungo baixo de dor, mas não me afastou. Sua língua encontrou a minha, batalhando para manter mais espaço. Seu gemido escapou outra vez e dessa cortou o beijo, mas isso não levou muito tempo. Logo sua boca estava sobre a minha mais uma vez com mais urgência que anteriormente.
Suas mãos foram até meus cabelos, puxando-os em um rabo de cavalo e forçando minha cabeça para trás onde ganhou espaço, tempo suficiente para distribuir beijos quentes por toda a extensão do meu pescoço. Meus hormônios sensíveis de adolescente estavam dominando minhas atitudes um tanto quanto maliciosas e perigosas para a forma quente que estávamos desejando um ao outro.
Isso estava além de beijos e carícias, meu corpo exigia por mais e o dele também. Minha cintura se movia sobre a pressão do seu sexo, eu usava a saia do uniforme e isso facilitava a percepção de que ele já acordado debaixo de mim. Duvidava que eu conseguisse me concentrar em outra coisa além daquilo. Ele me agarrou com força soltando meus lábios e sorrindo em seguida.
— Você é deliciosa. — Falou afastando os fios do meu cabelo que cobriam a minha visão, e notei seu rosto satisfeito. — E eu acho melhor pararmos aqui, não quero perder a cabeça com você.
Sua pronúncia me fez lembrar o que Téo havia dito mais cedo, tinha certeza de que parte da minha expressão facial estava rodeada de uma incógnita, pois sua testa havia acabado de franzir rigorosamente.
— O que houve? — Ele desabotoou dois botões da minha camisa, apenas o suficiente para dar um acesso melhor a pele do meu ombro e depositou um beijo ali.
— Você acha que Téo estava certo? Eu realmente me entreguei a ele?
A tensão do seu corpo ficou evidente debaixo de mim e ele enlaçou minha cintura, me puxando mais contra seu corpo ereto. Meus olhos arderam, pois temia que eu pudesse ter feito alguma burrada na noite anterior. Apoiei minha cabeça no seu ombro tentando esconder a tristeza transposta. Mas ele me puxou me obrigando a olhar para seus olhos, sua testa continuava enrugada.
— Eu vou cuidar dele depois. — Ele depositou sua cabeça sobre meu ombro, sua respiração estava pesada e meu corpo completamente imóvel sobre o dele. Quanto mais o sentia, mais o queria, e quanto mais ele me abraçava mais eu me sentia protegida. — Prometa que nunca mais vai beber, não sem alguém de confiança do seu lado.
— Hum-hum. — Murmurei apertando seu pescoço.
— Estou falando sério, você sabe que posso obrigá-la a fazer um Voto Perpétuo, mas não chegarei a isso, se puder evitar, então prometa.
Afastei a cabeça para olhar em seus olhos.
— Eu prometo.
Ele assente e me arrasta de volta para a sala.
— Eu não vou te oferecer vinho. — Ele sorriu erguendo a garrafa que estava pelo meio. — Eu estaria me chamando de alguém confiável, o que não sou. Então, acho melhor não oferecer álcool a você. — Finalizou por si só, colocando a garrafa e as taças sujas dentro da pia.
Sorri para mim mesma me jogando no sofá de couro preto e puxando minhas pernas para cima do móvel confortável. Um silêncio irrompeu entre nós dois, surgindo de repente e trazendo um desconforto para ambos os lados. Conseguia ver de fora como Severo se esforçava para me fazer sentir confortável, mas mesmo assim, era como se apesar dos beijos e carícias maliciosas eu ainda não conseguisse acreditar e nem mesmo ficar à vontade com tudo. Por fim, achei que era só uma questão de tempo, não me sentiria mais desconfortável e acreditei religiosamente naquela hipótese.
Sua mistura de caos e pecado me contaminou, isso eu não poderia negar, eu estava tão imersa em meus sentimentos que mal reparei no verdadeiro problema. Nós nunca poderíamos ser um casal normal, andar de mãos dadas ou ter demonstrações de carinho em público, como meus pais por exemplo. Um suspiro de preocupação escapou pela minha garganta antes mesmo de eu me ordenar a permanecer calada, mas a inquietude e desconforto no meu peito não poderiam ser ignorados.
Escutei a voz de Severo reverberar quando invocou um Feitiço do Patrono e o enviou para o Três Vassouras com o pedido da nossa comida. No momento a fome era um dos nossos menores problemas, embora eu nunca me sentisse saciada e não sabia exatamente se era a puberdade.
O que me incomodava era saber se ele estava disposto a enfrentar meus medos, angústias e remorsos. Severo Snape era um homem independente, reservado e mais velho e eu nunca sabia o que esperar dele. Podia pensar que aquele conto de fadas se tornaria um breve romance que poderia contar aos meus filhos e talvez netos, mas eu não conseguia me adaptar com tudo aquilo. Eu era muito insegura.
Por que Sinistra podia entrar na sua sala sem autorização enquanto que eu precisei de uma senha? Eu não queria parecer uma ciumenta incontrolável nem mesmo me tornar possessiva e obcecada, mas aquilo havia me incomodado e mal tinha certeza se poderia falar sobre aquilo abertamente.
Seu corpo vagarosamente foi ocupando espaço ao meu lado até finalmente me puxar para mais perto, colocando minhas pernas no seu colo e mantendo minhas costas sobre o braço do sofá. Não me incomodei, entretanto. Por alguns segundos meus questionamentos confusos me deixaram em paz.
Ele acariciava toda a extensão da minha perna, seguida pela panturrilha subindo até minhas coxas e meus pelos já haviam se eriçado por cada toque dele no meu corpo.
— Tem alguma coisa em você. — Ele disse.
Eu o olhei e vi que ele não estava me observando, aliás, ele mantinha sua atenção toda voltada para a o céu lá fora. Arqueei uma sobrancelha em questionamento ao seu comentário que me deixou um tanto quanto curiosa.
— Não consigo manter meu corpo muito longe.
Respondeu meu questionamento silencioso e sorriu enquanto se abaixava um pouco beijando a parte superior do meu pé descalço. Sua trilha de beijos do peito dos meus pés passando pela minha panturrilha e subindo em direção a minha coxa, fez com que minhas costas se arqueassem instintivamente, não realmente negando ao seu toque, mas porque ninguém nunca havia me beijado tão intimamente e com tanta liberdade sem haver toda aquela formalidade do onde, quando e por que eu poderia ser beijada ali.
Eu gostava da sua astúcia, gostava daquela ousadia maliciosa. Não permitiria me arrepender, estava completamente sóbria enquanto seus lábios molhados passeavam pelas minhas pernas sem pedir sequer permissão. Fecho os olhos quando sinto o tecido da minha saia subir um pouco e a ponta dos seus dedos massagearem a lateral da minha coxa, fazendo um carinho leve e provocante que dificulta muito a minha concentração.
Ele se aproxima e beija meu ombro e meu pescoço.
— Você tem um cheiro muito bom.
Não digo uma palavra, mas um suspiro involuntário me escapa. Arrepios surgem no ponto em que seus lábios me tocaram, e quando ele acaricia de novo a minha coxa, uma onda de calor percorre minha pele.
— O que você está fazendo? — Murmuro.
Seus lábios brincam ao longo de meu pescoço.
— Tentando resistir. — Mordisca meu lóbulo. — Testando o limite que consigo chegar com você.
A excitação que começou fundo dentro de mim e se espalha, dançando por meu corpo e pinicando todas as zonas erógenas. Cada vez que seus lábios beijam um trecho novo de pele, estremeço. Quando sua língua brinca com minha mandíbula, viro o rosto, e nossas bocas se encontram no beijo mais quente que já trocamos. Adoro os beijos de Severo, eles não são desleixados, nem apressados, mas habilidosos, lentos e absolutamente incríveis. Seus lábios roçam os meus, vagarosos e provocantes, e a língua me penetra vez ou outra para uma inspeção fugaz, antes de sair sedutoramente. Deito a cabeça e aprofundo o beijo, então solto um gemido quando seu sabor invade minha língua.
Ouço um rugido masculino no fundo de sua garganta, e minha barriga se enrijece em resposta. Sua boca permanece presa à minha, à medida que me coloca de costas no sofá, deitando-se de lado junto a mim. A mão quente dele envolve meu seio sobre o tecido da minha camisa, e a onda de prazer me faz arquejar.
— Me avise se estiver indo rápido demais. — Sua voz grave ressoa em meus lábios, e sua língua me invade para reencontrar a minha.
Sinto-me inundada de sensações. Severo está me beijando, apertando meu seio, esfregando de leve o mamilo com o polegar, e tudo que está fazendo é tão gostoso que não sei em qual sensação me concentrar. Minha pulsação vai a mil quando ele desce a palma da mão entre nós. Ele hesita ao chegar aos botões da minha camisa, em seguida emite um som rouco e desliza os dedos, abrindo todos eles e eu paro de respirar.
— Quer que eu pare?
— Não. Continua.
Um gemido rouco sai de sua boca, e sua mão começa a se mexer de novo, pousando sobre minha barriga e em seguida abrindo minha blusa. Quando me convenço de que não há nada melhor no mundo do que a expressão de satisfação em seus olhos quando ele me olha em adoração. Então Severo prova que estou errada, movendo a pequena faixa de tecido do sutiã que cobre o meu mamilo e lambe a pontinha endurecida dele, ao mesmo tempo em que pega a minha mão e a leva direto para sua ereção. Acaricio, sem jeito, e ele deixa escapar um gemido baixo.
A língua dele enche minha boca enquanto sua ereção lateja na minha mão. Nunca havia me sentido tanto no controle ou tão desejada, porque sei que sou a responsável pelos sons roucos que ele está fazendo. Ele interrompe o beijo para mordiscar meu ombro, e controlar a própria respiração. A chama dentro de mim queima mais forte, tão perto de explodir que me faz gemer. Mas a excitação some quando abro os olhos e o vejo me observando.
— Sei que você está no clima, posso sentir. Mas preciso parar agora.
Minha frustração é tão grande que não consigo disfarçar. Abro a boca para reclamar, mas nesse exato instante um corvo dá batidinhas contra o vidro da porta de acesso a sacada e Severo se volta na direção dele, estreitando os olhos e adotando uma postura completamente hostil. Imediatamente eu fecho minha blusa e ele vai até a sacada atender o pássaro.
É estranho, pois ele parece conversar com o animal, mas como ele fechou a porta de vidro, não consigo ouvir se o animal responde à ele. Encolho meu ombro quando o ouço gritar. O vi nervoso mais cedo, mas suas palavras ásperas me fazem acreditar que o que eu tinha visto não era nada comparado àquilo que estava acontecendo a alguns passos de mim. Ajeitei-me no sofá, mantendo meu corpo ereto e os ombros rígidos, apenas esperando o momento em que ele voltasse. Fico tensa por estar escutando seus gritos e não saber exatamente com quem ele fala.
Decido que ficar nervosa com isso, só piora tudo e não me leva a nada, preciso enfrentar aquilo e conhecer esse seu lado que me assusta. Eu queria gostar de cada parte que o envolvesse. Ergo do sofá depois da briga interna com meu consciente teimoso, e me aproximo mais do vidro, respiro tranquilamente e fecho os olhos, tentando me concentrar em ouvir se o pássaro realmente respondia à ele, mas só consigo ouvir a voz de Severo.
— Eu não vou, não agora! — Esbravejou. — Eu preciso desse tempo e estou me sentindo muito bem em Hogwarts, eu não vou partir.
Meu coração bateu forte. Partir? Partir para onde? Seguiu-se um silêncio e me mantive também assim. Talvez eu estivesse ficando obcecada por querer saber o que ele escondia.
— Hogwarts não vai ser mais a mesma coisa. — Foi o que ele disse em um tom mais contido, menos nervoso e estava muito mais parecido com o Severo que eu conhecia. — Eu conheci uma garota. Outra garota, é claro!
Seu tom frio me causou náuseas. Outra garota? Quem era a primeira? Alguém além de Bettany? Um silêncio ensurdecedor veio em seguida, era como se o tal corvo estivesse lhe dando sermões, pois a única coisa que eu escutava em seguida eram murmúrios e logo eu percebi que os gritos voltariam para atormentar não só a mim, mas a ele também.
— Não vou discutir isso, estou acompanhado, não posso tratar desses assuntos aqui e agora.
Dei mais um passo em direção à sacada e fui parada pelo olhar repreensivo dele, mas a proximidade finalmente me fez escutar sussurros vindo da ave negra ao seu lado, que pararam imediatamente ao me verem e o corvo alçou vôo na noite. Suspirei quando o vi deslizar a porta de vidro que nos separava.
— A comida chegou. — Ele me segurou pela mão, puxando-me para a cozinha. — Desculpe a intromissão, assuntos de trabalho.
Ele me pareceu ter sido honesto na justificativa.
— Tenho que lhe deixar em sua Sala Comunal antes das dez. — Sorriu.
— Minerva não conversou sobre horários. — Me ajustei no banco alto da ilha e debrucei um pouco sobre o balcão, deixando meus cotovelos como apoio. — Mas tudo bem, você e seu… corvo, devem estar querendo tratar de assuntos importantes.
Estava irritada e ainda tentava desvendar o porquê. Era provável que por ter escutado sobre possíveis outras garotas. Meus ombros ficaram instantaneamente tensos ao observar a expressão de incógnita que os olhos dele me lançavam.
— Não é isso, é...
— Severo, eu entendi. — Cortei, antes que eu fosse obrigada a sair correndo, geralmente eu fugia de situações catastróficas e aquela me parecia uma grande bomba em minhas mãos. — E posso usar a lareira do hall para voltar, não precisa se preocupar.
Desci do banco apressada, precisava respirar um pouco, de ar puro com ele longe de mim e sua testa franzida em questionamento indicava totalmente o contrário
— Só espero não topar com a professora Sinistra, ela esteve no seu escritório mais cedo para buscar algo que deixou para ela.
Tentei parecer normal, mas falhei, minha respiração entrecortada me alertava uma crise de pânico chegando em breve. Precisava sair de perto dele. Comecei a andar em passos apressados em direção ao banheiro da mesma forma em que escutei seus passos pesados e seus pés descalços praticamente correndo atrás de mim.
Agarrei a maçaneta do banheiro empurrando a porta o mais rápido que consegui. Meus pulsos estavam trêmulos, aquilo era uma grande falha para mim, já que por pouco não teria conseguido fugir de suas garras. Bati a porta atrás de mim e passei a trava, em seguida. Severo bateu na porta com os punhos cerrados e deslizei por ela até sentir minhas nádegas encostarem-se ao chão. Não importei de estar gelado, só precisava de um momento, um breve momento para poder respirar. Ele tinha esse dom ou talvez essa maldição jogada sobre mim e toda vez que me sentia daquela forma a melhor maneira era fugir, me esconder e respirar até que pudesse encará-lo de novo.
Era sempre assim, eu já estava acostumada, mas não sabia exatamente o porquê, meu peito doía mais agora. Doía por ter certeza de que ele escondia alguma coisa extremamente sombria atrás de todo aquele olhar penetrante, e da sua voz suave que eu a ouvi em brados raivosos ainda agora.
Com um estouro estava em lágrimas e mal conseguia respirar, os gemidos que soltei pela garganta enquanto soluçava não estavam nos meus planos.
Eu realmente era uma criança doce e frágil que precisava de cuidados extremos, e se deixava abater por qualquer coisa e ninguém odiava esse sentimento mais do que eu. Minhas complexidades poderiam afastá-lo, minha falta de maturidade poderia fazer com que ele me abandonasse, mesmo estando há poucos dias — na verdade, um dia — com ele.
Notas Finais
Quero agradecer a minha velha amiga Clau Snape, que aceitou betar essa coisinha aqui e fazer com que a história fique mais deliciosa pra nós. Obrigada, Clau!
Só lembrando que a FIC, embora se passe em Hogwarts, é quase um universo alternatio e muitos dos eventos, e também dos personagens, serão retratados de maneira diferentes da história original. Obrigada pelos reviews carinhosos e até o próximo! Beijos.
