Notas do Autor

Todas as personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.


Capítulo 10


Estava remexendo no meu jantar na mesa da Grifinória quando Téo se lançou ao meu lado, me assustando.

— Abaffiato. — Téo sussurrou, olhando de soslaio para os alunos mais próximos de nós.

— Eles não ouviriam nada se falássemos baixo. — Eu disse inexpressivamente, ainda encarando minha salada.

— Então, sério, o que está pegando entre você e o professor Snape?

Não virei a cabeça para encará-lo, estava correndo grande risco de entregar as pontas. Dei um sorriso, esquadrinhando o ambiente com o canto do olho e o lábio inferior trêmulo, impondo força para que eu não chorasse.

— Não está pegando nada. Você ainda está insistindo nessa história, Téo? Já até me pediu desculpa por ela.

— Sábado passado eu estava em ronda e vi vocês chegarem no castelo muito mais tarde do que a hora do toque de recolher.

Pude observar pela minha visão periférica suas sobrancelhas castanhas se erguerem no automático. Não respondi nada.

— Vamos lá, Hermione, por que é que você estava com ele tão tarde e fora do castelo?

— Porque eu dei uma detenção a ela. — A professora Sinistra chegou junto de nós, com seu perfume adocicado deixando rastros. — Hoje tem uma reunião clichê para professores e membros acadêmicos, e você vai comigo Srta. Granger.

— Desculpe professora, mas se eu lembro bem, não sou nenhum membro acadêmico desse porte, então deve ter algum engano. Téo estava agora mesmo me chamando para irmos à biblioteca estudar e depois comemorar que eu tenho um emprego agora.

— Outro dia, quem sabe. Hoje você vai ser a representante dos alunos na reunião. — Ela disse completamente autoritária. — E o seu emprego, que todos os professores já estão cientes, é apenas na terça, e quinta, em um bar.

— É um bar com rapazes bonitos. — Ressaltei na intenção de fazer uma piada.

— Ah, muito engraçado, deixa só o nosso amigo escutar você dizendo isso.

Escutei o barulho de seus passos ao longe, me alertando sobre seu afastamento e virei para Téo, sussurrando um "não tem nosso amigo". Ele apenas deu de ombros e eu abandonei meu prato de comida e fui até a minha torre me trocar pois sabia que em uma briga de querer e poder com a professora Sinistra eu nunca sairia como vencedora.

Era embaraçoso estar em uma reunião onde só professores e pessoas relacionadas ao comitê acadêmico estariam presentes. Até que finalmente cheguei a terrível conclusão de que Severo era um deles, então isso se tornou bem mais do que embaraçoso, se tornou frustrante. Na minha concepção, quando você termina com alguém, evita todos os lugares possíveis que essa pessoa possa aparecer. Eu teria forjado uma dor de cabeça se tivesse notado isso antes. A verdade é que, com tudo, acabei esquecendo completamente que ele era presente na minha vida por um motivo e permaneceria nela pelo mesmo: ser meu professor.

Desci os degraus até a sala dos professores com a professora Sinistra no meu encalço. Ela estava garantindo, religiosamente, que eu não notasse a tortura que era estar ali. Estava cada vez mais difícil agir como se não conhecesse Severo atrás de máscaras e profissões, ele era o que era, e o que ele era para mim deveria ser algo a ser notado e não escondido sob nossa segurança e proteção.

Eu me senti estranhamente desarrumada quando atravessei o hall, observando os membros da docência perfeita de Hogwarts, todos de vestes bruxas e eu com meu uniforme padrão. Passeei com meus olhos pelos espaços, meu coração e consciência procuravam uma pessoa específica e, estranhamente, meus ombros relaxaram quando não o vi.

O professor Dumbledore estava deslumbrante em uma túnica cinza e o pescoço adornado com um cachecol roxo. Uma música clássica soava quase que inaudível por todo o ambiente salientado com os presentes, perfeitamente arrumados em roupas bruxas formais. Notei a ausência de alguns, mas acabei dispersando com a proximidade do diretor. Sorri amistosa quando ele me abraçou num gesto carinhoso e sufocante.

— Não sabia que você vinha, Srta. Granger, uma das nossas melhores alunas.

Comecei a me perguntar qual era o motivo da reunião improvisada, mas mordi o lábio e sussurrei um agradecimento educado enquanto caminhava para a ponta da sala. A luz estava baixa e a lareira acesa aquecendo nossos corpos. Agradeci mentalmente por isso, estava bem frio. Não tive a atenção voltada para mim, o que me foi bastante reconfortante, pois estava diante de todos os meus professores desde o primeiro ano de Hogwarts e aquilo me fazia ter uma sensação estranha, como se eu não pertencesse àquele mundo. Conhecia todos que estavam presentes, mas me sentia estranhamente deslocada.

O professor Dumbledore, que estava segurando uma taça de vinho dos elfos na mão, sorria ora para os professores, ora para mim. Tentei não estranhar seu ato, até me convencer de que ele era uma pessoa presente na minha vida, embora eu não tivesse nenhuma lembrança de que tivemos alguma relação interpessoal no passado.

Cada professor ali não pareceu notar minha presença, nem mesmo meu desconforto, o grupo estava ocupado discutindo melhorias para a prática pedagógica e eventos que poderiam beneficiar positivamente a escola, trazendo uma imagem maciça nestes tempos sombrios que pairava com a iminência da guerra contra Voldemort. Preferi não abrir a boca, não queria parecer inepta ou intrometida, acenava positivamente a cada pergunta que me era direcionada — mesmo que a minha opinião fosse vaga entre eles — e sorria sugestivamente quando a palavra era direcionada a mim por insistência política. Ora ou outra, devo admitir, olhava em direção a porta de entrada esperando ansiosamente que ele entrasse.

— Então, Srta. Granger, como andam as aulas com o professor Snape?

Minha atenção foi voltada rapidamente para o diretor.

— Ah, estão indo bem. — Mordi a língua e enchi meus pulmões com o máximo de ar que consegui inspirar. — Acho que minhas notas vão se erguer novamente. — Meu sorriso se ampliou.

Voltei a olhar para a entrada e Aurora Sinistra se inclinou na minha direção com um sorriso escancarado insinuando algo com os lábios e gesticulando fielmente para a porta lateral que separava a sala onde estávamos do jardim. Comecei a pesar os prós e contras; eu poderia atravessar aquela sala coberta de conversas chatas e para mim, desnecessárias, mesmo que fossem importantes. Prendi o lábio inferior entre meus dentes, os forçando para baixo até que sentisse o gosto de sangue pairar no céu da minha boca. Podia jurar que a professora de Astronomia achou graça ao notar meu lábio vermelho com um pequeno resquício de sangue misturado à saliva.

A bile me subiu à garganta quando olhei mais atentamente para o lado de fora, especificamente o jardim, notando pela fresta a figura masculina e aparentemente derrotada. A única coisa que o separava de mim agora era aquela maldita porta lateral. Sorrateiramente me arrastei em direção a ela sem que fosse muito notada, isso não seria difícil, compreendendo que não abri direito a boca desde que cheguei.

Arrastei a porta lentamente até que tivesse a visão de Severo e senti como se estivesse sob o efeito de algum alucinógeno. Ele estava visivelmente derrotado no quesito físico e palpável, seus olhos contornados de uma moleza e vi um copo grande de vidro com Firewhisky puro em excesso, e nenhum gelo no fundo. Severo o virava em goles extremos, depois se arrependia com o olhar carregado de melancolia. Em seguida, uma fumaça enevoada cobriu sua cabeça e tossi, fazendo com que ele despertasse de seu inebriante transe.

Quando seu olhar me encontrou fiquei na dúvida se seus olhos estavam vermelhos de tanto beber e fumar, ou se aquilo era resultado de uma tarde aos prantos. Optei pela primeira opção, por simplesmente não consegui acreditar que aquele homem pudesse ter sentimentos assim, tão aflorados.

— Um brinde — Ele ergueu o copo na minha direção. —, a todas as mulheres que quebram a merda do meu coração.

Notei que atrás dele a garrafa de Firewhisky, juntamente a papéis espalhados sobre um dos bancos de pedra do jardim.

— Você fuma?

Tentei não deixar minha voz sair frustrada depois de tossir sequencialmente. O cheiro do cigarro me fazia mal, sendo que já tive asma quando criança. Deixei aquele fato de lado para absorver nitidamente o que acontecia agora.

— Não.

Ele abanou o ar, na tentativa falha de se comprometer a afastar todo o enevoado que me incomodava. E tossiu, descontroladamente, até que voltasse a tomar mais um gole profundo de sua bebida.

— O que é isso saindo da sua boca?

— Fumaça?

Ele levou o cigarro entre os dedos até os lábios mais uma vez, ignorando completamente a minha presença. Fiquei ali em pé, observando seu corpo e seus atos, não queria sair de perto dele, mesmo que isso fosse tornar nosso segredo ainda mais evidente. Contorci-me toda para não me mover do meu lugar até seus braços, porque mesmo depois daquela merda completa, eu ainda queria beijá-lo e tocá-lo, para esquecer completamente que aqueles dias tinham sido terríveis e repleto de erros incontornáveis, que provavelmente destruíram parte de mim que acreditava no pouco do amor.

Depois de sua confissão, me sentia abalada, mas com força o bastante para recomeçar, porque depois da história terrível que Severo me contou, eu adoraria que eu e ele pudéssemos ter o nosso "começo" merecido, já que, de certa forma, tudo entre nós sempre fora complicado demais e destrutivo.

Minha garganta se fechou ao observá-lo encher o copo até a boca outra vez, mas até aí não havia notado a mancha vermelha na sua mão que continha o cigarro aceso. Franzi a testa e me aproximei lentamente, até que ele recuasse pelo menos dois passos para longe de mim.

— Me deixa ver a sua mão. — Ergui meu braço em sua direção e ele negou instintivamente com a cabeça. — Me deixa ver, Severo. Você é o adulto aqui, aja como tal.

— Não me toque. — Sussurrou ele, lançando o toco do cigarro em direção à grama.

O que diabos tinha acontecido com o sensato professor Snape naquela tarde?

— Eu só dei um soco na cara de um imbecil, e não, eu não me arrependo disso. — Ele me analisou em adoração e aproveitei a deixa para puxar brutalmente sua mão livre. Por que ele estava sempre machucado? Sempre! — Por favor, vamos para o nosso refúgio. Faça amor comigo, eu vou te amar tanto que você não vai conseguir me deixar.

A sua proposta me fez congelar sob os pés. Ele estava claramente bêbado demais para falar algo assim. Encarei-o de forma neutra, ele sabia que eu estava apaixonada por ele independente dos milhares de problemas que ele tinha ou pelas coisas idiotas que fez no passado.

— Você me ama? — Olhei no fundo dos seus olhos, esperando que a resposta fosse sim, mas sua mandíbula se contraiu. — Você pretende ter um futuro comigo?

Outra vez o silêncio foi carregado de uma tensão atmosférica. Seu olhar se tornou impassível, mas sua pupila dilatada mostrava que eu o havia enfurecido de forma que nunca havia antes. Talvez Severo Snape tivesse muito mais a mostrar do que realmente parecia e, provavelmente, tinha mais segredos guardados. Ele me encarava, mas não dizia uma palavra sequer. Seus lábios se abriram e fecharam seguidamente, mas nada saiu deles.

Em que posição devedora estava, se não em uma contradição mútua? Ambos queríamos ficar juntos, mas não podíamos e isso só tornou tudo mais devastador. Queria poder me tranquilizar com pensamentos positivos como, por exemplo, enxergar aqueles papéis e todo o álcool ingerido como uma forma de sofrimento destrambelhado, sem fundamento e não como se ele estivesse entregando os pontos, porque na verdade, ele estava.

Minha traqueia fechou no instante em que me dei conta de que estávamos mesmo terminando aquilo. Eu não queria isso, por Merlin, eu só o queria por perto sem mentiras e sem omissões, pois é o mínimo que um relacionamento precisa para dar certo. Queria poder apenas gritar bem alto que o nosso sentimento era verdadeiro.

— Eu fui lá porque Comensais da Morte atacaram o retiro.

Meu queixo intacto se tornou trêmulo, desceu alguns centímetros e meu coração deu pancadas contra meu peito.

— Ninguém sabe que ela está viva. E eu nunca consegui desfazer o elo mágico de casamento com ela. Nem nunca quis me casar oficialmente com Bettany, confesso, e me ache um canalha se quiser, na verdade eu acho que sou e mereço toda a sua reprovação. — Severo tornou a encher o copo com Firewhisky. — E ela foi atacada! — Coçou a sobrancelha, dando um gole longo da bebida, fazendo uma careta horrível após. — Ela podia ter morrido e nem faz ideia de que nós tivemos uma filha. Eu nunca falei com ninguém sobre isso, até confessar a você.

— Pode parar. — Sussurrei inquieta, andando de um lado para o outro, mas ele não atendeu ao meu pedido, bebeu outro gole longo e prosseguiu.

— Mas quando você me deu as costas naquela clareira, Srta. Granger, eu percebi que tudo bem se Lily me odiar por tê-la feito esquecer do nosso 'elo', mas o jeito como você me olhou... nunca mais me olhe daquele jeito. Eu não suporto a ideia de saber que você me odeia.

A porta lateral foi aberta escancaradamente, fechei os olhos amaldiçoando o indivíduo que havia interrompido.

— Tudo bem por aqui? — O diretor suspirou, encarando Severo e a garrafa vazia de Firewhisky. — Você tomou todo o meu whisky, Severo. Isso não está certo.

— Você já está bêbado de Hidromel, então está tudo certo.

Arregalei os olhos com a forma como Severo falou com o professor Dumbledore e mordi o lábio querendo retrucar.

— Onde eu estava com a cabeça quando deixei você escolher uma bebida da minha adega? — O professor Dumbledore coçou uma sobrancelha, pensativo, depois olhou severamente para mim. — O que vocês dois estavam fazendo aqui fora exatamente?

— A Srta. Granger já estava de saída. — Severo disse, juntando todos os papéis com um aceno da varinha, notavelmente ele aparentou ter voltado para seu habitat natural.

Suspirei, não tendo certeza de que estava satisfeita com o final da conversa. Cada momento que eu passava junto dele, algo novo aparecia fazendo com que nós voltássemos totalmente à estaca zero. Por mais que eu me esforçasse, ou ele se esforçasse, precisávamos ser bem mais sinceros com o que andávamos sendo.

Particularmente, ele sabia mais da minha vida do que eu esperava, quer dizer, ele tinha uma ficha completa da minha escolaridade, tudo que eu fiz ou deixei de fazer dentro de uma escola mágica desde que eu era uma criança. Era o suficiente para que ele tivesse conhecimento dos meus problemas emocionais, da minha alternância de humor e da complexidade dos meus ataques de pânico, principalmente meu problema asmático da infância.

— Estou liberado dessa reunião estúpida? — Severo jogou a cabeça para trás e voltou seus olhos para o diretor, pairando suavemente sobre ele.

Dumbledore apenas consentiu e eu fiquei ali, parada e perplexa, porque fui deixada para trás por ele mais uma vez.


Esperei com a professora Sinistra até que o último membro daquela reunião forçada fosse embora. Meus olhos pesavam enquanto eu estava sentada no sofá, apreciando o fogo que crepitava na lareira. Não consegui comer na mesa, mesmo com um banquete tão convidativo. Minha cabeça estava ocupada com o pensamento neutro em uma única pessoa: Severo Snape. Não o vi desde que ele saiu porta afora sem demonstrar sequer interesse na nossa situação. Para ele, eu acredito, já havíamos chegado ao tão famoso limite. Porém, pensar nisso fazia com que meu coração martelasse maçante contra o peito, fazendo parte de meu tórax vibrar em angústia. Não era a hora ainda para que tudo desmoronasse, eu não estava pronta. O que era completamente contraditório, visto que fui eu mesma quem resolveu pôr um fim no nosso conturbado envolvimento.

Minha professora de Astronomia pousou sua mão no meu ombro e finalmente dei algum sinal de vida, acenando positivamente com a cabeça.

— Parece que a conversa não foi muito boa. — Seu suspiro me fez entender que o real motivo de eu estar ali era justamente para me acertar com ele. — Não sei o que aconteceu entre vocês hoje, mas tente entender que um relacionamento baseado em mentiras e segredos nunca é tão real quanto deveria ser.

Movi minha cabeça, tentando assimilar sua insinuação.

— O que eu quero dizer é que vocês dois têm coisas entaladas demais na garganta e elas precisam sair antes que sufoquem.

— Eu não quero falar sobre isso.

Voltei a encarar o fogo, crepitando fortemente na lareira. Era engraçado como o fogo surgia sob um impulso: jogue algo inflamável e o deixe queimar.

— Entendo. — Ela se levantou languidamente. — O diretor está bêbado, caso seja do seu interesse e as proteções do quarto de Severo nas masmorras lhe reconhecem. Cubro você com a Minerva.

Observei-a caminhar em direção à saída e meu primeiro ato óbvio foi olhar ao meu redor. Estava oscilando, de novo, e era simples, eu só precisava levantar e ir para a Torre da Grifinória, onde era meu lugar. Mas por outro lado eu ansiava por vê-lo, suspirei pesadamente, frustrada pela minha decisão de bancar a arrependida. Saí pela porta lateral de acesso aos jardins e peguei o atalho de volta ao castelo que dava direto para o corredor das masmorras no subsolo.

Não aparentava estar com pressa, mas na verdade estava. Meu sentimento se tornou bifurcado, a dúvida corrompia qualquer clareza que eu tivesse até então. O querer e o poder lutavam bravamente, ambos querendo vencer. Encarei a porta dos aposentos dele e entrei sem cerimônia, não esperava que ele estivesse no ambiente, já que um barulho de água corrente vinha de algum lugar.

Notei claramente o cheiro de desespero impregnado em cada canto, aresta e vértice. A garrafa de Firewhisky totalmente vazia em cima da cama, e os mesmos papéis espalhados pelo chão deixando um rastro até o banheiro. Inspirei profundamente, mesmo com a mistura épica de cigarro e álcool, ainda assim era Severo Snape.

Tirei meu sapato com os calcanhares, puxei o uniforme pela cabeça lançando-o para trás junto a eles. Dei continuidade à trilha de papéis com minhas peças de roupa, incluindo minha saia, que foi a peça mais rápida a ser retirada. A porta do banheiro não estava completamente fechada, a fresta me deixava ver com nitidez mesmo com o vapor quente fazendo tudo se tornar um borrão. Eu só precisava vê-lo, e lá estava ele, com os olhos fechados, afundado em pensamentos sob a água quente, como se aquilo fosse purificar sua alma e seu coração.

Minha presença não precisava ser notada até que fosse o momento certo. Fechei a porta cautelosamente, me adaptando ao ar úmido e aquecido, senti meu corpo ser acolhido pelo vapor, se colidindo rapidamente com o ambiente.

A atitude de Hermione Granger naquela noite seria conhecida e famosa por ser leviana, por se entregar de corpo e alma ao seu professor que tinha idade para adotá-la. Estava quebrando todas as regras impostas, estava arriscando e nos colocando em situações de perigo. Mas quem se importa? Estava na chuva para molhar.

Levei a mão para minhas costas subindo até o fecho do sutiã e em um pequeno ato as alças pretas deslizaram pelo meu ombro, onde minha pele se encontrava úmida e um tanto quanto cheirosa pelo creme hidratante de mais cedo. Tratei de me livrar totalmente da calcinha, escorregando-a até os calcanhares e as jogando para o fundo do banheiro.

Severo estava despreocupado e apesar do banheiro ainda cheirar a álcool, ele não se parecia com alguém que tinha acabado de beber uma garrafa de Firewhisky inteira sozinho. Nem mesmo suas pernas vacilavam enquanto ele ensaboava o couro cabeludo e descia pelo abdômen lavando seu corpo apressadamente.

Cruzei o feitiço que continha a água restrita a área do banho languidamente sem querer que ele notasse minha presença ainda. Minhas bochechas púrpuras avisavam que eu estava cometendo um ato intrínseco, cheio de segundas intenções e permitindo que ele por si só tomasse isso como um sim precipitado, porém, eu estava ali e estava no lugar certo.

Um lado obsceno de mim dizia que eu tinha a noite inteira e um infinito para deixar que ele me partisse, que me deixasse quebrar e cair, mas acima de tudo tinha a oportunidade de olhar em seus olhos, mostrar o que eu ainda não tive coragem; eu por inteira, exposta, imposta, submissa e entregue. Ele finalmente me viu e parou, me questionando com um olhar em meio ao silêncio: o que eu fazia ali? Eu quero ser consumida. Quero fazer o que é errado. Quero me entregar ao pecado. Quero me entregar a você. Apenas aceite.

— O que você...

Sua frase foi interrompida quando entrei totalmente com as mãos caídas ao lado do corpo, respirando densamente. Minha mão formigava com a vontade sublime de me cobrir. Estava com vergonha e, ao mesmo tempo, excitada. O passo mais óbvio foi atender ao meu pedido interno. Ergui o antebraço direito na intenção de cobrir ao menos meus seios, sentindo seu olhar me intimidar, roubando toda a minha coragem, mas sua mão me parou em meio ao caminho e entrelaçou nossos dedos.

— Pare de se esconder de mim. Você veio até aqui, agora termine.

Ele era um baita de um cretino. Virou o dorso de minha mão e levou-a até seus lábios entreabertos, sugando a minha pele. Seus olhos estavam vermelhos da bebida e tentei contornar a situação com um sorriso simples.

— Desculpe — Arfei quando sua mão desceu pela minha costela, acariciando minha pele com precisão —, por ter julgado você sem saber de tudo.

Fechei os olhos quando ele puxou meu corpo no solavanco, sentindo sua ereção em prece pressionando minha barriga.

— Me responda uma coisa, Srta. Granger... — Ele beijou abaixo da minha orelha, seu hálito estava quente em uma mistura indelicada de álcool e cigarro.

— Hum-hum... — Murmurei abrindo a boca para expirar.

— Alguém já tocou você com tanta veneração como eu?

— Ninguém nunca tocou em mim. — Respondi.

Senti sua mão passear pela minha costela descendo até meu quadril e gentilmente apertando meu bumbum, fazendo com que eu me arqueasse e, mais uma vez, entrasse em combustão ao sentir seu membro roçando minha virilha. Mordi seu ombro quando meus seios se encostaram ao seu peitoral e foi a vez dele arfar.

Minha cabeça não estava onde deveria nem pretendia colocá-la. Estávamos no colégio, eu poderia ser expulsa, mas a única coisa que me importava era sentir o toque sedento de Severo sem ter o risco de interrupções.

Impulsionei meu corpo para cima buscando apoio em seus ombros, entrelacei minhas pernas na sua cintura e fui tomada por seus lábios repentinamente. Senti seu gosto de bebida e tabaco quando sua língua separou meus lábios, pedindo o espaço inusitado para minha boca. A pressão de seus lábios era suficiente para fazer uma onda de eletricidade se espalhar pelo meu corpo e me deixar querendo sempre mais. Minhas costas se chocaram contra a parede quando ele girou meu corpo junto ao seu e parou, separando nossas bocas e fixando seu olhar no meu.

— E por que não?

Engoli em seco tentando desvendar a resposta para sua pergunta. Naquela altura eu não lembrava nem do meu nome muito menos o motivo para nunca ter me entregue a ninguém.

— Porque eu só quero você. Eu só preciso de você. — Respondi sustentando seu olhar possessivo.

— Ótimo.

Ele sorriu, deixando uma mão livre e a subindo pelo meu pescoço, com a outra. Sustentava o peso do meu corpo em sua coxa. Severo fez um rabo de cavalo no emaranhado dos meus fios longos e grossos, puxando minha cabeça para o lado dando espaço completo no meu pescoço.

— Quando se trata de mim e de você, não existe mais ninguém. Entenda isso.

Fechei os olhos batendo com a cabeça contra o mármore da parede e deixando que seus beijos quentes trouxessem a mim a sensação de impotência. Sua barba por fazer raspava com aspereza em minha pele sensibilizada e a fazia arder. Sua firmeza com o corpo, sua mão que passeava por entre meus seios e os beijos eloquentes por toda a minha pele era consequentemente o "tesão reprimido" que eu sentia por ele há tempos.

Severo manteve a textura viril de seus lábios experientes me experimentando. Me sentia sortuda por ser a única a poder ter seu toque. Ele mordiscava deliberadamente cada parte que passava com a sua boca e eu gemia em resposta, cada vez mais alto e mais estridente. Abaixou minhas pernas, levando minhas mãos para o alto da cabeça e isso me fez pulsar em expectativa. A lentidão participava daquele momento, ele estava me prendendo, me deixando impotente e se divertindo com a minha submissão.

Inclinou sua cabeça em direção ao meu mamilo direito rijo e eriçado, esperando ansiosamente que fosse aquecido e tomado por sua boca. Severo o sugou em benevolência e deixou uma mão livre para que pudesse acariciar docilmente meu outro seio, cheio de fervor. Minha virilha tinha uma ardência fora do comum e meu quadril balançava em direção a seu pênis conforme ele me transmitia um êxtase incrível.

— Você é apressada, Srta. Granger. — Ele apertou meu seio entre os dentes e eu quis gritar. — E é delicioso saber que eu faço você ficar tão excitada, mas você precisa saber que eu odeio pressa.

Ele mordiscou o lóbulo da minha orelha e ergui o queixo respirando pesadamente. O ar tinha cheiro de excitação. Queria que ele ultrapassasse as barreiras sem impedimento, mas não estava nem um pouco a fim de relevar aquela sensação.

Uma de suas mãos ficou posicionada na minha cintura, enquanto a outra tomou partido de descer acariciando partes do meu corpo sem exaustão. A parte superior da minha virilha estava a poucos centímetros de ser alcançada por ele, e fechei os olhos sentindo vergonha. Pensei que até aquele instante minha timidez já tivesse tomado outra substância, mas ela ainda estava ali.

Severo, porém, pareceu ter ignorado completamente minhas bochechas rosadas, púrpuras de descontentamento por não me sentir boa o suficiente e pousou o indicador bem em cima do meu clitóris. Meus quadris se moveram involuntariamente como se eu tivesse sido atingida por um relâmpago. Carinhoso, mas com firmeza, seu dedo desenhou pequenos círculos em minha carne sensível.

Um gemido alto escapou de mim quando ele impôs mais força no toque e minhas pernas bambearam, a mão que ele mantinha apertada firmemente na minha cintura foi o que me manteve de pé. O ritmo de seu dedo aumentou de velocidade e abri os olhos por um instante, impulsionada pelo tremor do prazer que ele me causou. Seu olhar estava colado em mim, sustentando minhas expressões e mesmo eu sendo uma 'garotinha inexperiente' fui inundada pelo desejo de também tocá-lo.

Fui descendo minha mão pelo seu peito, até seu abdômen, seguindo as ordens do meu instinto que gritava: "Faça alguma coisa, Granger!". Toquei a parte superior de sua virilha, meus dedos se misturando a água que caía sobre nossos corpos e a reação dele a minha ação foi intensificar o olhar sobre mim e mordiscar o lábio inferior com um sorriso cafajeste de aprovação ao meu entusiasmo e ansiedade.

Minha mão se fechou ao redor de seu pau ereto e assisti enquanto ele se permitia deliciar com a sensação de ter minha mão em volta de si. Foi completamente recompensador ao meu ego, ver o espasmo de prazer que o alcançou quando deslizei meus dedos pelo seu comprimento, gesto que o fez perder o controle. Severo pousou sua cabeça no meu ombro, respirando fundo quando sua ereção latejou na minha mão. Nunca havia me sentido tanto no controle ou tão desejada, porque sei que sou a responsável pelos sons roucos que ele está fazendo.

Com o polegar acariciei sua glande e aumentei a velocidade do deslizar da mão, suas costas arquearam e ele interrompeu o deslizar do próprio dedo em mim e sua mão espalmada atingiu a parede bem ao lado da minha cabeça.

— Hermione, pare... — Severo disse num sussurro próximo a minha orelha. Mas quando ele falou pare, foi como se me pedisse desesperadamente para continuar.

Ignorei seu apelo e imprimi mais força no aperto ao seu membro, mas ele desceu sua mão até o meu pulso e o segurou no lugar.

— Você não quer fazer isso. — A voz dele saiu estranha, como se estivesse sufocando outro gemido.

— Não, você está errado. Quero sim. — Sussurrei para ele, que aumentou o aperto no meu pulso e o tirou facilmente de cima do seu pênis. Assim que minhas mãos ficaram livres, enterrei as duas com força no seu cabelo e o puxei para baixo. Eu não ia parar agora. — Pare de se fazer de difícil, Severo. — Eu disse antes de colar nossos lábios.

Minha boca se moveu ávida sobre a dele, e ele me beijou de volta, ansioso, passando os braços ao redor de mim e acariciando minhas costas enquanto nos beijávamos. Chupei com força a língua dele e lambi seu lábio inferior, antes de mordê-lo forte o suficiente para provocar um rosnado vindo da garganta dele.

— Hermione… — Ele murmurou contra meus lábios famintos. — Nós não podemos.

— Porque não Severo? — Sussurrei de volta, deslizando meus seios pela pele molhada do peito dele.

— Nós não podemos fazer isso. Não hoje. Nem aqui.

— Mas eu quero tanto você… — Murmurei para ele e o ouvi suspirar pesadamente quando alcancei sua orelha e brinquei com minha língua dentro dela.

Consegui perceber o esforço sobre humano dele para afastar seu corpo do meu, apenas uma de suas mãos se manteve sobre mim, tocando suavemente minha bochecha esquerda.

— Não podemos fazer isso. — Não consegui ver sua expressão quando ele me deu as costas e voltou para debaixo do chuveiro. — Vá para minha cama e me espere lá.

A tristeza se instalou em minha garganta, quebrando completamente o clima de minutos atrás. Queria nunca ter entrado neste quarto, nem neste banheiro e ter praticamente me jogado em cima dele. Peguei uma das toalhas pretas de um dos ganchos da parede e me enrolei nela, saindo do banheiro.

Lágrimas inundaram meus olhos quando cheguei ao quarto e vi minhas peças de roupas e meus sapatos largados no chão. Apanhei cada uma delas, mas quando pensei em vesti-los para ir embora, lembrei que minhas peças íntimas ainda estavam lá dentro do banheiro. Vasculhei o armário de Severo e apanhei uma camisa velha o bastante para me servir de pijama e passei-a pôr sobre a minha cabeça, antes de me jogar debaixo dos seus lençóis e me enrolar em posição fetal.

Não sei quanto tempo se passou, até ele sair do banheiro, apanhar uma peça no armário e se deitar ao meu lado, sem encostar em nenhum centímetro meu.

— Está tudo bem? — Ele me perguntou com uma voz rouca.

Tudo bem? Será que ele realmente pensa que interromper bruscamente um momento que eu espero minha vida inteira, deixaria 'tudo bem'? Não respondi nada e me mantive imóvel, de costas para ele. Um clima estranho e pesado encheu o ar entre nós, até que com um suspiro, ele finalmente se aproximou de mim, me puxando pela cintura até que nossos corpos estivessem colados um ao outro.

— Você é quem tem o controle de tudo agora, Hermione.

— O que isso quer dizer? — Franzi a testa, confusa por sua frase um tanto quanto absurda. Controle era algo que eu almejava para minha vida, mas estava claro que eu não tinha nenhuma das rédeas daquela situação.

Severo não me respondeu e as lágrimas que prendi quando ele praticamente me expulsou do banheiro, inundaram meus olhos. Assim que um soluço baixo se irrompeu da minha boca, tentei freneticamente me desvencilhar dele, mas seus braços me apertaram e uma das suas mãos se enredou pelo meu cabelo para trazer minha cabeça mais para perto enquanto a outra girou meu corpo, me forçando a ficar de frente para ele. Enterrei o rosto em seu pescoço, trêmula, enquanto as lágrimas deslizavam por meu rosto em ondas salgadas.

— Não chore. — Ele me pediu, mas não consegui parar.

Arquejei em busca de ar e estremeci em seus braços, enquanto ele acariciou meu cabelo e fez ruídos graves numa tentativa de me acalmar, mas que só me faz chorar ainda mais.

— Estou perdida.

Minha voz saiu abafada contra seu pescoço, mas ouvi sua resposta alta e clara:

— Você não está perdida, Hermione. Está completamente no controle.

— Então me prove isso. — Sussurro. — Por favor.

Ele ergueu minha cabeça com carinho e encontrei seu olhar. Tudo o que vi foi emoção e uma sinceridade reluzente, algo que jamais tinha visto naqueles olhos antes.

— Tudo bem. — Severo sussurrou de volta e deixou escapar um suspiro longo e instável. — Eu provo.

Demorei muito, muito tempo para dormir.


Joguei-me na cama assim que entrei em meu quarto desejando que hoje eu não tivesse aula para frequentar e, como se não bastasse, recebi uma mensagem por coruja logo pela manhã de Arya, a melhor amiga dos tempos de escola de Severo que provavelmente se tornaria minha inimiga pelos próximos dias até o aniversário dele. Tentei inutilmente encontrar alguma coisa nela que a fizesse minha aliada, mas, pelo pouco de conversa, ela não era uma pessoa de fácil convivência.

Saí mais cedo da Sala Comunal, e fui andando até o Salão Principal, minha mochila estava mais pesada que o normal, me fazendo chegar à conclusão de que eu precisava mesmo de uma boa noite de sono. Apesar de dormir com Severo ter sido algo incrível e acolhedor, depois que ele me acalmou, ele ainda se mexia demais enquanto dormia.

Procurei pelo meu galeão de comunicação no bolso do meu uniforme e com a ponta da varinha abri o contato dele sobre a face da moeda. Eu simplesmente já estava com saudade e suspirei só de perceber que aquilo era bem mais do que uma saudade, era uma necessidade corrompendo minha sanidade à sua dependência.

"Estou exausta."

Continuei caminhando pelos corredores e me dei conta que cheguei ao Saguão de Entrada. Os alunos que já tinham terminado o café da manhã estavam em uma completa algazarra, antes que o alarme soasse para que cada um se apressasse até sua sala de aula. Preferi sair do castelo e respirar um pouco do ar puro dos jardins.

Olhei para a cabana de Hagrid ao longe, uma fumaça branca saía de sua chaminé, ele estava em casa. Meu olhar recaiu sobre as estufas e vi uma figura esbelta e vestida de negro da cabeça aos pés, parado na porta da estufa três, Severo. Sorri internamente e fiquei parada, praticamente grudada às portas de entrada na esperança de que ele me visse, mas desisti assim que a professora Sinistra saiu de dentro da estufa, ajustando o próprio cabelo levemente desgrenhado e naturalmente o ciúme se tornou meu mantra. Meu coração acelerou o batimento, continuei ao longe observando a cena, até que ela fechasse os botões abertos da própria túnica. Aquele foi o momento certo para que eu me sentisse despedaçada. Não queria ser precipitada, não podia ser ou talvez eu simplesmente quisesse arrumar desculpas para o óbvio: Severo Snape era um verdadeiro mulherengo.

— Hermione? — Fechei os olhos com força travando a língua no céu da boca e me proibindo o descontrole. — Está tudo bem? — Virei rapidamente meu corpo para ver o outro homem que disputava o pódio da decepção em meu coração.

— O que está fazendo aqui? — Abri os olhos encarando os seus, mas algo ali travou meu maxilar rapidamente e a preocupação se tornou evidente. — O que aconteceu com você?

Puxei seu queixo com a ponta de meus dedos, observando mais de perto o roxo ao redor de seu olho. Rony havia levado um soco no olho e isso, definitivamente, nunca acontecia, ainda mais no mundo bruxo.

— Escute... Eu preciso falar com você. — Rony segurou meu pulso, puxando-me às pressas para longe das portas. — É sobre o Snape.

— É professor Snape, Rony. E o que foi? Foi ele quem te bateu? — Puxei meu braço não permitindo que ele me afastasse para mais longe dos degraus de entrada. — Escute, Rony, pare de supor coisas ruins sobre as pessoas. — Avisei batendo o pé com força. — Você foi embora de Hogwarts e das nossas vidas por causa de uma namorada idiota, isso é imperdoável. — Analisei melhor e nunca o vi tão mal, suas roupas estavam amarrotadas e seus olhos terrivelmente afundados em olheiras. — Você sequer tomou um banho hoje?

O vento que passou pelo meu corpo açoitou meu cabelo, o jogando para frente dos meus olhos, obrigando-me a prendê-los atrás da orelha.

— Hermione… Eu sei que tem algo acontecendo entre vocês... E quero que você se afaste dele.

Mordi a boca com força. Meus sentimentos estavam aguçados e incompreendidos. Não fazia ideia de como ele sabia e por que sabia.

— Eu ainda sou o seu melhor amigo e quero que faça o que eu digo.

— Você não tem posição nenhuma para me dar ordens! — Segurei a vontade de gritar com ele, agir como uma louca ainda não estava na minha lista de coisas a fazer antes de sair da escola. — Eu lhe disse que se você ia nos abandonar, era definitivo, então fique longe de mim de uma vez por todas.

— Eu sei que me disse pra ficar longe Hermione, mas eu amo você, é minha melhor amiga, é mais próxima de mim do que minha própria irmã. Tudo que eu quero é o seu bem. Por favor, se afaste do Snape.

— Não! Eu não vou me afastar dele porque você quer. Pela primeira vez na vida eu sinto que tenho o controle verdadeiramente de alguma coisa. — Menti e menti muito. — Eu posso controlar a minha vida, posso tomar as rédeas da situação sozinha, diferente de você, Rony, que precisou arranjar uma namorada para poder se livrar de nós!

Meu grito ecoou estridente pelos jardins do castelo e Rony olhou para os dois lados temendo que alguém estivesse a par da nossa discussão.

— Você nem o conhece! — Ele jogou os braços para cima tentando compreender o que meu sentimento queria dizer. — Não sabe quem ele é e nem do que é capaz. Ele é um Comensal da Morte, nunca vai ser a pessoa certa para você, Hermione. E ele é seu professor, isso é nojento!

— Seja ele quem for, ninguém nunca vai conseguir ser pior do que você. — Respirei, controlando a vontade implícita de chorar. — Você não pode vir até aqui e tentar me dizer o que pode ou não dar certo para mim. Eu gosto de como ele me trata e da pessoa que eu me torno quando estamos juntos. Você pode ter estragado a relação de amizade que tinha comigo, mas não vou deixar que faça o mesmo com qualquer outra relação que eu tenha.

As minhas palavras deterioraram Rony, percebi pelo seu olhar, mas, provavelmente, nada doeu mais do que sua mão pesada contra o meu rosto. A ardência que ela causou em mim nunca, nada sequer, vai chegar perto de conseguir causar. Rony tinha inteligência suficiente para saber que não me venceria em um duelo, então ele apelou para a violência que eu jamais esperava vinda dele. O fato de ele ter erguido a mão para mim e me acertado em cheio fez com que a última gota de respeito que tinha por ele se desperdiçasse rapidamente e ele percebeu isso. Acabou ali e, pelo meu pesar, ele entendeu isso, mas não deixou que sua posição de superioridade masculina se desestabilizasse da forma que havia feito com nossa amizade.

— Você tem uma semana para acabar com essa fantasia romântica e estúpida. Se não fizer isso vou contar aos seus pais o que está acontecendo e prestar queixa ao diretor e ao Ministério da Magia por abuso de poder. Eu acho que você conhece as consequências, inclusive, ele como bruxo e seu professor também está ciente do problema que vocês se meteram. Então, se você realmente gosta desse homem vai abandoná-lo para não ter que vê-lo condenado.

Rony seguiu pelos jardins assim que cuspiu essa ameaça para mim e eu chorei por minutos, antes de me recuperar e me obrigar a entrar no castelo de novo. Estava atrasada. Muito atrasada, porém, depois de todo o ocorrido, não lembrei que devia estar preocupada se levaria uma bronca. Agarrei a mochila contra meu peito, abraçando-a como se fosse um corpo com vida e calor. Toda a tensão deixou meus membros doloridos, pensando que tudo aquilo não poderia estar acontecendo comigo, mas, infelizmente, repetir isso não faria com que tudo melhorasse nem que o problema fosse resolvido.

Precisava tomar uma decisão e terminar, de novo, com Severo não era uma opção. A imagem da professora Sinistra saindo desmantelada da estufa ainda corria pela minha mente, mas, por um verdadeiro milagre, eu não estava ansiosa desta vez para descobrir qual a desculpa que Severo usaria para justificar a cena. Decidi que eu seria mais madura e adulta chegando à conclusão de que eu até poderia me desesperar e achar que não tinha mais solução, mas isso só me levaria direto para o caos. Precisava me manter firme, forte e controlada.

Meus olhos estavam tendo destaque maior no momento, por ter chorado bastante e provavelmente minha maçã direita ainda estava vermelha por ter levado uma bofetada na pele sensível. Não tentei, em hipótese alguma, encontrar desculpas para Rony. Prometi que esqueceria este acontecimento, não porque não estivera magoada o bastante, mas porque Rony Weasley não era mais merecedor de nenhum dos meus sentimentos, bons ou ruins.

Parei em frente a sala de aula de Defesa Contra as Artes, notando que estava atrasada vinte minutos, mas me tranquilizei, murmurando para mim mesma que o professor Snape não teria coragem de me punir pelo atraso. Sermos um casal fora da escola podia me colocar em uma posição que me davam privilégios que, com toda certeza, outros alunos não teriam.

Respirei fundo adentrando na sala com um pedido de licença sussurrado, não esperei sua resposta, apenas caminhei pelo corredor à procura de um lugar para me sentar. Téo sorriu para mim quando ergui a cabeça, e retribuí sem tentar refrear a sensação de familiaridade. Aquilo aconteceu normal, não tive intenção nenhuma de provocar ciúmes, mas certamente que Severo não viu assim, porque antes que eu pudesse conseguir chegar à carteira, que era ao lado de Harry, sua voz rouca e intimidante reverberou pela sala.

— Srta. Granger, vinte minutos de atraso. — Ele repreendeu e, claro, lá se foi por água abaixo meus privilégios ilusórios. — O que aconteceu?

A pergunta soou mais como pessoal, estava perguntando diretamente para mim, exigindo com os olhos que eu lhe contasse a verdade. Pura e crua verdade, na frente de todos, para obviamente ser humilhada na frente dos meus colegas. Rodei nos calcanhares, ficando de frente para ele e notei sua posição autoritária. Ombros erguidos sem nenhum arrependimento, peito estufado como um homem das cavernas e varinha na mão.

— Ah, eu acabei caindo acidentalmente nas escadas de entrada. — Apertei a mochila contra o peito quando vi seu maxilar travar em descontentamento. — Me distraí com uma cena que vi, senhor.

— Viu porque claramente não deveria estar lá, Srta. Granger, já que é proibido que os alunos fiquem perambulando por aí, principalmente nos jardins.

Olhei para os meus colegas de classe, perplexa pela forma como todos eles me olhavam. Ficou óbvio demais que estava acontecendo alguma coisa entre nós.

— Suspensão, Srta. Granger. Pelas próximas duas aulas.

Canalha! Uma suspensão no meu histórico para suprir o seu grande ego.

— Ótimo! Tudo que eu precisava era uma folga disso aqui. — Soltei irritada e atônita com o jeito que aquela conversa havia terminado.

— Serão quatro aulas agora, pela sua insolência. E vinte pontos serão tirados da Grifinória.

Fui até a sua mesa, peguei o pergaminho que me mantinha em suspensão pelas próximas aulas, e saí pisando duro pela sala e orgulhosa por ter sido rebelde. Mas quando abandonei a sala meu mundo voltou a desmoronar. O ar estava intoxicado com um extrato desconhecido por mim, mas sabia que ele me fazia ficar completamente sem ar. Minhas ações se tornaram asmáticas demais para que eu conseguisse sequer tentar controlar o choro que era, de longe, o mais silencioso que consegui. Eu não chorava só por mim e Severo, mas por Rony também, por mais que eu quisesse negar.

Ofeguei enquanto caminhava até a sala da professora Minerva, na esperança de que ela tivesse lencinhos com cheiro de morango, como minha mãe tinha. Atravessei a porta da sala da minha diretora de Casa e Minerva estava atrás de sua mesa, com os seus óculos de armação escura escorregando pela ponte do nariz.

Não fazia ideia de como era ficar em suspensão de aulas, levando em consideração que eu nunca recebi uma. As únicas vezes que estive perto daquela sala, foram nas que fui convocada pela professora por me envolver em algo perigoso com Harry e Rony ou para a professora Minerva me passar alguma orientação sobre a monitoria.

— Oi, querida, não deveria estar em aula? — Funguei exageradamente e isso fez com que ela notasse melhor minha presença. — Srta. Granger, você está chorando? O que aconteceu?

Estendi o pergaminho escrito "suspensão" e entreguei para ela. Me afundei na cadeira em frente a sua mesa e deixei que as lágrimas limpassem tudo. Não estava sendo dramática demais, eu acho. Merecia pôr para fora tudo que Rony me obrigou a guardar. Estava prestes a explodir.

Claro que para a professora Minerva o motivo do meu choro era apenas a suspensão. Uma aluna exemplar como eu não aguentaria ser suspensa das aulas. Ela claramente lembra do bicho papão dos meus N.O.M.s. Minerva acariciou minha cabeça, afagando carinhosamente meus cabelos revoltos e eu funguei outra vez, enxugando a ponta do nariz com a manga do meu uniforme.

— Não se preocupe, querida. Você vai recuperar facilmente os assuntos das aulas que perder. — Disse ela com serenidade e eu acreditava que iria.

Não sei por quanto tempo eu estava ali, na companhia tranquilizadora da minha diretora de Casa quando uma batida na porta chamou nossa atenção e a professora murmurou um 'entre'. A porta rangeu ao nosso lado e Severo deslizou para junto de nós.

— Alvo precisa de você na sala dele, Minerva, eu fico, pode ir.

A professora Minerva não o questionou, não era segredo para ninguém que Severo era o terceiro em autoridade na escola, na falta do professor Dumbledore e da professora Minerva, ele mandava. Ainda assim, ela me olhou como se estivesse se desculpando por me deixar na companhia da pessoa responsável por manchar meu histórico escolar impecável.

— Uma folga? — Disse ele depois que ouviu a porta bater, tendo consciência de que estávamos sozinhos. — É isso que você quer? Uma folga? — Acho que ele estava cego pela raiva, tomado da inacreditável sensação que eu o fiz sentir. — Fale comigo!

Ele chutou o pé da mesa com força e me levantei com um ímpeto da cadeira, assustando-me com seu ato violento.

— Desculpe. — Grunhiu se afastando um pouco, talvez o suficiente para recuperar o próprio controle e para que eu conseguisse me sentir segura em sua presença. Foi só então que ele percebeu que eu estava chorando e seu rosto suavizou a expressão e seus ombros caíram de repente, como se a realidade o tivesse atingido.

— Por que o Rony sabe sobre nós? — Severo desviou os olhos, e tirei minhas conclusões. — Por que você fez isso? Você bateu nele como um trouxa? Por isso sua mão estava sangrando ontem? — Engoli em seco, mas não consegui reprimir a minha raiva por me preocupar que alguém mais soubesse sobre nós. — Eu não sei o que você pensa que está fazendo, mas pare, pare agora.

— Ele abandonou você. Vocês. — Ele respondeu, se referindo a mim e a Harry.

— Você não pode socar a cara das pessoas que me ferem. Você devia saber disso, já que é o adulto dessa relação, que para ser bem sincera, nem eu sei que tipo de relação é. E se temos alguma, já ganhei de presente chifres! Obrigada por isso.

— Do que você está falando, sua insolente? — Começou a andar de um lado para o outro, nós nem tínhamos discutido sobre tudo e ele já estava exausto da conversa. — Eu vou te proteger, você querendo ou não, Hermione, apenas supere isso.

— Me proteger do quê? Do Rony? — Andei atrás dele quando ele decidiu inocentemente ir mais para o fundo da sala, entre as prateleiras de livros.

— De mim, para te proteger de mim. — Ele bateu no próprio peito, virando seu corpo na minha direção.

— Você queria que ele soubesse sobre a gente? Fez isso de propósito? Contou para ele sobre nós? — A sensação da verdade se tornou torturante, a força da minha voz me abandonou ao baque com a realidade. — Você fez isso só para me afastar? Eu estou apaixonada por você, Severo, nada vai mudar isso. Tente o quanto quiser, diga o que quiser, aja feito um canalha, saia com outras mulheres, me conte a verdade, seja um Comensal da Morte, seja o que você quiser, seja quem você for, eu ainda vou continuar apaixonada por você. O que não quer dizer que eu precise aguentar tudo isso, porque eu não vou!

— Eu também estou. — Ele rosnou, socando a estante ao lado.

— O quê? — Minha voz saiu fraca e estranha.

— E isso não é algo que eu pretendia. Aconteceu rápido demais e foi por isso que eu disse que é você quem está no controle. Eu não saí com a Sinistra, Sam está na cidade e eles trepam na estufa três desde que eram estudantes.

Nossas respirações estavam entrecortadas, fazendo uma sonoridade em compasso, o silêncio se instalou e minha espinha estava congelada desde que ouvi a frase: Eu também estou. Eu havia engolido algo tóxico, pelo menos era essa a sensação que meu corpo ressaltou. Meu estômago embrulhou diversas vezes enquanto trocamos olhares impassíveis, tentando compreender o que aconteceu ali e eu estava eufórica demais para raciocinar. Estava totalmente trêmula com suas palavras, é verdade.

Porém, ainda estava tentando me decidir se era uma frase confiável. Eu disse "eu estou apaixonada por você", ele disse "eu também estou" de volta e ambos estávamos perdidos em tanto sentimento catastrófico. Então era isso?

— Você me deixa apavorado. — Ele desviou o olhar e percebi que ele olhava para tudo, menos para mim. — Diga alguma coisa.

— Eu... — Mordi o lábio me amaldiçoando por estar ali parada e perplexa, era como se eu soubesse que ele também ser apaixonado por mim fosse uma loucura trivial. Ele não podia estar falando sério. — Eu sou completamente apaixonada por você.

Repeti minha afirmação na expectativa de que ele confirmasse, mas ele apenas sorriu acenando positivamente com a cabeça. Acho que ele entendeu exatamente o meu recado subentendido.

— Vem cá. — Abriu os braços me chamando para um abraço de reconciliação e meu corpo, automaticamente, se arrastou até ele, acolhendo-me no seu calor.

Estava longe de descobrir o quanto essa paixão dele era profunda, mas no acolhimento de seu aconchego e, observando a sala repleta de silêncio e solidão, cheguei à conclusão de que precisava dele ao meu lado. Era consciente que estávamos cometendo vários erros no decorrer desse relacionamento desvirtuado, mas estaria mentindo se dissesse que não me sentia viva cada vez que ele me tocava, exatamente como estava fazendo agora. Deitei a cabeça em seu peito, criando sustento entre seu corpo e o meu, seu coração batia freneticamente contra minha orelha e percebi que eu adorava aquela intimidade.

Parecia até que seus erros do passado se tornaram certos, simplesmente porque todos eles o levaram até ali, para mim. Só para mim. Misterioso, pecador, criminoso, arrogante e totalmente errado.

Minha respiração colidiu com a sua quando ergui a cabeça na tentativa inofensiva de alcançar sua boca que estava gentilmente clamando pela minha. Entreaberta, com a respiração ofegante, quase que completamente perdida em meio a tanta devoção. Severo estava me encarando, talvez ele tivesse enxergado nos meus olhos como estava ansiosa para tê-lo só para mim.

Tê-lo inteiro e completamente só para mim. Meu consciente me repreendia abrupto, como se ter fantasias eróticas sem nunca ter transado na vida fosse algo ruim. Para minha sorte não era, eu tinha esse direito, como qualquer outra pessoa parcialmente derrotada aos encantos de um professor. E por ter 'caído nos encantos dele' eu havia sido abençoada pela sua língua mágica e tive minhas melhores primeiras experiências, me sentindo mais desejada por ele do que já fui um dia. E duvidava que fosse outra vez.

Severo acariciou meu lábio inferior com seu polegar e beijou minha testa. Beijo na testa era sinônimo de respeito, e essa teoria se provava cada vez mais verdadeira, principalmente quando se tratava de nós.

— Você sabe que não poderíamos ter ido até o fim ontem aqui dentro do castelo, não sabe?

— Sei.

— Você é proibida para mim. Mas eu sempre protegerei você, até de mim mesmo.

Dizer que eu fiquei excitada só de escutá-lo sussurrar isso abaixo da minha orelha não seria suficiente para explicar o que eu senti naquele instante. Era uma sensação de dominação obsessiva sobre outro corpo. Ah, Severo Snape, você ainda será muito meu. Afastando seus ombros, me soltei dele, mantendo uma distância segura que não fizesse eu me arrepender de estar longe dele.

— Mas o que vamos fazer a respeito do Rony?

Seu corpo ficou tenso, dava para ver em seus olhos que se eu não fosse tão importante para ele, pularia fora.

— Eu cuido do Weasley. — Ele se aproximou novamente de mim e agarrou a parte de trás do meu cabelo, puxando meu rosto em direção a sua boca e a pousando sobre a minha num claro ato para me manter com a boca fechada, mas falar com Rony não era uma boa ideia, levando em conta que na última conversa que eles tiveram o ruivo ganhou um olho roxo e Severo uma mão toda arrebentada.

— De jeito nenhum. — Me afastei, no intuito de continuar aquela discussão que não era prazerosa, no entanto, necessária. — Vocês vão brigar outra vez e não faz o menor sentido você se envolver em briga com um adolescente. Só vai conseguir arrumar problemas para si próprio. Por favor, chega.

— Eu não atraio problemas.

Não estava surpresa com a sua confiança, era óbvio que Severo confiava que era inalcançável, mas eu me preocupava por ele. Falar com Rony não era uma opção, até porque duvidava muito que ele mudaria de ideia quanto a ferrar com a vida de Severo. E eu não queria ter duas pessoas que eu amo brigando pelo meu bem-estar, não era um desejo de presente saudável e futuro certo. Apesar do erro grotesco de Rony, ele estava certo, eu era sua melhor amiga e, por algum motivo, meu continuava o aceitando como tal e amando-o com todo meu coração. Dpois que ele partiu, demorei pouco mais que alguns dias para perceber que ainda o considerava meu melhor amigo. Negava-me a perdoá-lo, pois eu e Harry não merecíamos o seu abandono e uma desculpa não bastaria para que tudo fosse esquecido.

Quanto à Severo, embora ele fosse um homem absurdamente reservado, eu desconfiava que ele era o maior comprador de brigas de todo o século. Seu olhar sarcástico, a mandíbula sempre contraída e seu porte imponente entregavam todo o seu verdadeiro anseio: duelo. Mas, por outro lado, Severo Snape suportou coisas que eu jamais imaginei suportar, tampouco me imaginei em tal situação, então era claro para mim que ele agia dessa forma por já ter vivido coisas que pessoas como eu, ou qualquer outra não conseguiria conviver.

— Não quero arriscar te perder. Para ser bem sincera, não quero arriscar perder nenhum dos dois. — Suspirei liberando a verdade maltratada que me comichava, admitir isso em voz alta era pior do que no meu consciente, como se eu já estivesse pronta para perdoá-lo. — Eu sei que o Rony faz muita merda, mas não é como se eu quisesse que ele fosse preso por te atacar, muito menos que você volte ferido e arrisque ser preso por mim.

Literalmente não esperava a reação a seguir, mas foi a que recebi: um balde congelante de gargalhada que me contagiariam se eu não estivesse tão perplexa.

— Weasley não conseguiria me deixar ferido nem se quisesse, pode acreditar quando eu digo que sei proteger algo. Quero proteger você e também estar com você, mesmo que isso custe te tirar dele. E, definitivamente, eu não vou para Azkaban. — Severo me encarou e, por incrível que pareça, eu estava confiando no seu ar de superioridade. — Você deveria estar preocupada em passar um dia todo com a louca da Arya. Sei que vai comprar presentes com ela. Todo ano ela e Alvo fazem isso, tentam me fazer uma surpresa ou coisa do tipo, nunca funciona, eu não vou ficar surpreso.

— Você deveria tentar. Dá muito trabalho preparar uma festa surpresa, seja gentil e legal e faça cara de espanto. — O repreendi sem arrependimento e beijei seu queixo quando percebi como ele estava entediado dessa conversa. — Prometo que, dessa vez, vai valer a pena, juro que você vai querer comemorar o seu aniversário todos os dias. — Subi com a língua docemente por sua mandíbula, pude sentir como ela tensionou quando suspirei ao pé do seu ouvido. — A melhor noite, para nós dois.

— O que está fazendo sua grifinória maluca? — Ele inspirou, principalmente quando soterrei minhas duas mãos em suas costas, deslizando-as para cima e para baixo. Queria sentir sua pele desde o momento em que ele entrou nessa sala.

— Sendo corajosa, é o lema da minha casa… — Beijei seu pescoço.

— Acho que se você não merecesse uma noite realmente bonita, eu te jogaria agora na mesa da sua diretora de Casa. — Minhas bochechas ficaram ruborizadas no mesmo instante. Ele nunca usava palavras instigantes dessa maneira, nem mesmo costumava falar coisas impróprias no meu ouvido. Eu gostei. — E saber que eu sou o primeiro homem a te tocar…

— O que você faria exatamente, professor? — Sussurrei.

— Você está me pedindo para falar sacanagens no seu ouvido, Srta. Granger? — Ele vincou a testa, realmente interessado na conversa.

Esperei por um instante me decidindo, eu realmente queria? Sim, você quer, sua louca, claro que quer.

Severo agarrou minha cintura com o olhar mais pervertido possível, me empurrando gentilmente para trás, mantendo nossos corpos fincados um ao outro. Talvez minhas pernas estivessem bambas o suficiente para ser desmoralizada ali mesmo, mas estava interessada em saber exatamente o que ele queria fazer. Meu traseiro encostou-se à borda da mesa, onde senti um arrepio correr pela minha espinha, uma reação normal quando ele me tocava. E naquele momento sua mão direita entrou debaixo do meu uniforme, passeando por minhas costas, com a mão livre, agarrou minha cintura e me virou de costas para ele brutalmente. Senti sua excitação encostando rudemente entre minhas pernas e fiquei sem fôlego, literalmente abalada. Ainda com as mãos em minhas costas, ele obrigou-me a inclinar, até ficar completamente curvada em direção à superfície plana da mesa, com o bumbum erguido.

— Não sou bom com palavras, acredite, mas sou bom em atitudes. E é exatamente assim que eu te quero para mim, quando chegar a hora.


Notas Finais

Beijos e até o próximo!