'Não é justo'. Muito engraçado Sanji dizer isso quando ele era o cara mais injusto do mundo. Estava fazendo Zoro praticamente babar em cima de si e quando percebeu fez questão de exibir e abusar daquela glande rosinha até injustamente escondê-la novamente.

Zoro estava absolutamente fodido. Estava se deixando exposto demais, vulnerável demais, entregue demais. Mas, ser racional não estava nos planos no momento. Não quando o barítono melodioso do loiro o fazia um pedido de forma tão convincente.

— Ok... — Ele respondeu, pegando o pulso do loiro e o afastando de si.

Era desnecessário começar se acariciando por fora quando já estava tão duro quanto se poderia estar, então decidiu ir logo ao ponto. Também não era tão delicado quanto o menor, nem tinha mãos tão finas, para tentar se tocar no aperto daquela cueca, então nem tentou se tocar por baixo da roupa. Cuidadosamente se despiu até metade do seu membro e começou a massageá-lo, sua mão se movimentando com grande facilidade graças à excitação pelo que havia acabado de assistir. Evitou se tocar em seu ritmo e velocidade habituais para se conter ao máximo, mas ainda assim estava com tesão demais e qualquer pequeno movimento já fazia com que quisesse ir mais rápido.

Diferentemente do amigo pervertido, Zoro mantinha seu olhar em qualquer coisa menos no garoto que estava ali. Sem contar que seria muito perigoso se estimular e olhar para Sanji nesse estado ao mesmo tempo.

O olhar obsceno de Sanji se tornara completamente surpreso ao ver que Zoro não tentou se esconder nem por um segundo. Ele mostrou, mesmo não completamente, o pênis molhado e completamente duro, ali ele soube o quão excitado o outro também estava. Só restava a pergunta de que se era por desejá-lo ou por reações normais do corpo humano. E a forma que ele começou a se tocar era linda, o membro dele era lindo e quando notou estava querendo-o dentro de sua boca... Dentro de sua bunda.

O pensamento o surpreendeu, fazendo-o piscar repetidas vezes. Nunca que aquilo passara por sua mente, nos vídeos sempre se imaginava no lugar do cara que comia e Zoro como o que dava, como o bom suposto hétero que era, mas vê-lo ali se tocando, fazendo aquela expressão, ofegante, suado e completamente sexy, abriu uma porta que ainda não fora explorada. Sanji também queria dar para o moreno. Muito.

Se envergonhou demasiado com aquilo. O membro pulsou em sua mão e ele o apertou como se dissesse para que ficasse quieto. Era muito vergonhoso e quis esconder seu rosto. Por mais lindo que fosse Zoro se tocando, ele não iria aguentar continuar com aqueles pensamentos impróprios. Não quando Zoro parecia tão entregue, não quando ele desejava tanto se entregar.

Sem pensar mais, ele tirou a mão de dentro da cueca e com as duas mãos puxou os shorts do outro para cima. Olhou nos olhos azuis que brilhavam de excitação e teve que desviar o rosto para não ser contagiado por aquilo.

— Sai daqui. — Ele mandou e antes que Zoro pudesse sequer pensar para sair, Sanji o jogou para fora do banheiro e trancou-se de volta lá dentro, sozinho. Imediatamente voltou com os movimentos ao tirar o órgão da cueca completamente, e agora sem a necessidade de se mostrar, apenas se masturbou com vontade, basicamente se esfolando e em segundos sentiu o orgasmo possuindo seu corpo e a ejaculação sujar seus dedos brancos. O gemido que escapou de seus lábios naquele momento tinha a clara entonação do início do nome do outro e teria finalizado o nome se não tivesse mordido a língua para evitar.

Zoro ouviu seu gemido quando estava saindo do banheiro. A explicação mais óbvia era que estava imaginando aquilo. Estava tão excitado e necessitado que estava imaginando seu nome na voz de Sanji. Bom, já estava fora se si o suficiente para ficar louco a ponto de se tocar na frente dele, então fazia sentido que estivesse ouvindo coisas também. Só podia ser isso. Porque não havia chance do loiro ter mesmo feito isso. Não quando ele havia acabado de expulsá-lo assim que começou a se tocar na frente do outro. Talvez antes tudo estivesse num nível aceitável e o loiro tivesse gostado de provocá-lo e observá-lo vulnerável, mas vê-lo se tocando tivesse ido longe demais. Talvez Sanji não conseguiria mais ficar excitado olhando aquilo e tivesse o expulsado para tentar pensar em mulheres peitudas e conseguir terminar o que estava fazendo. E pensar que Zoro quase confundiu interesse em si com a perversão de sempre do loiro.

Pensando bem, era até bom que ele tivesse o expulsado naquele exato momento. Estava a um segundo de gozar mesmo com poucos segundos de estímulo físico, e teria sido bem patético fazê-lo na frente do loiro.

Se sentou na arquibancada para tentar se acalmar um pouco enquanto assistia o jogo dos amigos sem prestar muita atenção e, antes que se desse conta, o sinal já havia tocado e era hora de ir para casa.

Quando Sanji saiu do banheiro, já com as mãos devidamente lavadas e as roupas ajustadas em seu corpo, notou que Zoro não estava mais lá e havia fugido de si. Rezou para que o moreno não tivesse escutado seu gemido chamando por ele, que tivesse ido embora antes, ao mesmo tempo estava irritado por ser abandonado no meio da punheta. E pior, não ouvira nenhum ruído ou movimentação enquanto ainda estava trancado, com certeza o maldito sequer gozou. Aquilo o irritava, era suposto ele ensinar apenas, não ficar excitado pelo amigo se tocando a ponto de gozar com tanta facilidade. Sequer tivera tempo de estimular seus mamilos e mostrar para o outro o quanto aquilo era excitante.

Fez um biquinho manhoso durante o caminho que voltava para a aula de educação física, porém avistou Zoro na arquibancada e andou até ele. Quando estava próximo o sinal tocou e já era hora de irem embora e sua casa ficava depois da casa do moreno, então sempre voltavam juntos. Quando o alcançou, chutou sua perna e fez um gesto com a cabeça em direção a saída, indicando que era para irem embora logo.

Pelo marimo ter aceitado andar com ele, pensou que o acontecimento prévio não afetaria em nada na relação deles, o que era um alívio. A questão agora era apenas se Sanji conseguiria agir normalmente enquanto estavam juntos, porque não só vira a expressão de prazer desesperada de Zoro, como também se imaginou dando para ele, e as coisas mudavam muito. De todos seus pensamentos, em nenhum o moreno fazia expressões tão atraentes quanto as que ele lhe mostrara.

O loiro estava enlouquecendo por dentro, ele precisava saber se fora prazeroso para o outro também, precisava saber se havia desfrutado em ver seu corpo, se o desejava. Uma ereção não era o suficiente para provar alguma coisa, ele precisava de palavras, de ações. Então, como quem não queria nada, colocou as mãos atrás da nuca e enquanto caminhavam em silêncio de volta para casa, soltou do nada a pergunta tão íntima e pessoal.

— Você gosta de homens, Marimo?

Quando Sanji o chamou para voltar para casa, delicadamente o chutando na panturrilha, ele pensou por um momento que tudo estava de volta ao normal, e até se sentiu um pouco aliviado. Infelizmente, o alívio durou bem pouco, porque o loiro soltou a pergunta invasiva assim que estavam distantes o suficiente da escola para não serem ouvidos por alguém conhecido. Zoro já deveria esperar por isso, ele havia sido bastante óbvio mais cedo. O loiro com certeza percebeu fácil que ele estava gostando demais da "explicação" e a pergunta agora era provavelmente o loiro querendo tirar isso a prova.

Mesmo assim, Zoro preferiria desviar da pergunta se pudesse.

— Por que está perguntando isso do nada? — Zoro respondeu, torcendo para que ele apenas deixasse o assunto morrer e não insistisse em coisas que Zoro não sabia direito como explicar.

— Porque nós estamos sempre juntos e eu nem sei se você gosta mesmo de mulheres. — Sanji deu de ombros, parecia uma pergunta bem óbvia para ele e não desistiria, precisava tirar aquilo a limpo, pois seu corpo não poderia ter se sentido super desejado sozinho, não era possível que Zoro não gostasse de homens e olhasse para um com tanto tesão. Acabaria enlouquecendo se não descobrisse a verdade sobre o moreno.

— Sempre que alguém começa a falar de mulheres você fica emburrado, então acredito que não seja o maior fã delas... Estou errado? Você gosta de mulheres então? — Insistiu na pergunta, mesmo que tivesse mudado completamente o foco. Se ele não queria responder se gostava de homens, poderia responder se gostava de mulheres, e caso a resposta fosse não, automaticamente o contrário seria a verdade. Nem pensava que existiam pessoas que não gostavam de nada, ou de tudo, Sanji sequer sabia que isso existia ainda.

— Não. — Zoro respondeu ao amigo, estalando a língua. Era burro demais por ter pensado que o idiota iria desistir de um assunto uma vez que enfiasse isso na cabeça.

— Já devia saber disso. — Ele acrescentou, para deixar bem claro o quão inútil essa conversa era. Se seu desinteresse nelas estava tão claro assim, qual o ponto em perguntar? Zoro não entendia o porquê de tanta curiosidade. Além do mais, a dedução de Sanji estava um pouco equivocada. Mulheres e homens eram todos indiferentes para ele, não tinha nenhuma aversão nem atração em especial. As únicas ocasiões em que ficava emburrado quando o assunto era o sexo feminino era quando um certo cozinheiro pervertido começava a falar sobre mellorines. Não era ciúme, ou ao menos Zoro insistia para si mesmo que não.

Sanji sabia, mesmo assim se tranquilizou com a resposta. A confirmação de que Zoro não estava interessado em mulheres era um alívio. Então só restava uma opção. Zoro era gay, gostava de homens, havia uma pequena chance para Sanji. Tudo bem que havia o porém de serem melhores amigos e tudo mais, mas não desistiria. O amor que sentia pelo idiota era totalmente diferente do amor que já sentiu por qualquer uma das garotas que amava com todo seu amor. Era um amor de verdade que ele faria dar certo... Ao menos tentaria.

— E de homens? — O loiro repetiu a pergunta do nada, tentando pegá-lo distraído e ter sua resposta.

Não gostava de homens, gostava de um único homem, Sanji. Ao menos foi a única pessoa por quem jamais se atraiu na vida. Mas o que Zoro deveria dizer? Era uma resposta ridícula e não estava esperando ser pressionado no mesmo dia a demonstrar tantas coisas vergonhosas que deveriam ser segredo.

— Algo assim... — Foi a resposta de Zoro. Não era exatamente a melhor resposta, mas era a melhor que poderia dar. Aparentemente foi o suficiente porque o loiro se manteve calado pelo resto do caminho depois disso. Era bastante estranho na verdade. Até eles tinham seus momentos de silêncio de vez em quando, mas isso não se parecia em nada com um deles. O ar parecia pesado de coisas não ditas e Zoro tentava não pensar muito, apenas focar em andar, só queria chegar logo em casa.

Sanji estava sorrindo por dentro. Por pior que as respostas de Zoro pudessem ser, já estava acostumado. Aquela plantinha monossilábica era facilmente interpretada pelo loiro só de falar uma letra, ou pelo menos era isso que ele achava. Durante todo o resto do percurso continuou em silêncio, fazendo planos mirabolantes de como conquistar uma alga. E por mais que o clima parecesse estranho, o loiro sequer notara de tão radiante que estava. Os planos eram tão bem elaborados que até se esquecera que era suposto estarem conversando durante o percurso, mas quem se importava? Zoro gostava de homens! Sanji era um homem e gostava dele. Era uma lei da vida que eles ficassem juntos.

A angústia que até então sentia quando pensava que possivelmente o moreno na realidade gostava de mulheres havia sumido e sua vida pareceu se tornar a coisa mais simples do universo. Quando somava ele com Zoro, chegava ao resultado da perfeição, que não parecia tão distante de se concretizar. Talvez pudesse até ir para casa do moreno e passar a noite lá, para que continuassem de onde pararam na escola e consequentemente irem até outro nível. Entretanto, o pensamento sumiu ao pararem na frente da casa dele. Sanji não estava preparado para uma noite de amor! Ele era virgem por onde desejava receber o outro e sabia muito bem que os pornôs que assistia eram todos falsos e penetração anal não era nada fácil. Odiou-se por ainda ter uma parte de seu corpo intocada e se sentiu retardado por nunca ter pensado em penetrar seus dedos em si... Ou outra coisa mais fálica.

— Eu preciso ir! — Basicamente havia gritado com o moreno e no calor do momento acabou beijando a bochecha dele demoradamente. Ao notar a merda que fazia, virou-se e saiu correndo como se estivesse atrasado e com muita pressa para esperar alguma resposta do moreno que sem dúvidas havia ficado com a típica cara de mula dele. Teve que se segurar para não virar e olhar sua antinha preferida outra vez.