Capítulo 8: Atração

Itachi havia retornado a pouco, ele precisava de um tempo, Sakura estava atraída por ele e mesmo que negasse estava mexendo em emoções profundamente enterradas durante muitos anos, a qual ele não tinha intenção de sentir. Após o beijo que ele retribuiu de bom grado ele quase não conseguiu se conter, o que quer que fosse a vibração no peito o deixou perdido, sabia que era errado e por isso lutou para manter distância.

Dois dias fora foi o suficiente para afastá-la de seus pensamentos e executar o estranho sentimento, assim ele se sentia melhor, mas bastou um momento de sua ausência para a garota se envolver em confusão, aqui estava ela sentada a sua frente com um corte que manchava seu rosto em uma linha fina.

Ele a encarava seriamente, atento ao olhar zangado que ela demonstrava.

"Kisame exagerou, ela está presa afinal." Seu olhar foi direcionado ao tornozelo inchado.

Ela pôs-se de pé, mordeu o lábio fortemente com a dor que sentiu mas não vacilou, o silêncio perdurou uns minutos, Itachi gostou de ver seus olhos brilhando em raiva, ela parecia mais bonita.

— Você não come a dias Sakura, isso tudo é pra chamar minha atenção? Ele perguntou com cinismo.

— Eu tenho coisas melhores pra me preocupar que não seja comigo mesmo, como por exemplo seu líder estúpido atacando minha aldeia, meu povo! Ela gritou com raiva.

Itachi levantou a sobrancelha surpreso, pelo visto ela e Kisame tiveram pouco mais do que uma briga, ele acabou falando além do que devia.

— É tolice ter medo do que ainda está para ser visto e conhecido. Itachi afirmou.

Por incrível que pareça ela sentiu sinceridade em suas palavras, como se ele lhe desse consolo, talvez o homem peixe se precipitou? Ela suspirou, o que Kisame disse era inevitável mas estava distante de acontecer.

— Eu vim buscá-la para uma refeição. Ele viu como ela cruzou os braços e franziu o cenho.

— Agradeço mas não quero. Ela sabia que parecia uma criança fazendo birra mas não cederia facilmente depois de tudo.

— Com ciúmes? Itachi perguntou notando como ela apertou os punhos e suas pupilas dilataram.

— Como se eu me importasse se você tem vários pirralhos Uchiha de cabelo roxo por aí. Ela riu sem vontade e o olhou com raiva, estava furiosa.

— Preferia que fossem rosa? Ele mantinha um olhar divertido.

— O que? Não. Ela disse envergonhada, suas bochechas esquentaram em vermelho profundo, o Uchiha a estava provocando.

Ele se aproximou e ela se afastou com receio, a imagem dele com a Kunoichi estava vívida em sua memória, queria gritar para ele voltar pra ela e a deixar em paz mas engoliu.

— Pare Itachi. Ele a puxou com força pra perto dele, seus dedos tocaram o colar de metal e a corrente envolta em seu chakra se soltou.

— Venha e coma, ou eu mesmo me encarregarei de fazer isso a força. Ele viu a surpresa em seus olhos.

Ela sentiu o coração palpitar, ele a soltou? Olhou pra trás sem acreditar, mas em instantes a corrente reapareceu com Itachi segurando a ponta.

— Vamos. Ele seguiu em frente convencido de que ela o acompanharia.

Sakura estava fervendo, Itachi estava se divertindo com ela. "Ora seu..."

— Eu não sou seu pet de estimação. Ela disse com voz grave.

— Isso eu que decido. Seu tom deixava claro seu domínio.

Sakura apertou os punhos, se recusava a segui-lo como uma cadela obediente, ela sentiu que podia usar chakra e curou o tornozelo rapidamente. Em sua teimosia não deu um passo.

— Talvez eu deva lembrar o que aconteceu da primeira vez que me desafiou. Seu sharingan brilhou ameaçador.

— Não é necessário. Ela disse entre os dentes.

Ele andou e ela o seguiu, a humilhação conturbava seu ser, a mágoa e a raiva se remoíam dentro de si, ela queria matá-lo.

"Itachi tem prazer em me manter assim, presa a ele como sua cadela particular, eu o odeio mais do que tudo."

Seguiram sem protestos da parte dela, apesar de continuar presa a ele, foi um alívio pela primeira vez em mais de uma semana trancafiada poder andar um pouco, aproveitou cada minuto da caminhada pelo enorme corredor, havia tantas portas, ela se distraiu olhando ao redor e esbarrou nas costas de Itachi que havia parado.

Eles chegaram a uma varanda alta com grandes portas de vidro que estavam abertas, o lustre pendurado no teto iluminava o ambiente, ela podia ver claramente o jardim e a paisagem abaixo, o céu estava banhado em estrelas cintilantes e havia um tom vermelho no fundo. "Isso me lembra seus olhos."

A mesa estava posta com muitas variedades de comida, ela sentiu a boca formigar e seguindo Itachi sentou-se em poltronas acolchoadas.

Sakura sentiu o olhar dele sobre si quando prendeu a ponta da corrente na cadeira. "Não há maneira de fugir, ele me encontraria onde quer que fosse."

Eles comeram em silêncio, a comida estava saborosa, seu olhar foi direcionado a ele, que parecia saber o quanto ela queria o bombardear de perguntas.

— Itachi... Você vai cobrar o que acha que eu te devo? Ela perguntou em voz baixa.

— Por que acha que está aqui? Ele manejava os talheres graciosamente, não havia dúvidas de que ele vinha de família nobre.

— Isso é um erro, eu não devo a você. Ela estava nervosa com o olhar que ele mantinha.

— Você não sabe ainda, porque prefiro assim. Itachi gostava de estar no controle.

— O que você pretende? Sakura estava com o coração a mil.

— Cobrar o pagamento, da maneira que eu quiser. Sua voz grossa a intimidava.

Ela desviou o olhar em silêncio, louca de vontade de descobrir o motivo de sua suposta dívida, ela terminou a refeição e continuou sentada desfrutando a presença dele, a leve brisa da noite soprou suas mexas rosas suavemente e ela fechou os olhos. Algo ainda a perturbava e ela não se conteve em perguntar o que a estava incomodando.

— Porque trouxe aquela mulher aqui? Ela franziu o cenho.

Itachi levantou a sobrancelha por sua ousadia.

— Isso não lhe convém. Ele respondeu sério.

— Você fez de propósito, queria que eu soubesse. Ela ergueu o queixo.

— Sakura, não quero que pense nem por um segundo, que é especial pra mim.

Ela não o mostraria o quanto isso a afetou, sentia-se arrasada.

— Eu não ligo, mas será que ela sabe quão bem você me retribuiu a duas noites atrás? Ela disse alterada, morta de ciúme.

— Acha que eu me importo? Basta saber que está aqui e que é minha pelo tempo que eu determinar. Itachi disse com frieza.

— Sua? Eu não sou... Ele se levantou rapidamente e segurou Sakura pelo braço, sua pegada era firme.

— Sim, minha. Ele a fitou com o rosto colado ao seu.

Sakura sentiu borboletas no estômago com sua proximidade, era difícil lutar contra as emoções com ele a atingindo bem no ponto fraco.

— Não me negue quando seu corpo diz o contrário. Ele sussurrou próximo a sua orelha.

Ela sentiu a pele arrepiar e os mamilos enrijecerem, seu corpo a traía, ela o queria muito e isso estava abalando seu ser.

— Você quer me torturar, não é? Ela disse em voz baixa, seu corpo ardia, ansiava por seu toque.

— Hn.

Mas a raiva infiltrou-se dentro de Sakura, ela só conseguia pensar nos dois no jardim, se ele fez com a Kunoichi o mesmo que fazia com ela, enquanto ela se remoía passando noites sem dormir, isso a deu forças para não ceder.

— Fiquei sozinha por dois dias, quase enlouquecendo, enquanto você se diverte com outra, aí você vêm e se aproveita da minha fraqueza. Ela disse irritada.

— Está com tanto ciúmes assim? Seu leve sorriso cresceu e ela sentiu o coração derreter por um momento.

— Não estou com ciúmes! Ela gritou louca de raiva, não queria demonstrar o quanto se sentiu sozinha e abalada.

Ele tocou seu rosto seguindo o rastro da linha de sangue, seu dedo deslizou em sua pele suavemente e devagar, seus olhos se encontraram e a rosada prendeu o ar sem perceber.

— Fique tranquila Sakura, Konan não é minha mulher. Itachi viu o quanto ela tentou esconder as emoções, foi uma péssima tentativa pois seu olhar revelou muito.

Ela sentiu o alívio a inundar de uma maneira tremenda, soltou o ar que estava segurando e sentiu o pulso acelerar, fez o melhor para não demonstrar o quão feliz sentiu-se ao ouvir isso, um peso saiu de cima de si. "Eu sei o quanto isso é errado, mas estou sentindo por ele o que nunca senti por ninguém."

— Venha. Ele foi até a varanda e se recostou no muro rochoso, ela logo atrás, ficaram em silêncio observando o céu e as estrelas.

— Já faz um tempo... preciso checar seus olhos. Ela viu ele se virar e assentir.

— Aa. Itachi fechou os olhos.

Sakura começou a trabalhar nele, havia poucos danos desde a última sessão, ele estava praticamente curado.

— Bom, seus olhos estão perfeitos novamente, deve demorar a se deteriorar de novo mas não abuse. Ela disse suavemente.

Terminando ele abriu os olhos e observou a rosada, sem saber ela seguia fielmente o voto que havia sido feito por seus ancestrais, ele sentiu-se grato.

— Obrigado.

Sakura assentiu com a cabeça, ouvir gentilezas da parte dele era algo novo, às vezes ela sentia como se ele não fosse o inimigo, mesmo estando estampado que sim. "Eu me pergunto como seriam as coisas se fossem diferentes."

Enquanto isso, em um esconderijo subterrâneo o ar sombrio exalava das paredes por todo local, a mulher de cabelos vermelhos caminhava pela rota escura quando gritos foram ouvidos a uma certa distância, ela acelerou os passos se aproximando, abriu a porta lentamente e sentiu um frio na espinha com o que viu, fazia tempos que ele não enlouquecia assim. Havia uma pilha de corpos espalhados pelo chão, o cheiro de morte era terrível, seu olhar maligno era arrepiante, no centro da sala Sasuke Uchiha estava intocável, sem um pingo de sangue se quer, sua Kusanagi gotejava sem parar, ela paralisou assustada.

— Sas..Sasuke. Ela disse amedrontada.

— Karin, convoque os outros, é chegada a hora. Ele apareceu atrás dela em um segundo, de costas ele seguiu sem olhar para trás.

Sua vingança estava prestes a começar.