Nota: Primeiro quero me desculpar pelo atraso do capítulo, meu dog ficou doente e não tive cabeça pra me concentrar totalmente, peço desculpas caso não cumpra suas expectativas.
mathers.amanda: Obrigado por seu comentário, trouxe ânimo nesses dias sombrios, suas esperanças serão saciadas nesse capítulo!
Capítulo 32: Redenção
Sakura se mexeu, um pequeno som de dor escapou de seus lábios rachados enquanto lutava para chegar à superfície da consciência. Seus olhos se abriram lentamente tendo um vislumbre do pôr do sol no horizonte, manchando o céu em uma mistura de cores, era quase noite.
Ela se deparou com o amigo loiro caído a alguns metros de si, e correu ao seu alcance, Naruto e Sasuke estavam lado a lado, um tanto feridos. Ela caiu de joelhos até ele, aplicando ninjutsu médico em seu sistema.
Naruto tossiu e em seguida abriu um sorriso, virando a cabeça para olhá-la, seus olhos estampavam sua alegria, a maneira como se sentia ao trazer o velho amigo de volta pra casa. Ela suavizou o olhar, dando um breve sorriso, finalmente sua promessa chegara ao fim, assim como o fardo que acompanhava.
Sasuke observava a troca atento, franzindo as sobrancelhas escuras, depois de tudo que fez... Ele suspirou devagar, fixando o olhar em Sakura.
— Sakura... Seu tom firme verberou no ar.
— Cala-se, preciso me concentrar. Ela o cortou, a mágoa era evidente em sua voz.
— Me desculpe. Ele soou derrotado.
— Desculpar.. Pelo quê? Ela indagou fria.
— Por tudo que fiz. Seus olhos de ébano se demoraram nela.
— É bom mesmo. Ela o encarou de volta, seus olhos vazios de emoção.
— Então, ele finalmente voltou. A voz de Kakashi atraiu a atenção de todos.
Naruto abriu um sorriso amplo, sentando-se instantaneamente e começando o falatório. Sakura sorriu, terminando de cuidar da forte queimadura em seu braço, causada pelo encontro de seus jutsus.
— Bom trabalho. Kakashi sorriu com os olhos, abaixando-se próximo a Naruto. — Apenas apoie-se em mim.
O loiro sorriu, acomodando-se nas costas do sensei de bom grado.
— Vão indo, eu ainda tenho algo a fazer. Sakura se ergueu, olhando-os por cima do ombro.
Sasuke a acompanhou com o olhar, vendo-a desaparecer de seu campo de visão, ele enrugou a testa em desagrado. Ela estava.. diferente, sequer passou os olhos por ele por mais de um momento, aquilo de algum modo feriu seu ego, mesmo que nunca admitisse. Ele suspirou, preparando-se para o julgamento ao pisar no lugar que um dia chamou de lar.
Em Konoha Kasemaru olhou a sua volta em silêncio, mergulhada em sua própria tristeza. Ela não podia acreditar em seus olhos, vendo a total aniquilação do que um dia foi Konohagakure no Sato.
A jovem havia sido enviada em uma missão para localizar um dos esconderijos de Kabuto, junto a Anko e os outros, finalizando com sucesso. E ao chegar se depararam com tamanha tragédia.
Os burburinhos foram ouvidos por toda parte, Kasemaru se concentrou em encontrar Kiba em meio à multidão, seu coração deu um salto ao avistá-lo próximo aos companheiros de equipe.
— Kiba, você está bem? O que aconteceu? Ela perguntou desolada, sentia-se dentro de um sonho difícil de acordar.
— A Akatsuki atacou a aldeia, todos estão bem, graças a Godaime e ao Naruto. Ele disse sério, os braços cruzados e um olhar sentido pela destruição.
Logo a multidão se reuniu à frente, gritando e comemorando, o grupo se aproximou com curiosidade, vendo Naruto ser exaltado e reconhecido por todos.
Já era tarde da noite quando a rosada retornou a aldeia, tendas foram montadas em vários lugares e muitos começavam a movimentar-se, empenhando-se na reconstituição da aldeia. Ela parou em seus pés ao avistar Naruto e Hinata, abraçados em uma das tendas, ela não pôde deixar de sorrir, silenciosamente desejando sorte ao loiro.
Ela continuou a caminhar, afastando-se até a tenda maior ao ouvir vozes em atrito, ela se esgueirou próximo à entrada em alerta.
— Ela ainda permanece desacordada, precisamos de um líder com urgência, a vila está em ruínas e não sabemos quando Tsunade acordará. A voz severa da anciã pairou.
— Estamos com problemas, precisamos decidir o que fazer. Homura disse rígido.
Shizune engoliu em seco, pensando em uma maneira de tomar as rédeas da situação.
— Acalmem-se, não devemos esperar a senhora Tsunade se recuperar? Ela disse suavemente.
"Shizune? Mas ela foi assassinada..." Sakura franziu o cenho surpresa.
— Não há tempo a perder, além disso, ela é a responsável por trazer essa destruição a Konoha! Koharu disse áspera.
— Onde está Danzou? O ancião indagou em voz baixa.
Um som foi ouvido e ambas as cabeças viraram-se em direção, próximo aos dois havia um saco encharcado de sangue e a cabeça de Danzou foi servida aos seus pés. Sakura entrou na tenda com olhos flamejantes, coberta de terra e suor, seus olhos travaram-se nos conselheiros a sua frente.
— Se não quiser que a verdade seja espalhada pelos quatro ventos desse mundo shinobi eu sugiro que cale essa boca. Sakura esbravejou.
— O que significa isso? Homura disse alterado, assimilando tudo aquilo.
— Você assassinou um conselheiro, a pena é a morte! Koharu apontou o dedo um tanto nervosa.
Shizune arregalou os olhos boquiaberta, ela mal ousou piscar diante toda a cena, Sakura tinha uma aura sombria que exalava, mesmo ela podia sentir, e seus olhos... a morena se recusou a abrir a boca, incrédula.
O ar se tornou pesado, o choque era visto em ambas as feições, Sakura se aproximou a passos lentos, parando diante deles.
— Eu não admito que profiram uma palavra injusta sobre a Godaime. Ela disse ameaçadoramente.
— Quem você pensa que é para falar assim menina, sabe com quem está falando? Homura questionou autoritário.
— Eu sou Sakura Haruno, Anbu de Konoha, a melhor médica ninja dos tempos atuais, ficando atrás apenas da própria Godaime. A única a ter a cabeça de Danzou e jogá-la ao seus pés. Ela tinha um sorriso que erguia o canto dos lábios. — Descendente daqueles que tinham um pacto inquebrável com o Clã Uchiha, e sim, sei exatamente com quem estou falando, com os responsáveis pelo massacre do Clã mais poderoso de Konohagakure no Sato. Sakura finalizou ríspida.
Eles estavam boquiabertos sem acreditar no que ouviram, a petulante garota os deixou sem palavras.
— Saíam daqui, e não voltem. Ela ordenou, vendo-os incertos do que fazer.
Os dois retiraram-se sem olhar para trás, a rosada os queimou com o olhar durante todo o trajeto. Shizune soltou uma respiração que não se deu conta de estar segurando, ela se aproximou de Sakura com cautela.
— Isso foi... Incrível! Ela exclamou sorrindo.
Sakura voltou seu olhar a morena, dando um leve aceno em concordância.
— Você os colocou em seus devidos lugares. Shizune disse com satisfação.
— Mais importante do que isso, como ela está? A rosada se aproximou da mentora.
— Estável. Ela deu um suspiro longo.
Sakura acariciou as mãos flácidas e geladas de Tsunade, em uma prece silenciosa para sua recuperação. Ela se despediu, com o pedido de que Shizune a informasse sobre qualquer mudança no quadro de sua mentora.
O ar da noite bateu em sua pele, balançando seus fios longos, ela olhou pro céu estrelado com um nó na garganta, a falta de Itachi tão logo se fazendo presente.
— Sakura! O grito estridente de Ino cortou seus pensamentos.
A herdeira Yamanaka se jogou em seus braços, com um abraço sufocante, Sakura foi envolvida por um sentimento quente e denso, junto ao alívio por vê-la perfeitamente bem.
— Foram tantos feridos, eu pensei que teria uma crise de nervos. Ino levou a mão ao peito em um gesto ansioso.
— Eu sabia que se sairia bem. A rosada forçou um sorriso.
Ino lançou um olhar conhecedor a amiga, que a evitou a todo custo.
— Você nunca me enganou... você pode negar e fugir o quanto quiser. Não vou ficar martelando esse assunto, como já fiz antes. Apesar de muito me entristecer você não se abrir comigo. Ino murmurou com o coração apertado.
Algo despencou dentro dela, como se mergulhasse em um precipício sem fim. Toda dor que estava ali dentro pareceu vazar de seu peito, as lágrimas embaçaram sua visão, a tristeza a engolfava como um veneno. Somando-se a tudo, ela explodiu.
— Toda vez que penso que nunca mais vou ver ele, sinto que vou morrer. Sakura desmoronou, lágrimas grossas deslizando por suas bochechas.
Ino sentiu os olhos se encherem diante a angústia de sua amiga de infância, ela a confortou, presumindo o quão doloroso era a situação.
— Eu estou aqui, a qualquer hora, pro que quer que seja. Ino sussurrou fechando os olhos.
O momento se prolongou, a rosada ficou por um tempo agarrada a presença física de Ino, aproveitando os resquícios de conforto que sua voz reverberava em si. Sakura também fechou os olhos, sendo inundada por lembranças, recordando seus momentos de infância, suas brigas, e por fim a maturidade e restauração de uma forte amizade.
Ino conseguiu distraí-la momentaneamente, falaram sobre como Naruto encontrou o verdadeiro Pain e todas as vidas perdidas foram restauradas, em como Ino foi firme comandando o hospital, e como ficaram as coisas em Konoha após sua busca pelo Uchiha.
A rosada contou sobre a luta que tiveram e como ele tentou matar Naruto sem um pingo de emoção, seus olhos amaldiçoados e odiosos carregavam sede de sangue. O boato de seu retorno se espalhou rapidamente, as duas kunoichis se perguntaram se o Uchiha realmente buscava a redenção.
Sakura despediu-se de Ino, caminhando sobre a floresta atrás da montanha onde jaziam os rostos dos Hokages. Ela escorou-se em uma árvore, os olhos perdidos na imensidão azul marinho, com pontos cintilantes, suspirando pesadamente.
Ela sonhava com ele quase todas as noites. Como um íncubo, ele vinha até si no escuro, quando ela estava mais vulnerável. Invadia sua mente tão implacavelmente como tomara seu corpo, ela sonhava com os olhos, a boca, as mãos dele. Estavam por toda parte, encima de si, dentro de si, acariciando, segurando firme.
Sonhava com ele... e acordava suada, latejando, com o corpo vazio e sofrendo. Como um viciado sem estimulantes.
E assim nessa confusão de sentimentos, ela imaginou se o tempo traria cura pra sua alma.
Sons, ruídos, choro.
Sentimentos e memórias quebrados, passaram por sua mente, cegando-o e pintando sua consciência de rubro.
Fogo
Estava queimando seu coração, se alastrando, consumiu tudo que era combustível.
Crocitar dos corvos.
Olhos carmesins se abriram.
