Capítulo 33: Reencontro
Itachi acordou sufocado, seu corpo doía como se ele não tivesse conseguido respirar por muito tempo. Ele estava morto? Seus olhos vagaram pelo teto rochoso em sua linha de visão, com sombras banhadas pelo luar.
Por alguns momentos, ele permaneceu imóvel, reunindo força e foco para se levantar. Sentado, Itachi sentiu quando seus poderes voltaram com força total, ele piscou desconcertado ao notar que era capaz de respirar livremente, sem dor ou sinais da doença. Sentia-se novo.
O ar cheirava a fumaça e o som de uma risada conhecida alcançou seus ouvidos.
— Você finalmente está acordado Itachi, eu estava começando a me preocupar. Kisame se aproximou com seu sorriso afiado.
— Hn. Ele se ergueu, ficando de pé.
— Você ficou fora por uma semana inteira, pegue isso. Kisame removeu os peixes da fogueira, entregando-o.
Itachi comeu em silêncio, refletindo sobre todos os acontecimentos anteriores. Kisame prosseguiu com suas informações.
— Em pensar que Tobi se fez passar por idiota. Tsc, o desgraçado veio atrás do seu corpo, mas eu fui mais rápido. O homem tubarão se exibiu.
— E Sasuke? Itachi perguntou atento.
— Tobi o levou, eu soube que ele atacou Konoha em busca de vingança ao que fizeram com seu estimado irmão mais velho. Kisame relatou sem tirar os olhos de Itachi, em busca de qualquer emoção em sua face rígida, sem sucesso ele prosseguiu. — Ele foi detido pelo jinchuuriki, que você acredite ou não derrotou Pain.
Itachi arqueou a sobrancelha surpreso, o quão Naruto amadureceu? Ele se perguntou satisfeito, a sombra de um sorriso já se fazendo presente. Quando algo o acertou em cheio, fazendo seu coração se agitar. Sakura.
— Eu realmente preciso de uma bebida, não demoro. Kisame se retirou, ciente do tempo que o companheiro precisava.
Minha. O sentimento de posse se ascendeu dentro dele, com Sakura, tudo se misturava. Era emoção, loucura, necessidade, obsessão. Ela estava em si, e ele não podia mais lutar contra isso ou se enganar.
Ele gostava de seu corpo, de seu cheiro, do sabor, da textura, dos gemidos. Era enlouquecedor sentir-se dentro de seu canal apertado, unir seus corpos como um.
E agora, só de pensar naquilo, o gosto dela e o cheiro vinham com força total em seus sentidos.
O crocitar encheu a caverna no momento em que seu corvo a atravessou, pousando em seu braço direito. Seus olhos carmesim encontraram o sharingan no animal, sua voz firme encheu o ar.
— Mostre-a para mim. A imagem de Sakura apareceu á sua frente, desde o dia após ele ter partido.
Depois de alguns minutos ele se deparou com algo que fez seu coração falhar, sua Sakura... afundando em um penhasco, enquanto sua convocação fazia o possível para amenizar sua queda, como se fosse extensão de sua própria vontade. Itachi ficou desesperado, com medo de que algo tivesse acontecido com ela, tudo ficou escuro, um breu. E o que veio a seguir, foi ampla visão da rosada chorando ao anoitecer.
Tudo dentro dele tremeu com à possibilidade de perdê-la, seu corpo se moveu por conta própria, ele avançou rapidamente entre as árvores no caminho, inquieto, agitado, decidido a fazer qualquer coisa para tê-la consigo.
A rosada despertou, franzindo o cenho ao se deparar com o véu transparente próximo a si. Ela sentou-se de imediato mirando na grande tenda que se encontrava, com vários feridos ao redor.
— Testa, você quase me deu um ataque cardíaco! Ino se aproximou, apontando um dedo acusador.
— Porque estou aqui? Sakura indagou levantando-se.
— Você apagou na floresta e quando te encontrei pra dividir tarefas nada te acordava, ao verificar me deparei com veneno em seu sistema, então a trouxe pra cá com a ajuda de Naruto. A propósito é a quarta vez que ele vem te checar. A loira disse aceleradamente, amarrando o cabelo em seu rabo de cavalo habitual.
— Aquela harpia... Sakura resmungou, apertando o punho erguido.
— Uma ajudinha aqui, você cuida dessa parte e eu da outra. Ino apontou para divisão feita entre os feridos.
— Certo. Sakura se esticou, amarrou os fios longos e prosseguiu no tratamento dos feridos.
O resto do dia passou voando, todos foram tratados e medicados, Ino não cessou sua tagarelice por um momento, fazendo a rosada sorrir e aliviar o estresse recente. Naruto apareceu novamente, apertando-a em seus braços, e comemorando o fato que Sasuke finalmente estava em casa. Já era tarde quando ela saiu da ala médica.
Ela bocejou caminhando pela aldeia em reconstrução, com a ajuda do Mokuton de Yamato as coisas corriam em um nível acelerado. Indo até a cachoeira próxima ela se banhou, ficando tempo suficiente para que seus dedos começassem a enrugar. Ela aproveitou o momento refrescante, removendo toda sujeira de batalha do corpo, em seguida entrando no vestido pêssego que Ino a ofereceu.
Seus olhos se fixaram em seu reflexo na água, o vestido simples de alça fina se ajustando em suas curvas, moldando os seios pequenos, ela bufou sentindo falta de suas próprias roupas.
Olhava a paisagem enquanto o vento sacudia seu cabelo, mas não se via em condições de apreciar, ainda dominada por medo, esperanças... Não conseguia parar de pensar em Itachi um minuto sequer. Era como se ele tivesse sido tatuado em sua alma.
Porque nos braços dele, sentiu algo que nunca sentira. Uma sensação primitiva e totalmente irracional de pertencer a alguém.
Ela marchou de volta a aldeia perdida em seus próprios pensamentos quando uma voz soou próxima de si.
— Sakura, eu estava te procurando. Yamato se aproximou com os braços cruzados.
— Algo acontece? Ela indagou curiosa.
— Eu quero te mostrar isso. Ele apontou.
Era uma pequena casa feita de madeira, com uma enorme árvore de cerejeira ao lado, rodeada por uma cerca também de madeira. Tinha um portão baixo e um pequeno caminho de cascalho e então dois degraus que levavam a uma varanda fresca.
Sakura nem acreditou quando viu, correndo até a entrada com animação, no interior havia um grande balcão de madeira na cozinha, o capricho era nítido em cada detalhe.
— Obrigado. Sakura sorriu e olhou em volta.
— Que bom que gosta. Yamato sorriu orgulhoso de seu trabalho.
— Eu amo tudo nisso! Ela tocou a madeira com carinho.
— Eu vou indo, ainda há muito o que fazer. Ele respirou fundo, um tanto cansado.
— Até mais. Ela disse vendo-o sair.
Sakura contemplou sua casa nova, havia apenas um quarto, mas pra ela era o suficiente, a sala era ampla e aconchegante, com duas cadeiras de madeira enfeitando-a. Ela estava cativada.
Jogou-se sobre o futon, deitada de costas fitando o teto, ela fechou os olhos exausta. Era impressionante como as coisas se desenrolavam de forma frenética. Tanto aconteceu, Naruto derrotou Pain, ela matou Danzou, vingando sua família, posteriormente entrando em uma briga com Sasuke, por fim ele estava de volta.
Se alguém a contasse ela diria que certamente estavam loucos, mas aqui ela se encontrava, no meio de toda essa bagunça. Sua pele pinicou, teve a leve sensação de estar sendo observada, seus olhos se abriram devagar, e a primeira coisa que avistou foi o corvo escuro em sua janela. Parecia estar monitorando, a olhava intensamente.
Sakura paralisou em choque, esquecendo-se até de respirar, o coração bateu alucinado e logo ela se viu correndo até ele, que voou ao ser descoberto. A rosada disparou sobre os telhados recém construídos, sem se importar com o vestido curto, ela acelerou sem tirar os olhos do animal que cortava o céu em velocidade.
Ela parou examinado a sua volta na floresta escura, não havia estrelas naquela noite, apenas a luz da lua auxiliava sua visão. A escuridão por um minuto a cegou, mas, então, Sakura o viu.
A figura de um homem em pé, próximo a uma árvore. O brilho da lua cobria seu rosto com sombras, Itachi estava parado, alto, moreno, com aqueles olhos escuros penetrantes, fixos nela. Atônita, Sakura o olhou.
Ela estremeceu violentamente, imobilizada, seu coração batia tão forte que pensou que fosse ter um ataque. Achou que suas pernas não a sustentariam, imaginou que desmaiaria a qualquer momento.
— Sakura. A voz dele, baixa e grossa a golpeou de vez.
Depois de tanta dor e tantas lágrimas, de semanas em que teve que conviver com a perda e a saudade, Itachi voltava como um furacão, sacudindo tudo, trazendo um mar de sentimentos.
Ela sentiu o coração disparar tanto que o sentia pulsar sobre sua pele, cada nervo, músculo e parte do seu corpo gritou por ele. Sakura chegou a sentir dor por dentro, o mundo inteiro deixou de existir diante da sua saudade.
Ela se jogou em seus braços, seus olhos se encheram de lágrimas ao sentir o calor de seu corpo. Vivo, ele está vivo. Sakura chorou descontrolada, foi como viver pela primeira vez em muito tempo.
No fundo, ele achava que não a merecia, que ainda deveria pagar pelas coisas que tinha feito. O problema é que ela despertava seus instintos mais profundos. E como resistir diante da realização de seu maior desejo? Sabendo o quão louco estava por ela?
Itachi sentiu seu coração batendo num ritmo errático, sua expressão ficou mais densa, mais carregada. Então ele a puxou para si, tomando sua boca em beijo possessivo e extasiante.
Sakura o agarrou com tudo de si, com um amor devorador, com uma saudade latente, ambos se beijaram como se o mundo fosse acabar e aquele fosse o último dia de suas vidas. Ela sentiu-se viciada naquele gosto bom de homem, naquele cheiro que atacava seus sentidos.
Embriagou-se em seu gosto, se entregou sob as mãos que passavam por si e a apertavam, como para comprovar que ela era real. Então, ele beijou seu rosto e suas lágrimas.
— Itachi... Tudo o que via e sentia, era Itachi. Naquela força da natureza potente e vigorosa, contida agora em um toque suave em seu rosto e um olhar vivo que a consumia, que dizia mais do que ela conseguia entender.
Não fez declarações de amor, não fez juras eternas. Mas a olhou de um jeito diferente, a tocou com ternura. Sakura sentiu que havia mais, que havia um mundo esperando por si, que Itachi deixou muita coisa de lado, talvez até seu próprio orgulho, pra estar ali.
Suas mãos fortes seguiram pelo contorno do vestido, deslizando-o para cima lentamente. Seus olhos se fecharam, pesados, e ela gemeu baixinho ao sentir sua língua a envolvendo devagar. Suas pernas viraram gelatinas.
Sentiu muita saudade. Tanta, tão grande e tão farta que não parecia caber em si. Como se tivesse passado uma vida inteira longe dele.
Ela foi empurrada para trás, colidindo as costas na árvore, com a respiração entrecortada e as pernas bambas. Itachi sorriu dando um olhar por todo seu corpo.
Não havia mais aquela angústia de antes nem sinal das lágrimas derramadas, seus olhos de esmeralda brilhavam de paixão e excitação, enquanto seus lábios inchados pelos beijos se curvaram em um sorriso sedutor.
Sakura se perdeu nos olhos ardentes de Itachi, o admirou por completo. Suas sobrancelhas grossas que combinavam com os cabelos, e o olhar escuro. O nariz fino, seu corpo másculo, o modo em como tudo nele gritava masculinidade.
Ele a beijou novamente, seus lábios eram uma tortura, sua mão passou por dentro do vestido e tocou sua pele, que parecia arder. Ambos olhares queimavam, derramavam tesão. E mais, muito mais.
Itachi a ergueu, de modo que ela entrelaçou as pernas em volta de si, ele a segurou tão forte que uma energia quente e potente os envolveu. Suas peles se grudaram, suas bocas se moveram apaixonadas, seus sentidos misturaram-se.
Ele moveu o quadril, e ela se abriu mais, sentindo a ponta grossa de sua ereção roçar sua entrada. Itachi fechou uma mão em sua garganta e a outra em sua cintura dizendo em seu ouvido.
— Diga. Ordenou ele com voz profunda. Os olhos dele a queimavam e ela não resistiu mais a exigência que viu neles, ela se entregou por completo.
— Eu te amo. Sua voz mal era audível, em meio ao delírio pareceu que cada palavra foi arrancada de sua alma.
Algo que parecia triunfo brilhou no rosto dele. Ele empurrou os quadris pra frente, enterrando-se dentro dela, forte e fundo, a rosada suprimiu um gemido, ainda mantendo seu olhar.
Viu as pupilas dele dilatarem, deixando os olhos ainda mais escuros. O pênis ficou maior e mais rígido dentro dela. Ele recuou e penetrou novamente, fazendo com que ela gemesse alto com a selvageria da posse.
Estavam conectados, dopados pelo prazer, suados. Moviam-se juntos, perfeitamente encaixados. Sakura estremeceu sentindo os dentes e a língua em seu mamilo, que deixava tudo mais intenso.
Ela nem se deu conta que chegara ao ápice tão rápido. Quando começou a choramingar e se contrair, Itachi se tornou mais faminto, mais bruto. Ele não se segurou, veio junto, gozando, rosnando, indo até o fundo e se derramando por inteiro.
Ficaram lá, naquela entrega toda, saboreando o momento. As respirações e os corações estavam acelerados, ele saiu de dentro dela lentamente, mas não a soltou. Apertando-a forte e beijando seu pescoço.
Sakura pensou que estivesse em um sonho, acariciou o rosto dele, adorando estar ali, em seus braços, saciada.
— Eu senti tanto a sua falta. Seus olhos marejam, o sentimento era inexplicável.
— Eu também. Ele sussurrou em seus cabelos rosas, se maravilhando com seu cheiro.
— Pensei que eu fosse morrer sem você, Itachi. As lágrimas desciam livremente por suas bochechas.
— Aa. Vi seu desespero quando fui embora, vi tudo que passou durante esse tempo. Vejo no seu olhar, quando você se entrega. Ele a segurou pelo queixo, vendo um mar de sentimentos explícitos em suas esferas de jade.
A rosada sentiu a carícia em seu rosto, estava muda, emocionada. Ele a segurou firme, fundindo suas línguas em uma dança louca de saudade, desespero e reencontro.
Ela queria parar no tempo, congelar esse instante para sempre. Sabia que o amava cada vez mais, e não teve medo, deixou esse sentimento tomar conta de si.
— Vem comigo. Itachi a pegou pela mão, com um olhar transparente de emoção.
Ela acenou, corando ao notar seu olhar vagar por seu corpo e arrepiar sua pele. Ela ajeitou o vestido, entrelaçando os dedos nos dele e acompanhando-o.
Tão logo a rosada se viu atravessando o antigo complexo Uchiha, ela respirou fundo quando passava pelo caminho, as paredes destruídas pelo ataque eram repletas pelo brasão Uchiha. Havia marcas e destroços por onde passava, o lugar mal iluminado causava arrepios na espinha.
Em meio as ruínas havia uma pedra, envolta em símbolos de selamento no centro. Itachi se aproximou, tecendo sinais de mãos, que moveu a pedra e revelou passagem.
Sakura absorveu tudo do lugar, em como o interior estava intacto, havia tochas acessas próximo a um monumento de pedra com palavras indecifráveis. Ele a conduziu parando diante um pequeno altar, no lugar continha muitos pergaminhos, alguns abertos com kanjis tão antigos que ela mal podia ler.
Itachi se aproximou com duas taças de ouro na mão, com um ar ancestral, possuía pequenas pedras rubi ao redor, ela aceitou timidamente sem desviar o olhar. Ela sentiu uma picada e sibilou baixinho, seus olhos dispararam em sua mão, sendo cortada por um kunai afiada, surpresa ela o viu fazendo o mesmo em sua mão.
Itachi pronunciou palavras incompreensíveis com voz profunda, seus olhos vermelhos implacáveis. Ele selou suas mãos, ambos os cortes em contato. De repente, Itachi ergueu os olhos nos dela com uma intensidade perturbadora.
Foi então que Sakura sentiu a sensação, deixando-a absolutamente tonta, sua mente se embaralhou ao ver o passado de Itachi, em meros pedaços, partido. O mesmo acontecia com ele, o vislumbre de seu passado dançou em sua visão, vendo partes significativas da rosada.
Ela sentiu o mundo girar ao seu redor, trazendo-a de volta, o corte em sua mão cicatrizava junto ao dele. Itachi ergueu a taça aos lábios, encorajando-a fazer o mesmo, Sakura o seguiu virando toda a taça, percebendo que pisava em território desconhecido, e que deveria participar de algum ritual misterioso, o licor queimou em sua língua, seu coração palpitou em alerta.
Itachi soltou sua mão pequena e macia, desviou os olhos dos dela e os focou na vista ao redor. Sakura o seguiu com o olhar, vendo o grande símbolo da lua que jazia na parede.
O silêncio tênue que caiu entre eles foi enlouquecedor pra Sakura. A aura de poder e a forte presença dele marcava cada canto de si, o vínculo entre eles parecia revigorado.
— Porque está me olhando assim? Sakura questionou, tentando muito não permitir que a intimidação que sentia agora transparecesse em sua voz.
— Como estou olhando para você? Itachi perguntou com um sorriso malicioso.
A rosada corou violentamente, se viu sem palavras. Itachi se aproximou, circundou um cordão em seu pescoço, com um pingente em forma de lua.
— Você nunca será de outro homem. Agora, você é minha, seu corpo é meu, sua alma é minha. Sua voz era como um sussurro, mas ecoava como um trovão.
Agora, ela era verdadeiramente dele, e ele sabia disso.
