Oiiieeee!!! Cheguei com mais uma adaptação!!! É um romance maravilhoso de uma das minhas escritoras favoritas Lynne Graham, amo muito suas histórias, e pretendo adapta-las também! Os personagens são da minha linda Stephanie Meyer ! Então boa leitura e espero que vcs gostem desse romance e comentemmm!!!!

Capítulo 1

Havia divertimento em seus olhos verdes enquanto Edward Cullen observava seu avô caminhar em volta do Ascari KZ1 prateado que acabara de receber. Um carro incrível e moderno, de uma série de apenas cinquenta exemplares.

A excitação do velho homem por estar tão perto de um veículo tão raro e poderoso era palpável.

— Um carro que custa quase um quarto de milhão. — Anthony, alto e magro a despeito de seus 75 anos, sacudiu a cabeça grisalha e sorriu com aprovação. — É pura loucura, mas faz bem ao meu coração ver você se interessar por tais coisas novamente!

Edward não respondeu ao comentário, mantendo a expressão contida e a lendária reserva impenetrável. Colunistas de fofocas regularmente referiam-se ao bilionário diretor do Banco Cullen como um homem charmoso e bonito. Edward detestava a mídia. Ademais, tinha pouco tempo para tais frivolidades. Suas feições magras e bronzeadas deviam ter uma simetria que fazia as mulheres o olharem aonde quer que fosse, mas o ângulo de seu queixo determinado, o rosto de formato quadrado e a boca larga e sensual sugeriam uma força de caráter feroz.

— Você ainda é jovem... somente 31 anos — murmurou Anthony Cullen com cautela, pois respeitava o neto brilhante, que raramente ousava romper sua reserva habitual. — Entendo que nunca esquecerá sua dor, mas já é hora de retomar a vida.

Maravilhado com a inocência do velho homem, Edward murmurou de modo indiferente:

— Retomei minha vida há muito tempo.

— Mas tudo que você tem feito desde que Victória faleceu é trabalhar e acumular mais e mais dinheiro. Quanto dinheiro um homem pode precisar numa vida inteira? Quantas casas um homem pode usar? — Anthony Cullen girou uma das mãos num gesto que englobava a casa de campo Regency à sua frente. E Dove Hall era apenas um item na vasta propriedade do neto. — Você já é rico além dos sonhos dos homens.

— Pensei que uma escalada ao topo fosse o lema dos Cullen's.

Edward preocupava-se com a infeliz verdade de que as pessoas nunca estavam satisfeitas. Fora criado para ser um empreendedor de alto nível, com os instintos assassinos de um tubarão. Era competitivo, ambicioso e agressivo quando desafiado. Todos os aspectos de sua criação haviam sido cuidadosamente trabalhados para assegurar que crescesse e se tornasse um homem oposto a seu falecido pai, que fora um eterno preguiçoso e representara um embaraço para a família.

— Tenho muito orgulho de você — disse o avô em tom de elogio —, mas o mundo pode oferecer-lhe muito mais do que a próxima aquisição de novas empresas. Companheirismo pode parecer um conceito ultrapassado...

— E claro que houve mulheres. — Edward comprimiu a boca bonita e, em respeito às boas intenções do avô, reprimiu uma resposta mais cáustica. — É isso que você quer ouvir?

Anthony ergueu as sobrancelhas espessas.

— Eu gostaria de ouvir que você fica com a mesma mulher por mais do que uma semana!

Exasperado pela censura, Edward imediatamente compreendeu o que o avô queria dizer e teve de responder:

— Mas não estou no mercado por algo sério. Não tenho intenção de me casar novamente.

— Por acaso mencionei casamento? — perguntou o avô.

Edward não falou nada. Sabia que, por ser filho único, todo o peso da expectativa caía sobre ele. A tradicional cultura grega dava grande importância ao herdeiro do nome da família. Como Edward não possuía o menor desejo de ser pai, não tinha planos de se casar de novo. Ter filhos fora o sonho de sua esposa falecida, quase uma obsessão. Agora que Victória morrera, não via razões para fingir que seria diferente.

— Não quero outra mulher ou filhos, esta é a questão — admitiu Edward.— Sei que isso deve desapontá-lo, mas é assim que as coisas são e não vou mudar.

Anthony Cullen empalideceu. Despido da exuberância de sua personalidade envolvente, de repente pareceu velho, preocupado e quase perdedor.

Sentindo-se terrivelmente culpado, Edward reprimiu qualquer vontade de levantar falsas esperanças. Aquilo tinha de ser dito.

Veterana em loja de artigos promocionais, Bella enfiou-se no meio da bagunça generalizada, inspecionando a pilha de roupas de bebê. Emergindo vitoriosa com um excelente conjunto infantil de calça e jaqueta, perguntou à vendedora: — Quanto custa?

Era mais do que tinha condições de pagar e ela devolveu as duas peças com tristeza. Uma tristeza passageira... porque há muito tempo aprendera que suas prioridades eram abrigo, comida e calor. Roupas era algo supérfluo para sobrevivência, portanto, novidades e beleza estavam quase sempre fora de alcance. Encontrou um suéter e uma calça jeans a um preço dentro de suas possibilidades. Os gêmeos estavam crescendo tão rápido que mantê-los vestidos era uma disputa constante. Assim como sustentá-los.

— Eles são garotinhos encantadores — comentou a vendedora quando Bella foi pagar. Então, olhou para as mãos de Bella, notando que não havia aliança, e, pelo olhar que lhe lançou, provavelmente desaprovava mães solteiras.

Bella olhou para os seus filhos, sentados lado a lado no gasto carrinho de dois lugares, e exibiu um sorriso orgulhoso. Toby e Connor eram bebês maravilhosos e muito grandes para a idade de nove meses. A combinação de cabelos encaracolados e acobreados, pele dourada e grandes olhos castanhos dava-lhes um ar angelical que era um tanto enganador. Os gêmeos chamavam a atenção de todos pela vivacidade e alegria, e Bella simplesmente os adorava.

Com frequência, admirava-se por ter dado à luz duas crianças tão bonitas e espertas, as quais não se pareciam com ela, física ou emocionalmente.

Enquanto voltava para casa, viu-se olhando para outras jovens. Ficava aborrecida quando se pegava pensando que as mulheres sem filhos pareciam mais jovens, alegres e atraentes. Viu seu reflexo na vitrine de uma loja e, de repente, quis chorar. Houve um tempo em que se produzia devidamente, e era considerada bonita. Agora, isso não passava de uma lembrança... era uma garota magra com um rosto aflito e cabelos ruivos sempre presos num rabo-de-cavalo. Parecia desinteressante e com aparência comum. Engoliu em seco, sabendo que o pai de Toby e Connor jamais a olharia agora.

Na época, ficara maravilhada porque um homem tão atraente, que podia ter qualquer mulher que quisesse, a tinha escolhido entre tantas garotas muito mais interessantes. Mas a passagem do tempo e a experiência cruel destruíram suas ilusões fantasiosas, forçando-a a encarar verdades menos agradáveis.

Agora Bella aceitava que ele apenas a notara porque ela era a única mulher na vizinhança quando ele sentira necessidade de sexo. O que ela lhe dera de bom grado, sem fazer uma única exigência. Ele nunca a considerara mais do que uma garota de classe social inferior, pois jamais a convidara para sair.

Quando a paixão ardente se apaziguou, ele a dispensou rapidamente, e Bella ainda tremia só de pensar nisso. Nada a machucara tanto quanto aquele frio e cruel retorno à realidade. Poucos minutos depois de ter chegado à sua quitinete, o senhorio apareceu à porta.

— Você tem de ir embora — disse ele abruptamente. — Houve mais queixas do barulho que seus garotos fazem à noite.

Bella olhou para o homem com horror.

— Mas todos os bebês choram...

— E dois bebês fazem barulho em dobro.

— Juro que tentarei mantê-los mais quietos...

— Disse isso da última vez em que conversamos e nada mudou — interrompeu o velho homem, indiferente. — Você já tinha sido prevenida e estou dando-lhe um aviso de duas semanas. Se não sair por bem, terei de despejá-la. Portanto, é melhor ir ao Serviço de Assistência Social para que eles encontrem outro lugar.

Intimidada pela atitude do homem, Bella tentou, em vão, fazê-lo ser mais racional. Tão logo ele se foi, ela sentou-se com os braços cruzados enquanto lutava contra o horrível sentimento de desespero. Sabia que não tinha chances de se defender das queixas e não podia culpar os outros inquilinos pela reclamação. As paredes eram finas, e os gêmeos choravam toda noite.

A quitinete precisava de decoração, a mobília estava danificada e as instalações sanitárias eram péssimas. Mas o quarto ainda parecia um lar para Bella. Além disso, o prédio estava em bom estado de conservação e o bairro era razoavelmente respeitável e seguro. Ela não tinha medo de caminhar pela rua, diferentemente do período durante a gravidez, quando havia passado alguns meses num abrigo municipal. Drogas e conflitos entre gangues eram um meio de vida lá, e Bella ficava horrorizada todas as vezes que tinha de sair.

Embora fosse hora da soneca de Toby e Connor, decidiu que teria de enfrentar a situação. Em duas semanas estaria sem moradia, e precisava dar às autoridades provedoras o maior tempo possível para alugar uma acomodação alternativa para eles. Bella apertou os olhos para conter as lágrimas. Tinha 23 anos. Sempre fora uma mulher resoluta... independente e enérgica. Mas nunca imaginou como seria difícil criar dois filhos sozinha.

Nunca imaginou também que chegaria a ser tão pobre. Na verdade, nos últimos estágios da gravidez, fizera planos de retomar sua carreira.

Esperara voltar para o seu emprego de horário integral, e não acabar como quase uma mendiga. Saúde precária, problemas de acomodação, custos de transporte e noites mal dormidas gradativamente destruíram suas esperanças. Uma semana se passou, durante a qual Bella fez tudo que podia para encontrar algum lugar para morar. Mas as poucas indicações que possuía se mostraram infrutíferas. Na metade da segunda semana, começou a entrar em pânico, e uma assistente social informou-a de que teria de ir para uma acomodação emergencial, tipo cama e café-da-manhã.

— Você detestará isso — declarou sua amiga, Jessica Stanley. — O quarto não será seu para fazer o que quiser e provavelmente não haverá local para cozinhar.

— Eu sei — murmurou Bella.

— Bebês chorões não serão bem-vindos lá, também. — A bonita morena de olhos azuis, que Bella conhecera no hospital, suspirou. — Você será transferida novamente. — Por que está sendo tão inflexível?

— Como assim?

— Você me disse que o pai dos gêmeos tinha dinheiro. Por que não se beneficia disso um pouco? Se o patife é uma celebridade e rico o suficiente, você poderia vender sua história para a imprensa.

— Não seja maluca. — Bella pressionou as têmporas com os dedos.

— E claro que você teria de dar um tempero à história. Sexo dez vezes por noite, o quanto as exigências dele eram insaciáveis ou excêntricas... esse tipo de coisa.

Bella enrubesceu.

— Não, eu não sei.

— Os detalhes sórdidos chamam atenção e valem rios de dinheiro. Não seja tão pudica! O homem é um canalha e merece ficar constrangido!

— Talvez mereça, mas eu não poderia fazer isso. Não faço esse tipo. Agradeço que queira ajudar, mas...

— Você nunca sairá da sarjeta com esse modo de pensar. — Jéssica revirou os olhos pesados de rimei e brilhante sombra azul. — Vai simplesmente deitar e morrer? Deixar o sujeito escapar ileso? Se você realmente ama seus filhos, terá de fazer o possível e o impossível para dar-lhes uma vida melhor!

Bella recuou como se tivesse levado uma bofetada. Jéssica dirigiu-lhe um olhar desafiador.

— E verdade e você sabe disso. Está deixando o pai dos garotos... esse tal de Edward... fugir de suas responsabilidades.

— Contatei a Agência de Ajuda à Criança. — Sim, como se eles tivessem tempo e recursos para encaminhar os gêmeos a algum magnata de negócios estrangeiros! Ele é rico. Recusou-se a fazer teste de DNA, ou ficou fora do país, ou finge que perdeu tudo que tem. Se você não fizer nada, jamais verá um centavo desse homem — disse Jéssica com convicção.

Bella não conseguiu dormir naquela noite. Pensou nos sacrifícios que a própria mãe fizera para criá-la.

Viúva quando a filha tinha apenas seis anos, Renée precisara trabalhar como faxineira, zeladora e cozinheira para sobreviver. Na escuridão, Bella se deitou quieta, sentindo-se completamente frustrada.

Edward a dispensara friamente, e ela havia decidido que preferiria passar fome a procurá-lo de novo. Mas será que deixara um falso orgulho interferir em seu dever para com os filhos? Jéssica estaria certa? Poderia ter feito mais para pressionar seu caso com Edward?

Dois dias depois, Bella mudou-se de sua quitinete com a ajuda de Jéssica.

Felizmente, a amiga foi capaz de armazenar algumas quinquilharias para ela.

O excesso teria de ser doado ou vendido, porque Bella não dispunha de condições para os custos de armazenamento. Além disso, o hotel tipo cama e café-da-manhã estava lotado, e seu quarto era muito pequeno, insípido e deprimente.

Após passar sua primeira noite ali, Bella acordou cansada, porém imbuída de uma nova e feroz determinação. Decidiu que faria o que fosse necessário para dar a Toby e Connor um teto seguro sobre as suas pequenas cabeças. A perspectiva de constrangimento público, humilhação e rejeição não a deteria. Estava decepcionando seus filhos por agir como uma pessoa fraca, disse a si mesma. Jéssica estava certa. Uma ação mais vigorosa definitivamente se fazia necessária.

Com isso em mente, Bella foi à biblioteca para usar a Internet e ver se podia descobrir novas informações sobre Edward. Já havia tentado e fracassado diversas vezes, e alguns meses haviam passado desde seu último esforço. Mas agora a procura oferecia-lhe a opção de tentar um nome alternativo e, quando tentou novamente, olhou chocada para a tela cheia de sites em potencial. Uma foto reconhecível de Edward apareceu ao primeiro toque. Foi somente então que Bella compreendeu que suas buscas anteriores não haviam tido sucesso porque digitara o nome dele como Collin e não Cullen. Aquele erro simples, mas crucial, tinha evitado que descobrisse que Edward era o presidente do Banco Cullen, que possuía uma agência poderosa em Londres. Enquanto ela lutava arduamente pela sobrevivência, Edward fazia viagens regulares ao Reino Unido. Por algum tempo, apenas navegou pela tela, vendo-o várias vezes ser descrito como genial, bonito, frio e insensível. Este era o homem pelo qual se apaixonara loucamente. Sua nuca arrepiou-se quando leu uma reportagem sobre o anúncio de uma fusão esperada do Banco Cullen na manhã seguinte.

Edward com certeza estaria presente. Se ela acordasse cedo, poderia esperá-lo do lado de fora do banco e tentar interceptá-lo quando ele chegasse.

É claro que poderia usar os meios normais e marcar uma hora com ele, mas estava convencida de que Edward não concordaria em recebê-la. Afinal, dera-lhe um número de telefone inexistente para contato no encontro final deles e também havia ignorado sua carta pedindo ajuda. Portanto, era mais sábio fazer-lhe uma surpresa.

Bem cedo no dia seguinte, Bella deixou os gêmeos com Jéssica.

— Não aceite nenhuma tolice desse sujeito — preveniu-lhe a amiga. — Ele tem mais a perder do que você.

— Como chegou a essa conclusão? — Bella colocou Toby e depois Connor no cercado já ocupado pela filha de Jéssica, Claire. Olhou ao redor com uma ponta de inveja. Embora a casa da amiga fosse minúscula, as cores do arco- íris em tons pastéis com que ela pintara os quartos os tornavam aconchegantes mesmo num dia triste. Ajudada pela família, Jéssica trabalhava como cabeleireira. A mãe frequentemente cuidava da neta à noite, e seu ex-namorado pagava-lhe uma pensão.

— Aposto que ele não vai querer um escândalo — declarou Jéssica_ acordo com o que li, banqueiros são conservadores, e qualquer coisa os deixa nervosos!

Conservador? O adjetivo acompanhou a memória de Bella enquanto pegava o ônibus. Quando o conheceu, Edward passou-lhe a imagem de conservador... Na verdade, frio, reservado e austero. Ela não tinha gostado dele, nem de ser tratada como uma empregada e, acima de tudo, detestara o estilo autoritário do homem, que fazia parte de seu caráter arrogante.

Todavia, isso não extinguira o desejo que ele lhe despertava. Sua reação a Edward a tinha chocado e acabado com todo o seu orgulho. A paixão ardente dele a chocara mais ainda, quando simplesmente a beijara, e depois a carregara para a cama sem discussão. Bella repugnou-se diante de tal recordação, a qual raramente se permitia. Havia agido como uma prostituta vulgar, e Edward a tratara como tal.

O Banco Cullen situava-se no coração da zona bancária de Londres, um imponente edifício em estilo contemporâneo, com um logotipo frontal imenso. Ela olhou para as luzes que se refletiam no revestimento espelhado, maravilhada com o esplendor do edifício que ocupava quase todo o quarteirão. Sentiu raiva quando finalmente tomou consciência de que Edward Cullen era um homem rico e poderoso. Posicionou-se no canto do edifício, de modo que pudesse observar tanto a entrada da frente como a lateral. Alguns funcionários estavam chegando. Uma chuva fina começou a cair, rapidamente penetrando o casaco leve que Bella usava, ensopando-a.

Com a cabeça curvada para evitar o aguaceiro, quase perdeu o grande carro que discretamente estacionava na rua ao lado.

Bella começou a caminhar em direção à limusine. Se o passageiro VIP fosse Edward, não queria perdê-lo. Dois outros carros também haviam estacionado... um na frente do luxuoso veículo, o segundo atrás. Diversos homens saíram dos carros e fizeram um círculo protetor em volta da limusine, da qual Bella viu um homem alto e moreno descer. Sem aviso, um doloroso senso de familiaridade a assolou. Ela o teria reconhecido em qualquer lugar somente pelo ângulo da cabeça imponente e a graça contida com que se movia. Sua atenção dirigiu-se para o rosto forte, marcado pela linha reta das sobrancelhas pretas e pelo brilho do olhar. Bella sentiu um tremor pelo corpo.

— Edward... — tentou gritar, mas a voz falhou.

De qualquer forma, ele não a ouviria, pois estava longe e olhava em outra direção.

Edward notou a postura em alerta de seus seguranças e, no instante em que viu a pequena figura delgada aproximando-se, soube que era ela e ficou tão surpreso que parou no meio da calçada. Os cabelos ruivos molhados e o rosto em forma de coração lhe trouxeram a memória de um fato do passado.

Recordou-se do raio de sol infiltrando-se pela janela e brilhando sobre aqueles cabelos impressionantes e iluminando os olhos de um castanho quase incandescente. Fora um momento autêntico numa relação que relutava em se lembrar. Um dos guarda-costas interceptou-a, bloqueando lhe a passagem, justamente quando diversos paparazzi a seguiam com suas câmeras.

— Para dentro, chefe — comandou Paul, o chefe dos seguranças, enquanto Edward hesitava. — Paparazzi e garota de rua... boa coisa não é.

A passos largos, Edward subiu os degraus e desapareceu dentro do edifício. Uma garota de rua? Paul só poderia estar se referindo a Bella.

Por que ela ainda estava vestida como uma estudante desmazelada? E por que fora procurá-lo? O súbito aparecimento depois de tanto tempo não podia ser coincidência. O que será que ela queria dele? Por que tentaria aproximar-se num lugar público? Estariam os paparazzi esperando e observando para ver se ele a conhecia, prontos para espalhar alguma espécie de armadilha na qual ele era o alvo? Desconfiado, ordenou que Paul observasse cada movimento de Bella.

— A moça a que você se referiu não é uma garota de rua. Chama-se Isabella Swan. Não deixe sua equipe perdê-la de vista! — preveniu Edward em grego. — Siga-a. Quero saber onde ela mora.

Enquanto o eficiente chefe de sua segurança pessoal correu para cumprir as ordens, Edward pegou o elevador privativo e imediatamente começou a trabalhar na cotação dos últimos preços das ações, a fim de entregar à imprensa o material para publicação sobre a fusão. Quando outra lembrança de Bella tentou vir à tona, afastou-a com implacável determinação. Não era uma pessoa introspectiva. Não revivia erros passados. Na verdade, há tempos tinha aceitado que, emocionalmente, era tão frio quanto sua reputação.

No final de sua primeira reunião, Edward descobriu que havia desenhado um círculo com a letra B dentro, e tomar consciência de tal fraqueza deixou-o enfurecido.

Interceptada pela técnica de bloqueio do segurança-chefe, que se colocara no seu caminho, e sendo, depois, praticamente envolvida pela multidão dos membros da imprensa que passara por ela no esforço de alcançar Edward, Bella sentiu-se momentaneamente perdida. Edward a vira.

Mas a teria reconhecido? Mandara o segurança afastá-la? Teria conversado com ela se os jornalistas não estivessem presentes? Provavelmente não. Ele não havia sorrido, não demonstrando o menor sinal de uma acolhida amigável.

Dando de ombros, Bella sentiu o espírito desafiador invadi-la novamente.

Caminhou de volta ao edifício, entrou pela porta principal e dirigiu-se ao balcão de recepção.

— Eu gostaria de falar com o sr. Cullen — anunciou.

A recepcionista examinou Bella detalhadamente, como se tentasse decidir se a garota à sua frente estava brincando. Naquele momento de avaliação, Bella deu-se conta de que estava com os cabelos encharcados e usando jeans e jaqueta rotas.

— Anotarei seu nome. — A jovem elegante atrás do balcão manteve a frieza profissional. — Mas devo preveni-la de que o sr. Cullen extremamente ocupado e suas entrevistas são agendadas com meses de antecedência. Talvez você pudesse falar com outra pessoa?

— Quero falar com Edward. Por favor, diga-lhe pelo menos meu nome. Ele me conhece.

Percebendo a desconfiança da recepcionista, Bella recuou com o máximo de dignidade possível e caminhou até a cadeira mais próxima. Observou a moça comunicar-se com suas duas colegas. Uma delas deu uma risadinha, e Bella enrubesceu, enquanto fingia ler uma revista que apanhou na mesinha lateral.

Estava ficando paranoica. Provavelmente, ninguém estava falando dela, assim como era possível que Edward nem a tivesse reconhecido.

Erguendo uma das mãos para os cabelos molhados, de repente quis desfazer o rabo-de-cavalo. Tirou um pente de dentro da bolsa e disfarçadamente começou a alisar os cachos úmidos, rezando para que suas madeixas voltassem ao natural. Perguntou-se então por que se importava. Ele não concordaria em recebê-la.

Enquanto estava sentada ali, um pensamento lhe ocorreu. Tinha anotado o nome dele totalmente errado. Teria Edward recebido sua carta contando-lhe que estava grávida? Ela havia mandado uma para a sua residência na Irlanda e, quando não houve resposta, enviara uma segunda carta aos cuidados da imobiliária que havia alugado a casa para ele. Mas uma carta com o nome errado do destinatário teria sido encaminhada? E se Edward não tivesse recebido nenhuma delas?

— Srta. Swan? — murmurou a recepcionista. Bella levantou-se rapidamente.

— Sim?

— Tenho uma ligação para você.

Surpresa, Bella aceitou o telefone sem fio que lhe foi estendido através do balcão.

— Bella?

Era a voz de Edward e ela ficou tão surpresa que quase deixou cair o telefone.

— Edward?

— O computador saiu do ar e estou esperando que volte para resolver um negócio importante, e lamento que só terei alguns minutos. Você escolheu um mau dia para aparecer...

— Entendo. A fusão da empresa — interrompeu ela, o coração disparado no peito. — Mas esta é a razão pela qual vim. Sabia que você estaria aqui e preciso lhe falar.

— Por quê? — perguntou Edward com a mais estudada casualidade. — Você precisa de alguma espécie de ajuda? Por isso pediu para falar comigo?

— Sim... mas não é algo que possa ser discutido por telefone ou sem privacidade — murmurou Bella. — Só por curiosidade, você recebeu uma carta minha?

— Não.

— Oh... — Bella ficou perplexa diante da negativa sem hesitação, porque, se ele não sabia sobre a gravidez, levaria um imenso choque.

— Por que não pode me contar em poucas palavras qual é o problema?

— Porque tenho de vê-lo para falar a respeito — replicou ela, sentindo-se sob injusta pressão e sem saber como lidar com a situação.

— Não será possível.

Bella baixou o tom de voz para dizer de modo quase suplicante:

— Eu não teria vindo aqui se não estivesse desesperada.

— Então não faça rodeios — disse ele friamente. — Não estou a fim de mistérios.

Lágrimas de raiva brotaram nos olhos de Bella.

— Tudo bem, então você não me quer ver — disse ela. — Mas depois não diga que não lhe dei uma chance!

Com tal declaração, desligou e caminhou para a recepção a fim de devolver o telefone. Antes que pudesse colocá-lo sobre o balcão, começou a tocar novamente e, quando ela se afastou, a recepcionista a chamou pela segunda vez, oferecendo-lhe o aparelho. Bella meneou a cabeça em determinada recusa. Estava ciente dos olhares em sua direção, em particular o de um homem louro com olhos penetrantes que a fez corar. Determinada, saiu correndo do banco.

Estava furiosa por ter sido tão impulsiva e ingênua. Fora uma tola em tentar falar novamente com Edward. Ele não queria ouvi-la, e a notícia de que era pai de gêmeos seria até menos bem recebida. Reconheceu que o único modo de conseguir ajuda financeira de Edward seria por intermédio da justiça. Teria de contratar um advogado para exigir uma reivindicação de paternidade. Mas também sabia que, pelos meios legais, a ação seria muito vagarosa e não teria uma resposta imediata. Portanto, precisava pensar em superar seus escrúpulos e dirigir-se a um jornal.

Edward ficaria muito zangado. De súbito, uma lembrança lhe veio à mente. Uma vez jogara uma bandeja de café contra ele, enquanto gritava. A expressão de perplexidade de Edward a acompanharia até o resto da vida. Ocorreu-lhe na ocasião que ninguém jamais falara com ele daquele jeito, ou lhe dissera que era uma pessoa absolutamente difícil. O desrespeito de Bella o afrontara. Somente depois de ser persuadido a enxergar o lado dela da história, perdoara-lhe a ofensa.

Bella levou uma hora para voltar ao apartamento de Jéssica, mas não havia ninguém lá quando chegou. A amiga tinha avisado que talvez fosse às compras com a mãe. Quando Bella voltou para a rua, uma limusine parou no meio-fio, bem à sua frente, e um homem grande de meia-idade desceu para abrir a porta do passageiro.

— O sr. Cullen gostaria de lhe dar uma carona — anunciou ele.

Tomada de surpresa, ela gelou, examinando as janelas escuras do veículo prateado antes de entrar no carro e aceitando o convite. Gostasse ou não, sabia que aquela era a melhor oferta que provavelmente receberia. Seu coração disparou de tal maneira que fez com que sentisse uma leve tontura.