Voltei depois de uma folga de carnaval! E aí ansiosas pra mais um capítulo? Rsrs Se sim então aproveitem e comentem!
Boa Leitura!!!
Capítulo 2
Quando Bella entrou na limusine, Edward dirigiu-lhe um sorriso de reconhecimento que a teria feito tremer se ela não estivesse preparada para enfrentá-lo.
Ele estava sentado no banco traseiro do carro com um terno preto impecável, que combinava com a camisa listrada e a gravata de seda. Era a própria imagem do banqueiro bilionário que ela havia lido na Internet.
Elegante, bonito, sofisticado e incrivelmente sexy. E não perdera o poder de mexer com a sua libido, pensou Bella.
— Se você queria minha atenção, conseguiu — disse Edward friamente, enquanto a examinava.
Bella tinha o rosto em forma de coração, enormes olhos castanhos e cabelos ruivos. Era pequena e delicada. Magra demais para o gosto dele, e de modo algum podia ser considerada bonita, levando-se em conta que as mulheres mais lindas do mundo haviam decorado sua cama. Edward não podia entender por que ela lhe despertava tamanho desejo.
Bella mudou de posição, parecendo desconfortável, e não respondeu.
O silêncio entre ambos era constrangedor.
— Então? — murmurou Edward enquanto lutava contra uma memória sensual que o afligia. Ela possuía o mesmo aroma de sabonete e ar fresco de sempre. Ele reprimiu aquela imagem frívola com a rigorosa prudência que era sua segunda natureza desde quando tinha seus vinte e poucos anos, época em que aprendera como fechar-se às emoções que não fossem bem-vindas.
Achou significativo que tivesse se envolvido com Isabella Swan quando se sentira emocionalmente fora de controle. — De que se trata? — perguntou com austeridade.
Só de olhá-lo, Bella sentiu a boca secar, pois Edward era incrivelmente bonito. Podia ver a imagem dos filhos nas feições bronzeadas, notando as sobrancelhas espessas e retas, o queixo determinado, a boca carnuda e os cabelos acobreados. Seus garotinhos eram verdadeiros clones do pai.
— Eu gostaria que você tivesse recebido a carta que lhe enviei.
Ela pareceu tão jovem naquele momento que Edward sentiu uma pontada de culpa.
Que loucura fizera 18 meses antes, ignorando todos os seus escrúpulos? Era o mesmo que seduzir uma adolescente. Bella obviamente era uma garota indefesa. As outras mulheres que Edward conhecia não lhe escreveriam cartas depois de serem dispensadas.
— Vamos esquecer a carta. — Ele observou-lhe as roupas rotas e os tênis gastos. A pobreza dela era óbvia e sua desconfiança aumentou. Não podia esquecer a ameaça em potencial com a qual ela terminara a conversa ao telefone. — O que aconteceu a você?
Ciente da inspeção visual dele, Bella murmurou em tom de desculpa:
— Eu sei... não pareço a mesma, não é? A vida foi dura para mim no ano passado.
— Se você precisa de dinheiro, eu lhe darei. Dramas e histórias tristes não são necessários — disse ele.
Os olhos castanhos revelaram orgulho ferido.
— Meu Deus, você acha que o procurei para contar histórias tristes? Tudo bem, vou direto ao ponto. Você me engravidou!
Atônito em razão daquelas palavras, Edward colocou-se na defensiva, sem mexer um músculo sequer.
Bella estava pálida.
— Não fiquei muito satisfeita, também. Para ser honesta, fiquei aterrorizada...
— E uma espécie de chantagem? Se for, é de muito mau gosto.
— Chantagem? — repetiu ela, furiosa.
— Não acredito que eu a tenha engravidado. Por que somente saberia disso agora? Como pode esperar que eu acredite nessa tolice? — Você só está sabendo disso agora porque não me deu seu endereço.
— Mas deixei-lhe um número de telefone.
— E eu liguei mais de uma dezena de vezes e, em todas, fui informada de que você não estava disponível. Era o mesmo que possuir um número inválido.
Edward não pareceu impressionado.
— Não aceito essa justificativa. Meus empregados são muito eficientes.
— Finalmente, uma de suas empregadas ficou tão cansada dos meus telefonemas que decidiu me explicar. Disse que meu nome não constava na lista do patrão dela e, portanto, eu jamais conseguiria falar com você, nem que esperasse uma eternidade!
Edward franziu o cenho.
— Seu nome deveria estar na lista...
— Não, não estava. Por que fingir? Ambos sabemos por que razão meu nome não estava em sua lista VIP - censurou Bella, com uma amargura que não podia esconder. — Você não queria ter notícias minhas. Não desejava um próximo contato. É um direito seu, mas não tente criticar-me por não lhe ter dito que estava grávida, uma vez que eu não tinha como contatá-lo!
— Você está histérica! Não vou continuar esta conversa — disse ele em tom irado porque Bella levantara a voz.
Bella suspirou longamente, enquanto imaginava se ele se lembrava dela servindo-lhe café de joelhos só para fazê-lo rir.
— Não estou histérica. Sinto muito se estou tão zangada, mas não posso evitar. Eu devia saber que isso não daria certo. Não devia ter ido ao seu banco ou entrado neste carro.
— Acalme-se — interrompeu ele, enquanto tentava descobrir o motivo para a história que ela estava lhe contando. Não acreditava que aquilo fosse verdade. Talvez não tivesse sido muito cuidadoso com o uso de preservativo quando estivera com Bella. Havia uma remota possibilidade de não tê-lo usado. Teria sido tão irresponsável?, perguntou-se chocado.
Bella cobriu o rosto com as mãos trêmulas.
Acalme-se? Sua cabeça estava latejando de tensão e a barriga contorcia-se.
Enquanto ele a observava, cerrou os punhos, mas permaneceu imóvel. Do outro lado da divisória de vidro, Paul tentava observar o patrão pelo espelho retrovisor, a fim de descobrir que rumo seguir. Numa decisão repentina, Edward apertou o botão para fechar a área dos passageiros, dando-lhe privacidade. Se ela chorasse, não queria que suas lágrimas fossem testemunhadas por outras pessoas além dele.
— Está tudo bem — murmurou ele gentilmente.
— Nada está bem. — Bella sentia-se frustrada. Edward não acreditava nela. Provavelmente olharia para Toby e Connor e acharia fácil negar que eram seus. E daí? Ela baixou a cabeça, exausta pela energia despendida ao confrontá-lo.
Edward reconheceu o frágil estado emocional de Bella. Ela estava desesperada e sem dinheiro. Presumivelmente, por isso fora lá com a tola história da gravidez, esperando despertar-lhe alguma empatia. Sua raiva já havia diminuído, sendo substituída por um esforço de entender o apuro em que ela se encontrava.
— Você está desempregada? — perguntou, decidindo concentrar-se em detalhes práticos.
Bella olhou-o surpresa por entre os dedos que ainda cobriam o rosto, então baixou as mãos de volta ao colo.
— Sim.
— Então decidiu aproximar-se de mim em busca de ajuda. Está bem. — Edward resolveu oferecer assistência de todos os modos que pudesse.
— Onde você está morando no momento?
Incerta sobre o rumo daquele diálogo, Bella piscou.
— Num hotel tipo cama e café. Tive de deixar á quitinete onde eu estava.
Edward não tinha ideia do que era um hotel com cama e café. Mas sabia que uma quitinete sequer possuía um quarto, o que considerava algo degradante. Estudou-a, perguntando-se se ela perdera peso por falta do que comer. O pensamento o abalou mais do que gostaria.
— Você está com fome?
Vagarosamente, ela assentiu, pois fazia horas desde que comera alguma coisa, mas aquelas perguntas a estavam desconcertando.
— Você não vai perguntar-me nada sobre o bebê?
Com a menção da palavra "bebê", Edward endureceu as feições instantaneamente.
— Pensei que havíamos esquecido essa história improvável. Você não está ganhando ponto algum comigo.
Bella enrubesceu.
— Por que está tão convencido de que minto? Terei de procurar um advogado, a fim de que você me leve a sério?
Quase imperceptivelmente, Edward ficou tenso. A referência a um júri legal não combinava com as conclusões que havia tirado.
— Você simplesmente não quer saber, não é? — Bella sacudiu a cabeça com raiva. — Mas estou criando seus filhos!
— Meus filhos? — repetiu Edward, incrédulo. — Você está louca?
— Tive gêmeos. Você tem ideia do quanto isso é duro para mim? Como acha que me sinto por ter de lhe pedir uma pensão para que eles comam e se vistam?
Gêmeos! A simples palavra atingiu Edward mais duramente do que qualquer outra. Era um fato conhecido a poucas pessoas que ele era gêmeo de um irmão natimorto.
— Você está me dizendo que deu à luz gêmeos?
— O que lhe importa? Escute, pare o carro e deixe-me descer. Já tive o suficiente disso por hoje.
— Dê-me seu endereço.
Enquanto Edward abria a divisória entre eles e comunicava-se com o chofer em grego, Bella cruzou as mãos, nervosa.
— Que idade os gêmeos têm?
Ela percebeu que ele finalmente a estava ouvindo.
— Quase dez meses.
O improvável começou a parecer mais plausível para Edward. Todavia, era difícil acreditar que pudesse se encontrar numa situação dessa.
— E você está dizendo que seus filhos são meus? Pela expressão e palidez de Edward Cullen, não havia dúvida de que estava aterrorizado com essa possibilidade.
— O que mais você acha que estou fazendo aqui? Tudo bem, você ainda tem a esperança de que seja uma extorsão. Desculpe-me, mas não sou uma vigarista. Os gêmeos são seus e não há engano sobre isso.
— Insistirei em exames de DNA — retrucou Edward.
Bella se sentiu profundamente insultada. Como ele ousava? Edward fora seu único amante, mesmo que não soubesse disso.
Mas, então, o que poderia esperar de Edward Cullen com a notícia que acabara de lhe dar? De um homem que a dispensara enquanto cautelosamente permanecia no anonimato? Um homem que nunca mais havia pensado nela desde então? É claro que ele não estava deliciado, e jamais ficaria. Obviamente, preferia que aquilo fosse um engano, e que ela estivesse aplicando algum tipo de golpe. Afinal, Edward Cullen não sentia nada por ela. Bella fora apenas um divertimento sexual quando ele estivera entediado. Não a amava e não queria estar a seu lado, portanto, o que a paternidade poderia significar para ele?
Edward certamente não desejaria filhos. Mas não importava, concluiu ela. Tudo que queria e precisava dele era uma ajuda financeira.
A limusine parou. Num movimento abrupto que revelava seu grau de estresse, Edward baixou a guarda e cobriu-lhe a mão com a sua.
— Se eles forem meus filhos, juro que a ajudarei de todos as maneiras possíveis — disse ele. — Dê-me o número de seu celular.
— Não tenho telefone.
Ele tirou um cartão do bolso, escreveu um número e entregou-o a ela.
— É meu número pessoal.
O número privativo de Edward. Os olhos de Bella arderam de raiva.
Queria rasgar o cartão e atirá-lo longe, porque ele fora tão cuidadoso em não lhe dar aquele número pessoal dezoito meses antes. Com um nó se formando na garganta, ela mal podia respirar. Amara-o tanto! Sofrera terrivelmente quando ele a rejeitara. Segurando o cartão, desceu do carro sem ao menos despedir-se.
Edward observou-a atravessar a calçada repleta de gente. Ela movia-se com graça e passos leves de uma dançarina. Desviando a atenção e recusando-se a reconhecer aquela reflexão, ele fechou a porta do carro, permanecendo sozinho com seus pensamentos desoladores. Embora possuísse um lugar proeminente no mundo das finanças, sua vida privada estava destinada a ser um desastre. Mais uma vez, havia errado. E, novamente, teria de pagar o preço. Tudo que precisava, refletiu com amargura, era aceitar a culpa que duraria pelo resto de sua vida. Como era possível que os gêmeos fossem seus? Lembrou-se da sinceridade de Bella no passado. Não houvera meias verdades nem evasões. Ele gostara disso... até que ela pronunciara as palavras fatais que ele não suportava ouvir dos lábios de nenhuma mulher. Eu o amo. Uma pequena frase que pertencia somente a Victória.
Por que deixara Bella sair da limusine? Provavelmente, ela não mentira dizendo que ele era o pai dos gêmeos. Edward deu de ombros. Sabia exatamente o que lhe era exigido. Assim como sabia que havia cavado a própria sepultura. Lembrou-se que Bella não tinha sequer um telefone.
Talvez não tivesse o que comer.
— Você tem compromissos, chefe — observou Paul. Edward ignorou a observação. Agindo puramente por impulso, foi ao Harrods e comprou uma enorme cesta de alimentos e a última palavra em telefone celular na cor favorita de Bella. Depois, ligou para o seu advogado, requisitando especialistas em DNA e recomendando extrema prudência.
Pensou no potencial de um escândalo enorme. Visitas pessoais e presentes somente reforçariam qualquer reclamação feita contra ele, e acrescentava o risco de publicidade sórdida.
— Seus avós...
O lembrete de Paul foi suficiente para fazer Edward parar de divagar.
Anthony e Elizabeth Cullen ficariam muito contrariados se um escândalo atingisse seus netos.
O velho casal não estava numa idade em que a boa saúde pudesse ser abalada. Nesse meio-tempo, Edward entendeu que uma conduta discreta e cautelosa seria o mais sábio a fazer.
Ao chegar em casa, Bella foi interceptada antes que pudesse subir para o seu quarto.
— Srta. Swan?
Era o mesmo homem magro e louro que a observara no saguão do Banco Cullen.
— Sim?
Ele entregou-lhe um cartão como apresentação.
— Sou James. Trabalho para o Daily Globe. Posso perguntar-lhe qual é a sua relação com Edward Cullen?
Surpreendida, Bella murmurou:
— Não sei do que você está falando.
— É claro que sabe. Você acabou de descer da limusine do homem!
— Você me viu? Seguiu-me desde o banco? E seguiu meu amigo também?
Irritada, Bella voltou-se em direção à escada novamente.
O repórter a seguiu.
— Ouvi que você tem dois filhos...
— E o que você tem a ver com isso?
— Cullen é um sujeito muito interessante. Se você tiver algo a nos contar sobre ele, isso pode lhe render muito — disse ele com olhar significativo. — O homem vive num mundo que a maioria de nós somente pode invejar. Portanto, alguma coisa de natureza pessoal teria um valor muito alto em dinheiro.
Bella hesitou, com a repugnância dominando-a. Queria dizer-lhe para desaparecer e deixá-la sozinha. Se ao menos Edward lhe houvesse feito uma promessa mais concreta de ajuda do que um número de telefone!
Jéssica achava que ela deveria fazer qualquer coisa para dar a Toby e Connor uma vida melhor. Mas conversar com um jornalista em troca de dinheiro era algo que não condizia com seus valores morais.
— Estamos no seu rastro agora, portanto, se houver qualquer sujeira para cavar, descobriremos de qualquer modo. Então, por que não torna as coisas mais fáceis para nós em troca de lucro também?
— Não estou interessada nessa proposta. — Mesmo enquanto falava, Bella não sabia se estava tomando a decisão certa.
Uma hora depois, voltou ao apartamento de Jéssica para pegar Toby e Connor. Enquanto a amiga atendia a mãe ao telefone, ela pegou os filhos do carrinho de bebês e deu-lhes um abraço bem apertado. Após uma manhã movimentada, Toby abriu-lhe um imenso sorriso e Connor riu.
— Então, conte-me — exigiu Jéssica, impaciente — O que aconteceu? Conseguiu falar com Edward?
Bella explicou enquanto a amiga ouvia com ávido interesse e a fazia descrever a limusine em detalhes.
— Edward é obviamente muito rico. — Uma expressão calculista formou-se no bonito rosto de Jéssica. — E a melhor oferta que pode fazer-lhe é um exame de DNA? Ele terá de fazer muito mais do que isso!
— Ele ficou chocado. Eu lhe darei alguns dias e vamos ver o que acontece — disse Bella, mostrando o cartão que o jornalista lhe havia entregue.
— Oba! — Jéssica pegou o cartão para examiná-lo, mais impressionada pelo interesse do Daily Globe do que qualquer outra coisa. — Este James deu-se ao trabalho de segui-la? Edward deve ser uma celebridade e tanto! E você, sua tola, recusou a oferta do repórter? Está louca?
— Tenho de dar a Edward uma chance de nos ajudar primeiro.
— Mas, se a mídia descobrir quem são os garotos sem a sua ajuda, você não ganhará dinheiro algum!
Bella estava começando a sentir-se desconfortável.
— Sei disso, mas acho que ninguém descobrirá qual foi a minha relação com Edward. Quero dizer, ninguém sabe sobre nós. — Você pode ganhar uma fortuna com isso, Bella — insistiu a amiga.
— Edward detestaria essa espécie de publicidade e jamais me perdoaria.
— E daí? O que ele significa para você?
— Ele sempre será o pai dos gêmeos. Não quero torná-lo meu inimigo. Vender nossa história para os jornais será o meu último recurso.
Jéssica lançou-lhe um olhar fulminante.
— Você está sendo muito tola. O problema é que ainda sente algo por aquele canalha.
Bella sentiu-se afrontada pela sugestão.
— Não, não sinto nada — disse e achou mais sábio agradecer à amiga morena por tomar conta dos gêmeos e ir embora.
No meio da manhã do dia seguinte, um jovem com roupa esportiva bateu à porta de Bella.
— Você é Isabella Swan?
Quando ela assentiu, ele estendeu-lhe um telefone celular.
— Sou advogado, incumbido de representar os interesses de certa pessoa, srta. Swan — murmurou ele com voz forte ao telefone. — Estou certo de que entenderá a necessidade de discrição neste caso. Está disposta a fazer um teste de DNA?
Bella ficou surpresa, mas reconheceu que tal velocidade de ação era essencialmente um traço da personalidade de Edward Cullen.
— Sim...
— Então assine o formulário de consentimento e cuidaremos do assunto imediatamente.
Um envelope e uma caneta foram entregues a ela e o telefone devolvido. O mensageiro partiu. Bella desdobrou o documento, examinou-o com olhos atentos e então assinou. Edward estava fazendo o que considerava certo. Era insultante e humilhante, mas também necessário, se ela quisesse provar o que dizia. Dentro de meia hora, um médico chegou com uma maleta.
Explicou que o teste consistia em passar um chumaço de algodão em sua garganta e na dos gêmeos, de modo indolor, a fim de retirar material para o laboratório. Em questão de minutos, realizou o procedimento e partiu.
Ela passou a noite com Toby no colo, tentando acalmá-lo.
Embora ainda fosse cedo, nove horas, um homem bateu à porta para reclamar e pediu-lhe para manter os garotos quietos porque precisava dormir. Lágrimas corriam pelo rosto de Bella enquanto lutava para acalmar Toby, que parecia não gostar de dormir à noite. Era impossível não olhar para trás e perguntar-se como sua vida mudara tanto nos últimos meses.
Depois que o pai inglês de Bella falecera, sua mãe levou a filha de volta para a Irlanda. Bella teve uma infância feliz numa pequena cidade onde todos se conheciam. Graduada com louvor em Economia, ficou perplexa quando conseguiu seu primeiro emprego como assistente pessoal em Londres. Mas, quando sua mãe caiu doente, teve de demitir-se e retornar à casa. A despeito de sua saúde frágil, Renée Swan insistiu em continuar com seu emprego de meio período. Temendo perder seu sustento, a velha senhora somente foi persuadida a aceitar o conselho do médico e descansar quando Bella concordou em ficar a seu lado até que ela recuperasse as forças.
Renée trabalhava como zeladora e diarista numa mansão que dava para o mar, a poucos metros da casa delas. Pertencente a um alemão e raramente ocupada, a propriedade era circundada por altíssimas grades de ferro e um grande portão, o que lhe conferia incrível privacidade.
Certo dia, Bella preparara a casa para ser ocupada por um único hóspede misterioso. Devido a um acidente de carro, as duas empregadas que viajariam com Edward foram dispensadas, e a agência imobiliária que alugava a casa, desconhecendo que Bella estava fazendo o trabalho da mãe, recomendara esta como cozinheira e diarista.
Um fax se seguiu, detalhando as exigências, e Bella ficara confusa diante do número de regras que deveria observar, desde as refeições, que deviam ser servidas em horário rígido, até uma observação de que ela teria de ser tanto invisível quanto silenciosa. Por outro lado, o salário oferecido era generoso o suficiente para trazer um sorriso de deleite ao rosto ansioso de sua mãe. Um equipamento instalado no escritório com vista para o mar fora requisitado. Sabendo como Edward era em questão de perfeição, Bella secretamente ressentiu-se do papel de empregada e havia se recusado a ser devidamente humilde.
O fato de que eles se encontrariam era inevitável.
Nenhuma passagem de tempo seria capaz de eliminar da memória de Bella sua primeira visão de Edward. Depois que ele chegou de helicóptero, foi direto para a praia. A cerca de poucos metros, ela o observou, totalmente encantada com sua exuberância masculina. Vestido de jeans e um suéter de lã cinza, com os cabelos acobreados despenteados pela brisa e o sombreado da barba que despontava, obscurecendo seu queixo obstinado, ele a enfeitiçou.
Ela nunca vira um homem tão bonito antes, e aparentemente tão sozinho e isolado. Um desejo lascivo a dominou naquele exato momento, e Bella nunca mais conseguiu superar isso.
Então, alguém bateu à porta nesse instante, arrancando-a de suas lembranças, e ela temeu outra queixa justamente quando Toby havia acabado de aquietar-se e dormir. Andando na ponta dos pés, entreabriu a porta porque estava com roupa de dormir, e então deparou-se com uma cena que a deixou perplexa.
— Posso entrar? — perguntou Edward sorrindo, sua dignidade tendo sido severamente abalada pela insistência de Paul de que o patrão deveria entrar no edifício de maneira clandestina e por uma alameda cheia de latas de lixo. Um instante depois, a irritação de Edward havia desaparecido, sendo substituída pelo choque que sentiu ao se deparar com o ambiente à sua volta.
Edward era um homem de ação e fazer um jogo de espera quando Bella pediu-lhe ajuda ia contra o seu código de ética. Ignorar os conselhos de seus advogados e seguir seus impulsos era algo que combinava mais com sua natureza autoritária.
Mas, jamais tivera contato pessoal com a espécie de pobreza que agora o confrontava.
O quarto era minúsculo, apertado e ordinário. Um varal de roupas estava repleto de fraldas úmidas. Um carrinho duplo de bebê e um berço abarrotavam o cômodo exíguo, para os qual ele desviou sua atenção. No pequeno espaço entre o guarda-roupa danificado e uma pia repleta de mamadeiras, estava Bella de pé, aturdida. Ele a olhou fixamente. Os cachos castanhos com mechas vermelhas cascateavam em volta do rosto, e os últimos raios de sol brilhavam nos olhos castanhos chocolates. O corpo de Edward respondeu com um forte desejo sexual.
Aquela onda de luxúria fez ressurgir memórias que ele havia se esforçado muito para reprimir. Bella contra a parede da cozinha, tombada sobre uma pilha de roupas lavadas, Bella numa banheira com uma ciranda de velas à sua volta. As velas haviam sido apagadas pela água que transbordou quando ele a tomou nos braços. A cada minuto que se passava, Edwwrd descobria que não podia ter o suficiente dela, e aquela falta de controle tão alheia a seu temperamento ia contra a sua natureza.
— Eu não estava esperando por você. — Bella podia sentir a tensão reinante no ar e não conseguia desviar a atenção de Edward. Ele sempre exercera aquele efeito sobre ela.
— Se não fosse por um compromisso de jantar, eu teria vindo antes.
Surpreendido com a camisola que ela usava, Edward esforçava-se para não observar os seios lindamente redondos sob o tecido gasto. Cerrou os dentes enquanto questionava por que a mulher exercia um efeito tão intenso sobre sua libido.
— Estou satisfeita que você esteja aqui — admitiu Bella, sentindo que sua crença nele fora sensata.
Um choro baixinho soou no quarto. Edward ficou rígido. Uma mãozinha de bebê agarrou uma das barras do berço e um rostinho apareceu. Tomado pela mais torturante curiosidade, e a despeito de sua resistência à ideia de paternidade, Edward vagarosamente aproximou-se. A rápida concordância de Bella à exigência de um teste de DNA o convencera de que ela provavelmente estava falando a verdade.
— Meninos? — sussurrou ele, olhando para as duas cabeças acobreadas encaracoladas.
— Sim.
— Mas não idênticos.
A semelhança dos dois pares de curiosos olhos castanhos fez Edward gelar. Sem sombra de dúvida, eram seus. Um olhar observador era suficiente para convencê-lo daquela realidade, pois ambos os rostinhos tinham forte evidência da linhagem Edward: sobrancelhas retas que eram uma leve versão infantil de suas próprias, a tradicional covinha no queixo dos Cullen's, pele e olhos um pouco mais claros que os seus, mas os mesmos cabelos cobres em tom dourado. Os cachos eram de Bella, a única evidência da contribuição genética dela. Ele era pai, assumiu chocado.
— Não — concordou ela apressada, necessitando saber o que ele estava pensando. — Mas são muito parecidos! A primeira vista, a maioria das pessoas pensa que são gêmeos idênticos.
Em silêncio, Edward continuou observando os meninos.
Ali estavam eles, compartilhando o mesmo berço, como órfãos numa creche miserável. Seus filhos, sua responsabilidade.
A vida como conhecia estava terminada, pensou ele. Sua liberdade havia acabado, e podia esperar pela pior sentença. Não havia fuga para as agonias diante de si. Teria de propor casamento a Bella. A culpa era toda sua. Ele punia a si mesmo. Que horrível confusão!
Um dos bebês chorou e ela curvou-se sobre a lateral do berço para pegar a criança, oferecendo a Edward uma vista provocante de seu traseiro em forma de maçã. Ela podia ser pequena e leve, mas era muito feminina nos lugares que importavam.
— Acho que você deveria vestir uma roupa — disse Edward, com a censura de um puritano sendo tentado por uma mulher livre.
Somente então Bella percebeu que estava quase nua, e enrubesceu.
— Pelo amor de Deus, estou de camisola.
— São só nove e meia da noite...
— E daí? Durmo quando aparece a chance!
Sem pensar no que estava fazendo, ela colocou o filho nos braços de Edward e correu para pegar seu roupão. Seu rosto queimava. Teria ele lhe dito para cobrir-se porque acreditava que ela estava tentando seduzi-lo com seu corpo? Parecia assim tão desesperada?
Quando Bella colocou Connor em seus braços, Edward petrificou-se.
Reagindo à extrema tensão do pai, a criança caiu em choro convulso.
Consternado, Edward examinou o bebê que gritava e colocou-o no tapete.
— Chega — murmurou para o filho em grego e em tom reprovador, como se ele tivesse sete anos, e não alguns meses.
Quando Connor começou a berrar mais alto, Bella pegou-o do chão e abraçou-o de modo protetor junto ao peito.
— Como você pode colocá-lo no chão dessa maneira? Acha que ele não tem sentimentos?
Edward estremeceu quando Toby soltou um grito estridente vindo do berço.
— Sou um estranho para ele. Pensei que o tivesse assustado. Nunca segurei uma criança até hoje.
— Nem eu havia segurado quando os gêmeos nasceram. Mas não tive outra escolha senão aprender!
— Não preciso aprender — protestou Edward friamente. — Tenho condições de contratar uma babá.
— Estou radiante por você — zombou ela.
Encostado na porta do pequeno quarto, Edward observou os esforços de Bella para apaziguar os bebês. Com duas pequenas criaturas chorando daquele jeito, não era de admirar que ela parecesse tão exausta.
Ele estava consciente de que havia ajudado a gerar aqueles dois monstrinhos que infernizavam a existência diária de Bella. Estava também determinado a penetrar o mistério da atração que sentia por ela, uma vez que a mãe de seus filhos não possuía a menor semelhança com as mulheres com as quais normalmente saía. Não era alta, nem loura, tampouco bonita de um modo arrebatador.
Embora fosse delgada e pequena, havia algo harmonioso em suas feições delicadas, e as inesperadas curvas luxuriosas dos seios e quadris a tornavam terrivelmente atraente e desejável.
De repente, Edward começou a imaginar-se deslizando as mãos por sob a fina camisola que ela usava, e a simples ideia do delicioso toque da pele sedosa sob as suas palmas quase o enlouqueceu.
— Afinal, qual é o seu problema? — perguntou Bella, frustrada. Não podia lidar com os gêmeos chorando ao mesmo tempo e estava ciente do nível de decibéis no quarto. — Não sente nenhum interesse por seus próprios filhos?
Dominado pela fantasia erótica, Edwsrd dirigiu-lhe um olhar inquisidor.
— Estou aqui — respondeu simplesmente. — Isso deveria dizer-lhe alguma coisa.
— Sim, diz que você não queria estar aqui! — condenou Bella, desolada com o comportamento dele sem sequer perguntar os nomes dos gêmeos. -E o que sua atitude está me dizendo!
— Como posso ajudar? — indagou Edward com sotaque forte.
— Pegue Toby...
Edward aproximou-se do berço e estendeu as mãos para o bebê que se contorcia. Efetuou aquela façanha como se fosse tocar em fogo ardente.
Toby. Edward repetiu o nome na mente, lendo o olhar de surpresa nos olhos castanhos do menino quando o tirou do berço. Segurou Toby de modo desajeitado.
Mais hábil dessa segunda vez, espantou-se com a leveza do bebê... e então encantou-se com o sorriso cativante que transformou o rosto do menino.
Aquele sorriso feliz fez Edward lembrar-se de seu avô Anthony e também fez Toby parecer familiar.
Preocupada em acalmar Connor, Bella sentiu que a paz havia voltado novamente. Olhou para Edward sorrindo para o filho no colo, e seu coração quase parou, enquanto memórias dolorosas levaram lágrimas a seus olhos. Uma vez, e por um breve período, Edward a olhara como agora e ela quisera dar cambalhotas e cantar diante da mera alegria de viver. Não lhe ocorrera então que perdê-lo doeria terrivelmente, que o mundo que ele havia tornado tão brilhante e cheio de promessas poderia rapidamente ficar cinza e ameaçador. Mas agora, lembrou-se com firmeza, não era mais tão ingênua e confiante. Esperar mais de Edward Cullen do que ajuda para o aluguel seria procurar problemas.
— Como se chama o irmão dele? — perguntou Edward.
— Connor.
— Temos de discutir os requisitos para esta situação — disse ele, utilizando a terminologia comercial com a qual estava acostumado.
— Não estou esperando muito de você. Apenas desejo ter um lugar decente para viver com eles — murmurou Bella enquanto colocava Connor cuidadosamente de volta no berço e estendia os braços para o outro filho.
Edward entregou-lhe Toby. Ela podia ser tão desprendida realmente?
Ou estava apenas fingindo inocência? Bella não sabia que o simples fato de ter tido dois filhos seus podia transformar-se num empreendimento altamente lucrativo?
— Tirarei vocês daqui assim que possível — respondeu ele. — Amanhã, acredito.
Bella recuou para examiná-lo, com olhos arregalados de estupefação.
— Amanhã? Você está falando sério?
— Eu levaria você para casa comigo agora, mas não seria muito confortável para as crianças a esta hora da noite. — Os olhos dourados pousaram nela por um átimo de segundo com uma intensidade que a deixou arrepiada.
Bella sorriu sem graça, assumindo que a referência de levá-la para casa deveria ser uma brincadeira.
— Felizmente para você, não espero ir para a sua casa. Ficarei mais que feliz se puder sustentar um pequeno apartamento para nós três — disse ela, evitando o olhar de Edward. — Meu Deus, por que é tão constrangedor falar de assuntos que envolvem dinheiro?
Edward, que nunca considerara dinheiro uma fonte de constrangimento, ficou imóvel.
— Naturalmente, não tenho intenção de deixar você criar os gêmeos sozinha.
Bella amarrou o cordão de seu roupão com mãos nervosas e não disse nada.
Então ele estava planejando assumir uma espécie de função paternal? Uma visita uma vez por mês? Intercaladas entre viagens de negócios e fins de semanas de sexo casual com mulheres maravilhosas?
— Não sou um patife total — murmurou ele. Com cuidado, Bella desviou o olhar. Achou mais sábio não comentar, porque, afinal de contas, havia passado 18 meses pensando nele exatamente naqueles termos. Edward lhe tirara a virgindade, a engravidara, depois a dispensara, deixando-a com um número de telefone inútil para emergências. Além disso, descobrira na internet que ele tinha a reputação de um mulherengo de sucesso e com gosto por supermodelos. Em comparação, Bella não era ninguém, e estava determinada a não se esquecer disso. Agora, pretendia manter os pés bem fincados na terra.
Edward, que não estava acostumado a críticas e desaprovação de uma mulher, sentia-se aborrecido diante do impassível silêncio dela.
— Bella... sou um homem honrado.
Ela levantou a cabeça, encontrou o olhar potente e percebeu a intensidade da raiva dele.
Isso exerceu um efeito perturbador sobre Bella, porque sabia que Edward podia ir da raiva para a paixão no espaço de um momento. Aquela fachada de gelo ocultava um âmago derretido.
Ela sentiu o estômago se contorcer e os mamilos enrijecerem por baixo da roupa. Sentia calor por todo o corpo.
— Edward.
Alerta a todos os sinais de Bella, Edward mudou para o mesmo canal de comunicação sem se dar conta disso. Estava examinando a rosada suavidade da boca carnuda com vil intenção. Se a beijasse, ela pararia de falar, exprimindo sentimentos tolos que podiam somente ofender. O desejo que nutria por ela era tão ardente que chegava a doer, forçando-o a reconhecer quanto tempo se passara desde que havia desejado qualquer mulher com tamanha intensidade. Segurando-lhe o ombro, puxou-a para si.
Bella fechou os olhos ao primeiro toque dele, deixou a cabeça cair para trás num convite, com os lábios entreabertos. Ele aproveitou o oferecimento sensual e a beijou. Não pediu, mas exigiu, enquanto o desejo avassalador o consumia. A cabeça de Bella girava, quase não podia respirar, enquanto seu corpo reagia ao desejo opressivo com total entusiasmo.
Ela tremia e agarrava-se aos ombros largos, gemendo sob o beijo erótico.
Foi um som desconhecido que impediu Edward no exato momento de levá-la para a cama. Dando um passo atrás com um gemido, focalizou os bebês observando-os através das barras do berço. Estava assustado por ter perdido o controle. Havia se esquecido das crianças.
— Eu não devia ter feito isso. Fui inconveniente — murmurou friamente.
Bella afastou-se com fraqueza nas pernas. Uma doce sensação ainda vibrava em ondas sedutoras por todo o seu corpo recém-desperto. Sabia que devia odiar-se por sucumbir àquele beijo apaixonado, mas, na realidade, queria que Edward a levasse para a cama e fizesse amor com ela. Apesar de envergonhada pelo próprio pensamento, havia apenas uma pergunta que precisava fazer:
— Há alguém mais?
O silêncio reinou como um gigantesco abismo que, de repente, abriu-se a seus pés.
Ela sempre dissera a coisa errada a ele. Como eu o amo... uma frase que o fizera deixar o país, fugindo sem pensar duas vezes.
Agora se arrependia da pergunta, pois já podia adivinhar a resposta.
Edward era um jogador, um diplomata. Um homem que não podia cruzar uma sala sem receber um olhar feminino convidativo.
— Este não é o momento para tratarmos disso — respondeu ele. Então, estudou-lhe a cabeça inclinada. Ela parecia tão vulnerável. Por que sempre o fazia sentir-se um canalha?
— Você não devia ter me tocado...
— Você queria ser tocada. — Ele atirou um pequeno pacote sobre a cama. — Isto é para você. Entrarei em contato amanhã.
Era um pequeno celular moderno, na cor favorita de Bella.
Ouvindo a porta se fechar quando Edward partiu, ela piscou, confusa. De repente, o quarto pareceu mais vazio do que nunca. Queria atirar-se contra a porta e soluçar como um bebê. Não gostava dele e sabia que não era o homem certo para ela. Mas isso não significava que tivesse aprendido a deixar de ama-lo.
E quem não ia amar um homem desses?? Rsrs. Cometem e até o próximo!!!
