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Boa Leitura!!!
Capítulo 5
Na manhã seguinte, Edward examinou a única folha de papel. Não ficou surpreso com o resultado do teste de DNA.
Era o pai dos dois garotinhos que, no momento, ocupavam o berçário no último andar.
A linha privativa de seu celular tocou. Ele atendeu rapidamente, o rosto rígido quando reconheceu a voz do avô. Soltou um suspiro profundo.
— As crianças são minhas — confirmou.
— Como você se sente? — Anthony Cullen inquiriu num tom encorajador que desconcertou Edward, até que imaginou que o velho homem devia estar mascarando suas reações verdadeiras devido à afeição que nutria pelo neto.
— Como me sinto não muda em nada a situação — respondeu Edward secamente.
— Deve ser o destino — murmurou o avô sem hesitar. — Você disse que não teria filhos, mas... aí estão eles.
Edward cerrou os dentes pela recordação fora de hora e ofereceu-se para voar a fim de dar a notícia para a sua avó. Anthony disse que preferiria executar essa tarefa. Edward amenizou a culpa em sua consciência, assegurando-lhe que se casaria com a mãe dos gêmeos tão logo tudo fosse arranjado.
Em resposta, Anthony soltou um profundo suspiro.
Bella acabara de dar banho nos bebês quando recebeu o recado de que Edward a esperava na biblioteca. Enquanto voltava para o seu quarto a fim de se arrumar, gelou. Seu rosto estava corado, os cabelos, desalinhados, e vestia jeans e uma camiseta... mas o que isso importava?, perguntou-se.
Precisava aprender a olhar para Edward apenas como pai de Toby e Connor, e suprimir qualquer possibilidade de um contato mais íntimo entre eles.
Deixando os filhos aos cuidados da babá, e descendo a escadaria, Bella questionou-se por que Edward continuava querendo agarrá-la. Ele teria desejo sexual em excesso? Ela mirou o retrato da delicada Victória e rapidamente afastou o olhar, sentindo uma ponta de inveja que lhe causou vergonha. Mas não havia comparação entre elas. Victória era grega, rica, de uma beleza clássica, e o grande amor da vida do marido. Bella descobriu que não queria nem mesmo olhar na direção daquela pintura, que parecia evidenciar tudo que ela não era e fazê-la sentir-se muito pequena e insignificante.
Edward voltou-se da janela quando ela entrou. Imaculado num terno cinza-grafite e numa chamativa gravata de seda listrada de vermelho e cinza, o impacto de sua beleza máscula a atingiu em cheio.
— Você deve ser a hóspede mais invisível que já tive — murmurou ele, enquanto se perguntava como ela podia parecer tão bonita sem os artifícios de cosméticos. — Não a vejo desde ontem.
— É uma casa grande.
— Antes que eu me esqueça, quero que autorize a remoção de seus pertences do lugar onde estava hospedada. As coisas que deixou guardadas no apartamento de sua ex-amiga também devem ser tiradas de lá.
— É claro. — Ferida pela lembrança da traição de Jéssica, Bella empalideceu.
— Quer um café? — inquiriu Edward com fria polidez.
— Não, obrigada.
— Sente-se. O que tenho a dizer tomará algum tempo. — Olhando-a, ele acrescentou: — Sem comentários?
— O que você quer que eu diga? O teste de DNA foi ofensivo, porém muito mais do que eu esperava de você.
Edward ficou tenso.
— Como assim, ofensivo?
— Você sabe quando Toby e Connor nasceram e sabe que foi o primeiro homem com quem dormi. Fiquei grávida na primeira semana em que estivemos juntos. Não havia possibilidade de o pai ser outro.
Um rubor quase imperceptível tomou conta do rosto soberbo de Edward.
— Eu precisava ter certeza de que era o pai. Não aceito nada sem provas.
— Especialmente más notícias.
— Bella, essa espécie de comentário não leva a lugar algum na atual contingência. Naturalmente, a revelação chegou como uma surpresa, mas me ajustarei à realidade.
Edward contemplou o movimento dos seios de Bella por baixo da camiseta de algodão e imaginou se ela estaria usando sutiã ou não.
— Mas você não precisa se adaptar a nada. — Ela passou uma das mãos pelos cabelos castanhos com mechas ruivas. — Nada tem de mudar em sua vida. Não estou procurando um pai para os gêmeos.
Ela estava de sutiã, concluiu Edward desapontado, quando Bella se moveu. Ele soltou uma risada irônica.
— Muito engraçado...
Os olhos castanhos brilharam.
— Eu não estava tentando ser engraçada. Apenas justa e honesta.
— Quanta consideração! — Ele suspirou com impaciência, forçando a atenção para um nível acima da cabeça dela, enquanto questionava a fascinação juvenil que sentira por aquele corpo delgado. — Mas não preciso declarar que pretendo ser pai de meus próprios filhos. É um dever que levarei muito a sério.
A escolha insensível daquelas palavras abalou o orgulho de Bella e a deixou com raiva. Estava tentada a dizer-lhe que, enquanto Toby e Connor tivessem o amor de mãe, não precisariam dele.
— Não estou certa se quero que você aja como um modelo para os gêmeos.
Edward lançou-lhe um olhar gelado.
— Que razão você tem para me insultar?
Bella abaixou a cabeça e engoliu mais palavras precipitadas, lamentando a falta de controle sobre a própria língua. Seria loucura tornar o relacionamento entre ambos hostil.
— Desculpe-me, não tive a intenção de ofendê-lo.
— Evidentemente, ainda não lhe ocorreu que estou preparado para me casar com você e ser um modelo perfeito para os meus filhos! — exclamou Edward com ênfase.
Chocada, Bella piscou e olhou-o fixamente.
— Você está preparado para se casar comigo? Neste momento, está me pedindo em casamento?
— O que mais esperava de mim?
De repente, a razão do cinismo de Edward ficou clara para Bella, que se sentiu mais furiosa do que nunca. Era como se tivesse sido golpeada violentamente. Imaginou que, quando ele havia pedido sua falecida amada Victória em casamento, o ambiente e as emoções haviam sido bem diferentes.
— Bem, não esperava por sua proposta, tampouco estou grata por ela. Graças a Deus, não há necessidade para fazermos tamanho sacrifício.
— Há todas as necessidades do mundo. Os gêmeos têm pai e mãe.
Bella sentiu-se humilhada. Queria soluçar de raiva e de tristeza.
— Eu nem mesmo gosto de você... e certamente não vai querer se casar unicamente pelo bem das crianças.
Edward a encarou com olhos mordazes. É claro que Bella se casaria com ele!
— Você gosta de mim o suficiente...
— Não me diga o que sinto! — interrompeu ela.
— Por que você está tão zangada comigo, Bella? Estou apenas querendo agir com decência e torná-la minha esposa! — Edward fez um gesto com as mãos, como se quisesse indicar a grandeza daquela oferta.
Agir com decência? Ela meneou a cabeça em veemente recusa.
— Felizmente para ambos, não estou desesperada, nem sou idiota. Não temos nada em comum, a não ser os gêmeos.
— Somos sexualmente compatíveis — apontou ele.
Bella ficou mortificada diante daquela ousada lembrança de sua fraqueza.
— E preciso algo mais do que sexo para se fazer um casamento.
Edward lançou-lhe um olhar inquisidor.
— Como o quê?
Bella sentiu-se momentaneamente atônita pelo fato de que ele parecia considerar sexo o elemento mais importante de um casamento.
Reconhecendo que estava quase sem fôlego, decidiu não insistir naquele ângulo controvertido.
— Ouça, da maneira que estou me sentindo agora, nada poderia me convencer a concordar com esse casamento.
Edward pareceu pouco impressionado com aquela declaração.
— Eu poderia persuadi-la a compartilhar minha cama novamente no espaço de um minuto.
Bella empertigou-se.
— Então... o que isso prova? — desafiou ela, tentando esconder o próprio constrangimento. — Que faz muito tempo desde que houve um homem em minha vida?
Edward cerrou o cenho.
— Não fale desse jeito... isso a torna vulgar. Não gosto disso.
Bella inclinou a cabeça para o outro lado, lutando para se controlar. Ele fora o único homem e essa constatação a amargurava. Enquanto Edward se entretinha com uma sucessão de supermodelos, sua própria vida fora destruída pela gravidez, depois pela maternidade e pela falta de dinheiro.
De repente, não podia mais silenciar um forte senso de injustiça.
— Eu realmente não me importo com o que você gosta. Tenho apenas 23 anos. Você dá tanta importância à sua privacidade, sua reputação, sua vida! E a minha? — esbravejou ela.
— O que quer dizer com isso? — perguntou ele, com o aspecto de um homem forçado a acalmar uma pessoa histérica.
— Você acha que essa é a vida que eu queria, ou teria escolhido? Não queria ser mãe na minha idade. Tampouco tenho vontade de me casar. Quero namorar. Quero minha vida de solteira de volta!
Edward teve de fazer um grande esforço para manter o controle.
Estava completamente atônito diante da recusa à sua proposta.
Bella não conseguia entender que a segurança futura dos gêmeos e seus direitos sobre a herança podiam apenas ser garantidos pelo casamento deles? Aquela era uma solução prática, e ele era um homem prático. Sabia o que devia aos filhos, mesmo que ela não soubesse. Sua família era muito conservadora, e certas convenções eram consideradas obrigatórias. Seu pai irresponsável podia não ter respeitado esses princípios rígidos, mas Edward havia feito daqueles princípios uma meta de vida.
Ele a estudou, pensativo. Então Bella queria sua vida de solteira de volta? O que significava isso? Sair com outros homens? Dormir com eles sem compromisso? Se quisesse ter esse tipo de experiência, então deveria ter se cuidado antes de conhecê-lo, porque, agora, estava fora de questão. Então ele era o único homem com quem ela havia dormido?, pensou Edward, gostando da ideia. Em seguida, questionou-se por que o mero pensamento de que Bella pudesse estar nos braços de outro homem o deixava tão furioso.
Por Deus, ela era a mãe de seus filhos e isso era razão suficiente! Aquilo a colocava numa categoria muito especial, pensou com raiva.
Sabendo ou não, Bella não estava destinada a uma vida de solteira. Mas talvez aquele não fosse o momento de apontar tal verdade inevitável, pois seu advogado já o prevenira de que pais não-casados tinham muito poucos direitos dentro da lei. Pela primeira vez, Edward considerou que o casamento traria outras vantagens além da sexual. Ele teria controle sobre ela e seus filhos.
Notando que estava trêmula e com os olhos marejados, Bella caminhou em direção à janela e deu-lhe as costas, tentando controlar suas emoções. Como ele ousava pensar que ela se casaria com um homem que fazia essa proposta por pura obrigação?
— Eu não me sinto bem em estar aqui. Por favor, encontre outro lugar para que eu possa ir com os meus filhos, o mais breve possível — murmurou Bella. — Então poderemos ambos seguir com nossas vidas.
Edward ficou paralisado, com o semblante raivoso. A hostilidade dela e o desejo de independência o desconcertavam, porque sabia que seria essencial manter o diálogo. Talvez fosse melhor se ambos estivessem em um ambiente mais descontraído.
— Acho que podermos fazer melhor do que isso — disse ele. — Tenho de dar uma palestra em Roma esta noite. Por que não pega um avião depois de amanhã e passamos alguns dias juntos em minha casa na Itália?
Tomada de surpresa diante daquela oferta, Bella não pôde esconder a perturbação.
— Eu... bem...
— Precisamos de tempo e espaço para discutir nossas opções... como amigos, nada mais.
Bella corou levemente, ciente de que não queria Edward como amigo.
Todavia, sabia que deveria estar aliviada com aquela oferta sensata. Todos os seus instintos pareciam estar em guerra. Se fosse honesta consigo, tinha de admitir que ficara até mesmo irritada pela rapidez com que ele abandonara a conversa sobre casamento.
— Você adorará os raios de sol — observou Edward casualmente. — Os gêmeos também vão gostar.
— Sim... está bem — respondeu com relutância, dizendo a si mesma que somente uma mãe cruel negaria a Toby e Connor tal oportunidade.
— Você se incomoda se eu passar algum tempo com as crianças agora?
Edward sabia que era hora de ir embora. Mas estava recordando-se novamente: Bella saindo de casa na Irlanda para regozijar-se da luz do sol, contando-lhe alegremente sobre a excitação de sua única viagem ao estrangeiro. Ele havia ficado sensibilizado diante das memórias felizes que ela possuía de uma infância pobre.
— E claro que não — replicou ela.
Enquanto Edward a acompanhava até o andar de cima, perguntou se as providências e acomodações para os gêmeos eram aceitáveis.
— Mais do que aceitáveis. — Bella ergueu as sobrancelhas, porque a babá era experiente e o berçário estava cheio de equipamentos e brinquedos para bebês.
— A babá é somente temporária, naturalmente. Meu staff já está providenciando uma lista de opções mais permanentes. Você pode fazer a seleção final — avisou ele. — Fiz também alguns arranjos financeiros para cobrir as suas necessidades e as das crianças por enquanto.
Bella empertigou-se.
— Minhas necessidades? Mas você tem somente de se preocupar com Toby e Connor.
— Se meus filhos vão viver com conforto, você também vai — afirmou ele. — Terá de aceitar uma mesada pessoal minha acima e além das despesas das crianças.
— Eu não poderia...
— Não vou aceitar uma recusa. Obviamente, você vem vivendo desprovida de muitas coisas, mas não há mais necessidade para tamanho sacrifício. Você precisa de roupas.
O comentário a silenciou, porque ficou constrangida pelo fato de Edward ter notado que tudo que ela possuía era uma calça jeans e algumas camisetas.
— Providenciarei para que a levem para fazer compras amanhã. As crianças precisam de roupas também.
Quando Edward entrou no berçário, Toby e Connor demonstraram imediato interesse na aparição dele. Na verdade, Toby ergueu-se com pernas cambaleantes, usando as barras do berço, o rostinho iluminado com um grande sorriso, enquanto levantava os braços para ser pego. Todavia, perdendo o apoio das grades do berço, caiu de costas sobre o colchão, o que frustrou suas expectativas e o fez chorar.
Bella ficou desconcertada quando Edward curvou-se sobre o berço e tomou Toby nos braços, falando o que parecia uma frase carinhosa em grego. Em um minuto, Toby passou das lágrimas para um sorriso cativante.
Igualmente confuso diante do próprio comportamento, Edward olhou para o filho, maravilhado com o fato de que algum instinto desconhecido o preparara para oferecer conforto à criança desolada.
Em busca de igual atenção, Connor soltou um gritinho queixoso. Bella tirou-o do berço, mas o bebê estava muito mais interessado em Edward. Os gêmeos estavam acostumados com mulheres, e um homem era uma força maior de fascinação. Ela sentiu uma ponta de ciúme quando Connor estendeu as mãozinhas ávidas na direção do pai.
— Eles são bebês muito dados e amorosos.
— Mas terei de me sentar para brincar com eles.
Quando Edward sentou-se com agilidade no tapete, Bella colocou Connor ao lado dele. O garotinho subiu na coxa musculosa e deu uma risadinha de satisfação.
Maravilhada, ela observou enquanto os gêmeos se empoleiravam no pai com crescente confiança e prazer. Ambos tentaram usar a gravata como se fosse uma corda para subir. Agarraram-lhe os cabelos, exploraram-lhe o rosto com dedinhos ávidos e pareceram radiantes quando o pai respondeu com movimentos desafiadores que a mãe nunca fazia.
Pela primeira vez desde o nascimento dos gêmeos, Bella era ignorada pelos filhos.
Enquanto Toby e Connor engatinhavam em volta do pai, brincando e dando risadinhas de alegria, Bella sentiu-se uma mulher invisível. Nunca lhe ocorreu que Edward perderia sua habitual reserva e dignidade a tal ponto.
Paul entrou no berçário para lembrar Edward que ele logo teria de partir para o aeroporto. O semblante do empregado não escondeu a surpresa ao encontrar seu patrão sofisticado envolvido com bebês no tapete do quarto, e a aprovação revelada no sorriso aberto foi igualmente óbvia.
— Vai parecer que você dormiu com esse terno — disse Bella a Edward.
Ele passou os longos dedos morenos pelos cabelos desarrumados e lançou lhe um repentino sorriso carismático, sem esconder seu divertimento.
— Acho que não me divirto tanto desde que deixei meu próprio berçário.
— Lidar com Toby e Connor às vezes é difícil.
Edward levantou-se com facilidade e deu de ombros.
— Eles gostam de mim. Isso é um bom começo.
— Sim. — Sentindo-se mesquinha e ciumenta, ela tentou imprimir mais entusiasmo à voz. Os gêmeos choraram amargamente quando as brincadeiras cessaram e o pai partiu. Acomodá-los de novo levou algum tempo.
Naquela tarde, Bella entrevistou as babás candidatas.
Instada a emitir sua opinião, deu seu voto para uma garota francesa chamada Irina, que era a mais jovem de todas, e a quem Bella considerou menos insegura.
No dia seguinte, Paul e outro segurança acompanharam Bella ao Harrods.
Atendida por uma vendedora pessoal, comprou roupas novas para os filhos.
Não ter de se preocupar com os preços era uma experiência maravilhosa.
Então, experimentou uma variedade de trajes para si mesma, e escolheu os acessórios que combinavam com eles. Quando chegou ao estágio de selecionar roupas íntimas e camisolas, sentiu-se como uma criança superexcitada solta numa loja de brinquedos.
No momento em que o chofer ia colocar as sacolas e caixas no imenso porta-malas da limusine, Bella pediu que fossem colocadas no assento traseiro a seu lado. Durante todo o trajeto para casa, examinou cuidadosamente todas as compras, em total excitação. Era justo que Edward arcasse com as despesas da vestimenta dos filhos, mas ela estava determinada que esta seria a única vez que permitiria que ele a incluísse nessa responsabilidade.
Em breve, trabalharia e seria autossuficiente.
Já em casa, Bella olhou seu reflexo no espelho, observando as madeixas encaracoladas em desalinho.
— Eu devia ter arrumado meus cabelos.
— Providenciarei isso — disse Paul.
No fim daquela tarde, Bella foi a um salão de beleza, onde arrumou os cabelos e fez as unhas. Escolheu também alguns cosméticos e, à meia-noite, ainda estava experimentando maquiagem facial. Na cama, com os cabelos espalhados no travesseiro, pensou que não havia nada que a impedisse de ter orgulho de sua aparência. Só porque Edward fora casado com uma mulher cujo rosto e corpo pareciam os de uma deusa, não significava que Bella teria de desistir de ficar bonita. De qualquer modo, ela e Edward se encontrariam como amigos na Itália. Seria um novo capítulo no relacionamento deles, uma fase mais madura e civilizada. Então, perguntou-se por que o fato de ser sensata a deixava tão insuportavelmente triste.
Quando o carro reduziu a marcha, passando primeiro por uma encantadora vila medieval, e depois descendo uma colina até um vale onde corria um rio que brilhava ao sol como uma fita dourada, Bella descobriu que estava encantada com sua primeira impressão da Itália. Era quente e ensolarada, e o campo, glorioso.
A seu lado, Toby e Connor estavam quietos. Os dentinhos dos gêmeos estavam despontando e, após uma noite sem descanso, não estavam dispostos para uma viagem ao estrangeiro. A quebra de suas rotinas não havia sido bem recebida e os meninos resmungaram muito durante o voo.
Bella esperava que uma soneca ininterrupta quando chegassem ao destino ajudasse os filhos a recuperar o sono perdido.
A limusine passou por uma grande avenida em direção à vila que parecia existir ali havia séculos, e ela não pôde evitar uma risadinha. Edward jamais havia parecido muito confortável em sua casa ultramoderna da Irlanda. Assim que entrou na vila, entregaram-lhe um celular.
— Almoça comigo? — perguntou Edward. Um breve sorriso brilhou nos lábios de Bella, pois ficaria desapontada por ele não estar no local para recebê-la.
— Eu adoraria, mas tenho de acomodar os gêmeos em primeiro lugar.
Ouvindo-a, a nova babá, Irina, fez sinais frenéticos para indicar que não havia necessidade de se preocupar com os gêmeos.
— Oh... está certo. Posso ir agora — disse Bella. — Onde você está?
— O carro a trará até mim.
A limusine diminuiu a marcha novamente e seguiu por uma alameda coberta de árvores. Com as palmas úmidas, Bella alisou seu vestido de verão, simples, mas bonito, feito de organza lilás e decorado com fitas abaixo do busto. Poucos minutos depois, o carro parou e ela desembarcou.
Edward surgiu por debaixo de um arco coberto de hera em forma de portão. Usava um terno cinza muito bem talhado e uma camisa preta. Bella lutou para conter sua usual reação à aparência sexy dele.
Amigos, repetiu para si mesma. Entretanto, sua boca estava seca e era um tremendo desafio desviar a atenção daquelas feições bronzeadas.
— Esta data marcará um novo começo para nós... Ela umedeceu os lábios num gesto nervoso.
— Sim — foi tudo que conseguiu dizer.
Os cílios negros baixaram sobre os maravilhosos olhos dourados.
Edward examinou a boca sensual de Bella com feroz intensidade. Não podia entender como ela parecia tão sexy num vestido que escondia as curvas delgadas e mostrava apenas um modesto pedaço da perna. Não entendia também por que a desejava com tanto desespero e estava tão determinado a levá-la para a cama, custasse o que custasse.
Talvez, admitiu, sua reação fosse exacerbada pelo simples fato de que jamais sentira tanta atração por uma mulher.
Diferente das jovens que Edward conhecia, a conquista de um marido rico não era definitivamente a meta de Bella. Ela não queria casar-se com ele. Tal revelação o desafiara como nunca, porque jamais necessitara lutar por uma mulher antes. Havia tramado dobrar Bella com a mesma precisão que fazia negociações financeiras. Romance? Sucesso vinha facilmente para Edward em todos os campos, e não via razão pela qual não pudesse ter romance, assim como fazia com as outras áreas. Então, bolara a armadilha com cuidado minucioso.
Bella fora cativada à primeira vista pela construção dispendiosa através das árvores. O sinuoso caminho arborizado acabava numa clareira de um verde exuberante. Ela sentou-se sob a sombra de uma castanheira a fim de apreciar a qualidade do cenário diante de si. No terraço, estavam dispostas cadeiras de ferro batido com almofadas de seda, copos de cristais brilhantes, delicados pratos de prata, oferecendo uma seleção de comidas bem elaboradas.
Tirando os sapatos, Bella flexionou os pés sobre a relva e continuou olhando.
Pela primeira vez, estava realmente compreendendo o quanto Edward era rico.
— Isso é absolutamente maravilhoso — sussurrou Bella —, mas sei que você não gosta de comer ao ar livre.
— Mas você gosta.
— Desde quando você prioriza meu gosto em relação ao seu? — perguntou desconfiada.
— Tento fazer algo gentil e bondoso e você quer discutir?
Bella enrubesceu, sentindo-se culpada.
— Eu naturalmente sabia que você gostaria desse tipo de coisa. — Ele gesticulou para indicar a soberba cena de piquenique. — Meu único objetivo foi agradar.
— É muito bonito.
Constrangida pela falta de tato que a fizera parecer mais crítica do que apreciadora, Bella ocupou-se estendendo um acolchoado sobre a grama e deixando cair algumas almofadas aqui e ali.
Edward removeu o paletó, encostou-se e serviu o vinho. Ela bebeu com mais sede do que por cortesia, porque, mesmo abaixo da grande abóbada de um imenso carvalho, sentia calor. Sentou-se no acolchoado e contemplou a antiga torre da construção.
— Essa torre foi construída apenas para embelezar o bosque ou alguém realmente já viveu nela?
Edward puxou uma cadeira de ferro para Katie.
— O Palazzo foi construído por um nobre no século XVI. Ele mantinha sua amante nessa torre.
Relaxada no acolchoado, Bella ignorou o convite para comer à mesa.
— Ele era casado?
Liberando a cadeira e reconhecendo que a informalidade do acolchoado representaria uma vantagem para ele, Edward lançou-lhe um olhar divertido. Algumas vezes, a inocência de Bella lhe dava vontade de rir, mas não queria ferir-lhe os sentimentos. Ofereceu-lhe um prato com canapés e serviu-lhe um novo cálice de vinho.
— Nunca pensei nisso, mas creio que sim...
— Uma esposa e uma amante a tão pouca distância. — Bella baixou o olhar.
Estava tentada a dizer que ele não se comportaria melhor se casasse puramente por senso de dever. Queria muito perguntar-lhe sobre Victória, mas resistiu à vontade, uma vez que Edward demonstrara que era uma conversa a ser evitada. Aquela exclusão doía, lembrando-a de que não tinha lugar no mundo dele.
Edward sentou-se a seu lado, e Bella imediatamente sentiu-se tensa. MasMas, quando ele perguntou sobre o voo e sobre os gêmeos, Bella começou a relaxar. O calor lhe havia roubado o apetite, e sentia uma leve tontura por causa do vinho.
— É tão bonito aqui, mas suponho que para você não diz muito, pois nasceu em meio a tudo isso.
— Não — negou ele. — Meus avós pegaram-me quando eu tinha seis anos e me adotaram dois anos depois. — Atônita por aquela declaração, Bella o fitou com interesse. — Meus pais não eram casados e eu fui o produto de uma única noite de sexo. Minha mãe era aeromoça. Meteu-se com drogas quando eu era criança e morreu quando eu tinha cinco anos. Eu estava num orfanato quando meu avô, Anthony, soube de minha existência. Bella estava chocada.
— Seu pai fez alguma coisa?
Edward deu de ombros.
— Ele nunca me reconheceu como filho ou ajudou minha mãe. Era um bom vivant e meus avós passaram a vida consertando as besteiras que ele fazia. Morreu num acidente, esquiando, quando eu tinha dez anos.
— Sinto muito. — Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. Sentia-se culpada pela falsa imagem que fizera de Edward sobre o seu suposto berço de ouro. Seu coração doía pela realidade de que, nos primeiros anos de vida, o amor e a segurança que todas as crianças mereciam lhe haviam sido negados.
— Eu sobrevivi — disse ele, sorrindo. — Você está encantadora nesse vestido.
A mudança de assunto e humor a surpreendeu. Ela piscou. Ciente da avaliação de Edward, sentiu o coração disparar. Seus dedos apertaram a grama ao redor.
— Acho que eu gostaria de outro drinque — disse ela.
Edward tirou-lhe a taça de cristal das mãos.
— Desculpe-me, mas, como você não comeu muito, duas taças é seu limite.
— Como? Não entendi.
— Três taças a fariam dar risadinhas e portar-se como uma garota travessa — Edward a relembrou sem hesitação. — Quatro a fazem rebolar e cair no meu colo. E esse desprendimento pode ser perigoso.
A lembrança zombeteira de seu comportamento em certo almoço na Irlanda fez Bella corar até a raiz dos cabelos.
— Eu realmente agi como uma tola!
Rindo discretamente, Edward passou a ponta do dedo no pescoço dela num gesto suave.
— Você sempre morde a isca. Eu a estava apenas provocando.
— Não estou acostumada a beber vinho.
— Sempre achei você muito natural e sexy. Mas acho que não deveria estar lhe contando isso agora.
— Não, você não deveria... Não há alguém mais em sua vida?
— Deveria haver, mas eu sempre quis você — admitiu ele sem rodeios. Enquanto admirava a estonteante simetria das feições morenas, os olhos marrons como chocolates de Bella se cruzaram com os dele. O dourado da íris cintilava e a moldura dos cílios negros transformava-lhe o olhar numa arma potente. Com o coração batendo descompassado, ela temeu que pudesse estar à beira de um ataque de pânico, enquanto a sinceridade de Edward a tocava profundamente.
Edward havia quase parado de respirar também, e a descoberta o chocou. Estava altamente excitado. Muito devagar e de maneira sensual, entrelaçou os dedos nas madeixas que caíam sobre os ombros dela e ergueu lhe o rosto para o seu.
— Quero beijá-la, thespinis mou — murmurou ele com voz rouca.
Diga não, uma pequena voz surgiu dentro da cabeça de Bella. Diga não.
Estava rígida pela tensão, mas podia sentir a vibração dos seios e o formigamento no baixo-ventre. Sentia-se viva e indiferente ao mesmo tempo.
— Um beijo — repetiu Edward, olhando-a com intensidade.
Bella tremeu, sabendo que aquilo não pararia no único beijo, sabendo que desejaria ir adiante. Detestou-se, mas a aura de sensualidade dele parecia enfraquecê-la a cada segundo.
— Mas nós...
— Nos desejamos mutuamente — completou ele. Edward curvou a cabeça vagarosamente, como se tivesse todo o tempo do mundo. Mesmo depois, não fez o que ela esperava. Inclinando-lhe a cabeça para trás, deixou a boca firme e sensual fazer uma delicada trilha pelo pescoço dela até o lóbulo de uma das orelhas.
Quando seus lábios tocaram a boca rósea e entreaberta, Bella estava tremendo e agarrando-se aos ombros largos...
Uhhh!!! Parei na melhor parte!! Rsrs gosto muito deste capítulo e o próximo vai estar melhor ainda! Comentemmm!!!
