No dia seguinte eu fui trabalhar com uma cara de (bem) poucos amigos. Eu não preciso esconder, estava revoltado que o ex da mulher da minha desgraça favorita estava pra violar ela mais uma vez. Eu estava revoltado porque ela deixara, mais uma vez, um outro qualquer entrar nela assim, como um beijo de três segundos sem qualquer emoção.
Pra falar a verdade, eu não sabia como esconder, meus olhos entregavam a tempestade que ela formou em mim quando disse que ia jantar com ele. Meus olhos estavam prontos para fuzilar ela com lágrimas frustradas. E me sentindo assim eu entrei no prédio, rumando as escadas.
- Ryou, chega aqui. - Jun me falou, quando eu ia passando pela cozinha.
Eu estava eternamente grato que a primeira pessoa que me viu deixando raios e trovões a cada passo que eu dava escada acima foi a Jun. Ela era um demônio bem-vindo na minha vida, um mal necessário. Ela me incomodava, mas o que ela sabia fazer de melhor pra me irritar ela também sabia fazer para me fazer parar de trovoar por ai.
- Deixa ver se eu entendi direito: ela foi jantar na casa desse tal de Lee ai, e de acordo com seu manual de macho, o jantar acadêmico acabou em um lugar em que um mapa nunca iria estar, é isso?
- Hm.
Jun suspirou. Ela desferiu um olhar sem esperanças para o panorama da cozinha. Ela deixou a xícara azul-claro na mesa e olhou para trás, escaneando a sala.
- Certo, eis aqui o que eu tenho em mente por hora: ela dormiu com ele, sim.
- Me conta uma novidade. - bufei.
- Ela fez isso por desespero. - ela falou, olhando pra mim.
Arqueei uma sobrancelha.
- A Ruki é mais simples de entender do que você pensa, colega.
- Justifique sua resposta. - e beberiquei o café.
- Ela está desesperada porque aquela vadia não sabe lidar com os sentimentos dela tão bem quanto ela deveria. Você, acima de qualquer um, deveria saber disso?
- Oxi, e por quê eu?
Jun me respondeu no olhar. "Idiota".
- Ela não sabe o que fazer, e provavelmente voltou com o ex pra tentar se acalmar, mas o que eu tenho em mente agora, porque eu ainda não cruzei o caminho dela - ela frisou bem essa parte, deixando claro que era apenas uma opinião - é que ela não sentiu nada na hora que ela deixou a roupa ir pro chão. O que ela sentiu foi simplesmente a sensação de algo se movendo perto dos órgãos dela e doendo de leve, não o arco-íris que ela queria. O que ela sentiu foi apenas vergonha por usar outra pessoa ao invés de chegar pro cara que ela quer e dizer as três malditas palavras, porque ela está com medo.
- Quer dizer que...
- Na minha humilde opinião, o plano dela foi um fracasso. Mas como eu disse, eu ainda não vi ela hoje, o que eu estou dizendo é meramente tudo o que eu sei convivendo com ela por tanto tempo. - ela disse, bebendo um pouco do café por fim.
- Entendi.
Ficamos em silêncio, olhando a janela. Era mais de oito da manhã, e o céu estava azul. De repente eu escuto um barulho de louça batendo de leve na bancada e olho. Lá estava ela, com um short jeans preto e uma blusinha branca, cujo a alça brigava com a alça roxa do sutiã. O cabelo estava solto e caia para um lado, e pra fechar: estava apenas de chinelo.
- Bom dia. - falei, descompromissado.
Ela virou. Estava sem maquiagem. Ela fica melhor sem.
- Ah, é você, Pedreiro. Bom dia. E bom dia pra você também, Jun.
Jun virou pra ela e se assustou.
- Mas que carai...
- É. Minha noite foi agitada.
- Mas... Vir de chinelo, Ruki? Logo você? - Jun falou, desapontada.
- Eu vou ficar agradecida se você não perguntar o que aconteceu. Especialmente na frente dele. - ela disse, apontando de leve pra mim.
- Tenho direito as minhas cinco palavras?
- Janta-Anel-Ele-Eu-Aqui. Te vejo no camarim.
Ela pegou o café e saiu.
- Eu acho que previ errado o que aconteceu noite passada... - ela falou, meio séria.
- Hein? - falei.
- Olha, falo contigo depois. Vai trocar uns lero com as meninas da maquiagem, te vejo no set. - e saiu com pressa, passando perto da bancada e fazendo a xícara deslizar e cair na pia.
Em questão de um minuto eu me vi sozinho na cozinha: eu, um café morno e a cidade isolada pelo vidro da janela. Dei uns minutos pro meu coração se acalmar depois de ver ela no estado mais simples possível, e também o mais cativante, e quando conseguir domar essa fera, fui pra maquiagem. Chizuru me recebeu com um sorriso radiante: o dia dela estava lindo.
Quando a Chizuru terminou o trabalho dela e eu fui pro set, senti outra pontada de ódio pelo Jenrya. Hoje era o dia pra tirar fotos pra maquiagem leve. Me colocam ela com uma camisola que era bonito, de um rosa pálido, mas ele meio que mexia demais comigo. Respirei fundo e entrei de vez.
- Que cara de bunda é essa? - ela perguntou.
- Nada não, é apenas meu subconsciente manifestando a alegria de te ver. - respondi.
Ela me deu um olhar trespassado.
- Afim de falar o que houve?
- Não precisa devolver o favor, Ruki. To bem, valeu por se preocupar.
Suspirei. Ela suspirou e pediu pra galera uma pausa pro café. Colocou um roupão e me puxou pela mão. "Vem comigo" ela disse, e meu corpo a seguiu. Quando chegamos na cozinha ela pediu pra que eu sentasse.
- Gosta de chocolate quente?
- É aceitável.
- Eu também.
- Por que você me trouxe aqui, Ruki?
- Porque sim. Talvez você não tenha percebido, mas sua cara está mais zuada do que o normal. Eu não estou tentando ser sua amiga nem nada, mas acho que você queira conversar, e a Jun está fora hoje.
Olhei pro lado, enquanto ela fervia o leite. Eu não falei nada por três minutos, apenas abaixei a cabeça.
- Sabe o Jenrya?
- Hm.
- Ele me pediu em noivado.
Levantei imediatamente.
- O que? - falei atônito.
- É. Ele me pediu em noivado.
- Mas vocês estão namorando, pelo menos? Eu sei que ele é seu ex, mas...
- Não, não estamos. Mas eu gosto dele, sabe?
Deixei um suspiro de choro escapar de mim.
- E por quê diabos você está contando isso pra mim?
- Achei que você quisesse saber o que era que eu estava escondendo mais cedo.
- Na moral? Eu estava era cagando. - menti.
Ela me passou uma xícara.
- Quando vai ser o casamento?
- Não sei. Eu disse "não".
- Hein? É assim, tu vai mesmo quebrar o coração do maluco assim, no sangue frio? - falei em Kyushuniano. Estava surpreso.
- Tu achou "mermo" que eu ia noivar com ele? - ela respondeu em Kansainiano.
- Mas ele te ama! - falei, revoltado.
- Mas EU não amo ele! - ela devolveu.
Um olhou pro outro. Ela assoprou o chocolate quente e bebeu, como se não fosse nada.
- Coitado desse tio que você se apaixonou. - joguei verde.
Ela apenas me fitou. Depois fechou os olhos e bebeu mais do chocolate quente.
- De novo: qual é o motivo pelo qual você está me falando isso? - repeti.
- Eu falei isso pra Jun e ela soltou "Ah meu Aki vai ficar doido", mas ela não me contou quem é Aki, então estou contando para todos os Akis que conheço, começando com você.
Queimei minha língua, quase cuspi o leite.
- É você o tal "Aki"?
- Nem em um milhão de anos. - falei, irritado.
- Entendo. - e deu risinho.
Jun, eu vou te matar. Sério.
Ela se sentou do meu lado e juntos tomamos o chocolate quente.
- O que você quer agora? - a olhei de canto de olho.
- Eu te falei o que estava me incomodando, agora é a sua vez.
Hesitei.
- Tem uma mina ai pelo qual eu me apaixonei.
- E?
- Ela dormiu com um amigo meu ontem, que também é o ex dela. "Assuntos Acadêmicos", ela disse.
Ela me olhou, atônita.
- Mas que tipo de vadia é ela? Ela sabe sobre você? - ela falou, genuinamente irritada.
- Nah. E nem planejo gastar meu tempo falando nada pra ela.
Terminei meu chocolate quente e fui deixar na pia. Ela me olhou com os olhos marejados.
- Falando sério, você tá bem?
- Vou ficar, eventualmente.
- Quem é ela?
- Que?
- Quem é ela? - ela repetiu.
- Pra que você quer saber?
- Quem em sua sã consciência vai dormir com um qualquer quando se pode ter o modelo mais desejado de todo o Japão rastejando aos pés dela? - ela falou, revoltada.
Dei um olhar pra ela, que carregava uma mensagem dupla. "Pergunte a si mesma".
Aparentemente ela não entendeu, então suspirei e voltei pra trás.
- É sério, Pedreiro, quem que é essa vagabunda?
- Tá com ciúminho, Satanás? - cutuquei.
- Jamais!
- Então pra quê você quer saber de algo que não tem nada a ver contigo? - menti mais uma vez.
Ela abriu a boca pra responder, mas a voz não saiu. Fiz um cafuné, tomando cuidado pra não bagunçar muito o cabelo dela. "Da minha nova Rainha cá cuido eu, mas obrigado pela conversa". Senti que ela queria arrancar minha mão na hora que encostei no cabelo dela, mas ela se acalmou quando eu disse isso e sorri.
- Vamos pro set. Hora de trabalhar. - ela disse, se levantando.
Mais uma vez ela fez a bruxaria da xícara. Nessa hora eu desisti de fazer isso.
ooOoo
A sessão de fotos acabou bem a tempo de eu correr pro topo do prédio e ver o pôr-do-sol. Isso é um costume meu, quase um vício. Me sentia limpo e relaxado quando entregava aos últimos raios de sol daquele dia meus problemas e questionamentos. Senti falta disso quando estava no Mundo Digital, e fiquei imensamente grato quando voltei pra cá.
Mas hoje foi diferente: eu ganhei a companhia de Chizuru.
- Se importa se eu ficar aqui por um tempo? - ela perguntou, depois de ter se recuperado do susto que teve quando abriu a porta e me viu olhando pro horizonte acompanhado de um café.
- Nem um pouco. É só você?
- É. Acho que é um hábito dos Kyushunianos ver o pôr-do-sol. - e deu uma risadinha.
Ficamos um minuto inteiro em silêncio.
- Como foi seu dia, Chizuru?
- Foi bom. Maquiei alguns modelos, depois fui pra faculdade, ai voltei e terminei de editar os relatórios da Shiseido... Não tive drama algum. E o seu?
- Relativamente bom. As fotos foram bem, a Ruki tava de bom humor... Só foi estranho ela vir puxar conversa comigo hoje de manhã.
- Ela puxou conversa contigo? - ela falou, surpresa.
- Sim. Foi bem estranho mas melhorou meu humor pelo resto do dia. - fui honesto.
Bebi um pouco do meu café.
- Ryou.
- Sim?
- O que você sente pela Ruki? - ela foi direta.
Me calei por uns segundos. E comecei.
- Não sei. Pra ser bem honesto, até eu gostaria de saber o que eu penso dela. - falei, com meu olhar perdido no horizonte.
- Eu vou ser honesta contigo: acho melhor perguntar pra ti logo de cara ao invés de ouvir coisas: tá rolando uma história por baixo do pano aqui, e eu queria saber o que está de fato rolando entre vocês.
- Interessante ouvir isso de ti, Chizuru. Mas não tá rolando nada. Ou eu pelo menos não estou investindo meu tempo em nada.
- Nem mesmo no rolo de dez anos atrás?
Olhei atônito pra ela. Ia perguntar como caralhos ela sabia disso, mas ela mostrou o digivice rosado.
- Kenta Kitagawa. Te soa familiar?
- Sim. Ele que é seu namorado?
- Sim. Sei tudo sobre o passado de vocês, competi no torneio pelo time de Kyushu mas perdi na primeira rodada da federal. Ele me deu isso aqui como amuleto da sorte e pra mostrar que vocês, Tamers, podem confiar em mim.
- Que ironia.
Dei uma risadinha nervosa.
- Mas... Na moral mesmo: eu não estou me esforçando pra dar certo nem nada. Eu apenas... Estou deixando ir.
- Eu não posso te julgar em nada. Eu só quero entender tudo.
- Entendo...
Mais um longo silêncio de um minuto.
- Posso te mandar a real?
- Fala.
- Acho que vocês ficariam bem, juntos.
Olhei pra ela.
- Cê num tá falando isso por causa da Junnie, né? - abusei do sotaque.
- Nem, fi. To falando isso porque cês realmente ficam bem juntos. Na moral, nem pra essas coisas de revista e os carambas ai, falando de vida real, de relacionamento, 24/7, ces ficam bem juntos. - ela devolveu.
- Sei não, fia. Ela até é o meu tipo, mas me esculacha demais.
- Cê sabe que ela num é saspoha toda não, né?
- Ah não?
- Nah. - ela pigarreou e voltou pro Japonês de Tóquio. - Toda fera precisa de um domador, o que está te impedindo de ser você?
- Jenrya Lee?
Ela me olhou e logo riu.
- Ay caramba, sagrada seja a base líquida!
- Do quê você está rindo?
- Ele é passado, querido. - ela falou, limpando as lágrimas.
- Passado não pede em noivado. - falei, irônico - Ah espera, pede sim, ele a pediu ontem e ela disse não.
- Não se preocupe, ele é apenas passado.
- Mas...
- Sabe o motivo pelo qual eles realmente terminaram?
- Nem sabia que eles saíram.
- Pra começo: a Ruki-tan gostava de um outro alguém, mas ela não era o suficiente pra ele. O Li sabia disso, e tentou fazer ela esquecer ele, mas não deu muito certo. Pra ser honesta, eu e a Ruki-tan nos conhecemos há bastante tempo, e eu cheguei a ver ela namorando com ele, e não era tudo aquilo que os tamers gostam de pintar. Eles ficaram do lado dele porque se fosse apoiar ela, ia dar em um drama que envolvia duas ilhas e bastante depressão. - ela despejou.
A olhei com cuidado. O pôr-do-sol fazia os olhos dela ficarem verde.
- Então...
- Relaxa. Ela ficou melhor depois que foi pra Cingapura. Ela tentou terminar com ele muitas vezes, nenhuma delas dando muito certo exceto a final.
Olhei pro céu de âmbar.
- Interessante.
- Mas eu não sabia que você ainda gostava dela, Ryou.
- Hein? Mas eu não...
Suspirei.
- Até quando eu vou mentir pra mim mesmo? - murmurei.
Ela me deu dois tapinhas nas minhas costas.
- Vá em frente. Eu te dou apoio.
- Eu vou tentar. Nem mesmo ouse abrir a boca pra ela, Chizuru.
- Prometo pelas Quatro Bestas Sagradas. - e me mostrou o pequeno D da carta azul tatuado no pulso, oculto pela pulseira de brilhantes.
Dei um risinho.
- Você realmente sabe bastante daquele inverno, não?
- Como eu disse, eu participei do torneio e namoro um de vocês. Jurei que nunca iria contar nada sobre pra ninguém, por isso me juntei no ritual de vocês.
O ritual era um acordo mutuo entre a gente, tamers: assim que desse, tatuasse o símbolo do parceiro digimon em algum lugar do corpo. No meu caso tenho as asas do Cyberdramon em meu antebraço. Os únicos que não tinham a tatuagem eram os gêmeos Tomohisa, mas eles compensavam com uma pulseira de pano vermelha amarrada no pulso direito.
Depois disso apenas assistimos o pôr-do-sol quietos, eu com o meu café, ela com o suco dela.
ooOoo
Quando eu cheguei em casa, havia uma carta vinda de Fukuoka. Era sobre meu carro, a seguradora estava perguntando se eu queria atualizar meu endereço pra Tóquio ou se eu ficaria em Fukuoka. Quando eu li isso, resolvi sentar no sofá e pensar um pouco. O trabalho da Shiseido estava chegando ao fim. O que eu faria ao fim disso? Ir pra Alemanha e depois voltar pra minha vida medíocre de professor em Fukuoka? Ou eu mudaria pra Tóquio? E mesmo assim, o que me segura aqui pra que eu largue minha vida pronta ao sul e venha pra capital, viver uma vida tumultuada? Fui dormir bem tarde, apenas pensando nisso.
No dia seguinte eu cheguei atrasado na agência. Eu havia preparado todas as minhas desculpas para evitar a Jun perguntando mais sobre minha noite insone, Mas... Parece que ninguém estava ligando para tal. O que eu encontrei no meu camarim: "vem pra sala da Jun".
- Onde você estava, Diabo? - Jun me questionou quando abri a porta sala.
- Eu tive uns... Que foi? - me senti imediatamente incomodado com os olhares satanicamente perversos de Jun e Chizuru.
- Feche a porta, Ryou. Por favor. - disse Chizuru.
E a fechei.
- O que aconteceu? - falei, temendo o pior.
- Recebemos um feedback da Shiseido. - Jun falou, com uma voz grave.
- E...? - estava suando frio.
- Eles pediram pra ajustar algumas fotos, umas duas na realidade, porque não estavam muito boas, o que cá discordo plenamente, mas... - Chizuru falou.
- Isso quer dizer que...? - eu estava realmente temendo o pior.
Jun levantou e foi ao armário que estava imediatamente ao lado da porta. Puxou um maço de papel imprimido com cheiro de maquiagem e puxou uma caneta do bolso. Escreveu qualquer coisa e depois pegou um envelope, e colocou o documento dentro.
O selou e me deu.
- Leve isso pra casa e leia com calma. Se concordar com tudo, me entregue amanhã assim que chegar. - ela me disse, soturna.
- O que é isso, exatamente?
- Seu contrato de admissão. Eu te disse logo no começo sobre isso, certo?
- Certo... Mas por quê você está tão... Séria? - questionei. - Eu achei que você viria soltando fogos quando me desse isso.
- Eu também achei isso, mas... - Ela suspirou - Ligamos pra escola onde você trabalha, em Fukuoka. Eles não querem abrir mão de você. A gente sabe que você tem uma vida pronta em Kyushu e eu não posso te forçar a ficar aqui.
- E também: esse é o último trabalho grande da Ruki-tan, como eu te contei. Fiquei sabendo que ela foi convidada pra estudar fora do Japão. Creio que seja na Alemanha, e ela não tem nada que a segure aqui. - Chizuru suspirou.
Eu estava perdido.
- Vá pra casa. Pense com cuidado. - Jun me deu um abraço. - Independente de qual seja sua resposta, eu vou apoiar ela.
Concordei e saí da sala.
Jun, você me entregou isso na pior hora de todas.
Eu estava perdido em pensamentos. Finalmente eu estava livre, eu poderia fazer a viagem que eu queria, mas por que eu estou hesitando? Nada me segura em Tóquio, basta eu simplesmente pegar minha mala e ir pra Narita. Apenas isso. E meu corpo estava inerte, não me respondia.
Do nada meu celular toca, me assustando. E me assustei ainda mais depois de ler o nome da pessoa que me ligava.
- Alô.
- Soube que a Jun te deu o contrato. E ai? Tudo bem? - ela falou.
- Pra que você quer saber, Satanás Celta? - falei, revoltado.
Ela se calou.
- Olha, eu liguei numa boa, não precisa ser rude desse jeito. - a voz parecia triste.
E ela desligou.
Ryou, o que você está fazendo?
Me arrependi profundamente ao ponto de ligar imediatamente de volta. Depois de dez vezes consecutivas e falhadas, liguei pra Jun.
- Oxi, por que você tá me ligando? - Jun falou, espantada.
- Quero o endereço da Ruki.
- Pra que?
- Assunto pessoal.
- Ryou, eu não posso divulgar os dados dos modelos assi-
- Jun! Eu preciso falar com ela. De verdade.
Ela pensou. E desligou na minha cara.
- Mas o qu-
E recebi a mensagem. Quando terminei de ler, me virei. Corri para a estação tal como eu corria ao D-Reaper, eu sabia onde ficava a casa dela.
ooOoo
Quando estava na frente do portão de madeira, respirei fundo umas cinco vezes. Entre eu e o portão haviam dezesseis centímetros, distância essa que eu sentia que não conseguiria mais correr. Mais uma vez respirei fundo. E toquei o interfone.
- Makino falando. Quem é?
- Sou eu. Não desliga mais o celular, por favor. - despejei.
O interfone ficou mudo por um minuto e eu me senti a pior pessoa do planeta. Estava me preparando pra caminhar de volta pra cidade, mas quando eu dava meu primeiro passo o portão se abriu. Um vestido branco e uma camisa jeans amarrada, cabelo solto e rosto limpo.
- Por que a Ju-
Ela entonaria uma frase qualquer demonstrando raiva ou qualquer outra coisa, mas eu a abracei antes dela terminar. A apertei.
- Me desculpe, Ruki. De verdade.
Ela não falou, mas senti as mãos delas correndo nas minhas costas e puxando minha camiseta pra longe. Logo entendi e a soltei.
- O que foi? - olhei.
- Venha pra dentro. Eu não quero ser flagrada por um paparazzi enquanto você tenta me matar com esse cheiro de educação física em dia de sol no verão.
E me puxou para dentro da propriedade, fechando o portão logo em seguida.
- Primeiro: como você conseguiu meu endereço?
- A Jun é um livro aberto, você sabe disso.
Ela suspirou. Eu dei um sorriso infantil.
- Certo... E agora o que acontece? Você veio aqui em casa por quê, mesmo?
- Porque você não atende o telefone.
- Não será porque alguém foi extremamente grosso comigo?
- Olha - a olhei nos olhos - Você me ligou numa hora péssima. - passei a mão no cabelo - Não estou no melhor do meus dias pra tolerar você, mas eu não queria ser grosso contigo, por isso vim aqui. Me desculpe.
Ela suspirou. Pegou meu pulso e me puxou pra dentro da casa. Quando enfim entrei, ela me levou pra cozinha e lá me serviu um café.
- Quer desabafar? Não vou te julgar em nada.
Foi minha vez de suspirar. Tomei um gole do café e pigarreei.
- Eu não sei o que fazer, apenas isso.
- Como assim?
- Ruki: se te dão um contrato que te pagam o dobro do que você faz por mês na sua cidade natal, mas você precisa vir pra uma cidade diferente e começar do zero, o que você faria?
- Eu não sei. Acho que eu jogaria pro alto e arriscaria o zero.
- Como assim?
Ela bebeu um pouco de café.
- Coloca na balança: felicidade. Você era feliz em Kyushu? Valia a pena seu esforço? Você vivia bem?
- Claro que sim. Eu amo meu emprego de professor! - rebati.
- Mas nesse meio tempo que passou em Tóquio, o que você sentiu? - e bebeu mais um gole de café.
Senti raiva, senti tristeza, senti inveja. Senti que tive de rever meus conceitos de mundo digital e mundo real, e aprender a lidar com o meu eu apaixonado.
- Nada. Apenas nostalgia. - respondi, seco, desviando meu olhar.
- Entendo. - ela baixou os olhos.
Eu não havia percebido, mas estava chovendo lá fora. Olhamos para a varanda quando a chuva ficou mais forte.
- Mas por algum motivo eu não quero ir embora de Tóquio. - falei enquanto olhava pra chuva e bebia mais café.
- Que motivo seria esse?
- Eu não sei. Me sinto em um feitiço de uma Kejoro, me amarrando aqui. Algo que eu não sei o que é, mas não consigo lutar contra.
Suspirei.
- Kejoro não é uma deidade de Kansai? - ela questionou.
- Sei lá. Sempre foi minha deidade favorita. Uma alma traída que enfeitiça os outros com sua beleza e com seus cabelos os afogam.
- Uma deidade triste e cruel, eu diria.
- Que nem você. - cutuquei.
- Tá me chamando de quê, Pedreiro?
- Uma alma mal amada e que enfeitiça os outros com sua "beleza"? - cutuquei.
Ela ia me criticar, mas se calou. Ela entendeu a indireta.
- Olha só, eu não pedi pra ser bonita. Isso me rendeu muitos problemas, sabe? - ela me olhou feio - Já fui muito discriminada por causa do meu cabelo, da minha cor de pele, dos meus olhos. E isso dói.
- Como assim? - estranhei.
- Olha com calma pra mim, Pedreiro.
Obedeci.
- Eu pareço uma japonesa pra você?
- Não. Tem algo celta em você. Mais parece aquele povo antigo que viviam mais que os humanos comuns, e tinham os olhos assim, de vidro colorido.
- Exato. E pra fechar ainda mais o problema, eu sou de Kansai.
- A Chizuru me falou. Himeji.
- "A Bruxa de Himeji", passei muito tempo correndo disso. E pra piorar tive de me livrar do Jenrya, porque eu não aguentava as críticas. Eu não quis brincar com os sentimentos de ninguém, e não quero.
"Então por que você brinca com os meus?" Pensei.
- Me desculpe. Não quis te magoar. - falei, baixinho.
- Tudo bem.
A chuva parou. Estendi meu braço para pegar a jarra de café e encher minha xícara, e quando o fiz, fui para a varanda. Ela me seguiu, com estranheza. Me sentei de costas para o jardim e inclinei pra trás.
- Qual é o seu problema?
- Gosto de ver o tempo depois da chuva. Já reparou o quão claro é depois que a chuva vai embora? - falei.
- Costumava fazer isso em Himeji, aqui em Tóquio é difícil.
Ela correu para dentro e depois de um minuto voltou com um pirulito na boca.
- Ué?
- Que foi? Eu gosto de doces.
Entramos em silêncio.
- Soube que você foi convidada por uma universidade de fora pra estudar.
- Ah. A Hasso Plattner... Eles me chamaram pra ir estudar engenharia de sistemas com eles mas eu falei que ia pensar no caso. Tenho uns assuntos pessoas aqui em Tóquio que eu preciso resolver.
- Isso envolve alguma pessoa em especial?
- Na realidade, não. A única que me prendia aqui era a Vovó, mas ela já se foi faz algum tempo. Rumiko disse que se eu tivesse alguma chance de sair, que eu fosse. Ela não se preocupa em ficar aqui no Japão, tanto que ela vai passar uns meses no vale do silício pra resolver algumas coisas pra Shiseido.
- Que interessante. Parece que a família Makino não é tão tradicional assim.
Ela deu um sorriso no canto da boca.
- De fato, somos diferentes.
- Eu percebi. - soltei sem querer.
Silêncio de novo.
- Se por algum acaso - comecei, descompromissado - esse motivo que te prende aqui te deixar ir, você... Vai pra Alemanha?
- Não sei. Não há nada em particular por lá que me faça ir. E nem tenho certeza se ele vai me deixar ir.
- Ele? - acentuei minha curiosidade levantando minha sobrancelha.
Ela corou.
- Sabia que tinha uma pessoa no meio. - suspirei, parte triunfante, parte decepcionado.
- Falou o expert em romance. Se apaixonou por algum rabo de saia por ai e mal sabe que rumo quer da vida. - ela alfinetou.
- Wowowow perai - fiquei incomodado - quando foi que falei que me apaixonei? Inventa coisa não, Ruki, vai procurar tratamento.
- Ah não se apaixonou? Eu cá me pergunto o que essa menina ia falar se te achasse aqui.
- Eu não estou apaixonado! - aumentei minha voz.
- Então por que você tá ficando vermelho? - ela fez a mesma coisa.
Nos calamos.
- E dai se eu me apaixonei? Não têm nada a ver com você. - falei, baixinho.
- Só estou tentando te ajudar, ingrato. - ela falou no mesmo tom.
- Não precisa. Se preocupe com o cara que te segura aqui. Eu me preocupo com ela.
- Eu nem sei se ele me quer aqui. - ela se inclinou para trás e esticou uma das pernas. - Pra ser bem honesta não falo muito com ele, apesar dele saber de que estou partindo em breve. Ele não falou nada, então vou ir.
- Oooooh, olha quem se apaixonou aqui... - ironizei.
- Me erra, caramba. - ela rebateu, irritada.
Nos silenciamos.
- Dói, né? - comecei.
- O que?
- Ir do céu ao inferno dependendo das ações de uma pessoa que não está ligando muito pra gente.
Ela anuiu.
- De vez em quando a gente briga, mas outras dá vontade de chegar nele e falar "e ai? Sim ou não?". - ela baixou os olhos - Mas não tenho tanta coragem. Se ele ficar comigo ele vai levar um nome muito grande, vai mudar uma figura pública.
- Acho que posso dizer o mesmo. Não creio que ela vá querer ceder um pouco da agenda dela pra uma pessoa como eu.
- Arrogante, convencido e de Kyushu?
Dei um risinho sarcástico.
- Não. Sou mais simples do que pareço. Se me colocam com ela, me torno "apenas mais um" na multidão.
- O que é bem irônico, pois você é uma pessoa pública, agora. Todas as mulheres do Japão e até fora dariam a vida pra te ter nos pés delas.
- Todas as mulheres?
- Todas as mulheres.
- Certeza?
- Absoluta.
- Até mesmo você? - e coloquei um olhar esperançoso e irônico no fim dessa pergunta.
Ela ia dar uma resposta automática, mas parou e me olhou nos olhos. Ela pensou com cuidado em cada palavra, dava pra ver nos olhos ametista dela.
Ela ia me responder, até mesmo pegou fôlego pra falar, mas o telefone da casa tocou. Ela correu pra atender. Encarei o jardim por alguns minutos, observando cada detalhe com minúcia, e ao mesmo tempo rindo da minha ousadia pra soltar tamanha pérola.
Quando ela voltou, ela se sentou de frente pro jardim. Me entregou os papéis e se inclinou para trás, esticando uma das pernas.
- Jun ligou e mandou isso por fax.
- O que é isso?
Ela não respondeu. Li com calma do que se tratava as duas páginas.
- Uma passagem de avião pra Kita Kyushu?
- Jun quer que você volte pra casa e resolva lá se você vai ficar no sul ou volta pra Capital.
Olhei pro papel. O avião sairia de madrugada, eu chegaria em casa por volta das dez da manhã. De repente o papel começou a ficar mais claro, e olhei pro céu. Havia um arco íris em cima da casa dela, e era um bem forte.
- Olha, que legal.
- O quê?
- Um arco íris em cima da sua casa.
- Em Himeji a gente diz que algo bom vai acontecer por onde o arco íris passa.
- Em Fukuoka a gente diz que o futuro dos que estão debaixo dele mudará pra melhor.
Ficamos olhando por uns quinze minutos pra esse arco íris. Uma brisa quente batia, fazendo o cabelo dela voar como se fosse fios de seda. Mais uma vez eu me perguntei onde que eu havia ido e não ter visto a menina tomboy virar numa deusa celta. E essa visão me deu coragem pra seguir em frente e pegar o avião hoje a noite. Mas isolei isso em algum lugar fora do portão da casa dela, estava concentrado no arco íris. Aos poucos ele ia sumindo, conforme o céu ficava mais azul e sem nuvens. Quando sumiu totalmente, fechei os olhos e suspirei.
- Que foi?
- Nada não, estou pensando numas coisas aqui.
- Que seria?
- Minha gata. Eu me pergunto como que a Ruri anda se virando.
- Você tem um gato? - ela me questionou.
- Sim. Uma gata de rua toda laranja chamada Ruri. Você que é coração de pedra e não tem nenhum bicho de estimação. - constatei.
- Quem te disse que não tenho? - ela me questionou.
É verdade. Nunca perguntei se ela tinha algum bicho de estimação.
De repente ela grita:
- RYOOOOOOOOOOOOOU! - e assobiou algumas vezes.
- Tá me chamando de cachorro, sua vac-
De repente dou de cara com o meu xará: correndo no sol das quatro ele parecia ser feito de bronze: pelo marrom e de olhos azuis. Um labrador adulto, com o pelo brilhante, escovado e hidratado.
- Ele estava largado aqui na porta de casa e eu o coloquei pra dentro. Na realidade ele é da Rumiko, mas ele gosta mais de mim. - ela falou enquanto brincava com ele.
Eu estava pasmo.
- E quem foi que teve a brilhante ideia de por meu nome no coitado do cachorro? - falei.
- Eu. Ryou é um nome comum pra cachorro aqui na grande Tóquio.
De repente me imaginei com orelhas e rabo, e segurando uma bolinha na boca. "Woof".
- Isso seria uma ofensa ou o quê?
- Não, é sério. Rumiko queria colocar o nome dele de Petit Gateau.
- Petit Gateau. Porra, Rumiko... - ri de escárnio.
Rimos. Ela se levantou e pegou uma bolinha azul e jogou bem longe, e o cachorro de bronze foi buscar. Quando ele a pegou, largou num canto e bebeu um pouco de água e se deitou. Ela deu um sorriso, e eu fiquei olhando de canto de olho.
- Vem cá, que horas você vai pra casa?
- Daqui a pouco. Precisa sair?
- Não, mas tenho um relatório pra terminar.
- Entendo.
Dobrei o papel que ela me dera e me levantei, colocando no bolso. Estendi a mão pra ela levantar e ela aceitou, se levantando.
Ela foi comigo até o portão, e quando saiu se encostou no muro.
- Me deixe saber se vai ficar de vez no BarrancOka ou se vai voltar pra Tóquio.
- Claro. Mando um míssil com cortesia do Diablomon pra sua casa. - e dei um sorrisinho sarcástico.
Ela riu de volta, sarcástica.
- Então vou entrar. - e se virou pra ir pra dentro.
- Antes de ir... - segurei o braço dela - quero te fazer uma pergunta.
Ela olhou nos meus olhos e se soltou. Voltou a se encostar no muro, de braços cruzados.
- Manda.
- "Todas as mulheres do Japão te querem, agora" você me disse, e afirmou em cem por cento. Isso te inclui?
Ela olhou pro lado e suspirou. Eu conseguia ouvir meu coração, batendo como um raio. Cada segundo era um vazio que o chiado dos grilos e o pôr-do-sol tentavam preencher, sem sucesso.
- Talvez. - ela disse por fim.
Me revoltei.
- Que diabo de resposta é essa, Satanás?
Ela não olhou pra mim, enquanto o rosto dela assumia uma cor rósea. E isso me deixou doido.
- Olha, seja específica, firmeza? Eu não sou o Jenrya pra ficar contente com meias respostas. É sim ou não, sejamos práticos. - falei.
- Eu tenho excelentes motivos pra entonar um não bem poderoso, Pedreiro! - ela se revoltou e falou olhando pra mim.
Algo se moveu no meu corpo e não sei explicar o porquê disso, mas no segundo seguinte que ela falou eu coloquei minhas duas mãos na parede, a encurralando, e depois disso só me lembro de sentir o sabor de café e morango juntos, e de como senti meu coração bater rápido.
Em momento algum ela me empurrou. Tentou, mas as mãos dela - bem quentes - viajaram vagarosamente da minha cintura e pararam no meu peito. Eu me afastei e a olhei nos olhos.
- Eis ai um motivo pra você me dar um sim. - falei e a beijei de novo, dessa vez sendo apenas um rápido, encostando minha boca na dela.
Quando me afastei, ela levou os dedos nos lábios e me olhou, tentando entender o que aconteceu. Dei uma piscadela e um sorriso e fui embora, com as mãos no bolso. A ouvi bater o portão com força e depois coloquei os fones de ouvido. Quando virei a esquina, eu me dei conta que eu fiz algo que eu queria fazer faz onze anos: mesmo que por um minuto, fazer dela a minha menina. E isso me fez mais feliz do que eu tinha imaginado.
ooOoo
Lá pras umas nove da noite, eu estava com a minha mala pronta, mas resolvi ceder ao meu vício de ir comer um lanche do McDonalds. Quando pensei em pegar a mala pra sair, meu celular toca.
- Ryouzinho?
- Oh. Jun, e ai?
- To bem e você?
- Tava indo jantar antes de ir pro aeroporto.
- Oh, a Ruki te deu a passagem?
- Sim.
Jun deu suspiro.
- E ai, você acha que volta pra Tóquio?
- Não sei. Tenho um motivo pra voltar, mas não sei se vai ser definitivo.
- Ah é? A Ruki disse a mesma coisa.
- Disse, é? - fiquei com um pouco de medo.
- Sim. Com palavras exatas: "Ele vai acabar voltando, ele descobriu onde estava a Kejoro que segurava ele aqui". Vamos fingir que eu saiba quem é Kejoro.
- Ahaha Jun, isso é folclore japonês. - falei entre risos.
- Enfim. Devo assumir que aconteceu algo entre vocês?
- Não aconteceu nada. - falei firme.
- Hm... Então tá. Estou confiando em você.
- Obrigado, Jun.
- Vou te dar uma semana pra resolver se vai ficar em Fukuoka ou em Shibuya. Pense bem.
- Eu vou.
A ouvi dar um suspiro de choro.
- Se cuida, gato. - ela falou, com a voz chorosa.
- Eu vou, querida. Ligo quando chegar em casa.
- Então até... - e ela chorou.
Ela desligou o telefone e eu fiquei sentindo um pouco de pena. Eu sabia que, se eu ficasse aqui ou não, não faria muita diferença pra ela, mas ela estava preocupada com a amiga dela. Ela merecia o brasão da amizade por chorar as lágrimas que a amiga dela não pôde por estar absorta em espanto. No fim das contas comprei alguns manjuus perto de casa e os acompanhei com um suco de morango. Quando terminei de comer peguei o trem e fui pra Narita. Já passava da meia-noite quando cheguei lá, e ainda esperei mais uma hora pra eles abrirem o portão. Quando me sentei no meu assento, fechei os olhos e dormi. Lembro que sonhei com ela e com o que eu havia feito. E eu estava orgulhoso disso.
Freetalking: e ai meninas e meninos, suave na nave? Juny de novo, trouxe o capítulo quatro do meu baseado. Dois salves pros pesadelos de uma pessoa ai, que vai querer meu coro.
No momento que estou escrevendo isso, no meu humilde iPhone 4S, a fanfic não rendeu muito, tanto como os outros capítulos. Estou surpresa com isso. Claro que vou acabar editando, mas enfim. (OBS: vinte motherfucking pages. Olocomano).
Antes de você falar "aaaaaaah acabou..." Não, ainda não acabou. Tem mais coisa pra acontecer. Eu adoraria já colocar a trilha sonora que montei pra PCB mas o barato anda loco por aqui. Provavelmente quando eu upar tudo eu levo pra DZ e lá faço um bem bolado com o soundcloud. E também recebi umas cobranças via twitter, vindo de um dos meus poucos fãs da PCB perguntando quando seria o próximo update. Ai está, aproveite seus feels.
Então é. Te vejo em breve. Se quiser me dar ideias e os talz, (arroba)jyunirii.
A propósito: eu quero ler Nurarihyon no Mago de novo, e por isso a Kejoro apareceu. Eu já tentei pesquisar mais sobre ela, mas nunca consegui muito. E não sei de qual parte do Japão ela nasceu, mas ela faz parte do folclore nacional japonês. Mas é, a história dela é basicamente essa: uma mulher linda que foi traída e morreu afogada por causa desses sentimentos negativos, então ela seduz os homens e com o cabelo dela, ela os mata. Quase como uma Vitória-Regia pra gente. Vlw flw, rapaziada, até o próximo update. o7
