Espero continuar atendendo às expectativas de vocês.

É isso, boa leitura


No covil do diabo

▬ Bella ▬

— Acredita num absurdo desses mãe? – reclamei com Renée em nossa ligação por Skype.

— Olha filha, da primeira vez que você contou eu não acreditei não, mas depois que você começou a repetir isso sem parar umas quarenta mil vezes eu acreditei – respondo e eu fechei a cara pra ela.

— Mas é um absurdo. Ele agora quer mandar até na cor do meu cabelo. Eu não me conformo, o loiro do meu cabelo é lindo e combina comigo – afirmei.

Renée me olhou, torceu a boca e fez uma careta.

— Querida, seu cabelo está verde, esse loiro tá feio mesmo, estou nessa com seu chefe.

Olhei pra ela com descrença. Traidora dos infernos.

— Pois não troco – bati o pé – Ele já manda demais na minha vida, por conta daquele infeliz eu só transo uma vez por semana, minhas transas são agendadas.

— Por falar nisso, você ainda está transando com Jacob? – perguntou.

— Claro que sim. Como se eu tivesse tempo para conhecer mais gente – revirei os olhos.

— Então tire o sábado pra sair e conhecer mais gente. Filha você é nova, tem 25 anos, precisa de mais de uma piroca pra te satisfazer, a vida está passando e você vai ser uma mulher de uma piroca só sem nem estar comprometida – gemi de frustração, Renée tinha razão.

— Conhecer gente nova dá trabalho, com Jacob já é prático, nos encontramos, transamos e ele vai embora logo em seguida... mas esse não é o foco da conversa. A questão é, eu não vou trocar a cor do meu cabelo e ponto final. Daqui a pouco ele vai querer mandar até na calcinha que eu uso.

— Com um chefe daqueles, se ele quisesse mandar na minha calcinha eu não reclamaria – imitei um som de vômito ao ouvir suas palavras.

— Eca, Deus em livre. O lúcifer de olhos verdes na minha calcinha não manda e nem chega perto – afirmei.

— Na minha ele mandava fácil.

— Oferecida – ambas nos assustamos quando uma janela mostrando um Charlie enojado apareceu.

— Já estou me sentindo sufocada só por você estar aqui na mesma chamada de vídeo que nós.

— Aproveita que tá sufocada então morre logo de uma vez, demônia.

Revirei os olhos para a frase de Charlie. Meus pais se divorciaram quando eu tinha 15 anos e bom, a convivência deles sempre foi conturbada e com um alfinetando o outro. Renée se casou novamente e mora em Phoenix com o novo marido Phil, já Charlie tem um caso enrolado com uma tal de Sue e mora em Forks.

— Vocês dois, não roubem meu momento tá ok? O drama aqui é meu – interrompi a pequena briga deles – Vamos nos focar no meu drama por favor?

— Filha, seu cabelo tá feio mesmo e essas lentes verde que você usa são de fato assustadoras – Charlie concordou com meu chefe.

— Ela precisa usar lentes verdes porque deu azar de puxar pros seus olhos e não pros meus sua mula – Renée alfinetou.

— E com as lentes podemos ver que ela ficaria assustadora igual você se tivesse olhos verdes, mocreia – retrucou meu pai.

Fechei a tela do notebook com força. Eles provavelmente continuariam discutindo e só se dariam conta da minha ausência um tempo depois. Fui para a frente do espelho e fiquei me olhando. Tá bom, meu loiro estava mesmo um pouco esverdeado e bom, as pontas estavam uma palha, talvez fosse de tanta chapinha que eu faço para manter meu cabelo liso. Talvez eu esteja bem acabadinha mesmo, mas não justifica, não vou trocar a cor e ponto final.

[...]

Azar é pouco para definir o que eu tenho. A porcaria do meu secador de cabelo quebrou e eu só descobri isso depois de ter molhado o cabelo, agora não dá tempo de usar o ventilador como secador de cabelo pois se eu me atrasar a porcaria do diabo do meu chefe vai comer meu fígado.

Me vesti apressada e corri para o trabalho. Não contente, eu peguei uma rua errada e entrei em um engarrafamento do tamanho do mundo. É hoje, esse é o dia que meu chefe me mata de vez. Foi bom conhecer este mundo. Adeus mundo cruel.

Bom, meu drama tornou-se algo real quando olhei para o relógio e vi que eram 6:57 da manhã, tornou-se mais real ainda quando meu celular começou a tocar e vi o nome que constava na tela "chefe". Agora eu morro mesmo.

— Alô? – atendi receosa.

Você está atrasada— eu odeio tanto a voz desse homem, tanto, tanto.

— Desculpe, peguei uma rua errada e acabei ficando presa no trânsito e... –

Não me importo— me cortou – Onde você está?

— No carro – respondi e um silêncio do outro lado da linha se fez presente.

Ouvi a respiração do meu chefe. Eu o conheço o suficiente pra saber que ele está respirando fundo e de olhos fechados esfregando as têmporas se preparando para gritar comigo.

Isabella— sua voz era um rosnado – Eu não sou tapado. Se você está presa na porra do trânsito É CLARO QUE VOCÊ ESTÁ NO CARRO. — gritou a última parte.

Alá, falei que ele tava se preparando pra gritar comigo.

— Na South King Street – miei segurando o choro.

Sim, miei pois minha voz mais pareceu a de um gato miando. Não me julgue, eu estava segurando o choro.

— Não irei a empresa hoje, estou doente – e os anjos cantam aleluia.

Em todo o período que trabalho lá, esse homem nunca tirou férias, faz hora extra em natais e ano novo, trabalha de domingo a domingo, não falta e nunca ficou doente. Acho que hoje a vida está conspirando ao meu favor. A vida é linda de novo. Fiz uma dancinha da vitória dentro do carro. Os deuses me amam.

Você irá para minha casa – os deuses me odeiam – Passe na empresa, traga as pastas com os documentos que estão e minha mesa...

— Mas eu tenho que bater meu ponto – mesmo sabendo que ele odeia ser interrompido, o fiz do mesmo jeito – Vão me dar falta.

Eu sou seu chefe Isabella, eu que decido se vai ou não ser descontado do seu salário— falou com a voz séria, porém anasalada, quis rir. Acho é bem feito – Traga os documentos que falei, uma sopa, de preferência uma canja, leite e esteja aqui pontualmente as oito.

— Mas você não toma leite, por que...

Tu tu tu tu tu tu.

Claro, óbvio e evidente que a alma atribulada do outro lado da linha ia desligar na minha cara.

Respirei fundo uma, duas, três, quatro vezes. Nem se o doutor Estranho, com todo seu poder do tempo, simpatizasse e muito com a minha causa eu chegaria lá as oito. E por Deus, onde eu vou arranjar uma canja as sete da manhã?

Espera, por que ele ligou pra me dizer que eu estava atrasada se ele não está na empresa? Ele só pode estar querendo me transformar em uma alma atribulada assim como ele é.

— Doutor estranho, se você é real, a hora de se manifestar é agora – joguei minha cabeça contra o volante.

Eu odeio o meu emprego.

[...]

Bom, primeiro que nem se eu quisesse muito eu acharia uma canja em algum restaurante, então tive que pagar 100 dólares para uma senhorinha fazer a tal sopa pro meu chefe e ainda lhe dei mais 50 fucking dólares pra ela me vender uma caixa de leite que tinha em sua casa. Me odeio muito por ser tapada pois quando saí, vi que duas casas depois havia uma pequena mercearia que com certeza vendia leite e por bem menos de 10 dólares. Velha mercenária. Eu estava em um trânsito desgraçado e demorei a chegar à empresa. Resumindo. Minha manhã estava um inferno.

Ao menos meu chefe teve a consideração de me enviar seu endereço, me poupou o trabalho e ir vasculhar seu arquivo. Cheguei no prédio em que meu chefe morava as 8:45, meu chefe me mataria, mas ele teria que entender. Me assustei com a elegância do lugar, o chão era todo em mármore, assim como as colunas do hall de entrada e os quadros nas paredes gritavam "caro". Se eu for bem honesta, tudo nesse prédio só serve pra esfregar bem na minha cara que eu nunca terei cacife pra morar num lugar desses. Ai Deus, por que eu não nasci a Paris Hilton?!

Subi o elevador apertando o botão do 30º andar. O arrogante ainda mora na cobertura, espero que ele caia de lá. Era um apartamento por andar e porra, que andar grande. Toquei em sua campainha e nada de ele abrir, poxa, eu estava com uma sopa na mão, uma caixa de leite em uma sacola em meu braço, minha bolsa e um milhão de pastas debaixo do braço custava ele ser mais ágil? Toquei de novo a campainha umas 3 vezes mais.

— Para com essa porra, já estou indo – ouvi a voz anasalada do meu chefe vindo de dentro do apartamento.

Assim que ele abriu a porta, me olhou com irritação. Nervosa e com a mente meio bugada, eu apenas consegui levantar o dedo e tocar a campainha de novo.

— Dá pra parar? – perguntou irritado – Por que seu cabelo está molhado?

Porque eu acho bonito as pessoas acharem que uma vaca lambeu minha cabeça.

— Meu secador de cabelo quebrou – dei de ombros.

Claro que ele me ignorou, logo em seguida se afastou da porta me dando passagem. Poxa, eu estava fazendo malabarismo aqui com as coisas, custava ter me ajudado? Seu grosso. Como eu me arrependo de não ter cuspido em sua sopa quando tive oportunidade.

Entrei em seu apartamento e notei que sua decoração era toda cinza, branca e preta. Tudo era muito monótono e impessoal, ou pessoal até demais se você levar em consideração que ele não tem coração e é um filho da puta, escroto do caramba. O que chamou minha atenção foi um guarda chuva rosa no canto da entrada.

— Por que você tem um guarda ch... –

— Não é da sua conta – ok, eu mereci essa.

Essa foi mais do merecida. Fica de lembrete que eu não devo ser bisbilhoteira.

Balancei a cabeça e entrei, larguei as pastas todas no sofá e fui até sua cozinha colocando o leite e a sopa em cima da bancada que tinha lá.

— Pronto, aqui está... – interrompi minha fala ao olhar melhor para o meu chefe.

Em quase três anos que trabalho com ele, os únicos trajes que o vi eram ternos, caríssimos, de marca e perfeitamente moldados em seu corpo, com certeza feitos sob medida e sempre impecavelmente arrumado, contudo, neste momento, ele está com uma calça de moletom grafite, uma camisa branca de manga curta mas que fica colada ao seu corpo delineando bem seus músculos e nossa, os ombros dele sempre foram tão largos assim? Porra, o homem tem um corpo.

Droga, droga, droga. Ele precisa abrir a boca urgente. Vamos Cullen, abre a boca, fala alguma coisa e faz esse encanto passar porque puta que pariu, que homem gostoso da porra, minha vontade é arrancar minhas roupas e dar pra ele nesse exato momento.

Acho que ele percebeu que eu estava olhando demais para o seu corpo e deu uma risadinha, mas nada falou. Droga, meu rosto esquentou. Ele percebeu, ai porra, que vergonha. Meu rosto tá esquentando mais, preciso me distrair.

Coelhinho da páscoa o que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos... merda, cantar mentalmente a música do coelho não ajudou, ela fala de ovos e porra, Edward tem ovos e seu documento está bem evidenciado nessa calça de moletom. Respira Bella, respira.

— Você tá com algum tipo de problema? Tá paralisada por que? – ai, ta aí, ele abriu a boca. O encanto passou.

— Asma – menti, eu não tenho uma crise de asma há muito tempo.

— Se você for morrer, favor morra fora da minha responsabilidade.

Rabugento do inferno.

— Claro – concordei.

Notei que na parte interior do seu braço direito havia uma tatuagem. A tatuagem tinha as letras "MMIX". Que porra é m mix? Ele participa de alguma seita ou coisa assim?

O seu telefone tocou e ele se retirou para atender. Eu ainda fiquei pensando o que significava m mix enquanto ia me sentar em seu sofá na sala. Era alguma banda que ele ouvia quando era adolescente? Fui interrompida das minhas teorias ao ouvir alguns trechos da sua conversa no telefone.

Oi meu amor... Com cookies e tudo... Também sinto sua falta... Em breve eu vejo você... Com muita nutella... Não fale assim, parte meu coração... Do jeito que você quiser... Te amo.

Eu não consegui entender o teor de sua conversa e acho que talvez tivesse medo de entender, parecia pervertido demais para minha pequena e inocente mente. Contudo, meu queixo está no chão, como assim ele ama alguém? Como assim ele tem coração? Como assim alguém aceitou por livre e espontânea vontade fazer sexo com ele? Como assim ele estava um doce no telefone?

Eram muitos questionamentos, meu cérebro estava fervendo, em breve explode.

Comia minha unha freneticamente. Ainda estou em choque por descobrir que o lúcifer de olhos verdes tem a capacidade de amar alguém, será que ele falava com Lilith? Esse é o nome da mulher do demônio né?

Aproveitei que ele ainda estava distraído no telefone e fui pesquisar na internet o que significava MMIX. Em resumo, descobri que Sheldon Cooper, da série The Big Bang Theory sempre esteve certo, ele tem muitos motivos pra desacreditar no sistema educacional americano pois eu como a boa tapada que sou descobri que isso são números romanos e que significa '2009'. Eu não sei o que é mais surpreendente, eu não ser esperta o suficiente pra identificar logo de cara que era algarismo romano ou descobrir que o lúcifer ama alguém.

O que aconteceu em 2009? Ele perdeu o coração ou descobriu que tem um? Ele entrou numa seita ou trocou de lugar com o tinhoso? Eu tinha tantas teorias...

— Você já comeu alguma coisa? – a voz do meu chefe me chamou atenção, mas eu ainda estava ocupada demais teorizando sobre o '2009' para responder algo inteligente.

— Um suco e agora um pouco de unha – respondi cuspindo um a unha que estava em minha boca.

Ambos acompanhamos a trajetória da minha unha que com um pouco de cuspe voou até o seu sofá. Ele fez cara feia pra mim, sorri amarelo e limpei minha sujeira dali. Como resposta ganhei um revirar de olhos e suas costas já que ele simplesmente se virou para voltar para a cozinha.

— Coma alguma coisa, vamos já trabalhar – ordenou.

Ok, eu não me faria de rogada, estava faminta. Fui para a cozinha e me sentei na mesa, mas segundo as palavras do meu chefe, ele não tinha costume de fazer as refeições aqui e nem tinha o hábito de cozinhar, então ele não tinha comida em casa e isso era tudo que ele tinha para me oferecer.

Olhei triste para a comida que ele deixou a minha frente. Porra, com tanto dinheiro é isso que ele oferece para as visitas comerem? Um pacote de bolacha cream cracker que inclusive não estava nem inteiro, estava pela metade e o leite que eu trouxe. Sorri amarelo, mas não reclamei. Custava ele oferecer um pouco da canja dele? Egoísta.

O infeliz não tinha nem açúcar em casa, então a cada gole do leite que eu tomava uma nova lágrima de decepção queria surgir em meu rosto. Eu tomei 8 goles de leite ao total, se o leite me custou 50 dólares, isso quer dizer que cada gole que eu tomei me custou 6,25 dólares. Essa era a bebida mais cara e ruim da minha vida.

— Sua comida está ruim? – meu chefe perguntou após ver minha cara de decepção.

Uma bolacha velha que perdeu a crocância e um leite sem açúcar que me custou os olhos da cara?

— Magina, a comida está ótima – respondi com um sorriso amarelo.

Ele voltou a me ignorar e continuou vendo algo em seu celular.

Vendo agora, ele realmente parece estar doente. Seu nariz está escorrendo, seus olhos estão vermelhos e ele está mais pálido do que o de costume... espero que morra.

Após esse desastroso "café da manhã", fomos para sua sala trabalhar. Eu podia dizer muita coisa de Edward e tinha um milhão de motivos para reclamar dele, mas a única coisa que eu não podia fazer era abrir a boca pra dizer que com ele não aprendia nada. Pelo contrário, eu aprendi mais com esse homem do que na faculdade. Ele era inteligente pra caramba e tinha uma visão de negócios de dar inveja.

Apesar da personalidade filha da puta que ele tem, quando se dizia respeito a questão da administração empresarial, Edward era paciente comigo, acho que ele percebeu meu déficit nesse assunto e bom, eu tive que colar nessa matéria para poder me formar, então eu vim zerada nesse assunto.

Convenhamos, se ele não fosse paciente em me explicar, quem ia se ferrar é ele. Eu ia fazer errado e ruim pra empresa. Eles que sairiam no prejuízo.

— Vamos ter a reunião semestral com os acionistas, você precisa organizar esses projetos de acordo com suas ordens de prioridades e rentabilidade, se você fizer isso desde agora, na hora de plotar os gráficos para montar o relatório você vai facilitar muito a sua vida – explicou pacientemente – Esses dados que constarão no relatório para a reunião com os acionistas devem casar com os relatórios que o pessoal da contabilidade vai apresentar, se você organizar direito, não vai ter problema...

— Eu organizei – me defendi

— Você colocou o projeto da Jensen Indrustries como prioridade 2 sendo que a rentabilidade deles é muito abaixo do esperado para ocupar esse lugar. Você não foi muito inteligente ao fazer isso.

Oh, obrigada por me chamar de burra. Ainda não tinha ouvido isso hoje.

Também não respondi nada, admito que nessa eu errei feio. Acho que eu estava ocupada demais colocando o nome dele no . Ele continuou falando outras coisas que com certeza eram muito importantes e eu devia prestar atenção, mas sei lá, chegou um momento em que meu cérebro virou um macaco tocando tambor e eu não absorvia mais nada.

Que saudade de estar na empresa, lá pelo menos eu conseguia ir fofocar com Ang e Jess para me distrair, aqui estou o tempo todo com Edward me supervisionando e poxa, não tem nem uma besteirinha pra comer, lá eu podia ir na copa e roubar uma rosquinha.

— Eu gostaria de um pouco de água – interrompi o que ele dizia.

Precisava me distrair, estava entediada.

— Você sabe onde fica a cozinha – responder sem tirar os olhos do papel que olhava.

Mal educado.

Fui até a cozinha e abri a geladeira procurando uma garrafa com água, bom, não tinha nada. A geladeira era puro enfeite. Só tinha luz. Edward é um péssimo anfitrião. Me sentindo resignada e um pouco enojada, peguei um copo e enchi com água da torneira mesmo, tomando tudo de uma vez que era pra não dar tempo de sentir nojo.

— Por que não bebeu água do bebedouro? – sobressaltei de susto ao ouvir a voz do meu chefe.

Olhei em direção a voz e ele apontava para o meu lado, onde tinha a droga de um bebedouro irritantemente brilhante de inox. Olhei para a janela de seu apartamento. Aqui é mais alto do que de onde eu trabalho, se eu me jogar eu com certeza morro.

Para honra e glória do senhor, eu fui liberada as 15h, esse foi o único momento do dia que não me arrependi por estar na empresa. Meu chefe não sentiu fome e não se lembrou que eu sinto fome, então trabalhamos direto e sem intervalo, parando apenas quando meu estômago roncou alto e o barulho preencheu todo o ambiente, essa foi a hora em que ele disse que poderíamos finalizar por ali. A vergonha valeu a pena.

— Tire o dia de amanhã de folga e dê um jeito no seu cabelo, está horrível, essa cor é detestável – falou antes de eu ir embora.

— Não tenho dinheiro pra isso – menti.

— Você recebe bem.

— Tenho outras prioridades –menti, menti, menti e menti mais.

Ele foi até sua mesinha de centro e pegou sua carteira. Arregalei os olhos quando o vi tirar um cartão prateado de lá e me entregar.

— Não quero seu cartão, isso é...

— Não seja idiota –me cortou – Não é meu cartão pessoal, é o cartão da empresa. Use e faça alguma coisa, fique careca, não sei. Mas já está ficando irritante olhar pra você desse jeito, já basta seus olhos que são medonhos.

MINHA MÃO NA SUA CARA.

— Não quero mudar a cor – agora falei a verdade.

— Não posso te obrigar a mudar, mas ambos sabemos que eu vou reclamar todo dia até você trocar – piscou pra mim e eu quis furar seus olhos irritantemente verdes.

Tomei o cartão de suas mãos com raiva, pois eu compraria um diamante com esse cartão apenas para fazer a empresa gastar mais. Que ódio.

— Ah e leve o leite com você, não vou precisar dele – falou.

Juro que meu olho esquerdo tremeu de raiva. Pra que inferno ele me fez trazer esse leite se ele não ia tomar? Apenas ignorei e virei as costas para sair dali. Eu não estava na empresa e aqui ele não era meu chefe. Ele que enfie esse leite no cu.

[...]

— Senhorita Swan, chegou uma encomenda para você – Fred, o porteiro do meu prédio me chamou assim que cheguei.

Ele tinha em suas mãos uma caixa com o símbolo da Amazon nela. Não comprei nada.

— Deve ser engano, não pedi nada.

Ele me olhou com o cenho franzido e leu alguma coisa na caixa.

— Isabella Marie Swan, não é você?

— Sou eu sim.

— Então é pra você.

Não iria discutir. Apenas aceitei a caixa e fui para meu apartamento, precisava comer alguma coisa e me deitar. Assim que entrei, a curiosidade falou mais alto e saí rasgando a caixa para ver o que era.

Minha boca se escancarou em surpresa ao ver que era um secador de cabelo e não era um qualquer, era um daqueles profissionais que secavam até a sua alma. Nossa, já até imagino o quanto de energia eu vou pagar usando isso. Pesquisei na internet esse modelo e nossa, ele é caro. 500 dólares... eu não daria nem 100 em um, quem dirá 500.

O guardei em algum lugar e fui comer pois estava faminta. No dia seguinte estava decidida a não mudar meu cabelo coisíssima nenhuma, mas daí ponderei melhor, ele não me forçaria a mudar e nem me demitiria por isso, se demitisse eu processava, mas ele com certeza poderia e iria atazanar minha vida. Eu queria mesmo ter minha vida infernizada assim de graça? Valia mesmo a pena a raiva que eu passaria? Com certeza não.

Ah quer saber? Cansei de lutar, eu que apanhe.

Pesquisei qual o salão mais caro dessa cidade e depois pesquisei um mais caro que ele. Era nesse que eu iria. Ao chegar lá, tive que ouvir as reclamações do cabeleireiro sobre eu ter pontas duplas, cabelo ressecado, cabelo poroso e outras coisas mais que eu sequer prestei atenção. Só de pirraça quis pintar meu cabelo de azul, mas eu tenho bom senso, então voltei para a cor original do meu cabelo, com muita dor do no coração me despedi do loiro e aparei as pontas dos meus cabelos.

Não fiquei tão triste assim, ter cabelo loiro era caro de manter e precisava ter paciência e eu não tinha nenhum dos dois: nem dinheiro e nem paciência. Voltei para os cabelos castanho avermelhados e olha, até que eu gostei do resultado. Já estava por lá, aproveitei para fazer logo tudo, manicure, pedicure, depilação, sobrancelha. Abusei um pouco mais e fiz uma sessão de depilação a laser na axila, era caro, mas não era eu quem estava pagando, então dane-se. Também fiz limpeza de pele e uma massagem relaxante. Não mandei me entregar o cartão.

[...]

Estava me arrumando para ir ao trabalho, tinha adorado a folga que ganhei no dia anterior. Eu estava precisando de um pouco de luxo e cuidado. Tinha esquecido o quanto eu gostava da cor natural do meu cabelo, me pergunto porque deixei Renée me convencer que pintar de loiro era uma boa ideia.

Olhei para o meu reflexo refletido no espelho, agora de volta com meus cabelos castanhos as lentes de contato verde que eu usava não pareciam mais fazer sentido, ficavam artificiais demais com esse novo visual. Aposentaria elas por um tempo. Também não faria chapinha no cabelo hoje, iria com ele ao natural, eu até gostava das ondas do meu cabelo, só não combinavam cabelo ondulado com o loiro que eu usava.

Revirei os olhos para minha imagem refletida. Me sinto tão comum ao natural, sabe, com cabelos e olhos castanhos, eu me sentia mais destacada quando meu cabelo estava loiro e eu usava as lentes verdes. Também não vou fazer drama por isso, peguei minhas coisas e fui para a empresa, se desse sorte chegaria a tempo de comer uma rosquinha.

— Nossa Bella, você tá tão diferente – Jess observou assim que cheguei – Esqueceu de colocar as lentes?

— Não Jess, hoje foi proposital, já que escureci o cabelo vou voltar pro meu olho natural – expliquei.

— Ah sim, essa cor ficou boa em você, seu cabelo estava verde oliva, estava estranho.

As pessoas tem que parar de me dizer isso.

Conversei com ela mais um pouco e fui para minha sala, eu estava com a impressão que tinha esquecido algo mas não conseguia lembrar o que era. Se eu sinto que esqueci algo então provavelmente eu de fato havia esquecido algo, se eu esqueci algo com certeza foi alguma coisa importante. Tive essa certeza quando entrei em minha sala e vi meu chefe vasculhando minha mesa atrás de alguma coisa. Merda, esqueci de lhe enviar sua agenda reorganizada e pior, esqueci de imprimir e deixar uma cópia em cima da minha mesa, que é o que ele deve estar procurando agora.

Respirei fundo, não queria, mas tinha que enfrentar o demônio.

— Bom dia – falei apenas por educação, ele nunca respondia a 'bom dia' nenhum.

Ele se virou para me olhar, seu rosto era de pura irritação e eu podia ver que ele queria me matar. Me preparei para os gritos e o escândalo que faria, mas eles não vieram, pelo contrário ele sorriu pra mim. Gente, ele sorriu pra mim.

— Bom dia – retribuiu e eu o olhei desconfiada, seu tom de voz era gentil até demais – Pode aguardar aí, Isabella chegará logo – olhou no relógio em seu pulso e bufou de irritação – Na verdade já deveria ter chegado, mas fique à vontade.

PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER.

O que acabou de acontecer aqui?

Edward Cullen foi realmente gentil comigo? Melhor, ele não me reconheceu ou tá sacaneando com a minha cara?

— A propósito, sou Edward Cullen – estendeu a mão para mim.

Intercalei olhares entre sua mão estendida e seu rosto. Ele parecia estar falando sério e por que ele estava sorrindo todo gentil pra mim?

— Você tá me sacaneando? – perguntei olhando ao redor atrás de câmeras – Sério, eu não entendi a piada.

Meu chefe recolheu sua mão novamente a guardando no bolso e me olhava com o cenho franzido em confusão. Ah meu querido, eu também estou bem confusa.

— Eu não... – balançou a cabeça – Desculpe?

Ele me pedindo desculpas? Essa é nova.

— Tá desculpado, que não se repita – falei.

Dei a volta indo para minha mesa me sentando em minha cadeira conferindo meu computador em seguida.

— Perdão, esqueci de lhe enviar sua agenda – conferi como seria seu dia – Como o senhor não veio anteontem e não sei se veio ontem pois estava de folga, reorganizei sua agenda, às nove terá uma reunião de emergência com o pessoal da Silver Têxtil, após isso tem horário livre até depois do almoço. Enviarei em um segundo sua agenda e levarei uma cópia impressa – expliquei como seria sua manhã e quando levantei o olhar, meu chefe me olhava com a boca aberta e a expressão era de pura perplexidade.

— Isabella? – perguntou confuso.

— Desde a última vez que conferi, sim. Posso ajudar em mais alguma coisa?

— Mas o que... – ele correu os dedos pelos cabelos os bagunçando ainda mais – Cadê seus olhos assustadores e aquele loiro horrível?

— Meus olhos nunca foram daquela cor, queria que fosse, mas como escureci o cabelo, as lentes verdes deixaram de parecer naturais e optei por não as usar hoje – dei de ombros.

— Nunca pareceram naturais – êh banho de água fria – Sempre foram a coisa mais assustadora que já tinha visto.

— Obrigada.

— Não era um elogio.

— Eu sei – sorri.

Como eu sempre digo, eu agradeço que é pra não mandar ele plantar coquinho.

— Você está diferente.

— Obrigada.

Agradeci mais uma vez. Não queria nem saber o que ele considerava como diferente. Estava me sentindo bonita e não queria estragar isso com ele destilando seu veneno em mim. Meu humor estava bom demais pra isso.

Por outro lado, meu chefe continuava me olhando como se eu fosse um alienígena e eu estava começando a ficar incomodada, ninguém nunca havia lhe dito que é feio encarar as pessoas assim?

— Senhor Cullen? – o chamei.

— Hun? – ele pareceu sair do transe e balançou a cabeça confuso, suas sobrancelhas ainda estavam juntas em confusão.

— Seu cartão – tirei da bolsa o cartão e estendi a ele.

Espero que eu tenha feito um rombo no orçamento na empresa depois de o usar.

— Ah sim, claro – ele pegou o cartão e foi apressado em direção a sua sala.

Me olhou mais uma vez e balançou a cabeça, tentou entrar em sua sala, mas como a porta estava fechada, acabou dando de cara na porta, tive que reprimir uma gargalhada. Meu chefe só podia estar drogado.

[...]

Estava jogada em minha cadeira, girando e olhando para o teto. O quão deprimente era eu ter isso como passa tempo?

Já era dia 8 de setembro e eu pensava em como contar ao meu chefe que estava chegando aquela época do ano na qual eu entrava de férias. Todo ano eu tirava as minhas férias dia 10 de setembro, pois meu aniversário era dia 12 e eu não queria passar um dia tão especial olhando pra cara do meu chefe que apenas conseguia deixar meu espírito perturbado.

Edward sempre ficava ranzinza quando eu anunciava minhas férias, não contente, ele faria a vida de todo mundo miserável, segundo o que contavam, ele gritava duas vezes mais com o pessoal e a coitada que me substituía era a que mais sofria. Antes ela do que eu.

— Bella, Bella, você não cansa de levar ralho pela mesma coisa todo dia? – sobressaltei ao ouvir a voz de Jane – Rodando na cadeira de novo?

— A via é curta demais pra não rodar na cadeira giratória Jane – argumentei – Ele vai gritar comigo de qualquer forma, eu só vou lhe dar um motivo para isso – dei de ombros voltando a girar em minha cadeira.

— Eu fui a escolhida da vez pra vir implorar pra você não fazer nossa vida miserável – ela se sentou em minha mesa – Consigo te convencer?

— Tá falando das minhas férias? – ela assentiu – Eu não vou desistir, vocês que lutem.

— Mas Bellinha meu amor... –

— Meu amor uma ova sua interesseira de uma figa – joguei um lápis nela – Vocês só querem tirar o de vocês da reta.

— Vende suas férias Bella, fica aqui. Ninguém suporta ele no normal, quando você entra de férias o próprio diabo encarna nele.

— Jane, o diabo já está encarnado nele, o que acontece com ele quando eu entro de férias é algo que vai além da compreensão do homem. Até o diabo foge – ela riu – Além do que, não vou vender minhas férias, não vou ficar sem férias pra ganhar uma mixaria. Sabe quanto pagam pra você vender suas férias? 30% do seu salário. Eu ainda não estou matando cachorro a grito, ok?

— Você é tão egoísta Bella – balançou a cabeça em desaprovação.

— Querida você acabou de voltar de férias, não me venha com essa ladainha sua cachorra loira.

— Eu tentei – ergueu os braços em rendição – Tá sabendo? Estão fazendo um bolão pra saber o que rolou na casa do chefe – me olhou sugestiva levantando as sobrancelhas.

— Puff – bufei irritada – Rolou eu levando patada e comendo bolacha velha.

— Isso é alguma gíria moderna pra sexo selvagem?

— Jane você tem 29, ainda não está velha o suficiente pra dizer isso.

— Sério? Desde que eu comecei a trabalhar aqui sinto que já envelheci uns 20 anos, graças ao se chefe – riu – Mas e aí, me conta o que rolou? Eu apostei que você ia chorar.

— Obrigada amiga – ironizei – O que mais apostaram?

— Ang apostou que vocês iam transar.

— Eca. Deus me livre. Já contei como é minha teoria sobre transar com ele né? Ele deve ficar gritando com ela e dando ordens o tempo todo. Cruzes.

— Mas e você, chorou ou não chorou?

— Não Jane, eu não chorei. Mas foi quase, chegou muito perto – a filha de uma égua riu – Basicamente eu só levei patada, bebi água da torneira, não tive nem direito a meu próprio pacote de bolacha e passei raiva – dei de ombros.

— Que azar – se levantou ajeitando sua saia – Bom, eu já vou, soube que a reunião do seu chefe já está acabando e não quero ser vista aqui, ele não pode ver ninguém parado que já quer passar mais trabalho e eu adoro não fazer nada. Que Deus te projeta Bells.

— Amém.

As pessoas ainda me diziam muito isso, já virou verdade. Se eu ainda não me joguei daqui é porque Deus me protege muito.

— Você não está em um carrossel, Isabella.

Tchau paz de espírito.

Rodei mais uma vez antes de parar de rodar em minha cadeira. Já tá ficando chato isso. Tantas coisas pra se preocupar nessa porcaria de empresa e ele se preocupa se eu estou ou não rodando na minha cadeira? Me erra meu jovem.

Eu não respondi nada e ele não esperou pela minha resposta, entrou em sua sala. Estava começando a acreditar que ele me vigiava então parei quieta em meu lugar, mas estava impaciente, tinha que avisar que já entraria de férias e bom, eu nunca gostava de fazer isso.

Resolvi fazer logo isso de uma vez. Levantei e fui até sua porta batendo de leve, como sempre, ele não respondeu. Essa é sua forma de dizer "entre", mas também pode significar "me deixa em paz caralho", então eu sempre tenho que adivinhar. Entrei e me sentei na cadeira em frente a sua mesa, estava pensando em como falar e balançava minha perna freneticamente, ele por outro lado não desviou um segundo sequer os olhos do computador a sua frente. Vai ver ele nem notou minha presença aqui.

— Você com certeza não veio aqui apenas para ficar olhando para a minha cara, Isabella – pelo visto ele notou sim.

Bom, apesar das palavras um tanto quanto grossas, seu tom de voz não era grosseiro como costumava ser. Estranhei isso, sabe aquele ditado 'quando a esmola é muita o santo desconfia'? Então, essa santa aqui está bem desconfiada.

— Então... é que bom... –

— Você está me fazendo perder tempo. Diga o que quer.

Era tão conflituoso pois suas palavras eram rudes, mas seu tom de voz não. Queria meter a mão na cara dele do mesmo jeito. Pigarreei para limpar a garganta.

— Então senhor Cullen, como sabe, estamos em setembro...

— O que quer, Isabella?

— Está chegando aquela época do ano em que o senhor sabe... eu tiro férias – sussurrei a última parte.

Mas claro que o ouvido biônico que é meu chefe ouviu. Agora ele inventa de me olhar? Esperei pelos gritos, pelo drama e o mesmo de sempre, mas diferente disso ele ficou em silêncio me olhando. Ok, é oficial, eu estou mesmo assustada, alienígenas, se vocês levaram meu chefe, por favor não devolvam.

— De novo? Você tirou férias um dia desses.

— Foi ano passado.

— E pra que precisa tirar nesse ano de novo?

— Essa é a graça das férias senhor Cullen, são um evento anual – sorri amarelo.

Ele respirou fundo e continuou me olhando. Seus olhos estavam semi cerrados e seu cenho franzido, ele parecia confuso.

— Você fica diferente com esses olhos – falou.

O cara tá doido de vez.

— Obrigada – mais uma vez, eu não queria nem saber o que isso significava, se ele abrir a boca de novo vai dizer que meus olhos estão assustadores – Então, sobre minhas férias.

— Não quero lidar com essa porcaria agora – voltou seu olhar para o computador a minha frente – Porra, já é dia 8, por que só me avisou agora?

Eu não queria nem avisar, meu querido. Se ele esperava que eu fosse responder agora coisa se ferrou, não vou falar é nada. Vou ficar aqui quietinha e fingir que não é comigo.

— Porra Isabella, como vou arranjar alguém pra te substituir assim tão em cima? – que amor, o tom de voz rude voltou.

— Tenho certeza que estão fazendo fila pra ocupar meu lugar – ironizei baixinho para mim mesma.

Talvez não tão pra mim mesma já que meu chefe me olhava como se ele fosse arrancar os olhos da minha cara a qualquer instante. Solucei alto, fiquei nervosa.

Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos. Cantava mentalmente para me distrair, o macaco tocando tambor voltou para o meu cérebro e ele que embalava minha trilha sonora.

— ME RESPONDA – o grito do capeta manifestado me fez sobressaltar de susto.

— QUATRO CARNEIRINHOS – no susto gritei sem pensar.

Se antes em seu olhar ele tinha irritação, agora ele tinha pura raiva. Abracei meu corpinho curtindo a sensação de ainda o ter inteiro pois pela forma como ele me olhava, ele com certeza iria arrancar meus braços e dar minha cabeça pra um cachorro faminto comer.

Seus ombros relaxaram e ele respirou fundo esfregando as têmporas, esperei pelo grito, mas na verdade ele pareceu se acalmar.

— Bom, como falei não vou lidar com isso agora – falou tranquilo – Estou esperando visita então, caso procurem por mim, não estou para ninguém, minta se for necessário.

— Claro – concordei.

— Ótimo, pode ir agora – voltou seus olhos para o computador.

— Se o senhor está esperando alguém e se os demais que lhe procurarem devo mentir, eu preciso de pelo menos um nome pra saber quem eu não devo dispensar, não acha?

— Natalie – respondeu sem olhar para mim – Agora por favor, se retire.

Quase três anos de trabalho e agora ele aprender a usar "por favor"? Eu sou mesmo uma piada para esse homem. Mas é como meu pai diz... 'o porco sabe o pau que se esfrega'.

Espero que essa 'Natalie' passe o dia fodendo com ele e que ele chegue aqui amanhã só sorrisos e esqueça que eu existo. Por favor Deus, é tudo que eu te peço... nesse momento, depois eu peço mais.

Voltei pra minha cadeira e me controlei para não ficar rodando nela, olhei no relógio e já era pouco mais de meio dia. Pouco mais de meio dia. PUTA MERDA. Eu não pedi o almoço do meu chefe,.

— ISABELLA – o grito do meu chefe me trouxe a realidade dos fatos.

É isso. É hoje que eu morro.


Hm... Edward todo educadinho a base do 'por favor'.

E aí, quem vocês acham que é essa Natalie? Alguma sugestão sobre quem ela seja?

Vejo vocês no próximo capítulo