Como assim o diabo deu cria?

▬ Bella ▬

Bom, eu podia engolir o choro e ir lá ver o motivo no qual meu chefe estava gritando meu nome... mas eu escolhi me acovardar, ao invés de ir lá eu simplesmente fugi silenciosamente da minha sala e fui me esconder no banheiro. Para todos os efeitos, se ele perguntasse, eu estava cagando.

— Mary, pelo amor de Deus, me ajuda – trancada no banheiro eu liguei para a moça do restaurante que eu encomendava o almoço do meu chefe – Envia alguma coisa pro satã comer, pelo amor de Deus, eu pago o dobro, só trás alguma coisa agora pelo amor de Deus – implorei.

Ah Bellinha, bem que eu estranhei que você ainda não tinha pedido nada— ela riu do outro lado da linha – Vou ver aqui alguma coisa pra mandar pra ele, você tem preferência...

— Qualquer coisa – a interrompi – Se quiser mandar areia pra ele comer manda, mas pelo amor de Deus, trás alguma coisa.

Tá bom, vou pedir pro entregador sair agora. Vai me dever um favor hein.

— Até dois, se quiser beijo seus pés.

Não será necessário. Até mais Bella.

— Até Mary, obrigada de novo.

Desliguei o telefone e fiquei trancada no banheiro um pouco mais. Dez minutos depois o entregador do restaurante trouxe a comida do meu chefe e bom, Mary cobrou o mesmo valor, a questão foi o motoboy que ouviu minha proposta de oferecer o dobro e conseguiu me arrancar 20 dólares a mais, merda, ia sair do meu bolso isso. Quando achei que deu tempo suficiente de meu chefe esquecer que tinha me chamado voltei para minha sala com a comida na mão.

— JESUS CRISTO – quase derrubei a comida com o susto quando entrei em minha sala e vi que ele estava sentado e minha cadeira me olhando fixamente.

— Por que não estava aqui quando te chamei? – ai porra, ele tá fazendo aquela cara de quem vai me matar a qualquer momento.

— Tive diarreia – menti na cara dura.

Ele me olhou com uma careta bem enojada, ai que vergonha, mas por sorte ele não se prolongou nesse assunto. Ainda bem.

— Se estivesse aqui iria lhe avisar para cancelar meu pedido no restaurante, não irei almoçar aqui hoje – falou se levantando e voltando para sua sala.

Encarei a comida em minhas mãos e meu olho tremeu. Mas custava ele ter dito isso antes? Tudo bem que a culpa é minha porque ele me chamou pra falar isso, mas vou culpar ele mesmo assim.

— Seu cabelo não era liso? – perguntou chamando minha atenção.

— Queria que fosse, mas nunca foi, sempre foi ondulado. Só não fiz chapinha hoje – dei de ombros colocando a comida em cima da mesa.

— Tá diferente.

— Obrigada.

Encerrei o assunto. Que foi? Se ele quer falar que tá feio que fale logo e não fique torrando a porra da minha paciência. Sentei em minha cadeira e fui conferir qual comida Mary tinha mandado, pelo menos hoje eu almoçaria bem.

Ledo engano, gemi de frustração ao ver que Mary enviou tripa de boi. Poxa, paguei caro e ainda me ferrei. Eu não dou sorte nessa vida. Agora vou ter que comer isso mesmo pois já me custou caro, que inferno.

— Olá – uma garotinha branca, de olhos verdes e cabelo acobreado entrou em minha sala chamando minha atenção – Você deve ser a senhorita Swan, certo? – assenti concordando – Gostaria de falar com Edward Cullen, por favor.

— Ele não se encontra no momento – sorri para a garotinha.

— Ah – ela pareceu decepcionada – Se importa se eu esperar aqui?

SIM. PRA CARAMBA.

— Magina querida, pode sentar.

Ela sorriu e foi se sentar em uma cadeira ali próximo. Ela puxou de sua bolsa um iPhone de última geração que com certeza devia custar o preço da minha casa e ficou mexendo nele, olhei para o meu iPhone 7 que não era nem o plus e o guardei na gaveta. Não seria humilhada por ela.

— Quantos anos você tem? Não é nova demais para estar em uma empresa grande como essa? – puxei assunto com a garota, ela parecia triste.

— Tenho 10 – respondeu bloqueando a tela do celular e prestando atenção em mim, que fofa – E bom, sou nova mas eu não trabalho aqui, então...

Mas que ousada.

— Você não é tão assustadora quando meu pai disse que era – falou após um longo tempo me encarando – Na verdade é muito bonita.

— Obrigada? – agradeci, por essa eu não esperava.

— De nada – sorriu.

Continuei fazendo meu trabalho e quase uns quinze minutos depois me toquei de uma coisa, um pequeno detalhe que ela havia dito.

— Querida, você poderia me informar seu nome por favor? – chamei sua atenção.

— Claro, é Natalie, Natalie Cullen, estou esperando meu pai, mas acho que ele esqueceu que eu viria – fez uma careta de frustração – Vou ligar pra ele e avisar que cheguei.

PUTA QUE PARIU. Deixei a filha do chefe esperando.

— NÃO – gritei desesperada.

O problema é que meu grito assustou a garota e com isso o seu celular que vale mais que minha casa foi ao chão, merda, se quebrou eu vou ter que pagar.

— Não precisa – corri até ela pegando seu celular do chão e entregando a ela depois de conferir que nada aconteceu – Aliás, você é filha de Edward Cullen?

— Sim.

— Filha tipo... alguém ficou realmente grávida dele e teve você?

— Sim.

— Filha tipo, filha, filha mesmo? – eu ainda estava incrédula.

— Eu poderia dizer 'sim' novamente, mas acho que já entendemos que eu sou mesmo filha dele – a filhinha do cão tinha o mesmo temperamento do pai – Minha tia Rose me trouxe, mas ela teve que sair.

— Eu estou há quase três anos trabalhando aqui, como eu nunca ouvi falar de você?

— Por que você ouviria falar de mim se meu pai é muito reservado com sua vida particular? – perguntou confusa.

Touché, pequena filha da puta.

Tá bom, eu poderia ficar com raiva da garota, mas ela parecia genuinamente confusa com minha fala. Mas foda-se, fiquei com raiva do mesmo jeito. Filha do diabo, diabinha é.

— Tia? Ele tem uma irmã? – este era um dia de muitas revelações.

— Sim. Por que não teria? – franziu o cenho confusa – Eu tenho uma família sabia? Avôs, tios, mãe... bom, minha mãe e meu pai são separados, na verdade nunca se casaram, namoraram e ela engravidou de mim, mas eles convivem pacificamente – explicou calmamente.

— Tô chocada – me sentei em minha cadeira novamente – É muita informação pra absorver.

— Na verdade não.

— Tá bom, pode entrar, ele está lhe esperando – cortei o assunto.

— Mas você não disse que... –

— Só entra – falei irritada.

Mas como azar de pobre é pouco, o momento em que eu praticamente gritei irritada com a garota foi a hora que meu chefe decidiu que seria legal sair da sala dele. Seria retórico dizer que meu querido e adorado chefe agora me olhava como se fosse arrancar cada fio de cabelo meu com uma pinça. Na verdade, fúria e irritação não era nem os adjetivos certos pra expressar a ira em seu rosto. Engoli em seco.

— Eu tô com diarreia, com licença – simplesmente saí correndo dali sem esperar por resposta nenhuma.

EU PRECISAVA FOFOCAR.

Minha vida dependia dessa fofoca. Praticamente correndo pelos corredores da empresa, fui até onde Ang, Jess e Jane conversavam, esbaforida e sem fôlego cheguei até onde estavam e as três me olhavam sem entender o motivo da minha euforia.

— Gente – disse entre arfadas – O diabo, ele deu cria.

— Coitada, ela surtou de vez – Ang disse me olhando com pena

— O que foi Bella? – Jane perguntou – Você tá bem?

— Acho melhor marcar um psicólogo pra ela. Bella deu defeito – olhei pra Jess e lhe mostrei o dedo médio.

— É sério. O lúcifer de olhos verdes deu cria. Uma garotinha de 10 anos que é a cópia cuspida do pai – o queixo das três foi ao chão – Ele tem uma filha e descobri que tem família também.

— Newton me deve 100 pratas – ignorei a fala de Jane – Eu trabalho aqui faz cinco anos e não estou sabendo de nada, como assim ele tem família? Eu sempre achei que ninguém quisesse estar perto dele.

— Também achei isso – falei – Tô bege até agora.

Continuamos conversando sobre a vida do patrão e como ele tinha família e ninguém nem desconfiava. Bom, era difícil imaginar isso já que o infeliz trabalhava de domingo a domingo e todo dia fazia hora extra, pra ser honesta, eu realmente achava que ele morava no escritório, só acreditei que ele tem uma casa pois estive lá.

Após o meu horário do almoço e de ter que comer as tripas que eram originalmente destinadas ao meu chefe, voltei para o meu local de trabalho. Natalie ainda estava lá, não na sala do pai, na minha sala. Por que o diabo pai não deixou a pirralha nojenta lá com ele? Ele a mandou pra cá pra vir atormentar minha vida?

— Isabella – a garotinha de olhos verdes chamou minha atenção – Você sempre quis ser administradora? – perguntou com genuína curiosidade.

— Olha, na verdade, querer eu sempre quis mesmo é ser uma Kardashian, mas já que isso não rolou nessa vida, a administração veio porque o capitalismo me forçou a ter uma profissão para não ser enterrada como indigente – respondi ainda observando alguns papeis que eu preenchi errado, muito errado. Puts, meu chefe me mataria.

Natalie riu. O que foi? Contei alguma piada por acaso?

— Você é engraçada.

Hilária.

— Ok.

— Gostei de você, pode me chamar de Nat – falou sincera.

Tá, a garotinha parecia ser legal. Vou ser amiga dela.

— Então pode me chamar de Bella – sorri.

— Tô esperando minha tia Rose, ela já vem me buscar – explicou – Desculpe se estou invadindo seu espaço, mas meu pai estava querendo me ensinar sobre assuntos de trabalho e eu não tive paciência pra ficar lá. Estava morrendo de tédio.

— Eu te entendo Nat, eu te entendo – suspirei pesarosa.

Gemi de frustração quando o telefone em minha mesa tocou e meu chefe me mandou entrar pois queria falar comigo. O que esse homem quer comigo? Por que não me deixa em paz? Me arrastei até sua sala enquanto Nat ria da minha falta de interesse em ir até lá.

— Você não bateu na porta, Isabella – falou assim que eu entrei.

— Mas pra que? Você nunca responde se eu posso ou não entrar – debochadíssima respondi.

Agora que virei amiga da filha dele estou me sentindo poderosa. Ok, o sentimento de poder acabou quando ele me olhou sério.

— Meu café está esfriando – apontou para a xícara ao seu lado.

PUTA QUE PARIU. Vai cair a porra do dedo desse homem se ele apertar a merda do botão "power" pra ligar a merda da xícara que tem a merda de um sistema de aquecimento? Fiquei olhando pra cara dele respirando fundo. Calma Bella, se controla.

— Você tem que ligar – ordenou.

Deus, não permita que esse homem vire o rosto, pois se ele parar de olhar eu vou cuspir nesse café, juro que cuspo.

— Quero um croassaint.

MEU CHEFE É UMA CRIANÇA MIMADA.

E eu quero estar em uma praia deitada na areia tomando água de coco, mas aqui estou eu olhando pra cara dele.

— Vou buscar.

A diferença é que ele teria o croassaint dele, eu continuaria querendo estar na praia.

Fui até a copa e peguei a porcaria do croassaint, como já sei como ele é, vou levar também mais um café, ele vai reclamar que o dele já está velho e que não gosta de café requentado e blá, blá, blá.

Voltei para sua sala e antes de entrar, sem querer o croassaint caiu no chão. Até pensei em ir buscar outro, mas ah quer saber? O que é mais uma bactéria na boca não é mesmo? Apenas juntei do chão e coloquei de volta no pires.

— Isso tá crocante – meu chefe estranhou enquanto comia, eu sorri amarelo.

— Deve ser açúcar – menti – Estava próximo aos doces.

Ele deixou de lado o que comia, engoliu e se virou para me olhar.

— Preciso que você venda suas férias – foi direto ao assunto me fazendo engasgar com minha própria saliva.

E eu preciso colocar silicone, mas isso também não vai rolar. Vou simplesmente fingir demência. Se eu não responder talvez ele mude de assunto.

— Você me ouviu?

Eu continuei ignorando, olhei pros meus pés, pras minhas mãos e com a ponta do meu cabelo.

— Você só pode estar me sacaneando – falou irritado, eu continuei fingindo que não era comigo – certo, a empresa compra suas férias por 50% ao invés de 30 – argumentou.

Meu cu com 10 kg de areia sendo esfregado no asfalto. Não vendo minhas preciosas, merecidas e esperadas férias nem fodendo. Estou há um ano esperando por esse momento glorioso. Não vou vender nada, como eu disse para Jane...

— Ainda não estou matando cachorro a grito senhor Cullen – respondi por fim – Eu mantenho minhas férias, obrigada.

— Você pode me chamar de Edward – falou me surpreendendo.

Estamos íntimos hoje? Nunca chamei ele de Edward, por que agora ele quer que eu o trate pelo primeiro nome?

— Certo, você pode continuar me chamando de Isabella – ele revirou os olhos, abafei uma risada.

Bella é apenas para os íntimos, queridinho.

— Vai vender suas férias?

PORRA NENHUMA.

— Senhor... Hm... Edward, eu estou esperando ansiosamente por esses dias, eu não quero... –

— 70% – falou antes que eu concluísse minha fala.

— Eu não estou a venda Edward, não vou vender minhas férias – 'ou minha alma', completei mentalmente.

— Certo, vamos fazer o seguinte. 100%, você recebe seu salário e mais o valor integral do seu salário referente a venda das suas férias.

Ok, talvez eu esteja a venda sim. Se for como ele falou, receberei 14 mil. Caralho minha conta bancária nunca viu tanto dinheiro assim, mas isso está muito suspeito. Edward percebeu que me ganhou com isso e me entregou os papéis que já estavam redigidos e prontos para que eu apenas assinasse a venda da minha alma. Me rendi ao capitalismo de novo.

— Pra que faz tanta questão da minha presença aqui? – questionei assim que terminei de assinar o contrato redigido pelo diabo.

— Não tenho paciência para treinar outra pessoa por um mês inteiro, além do que, dia 20 de setembro terá uma convenção na Finlândia, como sou o CEO da empresa e não poderei fugir, serei obrigado a ir – bufou irritado – Você vai a tira colo.

— Eu o que? – limpei o ouvido para tirar qualquer cera que pudesse estar afetando minha audição.

— Não vou sozinho, você é minha assistente e vai comigo. Essa raiva eu não passo sozinho – riu debochado – Você não poderia ir se estivesse de férias.

Fui tapeada.

— Tenho medo de altura – tentei argumentar.

— É inútil ter medo. Em caso de queda a morte seria instantânea – deu de ombros.

Eu quero a minha mamãe.

Olhei pra ele com os olhos arregalados e a respiração entrecortada. Como assim ele diz um negócio desses tão naturalmente?

— Eu não quero ir – choraminguei.

Ele ergueu a sobrancelha enquanto me lançava um olhar irônico.

— Não perguntei se quer ir. Eu sou seu chefe e estou dizendo que você vai.

— Não vou – rebati.

— Isabella – se inclinou por cima da mesa apoiando o rosto nas mãos – O quanto você preza pelo seu emprego?

Muito. Eu prezo muito pelo meu emprego. Inclusive, tenho um grande fetiche por não morrer de fome.

— Como eu imaginei – riu vitorioso – Além do que, vai ter uns investidores espanhóis, é bom que te uso como tradutora.

— Por que diabos você acha que eu falo espanhol? Tá maluco? – talvez eu tenha me exaltado um pouco.

— No seu currículo consta que você fala fluentemente espanhol, alemão e francês.

Puts, fui pega no pulo.

— Eu menti – admiti – Meu currículo estava muito vazio, precisei enfeitar ele – sorri amarelo.

Edward me olhava com pura descrença.

— Você mentiu no seu currículo, Isabella? – apenas assenti concordando – Você também mentiu sobre ser formada em administração?

— Ah não. Isso é verdade, isso e meus dados pessoais provavelmente são a única verdade no meu currículo – respondi naturalmente comendo um pouco de unha.

Porque eu ter respondido isso não sei, mas eu estava completamente zero filtros. Meu chefe me olhava com olhar repreensor balançando negativamente a cabeça. Eu dei um grande sorriso amarelo, será que é agora que eu perco meu emprego? Olhei para o chão verificando que este era porcelanato, é macio, vai ser fácil me ajoelhar aqui e implorar pelo meu emprego de volta. Pelo salário que eu recebia, eu me humilharia fácil.

— Eu vou apenas ignorar isso. Apenas reserve as passagens e as hospedagens.

— Não quero ir – choraminguei de novo.

— Veja isso como uma experiência profissional.

— Não quero.

— Certo, você pode ir na primeira classe e reservar um hotel cinco estrelas, tudo por conta da empresa.

Agora estamos conversando.

Concordei com um aceno de cabeça e me levantei para voltar para minha sala, antes de passar pela porta, me virei para olhar pra ele.

— Sabe senhor Cullen, eu teria aceitado ir só pela experiência.

— Eu teria aceitado se você tivesse dito 'não' mais uma vez – piscou pra mim.

Filho da mãe dos infernos. Fui tapeada mais uma vez. Eu sou bem otária mesmo.

[...]

Estava jogada em minha cama, me perguntando porque inferno eu aceitei vender minhas férias. Hoje era meu aniversário, 26 anos e trabalhando. Que decepção, mas também não reclamo, poderia ser pior, eu poderia já estar enterrada como indigente.

Fiz uma vídeo chamada com meus pais, claro que eles se alfinetaram mais que o mundo mas foi divertido. A coisa mais aleatória que já aconteceu na minha vida foi Nat e eu termos virado melhores amigas. Ela vai todo dia para a empresa, não fica o dia todo, mas conversamos bastante.

Pelo o que ela me contou, a família toda é de Londres e há 10 anos a empresa abriu primeira filial aqui, ela morava com a mãe lá, mas não quis mais e decidiu vir morar com o pai, ela havia chegado na cidade dois dias antes do dia que nos conhecemos. Diferente do pai ela é um ser humaninho agradável.

Desisti de me lamentar e fui me arrumar, tinha que trabalhar sendo meu aniversário ou não.

Ao chegar na empresa, meus amigos me parabenizaram, Jake me ligou para desejar parabéns e disse que poderíamos nos encontrar mais tarde para que pudéssemos comemorar, eu com certeza aprovei a ideia. Fui para minha sala e em minha mesa havia um buquê de rosas vermelhas e um cartão de feliz aniversário.

Respirei fundo. Todo ano no meu aniversário meu chefe envia esse buquê e um maldito cartão no qual ele não se dá nem ao trabalho de assinar, apenas deixa com as palavras que já vem escritas, mas todo ano eu estou de férias, esse ano eu estou aqui. Devo agradecer? E nunca agradeci e me sentia bem em não agradecer.

— Bella – Nat chamou minha atenção.

Olhei pra ela e ela tinha em suas mãos uma caixa de chocolates belga... quase vazia, seu rosto e mãos estavam melados de chocolate.

— Eu trouxe chocolates pra você, mas você demorou e eu comi – esticou para mim a caixa na qual só já tinha 4 chocolates – Feliz aniversário.

— Mas se for pra me dar só o resto melhor nem me dar – reclamei.

— Tá bom.

A filha da mãe concordou e enfiou o resto dos chocolates na boca. Porra, eu estava sendo irônica, é claro que eu queria a porcaria dos chocolates.

— Filha você... – Edward parou de falar quando me viu – Parabéns – simplesmente disse.

— Obrigada – isso era estranho – Pelas flores também – apontei sem jeito para o buquê em minha mesa.

— Não foi de livre vontade. Sou obrigado pela empresa a enviar isso pra minha assistente todo maldito ano – deu de ombros – Política da empresa.

Ah, enfia as flores no cu então.

— Filha, vai lavar a mão, daqui a pouco sua tia vem te buscar – falou com Nat e voltou para sua sala.

— É mentira dele – a diaba filha falou assim que ele entrou na sala – Ele que escolheu as flores.

— Caguei.

— Que perca de tempo. Se ele não fosse meu pai e eu fosse mais velha... ai quem me dera – olhei assustada para a pirralha.

— Você não tem nem idade pra pensar nisso sua diabinha.

— Então você não sente atração pelo meu pai?

— Não.

— Nem acha ele bonito?

— Não – neguei mais uma vez.

— Que mentirosa – acusou – Tá escrito na sua cara "queria dar pra ele" – olhei assustada pra demônia.

— Vem cá, você não acha que é nova demais pra falar essas coisas não? Você tem 10 anos sua filhote de urubu. Onde você aprende essas coisas?

— Você também falaria muita besteira de conhecesse a tia Rose e a tia Alice – explicou – Alice na verdade é prima do meu pai, mas eu a chamo de tia, as duas são loucas.

— Continuando – cortei o assunto sobre suas parentes – Seu pai minha querida é o diabo, ele é o próprio lúcifer de olhos verdes. O demônio manifestado, se eu tivesse oportunidade eu metia a mão na cara dele.

A filha da mãe apenas riu e foi se limpar me deixando ali sozinha e sem resposta nessa conversa inacabada. Eu já estava irritada o suficiente, peguei as flores e joguei no lixo, bom que era um local visível. Espero que ele veja no lixo e que seja bem mal educado da minha parte e que isso fira os sentimentos dele. Quero mais é que se foda.

— Com licença – fui interrompida de minha revolta interna por uma loira – Vim buscar a Natalie.

Acho que essa deve ser a mãe dela. Loira, alta, olhos verdes, parece com ela e puta que pariu. A mulher não parece nem humana de tão linda que é, caralho, vá ser linda assim bem longe de mim. Que ódio.

— Ah, você deve ser a mãe da Nat – tentei soar educada, mas na real, eu só tava curiosa e queria fofocar a vida alheia mesmo.

— Quase, sou Rosalie irmã do Edward – estendeu a mão para mim em um cumprimento que logo retribuí – Deixa eu adivinhar... você é a Ana? – sorriu divertida.

Ah puta que pariu. Que genética que essa família tem? Porra. Se aparecer mais algum membro da família que seja tão deslumbrante assim eu me jogo mesmo daqui de cima.

— Quase, já fui promovida a Isabella – ri e a tal Rosalie arregalou os olhos.

— Não acredito, então você é a famosa Isabella?

— Famosa?

— Sim, meu irmão não vive sem você – riu me deixando sem entender nada aqui – Se você não programar a vida dele ele não faz nada. Acredita que da última vez que você entrou de férias ele passou o dia inteiro sem comer só porque quem te substituiu não colocou na agenda dele o horário do almoço porque achou que isso estava "subentendido"?

Devia ter morrido de fome.

— Legal... Mas me diz uma coisa, qual é a dele com essa tal de Ana?

— Foi a primeira assistente dele, ele passou umas boas raivas com ela – explicou.

— Daí ele criou fetiche por ela e chama todo mundo assim? – ironizei

— É algo como um lembrete pra ele que a pessoa pode sempre tentar te sacanear. Se ele passou a te chamar pelo nome é porque confia em você. Sinta-se sortuda – nossa, tô transbordando sorte pelos meus poros – Oh, por que as flores que ele te deu estão no lixo? Ele escolheu com tanto carinho – olhou horrorizada para a lixeira.

— Não sei, simplesmente foram parar aí – dei de ombros – É um mistério para todos.

— Ele foi filho da puta não foi?

— Da minha boca nunca saiu nada – sorri.

Ela entendeu que eu não falaria mal do meu chefe... bom, eu até falava, mas com certeza não pra irmã dele. Eu era louca não burra.

— Ele é escrotinho mas é um amorzinho sabia Isabella?

— Sério? – questionei incrédula e ela gargalhou.

— Não, ele é sempre filho da puta. A vontade de meter a mão na cara dele é real. Ele só é um amorzinho com a Nat, até com a Tanya a mãe da filha dele ele é escroto. Se bem que aquela ali merece. Alias, quero te parabenizar por uma vez ter tacado uns papeis na cara dele, ninguém nunca fez isso, eu daria um rim pra ter presenciado a cena. Ele foi pra casa transtornado e soltando fogo pelas ventas. Sou sua fã Isabella.

Ok, gostei da irmã dele.

— Você pode me chamar de Bella.

— Então você pode me chamar de Rose – sorriu para mim.

Acho que o tinhoso ouviu a voz da irmã e saiu da sua sala para ver o falatório, já que normalmente o silêncio reina por ali. Assim que meu chefe saiu de sua sala, vi que seus olhos foram direto para a lixeira onde estava as flores, quis gargalhar, mas não o fiz. Ele olhou pra mim e parecia decepcionado. Quero mais é que ele sofra.

— Ora Edward, você é tão mal educado – Rose falou enlaçando seu braço no meu. Que estranho, não lembro de ter dado essa intimidade pra ela – Venho até sua empresa e você nem veio me apresentar a Bella, tive que a conhecer sozinha. Ela é um amor.

— Bella? – seu tom era pura ironia – Que apelido irônico.

Ele tá me chamando de feia por algum acaso?

— Por questão de profissionalismo, pra você é Isabella – a irmã dele me defendeu.

Ok, acabei de conceder intimidade pra ela me segurar assim pelo braço.

— Cadê a Natalie? – mudou de assunto.

— Você deve ter entediado ela com sua conversa, vai ver ela fugiu, eu fugiria. Você é muito chato e só sabe falar de trabalho, precisa se soltar mais irmãozinho – eu tô gostando dessa Rosalie – Mas enfim, não vai formalmente me apresentar a Isabella?

Meu chefe desviou o olhar para a lixeira novamente e nos fitou com certa raiva no olhar.

— Vá pro inferno – praguejou voltando para sua sala novamente.

— Esse é o jeito ranzinza dele de dizer que ficou chateado pelas flores no lixo – a loira comentou assim que ele não estava mais no recinto.

Bom, o grande sorriso no meu rosto é meu jeito de dizer que eu acho é bem feito.

[...]

Se eu tinha alguma esperança de por ser meu aniversário meu chefe me liberasse um pouco mais cedo, essa esperança foi embora quando olhei para o relógio e vi que já eram quase cinco da tarde. Não sei porque minha mente iludida achou que o próprio lúcifer manifestado iria me liberar cedo, ele não tem coração.

Tamborilava os dedos em minha mesa apenas esperando dar o horário do fim do meu expediente. Jacob havia me mandado um buquê de rosas e um cartão, devidamente assinado e com palavras bonitinhas, este não iria para o lixo.

Especialmente hoje meu chefe estava um pouco mais ranzinza do que o normal, ele não me deu um desconto por ser meu aniversário e azucrinou minha vida como pôde e como não pôde, eu estava mentalmente exausta e só queria ir embora dali, não era sábado mas eu precisava transar e a ideia de sair da minha rotina era excitante. A que ponto da minha vida cheguei, isso é deprimente.

— ISABELLA – olhei para o relógio ao ouvir o grito do meu chefe.

Merda, ainda faltavam dez minutos para as cinco da tarde, ainda estou no meu expediente. Levantei sem vontade e me arrastei até sua sala, bati na porta mas como sempre o infeliz não respondeu se eu podia ou não entrar.

— Me chamou senhor Cullen? – perguntei quando entrei em sua sala.

Sim, o 'senhor Cullen' voltou. Se havíamos feito algum progresso hoje fiz questão de voltar a estaca zero. Pelo amor de Deus, o cara infernizou minha vida como pôde.

— Sim, ligue para o restaurante e encomende algo para eu comer, vamos fazer hora extra hoje, se quiser peça pra você também. Fim do ano está chegando e quanto antes fecharmos... –

— Mas é meu aniversário – o interrompi – Eu tenho planos pra hoje.

— Você não está de férias Isabella – falou sério.

CAGUEEEEEEIIIIII. Queria berrar, mas apenas berrei mentalmente.

Meu chefe me lançou um olhar cortante, ele tinha uma sobrancelha arqueada e uma feição nada amigável. Ele estava mesmo disposto a me infernizar hoje. Não é porque esse infeliz, arrogante, babaca, enviado do capeta não tem uma vida fora desse escritório que eu também não tenho. Bom, graças a ele eu não tenho mesmo, mas convenhamos, eu tenho mais chance de ter uma vida do que ele. Se ele falaria mais alguma coisa, não sei, apenas rodei nos meus calcanhares e saí de lá. Não ia pedir porcaria nenhuma, ele que ficasse com fome.

É isso, eu estou à beira de um colapso nervoso, eu preciso aliviar minha raiva. Peguei uma tesoura, fui até as flores que meu chefe foi obrigado a me dar e picotei o quanto pude cada maldita pétala de rosa. Eram vermelhas, eu ia imaginar que era o sangue dele escorrendo, ah sim, isso me fazia feliz, eu podia sentir a tranquilidade voltando para o meu corpo.

— Mas que porra aconteceu aqui? – eu senti a paz deixando meu corpo de novo.

— Eu tive um surto de raiva – eu estava mesmo com zero filtros hoje – Não podia descontar em algo dado por quem se importa comigo – apontei para as flores que Jacob havia mandado – Então descontei nessas que são completamente impessoais – sorri irônica.

Eu só posso estar implorando pra perder meu emprego. Já estava me importando se meu chefe me olhava com raiva, fúria, decepção ou como fosse. Queria que brincasse de confete e se explodisse em um milhão de pedacinhos.

— Recomponha-se – ordenou – Traga a ata das três últimas reuniões trimestrais com as acionistas, preciso disso para fechar o orçamento anual – olhou para o lugar de tinha pétalas de rosas espalhados por todo o chão e pareceu mais furioso ainda – E limpe essa bagunça.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

Eu vou matar esse homem. Juro que vou.

[...]

Já eram quase nove da noite, eu já nem prestava mais atenção no que meu chefe dizia e até o macaco tocando tambor que tinha no meu cérebro havia me abandonado. Esse era sem dúvidas o pior aniversário de toda minha vida e tudo isso graças ao meu chefe. Eu focava minha atenção em simplesmente não chorar.

— Você está prestando atenção, Isabella? – perguntou, dessa vez seu tom não era rude, apenas gentil.

— Não – respondi ainda olhando para a janela – Parei de prestar atenção não eram nem oito da noite. Você fala demais e tava me irritando – ele respirou fundo, mas não gritou comigo como achei que faria.

— Você não pediu nada para comermos, não é?

— Não. Eu queria que você morresse de fome – ainda olhava para a janela.

Já estava tão mentalmente esgotada que não tinha forças nem pra pensar em me jogar. Pela primeira vez em quase três anos que trabalho aqui ouvi meu chefe rir, no entanto, não me virei para olhar pra ele.

Edward se levantou e foi até um dos armários e pegou algo de lá, olhei de canto de olho pra ver se ele não traria nenhum tridente pra me espetar até a morte, mas não consegui ver muita coisa.

— Não foi dessa vez – disse quando se sentou novamente – Aceita um?

A curiosidade falou mais alto, me virei para ver do que se tratava. Era o mesmo chocolate que Nat devia ter me dado mais cedo, mas a filha do capeta comeu tudo. Aquela pequena egoísta.

— Sim – concordei pegando a caixa de suas mãos.

Mas quando comi um, não devolvi a caixa para ele novamente. Primeiro que nem doce ele come, segundo que eu ainda estava irritada com ele por ter me feito passar meu aniversário trancafiada nesse escritório.

— Você não vai me devolver?

— Não. Eu ainda quero você que morra de fome – respondi sem me importar se estava de boca cheia ou não.

Ele riu, era um sorriso incompleto, de canto de boca que formava um sorriso torto que era a coisa mais linda que eu já tinha visto. Merda, ele precisa urgente voltar a falar alguma coisa. Não sei lidar com esse sorriso ridículo estampado na cara dele.

— Eu acho que ainda sobrevivo por mais uns dois dias.

— Uma pena – enfiei outro chocolate na boca.

— Quantos anos está fazendo? – questionou me vendo enfiar dois chocolates ao mesmo tempo na boca.

— Vinte e seis – como estava de boca cheia, minha fala saiu pouco entendível e fiz um "seis" com os dedos para deixar claro o que eu falava – E você? Quantos anos tem? – sim, apesar de trabalhar com ele a anos, eu não sabia nada sobre ele.

— Trinta e cinco.

— Nossa você é tão velho – não me importei com a cara feia que ele fez – Qual é a sua chamando todos de Ana? – não fiz cerimônias.

Sempre quis perguntar isso, mas nunca falei mais do que o necessário com meu chefe e como agora já admiti que queria que ele morresse, acho que já tenho intimidade suficiente pra isso.

— Foi minha primeira assistente, logo que comecei a trabalhar, isso ainda em Londres... –

— Você se apaixonou por ela? – eu estava curioso, não aguentei, tive que interromper.

— Não, mas eu sempre tive muita empatia por ela – admitiu – Ela era de família muito humilde e tinha um filho pequeno pra criar, era mãe solteira e ainda ajudava financeiramente a família. Ela sempre foi muito competente e profissional – tentou esticar a mão para pegar um chocolate na caixa, mas eu a puxei para longe. Sem chocolate pra você meu caro, ele bufou irritado, mas continuou sua história – Eu sempre a ajudava como podia, financeiramente e quando tínhamos que fazer hora extra para tratar dos assuntos da empresa eu a levava em casa pois ficava preocupado em ela voltar sozinha a noite.

— Então ela se apaixonou por você?

— Vai ficar me interrompendo? – neguei com um aceno de cabeça – Não, ela fez pior. Ela achou que porque eu simpatizava com ela, ela poderia me sacanear. A filha da puta viu em mim a chance de conseguir dinheiro "fácil" e me acusou de assédio sexual, não contente, ela ainda dizia que eu pagava a ela por sexo e ameaçava a demitir caso não concordasse. A coisa ficou feia para o meu lado pois eu era muito simpático e comunicativo com todos, além do que, todos viam que nós sempre fazíamos hora extra, sabiam que eu a deixava em casa após isso e sabiam que eu sempre a ajudava financeiramente. Claro que acreditaram nela, eu não tinha muito como me defender pois pelas minhas atitudes, tudo que ela falava parecia verdade. Eu fui processado, esse caso veio a julgamento. Tem noção do quão sério isso é?

EITA PORRA.

— A filha da puta fez com que eu fosse acusado por duas coisas, prostituição e assédio sexual. Eu quis matar aquela desgraçada, filha da puta, arrombada do caralho. Isso saiu em tudo quanto foi jornal na época – a ira dele era palpável, bom, se fosse comigo eu também estaria bem puta com a tal Ana.

— Você foi preso? Conseguiu provar sua inocência? Espera, você era inocente né? – eram muitas dúvidas em minha cabeça.

— Claro que eu era inocente Isabella – revirou os olhos – Natalie tinha acabado de nascer, eu estava preocupado com a minha filha e não em seduzir funcionárias. O erro dela foi invadir minha sala após o expediente. Eu estava em uma vídeo chamada com Tanya, queria ver minha filha, ela aprendido a dar tchau e Tanya a segurava no colo e tentava fazer ela dar 'tchauzinho' pra mim, eu sempre gravei as vídeo chamadas pois queria registrar esses pequenos aprendizados da Nat. Quando Ana entrou e começou a falar um monte, eu minimizei a tela e virei o notebook pra ela. Ela dizia que se eu não a desse mais dinheiro ela inventaria ouras mentiras para me desmoralizar. Em resumo, ela confessou toda sua mentira e eu tinha aquilo gravado e registrado.

— Que coisa mais... – eu não tinha nem palavras para continuar.

— Depois de provar minha inocência, movi uma ação judicial contra ela por calúnia e difamação. Ela não tinha onde cair morta e tinha um filho pra sustentar, eu não queria seu dinheiro e não queria indenização, apenas fiquei feliz por ela ser julgada e condenada culpada – riu vitorioso – Depois disso eu passei a manter distância de todos os funcionários, não queria mais amizade com ninguém e meu pai a meu pedido me transferiu para a filial de Seattle, cá estou até hoje. Chamo todos de Ana pois é um lembrete que não devo confiar em ninguém.

— Então essa é a história de como você virou o lúcifer de olhos verdes? – sussurrei para mim mesma – Surpreendente.

— Espera – ele me olhou aborrecido – Foi você que inventou esse apelido?

Alguém me mata.

— Como você sabe desse apelido? – questionei surpresa.

— Não é porque eu ignoro a existência de todos que eu não escuto o que dizem.

— Eu não inventei nada, apenas ouvi chamarem assim – menti na cara dura, não me julguem, meu emprego está em jogo aqui – Por que você me chama pelo nome? – mudei de assunto.

— Por algum motivo eu confio em você – confessou – Além do que, você foi a única que conseguiu me aguentar por mais de três meses, mereceu ser promovida a Isabella – brincou.

Êh brincadeira sem graça.

— Eu não aguento não, só preciso do dinheiro mesmo. Não quero ser enterrada como indigente, eu sempre cogito se devo ou não cuspir no seu café... – me interrompi ao ver a cara nada agradável que meu chefe fazia para mim.

Ops, talvez agora eu deva começar a ter um pouco de filtro.

— Mas nunca cuspi – respondi rápido – Sério. Juro, nunca cuspi, mas talvez hoje seu croassaint tenha caído no chão e eu tenha te dado pra comer mesmo assim – sorri amarelo.

— Ok, vamos encerrar por aqui pois eu já estou cogitando te demitir – ele não riu, então acho que não era brincadeira.

— Por que você me deu um aumento da vez que eu me demiti? Não seria mais fácil só ter assinado minha demissão? – eu também estava bem curiosa com relação a isso.

— Honestamente? Não. Você já conhece meu temperamento e parece lidar bem com ele. Seria difícil achar outra pessoa que se adapte a minha rotina, temperamento e exigências – admitiu – Além do mais, eu não faço nada se você não organizar pra mim, claro tirando as vezes que você me deixa na mão e esquece de me entregar a porcaria da minha agenda semanal – sorri amarelo, eu faço muito isso mesmo – Quando você entra de férias sempre tem um incompetente pra te substituir e nunca montam minha agenda completa, minha vida vira um caos.

— Não é pra tanto senhor Cullen – revirei os olhos.

— Isabella, você agenda até os horários que eu tenho livre para ir ao banheiro. Meu intestino é bem regulado graças a você. Se você não agenda essas coisas como almoçar, ligar para fornecedores, acionistas ou o que mais for, eu nunca lembro de fazer.

Eca. Eu não quero saber se ajudei ele a cagar no horário. Que nojo.

— Certo – encerrei o assunto – Bom, já que encerramos por hoje, eu já vou indo. Infelizmente eu ainda trabalho para o senhor, então, até amanhã senhor Cullen – peguei minhas coisas de cima dali e levei comigo o chocolate, sim, eu ficaria com ele.

— Até amanhã Isabella e por favor, lembre que você reorganizou meu dia de amanhã para que eu pudesse ir procurar uma escola para Nat, então não se esqueça de me enviar – pediu.

— Puts, já tinha até esquecido – bati com a mão na testa lembrando deste pequeno detalhe – Amanhã cedo estará em seu e-mail.

— Certo – ele me olhou por um tempo – Seus olhos ficam melhores castanhos, aquele verde realmente não era pra você.

Ah pronto, agora ele vai esfregar a genética perfeita dele na minha cara mostrando que eu não posso ter olhos verdes que nem o dele. Meu cu.

— Infelizmente, até mais ver – me despedi quando me aproximei da porta para sair de sua sala.

— Isabella? – me chamou antes que eu cruzasse a porta.

— Mas o que foi dessa vez? – talvez eu estivesse um pouquinho irritada.

Ele riu ao ver minha irritação. É, é muito engraçado, hilário.

— Feliz aniversário.

— Feliz? Você estragou meu aniversário me trancafiando aqui – revirei os olhos – De qualquer forma, obrigada – sorri educada apesar de não ser nada educado o que eu falei – Ah, em que ano a Nat nasceu?

— 2009, por que? – não respondi nada, apenas sorri e saí dali.

Hmm... então ele tatuou o ano do nascimento da filha... interessante. Bom, se eu ligasse para Jacob talvez e ainda conseguisse salvar o dia de hoje, mas na real... eu só precisava dormir mesmo. Se eu desse sorte, o dia de amanhã não seria tão longo assim.