Quero agradecer pelos comentários no capítulo anterior. Vocês me fazem uma jovenzinha muito feliz, obrigada por me acompanharem

Bom, como forma de recompensa, voltei com mais um capítulo pra vocês, espero que gostem


Assistente dos infernos

▬ Edward ▬

Quando o despertador tocou as cinco da manhã, como tocava todo santo dia, amaldiçoei a alma de quem inventou esse dispositivo. Coisa barulhenta que só servia pra me acordar no susto. Tomei banho como de costume e apenas quando saí do banheiro lembrei que agora eu não morava mais sozinho.

Fui até o quarto de Natalie e não pude evitar que um sorriso se formasse em meus lábios quando a vi deitada em seu sono pesado. Seus cabelos acobreados estavam uma bagunça em cima da cama e cobrindo seu rosto. Essa pirralha cresceu tão rápido, parece que foi ontem que ela nasceu, odiava o quão rápido o tempo passava, queria que ela fosse pra sempre minha garotinha. Caminhei até sua cama e sentei na beirada, me aproximando dela.

— Filha, acorda – a chamei com a voz baixa, ela se remexeu na cama mas não acordou – Ei princesa, tá na hora de levantar – toquei sua bochecha e depositei um beijo em sua testa – Vamos pirralha, quer que eu te acorde como antigamente? – não prendi o riso ao ver que ela abriu um dos olhos me olhando de soslaio.

— Você não teria coragem – murmurou com a voz rouca de sono.

— Isso é um desafio? – arqueei uma sobrancelha para ela.

Quando era mais nova, Natalie se recusava a acordar cedo, então eu tinha que carrega-la para o banheiro e a colocar a força debaixo do chuveiro. Ela não ficava muito feliz em ser acordada com um banho de água fria –literalmente– e passava o resto da manhã de cara fechada.

— Arrume-se, vamos tomar café e daqui a pouco temos que sair – disse a ela quando se sentou na cama me olhando de cara feia.

— Você é muuuuuuito mandão papai – reclamou com a voz arrastada em meio a um bocejo – E não tem nada pra comer aqui, toda vez que abro a geladeira sinto vontade de chorar. Se eu contar isso pra vó Esme ela te bate hein – ri de sua reclamação.

— Onde você quer tomar café?

— Em casa, mas aqui só tem água – revirou seus olhinhos verdes – Nesse caso, quero ir na Starbucks.

— Como desejar – beijei sua testa – Agora arrume-se gatinha, não quero me atrasar – me levantei da cama e antes de passar pela porta me virei para ela – E nada de minissaia ouviu? Pode se cobrir inteira.

— Mandão – reclamou.

— Apenas cuidadoso – sorri pra ela e voltei para o meu quarto para me arrumar.

Conferi meu e-mail e vi que Isabella ainda não havia me enviado minha agenda para hora. Esfreguei minhas têmporas com força, esperaria dar seis e meia para ligar cobrando a porcaria da agenda que ela já devia ter me enviado desde ontem. Essa mulher só pode estar testando a minha paciência.

[...]

— Eu quero um cachorro – Natalie respondeu quando eu perguntei o que ela queria.

— Filha, eu perguntei o que você quer do cardápio pra comer, não seus sonhos infantis. Você não vai ter um cachorro.

— Eu quero um cachorro – me ignorou.

— Você não vai ter um cachorro.

— Eu quero um cachorro.

— Podemos passar o dia inteiro aqui, mas você não vai ter um cachorro – olhei no relógio e já eram quase sete da manhã e Bella ainda não enviou minha agenda – O que você quer?

— Um cachorro, mas já que isso não vai ser possível agora, quero qualquer coisa com muito doce e Nutella... Ah – seus olhos verdes se arregalaram e ela sorriu animada – Você me prometeu cookies e nutella, quero isso agora.

Chamamos alguém para nos atender e assim que fizemos nossos pedidos, tentei ligar pela milionésima vez para Bella que não atendia nenhuma das minhas ligações.

Essa mulher não vai tirar minha paciência hoje.

— Olha que linda essas flores pai – Nat virou o celular para me mostrar algo nele – São as que você deu?

Olhei para a tela e era uma foto de Isabella, ela sorria abraçada a um buquê de rosas vermelhas, seus olhos castanhos estavam brilhantes, como se ela estivesse muito feliz. Pude ver um relógio no fundo da foto no qual o horário marcava 23:40 da noite. Isso foi muito depois de ela ter saído da empresa ontem, mas ainda era a mesma roupa, o que indica que ela não foi direto pra casa.

Eu nunca havia reparado em como ela tem um lindo sorriso. Na verdade, se ela já sorriu eu não me lembro pois nunca reparei. Para ser honesto, eu nunca reparei nela, sempre achei que ela tinha olhos medonhos e quando combinado ao seu cabelo e todo o resto, ela não era o tipo que me chamava atenção, na verdade eu só não a achava bonita e nem um pouco atraente, mas quando ela apareceu de cabelos e olhos castanhos, tão diferente de como eu estava acostumado a ver, ela pareceu tão... bonita.

Passei a reparar mais nela, me perguntei se antes eu estive cego. Ela não é alta, na verdade ela deve ser pouca coisa maior que Alice, tem curvas bem definidas, seus olhos –os de verdade– são muito bonitos e nunca tinha reparado antes, mas seus lábios são incrivelmente convidativos. Parei de prestar atenção aos detalhes da foto quando Natalie de uma risadinha baixa, fechei a cara pra ela.

— Não – respondi simplesmente – Como você tem essa foto?

— Eu sigo a Bella no instagram— deu de ombros – Eu sabia que não eram suas flores, ela as jogou fora, mas eu queria ver se você ia fazer cara de bunda... e você fez – gargalhou.

Eu vou embalar essa pirralha em plástico bolha e mandar de volta pra Londres.

— Essas são as flores que o boy dela mandou pra ela. Ele tem mais bom gosto que o seu, são mais bonitas que as que você deu.

Nat estava mesmo se desfazendo das flores que eu escolhi?

Como assim? Isabella tinha namorado? Eu achei que ela nem tivesse tempo pra fazer isso.

— Aproveitando que vamos procurar escolas pra você, eu vou te pôr em um colégio interno – respondi irritado.

— Vai não porque você me ama – sorriu inocente.

— Amo mesmo – beijei sua cabeça.

— Sabe o que eu acho pai?

— Não quero saber.

— Acho é bem feito. Acho muito bem feito ela ter jogado suas flores no lixo. Fica com frescura se fazendo de doce e dizendo "não foi de livre vontade" – ironizou numa tentativa de imitar minha voz – Eu se fosse ela tinha tacado é fogo nas flores. Você não sabe falar com uma mulher. Custava só dizer "de nada"?

— Ela deu um bom jeito de destruir as flores filha, se isso te faz feliz.

— Faz muito feliz sim – sorriu.

Ontem eu havia me sentido culpado por prendê-la no trabalho até tarde sendo que era seu aniversário e eu havia a convencido a vender suas férias, tentei me redimir e iria liberá-la, mas quando vi que ela havia cometido um assassinato com as flores que eu havia lhe dado e quando ela disse que preferia destruí-las a destruir alguma que "alguém que se importa" havia lhe dado, eu acabei perdendo um pouco do bom senso e desisti de lhe liberar, confesso que manda-la limpar aquilo talvez tenha sido um pouco demais, mas não voltaria atrás na minha decisão. Eu até poderia dizer que estava arrependido por isso, mas eu realmente não estava.

[...]

Havia rodado uma parte de Seattle com Natalie, fomos em três escolas e não entramos em consenso em nenhuma, duas me agradaram, mas não agradaram ela e a que ela se agradou não me agradou. Olhei no relógio e vi que já se passavam das sete e meia da manhã e Isabella não me enviou minha agenda e nem atendia aos meus telefonemas. Pelo visto essa mulher vai sim tirar minha paciência.

— Cansei de procurar escola, vamos desistir. Eu não estudo em nenhuma e fico burra mesmo – Nat se jogou no banco do carona – Eu não vou me importar, eu sou uma herdeira, os outros que lutem.

— Não pode pensar assim filha, vai estudar sim – ela bufou irritada

Para meu desespero, Natalie colocou suas músicas adolescentes e cantarolava todas. Essas porras iam ficar na minha cabeça, tenho certeza.

Quando por fim encontramos uma escola que agradasse aos dois, Natalie reclamou da farda da escola, mas já era tarde, ela já estava matriculada. Liguei para Rosalie e pedi para que ela acompanhasse Nat para comprar o material e a farda, ela começaria na escola amanhã e eu não poderia ir com ela, se bem que a essa altura do campeonato eu não faço ideia de que porra eu tenho que fazer no meu dia já que a assistente dos infernos não atende ao telefone, não me enviou meus horários e nem porra nenhuma.

— TIO EMMETT – Natalie se jogou nos braços do meu cunhado no segundo que o viu.

— Ei ruivinha – ele a abraçou a girando no ar – Achei que você tinha nos trocado pra viver na terra da rainha de vez.

— Não, minha mãe que decidiu que queria que eu morasse com ela, mas tô livre de novo.

— Filha, não fale assim.

— Qual é Edward, não dá pra julgar a garota né? – Emmett falou.

Ele tem razão, mas também não quero que Natalie cresça achando que pode faltar com respeito a sua mãe, por isso dei um tapa na nuca de Emmett.

— Ei pequena, não vai falar comigo? – Jacob chamou sua atenção e ela fez uma careta de desgosto.

— Ah... oi Jacob – respondeu sem vontade.

— Poxa gatinha, você ainda não gosta de mim?

— Não. Nenhum pouco – respondeu com um sorriso.

— Nat, filha. Filtros, lembra do que conversamos sobre filtros?

— Tio Jacob, ebaaaaa, que alegria te ver, estava morreeeeeeeeeendo de saudades de você – falou com falsa empolgação abraçando meu amigo.

Todos olhávamos pra ela em descrença. Sua atuação tinha sido péssima, na verdade foi tão falsa que Jacob ficou até constrangido. A olhei de forma repreensiva.

— O que foi? – questionou ao ver meu olhar pra ela – O que você quer de mim meu senhor? Eu sou 8 ou 80. Não gosto dele, já fingi que gosto, o que mais posso fazer? Se o senhor fizer eu dar um beijo na bochecha dele eu juro que morro.

— Poxa gatinha, assim você parte meu coração – Jacob ainda tentou falar com ela, mas ela fez uma outra careta pra ele.

— Se partiu então morre logo – deu de ombros – Isso só fica fofo quando meu pai fala, quando você fala é estranho.

Eu preciso dar um jeito nessa garota ou ela ainda vai me fazer passar muita vergonha.

— Filha, se você fosse pequena eu ia entender, mas você já tem 10 anos, já tá grandinha demais pra malcriação não acha? – a repreendi.

— Não. Agora eu vou atrás da tia Rose e depois já vamos, tchau papai – ela deu um beijo em minha bochecha e saiu saltitando logo em seguida.

— Se você fosse gostoso igual eu ela ia gostar de você. As mulheres se amarram nos meus músculos – meu cunhado falou exibindo seus músculos que estavam cobertos pelo seu terno.

— Acho que Rosalie e eu precisamos ter uma conversinha sobre você então – Jacob brincou e Emmett ficou sério.

— Faça isso e será um homem morto – o olhou sério, mas logo sorriu – Soube que ontem saiu com sua garota misteriosa. Algum dia vai nos apresentar ela?

— Pra vocês tentarem roubar ela de mim? Não valeu – riu – Ainda tô tentando convencer ela a namorar comigo, mas ela é cabeça dura demais. Ela diz que não tem tempo pra se envolver com ninguém agora, só nos vemos aos sábados – explicou.

— Por que vocês só se veem aos sábados? – questionei confuso – O que ela tanto faz que só tem tempo no sábado?

— O chefe dela é um babaca com ela, entope a coitada de trabalho e inferniza a vida dela o quanto pode – falou olhando pra mim.

— Que panaca – falei apenas por falar mesmo.

— Concordo Edward. Concordo plenamente, é um panaca mesmo – sua voz era carregada em ironia – E tem o detalhe que ela sabe que eu trabalho lá mas ela pensa que eu sou secretário, não sabe que eu sou importante lá. Nunca contei e talvez ela ficasse puta se não soubesse por mim, então...

— Bom, de qualquer forma, ainda tenho que marcar uma reunião com o diretor executivo da Black's, esse filho da puta está me enrolando há semanas, não dá mais pra adiar pois o fim do ano está chegando e preciso disso pra fazer o balanço geral da empresa – Jacob gemeu de frustração.

— Porra cara, eu tô fugindo disso mesmo. Não quero fazer essa reunião. Você é meu amigo Edward, mas você é chato pra caralho quando faz reunião. Puta que pariu.

— Vou dizer pra minha assistente te ligar pra marcar uma reunião... –

— NÃO – gritou e estranhei sua atitude – Eu peço para minha assistente te ligar, vamos fazer essa reunião na Black's, você sabe, se fizermos a reunião lá, as chances de eu fugir são menores – ele sorriu meio estranho, mas concordei. Pra mim tanto faz onde será desde que ele pare de me enrolar.

Ainda conversei com Emmett e Jacob por mais um tempo já que Isabella não me atendia e eu não fazia ideia do que tinha pra fazer na porra do meu dia. Fui para a empresa logo em seguida, cheguei lá já se passavam das dez da manhã. Assim que cheguei, respirei fundo, eu tinha que me controlar e muito pra não mandar todos irem à merda e me deixarem em paz, será que as pessoas realmente acham que são discretas e que eu não escuto cochicharem quando eu chego?

"Lá vem o capeta", "puts acabou a paz", "merda, por que o demônio não tá no inferno?", "como ela diz, lá vem o lúcifer de olhos verdes". Eu sempre ignorava tudo o que falavam, mas esse último comentário só me fez pensar uma coisa: 'Sim, com certeza foi Isabella que inventou esse apelido dos infernos'.

— Jane – a chamei assim que vi que ela era uma das que cochichavam sobre mim.

— Sim, senhor Cullen, deseja alguma coisa? – perguntou com a voz trêmula.

O que ela acha? Que eu vou bater nela? Tenha santa paciência.

— Cadê Isabella?

— Ainda não chegou, ela teve um pequeno contratempo pos... –

— Que contratempo? – a interrompi, ela pareceu pensar. Com certeza estava mentindo para acobertar a amiga – Responda, Jane. Não me ouviu?

— Eu não sei – choramingou.

— Traga meu café – fale impaciente e saí sem esperar sua resposta.

Iria direto para minha sala, mas ao passar pela sala de Isabella, vi que ela havia deixado em cima da mesa o cartão que ganhou junto com as flores do seu suposto namorado. Olhei para os lados desconfiado, não tinha ninguém e ela não havia chegado. A curiosidade falou mais alto, me aproximei de sua mesa e abri o cartão para ver se ele tinha sido assinado.

Meus punhos se fecharam e uma súbita raiva tomou conta de mim a ler o que constava ali.

"Para a minha futura namorada, estamos há quase três anos juntos, mas espero que este seja o ano que você vai finalmente me aceitar em sua vida e espero mais ainda que você tenha um dia maravilhoso e possa aproveitar cada segundo dele. Nos vemos a noite para comemorar seu dia.

Jacob Black"

— Mas que filho de uma puta – rosnei entre dentes.

Não sei porque fiquei tão irritado... na verdade eu sei. Desde que vi Isabella com cabelos e olhos castanhos talvez eu tenha sentido uma certa atração por ela, por isso, esse ano eu fiz questão de escolher pessoalmente suas flores e talvez por isso eu tenha ficado tão irritado quando ela as jogou fora.

— JESUS QUE SUSTO – me sobressaltei ao ouvir a voz de Isabella.

Rapidamente empurrei o cartão para longe e posso até afirmar que estava constrangido com a possibilidade de ter sido pego lendo seu cartão. Mas por que porra eu fiz isso? Isso não é do meu feitio, eu nunca me importei com as coisas dela.

— O você tava fazendo senhor Cullen? – perguntou desconfiada.

Tinha ela me visto ler seu cartão?

— Aliás, por que não foi para sua reunião com... – se interrompeu ao ver que eu não a olhava de forma nada agradável – Ops – sorriu amarelo.

— Você não me enviou a porcaria da minha agenda Isabella – reclamei – E nem deixou uma cópia impressa na porcaria da sua mesa.

— Eu acabei de perceber isso...

— Por que só chegou agora e por que inferno não atendeu minhas ligações?

— Ah – ela coçou a nuca desconfortável – É que eu meio que acabei dormindo tarde ontem, aí eu não ouvi meu despertador tocar, quando eu levantei já era tarde, meu celular estava no silencioso e só quando fui me arrumar que eu vi que eu não tinha roupa limpa pra usar, me desesperei e então eu tive que usar umas roupas de quando eu ainda estava na faculdade mas acho que de lá pra cá eu engordei porque...

— Eu não me importo – a interrompi.

Iria continuar falando pois estava realmente irritado com ela pois sei que seu atraso foi porque ela saiu com Jacob, mas acabei me distraindo ao olhar pra ela. Ela usava uma saia social, porém era curta, ia até pouco abaixo da metade das suas coxas, mas o que mais me deixou atônito era que a porcaria da saia era incrivelmente justa ao seu corpo, deixando suas curvas bem delineadas e suas coxas, porra, ela sempre teve coxas assim? A blusa que ela usava também era justa a corpo e por ser apertada, quase fazia seus seios saltarem. Isso com certeza daria asas a minha imaginação.

— Por que você está me olhando assim? – sua voz me tirou do transe.

— Eu estou pensando em um jeito bem doloroso de te matar – não disse do que.

— Credo, quanto ódio no coração – sussurrou, mas eu consegui ouvir – Eu vou logo imprimir sua agenda, mas já aviso que perdeu uma reunião.

— Você não vai me tirar do sério hoje, Isabella – não esperei por sua resposta, apenas entrei em minha sala.

[...]

Eu estava completamente enganado, ela ia me tirar do sério sim. Tínhamos que fechar o balanço anual de algumas empresas que estavam sob a supervisão da nossa empresa e pra isso precisava que Isabella me auxiliasse e porra, era difícil não olhar pra ela quando ela estava com uma saia curta, apertada e que marcava sua calcinha, que inclusive ela parecia estar usando fio dental, circulando pela minha sala. O fato de ela estar de salto e de vez em quando se sentar na cadeira a minha frente e cruzar as pernas não estava colaborando comigo. Isso estava me deixando um pouco ranzinza.

— Dá pra você parar quieta? – pedi incomodado quando ela não parava de andar de um lado pro outro na sala.

— Não – respondeu simplesmente e continuou andando.

— Senta na porra dessa cadeira e faz seu trabalho – ordenei.

— Andar me ajuda apensar.

— Então compre uma esteira e pense em cima dela, enquanto isso, sente nessa cadeira.

— Eu estou tão arrependida de ter vendido minhas férias – reclamou e não se importou quando eu a olhei com cara de poucos amigos.

— Eu realmente não me importo.

— Claro que não, não tem coração – ela percebeu que não falou tão baixo quanto achou que tinha falado e sorriu sem graça – Desculpe.

— Olha as coisas que você pensa de mim – revirei os olhos pra ela.

— Se eu for honesta, eu nem penso sobre você... na verdade, penso sim, três coisas – arqueei a sobrancelha olhando para ela que viu isso como um incentivo e continuou falando – São elas: 1) por favor não me mate, 2) por favor não me demita e 3) pague meu salário. Se bem que eu acho que se você fosse me demitir, já teria me demitido.

— As vezes eu seriamente cogito essa possibilidade.

— Por favor não me demita – pediu em um gemido.

— Apenas continue seu trabalho, Isabella.

Voltei minha atenção para os papeis a minha frente. Merda, Isabella não colaborava com ela mesma, ela havia preenchido os dados de forma errada, de forma muito, muito errada. Respirei fundo tentando me acalmar, mas eu já estava uma pilha de nervos. Como ela preenche a porcaria dos dados da empresa utilizando dados da gestão antiga? Pelo amor de Deus, ela já trabalha aqui há quase três anos.

Olhei pra ela pensando em diferentes formas de me acalmar para não a estrangular. Ela percebeu que fez algo errado e me olhava com um sorriso sem graça no rosto, ela estendeu a mão e entreguei os papeis a ela.

— Em minha defesa, apenas ontem eu percebi que estava errado – falou sem graça.

— E por que não corrigiu quando viu que estava errado?

— Na real, eu achei que o senhor só ia ver isso semana que vem.

— Puta que pariu, você também não colabora, Isabella – falei impaciente.

— Senhor Cullen, o senhor sabe quem é Taylor Swift? – a olhei sem acreditar.

Puta merda. A mulher estava mesmo sacaneando com a minha cara, não é possível. Respirei fundo. Eu tinha que me lembrar que eu não podia gritar com os funcionários o tempo todo, mesmo que eles mereçam muito e implorem muito por isso.

— Isabella, eu tenho uma filha de 10 anos. Infelizmente eu sei quem é Taylor Swift, Shawn Mendes, Jonas Brothers, Miley Cyrus, Justin Bieber, BTS, Selena Gomez e esse povo todo. Também não me orgulho com o fato de que eu até gosto de algumas músicas e a porcaria daquela música 'Señorita' está na minha cabeça até agora. Mas se você cantar pra mim "You need to calm down", eu juro que vou te demitir – sim, eu estava muito impaciente.

Contrariando qualquer atitude que eu pudesse tentar prever, ela simplesmente gargalhou alto jogando a cabeça para trás. Eu contei alguma piada por acaso?

— Então você conhece essa música? – perguntou entre gargalhadas.

Tá bom, eu acabei rindo um pouco também.

— Nat canta essa porcaria de música toda vez que me vê estressado – admiti.

— Então ela deve cantar muito isso pra você – riu sem se importar se eu queria ou não a estrangular.

— Volte para o seu trabalho Isabella.

— Eu estou tentando, mas agora eu estou montando na minha mente um cenário onde você está cantando 'Señorita' – gargalhou.

— Se você espalhar isso pra alguém, eu vou negar até a morte e dizer que você está louca. Convenhamos, vão acreditar em mim, você é meio surtada mesmo – ela parou de rir e fechou a cara.

Eu continuei rindo.

[...]

— Hey montanha de estresse – a voz de Rosalie fez com que eu desviasse os olhos do computador para olhá-la.

— Olha, ela simplesmente invadiu, eu tentei impedir – uma Isabella esbaforida veio atrás da minha irmã falando alto.

— Cadê a Natalie? – questionei ao ver que Rose não estava com minha filha.

— Alice sequestrou ela, a levou para fazer compras.

— Coitada – ri, Natalie com certeza me mataria depois – Tudo bem Isabella, pode deixar que a partir daqui Rosalie é responsabilidade minha – ela apenas assentiu e se retirou da sala – Não quero saber, o que quer que tenha pra falar não fale, apenas sente e me deixe em paz – falei voltando meu olhar para o computador novamente.

— Eu vi uma foto interessante no instagram, quer ver? – sua voz era pura zombaria.

Eu até ia perguntar qual foto, mas pelo seu tom, eu já sabia de qual foto ela se referia.

— Virou melhor amiga da minha assistente também? – não olhei pra ela enquanto falava, continuava concentrado no que fazia.

— Sim, agora eu a sigo no instagram.

— Ótimo, sente e cale a boca, está me atrapalhando.

— Ela é bonita né?

— Então largue o Emmett e fique com ela pra você, apenas cale a boca e me deixe trabalhar.

— Ela tem muitas fotos de biquíni no instagram— a olhei de soslaio e a filha da mãe explodiu em uma gargalhada – Eu sabia que você tinha interesse.

— Sim, eu tenho um grande interesse que você cale a porra da boca. Não quero ter que chamar os seguranças.

— Eddinho meu amor, eu sou tão dona dessa empresa quanto você – argumentou.

— Na verdade não, segundo nossa herança, 75% da empresa me pertence, seu é 25%, além do que, nesta sala você não manda. Os seguranças podem não te tirar do prédio, mas desta sala eles te tiram. E se você me chamar de 'Eddinho' de novo, eu vou ficar muito puto.

— A quanto tempo você não transa? – soltou uma risadinha infeliz.

Parei tudo que fazia e esfreguei o rosto com força. Deus, por que não fizeste com que Esme tivesse parado em mim? Por que eu não sou filho único? Eu mereço mesmo esse tipo de castigo? Eu sou uma pessoa tão ruim assim pra merecer isso?

— O ruim em ser rodeado de mulher é que eu sou obrigado a ouvir esse tipo de pergunta – reclamei.

— E mesmo sabendo que eu vou perguntar de novo você não responde. Impressionante – Rose me olhou com seus grandes e irritantes olhos verdes – A quanto tempo você não transa? Não molha o biscoitinho, afoga o ganso, amassa o alho, preenche o Grand Canyon, troca o óleo do motor, irriga a Amazônia... –

— VAI PRO INFERNO, ROSALIE! – a interrompi.

Estou com os nervos a flor da pele, eu estou a um passo de arrancar meus próprios cabelos.

— Você tem pelo menos batido uma punhetinha?

— Uma hora de paz. Eu só queria uma hora de paz. É pedir demais? – reclamei olhando pra cima.

Alguém aí em cima pode me ouvir e atender meu pedido?

— Eu acho – a loira dizia enquanto se sentava na cadeira a minha frente – Que todo esse seu estresse não passa de tesão reprimido. Tudo isso é gala acumulada que tá presa no seu corpo, é tudo fruto da falta de sexo.

— Cara, você não se escuta enquanto fala? – a olhei totalmente incrédulo – Seu cu não sente inveja da quantidade de merda que sai da sua boca? Minha vida sexual não te diz respeito – a tapada simplesmente riu – Tá rindo do que agora?

— Você fala como se tivesse uma vida sexual pra eu dar conta – gargalhou alto – Todos sabemos que fica de domingo a domingo nessa empresa, das seis as onze da noite. Você não tem nem vida, quem dirá vida sexual.

— Ainda sim eu era mais feliz uma semana atrás quando você estava em Londres e um oceano nos separando.

— Ah para, você me ama que eu sei irmãozinho – piscou pra mim – Mas sério, você já viu como a bunda da Bella ficou marcada naquela saia? Eu acho que ela tá te dando mole. Você tem que aproveitar enquanto ainda é relativamente novo e é um dilf. – eu tenho certeza absoluta que vou me arrepender por perguntar isso, mas...

— O que porra é um dilf? – tive certeza que me arrependeria quando a surtada da minha irmã deu um largo e pervertido sorriso.

Dad I'd like to fuck (pai que eu gostaria de foder) – alguém enfia estacas em meus ouvidos por favor – Você não tá ficando mais novo irmão. Tem que aproveitar enquanto seu pau levanta sem a ajuda de viagra.

— O fato de você ser minha irmã e estar falando do meu pau deixa essa conversa cada vez mais bizarra, sua anormal.

— E então – ela me ignorou se ajeitando em sua cadeira – Responde aí, qual foi a última vez que você transou com alguém?

Eu vou ter um infarto fulminante e a culpada vai ser minha irmã.

[...]

Ouvi baterem em minha porta, mas nada respondi. Isabella saberia que poderia entrar.

— Prontinho senhor Cullen, todos os documentos estão preenchidos corretamente – Isabella falou após entrar. Puxou uma cadeira e sentou em frente a minha mesa colocando os papeis lá – Corrigi e troquei os dados referentes a gestão em exercício.

Peguei os papeis os conferindo, dessa vez estavam preenchidos corretamente.

— Ei Cullen, por que você nunca comentou que tinha uma filha? – sua pergunta me pegou de surpresa.

— Eu honestamente não consigo imaginar um cenário no qual qualquer coisa que já tenhamos conversado nos levasse ao ponto em que eu diria "ei, eu tenho uma filha de 10 anos" – respondi.

— Eu perdi 100 dólares – suspirou resignada – Apostei que você não tinha família e ninguém te queria pert... nada – sorriu amarelo ao perceber que falava demais.

O que ela falou me irritou completamente, talvez por isso eu tivesse jogado um pouco baixo, mas eu já estava irritado desde quando vi o cartão que Jacob dera a ela então não me importei.

— Quero que faça algo – falei sério.

— Claro, em que posso ser útil?

— Quero que ligue para a Black's e solicite uma reunião com o diretor executivo da empresa diga que ele está me enrolando a muito tempo e não dá mais para adiar.

— Claro senhor Cullen, farei isso agora.

— Isabella?

— Sim?

— Não deixe recado com a assistente dele. Quero que fale diretamente com ele, ele tem evitado essa reunião comigo e se deixar com a assistente ele pode fugir. Marque para ocorra aqui na empresa.

— Claro, qual o nome dele? – um sorriso perverso se formou em meu rosto ao responder sua pergunta.

— Jacob Black – seu queixo caiu em surpresa.

— C-Como?

— Você me ouviu Isabella, agora vá e faça o que eu mandei – ela assentiu concordou e antes que cruzasse a porta a chamei novamente – Ah e me traga um café. O meu esfriou – seus olhos eram pura fúria, mas concordou.

Fui filho da puta? Provavelmente sim. Joguei baixo? Talvez. Mas Jacob me irritou por sair com minha assistente e bom, é apenas isso mesmo. Se eu me arrependeria disso, não sei, mas um dia descobriria.

[...]

— Essa casa é uma decepção papai – Natalie reclamou enquanto enfiava outro pedaço de pizza na boca – Não tem comida nenhuma, só água. Por quantas noites o senhor pretende me alimentar de pizza? Nunca achei que diria isso, mas eu sinto falta de fazer uma refeição decente – dizia enquanto via alguma coisa no celular.

Não pude ficar até tarde na empresa. Nem Rosalie e nem Alice poderiam ficar com Natalie essa noite e ela protestou pois não queria me esperar lá, então para que não ficasse sozinha, vim para casa mais cedo ficar com ela.

— Eu preciso arranjar uma babá pra você – concluí ao perceber que não poderia vir cedo para casa toda noite.

— Pai, eu tenho 10 anos e não 5. Arranje uma babá pra você, mas tem que ser outra, a Bella já é sua babá durante o dia – gargalhou.

Por que de repente todos criaram uma obsessão com Isabella?

— Eu estou seriamente cogitando a hipótese de te proibir de falar com a Rosalie, ela é uma péssima influência pra você.

— Péssima influência é a tia Alice que comprou um sutiã de renda vermelha pra mim – arregalei os olhos ao ouvir isso – Ela é completamente louca, eu nem tenho coragem de usar aquilo.

Eu vou matar aquela baixinha dos infernos.

— Eu tenho que ter uma séria conversa com aquelas duas – rosnei.

— Paizinho, o senhor está muito estressado – Nat desviou os olhos do celular e sorriu pra mim – You need to calm down, you're being too loud— cantarolou de novo essa música dos infernos.

— Filha, eu amo você, com todo meu coração, mas tem momentos que eu quero tanto que você só cale a boca.

Ela revirou os olhos.

Não pude deixar de rir ao lembrar de mais cedo quando Isabella me perguntou se eu sabia quem era Taylor Swift, foi simultaneamente constrangedor e divertido admitir que sim, eu sabia quem ela era.

— Você me deve dez pratas, eu falei que ele ia me mandar calar a boca – Natalie gravava um áudio e enviava para alguém pelo whatsapp.

— Apostando contra mim filha? Com quem dessa vez? Rosalie, Emmett, Alice ou todos juntos?

— Nenhum deles, é com a Bella. Apostamos que se eu cantas... –

— Isabella não tem whatsapp— a interrompi antes que ela continuasse falando.

— Claro que tem pai, todo mundo tem whatsapp hoje em dia. Não seja bobo paizinho.

Me inclinei sobre minha filha tomando o celular de sua mão olhando que realmente, ela conversava com Isabella.

— Ow seu mal educado, bastava pedir que eu mostrava – ignorei completamente o que ela dizia.

Peguei meu próprio celular abrindo o aplicativo de mensagem e conferindo que Isabella não aparecia na minha lista de contatos para conversas, então decidi comparar os números e vi que o número que Natalie tem de Isabella, eu com total certeza não tenho este número. Por que eu não tenho esse número?

— Eu não tenho esse número dela... – sussurrei para mim mesmo, mas Natalie conseguiu escutar.

— Eu entendo. O senhor já inferniza a vida dela na empresa, ela não ia querer o senhor infernizando-a por whatsapp também né?! – essa pirralha precisa aprender a ter filtros. Urgente.

Ignorando as tentativas da minha filha de puxar o celular de volta, conferi a foto de perfil de Isabella, era uma foto dela de biquíni a beira de uma piscina. Péssima ideia ter visto essa foto pois agora vai ser difícil olhar pra ela e não a imaginar de biquíni. Mas que inferno de assistente. Ignorando meu bom senso, ainda fui ver o que ela havia postado em seu status, eu devia ter seguido meus instintos quando mandaram que eu parasse na foto de perfil.

Vi seu status apenas para passar raiva pois a primeira foto era uma foto da sala que ela trabalha, com as flores que eu lhe dei todas espalhadas e picotadas no chão, uma completa bagunça e com a legenda 'Paz de espírito'. A segunda era uma foto dela abraçada a Jacob e a mão dele não estava nada discreta em sua bunda. Oh sim, eu com certeza não me arrependia de ter dito para que Isabella ligasse para a empresa da família dele e falasse pessoalmente com ele. Devolvi o celular para Natalie e ela me olhava com um sorrisinho irritante no rosto.

— Se você falar alguma coisa eu te ponho pra dormir agora – alertei.

— Eu não falei nada – dei de ombros como se não se importasse, mas o sorrisinho irritante em seu rosto dizia totalmente o contrário – Eu vou ao banheiro, já volto – Nat levantou saindo da sala e deixando seu celular no chão.

Fiquei encarando seu telefone. Eu não leria as conversas da minha filha com a minha assistente. Claro que não. Eu apenas lia conversas da Natalie com garotos ou pessoas que possam representar algum tipo de ameaça, afinal de contas, eu sou um pai cuidadoso. Mas minha assistente não é nenhuma ameaça. Bom... Isabella é meio perturbada das ideias, talvez isso se classifique como ameaça...

Ia pegar seu celular para dar uma conferida apenas para me certificar que tudo ocorria bem, afinal de contas, eu sou um pai preocupado, mas o meu próprio acabou apitando e fui conferir quem havia mandado mensagem.

Jake Black

21:02 pm

"mas tu é bem filho da puta né?! não te falei que eu ia marcar a merda da reunião? Quer me foder parceiro?!"

Olhei sua mensagem e não consegui abafar uma risada. Respondi logo em seguida.

Edward Cullen

21:03

"Negócios Jake, apenas negócios. Precisava disso com urgência. Sem ressentimentos."

Peguei o celular de Nat em seguida e conferi novamente o status de Isabella verificando que a foto que ela havia postado abraçada a Jacob havia sido excluída, restando apenas as fotos com as flores que eu havia lhe dado. Bom, as flores ainda estavam em ruínas, mas ainda são as que eu havia dado.

Talvez eu estivesse sendo bem filho da puta mesmo, mas eu não me arrependia de nada. Como eu disse a Jacob... Sem ressentimentos.


Own que amorzinho, Edward todo escrotinho como sempre kkkk

Gente, não sei vocês, mas eu já sou completamente apaixonada pela Natalie, ela me representa na vida.

E a Rosalie falando sobre a vida sexual do Edward? Eu simplesmente amei, rsrsrrs.

Edward fulerando com o Jacob hein? Não sei como me sinto com relação a isso, rsrsrsr.

Enfim digam o que acharam, apareçam, venham me dar oi, juro que sou uma boa pessoa *sorrisinho amarelo*

É isso, vejo vocês no próximo capítulo