Parquinho dos infernos

▬ Bella ▬

A maldita reunião terminou depois das duas e meia da tarde. Eu estava destruída, minha última refeição foi ontem à tarde, eu inda estar aqui finalizando a ata dessa maldita reunião era uma vitória. Em outros dias eu poderia já estar desmaiada no chão.

— Senhorita Swan, você parece um pouco verde – um dos acionistas que estavam presentes na reunião comentou.

Sorri educada pra ele, mas na verdade eu só queria lhe mostrar o dedo, daí lembrei que não é ele quem merecia minha grosseria.

— Estou bem, obrigada – menti.

Na verdade, eu estava prestes a desmaiar de fome. Literalmente.

Esperei que todos saíssem, tranquei a sala de reuniões e fui até o setor do protocolo protocolar a ata da reunião e em seguida levei para o setor jurídico para que eles levassem para fazer o processo de autenticação. Eles que lutem, eles que se virem.

Por sorte, consegui ligar para Mary para que levasse o almoço do meu chefe, mas pelo horário já devia estar frio. Fui até minha sala, peguei meu almoço e do meu chefe indo até a copa em seguida e esquentando. Peguei dois talheres e fiquei olhando para a maquinazinha de bebidas, eu mereço uma coca... mas diet, porque estou de dieta. Peguei em seguida uma garrafa de água mineral para levar para o meu chefe. Ele por outro lado não merece nada, levo pra manter meu emprego. Lúcifer dos infernos.

Coloquei em cima de sua mesa sua comida, a bebida, os talheres e alguns guardanapos, em seguida, voltei para minha mesa e me permiti apreciar minha comida. Frango a parmegiana, macarrão, batata frita, arroz feijão e um pouco de salada pois como eu disse... estou de dieta.

A cada garfada que eu dava parecia que eu estava tendo um orgasmo. Deus, como é bom comer, eu só preciso disso na minha vida. Como tudo que é bom dura pouco, engasguei com minha própria comida quando olhei pra cima e vi que Edward estava sentado na cadeira a minha frente. Jesus, será que as câmeras filmaram o Lúcifer se materializando aqui na minha frente? Depois que for comprovado que não é montagem isso pode valer uma grana.

Mas voltando ao meu engasgue, sim, estava engasgada e metade do meu macarrão estava na parte inferior da minha garganta e metade estava na minha boca. Eu vou morrer e a culpa é do meu chefe, tá eu sempre soube que ele seria o culpado, mas poxa, precisava ser agora? Ele pelo menos teve a ação de me ajudar, dando tapas em minha costa que diga-se de passagem... não foram tão delicadas como ele provavelmente achava que tinha sido.

— Porra – falei assim que consegui cuspir parte da comida e engolir a outra que estava na garganta – Era pra me ajudar, não me agredir – tentei alcançar minhas costas com as mãos, mas não consegui.

— Desculpe – franziu o cenho parecendo preocupado – Te machuquei? Achei que estava fazendo isso devagar – falou afagando minha costa.

Dessa vez ele foi mais carinhoso. podia ter feito isso antes.

— Devagar como o inferno – ironizei – Mas enfim, por que se materializou na minha frente? Eu sei que suas habilidades de demônio manifestado permitem isso, mas se fizer isso de novo eu vou morrer e você vai mesmo querer ficar sem a pessoa que organiza sua vida?

— Se você não organizar minha agenda nem ao banheiro eu vou – respondeu divertido.

Eu por outro lado fiz uma careta. Que nojo, ele não viu que eu estou comendo?

— Vamos guardar os detalhes para nós mesmos, sim? – falei.

— Você sempre come gemendo como se estivesse tendo um orgasmo?

— Meus gemidos que fizeram você me materializar até aqui? Que doentio – falei, mas queria só ter pensado mesmo, agora já era.

Ele riu.

— Não, mas já que eu estava aqui, foi interessante de ouvir de novo.

— Olha, eu estou no meu expediente, então...

— Na verdade, está no seu horário de almoço então acho que seu expediente deu uma pausa – falou amistoso e só então notei que ele trouxe sua comida consigo.

Ah não. Ele vai mesmo querer vir comer comigo? Me deixa em paz colega, eu gosto de comer sozinha aproveitando os orgasmos gastronômicos que minha comida me oferece.

— Então tá – não dei muita confiança, continuei comendo minha comida.

— O que aconteceu de manhã? – perguntou solidário, foi até fofo – Você chegou completamente destruída aqui – ah pronto, gabei cedo demais.

— Não fode né? – já que estávamos "fora do expediente", ele que me ature, ele que veio até aqui.

— Então? – me ignorou completamente.

Resolvi falar logo sobre a manhã que eu tive, quem sabe assim ele não vai logo embora e me deixa em paz curtindo meu silêncio.

Ledo engano, pelo contrário, o filho da puta riu da minha cara e riu mais ainda quando eu falei que bati na porra de um hidrante. Muito engraçado mesmo, hilário, estou jogadíssima no chão rindo até agora de como estou sem carro e vou depender do transporte público. Uhu.

Filho da puta.

— Desculpe – falou limpando uma lágrima que escorria pelo canto do seu olho – Desculpe. Você teve um começo de dia bem ruim. Não parece, mas eu realmente fiquei comovido com sua situação – tentou se manter sério, mas a porra de um bonitinho sorriso de lado dançava em seus lábios.

— Sério? – ironizei – Essa comoção toda veio antes ou depois do seu ataque histérico de riso? – ele riu mais uma vez, mas ao ver que eu estava séria parou de rir se ajeitando na cadeira – Seu ridículo.

— Foi engraçado, você não pode me culpar – tentou se justificar.

— Olha, eu vou falar um negócio e quero que você leve pro pessoal mesmo, talvez reflita sobre isso tudo bem? – falei após sua escrota crise de risos.

— Não vou mentir, eu provavelmente vou ignorar, desculpe. Mas pode falar – ele pareceu prestar atenção no que eu tinha para falar.

Óbvio que depois dessa afirmação, eu vou falar apenas pra gastar minha preciosa saliva, mas não custa tentar.

— Você não sabe falar com as pessoas – soltei de uma vez – Sério. Eu tato com as pessoas é horrível.

— Eu realmente não ligo, Isabella – deu de ombros.

Que você não liga tá óbvio né meu querido?!

Tão bonitinho, mas tão filho da puta.

— Você já comprou as passagens e já fez as reservas pro hotel no qual ocorrerá o evento? – perguntou colocando um pedaço do seu filé na boca – É realmente péssimo ficar longe do hotel do evento.

Gemi de frustração.

— Vai mesmo me obrigar a ir? Eu não quero ir.

— Você é minha assistente, claro que vai. Quem vai organizar minha agenda?

— Existe internet sabia? Posso mandar por e-mail – argumentei.

— Já falei que essa raiva eu não passo sozinho, Isabella – o olhei completamente entediada – Compre as passagens e reserve o hotel, logo.

Não estava em horário de almoço e meu expediente pausado? Por que ele ficava mandando em mim? Vai pro inferno, Cullen.

Passei o resto do almoço tentando ignorar a presença do meu chefe. Ele é mais divertido usando a boca pra outra coisa ao invés de falar. O pensamento me fez sorrir. Eu já vi meu chefe nu.

[...]

— Oi Bellinha – levantei a cabeça para ver quem em chamava.

Ah não. Só pode ser obra da mulher do capeta me perseguindo. Puta que pariu, não mana, fica com o homem todo pra ti. Me deixa em paz.

Eram a irmã e a prima de Edward que me olhavam com os olhos brilhando e um grande e demoníaco sorriso no rosto.

— Vou avisar que vocês chegaram – peguei o telefone, mas a morena baixinha pulou tomando o telefone e minha mão e o pondo novamente no lugar.

— Viemos falar com você bobinha – sorriu.

Ela é pequena, acho que um peteleco manda ela pra China.

— Como foi seu sábado? – a irmã de Edward foi mais direta que a prima – Você se divertiu? O que fez de bom? – levantou as orelhas sugestiva.

Estreitei os olhos pra elas. Vendo o desespero no qual querem informações, de Edward las com certeza não conseguiram arrancar nada.

— Dormi – respondi simplesmente.

Se não arrancaram nada do Lúcifer ali, de mim que não arrancariam mesmo.

— E o que mais? – a morena baixinha praticamente enfiou sua cara na minha perguntando.

Se ela não está tentando me beijar, eu não sei por qual outro motivo sua cara está tão próxima da minha.

— Seu marido sabe que você está tentando me agarrar? – comentei me afastando – Vamos manter meu espaço pessoal, sim?

— E você já permitiu alguém invadir seu "espaço pessoal"? – a loira perguntou sugestiva.

— Vocês estão fazendo isso neste momento, mas é sem minha permissão.

— Bella, vamos sair para passear qualquer dia desses. Tenho certeza que seremos grandes amigas – a fada demoníaca sugeriu.

— Eu já tenho amigas.

— Mas você não nos tem como amiga – apontou freneticamente pra ela e a loira ao seu lado.

AMÉM. ALELUIA, GLÓRIA A DEUS.

— Certo – concordei.

Já percebi que se eu discutir é pior, sairia com elas uma vez, seria uma peste e pronto, não iam mais querer me ver.

[...]

Fiquei olhando passagens na internet e só aí percebi que eu sei que vamos para a Finlândia... mas onde exatamente? Acho que isso é uma informação necessária né? Finlândia é tão abrangente.

Fui até a sala do meu chefe e mais uma vez, não bati. Ele não ia responder mesmo.

— Você não bateu na porta – falou assim que entrei.

Troca o disco cara.

— Desculpe, minha bola de cristal quebrou e eu não tive como adivinhar se podia ou não entrar então resolvi arriscar – sorri irônica.

Eu estou mesmo implorando pra ser demitida.

Edward levantou a cabeça para me olhar, seu rosto era sério e pela sua cara ele mentalmente devia estar me matando agora.

— O que quer aqui Isabella? Seja breve, eu não tenho tempo para ser desperdiçado.

Ele esqueceu que eu que monto sua agenda? Ele tem 10 minutos livres agora. Alma atribulada mentirosa do caramba. Deve estar vendo pornografia no computador.

— Preciso comprar as passagens – falei me jogando na cadeira a sua frente – Eu sei que é a Finlândia, mas pra onde exatamente nós vamos?

Edward abriu a boca para me responder, mas virou o rosto espirrando em seguida.

— Inferno – praguejou.

— Ai credo vai sozinho – mexi a mão na frente do corpo fazendo sinal da cruz – Deus me proteja amém.

— De que porra você está falando, Isabella? – perguntou impaciente.

— Eu perguntei pra onde íamos e você disse 'inferno'. Eu sei que você é o diabo o próprio, lá é sua casa e você tá acostumado, mas eu não quero ir pro inferno não. Deus me livre, eu ia pra igreja quando era menor, eu conheço o caminho da luz – falei tudo em um fôlego só.

Meu chefe me olhava com uma expressão estranha no rosto e em sua testa estava estampado um "SUA DEMENTE", estampa essa que eu fiz toda questão do mundo de ignorar.

— Você só pode estar testando a porra da minha paciência – meu chefe esfregou as têmporas nervoso.

— Então, pra onde será?

— Helsínquia

— Nunca nem vi – falei assim que ele me respondeu – Isso com pão é gostoso?

Meu chefe correu a mão por seu cabelo visivelmente nervoso. Seus punhos se fecharam e ele bateu na mesa me fazendo sobressaltar de susto pelo barulho.

— Porra Isabella, estude um pouco de geografia – disse aparentando estar nervoso – É a porra da capital da Finlândia.

Não sei, algo me diz que ele está um pouco nervoso, mas ainda não consigo afirmar com certeza.

Para não me arriscar, peguei o papel que estava em minha mão, arranquei um pedaço e coloquei em sua mesa, seus olhos acompanharam o movimento. Devagar, arrastei com o indicador o papel na mesa até que este estivesse em sua frente. Ele levantou o olhar para mim arqueando a sobrancelha de forma inquisitiva.

— Você pode escrever isso pra mim? – sorri amarelo.

— Sai daqui – grunhiu irritado se virando novamente pro computador.

Eu hein. Que grosso. Ele tem mesmo a porra de uma alma atribulada e ainda tenta tribular os demais.

— Só pra confirmar, você vai ou não vai escrever isso num papel? – questionei novamente antes de cruzar a porta de sua sala.

Acho que o fato de ele ter fingido que não ouviu nada e ter continuado olhando pro seu computador me ignorando completamente é a resposta que eu preciso. Tá bom então, eu olho no Google.

Bella Swan

15:19 pm

"ei filhote de coisa ruim, deixa eu te fazer uma pergunta, seu pai já viajou de classe econômica?"

Nat filhinha do demo

15:47 pm

"não kkkk se ele andar de classe econômica ele morre"

Porra, se for demorar tanto assim que me responda por cartas hein querida.

Bella Swan

15:47 pm

"acho que vou matar seu pai então"

Nat filhinha do demo

15:48 pm

"ao invés de matar ele vc podia dar uns beijinhos nele ne?nao dificulta minha vida colega"

Bella Swan

15:49 pm

"vc precisa mesmo de ajuda medica. Ta louca garota?"

Nat filhinha do demo

15:49 pm

"acha que me engana ne? Acha q não vi o sorriso na cara do meu pai no sábado? Nat vê, nat sabe. Vcs deram uns beijinhos sim sua mentirosa do caramba"

Bella Swan

15:50 pm

"vc esta louca querida"

Nat filhinha do demo

15:50 pm

"e vc ta louca pelo corpo cansado do meu pai, mas eu entendo eu tbm estaria se tivesse um homem daqueles pra mim"

Bella Swan

15:52 pm

"ok"

Nat filhinha do demo

15:53 pm

"nat vê, nat sabe"

Cruzes. Essa garota tem sérios problemas. Já que ele não quis escrever o nome da cidade pra mim e eu tive que ir pesquisar na internet, decidi fazer uma pequena maldade. Pulei as passagens de classe executiva e fui para a econômica, fiquei vendo os voos disponíveis, hm... uma escala, 32h de viagem... não, eu quero punir ele, não a mim mesma. Próximo.

Óbvio que como vingança eu não compraria voo direto, ele que sofra. Continuei olhando minhas opções, duas escalas, 23h de vôo, uma parada na Carolina do Norte e outra na Alemanha, uh legal. Vou tirar foto e fazer check in lá só pra dizer que já estive na Alemanha, meus amiguinhos da faculdade vão morrer com isso. Espero que morram mesmo, e eles que diziam que eu não iria muito longe, rá, nenhum deles saiu do país ainda. Trouxas.

Perfeito, essa que eu comprarei. Claro que o voo de volta eu vou comprar em classe executiva pois essa talvez essa minha única chance na vida de viajar na primeira classe, então... eu como a boa pobre que sou, não vou desperdiçar. Escolha de assentos... óbvio que eu sou tapada, mas não burra, se meu chefe vai querer me matar por fazer ele viajar em classe econômica, eu vou escolher um assento bem longe do dele. Eu viajarei no final do avião e ele no começo, é o plano perfeito, se ele for me matar que seja quando chegarmos ao destino final.

Em seguida, reservei o hotel que diga-se de passagem, é muito mais luxuoso do que eu achei que seria. Isso não é cinco estrelas, é pelo menos dez. e sou muito impressionável mesmo. Já que a empresa que está pagando, seria muito abuso reservar a suíte presidencial pra mim? Seria né?! Mas então nem eu e nem meu chefe fica com ela. Pronto, após tudo reservado, comprado e pago, finalmente terei um pouco de paz e descanso na minha vida.

▬ Natalie ▬

— Podemos chamar eles agora pra ir pra um parque de diversões – sugeri para tia Rose e tia Alice quando elas foram me buscar na escola – É um lugar ameno, cheio de gente e não iria ficar tão evidente que estamos os pondo em um encontro forçado – sugeri.

— Você é uma pequena mente do mal – sorri pra tia Rose, mas tia Alice fez cara feia.

— Eu estou tendo uma visão do futuro – falou tia Alice com os olhos fechados como se estivesse lendo uma bola de cristal – Meu sexto sentido diz que algo vai dar ruim. Esse parque de diversões? Péssima ideia. Acabei de ver o futuro, é negro.

— Alice meu amor, você só abre a boca pra me broxar – tia Rose sorriu irônica pra ela – Ninguém liga pro seu lado Harry Potter, guarde ele pra você.

— Será que ninguém me escuta pelo menos uma vez nessa vida? – tia Alice reclamou jogando os braços pra cima – Uma única vez, vocês só precisam me ouvir uma única vez, merda.

— Tia a senhora tá parecendo uma louca – falei.

— Nat, já é fim de expediente pros dois, liga pro seu pai – tia Rose ignorou completamente o drama da prima – Diz pra ele nos encontrar no parque de diversões e que se ele não levar a Bella junto, ele vai se ver comigo exatamente como fazíamos quando éramos crianças.

— E como era? – questionei confusa.

— Com meu joelho nas bolas dele – respondeu com um sorriso.

Parece doloroso. Eu convivo com isso. Peguei meu celular e liguei pra ele.

Ele estava demorando a atender, espero que isso seja bom sinal. No sexto toque ele atendeu.

— Alô, papai?

▬ Edward ▬

— Agora filha? – perguntei um tanto quanto aborrecido – Sério? Tá. Tá... Tá bom Nat, vejo você daqui a pouco. Te amo – não que ela tenha ouvido a última parte pois desligou enquanto eu falava.

Respirei fundo. Eu sou uma boa pessoa, eu não mereço todo esse castigo. Deus, por que Rosalie tinha que ser minha irmã? Por que não veio só eu? Droga malditos sejam os espermatozoides de Carlisle.

— Ei Isabella – a chamei enquanto ela arrumava suas coisas para ir embora. Eu também queria ir embora – Para seu desespero, Natalie, Alice e Rose exigem sua presença, estamos indo a um parquinho – falei.

Ela me olhou por um tempo, parecia bastante entediada.

— Adeus e boa sorte. Odeio parquinhos e não sou obrigada a nada, não sou paga pra isso – pegou suas coisas e praticamente correu até a porta.

— Não tiro sua razão – concordei com ela – mas sua paz de espírito quem vai tirar vai ser elas quando aparecem na sua casa te arrastando pelos cabelos. Você querendo ou não, te vejo mais tarde – dei de ombros e fui em direção a saída.

— Que inferno – murmurou irritada – Gostava mais quando achava que nem sua família te queria por perto e não tinha ninguém me enchendo o saco – reclamou – A família é sua, por que não aborrecem só você? Inferno de parque de diversões.

— É um parque de diversões Isabella, o que pode dar errado? – revirei os olhos.

Era muito drama pra pouca coisa.

[...]

— Pegando uma mulher mais nova? Quente – Emmett tinha que fazer uma de duas piadinhas sorrindo sugestivo.

Ridículo.

— Cara, me erra, vá infernizar sua esposa – reclamei.

— Ela é muito diferente das mulheres que você costuma ficar, Edward – Jasper comentou.

Fiquei olhando Isabella de longe. Estava com o rosto vermelho de raiva, Alice mexia freneticamente em seu cabelo, Natalie pulava ao seu redor e Rosalie, bom, Rosalie devia estar falando alguma besteira. Depois questionam porque eu nunca apresento ninguém pra família. Família intrometida dos infernos. Mas avaliando melhor, ela realmente foge a qualquer padrão de mulher que eu já tenha saído e isso é estranhamente excitante pra mim.

— Isso quando ele saía com alguém né, no passado – Emmett comentou entre gargalhadas – Há quanto tempo você não dá uma pimbadinha?

— Vai à merda Emmett – respondi impaciente.

— É sério cara, você tá a muito tempo no zero a zero e se eu não chegar com essa resposta hoje pra minha ursinha, quem fica no zero a zero sou eu. Responde aí, você não vai comer ninguém hoje mesmo.

— Também estou curioso cara. Há quanto tempo você não transa? – me surpreendi ao ver Jasper curioso com esse tipo de coisa.

Ele é o que fica na dele e nunca quer saber nada da vida de ninguém. Respirei fundo me sentindo resignado, pelo visto eu não fugiria dessa pergunta dos infernos tão cedo. Se for pra responder, que seja pra eles então.

— Quatro... – falei e deixei minha voz morrer no final.

— Semanas?

— Dias?

Perguntaram confusos. É mais humilhante quase se fala em voz alta.

— Meses – os dois arregalaram os olhos pra mim.

— Minhas bolas doeram só de pensar em ficar tanto tempo assim sem alívio... –

— Deixa de ser tapado Jasper – Emmett o cortou – Esse aí deve bater mais punheta que adolescente de 14 anos. Esse palhaço não deve estar descabelado, deve estar estraçalhado – gargalhou – Cara, que foda, pra não ficar tão feio vou dizer pra Rose que foram só dois meses.

— Esse aí já deve ter balançado muito Toddynho— o filho da puta do Jasper ainda deu confiança.

— aí já deve estar injusto agora – gargalhou Emmett.

Claro que os dois me encheram a porra do saco tudo que podiam. Foi preciso muito autocontrole pra não socar a cara irritante deles. Quando finalmente compramos a droga dos ingressos para entrar no parque, Alice ainda mexia no cabelo de Bella enquanto Rose lhe entupia de perguntas e Bella não aprecia nada contente em estar ali.

— Pai, leva a Bella na roda gigante, as tias Rose e Alice vão me levar no carrinho bate bate – Nat pediu empolgada quando me aproximei com os ingressos.

— Negativo, você fica perto de mim. No parque em Londres essas duas te perderam e eu tive que te buscar em uma delegacia – as duas sorriram amarelo pra mim – Mas eu tenho o brinquedo perfeito pra levar Isabella – sorri sugestivamente pra ela que me olhava com desconfiança.

[...]

— Você só pode estar me sacaneando – Isabella reclamou quando paramos em frente ao carrossel.

— Ué, você gosta de ficar rodando, imaginei que o carrossel fosse ser perfeito pra você – prendi uma risada – Vamos, eu vou com você.

Nat me olhava e balançava a cabeça negativamente. Ela definitivamente me conhece.

— Não vou porra nenhuma, vá você sozinho – cruzou os braços irritada.

— Vamos, não vai ser tão ruim assim – contra sua vontade, a puxei pelo braço para o brinquedo.

Ela ainda reclamou no caminho, mas continuei a conduzindo para o carrossel.

— Com licença – chamei um dos responsáveis pelo carrossel.

— Vocês não têm mais idade pra esse brinquedo – respondeu mal humorado.

— Eu sei, mas ela gostaria muito de andar no carrossel, é tipo um sonho pra ela – Isabella me olhou como se fosse me matar a qualquer instante – Não teria como abrir uma exceção? Olha, ela é pequena, não vai causar defeito no brinquedo – tentei o persuadir.

O cara deu uma boa secada em Isabella e por um segundo eu quase perco a compostura. Ele acabou concordando e a ajudou a subir no maldito cavalo de brinquedo. Agradeci o rapaz e me afastei voltando para onde Nat estava. Isabella me lançou um olhar mortal quando percebeu que eu não fiquei no brinquedo que ligou e começou a rodar com os cavalos malditos subindo e descendo enquanto rodavam e tocava uma música ridícula.

Após uma volta completa do brinquedo, quando o olhar de Isabella cruzou com o meu, ela ergueu a mão e me mostrou o dedo médio. Como ela me olhava, tentei me manter sério, mas acho que acabei rindo de alguma forma.

— Poxa paizinho – Nat dizia com a voz triste – Você não me ajuda a te ajudar. Como quer conquistar a Bella sacaneando ela desse jeito?

— Olha a boca pirralha, você tem uma mente pra frente, mas ainda tem 10 anos – ralhei.

— Desculpe – pediu arrependida – Mas poxa, todo meu trabalho é em vão. Você é péssimo papai.

— Filha, eu não quero conquistar ninguém e se quisesse, deixa que eu sei como fazer isso.

— Se soubesse não colocaria ela em cima de um carrossel infantil e ficaria de longe rindo – ralhou novamente – Espero que ela te dê um fora e fique com outro, eu vou achar bem feito. Você vai merecer isso – bufou irritada – A Bella tem razão, o senhor é mesmo um... – ela se interrompeu ao ver que eu a olhava esperando a resposta – O melhor chefe que ela poderia ter no mundo todo – tentou disfarçar.

Não acreditei, mas não questionei. Talvez eu tenha exagerado um pouco, mas eu não sei se estou arrependido. A cena é realmente engraçada.

— A partir de hoje você nunca terá certeza se seu café está cuspido ou não – Isabella reclamou assim que saiu do carrossel e vindo até onde estávamos Nat e eu.

Eu já botei a boca nela inteira e já trocamos saliva quando nos beijamos, ela acha mesmo que um pouco de cuspe no meu café me intimida? Tá, é nojento, intimida um pouco sim, mas não o suficiente.

Ela continuou andando a passos duros e sua expressão era de pura fúria. Merda, ela ficou quente como o inferno irritada desse jeito. Péssima hora pra ficar excitado.

Durante o resto da noite, ela não falou comigo, falava com todos, mas não comigo. Eu já estava arrependido de a ter colocado no carrossel, mas qual é, foi engraçado, Isabella precisa aprender a ter um pouco mais de senso de humor. Rosalie sugeriu irmos na montanha russa, mas Isabella se recusava com todas suas forças a ir.

— É sério, eu não quero ir. Eu não gosto, tenho medo, sinto que vou desmaiar quando ando nessas coisas – reclamou novamente – Vão lá, eu espero vocês aqui.

— Vamos Bellinha, por mim – Nat pediu fazendo sua melhor cara de pidona.

Esperta.

— Own que fofa, mas não, meu coração não é tão mole assim. – disse séria.

— Olha aqui, se você não for por bem, vai por mal – Rose ameaçou – Vou dizer pro Emmett te colocar lá a força, já viu o tamanho dele? – Emmett a olhava com um sorriso perverso no rosto e Isabella engoliu em seco.

— Não quero ir – choramingou.

— Até a Nat vai Bella – Alice insistiu – E ela tem só 10 anos.

— Não quero, não vou – se negou novamente.

— Emmett – Rose chamou.

Achei que ela fosse desistir e ceder, mas Emmett realmente a levou a força para a montanha russa.

Ela pediu para ficar em um assento longe do nosso pois nós "invadíamos seu espaço pessoal". Alice ainda perguntou o que isso significava, mas só ganhou como resposta uma carranca irritada. Isabella ficou choramingando o tempo inteiro até a montanha russa começar a se mexer. Eu ouvia os gritos de todos, menos os de Isabella, quando o brinquedo parou, Alice e Rosalie reclamavam sobre seus cabelos bagunçados e Nat ria animada pedindo pra ir de novo.

— Onde está Isabella? – perguntei ao notar sua ausência.

Todos pararam de andar e olhavam para os lados a procurando.

— Tá ali – Nat apontou para a montanha russa onde todos já haviam saído e apenas ela continuava lá sentada.

Nos aproximamos dela, ela estava de cabeça baixa e seus cabelos formavam uma cortina em seu rosto, mas o que chamou atenção foi que ela parecia estar com algo em seu corpo.

— Alguém me diz que ela estava com um prato de mingau de aveia na mão antes de andar na montanha russa – Jasper comentou fazendo cara de nojo.

— Bella? – Rosalie chamou, mas não teve resposta – Isabella? – chamou novamente.

A loira se aproximou mais tirando seu cabelo do rosto, a tocando no ombro e a sacudindo em seguida, sua cabeça pendeu pro lado, mas ela continuava imóvel.

— AI QUE NOJO – Rose gritou puxando sua mão – Ela tá toda vomitada

Todos olhamos sem acreditar.

— Vocês estão com ela? – uma funcionária do parque se aproximou perguntando. Incertos, assentimos concordando – Preciso que vocês a retirem de lá, a equipe de limpeza vai limpar o brinquedo para poder o liberar novamente para que outras pessoas possam ir nele – dito isso, a funcionária se afastou em seguida.

Estávamos todos surpresos com isso, olhávamos pra ela sentada com a cabeça pendida pro lado, olhos fechados, mais branca que o habitual e seu colo todo sujo. Alice se aproximou dela e ficou olhando seu rosto.

— Gente, ela morreu? – a baixinha perguntou preocupada.

— Eu acho que já foi até enterrada – Rose concordou.

— Só se for no próprio vômito – Emmett a olhava como se estivesse vendo um ser de outro mundo.

— Que coisa mais... bizarra – Jasper comentou baixinho – Ela desmaiou mesmo?

— E vomitou – completei.

Mais uma vez ficamos os seis olhando para Isabella sentada no carrinho da montanha russa. Eu tenho 35 anos e nunca vi nada parecido e olha que eu já vi muita coisa. Nat puxou seu celular do bolso e se aproximou de Isabella com uma mão tampando o nariz e outra apoiando o telefone.

— O que você está fazendo filha? – ela me olhou como seu eu tivesse feito uma pergunta idiota, se bem que vendo agora, era idiota mesmo.

— Ela está desmaiada e toda vomitada, eu vou tirar pelo menos uma foto pra zoar ela depois – gargalhou enquanto tirava algumas fotos. Em seguida voltou para onde estávamos – Gente, reúne aqui – nos chamou fazendo com que nos aproximássemos – Da próxima vez que ela disser que não quer fazer alguma coisa, nós respeitamos tá bom?

— Sim – concordamos em uníssono.

Acho que ainda esperávamos que ela acordasse, mas ela continuou lá desmaiada. Alguém tem que tirar ela de lá.

— Eu não – todos falaram em uníssono colocando o indicador no nariz.

Rosalie, Alice e eu tínhamos desde a infância esse costume de dizer 'eu não' e colocar o indicador no nariz quando alguém não queria fazer algo, Emmett, Jasper e Natalie se juntaram ao costume logo em seguida. O último a falar é o que tomava no cu.

— Porra – reclamei, pois, me pegaram em um momento em que eu estava distraído e fui o último a falar.

— Vamos Nat, eu te deixo em casa – a pirralha traidora segurou a mão da tia e foi em bora com eles.

Respirei fundo enquanto eu ainda tinha um ar puro pra respirar. Nessa vida eu só tomo no cu.

[...]

— Onde eu estou? – Isabella perguntou quando acordou.

Infelizmente...

— No meu carro – respondi.

Por conta do cheiro do seu vômito, tive que dirigir com a janela aberta.

— Que cheiro é esse? – perguntou confusa, em seguida ela olhou pra ela mesma e sua boca se abriu em surpresa – Eu vomitei?

Pra caralho.

— Um pouco.

— Meu Deus – cobriu o rosto com as mãos – Que vergonha.

— Não se preocupe. Ninguém reparou – menti.

— Sério?

Não, Nat tirou até foto e ela está doida pra te sacanear por isso.

— Sim – menti novamente.

— Isso diminui um pouco minha vergonha então – baixou o quebra sol se olhando no espelho que tinha ali – Acho que preciso de um banho.

Você acha? Você está podre. Precisa se lavar com detergente. URGENTE.

— Estamos quase chegando no seu prédio.

— Certo.

O caminho foi silencioso. Eu tentava não respirar muito e Isabella parecia estar envergonhada demais pra falar algo.

— Obrigada – agradeceu tímida assim que estacionei em frente ao seu prédio – Sabe, por ter vindo me deixar e principalmente por não rir ou fazer piadinha de mim. Eu tentei avisar que era uma péssima ideia me por naquele brinquedo do demônio – notei que suas bochechas estavam coradas.

Achei a visão simplesmente magnífica.

— Eu não riria de você – 'não na sua frente', completei mentalmente – Você está bem? Precisa de alguma coisa?

— Acho que no momento, só um banho e esquecer essa vergonha.

— Você desmaiou, não acho que lembra de muita coisa – sorri pra ela.

— O problema é o que eu lembro agora que estou acordada – respirou fundo. Coragem.

— Não se preocupe com isso, ninguém viu – menti mais uma vez.

Ela já estava constrangida o suficiente, não precisava ficar mais. Teria que falar com Nat para não mandar pra ela a foto que tirou enquanto ela estava desmaiada.

— Obrigada, mais uma vez – sorriu tímida.

Se ela não estivesse com vômito seco nela, eu definitivamente estaria tentado a beijá-la.

— Não por isso.

Assim que ela saiu do meu campo de visão eu pude respirar um pouco mais aliviado. Eu nunca desejei tanto ter um bom ar por aqui.

▬ Bella ▬

— FILHA DA PUTA – praguejei aquela filhote de coisa ruim que tem a cara de pau de se dizer "minha amiga".

A semana passou tranquila, eu não falava sobre o ocorrido no parquinho e ninguém mais comentou sobre isso também, agora, uma semana depois a infeliz trás de volta esse assunto me enviando uma foto minha desmaiada e vomitada. Eu vou por essa infeliz num forno e assar ela até a morte. Eu com certeza vou.

Eu não vou nem responder a filhote de demônio de olhos verdes. O pai é um mentiroso, falou que ninguém reparou, devia ter pelo menos me deixado avisada que a filha ia fazer isso, assim eu já bloqueava o número dela pra evitar ver isso. Se a Nat pôr isso no facebook eu vou ficar puta.

— Inferno de mala – sentei em cima da minha mala que se recusava a fechar – Inferno de dia.

Eu tenho chamado tanto pelo inferno e tanto pelo capeta que eu espero que ele não apareça pra mim. Se não eu morro. Se bem que eu já trabalho com o próprio Lúcifer de olhos verdes, então pior que isso não deve ser.

Merda, eu tenho que estar no aeroporto em uma hora e minha mala não quer nem fechar. Tudo bem que eu fato de eu ter apenas jogado tudo na mala ao invés de arrumar bonitinho contribuiu, mas dane-se eu não tenho paciência pra arrumar isso. Depois de pular na mala mais algumas vezes, ela finalmente fechou.

Conferi se estava com todos meus documentos e dei sorte em conseguir um táxi assim que saí de casa. No caminho para o aeroporto fiquei pensando... espero que não tenha deixado nada ligado, principalmente a linha de gás. Seria uma pena eu chegar em casa e meu prédio estar todo explodido.

Pelo menos uma vez na vida eu tive sorte e não peguei trânsito. Conferi mais uma vez que não havia mais assentos disponíveis na classe executiva do voo que pegaríamos, no caso do meu chefe resolver mudar e pra me punir, me abandonar na classe econômica, daí quem iria se ferrar seria eu. Encontrei meu chefe onde ele disse que estaria e lhe entreguei sua passagem, prendendo o riso. Ele intercalou olhares entre eu e os tickets em sua mão, uma veia saltando em sua testa.

— Isabella – sua voz era pura raiva, eu por dentro estava pura diversão – Por que inferno aqui diz 'classe econômica'?

— Em minha defesa, era o que tinha, não tinha mais classe executiva – menti na cara dura.

— Diz que você está me sacaneando.

— Jamais querido chefe – sorri cínica.

Ele bufou irritado e foi até um dos guichês de atendimento, provavelmente tentar trocar sua passagem, mas pela cara de bunda que ele estava quando voltou pra falar comigo, eu logo percebi que ele não conseguiu.

— Eu vou infernizar tanto sua vida Isabella – falou entre dentes – Você vai se arrepender tanto por isso.

Eu me arrependo todos os dias quando vou trabalhar e olho pra sua cara mal humorada.

O mal educado puxou a minha passagem da minha mão e conferiu com a sua.

— Por que seu assento não é próximo ao meu?

Por que eu não sou louca.

— Só já tinha esses lugares quando comprei as passagens – eu estava ficando experiente em mentir.

Mentir estava sendo como respirar.

— Eu acho que você ainda não percebeu, mas é uma mentirosa terrível – devolveu minha passagem e sentou na cadeira ao meu lado.

Nem todos podem ser o pai da mentira né querido?! Esse cargo já é seu.

— Você está muito bonita, mas eu aconselho a ficar com casaco em mãos. Em setembro o clima na Europa é bem ameno – depois de me ralhar ele resolve falar manso? Meu cu.

— Sério? Achei que ia estar no verão, não trouxe roupa de frio – falei preocupada – Deus, eu vou virar picolé.

— Depois vemos como vai ficar a questão das roupas. Os países nórdicos tem climas... intensos. Os verões são quentes e chuvosos, mas os invernos são extremamente frios. Não iremos exatamente no inverno, mas vamos em uma época de troca de estações, o clima por lá em setembro costuma ser 14º – explicou pacientemente.

— Países nórdicos? Não estávamos indo pra Europa? – ele riu.

Se ele me mandar estudar geografia de novo eu dou na cara dele.

— Sim, mas os países nórdicos fazem parte da Europa – enquanto explicava, Edward passou o braço por trás de mim o apoiando no encosto da cadeira em que eu estava e se aproximou ainda mais de mim. Acho que este jovem está muito pra frente – São formados por... –

— Eu nem ligo sabia? – o interrompi. Não queria uma aula de geografia agora – Só me responde uma coisa... lá eles acreditam mesmo no Thor?

— Sim, ele é um deus da mitologia nórdica, faz parte das crenças deles.

— Meu Deus – exclamei surpresa – O Thor é real, eu sempre soube – quase chorei emocionada.

Se o Thor é real o doutor Estranho também deve ser. Se esse filho da puta for real e todo esse tempo tiver se recusando a me ajudar eu vou ficar muito puta com ele.

— Menos Isabella, muito menos.

— Você não vai estragar meu momento – reclamei.

Não deu tempo de ele responder, nosso voo foi anunciado e fomos para o embarque. Edward ainda reclamava sobre o quanto ele estava odiando ter que ir na classe econômica e que ele nunca se sentiu tão 'ridicularizado' quando estava sendo agora. Eu achei bem feito.

Quando entrei no avião, fiquei extremamente feliz por ir na janela e ir bem longe do meu chefe, ele que aborrecesse outra pessoa, eu teria minhas quase 24h de paz. Os passageiros foram aos poucos ocupando seus assentos e eu me acomodei melhor em minha poltrona, coloquei meus fones no ouvido e liguei minha música, estava apenas esperando o avião levantar voo para poder dormir.

Senti quando ocuparam a poltrona ao meu lado mas não dei importância, continuei olhando pra janela e mentalmente fazendo meu show como se eu fosse a artista com essa voz maravilhosa e cantando para milhares de pessoas. A pessoa que sentou ao meu lado puxou meu fone e antes que eu pudesse reclamar, ele se aproximou de mim sussurrando em meu ouvido.

— Não achou que seria assim tão fácil se livrar de mim, achou Isabella? – me arrepiei dos pés a cabeça ao sentir seu hálito quente em meu pescoço.

Olhei para o lado e quase gemi de frustração ao ver meu chefe sentado na poltrona ao lado, me olhando com um sorrisinho convencido e irritante no rosto. Merda. Eu queria ter 24h de paz e ao invés disso vou ter 24h no inferno sendo atormentada pelo próprio Lúcifer de olhos verdes.

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