Oi pessoal tudo bem com vocês? Comigo tudo ótimo, obrigada por perguntarem, rsrsrsrs. Bom, quero agradecer pelos comentários, esse site é meio estranho de responder e por isso não tenho respondido, mas saibam que leio todos e fico muito contente. Bem vindas novas leitoras e fico muito contente que estejam gostando da história pois essa história é muito amorzinho pra mim. Enfim, é isso, boa leitura
-x-
Maldita Finlândia
▬ Bella ▬
— Por que você está aqui e não sentadinho no lugar que eu carinhosamente escolhi pra você? – questionei enquanto queria socar a cara convencida do meu chefe.
— Quem ocuparia essa poltrona era uma garotinha de 9 anos, eu só precisei de 100 dólares para suborna-la – sorriu vitorioso.
Por essa eu realmente não esperava. Merda de espírito capitalista que consome as crianças de hoje em dia.
— E a mãe dela concordou com isso?
— A mãe foi mais fácil, eu só precisei sorrir.
— Vai à merda, Edward.
— Duas escalas e voo de quase 24h. Sério mesmo Isabella? – perguntou se recostando em seu assento – Podia ter feito melhor. Se tivesse escolhido aquele voo de quase 40h teria surtido mais efeito em me causar raiva – deu de ombros – Merda de classe econômica, minhas pernas estão espremidas como o inferno nessa porcaria de espaço minúsculo.
— Para de reclamar Edward, aqui é até confortável – ele me olhou cético.
— Pra você que pelo visto nunca esteve em uma classe executiva – revirou os olhos – E você não é referência, é pequena, caberia em qualquer lugar.
— Azar o seu. Agora vê se me deixa em paz.
— Não querida, azar o seu— sorriu de forma levemente... medonha? – Eu vou reclamar até chegar lá e se você não tiver me reservado um bom quarto de hotel, eu com certeza vou te infernizar mais ainda.
— Os quartos são bons, o hotel é elegante. Não tinha como não ser – dei de ombros e coloquei de novo o meu fone no ouvido voltando a olhar pra janela.
— Mas que inferno de poltrona desconfortável. Minha coluna dói só em sentar aqui – reclamou mais uma vez.
— Sua coluna dói porque você é velho, não porque o assento é desconfortável.
— Se você tivesse comprado as passagens na classe executiva como eu falei, eu não estaria reclamando.
— Estaria sim seu mentiroso, você acha motivo no ar pra reclamar – acusei.
— É verdade, mas estaria reclamando com uma taça de champanhe nas mãos e comendo alguma comida elegante e gostosa.
— Eles servem mesmo champanhe?
— Sim.
Merda, eu podia estar lá tomando champanhe também.
[...]
Por sorte, tinha Wi-Fi no voo, o ruim é que eu não tinha uma vida tão badalada assim, então eu fiquei entediada antes mesmo da nossa primeira parada na Carolina do Norte. Agora estávamos em nossa rota para a próxima escala até o aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. Edward não estava mentindo quando disse que me infernizaria. Ele não parou de reclamar por um momento que fosse, eu cogitei seriamente a hipótese de me jogar aqui de cima, mas já está com pouco mais de meia hora que ele está concentrado no notebook dele resolvendo alguns 'assuntos de trabalho' como ele mesmo disse.
Após fazer a primeira escala de duas horas, agora que estávamos na quinta hora de voo rumo a Frankfurt e estávamos sobrevoando a água. Isso me causava um pânico da porra, odeio olhar pro lado e só ver água, água e mais água. Estou começando a considerar a hipótese que preferia meu chefe reclamando, pelo menos assim eu me distraía. Eu não tinha nada pra fazer e até a internet estava entediante.
— Estou entediada – falei por fim quando decidi que o tédio me dominou – Fala comigo, você me forçou a vir, tem que me entreter.
— Se eu bem me lembro, você repetiu incansavelmente 'eu não aguento mais ouvir sua voz irritante, por favor alguém me mata' – Edward falou sem tirar os olhos da tela do notebook.
Ai, castigo de pobre é pouco.
— Por incrível que pareça, eu estou arrependida – se eu tivesse mais espaço, me afundaria nessa poltrona – Fala comigo – arrependida e o fundo do poço.
— Não – falou simplesmente continuando a ver algo em seu computador.
— Por favoooorrrr – minha voz não passava de um gemido triste – Tenha pena de mim, eu estou tão entediada que estou implorando pro meu chefe me dar atenção, isso já é triste o bastante.
— Eu não sou galinha pra ter pena, Isabella – respondeu com os olhos ainda fixos no computador – Mas espere um minuto, vou terminar de redigir esse e-mail e já falo com você.
Concordei com um aceno de cabeça, mas acho que ele não viu. Droga, não tem nada pra fazer. Já joguei todos os joguinhos do meu celular, já falei com todo mundo que eu tinha pra falar, já vi a vida de todo mundo no instagram e no facebook, já fiz de tudo e ainda tem mais longas horas de viagem. Parece que o feitiço virou mesmo contra o feiticeiro. Edward está entretidíssimo com o trabalho e eu que não estou fazendo porra nenhuma. A vida é realmente triste.
— Pronto – falou baixando a tela do seu notebook e se virando, tanto quanto era possível o que não era muito, para me olhar – O que quer falar?
— Eu não sei. Qual assunto você sugere?
— Você que quer conversar, você devia sugerir um.
Fiquei pensando no que falar. Eu não tinha absolutamente nada pra falar. Que assunto puxar com seu chefe que você constantemente quer estapear, mas no momento está entediada demais para isso? Oh droga.
— Já sei. Vamos falar sobre o quanto você é mentiroso – ele me olhou com o cenho franzido em confusão. Peguei meu celular do bolso e lhe mostrei a minha foto em estado deplorável que Natalie havia me enviado – Você disse que ninguém tinha reparado.
— Eu disse pra ela apagar essa foto – falou aparentando certa irritação – Vou ter uma séria conversa com ela quando chegar em Seattle.
— Isso que vocês fizeram foi malvado sabia? Eu disse que não queria ir. Sua família é muito invasiva e não sabe respeitar meu espaço pessoal – descarreguei toda minha mágoa, ressentimento e irritação. Claro que esses sentimentos estavam mais intensos por conta do estresse que é ficar dentro de um avião – Isso não foi legal, não somos amigos e nem temos intimidade pra isso, vocês riram as minhas custas.
— Ninguém riu de você – olhei pra ele com uma sobrancelha arqueada. Ah jura, ele vai mesmo mentir pra mim? – Tá bom, talvez a Nat tenha rido um pouco, mas nós não rimos. Na verdade ficamos bastante surpresos, realmente não esperávamos que você fosse passar mal. Tirando minha filha, que tem dez anos e tudo pra ela é engraçado, ninguém riu de você, Alice e Rosalie ficaram bem preocupadas, quando cheguei em casa me ligaram perguntando como você estava, queriam ir até sua casa ver se você estava bem, levar uma sopa e te arrastar pra r ver um médico, mas disse para não irem.
— Fez bem – falei irritada – Elas são muito invasivas, eu não gosto disso. Não tenho intimidade com elas e nem dei intimidade pra isso – refleti – Mas a sopa iria cair bem, eu estava com fome.
— Desculpe. Isso não vai se repetir – ele pareceu verdadeiramente arrependido – Mas eu tenho que ir em defesa das duas – ah pronto, estava bom demais pra ser verdade.
— Vai lá advogado das diabas, apresente sua defesa – ironizei – Eu como juíza já escolhi que vou condenar vocês, mas vou seguir a lei e te dar o direito de defesa – ele riu.
— Bom, sempre foi só nós três sabe? – balancei a cabeça negativamente, eu não tinha entendido porra nenhuma – Sempre foi só eu, Rose e Alice... –
— Ah para – o interrompi – Se você disser que Alice tem 35 anos eu juro que me jogo dessa janela – apontei para a janela atrás de mim.
— Tem sim, ela é apenas dois meses mais nova que nós.
— Ah puta que pariu. Qual o problema da família de vocês com o tempo? Vocês são vampiros? Não envelhecem? Porra, a garota parece ter 19 anos. Enquanto isso eu estou aqui destruída e aparento ter 30. Eu odeio todos vocês.
— Tenho certeza que odeia – ele riu da minha desgraça – Continuando, sempre foi só nós três. Rose e Alice nunca tiveram muitos amigos, na verdade, os amigos delas eram na verdade meus amigos. As garotas da escola não gostavam delas, sempre foram muito malvadas com as duas, então por conta disso, elas se fecharam e sempre foram amigas delas mesmas. Eu tenho pra mim que o jeito elétrico, eufórico e um pouco invasivo delas colaborou muito com isso.
— Você acha? – ironizei – Eu falei com elas poucas vezes e já quero estrangular as duas.
— Eu também – concordou – Mas elas não fazem por mal. Sempre foram assim uma com a outra. Eu lembro que no colegial, no nosso último ano, todas foram convidadas para o baile, menos elas, mas por incrível que pareça, elas não ficaram tristes, eu por outro lado fiquei arrasado pois minha mãe fez eu levar as duas – dessa vez quem riu foi eu – Foi a coisa mais humilhante da minha vida. Eu não pude convidar a garota que eu queria levar porque tinha que levar minha irmã e minha prima.
— Que triste.
— Sim. Eu odiei cada segundo daquela noite até certo ponto.
— Que ponto? – perguntei curiosa.
— Todo mundo estava rindo delas, todos sabiam que eu as acompanhava porque ninguém chamou e sabiam que eu estava sendo 'forçado' a isso. Eu queria bater em todos que riam delas, mas elas estavam tão felizes, falaram que eu não tinha que me importar, que estavam felizes e pronto. Depois disso, até consegui me divertir, por incrível que pareça, foi uma das melhores noites da minha vida – em seus olhos tinha um brilho de nostalgia e que também podia ser ouvido em sua voz.
— Falando assim você parece tão... protetor – isso foi algo que realmente me surpreendeu.
— Porque eu sou – riu meio sem graça – Não parece, mas eu sou muito família Isabella. Eu faria tudo por minha família, eu mataria alguém se fosse preciso. Na escola eu conseguia pedir para as garotas não serem tão malvadas com elas, mas não podia obrigar ninguém a fazer amizade com elas. Em resumo, sempre foi só as duas, elas nunca tiveram amigas de fora, então a forma como agem pra elas é normal porque agem assim uma com a outra, elas não fazem isso por maldade, só não sabem como é ter alguém de fora como amiga.
— Sério? Nem na faculdade tiveram amigas? – me parecia tão absurdo de acreditar.
— Bom, Rosalie é formada em sistemas de informação e era a única mulher da turma, Alice apesar de ter se formado em moda, depois que uma colega da faculdade roubou seus desenhos e usou como se fosse dela, ela não deu mais brecha pra ninguém se aproximar – deu de ombros como se isso não fosse estranho o suficiente, pois pra mim era bem estranho – Minha maior surpresa foi elas terem conhecido seus atuais esposos, Emmett era veterano de Rosalie e Jasper é primo de Emmett, então...
— Hum... Agora eu meio que estou me sentindo mal por ter sido malvada com elas – admiti – Mas isso durou bem pouco, não estou mais me sentindo mal, elas são mesmo um pouco invasivas.
— Vou conversar com elas, as vezes elas passam um pouco dos limites.
— Na verdade... elas são empolgadinhas demais, gente empolgada demais me irrita. Essa felicidade toda me dá nos nervos. Elas são invasivas e empolgadas – confessei o fazendo rir.
— Você ainda não viu nem metade da animação delas – riu
— Mas me conta, cadê a mãe na Nat? Pelo que me pareceu você é pai solteiro – vou abusar um pouco da sua boa vontade e vou fazer perguntas pessoais.
Vá saber quando terei chance pra isso de novo.
— Em Londres – deu de ombros.
— Edward, eu quero detalhes – reclamei – Se você vai fofocar comigo, faça isso direito. Quero detalhes. Se possível imagens também.
— Em Londres, a conheci em uma festa da faculdade. Ela era caloura tinha 20 e eu era finalista, tinha 23, acabamos bebendo muito e ficamos juntos naquela noite... –
— Nossa, vocês transaram uma vez e ela já engravidou? Que coisa mais deprimente – fiz uma careta.
— Não, mas mesmo que fosse não seria ruim. Minha filha é tudo pra mim – explicou – Mas continuamos saindo de vez em quando, não queríamos compromisso e por isso dávamos certo. Pouco mais de um ano depois, depois que eu me formei ainda saímos e foi em uma dessas vezes que saímos que ficamos bêbados e esquecemos da camisinha. Foi dessa vez que ela ficou grávida.
— Ah...
— Ela ainda morou nos Estados Unidos comigo por um tempo, mas depois decidiu que queria voltar pra Londres e levou Natalie com ela, foi horrível, mas agora ela disse que queria aproveitar mais a vida pois engravidou cedo e não teve como aproveitar muito, por isso Natalie voltou – em sua expressão tinha um misto de alívio, raiva e indignação – Eu nem queria que ela tivesse levado minha filha, mas infelizmente eu não podia fazer nada, ela é a mãe e legalmente pôde levar, eu acho ótimo que ela vá viver a vida dela e deixe Nat comigo. Não gosto dos namorados de Tanya perto da Nat.
— O engraçado é que você parece ter um coração – eu estava perplexa – Cadê seu coração quando você vai pra empresa?
— Eu nunca deixo o pessoal interferir no profissional, sou bom nisso.
— Eu acho uma bosta. Você podia ser um pouco mais... – estava buscando uma palavra pra isso
— Não – falou antes que eu pudesse falar algo – Pra mim está bom assim.
— Óbvio que está – revirei os olhos.
Ainda ficamos conversando por um tempo até eu me cansar e pegar no sono, acordei com Edward avisando que chegamos ao aeroporto de Frankfurt e aguardaríamos lá por malditas 8 horas até embarcarmos no voo que nos levaria a cidade de nome difícil que eu não sei pronunciar, mas acho que já entendemos que ela fica na Finlândia.
[...]
— Aqui, tira uma foto minha – pedi entregando meu celular para o meu chefe que me olhava com uma cara estranha.
— Pra que?
— Pra eu postar no instagram que estou na Alemanha e fazer inveja pros amiguinhos da faculdade.
— Isso é mesmo necessário? – perguntou me olhando com desdém
— Com certeza – afirmei – Vai dizer que você nunca quis fazer inveja pra alguém no instagram?
— Não. Nem instagram eu tenho.
— Isso já é um problema seu. O aplicativo é grátis, não tem porque não quer. Agora tira minha foto e se elas saírem tremidas eu vou ficar com raiva.
Relutante, ele pegou meu celular e tirou algumas fotos enquanto eu fazia muitas poses. Eu até ficaria tímida em fazer tantas caras e bocas e abusar das poses mais exageradas possíveis, mas ele já me viu completamente nua e nós praticamente transamos, então acho que a vergonha ficou lá pra trás.
Edward me levou em um restaurante no aeroporto para comer alguma coisa quando meu estômago se intrometeu em nossa conversa ao roncar alto o suficiente para ser audível mesmo com o todo o barulho do local. Quis provar uma comida típica alemã e escolhi um tal de Königsberger Klopse, o nome era chique e eu nunca tinha visto antes, mas fiquei arrasadíssima quando Edward disse que isso era almôndega. Se fosse pra comer almôndega eu continuava nos Estados Unidos. Até me arrependi de ter postado a foto da comida no instagram, mas o nome era difícil, ninguém ia associar isso a uma almôndega.
[...]
— Você tinha ra-razão, aqui está mesmo frio – concordei quando chegamos ao nosso destino final.
O termômetro indicava 13º graus e isso já era suficiente pra mim. Não me julguem, eu sou pequena e magra, meu corpo não tem pele suficiente pra que aquecer. Meus dentes batiam um no outro e o fato de estarmos do lado de fora do aeroporto procurando um táxi não ajudava meu estado de frio.
— Pega – Edward tirou o próprio casaco dele e me entregou.
— Tem certeza? – claro que perguntei só pra fazer charme, pois eu já estava pegando o casaco e o vestindo pra me manter agasalhada – Sabe, como demônio, você é acostumado com o calor do inferno, temperaturas abaixo disso devem te fazer congelar.
— Eu nem entendi o que você quis dizer – falou com o cenho franzido – Mas sim, eu trouxe outros, depois eu pego um na mala.
Não discuti, eu que não ia devolver, o casaco estava quentinho e eu estava com frio.
Achar um táxi foi fácil, difícil foi manter os olhos abertos, quando chegasse no hotel eu simplesmente me jogaria na cama e hibernaria por lá mesmo até o fim dos tempos. Eu estava um verdadeiro zumbi enquanto Edward fazia nosso check in no hotel e pelas coisas que ele falava, eu esperava do fundo do meu coração que ele estivesse conversando com a mulher e não invocando algum demônio pois ele podia estar falando qualquer coisa, mas com certeza não era inglês.
— Quais espíritos você invocou? – perguntei quando ele voltou até onde eu estava para me entregar a chave do meu quarto. Ele me olhou sem entender – Sabe, aquilo que você estava falando, invocou quais dos seus subordinados?
— Era finlandês – explicou enquanto ria da minha cara.
— Vou deixar pra te criticar por saber o idioma local depois, agora estou com sono demais pra isso – tomei minhas chaves de suas mãos – Boa noite.
— Ei Isabella... –
— Eu disse boa noite – continuei andando.
— Tá bom – ouvi ele falar.
Fui procurar onde ficavam os elevadores que davam acesso aos quartos, mas acabei chegando no restaurante. Tentei pedir informação de alguns funcionários mas houve uma pequena falha de comunicação, apesar de eles falarem inglês, o sotaque deles era muito pesado e deixava a fala pouco entendível. Notei isso quando ao seguir suas instruções fui parar no banheiro do restaurante.
Voltei para a recepção, iria pedir informação lá, os recepcionistas sempre falam inglês melhor. Ao chegar na recepção, vi meu chefe parado no mesmo lugar onde estava e ele me olhava com um sorriso irritante no rosto. As duas recepcionistas falavam com outras duas pessoas e esperei até que chegasse minha vez, a moça que me atendeu indicou o caminho, que era na direção contrária na qual eu fui.
— Eu tentei te falar que era por aqui – Edward falou assim que me aproximei dele.
Olhei pra ele irritada e não respondi nada. Estava cansada, com sono e estressada, só precisava dormir e talvez amanhã eu acordasse com um humor melhor que o de hoje.
[...]
— Só pode ser sacanagem com a minha cara – falei entre dentes irritada ao ouvir o despertador do quarto tocar as seis da manhã.
Eu não pedi pro serviço de quarto me acordar a essa hora. Parece que fui atropelada por uma caçamba. Pelo amor de Deus, eu cheguei nessa maldita cidade as uma da manhã, como o despertador toca as...
— Não – falei ao me dar conta de uma coisa – Ele não fez isso.
Saí do meu quarto irritada sem me importar se estava de camisola, com a roupa de ontem, nua ou como fosse. Estava com tanta raiva que só conseguia enxergar o quarto de número 7084. Fui até a porta do quarto do meu chefe e bati repetidas vezes em sua porta, só parando quando ele abriu. Óbvio que ele ia me olhar com um sorrisinho irritante no rosto.
— Mas quem te eu permissão de pedir serviço de despertador pro meu quarto as seis da manhã? – perguntei enraivecida.
— Você não acordaria se eu não fizesse isso – falou ajeitando a gravata em seu pescoço – Arrume-se, vamos tomar café, o evento começa as sete.
— Vai me obrigar a comer com você também?
— Imaginei que não fosse gostar de ir comer sozinha, mas como preferir. Nesse caso – ele pegou as chaves que estavam em cima de uma mesinha perto da porta e deu a volta por mim fechando a porta atrás de si – Eu estou indo fazer meu desjejum. Bom café da manhã pra você.
Ele passou por mim já indo em direção ao elevador. Ei, eu iria comer sozinha, em um país estranho, num local que eu não conheço, eu quero isso mesmo? Não. Mas sou orgulhosa demais pra voltar atrás.
Voltei pro meu quarto, tomei um banho quente e me vesti em seguida. Fui até o restaurante e instantaneamente me arrependi por ser tão orgulhosa. O local estava cheio e pelo que percebi, todos já se conheciam, não tinha ninguém comendo sozinho. Merda, eu vou ser a forever alone do restaurante. Olhei em volta e meu chefe estava em uma mesa com algumas pessoas que eu nunca vi na vida e até ele tinha companhia. Merda, até meu chefe é popular. Eu devia ter vindo com os peitos mais expostos, assim eu arranjaria logo um lugar pra sentar... em todos os sentidos.
Coloquei em meu prato algumas comidas que me pareciam boas e comuns pra mim. Não gostava de desperdiçar comida, muita gente já passava fome no mundo e tinha medo de pegar algo ruim e estragar. Fiquei surpresa com a grande variedade de sucos, pra que tanto sabor gente?! Depois tudo vai ter o mesmo destino. Optei pelo tradicional e conhecido abacaxi com hortelã que inclusive, estou surpresa que tem isso aqui.
Fiquei olhando ao redor do restaurante em busca de uma mesa vazia, merda, todas já estão ocupadas. Seria vergonhoso demais eu chegar lá onde meu chefe está e pedir pra sentar? Seria né?! Tudo bem, eu me viro, eu dou meu jeito. Com meu prato e copo de suco em mãos, me virei para ir em busca de um lugar pra comer, mas ao invés disso, um corpo veio em direção ao meu fazendo com que toda minha bebida virasse inteira em mim e não contente, meu prato com comida também veio parar em meu peito.
— Voi anteeksi, en nähnyt sinua— o homem que esbarrou em mim falou.
— Ah qual é? Além de me sujar ainda vai me xingar? – reclamei olhando o homem que me olhava confuso – Te desejo tudo em dobro e vê se olha pra onde anda da próxima vez. Inferno, maldita Finlândia. País de merda. Você também não foi muito atento não amiguinho, poderia ter olhado por onde anda e em quem esbarra. Inferno.
— Desculpe – o homem que esbarrou em mim falou parecendo constrangido – Achei que você fosse nativa do país, eu disse 'me desculpe, eu não vi você' – fiquei branca que nem papel assim que o homem falou meu idioma.
Puta merda. O cara me entende e eu aqui morrendo de descascar o abacaxi pra cima dele. Dei um sorrisinho sem graça pra ele.
— Desculpe, acordei de mal humor – falei envergonhada – Estou bem envergonhada agora.
— Tudo bem – ele sorriu – Perdoe-me, eu estava mesmo desatento, não queria sujar você, está bonita demais pra ter – ele tirou uma fatia de bolo com cobertura que estava grudado em minha roupa – Comida em você.
Ele estava mesmo me cantando aqui? O avaliei melhor, é bonito. Alto, olhos azuis que parecem duas piscinas, cabelo castanho escuro contrastando com sua pele alva, traços bem masculinos e lábios cheios. Ele é realmente bonito.
— A propósito, sou Alec – estendeu a mão a mim que logo retribuí o cumprimento – Alec Sanders.
— Bella Swan – falei.
— Pelo sotaque é americana e bom, estando aqui nessa época creio que não esteja a passeio – concluiu.
— Não. Não estou.
— Então, está com quem? Eu sou da Lumix Company, Nova Iorque – falou apontando para ele mesmo.
— Cullen Enteprises & Co., Seattle – apontei para mim repetindo o gesto que ele fez.
Alec fez uma careta e em seguida uma cara de desdém.
— Uma pena ter sido forçada a vir com alguém tão... desagradável e um péssimo acompanhante – sua voz era carregada de deboche e ironia.
Instintivamente, meus olhos varreram o lugar até achar Edward. Ele nos olhava e sua expressão não era amigável, tinha certa ira, raiva, irritação e algo mais, mas não consegui identificar o que era. Nos olhava com os olhos semicerrados e sei que estava de longe, mas podia ver que o verde de seus olhos estavam escurecidos.
A única vez que vi seus olhos assim foi quando estávamos em meu apartamento, mas a situação era totalmente diferente e com certeza o motivo era outro. Olhei para o homem a minha frente e acho que por telepatia compartilhei a ira de Edward. Ei parceiro, uma coisa é eu dizendo que Edward é desagradável, uma péssima companhia e o próprio Lúcifer manifestado, outra coisa é um ser aleatório vir aqui me dizer isso. Ponha-se no seu lugar, parceiro.
— Certo – falei com descaso – Eu tenho que ir. Até mais ver Alec – antes que eu pudesse me afastar, sua mão segurou meu braço impedindo de ir.
— Espera Bella... –
— Na verdade é Isabella – o corrigi.
— Tudo bem então, Isabella. O que acha de sairmos hoje a noite? Posso te mostrar a cidade... –
— Desculpe, vim a trabalho, não a passeio – 'e não quero ir com você' completei mentalmente.
— Entendo. Seu chefe não deve facilitar sua vida não é mesmo? – não respondi, apenas deixei com que minha melhor cara de cu fizesse o serviço – Nesse caso, nos vemos por aí, Isabella – piscou sugestivo para mim.
Dei um sorriso forçado e voltei para o meu quarto. Mas que alma atribulada mais petulante. Essa tal de Finlândia é uma maldita mesmo. Senti um olhar queimando sobre mim quando saí do restaurante mas não precisei me virar pra olhar para saber que Edward era quem acompanhava meus passos.
Voltei para o meu quarto e tive todo o trabalho de mudar de roupa novamente, merda, odiava fazer combinação de roupas. Devia investir mais em vestidos, se eu comprar vestidos, não vou ter que me preocupar em combinar calça e blusa, saia e blusa e etc. acho um saco.
Meu Deus, acabei de perceber uma coisa... eu estou na Finlândia. Será que aqui tem algum templo do Thor ou coisa assim? Eu estou quase no país do Thor e ainda não fui atrás de um souvenir? Que tipo de ser humano eu sou. Será que o Thor tiraria uma foto comigo? Eu sei que ele é real, eu sinto em meu coração, vou aderir a crença dos nórdicos, vou acreditar nele também.
Após mudar de roupa e ter a infelicidade de perder meu café d amanhã pois já era pouco mais de sete horas fui atrás do meu chefe. Droga, eu estou com fome, maldito Alec que me fez perder minha refeição favorita do dia, vou por ele na minha lista negra. Como assim ele me faz perder o café e não ganha um odiozinho gratuito? Está erradíssimo, ele vai entrar na lista negra de Bella Swan.
Ah sim, meu chefe. Fui atrás dele e já estava decidida sobre o que eu exigiria dele. Eu fui arrastada até esse país, no qual parece que todo mundo fala o idioma menos eu, e como estou aqui forçada, ele vai ter que atender a única exigência que eu farei.
[...]
— Edward – falei quando o vi na recepção do hotel, ele falava com uma mulher com uma roupa engraçada e segurava dois crachás – Eu já me decidi.
— Certo – concordou – Mas primeiro ponha seu crachá de identificação – me entregou o adereço.
Olhei pra ele, tinha o nome da convenção que estávamos, meu nome e em baixo o nome da empresa na qual eu fazia parte. Ai, esse crachá parece tão elegante, será que eu vou poder ficar com ele? O material que é feito parece caro, se eu pôr isso no eBay será que eu consigo vender?
— O que você se decidiu? – perguntou.
Notei que ele me olhava de uma forma estranha e seu tom de voz não era mais amigável como era desde que saídos de Seattle. Ah não, vai dizer que ele ficou com raivinha por eu estar falando com o Alec? Meu chefe é mesmo uma criança mimada.
— Eu quero que você em leve pra ir conhecer o tempo do Thor – falei decidida.
— Certo, podemos fazer isso quan... Espera, o que? – me olhou confuso
— O templo do Thor, eu quero ir conhecer – respondi o óbvio – Ele não é o deus dos nórdicos? Deve ter uma igreja aqui pra ele.
Ele me olhou como se eu fosse louca, claro que ignorei. Coloquei o crachá em meu pescoço e esperei por sua resposta.
— Você tá falando do cara que faz o Thor nos filmes?
— Não. Do Thor, Thor mesmo, o deus Thor. Quero ir ver o templo dele.
— Você está me pondo em uma situação bem difícil aqui Isabella – continuei olhando pra ele.
Ele vai ou não vai me levar? Edward respirou fundo e passou a mão pelos cabelos ao ver que eu falava seríssimo.
— Ouvi falar que construíram um tempo para o Thor e Odin sim, mas isso na Islândia, não na Finlândia e eu nem sei se isso é verídico mesmo.
Devo perguntar se Islândia é alguma cidade por perto ou ele me mandaria estudar geografia se perguntasse?
— É um país – o olhei sem entender – Islândia é um país.
— Eu falei em voz alta?
— Não, mas sua dúvida está estampada na sua cara – deu de ombros – Vamos para a palestra de abertura ou você fará companhia ao seu novo amigo?
Ih alá, já tá com ciuminho? Contenha-se parça.
— Ele me chamou para sair mais tarde – falei apenas para ver sua reação.
Edward olhou pra mim de forma avaliativa, logo contorceu o rosto em uma careta de desdém e saiu dali me deixando falando com o ar que respiro. Credo, esse mal educado não sabe nem brincar.
Ele também não falou mais nada eu muito menos, apenas o segui até o salão onde ocorreria a tal palestra. Estava cheio e tivemos dificuldade em conseguir um lugar pra sentar, bom, lá atrás estava cheio de lugar, mas não, o bonitinho do meu chefe quis ser o cdf da convenção e sentar lá na frente pra "ouvir melhor a palestra". Ele nunca foi da turma do fundão?
Enquanto o palestrante falava, eu imaginava que estava em uma praia no caribe, a areia era bem branquinha, a água era um azul extremamente cristalino. A imagem é tão bonita que parece que eu estou em um papel de parede do Windows. Eu estava de maiô ou de biquíni? Prefiro biquíni. Eu estaria usando um biquíni preto, como é minha imaginação, vou ser um pouco mais ousada, é um estilo brasileiro daqueles que a calcinha fica enfiada no cu e você finge que isso não incomoda só porque fica bonito.
— Você está anotando? – fui trazida a realidade por meu chefe que veio cortar minha vibe.
— Honestamente, agora na minha mente tem um macaco tocando tambor – menti – Ele tá tocando Baby do Justin Bieber. Baby, baby, baby uuuuhhhhh – cantei para dar ênfase ao meu teatro.
Mas azar de pobre é eterno e como pulei o café da manhã, meu estômago roncou alto novamente, notei que algumas pessoas procuraram pela origem do barulho, mas eu fingi que não era comigo.
— Acho que o seu macaco desceu para o seu estômago – falou com uma risadinha irônica.
— Eu não sei do que você está falando – me fiz de desentendida – Estou aqui focadíssima na palestra e sigo plena.
— Sobre o que é a palestra?
— Baby do Justin Bieber – levei o indicador a boca e fiz um "shh" pra ele – Agora silêncio, você está atrapalhando quem quer assistir.
Olhei pra frente como se prestasse atenção no que estavam falando. Oh queridos, eu com certeza não estou dando a mínima pra essa palestra.
[...]
— Cullen – Alec o cumprimentou assim que o viu na saída da palestra, sua voz carregada em ironia – Vejo que continua como CEO da sua empresa patética.
Quem diria que minha vontade de meter a mão na cara do meu chefe seria substituída pela vontade de meter a mão na cara desse gostoso de olhos azuis que eu mal conheço e já tenho ranço? Quantos Lúciferes manifestados temos entre nós? Lúcifer sempre tem olhos claros ou isso é só coincidência? Ta aí, esse vai ser o Lúcifer de olhos azuis de Nova Iorque... não, até esse apelido fica melhor no meu chefe. Lúcifer de olhos verdes é mais charmoso. O 'Lúcifer de olhos verdes de Seattle'. Bem melhor.
— Claro, alguém te que trabalhar – meu chefe respondeu usando o mesmo tom – Afinal de contas, a Cullen Enterprises não é a melhor dos Estados Unidos à toa. Eu não me contento com segundo lugar. – o sorriso irônico de Alec sumiu por um instante mas logo voltou.
Hm... temos um segundo colocado aqui então? isso é uma rixa entre eles? Será que eles saem no tapa?
— Ah ele trabalha mesmo, ele trabalha muito. Trabalha tanto que até nos faz chegar cedo e fazer hora... – me interrompi ao perceber que me empolguei entrando na briga e os dois me olhavam inquisitivos – Sim ele trabalha – concordei envergonhada.
Óbvio que me ignoraram e continuaram a se olhar de forma desafiadora, exalando testosterona como se fosse dois adolescentes birrentos. Eu vou é ficar quietinha e pedir a Thor que eles se estapeiem.
— Em breve não poderá mais se vangloriar por isso Edward... –
— Assim como eu não ia poder nos últimos três anos? – bem afrontoso meu chefe respondeu o interrompendo – Acho que a Forbes não brinca ao eleger as dez melhores empresas do país. Alguns nascem para o segundo lugar, é o ciclo natural das coisas.
PEEEEEEEGAAAAAA FILHO DA PUTA. Gritei mentalmente.
A expressão de Alec mudou mas ele manteve o resto de dignidade ao manter o sorrisinho vitorioso no rosto dele. 'Sorriso de segundo lugar', pensei. Tô ficando boa, em breve eu entro nessas rigas também... nem que seja pra assistir.
— Tem razão – respondeu por fim e logo se virou pra mim – Então Bella, nosso passeio mais tarde, está de pé? Nem tudo é trabalho querida – o infeliz piscou pra mim – Apareço no seu quarto mais tarde pra te buscar – ele simplesmente disse e saiu dali nos dando as costas.
Que porra acabou de acontecer aqui?
— Bella? – minha atenção foi atraída ao ouvir a voz do meu chefe que estava carregada de ironia e ressentimento – Ele pode te chamar pelo apelido e eu ainda tenho que te chamar pelo nome? – não respondi nada, apenas fiquei olhando pra ele – Patético.
Ele também me deixou sozinha ali. Ei, tá virando rotina isso por acaso? Por acaso isso é divertido pra você seu ridículo?
— Realmente, você é muito patético seu filho da puta arrogante mimado do caramba – xinguei meu chefe mesmo ele não podendo me escutar.
Um grupo de homens me olhava como se eu fosse louca. Dei um sorrisinho e saí logo dali, eu hein, que gente estranha.
[...]
Claro que eu passei o resto do dia sendo ignorada pelo meu chefe, ainda tentei puxar assunto com ele mas foi inútil pois ele não me respondia, então também passei a ignorar ele. Se ele não queria falar eu também não falaria nada. Sigo plena.
Hoje foi o dia em que o macaco que toca tambor na minha mente mais se fez presente, eu não prestei atenção em absolutamente nada do que estava acontecendo. Até ouvi falarem sobre gestão empresarial, mas não estava na vibe pra falar sobre isso... ou ouvir falar sobre isso.
Merda, eu estou na Europa e não estou me divertindo. Estou em uma convenção, cheia de figurões e sendo completamente ignorada pelo meu chefe, mas sendo comida com os olhos por alguns outros empresários aqui presentes. Eu devia ir me divertir com algum deles já que fui arrastada até aqui e ainda nem consegui tirar uma foto decente pra postar no instagram e dizer que tô na Finlândia. Qual o sentido de viajar e não esfregar sua viagem na cara das pessoas através das redes sociais?
Melhor, qual o sentido de uma palestra terminar as sete da noite? Isso não nos dá brecha pra ir conhecer a cidade. Merda, vou mesmo ter que ir circular por aí sozinha? E se eu for sequestrada e me venderem como escrava sexual? Vou ter que vender meu corpo e nem vou ver a cor do dinheiro e os clientes ainda vão querer meu furico. Ah não, isso é demais pra mim. Acho que meu passeio pela cidade que eu não sei falar o nome vai ter que ser via Google Earth. Será que eu consigo fazer uma montagem com uma foto minha nas ruas da cidade?
Ao voltar pro quarto, encontrei com meu chefe no elevador. Ele não falou nada, eu também não falei anda e assim seguimos nessa subida infinita até nosso andar. Péssima hora pro macaco em minha cabeça me abandonar. Já que ele tem sido muito frequente, vou chamar ele de John. John o macaco do tambor. Ótimo nome. Enfim, péssima hora pro John me abandonar, uma musiquinha agora seria legal pra distrair, ele podia tocar 'Juice' da Lizzo, é uma música legal, espero que ele saiba tocar isso. John e eu podemos ter bons momentos juntos.
Quando chegamos ao nosso andar e as portas do elevador se abriram, Edward passou por mim e seguiu em passos duros em direção ao seu quarto. Não me contive, tive que revirar meus olhos. Meu chefe é a merda de uma criança mimada e eu não aguento mais essa maldita Finlândia. Meu sofazinho é muito melhor. Mas também não ligo, não vou falar é mais nada.
— Sério mesmo? – tá bom, eu falei sim – Vai bancar a criança e ficar me ignorando? Vê se cresce Edward, você tem 35 não 15.
— Eu não disse nada, Isabella – respondeu ríspido.
Alguém me segura que eu vou dar na cara desse homem.
— Que você não disse nada isso é óbvio né querido? – ironizei – Quer saber? Vá pro inferno. Não estou com paciência pra aturar seus chiliques infantis – abri a porta do meu quarto pronta para entrar e bater a porta com toda força que eu conseguisse.
Edward veio até mim segurando meu braço me impedindo de entrar.
— Chiliques? – repetiu irritado – Eu não estou dando chilique nenhum, você que está gritando comigo no meio do corredor.
Soltei meu braço de seu aperto. Eu podia não ser alta como ele, mas levantei a cabeça para poder o olhar.
— Não quero saber, vá pro inferno, tome no seu cu, vá pra puta que pariu, pra casa do caralho ou onde for. Eu não ligo, você é um idiota que me arrastou até aqui e mesmo sabendo que eu não falo o idioma ou não sabendo nem onde eu estou me deixa sozinha e fica me ignorando sabe-se lá porquê. Então... vai cagar – esbravejei enraivecida.
Eu já queria falar isso tem um tempinho.
Edward sustentou meu olhar assim como eu sustentei o dele. Ambos furiosos e estávamos parecendo dois galos de briga, mas eu não recuaria, esperaria que ele me respondesse a altura pois eu estava doida pra enfiar a mão na cara dele e dessa vez não pouparia forças. Agindo de forma totalmente inesperada por mim, Edward me agarrou pela cintura me trazendo para junto de si e colando sua boca na minha em um beijo furioso onde raiva, tensão, irritação, desejo e luxúria estavam todos misturados. Retribuí seu beijo com a mesma fúria, enrosquei meus dedos em sua camisa a amassando com força o trazendo pra perto enquanto sentia sua língua invadindo minha boca com força e sem autorização nenhuma, ainda sim isso foi incrivelmente excitante.
Quis morder sua boca de forma que machucasse apenas para o ver sofrer, mas acho que ele interpretou isso como uma provocação pois mordeu meu lábio em seguida, com menos força do que eu, mas em uma mordiscada sexy e excitante. Me afastei em busca de ar e foi o momento em que ele me empurrou para dentro do quarto me prensando contra a parede e beijando furiosamente meu pescoço distribuindo beijos molhados e pela pressão que ele colocava, com certeza ficaria marca.
Suas mãos famintas e febris em meu corpo até chegar em minha blusa a rasgando fazer os botões saltarem e deixando meus seios expostos, protegidos apenas pelo fino sutiã azul de renda que eu usava. Fiz o mesmo, mas com mais delicadeza lutando com os botões de sua camisa, mas fiquei impaciente e taquei o foda-se. Rasguei sua camisa assim como ele fizera com a minha, ele que comprasse outra e se for e marca ótimo, mais prejuízo pra ele.
Meus sentimentos estavam uma bagunça e completamente fora de controle. Estava irritava, revoltada, estressada, com vontade de socar alguém, mas ainda sim muito, muito excitada e é por isso que eu precisava saber algo antes.
— Edward – falei lutando para que o ar preenchesse meus pulmões – Dessa vez, você tem camisinha? – ele desgrudou a boca do meu pescoço, mas o senti sorrir em minha pele.
— Dessa vez eu tenho – afirmou.
Quem sorriu foi eu, me afastei um pouco fechando a porta do meu quarto e a trancando em seguida. O olhei novamente e um sorriso convencido se formou em meus lábios. Agora nós conversamos.
-x-
Acho que a noite de alguém vai ser muito animadinha hein, rsrsrsrs. Caso tenham conta no Nyah, vocês podem me encontrar por lá também, a foto de perfil é a mesma e meu nome lá é: winter.
Comentem, vocês farão uma autora muito feliz
É isso, vejo vocês no próximo capítulo
