Não me controlei, tive que postar mais um. Me julga Brasil, rsrsrsrs.
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Barganhando com o diabo (parte 1)
▬ Bella ▬
Que a filha da puta da Lilith pegou carona com o universo e o Thanos deu uma ajudinha eu já pude perceber. Porra, precisava mesmo estar todo mundo no mesmo voo?! Jacob tentava falar comigo, mas eu ignorava, estava aqui remoendo minha revolta.
Tentei raciocinar melhor. Vamos lá, Alec é de Nova Iorque, se ele vai conosco, provavelmente ele pegará uma conexão diferente quando chegar em Londres pois lá, pegaremos um voo direto para Seattle e não faria sentido ele ir pra Seattle e de lá ir pra Nova Iorque, a menos que ele tivesse comprado uma passagem baratinha...
— Então Bella – Jake atrapalhou minha linha de raciocínio com dando um dos seus sorrisos que antes eu achava bonito e agora acho irritante – Qual seu assento?
— Para caralho – ralhei – Está atrapalhando meus pensamentos, me deixa. Não percebeu que estou te ignorando?
Se ele respondeu ou não, não sei, não prestei atenção. Voltei para o que eu pensava anteriormente... ah sim. Eu, Edward, a ruiva ferrugem e Jacob iremos para Seattle, então... bom, não faz muita diferença se Alec vai ou não a viagem toda conosco já que mais duas pessoas igualmente irritantes também vão, então... é isso aí.
(Não tão) discretamente, desviei o olhar para onde Edward estava, a ruiva distribuidora de tétano falava sem parar e já deu um jeito de ficar enganchada no braço dele e eu estava vendo a hora que ela ia escalar o braço dele e agarrar ele a força aqui mesmo. Edward estava com a maior cara de quem estava putasso e eu me pergunto o porquê disso. Gente, o homem transou ontem, não é possível que alguém que transa constantemente esteja com tanto mal humor assim, mas talvez seja a presença dessa entojada perto dele. Eu também ficaria putassa.
Percebi que azar de pobre é pouco quando já dentro do avião vi que a classe executiva era bem diferente da econômica. Enquanto na classe econômica cada fileira contava com quatro poltronas, na classe executiva eram apenas duas, ou seja, eu e Edward iríamos um do ladinho do outro em um negócio que era basicamente um mini quarto e as poltronas viravam uma cama. Tá... a ida pra Londres não seria grande coisa pois era apenas três horas de viagem e ainda era dia, o problema é a volta para Seattle que seria umas 12h de viagem, pela madrugada e bom, pelo visto iríamos dormir 'juntinhos' afinal de contas. Que ódio.
— Se eu soubesse que seria tão confortável assim, a ida também teria sido classe executiva – falei para mim mesma enquanto me dava ao luxo de me acomodar em minha poltrona/cama.
— Inclusive, você terá sérios problemas se fizer isso de novo – me assustei ao ouvir a voz de Edward atrás de mim – Nunca mais compre minhas passagens em classe econômica. Não foi engraçado Isabella – prendi o riso ao ver que ele estava mesmo me brigando.
Mas ainda estava irritada por ele se meter no meu monólogo.
— Desculpe – falei mordendo a parte interna das minhas bochechas.
Eu queria rir, mas também não queria ouvir uns gritos.
— Seu fã clube não parece contente por eu estar aqui – comentei ao ver algumas poltronas depois Glenda nos olhando com a maior cara de cu – Quer que eu troque de lugar com ela?
Claro que o estressadinho ia me ignorar e fingir que não ouviu nada. Óbvio já que esse pelo visto é o passa tempo favorito do filho da puta. Ele se limitou a se acomodar no assento dele, colocar seus fones de ouvido e fingir que eu não estava ali. Que delícia.
Falar nisso, como assim o lúcifer ouve música? Que tipo de coisa ele escuta? O grito das almas que ele atormenta? Me parece algo que ele ouviria...
— Olá Isabella – a voz irritante da glande se fez presente, respirei fundo antes de me virar pra ela – Se importa se trocarmos de lugar? Eu gostaria de conversar uns assuntos importante com Edward, é rapidinho, juro pra você – falou com falsa inocência.
EU ME IMPORTO PRA CARALHO SUA FILHA DA PUTA.
Esperei pra ver se Edward falaria alguma coisa, mas ele apenas ficou me olhando com cara de tacho. Não vai falar nada? Sério mesmo? Então tome no cu seu covarde.
— Claro – concordei movida pela raiva – Apenas para eu não ficar em pé no meio do avião, onde está seu assento?
— Ao lado do Alec, ali na frente – apontou para o lugar onde eu já podia ver a cabeleira castanha do lúcifer de olhos azuis de Nova Iorque.
Olhei mais uma vez para Edward e ele estava de cabeça baixa. Espero que você se exploda em um milhão de pedacinhos, seu inútil. Sorri para a cabeça enferrujada e fui sentar ao lado de Alec que me olhou com um grande sorriso.
— Olá, Bella – cumprimentou educado.
— Oi Alec, tudo bem? – devolvi a mesma educação.
Se ele disser um 'melhor agora' eu cuspo na água dele.
— Estou bem – sorriu – Trocou de lugar com a Glenda? – assenti concordando – Não lhe julgo, não deve ser muito agradável viajar ao lado do seu chefe, Edward consegue ser bem desagradável quando quer – alfinetou.
Eu até iria discordar e defender o ruivo dos infernos, mas Alec estava lambuzado de razão e Edward não merecia que eu o defendesse. Ele e a enferrujada se merecem mesmo. Ou talvez eu devesse mijar nele pra demarcar território. Vou fazer isso, mas vou jogar suco de abacaxi que também é amarelo.
— Isso é verdade – concordei – Mas agora já tem outra pessoa para aguentar as crises de mau humor dele. Azar da Glenda – ironizei.
Alec apenas riu concordando e em seguida me ofereceu algo para beber. Lembrei o que Edward falara sobre champanhe na classe executiva e essa foi exatamente minha escolha de bebida. Sabe-se lá quando eu teria outra oportunidade dessas na vida de novo.
▬ Edward ▬
Ignorar Glenda era realmente fácil, difícil era ignorar as risadas que Bella dava enquanto conversava com Alec. Desde quando Alec virou uma pessoa engraçada a ponto de fazer Bella rir? Ele deve mesmo ser hilário já que ela nunca ri, pelo menos não quando está comigo. Eu tentava não me ater a isso, mas de vez em quando meus olhos vagavam para onde eles estavam. Merda de cabine privativa, eu não conseguia ver o que eles faziam, apenas suas cabeças.
Talvez eu tenha ficado um pouco mais irritado que o de costume por Isabella ter me expulsado de seu quarto na noite anterior, eu ia sair, não precisava me expulsar. Por conta disso, talvez eu tenha a tratado de forma um pouco... fria. Mas convenhamos, esse é meu jeito e não é como se ela esperasse que eu agisse de outra forma. O avião decolou e eu ainda não havia prestado atenção em nada do que Glenda falava ao meu lado.
Quando éramos mais jovens, na faculdade antes de eu conhecer Tanya, tive um pequeno envolvimento com Glenda, transávamos algumas vezes, mas era só. Uns três anos atrás passamos mais uma noite juntos, mas desde lá nossa relação não tem sido nada além de profissional. Ela é bonita e até pouco tempo atrás ainda estaria na lista das mulheres com atributos que me atraem, mas agora, eu estou meio que em outra vibe, não sei ao certo qual é, mas com certeza Glenda não está envolvida.
De vez em quando sorria para ela apenas para fingir que prestava atenção. Quando o sinal luminoso indicando que deveríamos permanecer sentados e com o cinto afivelado se apagou, não contente em Alec rondar Isabella, Jacob também se aproximou de onde eles estavam e ficou lá do lado deles em pé e interagindo com eles até o momento em que ele sentou no assento que Isabella estava. Minha vontade foi ir até lá e a arrastar de volta para o seu assento, mas me controlei.
Pelo amor de Deus, a garota já está em sua terceira taça de champanhe. Ela está planejando ficar bêbada no voo por acaso?
— E então, o que acha? – desviei o olhar de onde Isabella estava para olhar para Glenda que me olhava com expectativa e ansiedade.
— Perdão, não ouvi o que disse – tentei soar educado – Poderia repetir?
— Estava falando que poderíamos jantar qualquer dia desses, poderíamos relembrar os velhos tempos de quando éramos amigos – falou sugestiva.
Tive que morder a língua para não dar uma resposta malcriada. Meu humor ficou ainda pior quando ouvi gargalhadas de Jacob, Alec e Isabella. Inferno. Ainda tinha que lembrar que Glenda é importante em uma das empresas na qual temos contrato direto.
— Vamos ver – me esforcei para ser o mais educado possível – Como disse, Nat está morando comigo novamente. Meu tempo está bem escasso entre a empresa e minha filha. Durantes as noites costumo a ajudar no dever de casa e assistir os antigos episódios de Hannah Montana com ela, é algo nosso sagrado de todo dia.
— Ah verdade, a Natalie... – ela nem tentou disfarçar seu desgosto por comentar sobre Nat.
Glenda e Tanya não costumavam se dar bem, trocam farpas até hoje e creio que por Nat ser filha de Tanya, isso faz com que ela tenha certa antipatia pela minha filha e bom, se alguém não gosta da minha filha, eu automaticamente crio desprezo pela pessoa que é o que estou sentindo agora por Glenda.
O voo até Londres foi um inferno e pelo visto apenas para mim que tive que aturar Glenda falando o trajeto todo e não pude fazer nada com relação a súbita amizade entre Bella, Alec e Jacob, que inclusive, parecia badaladíssima. Após descermos do avião para a escala de seis horas em Londres, procurei por Isabella no saguão do aeroporto mas não a encontrei, se ela estiver com Jacob eu vou ficar bem puto. Aproveitei quando Glenda disse que iria ao banheiro e pediu para eu espera-la, concordei, mas no momento que ela entrou saí de perto.
Aproveitei para ligar para Natalie, ela reclamou por eu ligar durante a madrugada. Havia esquecido que Londres estava oito horas a frente de Seattle, então, enquanto aqui ainda era quase sete da note, lá eram quase três da manhã, mas ela ainda conversou comigo até adormecer no telefone e me deixar falando sozinho.
Fui procurar novamente por Isabella, devo confessar que a hipótese de ela estar com Jacob não me agradava e me deixava bem ranzinza. Ao passar por frente de uma das lojas do aeroporto, vi algo que me fez lembrar de Isabella. Era um macaco de pelúcia que segurava em suas mãos um pequeno tambor. Balancei a cabeça me recusando a acreditar que faria isso, mas fui até a loja e pedi para embalar o maldito macaco para presente. Eu só posso estar com algum tipo de dano cerebral mesmo
[...]
— Ei Isabella – toquei em seu ombro para chamar sua atenção já que ela estava de costas para mim.
— Aaaaah – ela sobressaltou assustada.
Ela segurava alguma bebida em suas mãos e no susto, amassou o copo em suas mãos fazendo com que o líquido no copo fosse parar em sua blusa. Prendi o riso, eu meio que gostava de ver o sofrimento alheio.
— Ah poxa – falou triste puxando sua blusa molhada que estava colada ao seu corpo – Minha mala está despachada, vou ter que comprar uma blusa agora – ela me olhou irritada – Você está me devendo um frappuccino de morango.
— Vem, vamos te arranjar outra bebida – a chamei.
— Vou primeiro atrás de uma loja procurar outra camisa, essa está estragada no momento, aliás, obrigada por isso – falou irônica.
Ela saiu andando sem esperar por uma resposta minha. Era engraçado porque ela achava que estava andando de forma furiosa, mas como ela é pequena e suas pernas são curtas, a cena apenas é cômica. Segui Isabella até uma loja onde ela olhou algumas camisas e reclamou do preço de todas, me ofereci para pagar, mas ela recusou, então apenas a ouvi reclamar como a moeda inglesa é mais cara que o dólar e o quanto ela gastaria por conta da conversão.
— Você é muito dramática, foi apenas uma blusa, nem foi tão caro – comentei enquanto esperávamos nossos pedidos.
Fomos até uma Starbucks e comprei um café preto sem açúcar para mim e Isabella pediu a bebida na qual ela bebia anteriormente.
— Com licença senhor 'eu nasci em berço de ouro', diferente de você, meu dinheiro é suado sabia?! Eu passo muita raiva para ter cada centavo, minha alma nem me pertence mais – revirei os olhos para ela.
— Eu vou ignorar o que você falou pois do contrário teremos uma discussão bem acalorada aqui – ela deu de ombros. Peguei a sacola com o maldito macaco de pelúcia e lhe entreguei – Interprete isso como um pedido de desculpas por eu ter sido um tanto quanto rude hoje.
— Você por algum acaso está tentando me comprar? – estreitou os olhos para mim – Saiba que você não pode me comprar e se fosse pedir desculpa por cada grosseria, você ia ficar pobre e ainda não iria ser suficiente.
— Se você falar demais eu vou apenas jogar isso fora – já estava começando a me irritar.
— Joga, eu não ligo – deu de ombros.
— Tá bom – peguei a sacola de volta e já estava me levantando para de fato jogar no lixo quando ela segurou meu braço.
— Espera, a curiosidade falou mais alto, me dá isso aqui – ela pegou a sacola da minha mão – Mas saiba que você não me compra com isso.
Não respondi nada, ela basicamente destruiu a sacola ao abrir e eu me questionei o motivo de tanta agressividade com a pobre da embalagem. Seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu em surpresa ao ver o conteúdo do pacote.
— Eu estava enganada, eu me vendo fácil, muito fácil – ela abriu um largo sorriso sem tirar os olhos do macaco de pelúcia ridiculamente ridículo – Meu Deus, é o John materializado. Eu sabia que você era real meu bebê – acariciou a cabeça do bicho beijando em seguida.
Fiquei sem palavras olhando a cena enquanto ela abraçava o animal de pelúcia. Acho que eu devia ter deixado o maldito animal na loja. Observei ela voltar a alisar o bicho para em seguida o por na bolsa, mas com a cabeça para fora.
— Ele precisa respirar se não morre – respondeu ao ver meu olhar questionador.
— Ok – não adianta argumentar com gente doida.
Isabella tomava sua bebida animada, ela tirou a tampa para raspar o chantilly mas acabou com a boca suja, não consegui prender o riso ao ver que ela estava toda lambuzada.
— To contando alguma piada por acaso? – grossa como sempre, perguntou ao me ver rindo.
Me inclinei sobre a mesa esticando a mão e limpando seu rosto em seguida.
— Você está suja – expliquei, ela olhou pra baixo tentando enxergar, mas não conseguiu... óbvio – Mas continua suja.
Me inclinei ainda mais sobre a mesa aproximando meu rosto do seu, beijei o canto da sua boca passando a língua por seu lábio inferior em seguida. Ela não se mexeu, mas pude sentir sua respiração pesada. Delineei seu lábio com meu polegar para por fim me afastar voltando ao meu lugar.
— Agora está limpa – pisquei pra ela.
— Abusado – tentou parecer irritada, mas o sorriso que ela tentava prender estava evidente demais para me fazer acreditar em sua irritação.
Conseguimos manter uma conversa agradável... na medida do possível. Isabella é tão cabeça dura quanto eu, então, de vez em quando trocávamos algumas farpas, mas nada fora do comum. Por incrível que pareça, apesar de esperarmos por seis horas até nossa próxima conexão, não foi tão demorado quanto eu achei que seria. Tirando as vezes que eu tive que me esconder de Glenda, estava sem paciência para ela.
Não pudemos deixar o aeroporto pois o tempo era limitado e poderíamos perder o voo, mas ainda sim foi um tempo bem agradável. Agradeci por Glenda não ter me encontrado durante esse período, apenas a encontrei novamente no avião que nos levaria até Seattle, ela tentou trocar de lugar com Isabella novamente, mas eu disse que tínhamos assunto de trabalho a tratar durante o trajeto e apesar de ela não ter ficado muito contente com isso, concordou.
— Ah, eu não quero falar de trabalho – Isabella reclamou assim que Glenda voltou para o seu assento – Olha como tá gostosinho ficar aqui – demonstrou reclinando seu assento até que ele ficasse na posição horizontal e se deitou nele – Pra que estragar falando de trabalho? Vamos falar de pôneis e arco íris... ou se pegar, isso também serve.
— A última ideia é tentadora – ri – Mas só falei isso para Glenda não sentar aqui. No primeiro voo foram as três horas mais longas de toda minha vida, ela não parava de falar – Isabella riu ao meu lado.
— Eu achei o primeiro voo bem agradável.
Se eu estivesse rindo, meu sorriso com certeza tinha morrido na hora. Claro que ela achou agradável, porque a presença de Alec e Jacob era realmente muito agradável. Consegui perceber isso através da forma como ela ria alto com eles enquanto se entupia de champanhe. Revirei os olhos com o pensamento. O voo pra ela deve ter sido agradabilíssimo.
[...]
— Não consigo dormir e estou entediada – falou após um longo período em silêncio.
Já estávamos com pouco mais que três horas de voo, a viagem ainda seria longa. As luzes do avião já estavam desligadas e eu mexia em meu celular deitado em minha poltrona ao seu lado.
— Quer conversar? – sugeri bloqueando a tela do celular e me virando para a olhar.
— Sobre o que? – franziu o cenho confusa – Eu não tenho nada pra perguntar.
— Então vamos falar sobre o motivo pra você ter escolhido cursar administração – ela me olhou surpresa – Fiquei curioso. Você desconversou e não quis contar, o que me fez descartar a possibilidade de esse ter sido 'o que deu pra cursar', então... algum motivo em especial?
— Você é observador e fofo demais pro meu gosto, Cullen.
— Se você me chamar de fofoqueiro de novo eu vou ficar com raiva.
— Mas você é – riu – Mas tá bom, eu vou te contar um segredo – falou em tom de voz baixo.
Me aproximei mais dela até ficarmos bem próximos. Fiquei esperando-a falar, mas ela continuou em silêncio por alguns minutos e isso acabou me irritando.
— Fala logo Isabella – disse impaciente.
— Para de ser afobado, estava ponderando se devia ou não falar – revirei os olhos pra ela – Eu sei cozinhar, mas minha maior especialidade são os doces.
— Acho que um pouco mais de informação vai ser útil.
— Eu sempre quis ter minha própria confeitaria, desde pequena – suspirou nostálgica – Então eu achei que se eu dia eu realizasse esse sonho, seria bom eu saber como administrar meu pequeno negócio, por isso fiz administração.
Me virei deitando de lado e apoiando a cabeça no braço para a olhar melhor, com isso, ficamos ainda próximos a ponto de sentir sua respiração em meu rosto. Surpreendendo a mim, não fiquei incomodado com a proximidade, pelo contrário, fiquei extremamente confortável com isso, tão confortável que minha mão livre foi parar em sua cintura por baixo do lençol que dividíamos. Ela não pareceu se importar e eu não tirei a mão dali.
— Se você queria ter sua confeitaria, por que foi trabalhar na minha empresa? – questionei curioso – Não que eu esteja reclamando, claro.
Infiltrei minha mão por debaixo de sua blusa sentindo sua pele quente se arrepiar ao meu toque. Isso era algo que definitivamente me agradava. Acariciei sua cintura fazendo círculos com o polegar, ela sorriu fraco e respirou fundo antes de responder.
— Porque apenas querer não paga as contas. Eu tinha acabado de me formar, estava desempregada e não era contratada por nenhuma empresa, um belo dia Jane me ligou me chamando para uma entrevista de emprego e eu aceitei. Precisava de um teto pra morar e comida para me alimentar. Depois eu apenas... deixei isso de lado – deu de ombros como se não fosse grande coisa.
— E você desistiu da sua confeitaria?
— Claro que não. Eu tenho uma no celular, todo dia eu alimento meus clientes – sorriu, mas eu a olhei sério, ela percebeu e suspirou alto – Não sei, apenas deixei em stand by, digamos assim. É complicado começar algo do zero e eu já tenho um emprego que paga bem, não se mexe em time que está ganhando.
— Entendo – concordei – Por um lado, devo confessar, estou super aliviado por pensar assim, eu realmente não sei o que faria dos meus dias se você não trabalhasse comigo. Você organiza cada segundo do meu dia, me da uma força do caramba com a empresa e lida bem com meu humor, não estou disposto a abrir mão disso, mas a parte não egoísta do meu cérebro se questiona o porquê de você não ter ido atrás do que queria, tirando os momentos em que você é desatenta, você é muito competente no que faz, ia saber administrar bem seu negócio.
— Quem sabe um dia? Quando eu for velha e rodeada de gatos, quem sabe?
— Você disse que é boa com doces, eu gostaria de provar algum dia.
— Pra que? Você não pode comer nada sem passar mal ou ir ao banheiro.
A falta de filtros dessa mulher é coisa de outro mundo. Eu até tento ser gentil, mas ela também não colabora.
— Vou fingir que não ouvi isso – escolhi ignorar.
— Acho uma boa ideia – concordou – Você está com saudade da Nat?
— Muita – sorri – É estranho ficar longe dela e preocupante a deixar sob os cuidados de outras pessoas, mesmo que sejam minhas irmãs. Eu sinto tanta falta dela que não sei explicar, mas um dia quando você for mãe vai entender o que é isso.
— Eu não quero ter filhos – a olhei inquisitivo – Nada contra crianças, eu até gosto, só não quero ter filhos, também não acredito em casamentos.
— Isso é pouco usual de se ouvir. O que casamento te fez para merecer sua descrença?
— Nada é só que... é só um pedaço de papel. Não muda em nada o que você sente por outra pessoa. Casamento é algo tão banal, dizem que representa um compromisso, mas acho que um compromisso com outra pessoa vai muito além disso – explicou – Tem gente que se casa por contrato, para unir empresas, por interesse, por amor e outros vários motivos. Cada um tem sua motivação, mas acho que se você ama alguém, não é seu nome assinado em um papel que vai mudar isso.
— Acho isso um pouco cético demais... –
— Então você pensa em se casar? – me interrompeu para fazer sua pergunta.
— Na verdade não. Eu acho seu pensamento um pouco cético, mas entendo seu lado, eu também nunca tive interesse em me casar. Diferente de você não tenho todo esse pensamento elaborado, só não vejo necessidade. É apenas uma burocracia a mais e por mais que eu ame uma burocracia, é como você disse, apenas um pedaço de papel – ela assentiu concordando – Mas sério, você não pensa mesmo em ter filhos?
— Não. Mas não sei, um dia eu posso acordar e mudar de ideia, posso simplesmente acordar e pensar 'eu quero me casar, quero ter um filho' ou qualquer outra coisa assim, mas no momento, é como penso e como me sinto.
— Eu nunca pensei em ter filhos até ter uma criança em meus braços – confessei – A gravidez de Tanya pegou a todos de surpresa, foi bem inesperado.
— Imagino que sim – concordou – Mas como eu disse, no momento é algo que não me atrai e nem faz meus olhos brilharem. Não acredito em casamento e nem quero ter filhos, essa sou eu, uma romântica incorrigível – brincou me fazendo rir.
— Qual seria o nome da sua confeitaria? – questionei mudando de assunto.
— Não sei ao certo, nunca pensei tanto a ponto de dar um nome, faria com que eu me apegasse a ideia e se eu não conseguisse realizar, ficaria frustrada – admitiu.
— Você devia se permitir pensar nisso, uma hora esse momento pode chegar e é bom que você tenha pensado em todos os detalhes – aconselhei.
— Vou pensar, como incentivador, quando chegar a conclusão de um nome eu te falo.
— Eu vou te cobrar isso. Você sabe, não sabe?
— Eu sei, você sempre cobra tudo, Edward – sorriu revirando os olhos.
Isabella levantou uma das mãos a passando por meu cabelo em seguida, ela me olhava com um lindo sorriso tímido nos lábios. Me questionei o que ela pensava, mas perdi a linha de pensamentos quando sua mão se fechou em meu cabelo da nuca.
— Eu vou falar isso só uma vez e provavelmente vou negar isso até morte se você comentar sobre isso – não pude deixar de rir ao ouvir isso – Mas, eu gosto dos seus olhos, são tão verdinhos e tão bonitinhos, tão cristalinos e límpidos. É o que mais chama atenção em você, você tem um olhar tão intenso, por isso te chamei de Lúcifer de olhos verdes.
— Eu sempre soube que esse apelido tinha sido ideia sua – ela levou a mão a boca para prender a risada pois as pessoas a nossa volta já deviam estar dormindo.
— Eu não sei do que você está falando – deu de ombros se fingindo de desentendida.
Quis dizer que também gostava dos seus olhos. Que pareciam chocolate derretido e que isso definitivamente foi o que tanto me chamou atenção quando a vi com seus olhos naturais e que são seus olhos que tem povoado minha mente mais do que eu gostaria de admitir, mas ao invés disso, apenas me calei e me limitei a sorrir pra ela.
[...]
O voo de volta foi muito mais agradável que o de ida. Isabella e eu conversamos uma boa parte do trajeto até que ela pegasse no sono. Aproveitei que tinha Wi-Fi no voo e adiantei alguns trabalhos que estavam pendentes até finalmente ir dormir.
Acordei com o comandante anunciando que em breve pousaríamos em Seattle. Foi bem estranho acordar e perceber que Isabella estava deitada em meu peito e eu tinha os braços ao redor dela. O estranho não foi acordarmos assim e sim o fato de que eu tinha gostado de acordar dessa forma com ela. Eu poderia acordar mais vezes assim... se ela não me expulsasse em todas as vezes.
— Ei acorda – a cutuquei – Sai de cima de mim, Isabella. Já vamos pousar.
Ela abriu os olhos meio desorientada e quando viu que estava deitada em meu peito se afastou em um pulo.
— Ai que horror, eu dormi abraçada com você.
Não vou mentir, fiquei um pouco ofendido com isso e talvez um pouco chateado também.
— Menos Isabella, muito menos – falei ríspido.
— Você me agarrou enquanto eu dormia, devia tomar vergonha na cara – a olhei totalmente incrédulo.
— Pela posição que estávamos, se alguém agarrou alguém eu sou a pessoa que fui agarrado e você se aproveitou da situação.
Ela sorriu irônica e me mostrou o dedo médio. Tive vontade de mandá-la enfiar esse dedo em outro lugar, mas me contive. Não precisava e nem queria brigar agora.
[...]
— PAPAAAAIIIII – Nat pulou no meu colo no momento em que coloquei os pés em casa.
— Oi princesa – a segurei em meu colo largando minhas malas em algum lugar – Senti sua falta – beijei sua bochecha – Você se comportou ou deu trabalho para as suas tias? – ela sorriu sapeca.
— Eu dei muuuuuito trabalho pra elas – respondeu.
— Muito mesmo – Rosalie disse e Alice concordou com um aceno de cabeça.
— Essa é minha garota – beijei sua bochecha – Elas merecem mesmo sofrer um pouco.
Nat passou os braços pelo meu pescoço e se recusou a me soltar, eu não reclamei, não a soltaria de qualquer forma. Andei até onde estavam minha irmã e minha prima, ajeitei Nat no meu colo e com o braço livre abracei cada uma das duas, mas as duas me abraçaram ao mesmo tempo me espremendo entre elas me fazendo rir.
— Ficaram bem? – perguntei após abraçá-las.
— Sim, mas sentimos sua falta – Rose passou os braços por minha cintura me abraçando e Alice fez o mesmo.
— Sentimos muuuuito sua falta Eddinho – concordou a baixinha.
Revirei os olhos, não ia adiantar pedir pra ela não me chamar assim. Ia me ignorar de qualquer forma.
— Obrigado por terem cuidado dela – agradeci.
— Para de graça Edward – a loira me repreendeu – Sabe que pode contar com a gente.
— É Eddinho, para com isso – Alice bufou irritada.
— Papai, eu posso dormir com o senhor hoje?
— Pode filha, você já jantou? – questionei e ela concordou balançando a cabeça positivamente – Então sobe, vai tomar um banho e mudar de roupa.
A coloquei no chão e ela correu para fazer o que eu disse. Cheguei em casa já se passavam das oito da noite, apesar de ter dormido no voo, estava exausto, viajar sempre acabava comigo.
— Preciso conversar com as duas – falei sério me sentando no sofá – Sentadas – apontei para o sofá vago a minha frente.
As duas se entreolharam e fizeram uma careta antes de sentar uma do lado da outra onde eu havia indicado.
— Foi só brincadeira Ed – Rose começou se defendendo – Ela nem tá mesmo namorando, só queríamos ver se você ia surtar.
— É, o Matt é só amiguinho dela da escola – Alice concordou.
— Sobre isso, falamos em outro momento – as cortei – No momento, vamos falar sobre as duas. Vocês vão ir falar com Isabella e pedir desculpas por aquele dia no parque de diversões entenderam? – elas me olharam confusas – Ela ficou chateada por aquele dia. Primeiro porque vocês são muito 'invasivas' e segundo porque acha que rimos da cara dela por ela ter passado mal e desmaiado na montanha-russa.
— Jamais faríamos isso – Alice colocou a mão no peito ofendida – Não rimos dela e nunca tivemos essa intenção.
— É Edward, você viu como ficamos preocupadas – minha irmã falou tão ofendida quanto Alice – Queríamos a levar em um médico para confirmar que estava tudo bem com ela, mal conseguimos dormir aquela noite de tão preocupada que ficamos.
— Eu sei disso, mas ela não sabe. Por isso vocês vão se desculpar e Alice – me virei para a baixinha – Nada de sentar na mesa dela e enfiar sua cara na dela tá legal? Vamos por em prática o que eu te falei sobre o espaço pessoal das pessoas, certo?
— Tá bom – concordou cabisbaixa.
— Eu posso comprar um presente e dar pra ela quando eu for pedir desculpas? – Rose se empolgou.
— Se for um chocolate, pode, se for alguma joia ou coisa cara, não. Ela não ia aceitar e ia se sentir um tanto quanto ofendida.
— Mas ia ser só uma pulseira de diamantes. Diamantes são os melhores amigos de uma garota.
— Atenha-se ao chocolate tá legal?
— Tá...
Elas ainda perguntaram como foi a viagem e sugeriram se não teve nada 'a mais' durante minha estadia por lá. Desconversei dizendo que tinha ido a trabalho e não diversão, não iria falar nada do que aconteceu para elas. Seria dar passe livre para me azucrinarem a vida. Foram embora ainda irritadas pela minha 'falta de detalhes'. Tomei um banho e vesti uma calça de moletom e uma camisa.
Nat entrou em seguida no meu quarto já espalhando seu cabelo acobreado pela cama e ocupando todo espaço apenas para ela. Ela tem uma mania de espalhar a maior quantidade possível de lençóis na cama quando vai dormir e por isso, agora minha cama era preenchida por ela e uma pilha de lençóis.
— Temos que conversar mocinha – falei quando deitei ao seu lado na cama.
— Sobre o que papai? – perguntou se deitando no meu peito e puxando um milhão de lençóis pra cima dela.
— Sobre você ter me desobedecido quando falei pra você apagar aquela foto da Isabella na montanha russa.
— Ah... – olhou pra baixo percebendo que tinha sido pega – Foi só brincadeira pai.
— Não foi engraçado filha, ela ficou chateada. Não se faz brincadeira com esse tipo de coisa, as pessoas não gostam. É ofensivo – expliquei pacientemente – Você ia gostar que tirassem foto de você desmaiada e coberta por vômito?
— Não – respondei de cabeça baixa – Desculpe, eu vou pedir desculpa dela, tá bom? Foi uma atitude muito feia.
— Foi sim – concordei – E sabe quais as consequências de atitudes feias?
— Ah poxa.
— Pode me entregar – estendi a mão pra ela que fez biquinho, mas levantou indo até a cômoda pegar seu celular e me entregar – Duas semanas, mas se for boazinha uma semana e meia.
— Me ferrei – fez uma careta – Mas pai, tudo isso de tempo só por causa da foto?
— Não foi pela foto, foi pela sua desobediência a outra semana é só pelo princípio de infarto que você me fez ter quando disse que estava namorando – Nat sorriu sapeca.
— Valeu a pena, bons tempos. Eu faria de novo, mas não sei se o castigo vale.
— Consequências filha, toda ação tem uma consequência – ela balançou a cabeça em concordância – Soube que você tem novidades para mim, quais são? – Nat abriu um grande sorriso
— Separe tempo na sua agenda para ver meus jogos papai, agora o senhor está falando com uma líder de torcida – falou animada abrindo os braços, seus olhinhos verdes brilhavam de felicidade e o enorme sorriso que preenchia seu rosto entregava o tamanho do seu contentamento por esse feito.
— Parabéns princesa – beijei sua testa – Você tem que me avisar dos jogos com antecedência, mas prometo ir te assistir em todos eles tá bom?
— Sabe o que isso significa papai? – sempre tinha um 'mas', a olhei inquisitivo e ela me olhou séria – Você vai ter que aprender a arrumar meu cabelo direito e me maquiar, eu não posso ir feia e as tias não podem parar a vida delas o tempo todo só pra vir me arrumar.
— Você tá sempre linda boneca, até quando acorda toda descabelada e com a cara amassada – Nat me olhou com uma careta, mas estava tão fofa que não resisti e beijei a ponta do seu nariz – Vamos dar um jeito, as tias ajudam de vez em quando, mas sempre fomos nós dois lembra? – ela assentiu concordando – Essa semana nós vamos comprar alguns enfeites de cabelo e o que mais for preciso, tá bom?
— Tá bom – concordou – Agora vamos dormir, você tá velho e deve estar exausto.
Apenas revirei os olhos em resposta. Eu não estava tão velho assim, mas com certeza estava exausto.
▬ Bella ▬
Já eram quase nove da noite do domingo quando terminei tudo que estava fazendo. Tá bom, talvez eu tenha me empolgado um pouco em me sentir Christian Grey, o próprio, e Edward ser a minha Anastasia Steele. Ah, ele com certeza vai ser minha cadelinha.
Essa empolgação resultou em um contrato de míseras duas páginas. Infelizmente, minha criatividade é bem mais limitada. Tão limitada que eu tive que usar espaçamento duplo e fonte 16 apenas para ocupar mais espaço.
John de pelúcia estava no meu colo enquanto o John verdadeiro me garantia uma música de fundo em minha mente. Estava relendo e conferindo se estava tudo certo. Certo, eu não gostei da Glenda e a filha da puta é de Seattle. Edward e eu concordamos com exclusividade, mas convenhamos, acordo de boca nunca deu muito certo, então acho melhor eu ter a assinatura dele em um papel, além de ser mais garantido, ainda deixa claro alguns pontos bem importantes. Respaldo é tudo nessa vida.
Após confirmar que estava tudo certo, enviaria uma mensagem chamando Edward para vir aqui em casa. Eu ia mandar uma mensagem por whatsapp, mas se ele não concordar com meus termos, então quem se ferra sou eu que vou ter um número a mais pra ele azucrinar, então no momento vamos no bom e velho SMS.
Bella Swan
20:36 pm
"ei, quer vir aqui em casa agora?"
Edward Cullen
20:47 pm
"Chego aí em trinta minutos"
Porra. Pela demora em responder ele chega é em mais tempo.
Subi com meu John de pelúcia materializado e o deitei confortavelmente em minha cama, o cobrindo com um lençol para ele não sentir frio. Eu preciso mandar fazer roupinhas pra ele, o coitado tá pelado, fim do ano tá chegando e ele vai sentir frio. Tenho que cuidar do meu filho.
Aproveitei para tomar um banho também, lavei bem meu cabelo e o sequei o máximo possível. Até vestiria uma roupa toda ajeitadinha, mas eu estou em casa e se tudo sair como estou planejando, nem de roupas eu vou precisar, então me limitei a usar um baby doll preto com renda vermelha e dispensei sutiã. Pra mim está bom assim.
Arrumei mais uma vez meu notebook na mesa de centro da sala, peguei algumas canetas e grampeei as duas páginas de contrato que eu havia impresso, minha campainha tocou logo em seguida, olhei mais uma vez para ver se estava tudo certo para por fim, abrir a porta.
Foi difícil, mas eu consegui reprimir a vontade de suspirar que eu tive ao vê-lo parado em minha porta. Ele se apoiava com uma mão no batente da porta e usava uma calça jeans preta justa, camisa de flanela quadriculada azul e preta, seus cabelos estavam uma bagunça, apontando para todas as direções. Posso até jurar que meu coração acelerou quando ele levantou a cabeça pra me olhar com esse inferno de olhos verdes e um sorriso torto nos lábios. Merda. O filho da puta é gostoso pra caralho, sinto um tesão da porra só de olhar.
— Não vai me convidar pra entrar, Isabella? – falou me trazendo a realidade.
Ai, eu preferia quando ele estava caladinho. Já vai querer dizer o que eu tenho que fazer, filho da puta?
— Querido, eu já te chamei até aqui, seu convite para entrar está implícito – revirei os olhos e lhe dei as costas indo sentar no sofá de pernas cruzadas.
Ouvi sua risada e o barulho da porta se fechando em seguida. Pelo menos isso ele fez né?!
— Gostei da sua roupa – comentou sentando ao meu lado no sofá – Preferia que estivesse sem ela, mas podemos dar um jeito nisso.
Foi difícil manter uma linha de raciocínio quando senti suas mãos espalmadas em minha coxa, subindo até minha cintura, ficou mais difícil ainda quando ele me puxou para sentar em seu colo. Eu já nem sabia o que era um pensamento quando senti sua boca na minha e quando sua língua pediu passagem e eu concedi, nem soube mais dizer quem eu era.
Ele explorava cada canto da minha boca, lambi seu lábio inferior o mordiscando em seguida, Deus como isso era bom. Suas mãos grandes passeavam por meu corpo arrepiando minha pele, Edward sugou minha língua me fazendo gemer em sua boca e um 'click' em minha mente fez eu me afastar abruptamente. Foco Isabella, o sexo fica pra depois.
— O que foi? – perguntou com os lábios inchados e um olhar confuso. Fiquei olhando seus lábios avermelhados e inchados, isso era um puta de um convite pra um beijo – Isabella? – me chamou novamente.
— Ah sim – voltei a mim, saindo de seu colo e pegando as duas folhas que eu tinha impresso – A parte que ficamos sem roupa fica pra depois, agora temos um assunto mais sério a tratar.
— Se você for falar de trabalho agora, eu juro que fico de pau duro – apesar do tom brincalhão que ele usou, ambos sabíamos que era verdade.
Isso era trágico e excitante ao mesmo tempo. Mais trágico do que excitante pois falar de trabalho me broxa, mas ver ele excitado me excita, então ficamos aí em um loop de conflitos internos.
— Prefiro acreditar que você vai ficar de pau duro porque vou me esfregar em você depois, mas agora – lhe entreguei as páginas impressas do nosso 'acordo sexual', como assim eu chamei – Lê e vê se concorda com meus termos.
Ele pegou o acordo impresso e correu seus olhos sobre o papel, pareceu fazer uma leitura panorâmica e me olhou em seguida.
— Você fez mesmo um contrato – riu – Isso só me dá a certeza que você quer mesmo me conquistar. Nada me conquista mais do que uma formalidade e um contrato para assinar – piscou pra mim sorrindo safado em seguida.
— Se meus peitos não te conquistaram, nada mais conquista, o que eu acho mais plausível já que o demônio não tem coração – sentei ao seu lado no sofá novamente – Agora lê e vê se concorda.
— A forma que você redigiu isso está horrível – falou sem tirar os olhos do papel em sua mão – Espaçamento duplo e olha o tamanho dessa fonte, você acha que eu sou cego? E por que você usou Arial e não Times? – a cada palavra que saía da sua boca eu sentia um pouco mais de vontade de estapear a cara dele.
— Para de reclamar, isso é só um rascunho – menti, não iria admitir que eu só queria ocupar espaço na folha – Só lê e vê se tá bom pra você, depois a gente ajeita.
— Pra que o contrato? Já não tínhamos acertado tudo? – perguntou enquanto lia a outra folha.
— É como meu chefe diz, 'contrato de boca nunca valeu nada'.
— Touché – falou divertido – Seu chefe é mesmo um homem sábio.
— Não fode, lê logo essa porcaria que eu tô ficando com raiva já.
Ele riu e encerrou a leitura panorâmica para fazer uma leitura minuciosa em seguida. Ele fez uma careta em algumas partes e o cenho franzido permaneceu por toda a leitura.
— Acho que a parte do 'Não somos namorados e não temos nenhum compromisso' ficou claro no primeiro item, não precisava ter repetido por mais três vezes no decorrer do documento – Edward se inclinou para pegar uma caneta na mesa e riscou onde essa parte estava repetida.
— Queria deixar isso claro.
— E porque não destacou colocando em negrito?
PORQUE EU SOU TAPADA E NÃO LEMBREI DISSO NA HORA.
— Eu tinha que te deixar algum trabalho também né bonitinho? Vou fazer tudo sozinha? Não vou.
— Eu tenho que vir quando você estiver disponível, mas eu não posso exigir o mesmo? – questionou me olhando com uma sobrancelha arqueada.
— Sim – concordei com um sorriso.
— Acabamos de chegar em uma zona de conflito aqui, discutiremos isso depois – voltou seu olhar para o contrato novamente – Colocar em um contrato por escrito que a empresa é uma zona neutra chega a ser um insulto para o meu profissionalismo, eu estou até um pouco ofendido.
— Só deixando claro – falei dando de ombros.
— Desistiu da exclusividade? Não vi isso no contrato.
Bati em minha própria testa pensando em o quanto eu sou tapada. O motivo no qual eu fiz essa porcaria é justamente para garantir que ele não colocar as mãos na carrapato ruiva e esqueço disso.
— Isso é algo que eu faço questão e não abro mão, vamos adicionar isso aqui – falou antes que eu pudesse responder e já anotando alguma coisa no papel que segurava.
— Pra que faz questão? – não que eu estivesse reclamando, mas aquela história né. Sou curiosa.
— Não gosto de dividir meus brinquedos – piscou pra mim voltando seus olhos para o contrato em seguida.
Brinquedo é meu cu, querido.
— Sendo honesto com você – falou após algum tempo em silêncio lendo – 95% das coisas que estão aqui são tão desnecessárias quanto inúteis, podemos manter dois itens que o contrato fluiria bem e ainda não precisaríamos dele impresso e assinado, mas se faz questão eu não me oponho... –
— Quais você manteria? – perguntei curiosa.
— A exclusividade e nossa relação profissional inalterada. A parte do 'nos reservamos ao direito de manter confidencialidade sobre nossa relação' – repetiu o trecho com voz irônica – é a mais desnecessária de todas. O que acha que eu vou fazer? Um outdoor e espalhar por toda a cidade? Tenha um pouco de bom senso, acho que já ficou claro o quanto eu sou reservado com minha vida particular.
— Você tira a graça das coisas Edward – revirei os olhos – A primeira vez que me empolgo pra fazer um contrato e você já mostra como ele é inútil.
— Se você quiser podemos manter, mas como eu disse, só dois itens são pertinentes, mas já que você já propôs suas exigências, eu tenho as minhas também – sorriu convencido.
Merda, o cara tem mais experiência em contratos e negociar com as pessoas do que eu. É agora que eu percebo que me ferrei por tentar barganhar com o diabo?
-x-
Coitada gente, ela acha mesmo que pode competir com o próprio lúcifer dos contratos, rsrsrs.
