Continuação da Bella iludida achando que pode negociar com o próprio lúcifer. Espero que gostem 3

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Barganhando com o diabo (parte 2)

▬ Bella ▬

— Não – falei apressadamente – Vamos manter os dois itens e pronto. Vou redigir novamente e assinamos – Edward me olhava divertido e convencido até demais com sua sobrancelha irritantemente arqueada em uma expressão de superioridade.

— Acha mesmo que eu vou por minha assinatura em um contrato no qual não tem nem 50% das minhas imposições? – perguntou utilizando seu tom profissional, tom este que eu reconheço por o acompanhar em diversas reuniões de negócios – Pelo visto me conhece pouco, Isabella.

— Como eu já disse – tentei me manter calma – É você que quer transar comigo e não... –

— O contrário? – me cortou me deixando sem palavras – Acho que isso aqui – levantou o papel em suas mãos – Mostra que essa não é uma vontade unicamente minha, caso fosse, você estaria bem despreocupada e um acordo de boca seria suficiente, estou errado?

Merda. Merda. Merda.

As vozes em minha cabeça estão me dizendo que eu devo tomar muito cuidado com as minhas palavras pois é nelas que eu posso ser pega. Tenho que manter o controle da situação e não deixar transparecer que eu quero pra caramba continuar transando com ele porque o cara é praticamente um deus do sexo, ou o próprio demônio da luxúria, como você preferir.

— Para de graça, me dá isso aqui e eu vou redigir e vamos assinar – falei ignorando as vozes na minha cabeça.

Eu nunca fui de escutar o que elas diziam mesmo.

— Senta – Edward apontou para o assento vazio ao seu lado no sofá.

Só notei que eu já estava em pé, nervosamente andando de um lado para o outro quando ele falou para que eu sentasse.

Extremamente nervosa, mas muito desconfiada sentei ao seu lado.

— Não vamos incluir mais nada – me mantive firme.

— Então acho que não teremos muito sucesso nessa negociação – se eu estava firme, ele estava muito mais.

Um Edward totalmente profissional, agindo como o homem de negócios que ele é e como se eu fosse apenas mais uma das pessoas que ele lida era algo que eu realmente não esperava. Agora eu sei porque as pessoas tem medo de fazer negócios com ele. Ele realmente impõe medo e ele nem está fazendo nada, é apenas... sua postura e forma tranquila, porém diabólica, de falar.

— Chegamos a um impasse então? – agradeci mentalmente por não estar transparente em minha voz o meu nervosismo.

— Aí depende. Vamos entrar em consenso sobre alguns termos? Caso contrário, já podemos encerrar por aqui mesmo – falou com sua voz fodidamente firme.

— Vamos deixar como acordo de boca mesmo – tentei soar casual.

— Eu até concordaria, Isabella – me olhou intensamente – Mas você me lembrou o quanto eu adoro uma formalidade e um contrato para assinar. Você introduziu a nossa noite uma preliminar que eu não estou disposto a abrir mão, sendo assim, vamos brincar um pouco.

Merda. Eu não sei se foi intencional dele, mas sua frase teve uma conotação sexual que só serviu para me deixar excitada.

— Estou disposta a ouvir.

— Bom – concordou – Vamos relembrar o que já temos. Nossa relação na empresa e em horário do seu expediente permanece inalterada e nenhum contato íntimo ou pessoal será tolerado – assenti concordando – Concordamos em ser exclusivos, correto? – mais uma vez concordei com um aceno de cabeça – Ótimo, aí entra uma das minhas exigências.

— Que seria?...

— Você e Jacob cortando qualquer relação que não seja estritamente profissional – esperei pra ver se ele iria rir e dizer que era brincadeira, mas ele permanecia com a expressão séria e o maxilar trincado.

— Essa é a hora que você diz que está brincando – explique a ele.

— Estou com cara de quem está brincando? – continuou tão sério quanto estava antes – Caso se pergunte, manter relações com ex sempre resulta em recaídas, se vamos ser exclusivos, qualquer coisa que você tenha com outra pessoa já põe um par de chifres em mim e eu honestamente combino com chifres, então...

Claro que combina querido. Diabo sem chifres? Onde já se viu?!

— Você está ciente que nós não temos um relacionamento, certo?

— Sim, inclusive se quiser por isso como uma cláusula, fique à vontade.

— Então que fique como cláusula – afirmei – Não somos namorados, não temos nenhum tipo de relacionamento e tudo é baseado em sexo.

— Eu estou de acordo – falou anotando algo no verso da folha do contrato que estava em suas mãos.

— Mais alguma coisa senhor satã? – ironizei.

— Sim – falou sem parar de escrever no verso da folha – Sabe essa sua mania de me expulsar toda vez que transamos? Ela tem que parar.

— Não abro mão disso – falei apressada mantendo minha voz o mais firme possível – Não vamos dormir de conchinha, Cullen. Sem chances.

— E quem disse que eu quero dormir com você? – levantou os olhos do papel para me olhar com desdém.

— Suas atitudes – apontei.

— Não. Minhas atitudes dizem que é irritante e broxante pra caralho acabarmos de transar e você já me por pra fora como se eu fosse um casinho qualquer.

— E você acha que é o que queridinho? Meu marido? Nos casamos e eu não estou sabendo?

— Concordamos com a exclusividade, agora eu sou seu único casinho, esquecida esposa – ironizou – Não vou dormir com você, eu tenho uma filha esperando por mim em casa, não vou passar a noite, não precisa me expulsar, eventualmente eu vou me levantar, pegar minhas coisas e deixar sua casa. Não preciso do seu sutil convite dourado para isso.

— Então eu nunca vou poder te expulsar? – perguntei perplexa – Sabe o quão autoritário isso soa?

— Claro que vai, a casa é sua, não vou mandar aqui – sorriu demoníaco – Quando tivermos algum tipo de discussão, caso contrário, vamos manter a convivência pacifica, sim?

— Não entendi – e olha que eu me esforcei para entender.

— Você não pode me expulsar a menos que tenhamos alguma discussão. Como eu disse, não é como se eu fosse trazer minhas coisas e morar com você, apenas é chato pra caralho ficar sem expulso.

— Eu estou cada vez mais arrependida desse maldito contrato – murmurei irritada.

— Devia se orgulhar Isabella, foi uma das suas melhores ideias. Eu estou me divertindo.

— Eu não – me afundei no sofá em que estava.

— Você não tem nenhuma exigência? Vamos lá, não me deixe me divertir sozinho – gargalhou e eu sequer entendi porque era engraçado.

Que humor horrível ele tem.

— Para de me chamar de Isabella. Parece que você está me brigando.

— É pra eu por isso no contrato? – questionou confuso.

— Não, é apenas um pedido, se não estivermos no trabalho ou transando, é super chato ser chamada de Isabella.

— Posso fazer isso – concordou – Já que você não tem mais nada a acrescentar, eu tenho.

— Claro que tem – revirei os olhos – Estranho seria se você não tivesse. O que mais você quer incluir dessa vez? – Edward tinha um sorriso estranho no rosto.

— Ao menos uma vez por semana vamos sair para jantar ou fazer algum programa ridículo assim. Você pode escolher o que vai ser, eu não me importo.

Mais uma vez fiquei esperando ele dizer que era brincadeira. Fiquei olhando pra ele pra ver se ele se tocava, mas ele apenas me olhou com a sobrancelha franzida.

— O que? – perguntou cínico

— Estou esperando você dizer que é sacanagem e que está só me zoando pois como sabe, NÃO TEMOS A MERDA DE COMPROMISSO NENHUM – gritei a última parte – Diz logo que é sacanagem, porra.

— Eu nunca brinco com contratos, Bella.

— Mas eu sim. Pode tirar essa cláusula absurda.

— Não – respondeu simplesmente.

— Não? – repeti perplexa, ele apenas assentiu – Não o caralho, pode tirar essa merda daí, não sou obrigada a isso. Que merda você pensa que está fazendo? Esse coraçãozinho aqui – apontei para meu peito – Você não ganha nem se tentar muito, meu querido.

— Pode ficar com seu coração inteiro para você – respondeu entediado – Estou fazendo isso apenas para desencargo de consciência.

— Não vai me dizer que se sente culpado por ter sexo sem compromisso? – ironizei – Tá me achando com cara de puta pra achar que me compra com jantares ou coisas assim? Se você chegar aqui com alguma joia eu juro que enfio ela na sua bunda – bradei exasperada e irritada.

— Não preciso comprar ninguém, se eu quiser uma mulher, eu simplesmente tenho. Nunca tive problemas com a ala feminina – sorriu convencido.

— Então mande sua consciência à merda e retira essa porra daí.

— Não – eu respirei fundo ao ouvir novamente sua recusa – Pense comigo. Eu tenho uma filha, não vou poder interferir em sua vida sempre, mas sempre vou poder a aconselhar, se um dia ela resolver entrar no mesmo tipo de acordo no qual estamos fazendo hoje, não vou poder falar nada pois ela já será adulta e dona de si, mas como pai, poderei a aconselhar a pelo menos se envolver com alguém que a trate bem e não apenas como um objeto sexual no qual tem sexo fácil e conveniente. Como vou poder cobrar isso dela se eu mesmo não faço isso? Entende o que eu quero dizer?

Como dizer a ele que...

— CAGUEI – gritei irritada – O que você faz, fez ou pretende fazer com sua filha é um problema seu e infelizmente da Nat, eu não tenho nada a ver com isso.

— Eu levo muito a sério os exemplos que eu dou para Natalie, nesse caso, me recuso a retirar essa cláusula – seus olhos verdes me fitavam sérios, firmes e totalmente inegociáveis, só de olhar pra ele eu já sabia que tinha perdido essa.

Mas se eu vou perder, vou fazer do meu jeito. Eu vou transformas essas 'noites de encontros' em um verdadeiro inferno na vida dele. Se ele é o lúcifer manifestado, eu vou encarnar a própria Lilith.

— Certo – concordei – Mas para todos os efeitos, estaremos em um jantar de negócios.

— Você acha mesmo que engana alguém? – perguntou cético – Se dissermos que a convivência no trabalho nos fez desenvolver uma convivência pacífica e até mesmo uma amizade soa menos ridículo que essa sua ideia. Por que eu faria negócios com você se você é minha assistente?

Até que faz sentido...

— Certo, outra coisa – chamei sua atenção – Fora do local de trabalho, você não pode me dar ordens, de nenhuma natureza... a menos que estejamos transando, adoro quando você é autoritário durante o sexo, mas só, é algo que não abro mão.

— Não gostei disso – falou contrariado.

Gosta de mandar e dar ordens né, filho da puta?! Mas eu também gosto de mandar, então aqui já começamos nosso embate. Ao perceber que eu não cederia, ele respirou fundo e concordou anotando novamente algo no papel em suas mãos.

— Temos que definir um prazo para esse contrato expirar – refleti.

Edward parou de escrever e me olhou de forma indecifrável. Seus olhos pareciam me avaliar.

— O que? – falei mediante seus olhos avaliativos – Um dia eu vou conhecer alguém e vou querer estar com essa pessoa e pra isso não posso estar contratualmente presa a você – expliquei.

— Entendo. Quando isso for demais para alguma das partes – começou falando – Iremos conversar e entrar em consenso sobre a rescisão deste – assenti concordando – Mas, o contrato expira no exato momento em que qualquer um dos dois mudar nossas três palavrinhas mágicas para 'eu te amo'.

— Só isso? – falei descrente – Se eu quiser rescindir o contrato basta eu falar 'eu te amo' mesmo que não seja verdade e pronto acabou? Esperava mais vindo de você, Edward. Alguma cláusula absurda ou um valor milionário para determinar a rescisão do contrato.

Ele parece avaliar por um momento. Vish, será que eu que dei ideia de valor milionário? Faz isso não moço, não tenho dinheiro pra essas coisas.

— Bella – Edward me olhava sério – O principal objetivo desse contrato não é punir nenhum dos dois, é apenas estabelecer meios de uma convivência pacífica entre nós pois convenhamos, nós temos um gênio bem filho da puta – tive que concordar com ele, isso era verdade – Isso basicamente estabelece alguns limites, alguns outros serão estabelecidos por meio do diálogo, fora isso, não vejo pra que estabelecer cláusulas absurdas, mas você tem um bom, todo contrato se rescindido tem sua consequência, podemos estabelecer uma também.

— Tipo qual? – perguntei temerosa praticamente devorando minhas unhas.

— Caso você venha a rescindir o contrato, nós cortamos relações, como previamente combinado, a relação profissional será mantida, mas todo o resto será mantido e você não poderá se aproximar ou tentar contato comigo em horário fora do expediente, sendo este horário permitido apenas para tratar de assuntos de trabalho, o mesmo vale para mim. Mas se você faz questão, podemos estipular uma multa para quebra de contrato. O que acha de 100 mil?

Ele sendo uma pessoa agradável e que eu gostaria de ter por perto? Só pode ser brincadeira. Virou piadista e não me contou queridinho?

— Até entendo a parte da multa, mas a parte do 'vamos cortar relações'? Por que isso é interessante pra você? Me parece tão sem graça – questionei curiosa.

— Você está prestes a descobrir que eu sou um bom amigo e uma ótima pessoa para se ter por perto – sorriu torto piscando em seguida – Além do que, como eu disse, interpretemos isso como algumas regras de boa convivência.

— Certo – concordei desconfiada.

— A única cláusula que servirá como quebra de contrato é a que trata da exclusividade. Você está de acordo? – perguntou.

Apenas concordei com um aceno de cabeça. Continuamos debatendo sobre algumas exigências nas quais fazíamos questão de manter. Edward voltou a escrever no papel que estava em sua mão e após alguns minutos me entregou o papel para que eu redigisse o contrato novamente. Observei o papel com raiva. Ele tinha mesmo que ter uma caligrafia tão perfeita? Por algum acaso é ele que fazia aquelas cartilhas ridículas de caligrafia? Se for tenho umas reclamações a fazer, elas nunca me ajudaram.

Redigi novamente o contrato o imprimindo em seguida. Imprimi três vias, uma para mim, uma para Edward e a terceira porque ele disse que tinha que imprimir.

— Ei – chamei sua atenção enquanto ele lia o novo contrato – Se eu vou ter que cortar relações com Jacob, você tem que fazer o mesmo com a Glenda – me custou o mundo não a chamar de nenhum apelido 'carinhoso' que eu havia dado a ela.

— Você não tem com o que se preocupar – respondeu tranquilo – Qualquer pessoa que não goste da minha filha não merece nem cinco minutos da minha atenção.

— Percebi como você estava relutante em falar com ela na Finlândia – ironizei.

— Apenas negócios – deu de ombros – Quando o assunto são negócios envolvendo a empresa, eu consigo ser bem falso quando eu quero.

— Claro que consegue, você é o diabo e o diabo é o pai da mentira – era pra ter falado apenas para mim mesma, mas percebi que falei alto quando Edward me olhava com cara de poucos amigos.

Fingi que não falei absolutamente nada e continuei lendo o novo contrato que estava em minhas mãos. Meus olhos se voltaram para as novas cláusulas recém estabelecidas e as reli novamente.

1. Ambas as partes comprometem-se em manter a exclusividade sexual com seu parceiro, não sendo tolerado o envolvimento de terceiros na relação pré estabelecida;

2. A relação íntima e pessoal que ambas as partem mantem em momento algum poderá interferir na relação profissional que ambos possuem em seus respectivos locais de trabalho, sendo este fora dos limites de intimidade pré estabelecidos pelas partes interessadas. Horários de expediente normal e horas extras encontram-se categorizados como partes não integrantes da relação íntima e pessoal acordada entre as partes;

3. Mantém-se proibida qualquer forma de expulsão domiciliar do parceiro (a) sem causa aparente, salvo em casos de desentendimentos, brigas ou discussão;

4. Fica acordado entre as partes que estas não possuem nenhum tipo de compromisso entre eles, seja namoro, noivado ou casamento. Ambos estão livres para conhecerem ou se relacionarem com outras pessoas, desde que haja o aviso prévio ao parceiro para fins de encerramento contratual;

5. Ambas as partes concordam em se reunir ao menos uma vez por semana para encontros casuais tais como jantares, passeios pela cidade, viagens ou afins, podendo ambas as partes gozarem de livre escolha em qual atividade o parceiro será submetido, desde que este não comprometa a integridade física de ambos;

6. A relação de ambos não poderá se desenvolver caso haja uma parte dominante. Todas as decisões e escolhas devem ser feitas em comum acordo entre ambas as partes, sendo assim, vedado de Edward A. Cullen de proferir ordens de qualquer natureza a Isabella M. Swan fora do seu horário de trabalho;

7. Qualquer outra cláusula pode ser adicionada a qualquer momento, desde que haja consentimento de ambas as partes;

8. O fim para a validade do presente contrato é regido pelo limite emocional de alguma uma das partes envolvidas, sendo dever da parte solicitante informar seu parceiro quando chegar ao seu limite emocional e não puder prosseguir com os termos aqui estabelecidos. Um dos fatores determinados como limite emocional é caso a sentença 'Eu te amo' seja proferida por alguma das partes, resultando no fim do contrato;

9. A cláusula de nº 1 será a única determinante para determinar a rescisão do presente contrato, podendo este chegar ao seu fim por intermédio do diálogo entre as partes. Em caso de rescisão, será cobrado uma multa no valor de 100.000 (cem mil) dólares;

10. Caso o contrato chegue ao seu fim por rescisão e não por um acordo comum, a parte que rescindiu se compromete em cortar qualquer tipo de relação que não seja estritamente profissional com o parceiro em questão, sendo vetado conversas, telefonemas, e-mails ou qualquer outro meio de comunicação ou aproximação.

Fiquei relendo essas cláusulas, me pareciam tão absurdas, mas o pior é que sei lá, por mais loucas pareciam fazer sentido. Edward me fez reler o contrato mais cinco vezes para eu ter certeza do que estava fazendo. Ele me ganhou pelo cansaço, na terceira vez que eu li, eu já não aguentava mais então só fingia que lia enquanto John fazia companhia em minha mente.

Após nenhum dos dois ter mais nada a acrescentar, ambos assinamos as três vias do contrato. Segundo Edward, a terceira via ele levaria para autenticar em cartório. Como terminamos tarde, ele não pôde ficar mais tempo e nem pudemos 'brincar' um pouco, segundo ele, logo Alice deixaria Natalie em casa e ele deveria estar lá.

Deitada em meu quarto com John meus braços – ele estava se sentindo sozinho – reli novamente a cópia que havia ficado comigo e parei para analisar alguns pontos que eu não havia observado antes: somos exclusivos, não posso expulsar ele da minha casa a menos que nós briguemos, vamos toda semana sair em um 'encontro'... isso tá quase parecendo um relacionamento para mim, vendo agora, não sei se fui muito sábia em concordar com isso. Eu nem vejo mais minhas exigências aí, só as dele. Mas que absurdo.

[...]

Na manhã seguinte, acordei cedo para trabalhar, era segunda e eu tinha que disponibilizar a agenda semanal de Edward antes que ele surtasse. Aproveitei que meu carro já havia voltado do conserto e deixei para tomar café na empresa.

— Meu Deus, ela tá viva mesmo – Jane riu com Ang e Jess assim que me viu chegar – Acho que as bonitas me devem 50 pratas cada uma – falou olhando para as duas que fizeram careta pra ela.

— Apostaram que eu não sobreviveria né? – brinquei – Chegaram perto, por pouco eu não sobrevivo – falei seguindo para a copa.

As três vieram ao meu encalço perguntando como tinha sido a viagem. Falei a verdade: foi chata, eu estava entediada, Edward queria participar de todas as palestras possíveis e imagináveis, Jacob teve a cara de pau de ir 'conversar' comigo como se eu fosse a louca da história e que eu não via a hora de voltar pra casa. A parte na qual eu e Edward praticamente destruímos a cama do hotel guardei para mim mesma.

— Ah você devia dar mais uma chance pra ele – Jess dizia enquanto eu fazia o café do meu chefe – Jake é atencioso, te ouve, te trata bem, é carinhoso, merece uma segunda chance – a olhei com desdém.

— Você quer mesmo que eu dê estrelinha dourada a ele só porque ele faz o mínimo? – perguntei cética – Sem chance. Isso tudo que você citou é o mínimo que ele poderia fazer. Eu não sou mulher de aceitar menos que o mínimo, Jess.

— A Bella tem razão – Ang concordou – O cara tentou fazer parece que ela que... –

— Bom queridas Anas – Jane interrompeu a fala de Ang – O demônio chegou e eu com isso eu vou embora pois ontem tive um ótimo sexo e meu humor está ótimo demais para ser estragado. Adeus – falou já se afastando.

Foi apenas o tempo de eu olhar na direção onde o próprio lúcifer de olhos verdes chegava que e olhar novamente para a copa para ver que Jess e Ang já havia se dispersado também. Traidoras. Saí quase correndo da copa para levar o café para a mesa do meu chefe. Passei na minha mesa e peguei a agenda semanal que eu havia imprimido e na tentativa de me apressar, acabei batendo a coxa na quina da mesa.

— INFERNO – bradei irritada – Inferninho – concluí ao perceber que não havia doído como das outras vezes.

Olhei para a mesa e notei que todas as quinas da mesa estavam com um protetor de quina de silicone e isso amorteceu o impacto. Como elas foram parar aí? Isso não estava aí quando eu fui viajar. Oh, deve ter sido Riley, ele sempre ficava preocupado quando eu me batia. Deixei o pensamento para outra hora. Me posicionei em frente a porta do meu chefe e esperei que ele entrasse.

— Bom dia senhor Cullen – cumprimentei assim que ele chegou.

Como sempre, o poço de educação que é meu chefe, apenas olhou pra minha cara e nada disse. Estendi pra ele a xícara com seu café, já deixei a maldita xícara ligada pra o café dele não esfriar e ele não me chamar apenas pra apertar a merda do botão.

— Aqui está sua agenda semanal – entreguei a ele a maldita agenda enquanto ele entrava em sua sala – Às dez o senhor tem uma reunião com alguns acionistas da Amazon e o presidente da Cameron's Publicity solicitou uma reunião de emergência, que foi agendada para as 14h de amanhã, visto que a reunião com o pessoal da Amazon pode se prolongar – falei em um fôlego só.

— Preciso que reorganize minha agenda – falou sem nem me olhar colocando suas coisas sobre a mesa – Deixe as noites de sexta livre, sexta sim, sexta não a partir das 16h, começando nesta sexta. Se preciso for, realoque tudo para o decorrer da semana nem que eu tenha que ficar aqui até mais tarde, apenas deixe livre – ordenou.

Ah porra. Custava dizer isso antes de eu perder horas da minha vida fazendo a agenda do mimadinho?

— Claro – concordei – Algum motivo em especial?

— Não é da sua conta – ele não é um amor, gente?

— Claro, deixarei em branco então.

— Ótimo, agora saia e feche a porta. Para todos os efeitos, eu não estou para ninguém até a hora da reunião com os representantes da Amazon.

Concordei e deixei sua sala em seguida.

Inferno. Agora vou ter que refazer todo o trabalho que eu fiz com a agenda apenas porque o bonitinho não avisou essa porcaria antes. Bufei irritada me sentando em minha cadeira. Tive um trabalho do cão realocando todos os compromissos dele para caber nos outros dias, deixei o espaço em branco nos dias e horários estipulados, como ele não estabeleceu um prazo para término disso. Deixei assim pelos próximos dois meses. Me pareceu algo definitivo.

Apenas quando faltava meia hora para a maldita reunião e com um grito estridente do meu chefe chamando por meu nome que eu lembrei que não havia o entregado os relatórios para a reunião com os representantes da Amazon, então eu corri que nem uma filha da puta até o nono andar – onde ficava a sala de cópias – de escada mesmo, peguei os documentos que deixei para serem copiados e subi com todas as vinte cópias em mãos. Eu preciso mesmo voltar a andar com minha bombinha, qualquer dia desses eu vou ter uma crise de asma.

Liguei para o restaurante, fiz o pedido do almoço do meu chefe, instruí Ang de como ela devia fazer a ata da reunião de hoje já que ela que acompanharia e apenas quando meu chefe já estava na maldita sala de reuniões que pude sentar e respirar.

— Ei Bella – me enganei.

O diabo pai mandou as diabas filhas para me atormentar.

Olhei na direção da voz e vi Alice e Rosalie sorrindo tímidas para mim. Poxa universo, podia ter me dado alguns segundos de paz né?!

— O senhor Cullen está em reunião – assumi meu tom profissional – Caso queiram aguardar, podem esperar... –

— Queremos falar com você, Bella – a gêmea maldita do meu chefe me interrompeu.

— Estou ocupada – falei rapidamente abrindo um arquivo qualquer no computador e fingindo trabalhar.

Tudo bem que eu devia mesmo trabalhar. Mas meu chefe estava em reunião e não iria ver se eu estava mesmo trabalhando.

— Trouxemos isso pra você – a fada demoníaca, vulgo Alice, me entregou um recipiente plástico com alguma coisa lá dentro.

Olhei desconfiada para o recipiente, mas aceitei. Abri temerosa, vai que aquilo é a caixa de pandora. Minha vida já tem desgraça suficiente acontecendo. Antes fosse a tal caixa de pandora, eram alguns cupcakes queimados, com um chantilly duvidoso cobrindo-os e uma tentativa falha de 'me desculpe' escrito em cima, mas ficou um 'me dscue'.

— Nós que fizemos – Alice disse animada.

Poxa, se vocês não falam, eu não ia perceber isso nunca.

— Posso saber pra que? – perguntei sem tentar ofender ninguém.

Na verdade, esses cupcakes que me deixaram ofendidas.

— Queremos nos desculpas pelo dia do parque de diversões – Rosalie disse tímida – Não tínhamos intenção de fazer você se sentir constrangida, nunca foi nossa intenção rir de você e não rimos, caso pense isso.

— É, e fizemos os cookies como uma forma de mostrar que estamos arrependidas – Alice completou.

Olhei para a tentativa de sabe-se lá o que fizeram em minhas mãos.

— Cupcake – falei e elas me olharam confusas – Você disse cookies, mas isso são cupcakes – expliquei.

— É não bobinha, é cookie – Alice falou se aproximando de mim, mas Rosalie a puxou pela camisa fazendo com que ela ficasse no seu lugar – Nós olhamos a receita certa, é cookie, nós fizemos cookies.

Meu cu que isso são cookies.

— Prova, espero que goste – Rosalie incentivou.

Elas queriam mesmo que eu provasse isso? Então tá né?! Pra não fazer desfeita, provei o doce maldito e tive que reprimir a vontade de cuspir isso. Primeiro porque estava duro como uma rocha, segundo... tinha gosto de esgoto, terceiro... o que merda colocaram aqui? Pimenta?

— É cookies de mostarda – a loira falou e automaticamente eu cuspi o que tinha na boca.

Isso explica porque está apimentado e com esse gosto de bosta.

— A receita dizia pra fazer com gotas de chocolate, mas nós quisemos inovar e fizemos de mostarda – a baixinha dizia animada – Rose e eu não resistimos e comemos alguns, por isso o pedido de desculpas está incompleto – explicou.

— Está delicioso – menti.

— Falei que ela ia gostar – Rose comemorou – Mas enfim, Bella, queremos te convidar para uma noite das garotas que vou fazer em minha casa essa semana, o que acha de ir? Na verdade, vamos ser apenas eu, Alice e Nat – falou estalando os dedos aparentando estar nervosa.

Eu estava pronta pra recusar, mas daí lembrei de Edward falando que as duas tinham problemas para fazer amizades e por isso eram sempre apenas elas. Por um instante me senti mal em recusar, tá, elas não estavam sendo invasivas agora, na verdade, apesar do cupcake assassino com gosto de bosta, elas estavam sendo até bem simpáticas. Elas tinham um brilho de empolgação e expectativa no olhar e isso me fez sentir culpada em dizer não.

– Nós somos legais, eu juro – Alice disse ao perceber minha demora.

Merda. Não vou conseguir dizer não.

— Claro, vou adorar – mas eu tô muito mentirosa – Quando vai ser?

— Amanhã está bom pra você?

— Sim – concordei.

Se tudo der certo, Edward vai me obrigar a fazer hora extra e eu não vou precisar ir.

— Maravilha – Alice comemorou saltitando e batendo palminhas.

— Depois nós te passamos o endereço, vamos deixar você trabalhar. Bom dia, Bella – Rosalie disse com um sorriso educado.

— Tá bom Alice – falei ao ver a cara de cachorro amordaçado que a baixinha fazia – Pode ser você, mas mantenha sua cara longe da minha.

Os olhos dela brilharam de forma medonha e ela correu para sentar em minha mesa e ficar bem próxima de mim me abraçando.

— Aaaa Bellinha, que bom que você nos desculpou...

— Mas responde aí – a loira se empolgou também – Alguma chance de você e meu irmão terem dado pelo menos uns beijinhos nessa viagem? – olhei para as duas totalmente em choque

— Vocês me chamaram só pra arrancar informações de mim?

— Por que? – a loira sentou na cadeira a minha frente empurrando Alice do caminho para me olhar melhor – Tem informações para serem arrancadas? – arqueou a sobrancelha – Me diz que você fez meu irmão parar de balançar toddynho.

— Balançar toddynho? – repeti confusa.

— Sim, você sabe... – ela mexeu a mão imitando o movimento que se bate punheta e eu fiquei totalmente horrorizada – Emmett me contou que ele tava a pelo menos dois meses sem sexo. Me diga que você foi a salvadora do pintinho dele – eu estava completamente sem palavras para isso.

— Rose – Alice exclamou – Você é irmã dele, é estranho falar assim – graças a Deus alguém sensata – Então responde pra mim Bella, você fez o Ed parar de descabelar o palhaço?

Me enganei, nenhuma das duas é sensata. As duas são completamente loucas.

[...]

— Foi uma escolha justa, você viu Bella – Jane argumentou enquanto eu estava cabisbaixa lendo meu nome no papel – O destino quis assim.

— O destino quis me foder? – ironizei – Acho que isso é obra do Thanos e da filha da puta da Lilith... Esquece – falei quando ela me olhava sem entender.

— Fizemos um sorteio e seu nome foi sorteado. Agora vá e faça a pergunta mais temida do ano – Ang me empurrava em direção a minha sala, sala essa que antecedia a do meu chefe.

Todo ano, a empresa fazia um baile à fantasia anual no Halloween e neste baile, havia o tão famigerado "fantasma oculto", que é uma espécie de amigo oculto macabro que eu nunca entendi como funciona, mas sempre participo porque é divertido. Como já estamos no início de outubro, a organização deste já está sendo providenciada. O problema? Edward Cullen.

A questão é, todo ano, colocávamos os nomes dos funcionários que trabalhavam no mesmo andar que ele em uma caixa e fazíamos o sorteio do infeliz que ia perguntar se ele iria participar do baile. Ele nunca participa, mas por ser o CEO da empresa, somos obrigados a chamar ele e perguntar se ele participará. Claro que toda pessoa que é amaldiçoada e ir perguntar se poderemos contar com sua presença sai da sua sala chorando. Ano passado passamos longas duas horas consolando Mike Newton que chorou como um bezerro desmamado após ouvir alguns gritos do nosso 'querido chefe'. Esse ano, eu tive o azar de ser a sorteada.

Oi Lilith, estava demorando a aparecer amiga. Thanos tá e ajudando a foder comigo? Cadê a Sabrina daquela série pra aparecer e te por no seu lugar? Sua vadia descarada que joga baixo.

— Amiga é simples – Jess tentava me consolar – Entra lá, pergunta e tenta não chorar na frente dele.

— Se chorar é pior – Jane dizia com a feição cabisbaixa – Experiência própria.

— Coragem mulher – Ang incentivo – Agora vai, boa sorte.

As três se dissiparam como o vento e logo não tinha mais ninguém por perto. Era meio que um acordo comum entre nós ninguém ficar por perto na hora de ir perguntar ao demônio se ele participaria pois queríamos evitar de deixar o amiguinho constrangido em ouvirmos os gritos do chefe.

Ajeitei minha roupa, arrumei minha postura e com o coração a mil, bati na porá do meu chefe. Não que eu esperasse alguma resposta né, já que o filho da puta nunca se dignava a responder se podia ou não entrar e ele sempre deixava para que eu adivinhasse se poda ou não entrar. Contei até três e decidi entrar.

Era quase fim de tarde, já se passava das quatro da tarde e em breve eu estaria liberada já que até agora não fui comunicada sobre hora extra. Edward estava com os olhos fixos na tela do computador e usava fones de ouvido, ele não percebeu minha presença na sala e quando me aproxime, vi que ele olhava alguns tutoriais de maquiagem no youtube. Ai, não vai dizer que ele resolveu soltar a franga agora que eu achei um parceiro bom de sexo. Pelo amor de deus Lilith, não precisa me foder tanto.

— Senhor Cullen – o chamei, mas ele parecia bem concentrado na explicação da mulher do vídeo em como fazer um olho esfumado – Senhor Cullen – o chamei novamente, como não obtive resposta, toquei em seu ombro fazendo ele sobressaltar de susto.

— Mas que inferno Isabella – bradou irritado – Não sabe bater na merda da porta? Onde está sua educação?

Na ponta da minha mão, pronta pra dar na sua cara.

— Desculpe – falei controlando minha raiva que estava sempre presente quando eu entrava nessa maldita sala – Bati na porta, mas não obtive resposta, então...

— Então achou que podia entrar? – falou com a voz irônica – O que merda quer aqui? – ele pausou o vídeo que assistia, mas não parecia constrangido por ser pego assistindo a um tutorial da maquiagem.

Acho que esse é um momento ruim pra convidar o chefinho pra uma festa na qual ele sempre deixou evidente o seu desprezo em participar.

— Não ouviu o que eu disse? Que porra faz aqui? – sua voz estava cada vez mais irritada – Responda, Isabella.

— Bom, eu... eu...

— Se for gaguejar já pode se retirar e volta quando se recompor, de preferência nem volte. Agora saia.

Ele não é um amor gente?! Quer pra você? Então leva.

— Como o senhor sabe – comecei falando e ele se virou para me olhar, seu rosto estava com uma cara péssima e ele parecia estar bem irritado, mas não podia sacanear meus amiguinhos apenas por medo do lúcifer de olhos verdes – A empresa costuma ser bem festiva, então isso faz com que todo ano...

— Vá direto ao assunto – me cortou

— É que a empresa costuma fazer...

— SEJA DIRETA, ISABELLA – gritou irritado.

— VOCÊ VAI AO BAILE ANUAL DE HALLOWEEN? – no susto respondi no mesmo tom que ele, mas claro que meu grito era de puro pavor enquanto o dele era de pura raiva.

— O que? – perguntou sem entender – De novo essa porcaria de baile? Já não teve um ano passado?

Essa conversa nem prosseguiu por muito tempo e eu já estava mentalmente exausta. Me convidei para sentar na cadeira a sua frente e me afundei ali mesmo, recebendo um olhar bem crítico do meu patrão, mas eu fiz o que eu faço de melhor: fingi que não vi e que não era comigo.

— Todo ano fazem o baile, tem o 'fantasma oculto' e querem saber se você vai participar. Ninguém quer te chamar, mas chamam porque você é o CEO da empresa, então somos obrigados, esse ano eu fui a maldita sorteada pra vir aqui perguntar se você vai participar, então se você for gritar comigo, por favor não grite, apenas diga sim ou não – pedi quase em um sussurro.

Edward arrancou com força os fones do seu ouvido e os jogou com certa fúria em cima da mesa. Achei que ele fosse gritar agora, mas ao invés disso, apoiou os cotovelos na mesa e afundou o rosto nas mãos, as esfregando com força até seu rosto ficar vermelho.

Eu até iria perguntar se ele iria ou não participar, mas isso seria pra levar umas patadas de graça.

— Claro. Pode confirmar meu nome – falou por fim com a voz cansada.

— Certo, vou cancelar sua presença e... – parei ao perceber o que ele havia dito – O que? – perguntei surpresa.

— Está surda?

— Desculpe, e não estava esperando por isso – falei totalmente surpresa – Você vai mesmo participar?

— Sim. Alice e Rosalie já fizeram a cabeça da Nat em participar dessa maldita festa e ela está empolgada. Não contente, Esme e Carlisle decidiram que vem para esse baile – disse resignado – Eu estou sendo coagido a participar.

— Esme e Carlisle? – perguntei confusa – Eles não são os...

— Donos e fundadores da empresa? Sim – me olhou intensamente – Em carne e osso. Então vá e diga aos seus amiguinhos que os verdadeiros 'manda chuvas' da empresa estão a caminho vindo especialmente de Londres para essa festinha ridícula.

— Uau – falei animada – Nunca os vi.

— São meus pais Isabella – ah, até desanimei – Diga aos seus amigos e ao pessoal que está organizando essa festa que se ela não estiver muito mais do que perfeita, eu irei pessoalmente tomar satisfações. Pessoalmente— frisou a última parte, apenas assenti concordando – E hoje faremos hora extra, encomende algo para comermos e peça para Natalie também, não tenho com quem a deixar e ela virá para cá.

Não falei foi nada, apenas concordei e me retirei dali. Deus ajude a alma de quem vai organizar essa festa.

[...]

— Ei Bells – Nat entrou em minha sala me cumprimentando, mas seus olhos observavam atentamente o pandemônio que estava fora da calmaria desta sala – O que aconteceu aqui?

— Ah garotinha, aconteceu seu pai— falei a última parte em um sussurro, afinal de contas, a sala do demônio fica ali atrás – As pessoas tem muito medo dele e ele falou que se algumas coisas não estivessem do agrado dele, ele iria pessoalmente questionar isso – expliquei.

— Mas meu pai é tão amorzinho, ele me chama de boneca – Nat dizia inocente – Não tem como alguém que chama a filha de boneca ser malvado – olhei pra ela cm descrença. Coitada, que iludida. Ela começou a gargalhar – É mentira, se ele for falar com a pessoa a pessoa vai chorar pra sempre, meu pai é malvado com os outros sim – ela gargalhava.

Filha do demo, demononiazinha é.

— Bells – falou assim que ela se recompôs – Me desculpa por aquela foto, eu achei engraçado, mas depois meu pai explicou que não era engraçado.

— Seu pai fez o que?

— Ele conversou comigo e as tias de que o que fizemos no parque foi feio. Ele até confiscou meu celular, ele disse que tínhamos que pedir desculpa porque você ficou ofendida, ele até fez a tia Alice ler de novo o que o era espaço pessoal das pessoas – explicou se sentando na mesa a minha frente.

Fiquei um pouco sem reação com isso, como assim Edward falou para virem me pedir desculpas? Ele lembrou mesmo do que falei quando estávamos indo para a Finlândia? Que coisa mais...

— Tudo bem – falei um pouco aturdida e só então notei sua roupa – Ei, você é mesmo uma líder de torcida – falei ao notar seu uniforme vermelho e branco.

— Sim – levantou e rodou mostrando sua roupa – Papai que arrumou meu cabelo – ela se aproximou e sussurrou – Tá torto, mas eu fiquei com vergonha de dizer, ele se esforçou muito pra arrumar. Ele que vai fazer minha maquiagem pro jogo de sexta. Você vem assistir meu jogo? Vai ser meu primeiro jogo como líder de torcida, meu pai que vai fazer minha maquiagem, tô com medo, mas vou dizer que tá bonito porque ele está se esforçando – dizia animada.

Hum... então isso explica o porquê Edward estava vendo vídeos de maquiagem. Uau, por essa eu não esperava. Tá bom, ele como pessoa – não como chefe – ganhou uns pontinhos no meu conceito, ele é esforçado, merece um crédito.

— Se você está me chamando então eu vou sim –seus olhinhos verdes, idênticos aos do pai brilhavam de animação.

Nat estava tão fofa com seu uniforme e duas maria Chiquinha – tortas – no cabelo que foi impossível não puxar ela pra um abraço e não encher sua bochecha de beijos.

— Você tá muito fofinha pequena cria do diabo – dizia enquanto a enchia de beijos na bochecha e ela gargalhava tentando se afastar.

— Você tá me babando, que nojo – gargalhava.

Ela se viu livre de mim quando o telefone em minha mesa tocou e meu chefe solicitou minha presença em sua sala. Estava bom demais pra ser verdade.

[...]

Havia esquecido o quanto os três últimos meses do ano eram corridos e puxados com o fechamento do balanço geral da empresa. Ficamos até pouco depois das dez da noite trabalhando ou quase, já que Edward se dividia entre fazer o balanço geral da empresa e ajudar Nat no dever de casa. Nat já não havia aguentado e tinha capotado no sofá da sala de Edward e na hora de irmos embora, ele cuidadosamente a pegou no colo, isso fez a pirralha roncar alto e me arrancar uma gargalhada silenciosa.

— Não ria dela Isabella – Edward tentou soar sério, mas ele também estava rindo – Ela continua fofa.

— Como a peppa pig – brinquei

— Se ela grudar chiclete no seu cabelo, eu não vou poder te defender, fique ciente.

— Eu grudo no dela também – me defendi recebendo um olhar reprovador dele, mas eu convivo.

O ajudei abrindo a porta já que seus braços estavam ocupados pelo corpo – pelo visto desmaiado – de Natalie. Fui até a maldita máquina do ponto eletrônico registrar meu horário de saída. Edward que tem sorte de não precisar bater ponto, é um saco e essa máquina maldita nem sempre reconhece minha digital de primeira e eu tenho que ficar lá adulando a maldita pra poder registrar minha presença.

No estacionamento, também o ajudei a colocar Nat no banco de trás do carro de Edward, ele pelo visto anda com travesseiro e lençóis pra no caso de Nat dormir, ele a deixar 'confortável', segundo ele. Tá, ele ganhou mais um pontinho comigo, como eu disse, ele é esforçado.

— Você precisa mesmo arranjar uma babá pra ela – falei após deixarmos a pirralha de olhos verdes confortavelmente deitada – É cansativo pra ela ficar até tarde na empresa.

— Eu sei – ele falou visivelmente cansado – Mas eu ainda não consegui ninguém que eu confie, não quero a deixar nas mãos de qualquer pessoa. Alice e Rose me dão uma super força, mas ela tem a vida delas também.

— Entendo, você vai achar alguém senhor Cullen – falei amigavelmente.

— Acho que já passamos do horário de trabalho, já pode me chamar de Edward – disse com um sorriso torto no rosto que vou confessar, foi muito bonitinho de se ver.

— Mas ainda estamos na empresa, então contenha-se homem – ele apenas riu do que eu disse.

Contei alguma piada por acaso?

— Eu gostaria de passar um tempo com você agora, mas não posso a deixar sozinha – apontou com a cabeça na direção onde Nat estava – Então, você não gostaria de ir pra minha casa comigo?

A ideia é tentadora. Eu tive que pensar bem nos prós e contras de considerar isso como uma possibilidade, o dia foi cansativo, eu mereço mesmo um descanso...

— Não – falei ainda na dúvida – Amanhã eu trabalho cedo e não teríamos o que falar se Nat me visse por lá, vamos deixar para uma próxima oportunidade.

— Ela só ficaria empolgadinha, tem certeza que não quer ir comigo?

— Para de ser o diabo e me tentar – dei um tapa em seu braço o fazendo rir – Boa noite Edward, até amanhã.

— Até amanhã, Bella – respondeu educado.

Sorri pra ele, mas antes que eu pudesse ir para o meu carro, ele me segurou pelo pulso e para a minha total surpresa, me puxou para si colando seus lábios nos meus. De primeira, eu fiquei totalmente em choque, mas acabei correspondendo pois eu realmente gostava de como nossas bocas se encaixavam quando nos beijávamos.

— Não estamos mais no nosso horário de trabalho – murmurou contra meus lábios quando nossas bocas se separaram – Tenha uma boa noite, Bella – ele beijou minha testa antes de por fim me soltar.

Não respondi nada, apenas balancei a cabeça concordando, isso foi... inesperado. Voltei para o meu carro e fui direto pra casa, só percebi que eu sorria igual retardada quando senti os meus músculos faciais doloridos.

Estava sem fome, então ao chegar em casa, apenas me limitei a tomar um banho, vestir algo confortável e ir me deitar. Estava começando a me arrepender de não ter ido com Edward para a casa dele, estar aqui deitada sozinha não tem graça quando eu podia estar com alguém agora. Respirei fundo abraçando ainda mais o meu querido John de pelúcia que por sorte, não reclamou do meu aperto ao redor do seu pequeno corpinho peludo.

Peguei meu celular e vi que já eram quase meia noite, ponderei um pouco, que mal tem se o Edward tiver o meu número do whatsapp? Nós já concordamos em ter alguma coisa íntima mesmo, mal não faz né?! Vai que eu consigo um nude dele? Eu não ia reclamar.

Bella Swan

23:53 pm

"em todo caso, você também pode me encontrar neste número, por favor, não me faça me arrepender te ter te passado esse número"

Mastiguei minha unha nervosa. A mensagem tinha sido ridícula demais, mas eu não sabia o que mandar e eu realmente queria mandar uma mensagem. Me perguntei se eu devia ou não trocar minha foto do perfil que era uma que eu estava de biquíni, mas se eu for honesta, não tem nada aqui que ele já não tenha visto... ou colocado a boca, então dane-se, vou manter a foto, eu gosto dela e esse é um número pessoal e não de trabalho. Se ele achar ruim, ele que fure os olhos.

Edward Cullen

23:55 pm

"Não farei, mas fico feliz que tenha me passado esse número. Boa noite Bella, durma bem"

Respondi sua mensagem com um outro 'boa noite' e fui dormir abraçada a John. Talvez esse contrato entre nós não seja tão ruim como eu achei que pudesse ser.

-x-

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