Oiiiiii!!! Primeiro capítulo pronto pra vcs !!! Aproveitem e comentem!!!
Boa Leitura!!!
Capítulo 1
Isabella Swan estava estarrecida quando deixou o túmulo de sua mãe, sentindo o cheiro da terra úmida, que impregnava o ar quente da Grécia.
Renée Mansen tinha morrido aos 45 anos, e Bella não se abalara. Não sentiu raiva por uma vida ter terminado tão cedo, nenhuma dor pela perda da mãe, nem medo do futuro. Não sentiu nada, sequer alívio.
O tumulto que sua mãe provocava ao seu redor não era mais parte de sua vida. Entretanto, não se sentia livre, sentia apenas um torpor emocional diante da morte.
Caminhou sem direção, afastando-se do local onde fora sepultada aquela que tinha vivido com uma única meta: satisfação própria.
A cerimônia do funeral foi breve, e todos já haviam ido embora. Todos, menos um. Edward Cullen. Ele estava em silêncio absoluto, ao lado do túmulo de seu tio-avô.
Bella parou ao seu lado sem saber o que dizer, sem saber se deveria falar alguma coisa.
A família dele tinha desprezado sua mãe, e tal desdém era demonstrado por todas as pessoas que haviam estado com Bella hoje.
Não podia se sentir magoada quando percebia aqueles olhares que diziam: Era uma mãe egoísta que só pensava em seu próprio bem-estar.
Edward nunca permitira que sua aversão por Renée Mansen alterasse a maneira como tratava a filha dela. Sempre tinha sido bondoso com Bella, gentil e até protetor. Fora ele que convencera seu tio-avô a pagar os estudos universitários de Bella, mas a liberdade de Edward continuaria após a morte de seu tio amado?
Afinal, todos sabiam a razão da morte daquele senhor.
Ele havia se casado com a mulher errada.
Poderia ter morrido em inúmeras outras ocasiões, nos últimos seis anos. Entretanto, morreu num acidente de carro, dirigindo bêbado e terrivelmente tenso depois de outra discussão horrível com Renée, porque tinha encontrado, novamente, a esposa na cama com outro homem.
Eles haviam brigado na presença de outras pessoas e deixado a festa. Bella soubera que a mãe entrara no carro apenas porque Anthony ameaçara divorciar-se dela e deixá-la sem um centavo. Motivada por interesse próprio, Renée tinha partido da festa com ele, e ambos haviam morrido.
Então, o que Bella poderia dizer ao homem triste e magoado ali ao seu lado?
Não havia palavras para aplacar a dor dos últimos seis anos, dor que tinha culminado com a perda do homem que substituíra o pai de Edward desde que ele era menino. Entretanto, a vontade de dizer algo era muito forte.
Com mãos trêmulas, segurou as dele.
— Edward?
Edward Cullen sentiu os dedos pequenos tocarem os dele, percebeu que ela queria lhe dizer alguma coisa e lutou contra a vontade de voltar-se para a filha de Renée Mansen com toda a raiva que sentia da mulher morta.
— O que você quer, pethi mou? — A palavra carinhosa saiu naturalmente de sua boca, apesar de não estar sentindo nenhuma ternura, mas a mulher era tão pequena e frágil que seguiu o exemplo do tio, chamando-a pelo adjetivo carinhoso.
— Você vai sentir falta dele. — A voz suave abalou Edward profundamente, e ele pensou que não fosse suportar, mas manteve a compostura. — Sinto muito.
Ele a olhou, mas tudo que viu foram os cabelos castanhos, e notou que ela não o olhava.
— Eu também.
Os olhos castanhos de Bella se voltaram para ele.
— Anthony nunca deveria ter se casado com Renée.
— Mas o casamento mudou sua vida, não mudou?
Ela enrubesceu, mas assentiu.
— Para melhor. Não posso negar.
— E assim mesmo você preferiu aceitar um emprego nos Estados Unidos, somente vindo à Grécia poucas semanas a cada ano.
— Eu não me enquadrava no estilo de vida que eles levavam.
— Você tentou?
Ela arregalou os olhos castanhos diante do tom frio da voz dele.
— Eu não quis. Jamais gostei de conviver com o estilo de vida de Renée.
— Nunca tentou reduzir os efeitos do egoísmo de sua mãe na vida de um homem que fez tanto por você?
Ela afastou-se, soltando as mãos dele, como se queimassem.
— Você não pode viver a vida de outras pessoas.
— Verdade? — Em parte, ele sabia que ela estava certa. Edward não tinha sido capaz de fazer o tio-avô desistir do casamento desastroso, mas sua dor profunda não assimilava aquela morte.
— Você lucrou com o casamento. O mínimo que podia ter feito era tentar moderar o comportamento destrutivo de Renée.
— Eu não podia fazer nada. — Suas palavras eram firmes, mas o semblante revelava culpa, e Edward sabia que ela também se questionava se teria sido possível neutralizar os males que Renée havia provocado na vida de Anthony. — Não poderia — repetiu.
— Talvez você também não tenha desejado tentar. — Ele baixou o tom de voz numa sutil acusação e ela hesitou antes de responder.
— Desisti há muito tempo de tentar aceitar o estilo de vida de Renée — A voz de Bella soou com tanta emoção que ele teve vontade de beijar aqueles lábios sensuais, que revelavam uma linha de tristeza, embora fossem macios e brilhantes. Até os olhos marrons como chocolate refletiam uma doce paixão, em vez de um passado cheio de mágoas secretas.
Que coisa! Não havia lugar para aquele desejo inexplicável, devido à dor que estava sentindo.
Tinha um desejo enorme e apavorante todas as vezes que estava perto daquela mulher linda, mas tímida. Sua mente não entendia a contradição, o desdém que sentia pela mãe dela e o desejo por Bella.
Na verdade, deveria desprezá-la tanto quanto desprezava a mulher insensível e egoísta que a dera à luz.
Bella entrou no escritório aterrorizada. O local, uma espécie de biblioteca, tinha sido domínio privativo de Anthony Mansen e fora o único aposento que sua mãe não havia redecorado na imensa villa mediterrânea.
No passado, aquele lugar, com suas cadeiras estofadas em veludo vermelho e paredes de carvalho, tinha sido o espaço inesquecível de dois de seus momentos mais felizes: a noite que Anthony havia lhe contado que ela não precisaria mais frequentar as festas da mãe, a despeito das exigências de Renée, e o dia em que o padrasto informara a ela que a estava enviando para a universidade, na América.
Entretanto, hoje, tudo indicava que não seria um momento feliz.
Ela havia sido chamada para a leitura do testamento.
Desde sua conversa com Edward, junto ao túmulo, na véspera, tinha passado a maior parte do tempo naquele aposento. As famílias Cullen's e Manse's estavam na residência, e Bella não queria ser um bode expiatório para o luto e raiva deles. Ambos os sentimentos podiam até ser justificados, mas não fora ela quem destruíra a vida de Anthony Mansen.
A acusação de Edward, de que Bella deveria ter tentado melhorar o comportamento de Renée, era hilária, mas ela não tinha vontade de rir. Ele a responsabilizava pelos pecados da mãe, e aquilo doía mais do que imaginara.
O único homem no mundo que sempre desejara, o único em que tinha confiado o suficiente para nadar em sua companhia, ou conversarem sozinhos à noite numa sacada da velha villa, a odiava.
A morte de sua mãe não tinha resultado em angústia pessoal, mas na conscientização de que Edward estava fora de seu alcance para sempre.
Vinha pagando um preço alto por ser filha de Renée há 23 anos. Ainda tinha de ser assim, mesmo agora que a mãe estava morta?
— Srta. Swan, sente-se, por favor.
O advogado grisalho havia assessorado Anthony por décadas, e ainda mantinha certa aura de vitalidade que ela não podia deixar de admirar. A mesma vitalidade que Anthony possuía, antes de seu casamento com uma mulher 25 anos mais jovem.
Bella tentou não olhar para ninguém. Assim, dirigiu-se para o fundo do aposento, permanecendo junto a uma estante. Sentou-se, esfregando as mãos nervosamente na calça larga. A tendência atual de roupas apertadas, que exibem o corpo, não fazia parte de seu guarda-roupa, embora vivesse em Skin Central, na Califórnia.
Esme Cullen, mãe de Edward, entrou na pequena biblioteca e sentou-se ao lado do filho.
Embora as costas do homem poderoso estivessem voltadas para ela, Bella conseguiu vislumbrar a maneira solícita com que ele se dirigiu à mãe e depois voltou-se para o advogado, dando-lhe permissão para começar.
O testamento de Renée continha alguns detalhes inesperados. Ela havia deixado todos os seus pertences para o marido, exceto no caso de precedê-la na morte, então sua herança passaria para Bella.
A sequência do legado não a surpreendeu. Renée esperava que Anthony vivesse menos que Bella, e não teve dúvida em determinar aquela cláusula, como uma tentativa de fazê-lo acreditar que dava mais valor a ele do que à própria filha.
Contudo, o último desejo do testamento de Anthony Mansen foi, de alguma maneira, surpreendente. Embora tivesse deixado algumas coisas de valor sentimental para os membros da família e para Bella, a maior parte de sua fortuna fora deixada para Edward Cullen, incluindo a villa.
Anthony Mansen não tinha deixado nada para sua jovem esposa, nem mesmo instruções para Edward cuidar da viúva. Isso confirmou a suspeita de Bella que, evidentemente, Anthony tornara-se totalmente desencantado com o comportamento escandaloso da esposa.
O advogado depositou o documento sobre a mesa depois que acabou de lê-lo e fixou os olhos em Bella, o que também chamou a atenção dos demais.
Bella contorceu-se diante dos olhares.
— O médico legista foi incapaz de determinar qual dos ocupantes do carro morreu primeiro. — O advogado desviou o olhar para Edward. — Contudo, estou certo de que a família Cullen não se oporá a que você tome posse dos bens pessoais de sua mãe.
Edward meneou a cabeça numa leve negativa.
Bella não sentiu nada, certamente, não se sentia feliz em herdar qualquer bem resultante do deplorável estilo de vida da mãe.
A única coisa que teria satisfação em receber era um segredo que Renée tinha levado para o túmulo.
A identidade do pai de Bella, uma informação que a mãe havia se recusado a dar.
Edward levantou o olhar ao som de uma batida à porta, a qual foi aberta, mas Bella não entrou. Ficou na soleira, seu rosto sombreado pela luz do corredor, de modo que ele não podia ver-lhe a expressão.
Ele acenou impacientemente para que entrasse, uma vez que estava à espera dela. Pelo que sabia, a filha de Renée não compartilhava a avareza da mãe.
— Entre. Não fique de pé aí no hall.
Ela entrou na sala como se estivesse na mira do caçador.
— Não quero ser inoportuna, nem intrusa.
— Se eu quisesse privacidade, a porta estaria trancada.
— É claro. — Ela deu um suspiro profundo, evitando fitar-lhe os olhos. — Dispõe de um momento? Há algumas coisas que preciso discutir com você.
Ele assentiu, então se dirigiu a uma das cadeiras de veludo vermelho do aposento onde o testamento tinha sido lido na parte da manhã.
— Sente-se. Sei sobre o que quer falar e estou certo que poderemos chegar a um acordo amigável.
Ela recebera, com muita calma, naquele dia, a notícia de que não havia herdado nada.
Independentemente do motivo pelo qual Renée tivesse deixado a herança para o marido, Bella deveria estar seriamente decepcionada.
A pequena coleção de livros sobre a cultura helenística que Anthony tinha deixado para ela não passava de um presente sentimental, pelas noites que os dois haviam passado discutindo história grega. Mesmo que Bella vendesse os livros, não lhe renderiam grande coisa.
Talvez ela se revoltasse e quisesse vender as histórias sujas da mãe para a mídia, e Edward estava disposto a lhe oferecer todos os bens pessoais da mãe pelo seu silêncio.
Bella sentou-se na cadeira cujo enorme espaldar dava-lhe a aparência de uma criança. Ou, talvez, de uma fada. Crianças não possuíam curvas que povoavam os sonhos dos homens e atiçavam suas libidos. Ele sabia que Bella as tinha, mesmo que a calça larga e a blusa branca que estava usando não revelassem as formas de seu corpo, que já conhecia quando haviam nadado juntos na piscina do tio-avô.
Bella era tão recatada e convencional quanto a mãe tinha sido extravagante e corrupta. Pelo menos na superfície. E aquela inocência era verdadeira?
— Não me surpreende que você estivesse me esperando. — Bella deu um rápido sorriso. — Você sempre vê coisas que os outros tendem a ignorar.
— Certamente, mais do que meu tio viu quando olhou para sua mãe.
Uma máscara sem emoção surgiu nas feições de Bella, todos os vestígios de seu sorriso dissiparam-se como neblina.
— Sem dúvida — disse ela.
— E suponho que isso seja o que quer discutir comigo. Só podia ser o fato de que Anthony Mansen tivesse, finalmente, percebido como sua esposa era infiel e não deixado nada de valor no testamento, nem para ela nem para a filha.
— De certo modo, sim. — Ela sentou-se ereta na cadeira, então cruzou as pernas, uma sobre a outra. — Tenho de retornar logo para meu emprego.
— Sim?
— E há as coisas de minha mãe para levar.
— Gostaria de delegar essa tarefa aos empregados?
— Não. — Bella comprimiu os lábios em desaprovação à proposta. — Isso não seria direito, mas preciso saber o que você quer que eu faça com elas.
— Sem dúvida é uma decisão sua.
— Pensei em doar as roupas e as joias para uma instituição de caridade, mas percebi que havia a possibilidade de Anthony ter me deixado peças importantes da herança. Estou certa que você não aprovaria que elas fossem parar nas mãos de estranhos.
— E gostaria que eu as comprasse de você?
Os olhos dela arregalaram-se, e o desgosto em sua expressão, desta vez, foi intenso.
— Não seja ridículo. Simplesmente preciso que você tire alguns instantes para identificar quais das joias são peças tradicionais familiares. Se não tiver tempo, talvez sua mãe possa fazer isso. Quero garantir que sua família tome posse das peças importantes, antes que eu disponha delas.
— Você propõe me dar as joias de família?
— Sim. — Ela o olhou como se estivesse duvidando de sua inteligência.
Era uma nova experiência para ele, e Edward quase sorriu.
— Seria de grande ajuda se alguém examinasse comigo todas as coisas no quarto dela, para certificar-se que os objetos de valor sentimental sejam conservados antes que o pessoal da remoção chegue.
— Pessoal da remoção?
— Estive em contato com uma associação internacional dedicada ao bem-estar de crianças. Concordaram em tomar posse das coisas de Renée e vendê-las em leilão, para levantar fundos em prol da causa deles.
Vacilante com o rumo inesperado que a conversa tinha tomado, o cérebro de Edward levou vários segundos para assimilar a importância das palavras de Bella.
— Você não pretende conservar nada de sua mãe?
— Não. — A expressão impassível de Bella não deixava transparecer seus pensamentos.
— Mas só as roupas dela valem, facilmente, mais do que 100 mil dólares.
— Isto é uma notícia maravilhosa para a instituição de caridade.
— Mas não significa nada para você? — Ele se recusava a acreditar naquilo. Ninguém era tão desinteressado em finanças. — E o apartamento em Nova York? Planeja doá-lo à instituição de caridade?
— Ela possuía um apartamento em Nova York? — Bella parecia mais aborrecida do que feliz com aquela novidade.
— Não vai me dizer que quer doar o apartamento também.
— Não, é claro que não.
— Ah! Que bom!
— Se você tiver o documento redigido, assinarei em devolução ao espólio.
Edward levantou-se, fazendo com que a cadeira batesse na parede.
— Que espécie de jogo você está fazendo?
Bella empalideceu, mas empertigou-se, descruzou as pernas e também se levantou.
— Não estou fazendo qualquer espécie de jogo — disse ela com veemência. — Talvez você esteja certo sobre eu tentar colocar um freio no comportamento de Renée. Não tentei, e terei de viver com isso para o resto da vida, mas me recuso a lucrar com a situação. Simplesmente não quero nada. — O fervor na maneira dramática de Bella era a melhor performance que ele tinha visto, ou ela estava sendo totalmente sincera.
— Não há necessidade desse seu gesto — disse ele, irritado, percebendo que suas palavras, no dia anterior, tinham levado a esta conversa. — Mesmo não havendo dúvida que Renée manipulou meu tio para seu próprio benefício, tudo que ela consumiu custou pouco a ele financeiramente.
Ele citou algumas propriedades e carros que ela havia recebido de presente do marido nos seus seis longos anos de casamento.
Edward não queria receber nenhum deles. Tudo aquilo tinha sido o custo do casamento com uma mulher que havia ferido tanto Anthony como sua família.
— Então, seus advogados têm apenas de se certificar que todas as propriedades de valor sejam devolvidas ao espólio e os objetos menores doados à instituição de caridade.
— Meu tio não gostaria que você desistisse de sua herança em uma tentativa para apagar seu passado. Eu me recuso a deixá-la fazer isso.
Ela meneou a cabeça e sorriu, uma expressão de divertimento fazendo os olhos castanhos brilharem.
— Você está tão acostumado a ter as coisas à sua maneira que me espanta.
— Realmente? — Ele não tinha certeza se aquilo era uma crítica ou não.
— Sim. Você está seguro que pode decidir por mim. — A voz dela soava sardônica.
— E você acha isso divertido?
— Não realmente, mas parece que nunca lhe ocorreu que cabe a mim fazer o que quiser com os pertences de Renée. Se você se recusar a aceitar a reversão ao espólio, então doarei tudo para causas que valham a pena. — Sem aviso, o ar irônico desapareceu de sua expressão. — Não quero nada, absolutamente nada, de minha mãe.
— É muito tarde. Você carrega o gene dela. — As palavras cínicas saíram antes que ele as avaliasse, e Edward praguejou em grego enquanto o rosto de Bella empalidecia.
Ela levantou-se, um visível tremor no corpo, os olhos emitindo faíscas de raiva.
— Se você não tiver a documentação para eu assinar antes de deixar a Grécia, verei a disponibilidade dos bens de Renée quando voltar para a América.
Bella voltou-se e saiu da biblioteca, ignorando a exigência dele para que esperasse. Frustrado, Edward a observou partir.
Que coisa! Por que dissera aquilo?
Bella tinha ido à biblioteca para demonstrar, da maneira mais simples, que desprezava a influência dos valores e ações da mãe, entretanto, ele a insultara por ser filha de Renée.
Aquilo tinha sido injusto e, obviamente, dolorido para ela.
Ele não se recordava qual fora a última vez que havia se desculpado com uma mulher, mas estava certo de que precisava fazê-lo agora.
Bella sentou-se em frente de Esme Cullen e perguntou-se por que a outra mulher a convidara a juntar-se à família no jantar. Sentira-se desconfortável em pedir que outra refeição fosse servida no quarto, e ainda havia a mensagem de Edward. Tinha mandado um empregado informá-la que a esperava para compartilhar a refeição com a família.
Não querendo ofendê-lo, ela aceitara o convite. Por que se importava com o que o tirano pensava a seu respeito? Edward demonstrara que, a despeito da bondade de Bella no passado, a via como possuidora de sangue ruim, igual ao da mãe. Então, o que fazer se aquele era o único homem pelo qual já sentira atração física?
Suas fantasias de adolescente com ele, como o herói de seus sonhos, eram apenas tolices, e precisava tirar aquelas imagens da cabeça para sempre.
O que significava que deveria fazer o possível para que houvesse uma ruptura entre as famílias Cullen's e Mansen's.
Entretanto, pegou-se tentando introduzir a mãe de Edward na conversa.
Os olhos verdess da velha senhora eram tristes demais para o coração terno de Bella ignorar. Edward tinha saído da mesa para atender uma chamada telefônica internacional urgente, no início do jantar.
Seu irmão deixara a ilha, com o restante da família, depois que o testamento havia sido lido.
— Tenho apenas uma pequena varanda no meu apartamento na Califórnia, mas cultivo uma horta — disse Bella quando a salada verde foi servida.
A grande paixão de Esme era jardinagem e Bella agradeceu silenciosamente ter alguma coisa para dizer que não fosse relacionada à tragédia na família.
— Manjericão e hortelã se desenvolvem muito bem em vasos — replicou Esme, os olhos brilhando de interesse. — Nunca pensei que você gostasse de jardinagem. Renée ficava apavorada com a simples ideia de sujar as mãos.
— Minha mãe e eu tínhamos muito pouco em comum.
— Isso é uma infelicidade.
— Sim. — O que mais ela poderia dizer?
— Uma mãe e uma filha podem ter muita alegria em compartilhar a vida uma da outra. Minha própria mãe ensinou-me muitas coisas, a mais importante delas o amor pelas coisas da terra.
— Ela deve ter sido uma mulher muito especial.
— E era. Anthony e ela sempre estavam juntos. — A tristeza voltou a brilhar nos olhos de Esme.
— Você ensinou jardinagem a seus filhos? — Bella honestamente não podia imaginar Edward ou Emmett cuidando de plantas, mas esperou que o assunto afastasse Esme da dor.
A mulher mais velha sorriu com tolerância.
— Não. Aqueles dois estavam sempre muito ocupados para um hobby tão exigente. — Ela sacudiu a cabeça. — Tenho dois filhos maravilhosos, mas também gostaria de ter tido uma filha.
— Tenho certeza de que quando eles se casarem suas esposas realizarão seu sonho.
Pensar em Edward casado com uma garota grega lhe causou dor no coração, mas Bella ignorou. Tinha crescido acostumada a ignorar seus próprios sentimentos.
Mas Esme estava meneando a cabeça novamente.
— Quando meninos, eles eram ocupados demais para hobbies, e agora estão ocupados demais ganhando dinheiro para encontrar esposas. Edward já tem 30 anos e nunca namorou uma mulher por mais de algumas semanas.
— Estou certa de que quando a hora chegar… — A voz de Bella tremeu diante da expressão estranha nos olhos verdes da velha senhora.
Mas antes que pudesse questionar isso, Edward voltou à mesa.
Ele sentou-se à cabeceira e disse para Esme:
— Mamãe! Há uma coisa que eu gostaria que fizesse para Bella.
A matrona grega olhou para o filho com amor e aprovação.
— De que se trata, meu filho?
— Ela quer doar os pertences da mãe em leilão para uma instituição de caridade, mas não quer que nada de valor sentimental para a família seja vendido. — Ele olhou para Bella como se esperasse sua confirmação.
Então, ela assentiu.
— Está certo.
Os olhos de Esme expressaram surpresa.
— Quer que eu vá com você selecionar as coisas de sua mãe?
— Apenas as coisas no quarto dela. Coisas que lhe pertenceram e estejam em outros locais da casa, podem ficar na villa. — Bella já havia pensado nisso como o modo mais fácil de lidar com a situação.
— Mas, certamente, você vai querer as coisas que foram de sua mãe.
— Não.
— Tenho algumas coisas de minha mãe que me confortam quando penso nela.
— Ficarei mais satisfeita sabendo que tais pertences irão beneficiar crianças carentes.
A compreensão nos olhos de Esme foi suficiente para emocionar Bella.
— Entendo. Terei prazer em ajudá-la.
— Obrigada — replicou Bella com sinceridade.
A fragrância de madressilva misturada com o ar quente, carregado de sal, que vinha do mar, envolveu Bella. Incapaz de dormir, tinha ido até a praia, pensando que um passeio ajudaria a aquietar sua mente.
Mas não era sua mente que precisava de tranquilidade. Era seu corpo.
Ficar perto de Edward sempre lhe provocava essa sensação, tornando-a consciente de sua feminilidade. Depois do que lhe acontecera aos 16 anos, de alguma maneira o poderoso magnata fizera com que ela ficasse em guarda em relação a outros homens.
Edward Cullen não tinha interesse nela, nunca tomara conhecimento de sua existência, a não ser como a enteada de seu tio-avô.
Mas isso não a impedia de continuar fortemente atraída por ele, tanto física quanto emocionalmente.
— O que você está fazendo aqui, pethi mou?
Bella virou-se ao som da voz dele, o coração disparando violentamente. Deu um passo atrás, afastando-se daquele corpo másculo, enquanto as ondas do mar lamberam seus pés.
— Edward!
As mãos dele agarraram-lhe os ombros, impedindo sua queda na água.
— Você não sabia que eu estava aqui?
Ela meneou a cabeça silenciosamente.
Edward a puxou para a frente até que seus pés ficassem novamente sobre areia seca, mas não fez nenhum movimento para afastá-la de seu corpo.
— Não fiz nenhuma tentativa de disfarçar minha aproximação.
— Eu estava distante, refletindo — gaguejou ela, nervosa.
Os dedos de Edward eram fortes e quentes sobre o fino algodão das mangas de sua blusa, e o aroma, opressivamente másculo, dominou-lhe os sentidos. A lua cheia iluminava o suficiente para revelar o abdômen bem definido, sob a camiseta justa, e os músculos bem desenvolvidos do peito. O short colorido realçava as pernas, que pareciam mais de um atleta do que de um executivo como ele. Os pés estavam descalços, como os seus, e Bella não pôde deixar de notar que eram irresistíveis.
Por alguma razão, aquilo lhe pareceu muito familiar.
Uhhh... Esses dois! Apesar do Edward achar que a Bella é a cópia fiel da mãe Renée, o que vai fazer a Bella sofrer bastante! Então comentem muiiito e até o próximo!!!!
