Boa Leitura!!!

Capítulo 3

Bella tinha sofrido uma transformação enorme em muito pouco tempo.

Seus cabelos castanhos estavam puxados para o alto num arranjo solto, usava um vestido de seda verde que, além de combinar com a cor dos olhos, também delineava perfeitamente as curvas do corpo, as quais, alguns minutos antes, Edward sentira desejo de tocar. Nos lábios torneados, batom rosa cintilante. Estava linda e infinitamente desejável.

A expressão, contudo, era severa.

— Não tive a intenção de… — Edward interrompeu a frase, sem saber exatamente o que dizer, para tentar corrigir o mal-estar que suas palavras haviam causado.

Ela virou a cabeça, evitando-lhe o olhar, numa atitude que o ignorava completamente, como se o estivesse mandando para o inferno.

Esme meneou a cabeça para o filho com pesar.

— Desculpe-me, Bella, mas Emmett tem um compromisso importante, portanto, partiremos logo após o almoço.

Emmett olhou surpreso para a mãe, mas assentiu.

— É verdade, Bella, sinto muito.

— Eu poderia fazer as malas enquanto vocês almoçam — sugeriu Bella.

A sugestão enfureceu Edward e ele não sabia exatamente por quê.

— Certamente isso não é necessário. Conseguirei transporte para você amanhã cedo.

— Prefiro partir hoje — disse ela, sem se preocupar em olhá-lo.

— Você não tem motivo para temer ficar sozinha na villa comigo.

Bella finalmente voltou-se para ele, com desdém.

— Você já deixou isso muito claro.

— Venha, vamos almoçar, Bella — convidou Esme. — Não precisa fazer as malas apressadamente. Quando agimos dessa forma, quase sempre esquecemos de alguma coisa.

Bella suspirou, parecendo descontente, mas aceitando a sugestão.

— Você tem razão. Não voltarei mais à ilha. Portanto, não posso esquecer nada desta vez.

— Você sempre será bem-vinda aqui — disse Esme. — Afinal de contas, aqui foi seu lar por muitos anos.

— Mas agora é o lar de Edward, e eu não gostaria de incomodá-lo no futuro.

Emmett deu a volta na mesa, ficando em frente ao irmão, com o intuito de puxar a cadeira para que Bella pudesse sentar-se.

— Visitas da família nunca são um incômodo — murmurou ele, sorrindo maliciosamente para Edward.

— Você é muito gentil, mas não sou da família e realmente não voltarei à Grécia — replicou ela e lhe fez uma pergunta sobre seus negócios, mudando efetivamente de assunto.

Edward tinha a impressão de que se Bella realmente partisse, seria para sempre, e deveria ser assim. Ele não precisava da tentação que a filha de Renée Mansen lhe provocava, mas ouvi-la dizer aquelas palavras com tanta certeza, inexplicavelmente o deixou enfurecido.

Bella fez o possível para ignorar Edward durante o almoço, focalizando a atenção no irmão caçula e em Esme. Emmett era muito charmoso, flertava com ela e mantinha todos entretidos, contando histórias sobre uma visita a Creta.

Edward parecia furioso, mas ela não podia imaginar por quê. O que lhe importava se ela gostava de um flerte inocente com Emmett?

Edward tinha sido rude com Bella ao dizer que ela não valia sua afeição, fazendo-a se sentir uma tola, vestindo-se com elegância para o almoço, tentando enfeitar-se para ele. Um homem que a beijava insensatamente num minuto e, no seguinte, declarava com veemência que jamais teria qualquer espécie de sentimento por ela, era digno de pena.

Sentia-se uma tola.

Gostaria de poder partir com Emmett e a mãe, mas não era possível.

A velha senhora estava certa. Bella, sem dúvida, não desejava fazer as malas às pressas. Não gostaria de incomodar Edward, pedindo que lhe enviasse alguma coisa que tivesse esquecido.

Contudo, supôs que podia evitar Edward até a manhã seguinte, quando a lancha viria para levá-la a terra firme.

Horas mais tarde, Bella estava na praia tentando fazer exatamente isso: evitá-lo.

Enterrou os dedos na areia, aproveitando o calor do sol do fim da tarde. Era a primeira vez em três dias que realmente relaxava. Tinha passado o tempo desde o almoço fazendo as malas, checando o quarto que fora seu desde que tinha 17 anos.

E estava ainda repreendendo-se, porque quando encontrara uma caixa decorativa com lembranças não tinha sido capaz de jogá-la fora, e agora permanecia no canto de sua mala maior. Dentro da caixa havia fotos que acumulara durante anos, desde o casamento da mãe com Anthony. A maioria era de Edward. Algumas eram recortadas de jornais; outras eram fotos de reuniões da família antes de terminar a universidade. Havia uma única rosa amarela seca que Edward havia lhe dado no seu aniversário de 18 anos, e o medalhão de prata com suas iniciais gravadas que ganhara dele quando completara 21 anos.

Havia até mesmo uma abotoadura de ônix que Edward jogara na lixeira da biblioteca quando havia perdido a outra peça.

Bella a pegara do lixo e a guardara, com as outras lembranças.

Uma coisa boba e juvenil de se fazer, mas talvez compreensível para uma adolescente.

Então, por que agora, aos 23 anos, estava sentindo a necessidade de conservar a abotoadura?

Não sabia. Tudo que sabia era que tinha sido incapaz de jogá-la fora.

Edward havia usado o par de abotoaduras no aniversário de 18 anos de Bella, a única vez que haviam dançado juntos.

Ela se recusou a analisar aquilo profundamente, porque não era tão importante, assim como também não se incomodou com a grande rejeição horas atrás.

Bella bocejou e deitou de costas na areia, deixando os pensamentos vagarem. O silêncio a envolveu, enfatizando a diferença entre as praias californianas e esta, grega. Não havia barulho de vozes para perturbar sua solidão. Não tinha cavalos para alugar ou pranchas de surfe fincadas na areia. A ilha era particular e, apesar de, ao norte, existir um pequeno vilarejo, com outros moradores, nunca haviam tentado invadir a praia da villa dos Mansen.

Em breve, ela estaria deixando tudo aquilo para trás, para sempre.

Não retornaria à Grécia, não veria Edward novamente, nunca mais sentiria os raios de sol aquecerem sua pele na tranquila solidão, como naquele momento. Seu coração contraiu-se com os pensamentos.

— Sue informou-me que você pretende fazer um lanche no seu quarto em vez de juntar-se a mim para o jantar.

Ela abriu os olhos e avistou Edward em pé ao seu lado. As pernas bronzeadas dominavam sua linha de visão, e Bella teve de inclinar a cabeça para trás a fim de ver-lhe o rosto. Como na outra noite, ele estava de short e camisa polo branca, que contrastava com a pele bronzeada.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou ela.

— Obviamente, vim encontrá-la.

— Oh, por quê?

Ele franziu o rosto.

— É muito sacrifício compartilhar sua última refeição na Grécia comigo?

— Eu não poderia imaginar que você quer minha companhia.

— Não seja boba. Você é hóspede em minha casa.

E a hospitalidade grega ficava ofendida pela ideia que ela faria uma refeição solitária no quarto. Aquilo não tinha nada a ver com o desejo de Edward passar mais tempo ao seu lado.

— Não se preocupe comigo — disse ela, querendo fugir da possibilidade de uma noite a dois. — Não exijo entretenimento na minha última noite aqui.

Os olhos verdes de Edward percorreram todo o seu corpo deitado na areia, com uma expressão inescrutável, então ele sorriu.

— Talvez eu queira entretê-la.

Edward estava voltando a ser o bilionário grego e charmoso, mas Bella ainda sofria pelo que ele dissera sobre nunca poder amar a filha de Renée Mansen.

Ela levantou-se e sacudiu a areia da roupa.

— Não há necessidade. Estou cansada e pretendo dormir cedo para recuperar o sono da noite passada.

— Não pode estar pensando em ir para a cama agora. — Ele parecia horrorizado, pois era um homem que dormia apenas cinco horas por noite. — Está apenas começando a anoitecer.

— Não vou dormir exatamente neste minuto, mas também não vou ficar acordada para um jantar que é quase uma ceia europeia.

— Seu voo é na parte da manhã?

Por que Edward estava perguntando aquilo? Não deveria se importar se ela passaria ou não a última noite em sua companhia.

— Não sei — ela admitiu. — Eu não sabia quanto tempo levaria para pôr em ordem e selecionar as coisas de Renée, portanto não reservei antecipadamente meu voo de volta. Farei a reserva quando chegar a Atenas, amanhã.

— Qual é a pressa em partir, então?

Ela nunca tinha sido uma jogadora e não estava a fim de se tornar agora.

— Edward, você não me quer aqui e eu também não quero estar aqui. Estas razões são suficientes, mas há também o fato de que preciso voltar ao trabalho.

— Eu não disse que não a queria aqui.

Não, ele só dissera que não poderia amá-la.

— Sou filha de Renée e você detestava minha mãe.

— Detestava a indiferença dela por meu tio-avô, o modo como lhe tirou a dignidade.

— O que pode significar que quanto antes eu partir, mais feliz você ficará. Não pode esquecer que Renée e a filha jamais fizeram parte de sua família.

— Nunca me esquecerei disso. Anthony está morto porque Renée entrou na vida dele.

— Então, definitivamente, você não precisa de uma lembrança viva de sua dor. — Ela virou-se e começou a andar pela areia ainda quente, em direção à villa.

— Espere.

Bella o ignorou. Não havia mais nada a dizer. Ele agarrou-lhe a cintura com mãos fortes, impedindo-a de continuar.

— Que coisa, pedi que esperasse!

Ela virou-se para encará-lo, mas suas emoções estavam a ponto de explodir.

— Já deixei claro que não quero. Agora deixe-me ir.

— Desculpe-me.

— Não preciso de desculpas para a verdade, só preciso que você me deixe sozinha.

— Minha mãe me chamou a atenção e não gostei disso. Não estou orgulhoso por dizer algo que a machucou.

— De que você está falando?

Edward suspirou impaciente.

— Sabe muito bem que falo sobre o que você ouviu por acaso durante o almoço.

Ela vinha tentando evitar o assunto, mas agora aquilo tinha de ser esclarecido.

— Deixe-me repetir. Não se desculpe por falar a verdade. Isso pode ferir, mas é uma ferida que ficará curada mais depressa do que a dor gerada pela desonestidade.

Depois de uma vida inteira como filha de Renée, Bella sabia muito bem qual era a diferença.

Edward segurou-lhe o rosto numa atitude estranhamente protetora.

— E você ficou magoada ao ouvir que eu nunca poderia amá-la?

— Sim. — Ela prometera a si mesma, há muito tempo, ser tão honesta quanto possível. — Precisamos realmente discutir isso?

— Quero saber.

— Por quê? A fim de se regozijar? Precisa saber que sou tola o bastante para me importar com você, para que isso aumente seu ego? Ou talvez apenas por vingança, por minha negligência em relação a Anthony?

— Não é isso.

— Eu não o entendo, Edward. — Ela engoliu em seco. — Você me beijou no quarto de Renée, e, noites atrás, me agarrou e me beijou na praia. Quase fizemos amor, mas, depois de tudo isso, disse à sua mãe que jamais poderia me amar.

A mão dele deslizou pelo rosto e pescoço de Bella, e um dedo forte esfregou a pulsação rápida que encontrou.

— Sexo não é amor.

Ela retraiu-se pela dor física daquelas palavras.

— Não, não é — disse num sussurro.

Bella podia não ter experiência pessoal naquela área, mas era adulta o suficiente para saber que ele falava uma verdade irrefutável. Outra parte de honestidade que doía, porque as palavras confirmavam que o único sentimento que Edward tinha por ela limitava-se à atração física.

— Eu a quero.

— Não sou minha mãe. — Sexo não era apenas uma aventura para Bella, e ela detestava o fato de ele pensar que sexo só servia para satisfazer um desejo básico.

— Não, não é.

Ela afastou-se, não acreditando nele nem por um segundo. Edward dissera muitas coisas que o contradiziam nos últimos quatro dias.

— Preciso ir.

— Quero que passe a noite comigo.

Ela abriu a boca, mas não pôde dizer nada. Todas as palavras que falasse seriam como um golpe contra seu coração e sua esperança.

— Não.

— Não tive a intenção de dizer aquilo. — O rosto, dele estava marcado com linhas de frustração.

— Não quer passar a noite comigo? — perguntou Bella com sarcasmo ostensivo.

— Asseguro-lhe que quero, mas não tive a intenção de dizer aquilo à minha mãe.

— Vale realmente a pena comprometer sua integridade pessoal por sexo? — Ou talvez ele não considerasse errado mentir para a filha de Renée Mansen.

— Não é bem assim.

— Claro que é.

— Por favor, Bella.

Ela abriu a boca, atônita por ele ter lhe implorado.

— O que é, então?

— Meus sentimentos por você não podem ser menores somente porque é filha de uma mulher que trouxe sofrimento para minha família.

— É claro que podem. É a maneira grega. — Um conceito de vingança antiquíssimo.

— Não, a intensidade de meus sentimentos nada têm a ver com isso — reafirmou Edward, como se precisasse acreditar naquelas palavras. — Você tem algum sentimento por mim? — perguntou, tenso. — Jante comigo e passe a noite na minha companhia.

— E amanhã?

— Você não tem reservas para nenhum voo.

— Mas…

— Não precisa partir imediatamente.

— Eu…

Ele pressionou o dedo sobre os lábios de Bella.

— Psiu. Não pense. — Os olhos dele eram quentes como o sol. — O passado acabou, mas nós existimos no presente e quero explorar o que há entre nós.

Ela não podia mais negar que tinha sido capaz de esquecer todos os acontecimentos.

— Tudo bem.

O sorriso de Edward lhe tirou o fôlego, e então os lábios másculos terminaram o movimento quando ele a beijou com sensualidade.

Bella se aprontou para o jantar, usando um vestido que ganhara de Renée, mas que havia esquecido na Grécia quando fora para a América. O modelo de crepe preto era curto, um pouco acima dos joelhos, sem mangas e com um decote que, apesar de discreto, revelava a linha dos seios.

Ela se sentiria terrivelmente desconfortável se o tivesse usando com outro homem, mas Edward era diferente. Mesmo depois de tudo que acontecera desde o funeral, estava inclinada a aceitar o que ele sempre representaria para ela.

Esta era a razão pela qual estava querendo explorar aquele sentimento entre eles. Não somente pelo que havia ocorrido quando ela tinha 16 anos, mas porque o envolvimento emocional havia crescido através dos anos em que ficara afastada da Grécia e da ilha.

Quais eram as chances de que os sentimentos desaparecessem, mesmo se nunca mais o visse? Nenhuma. E, como continuava interessada nele, não conseguiria se apaixonar por mais ninguém.

Além disso, Edward confessara ter sentimentos por ela, e para uma pessoa como ele, tão orgulhoso e contido, aquilo era um grande avanço.

Bella tomou cuidados extras com a maquiagem e os cabelos, escovando-os até que ficassem sedosos, depois fez um coque clássico que acrescentou sofisticação ao traje.

Quando chegou à porta da sala de visitas, lembrou-se o quanto se sentira tola vestindo-se com elegância na hora do almoço, apenas para ouvi-lo dizer que nunca poderia amá-la. Talvez se vestir desse jeito agora também tivesse sido um erro. Deveria voltar ao quarto e mudar o traje, antes que ele a visse.

Edward a viu exatamente quando estava pronta para voltar ao quarto, e não havia engano no julgamento masculino evidenciado nos olhos dele. Ela sentiu-se derreter diante do calor de sua avaliação. Acenou para que ela se aproximasse, e Bella começou a andar como se conduzida por uma força invisível.

Quando o alcançou, ele inclinou a cabeça e beijou ambas as faces, colocando as mãos fortes sobre seus ombros nus.

— Você está muito bonita.

— Obrigada.

Ele também estava maravilhosamente bem vestido, num terno preto impecável que evidenciava a estrutura musculosa. Usava uma gravata, algo que raramente fazia para jantar em casa com a família, e Bella, sorrindo, percebeu que ele também havia se vestido com esmero.

Edward lhe ofereceu um drinque e, em seguida, Sue os chamou para jantar. Passaram a refeição conversando sobre amenidades.

— Então, por que você trabalha como contadora?

— E por que não? — gracejou ela, sorvendo sua taça de vinho, sentindo-se muito relaxada ao lado dele.

— Você costumava pintar.

— Continuo pintando.

— Então, por que não trabalha num emprego que enalteça sua criatividade?

— Gosto do meu emprego. Não exige demais e o ambiente é tranquilo.

— Um estúdio de artista não seria tranquilo também?

— Não sou tão boa como artista. Além do mais, é quase impossível ganhar a vida como artista. — Há muito tempo, Bella sabia que precisava uma fonte sólida de renda se quisesse ter uma vida diferente e independente da mãe.

— Anthony a teria sustentado.

Ela estremeceu só de pensar naquilo. Viver com Renée… O custo teria sido muito alto.

— Eu não quis ser sustentada. Queria viver por minha própria conta.

— Isso é louvável. — Havia algo no tom de voz de Edward que ela não entendeu.

— Obrigada. Realmente gosto do meu emprego. Números são confiáveis, não são intempestivos e não têm crises de mau humor.

— Você tem?

— De modo algum. Há somente lugar para uma atriz dramática numa família. Renée foi a da nossa. Sou muito bem-humorada. — Edward a olhou, como se adivinhasse coisas que ela mesma não sabia. — Pelo menos eu acho. Já me viu ter acessos de raiva? — acrescentou um pouco irritada pela pergunta dele. Não era uma discussão, já que havia sido visivelmente provocada.

— Não, mas também nunca a vi reagir com paixão antes daquela noite na praia.

— Não é a mesma coisa.

Ele se virou como se o assunto não importasse.

— Talvez não.

Porém, um pouco mais tarde, voltaram a conversar sobre o emprego de Bella.

— Você conhece muitos homens, trabalhando como contadores, no seu emprego? — perguntou ele.

— Não.

— Fico satisfeito.

— Por quê?

— Porque sou um homem possessivo.

— Mas eu não lhe pertenço.

— Tem certeza que não?

Bella tinha de ser honesta consigo mesma. Não poderia pertencer a um homem que nunca lhe pertenceria, portanto, ignorou a pergunta.

— Quanto tempo você vai ficar na ilha?

— Somente alguns dias mais. Tenho de voltar para Atenas.

— Sua empresa não sobrevive sem você?

— Emprego gente proficiente e habilitada, e não estou aqui desligado do que acontece por lá. Continuo a trabalhar remotamente, mas fazer isso por tempo indefinido não seria um bom negócio.

— Por que você ainda está aqui então? — Ela duvidava que ele estivesse cuidando pessoalmente da doação das roupas do tio-avô.

— Não pode imaginar?

— Trata-se da tradicional hospitalidade grega, imagino.

— Tenho mais razões do que uma simples necessidade de bancar o bom anfitrião.

— Já sei. Não quer que a filha de Renée vá embora com a prataria na sua ausência? — disse ela ironicamente. Ele não riu como Bella esperava, mas sacudiu a cabeça com expressão severa.

— Então, por quê?

— Você está aqui. Descobri que não posso partir enquanto você estiver aqui. — Ele não parecia muito feliz com o fato, mas, mesmo assim, suas palavras a tocaram profundamente.

— É uma compulsão — disse, satisfeita por não ser a única pessoa afetada por aquilo.

Ele franziu o cenho, mas os olhos brilharam.

— Sim, é.

Depois do jantar, Edward a levou para o terraço, onde música suave ecoava no ar abafado. Tomou-a nos braços.

— Dance comigo.

Bella não dançava com ele ou qualquer outro homem desde seu aniversário de 18 anos, mas era uma valsa, e os passos não eram complicados. As mãos de ambos estavam unidas, enquanto oscilavam vagarosamente ao ritmo sensual.

Ela deslizou as mãos para dentro do paletó dele, descansando-as contra o peito largo. Sua mente lhe dizia que tal movimento era desaconselhável e que talvez não conseguisse manter o equilíbrio de seus instintos. Era tão bom estar nos braços de Edward, e completamente irreal.

A lógica dizia que Edward Cullen poderia ter qualquer mulher que quisesse. Era maravilhoso, sexy e talvez cinco vezes mais rico que seu tio-avô havia sido. Típico bom partido, jamais ficaria inteiramente envolvido com Bella, independentemente do que sentisse por ela, pois era cauteloso demais.

E ela era filha de Renée Mansen.

Uma música seguia a outra, seus corpos estavam em completa sintonia, enquanto Bella se derretia de tanto prazer. Edward também estava excitado. Ela podia sentir a evidência contra seu estômago, enquanto as mãos grandes desciam cada vez mais para pressionar gentilmente seu traseiro.

A dança não passava de movimentos vagarosos, um corpo feminino e um masculino roçando com sensualidade. O rosto de Bella descansava contra o peito másculo e ela podia ouvir a batida forte do coração dele.

Bella moveu o rosto para cima e para baixo, adorando a textura macia dos pêlos por baixo do tecido liso da camisa.

Estava num estado de encantamento quando ele, inesperadamente, a afastou, com expressão pesarosa.

— Se eu não mandá-la para sua cama, acabarei me juntando a você. —

Ela oscilou, querendo que ele fizesse justamente aquilo. — Quando você for para a minha cama, tem de estar certa de querer estar lá.

Ele dissera quando, não se, mas ela não iria se importar com aquela arrogância. Estava pronta para ir agora. Mesmo sabendo que provavelmente fosse um suicídio emocional, somente o medo de desistir no último momento a impediu de dizer isso.

Edward permaneceu debaixo do chuveiro de água gelada e praguejou contra sua própria estupidez. Não sabia o que era mais difícil: ficar tão excitado sexualmente ou não se aproveitar da óbvia disposição de Bella.

Em primeiro lugar, por que tinha insistido que ela ficasse? Aquilo só podia ser compulsão.

Ela estava certa. Seu desejo por Isabella Swan era realmente uma compulsão que não podia ignorar. Ele a queria, e iria tê-la, mas aquele sentimento o deixava irritado, pois era mais do que desejo físico.

Com sexo podia lidar, mas para a emoção entre um homem e uma mulher não havia lugar em sua vida.

Uhh será? Comentemmm!!!bjim!!!