Desculpem a demora! Boa Leitura!!!
Capítulo 4
Os três dias seguintes foram um verdadeiro paraíso para Bella.
Edward e ela passavam as manhãs juntos, nadando e explorando a ilha.
Ele até mesmo a levou para pescar e riu quando ela se recusou colocar a isca no anzol, mas, mesmo assim, conseguiu pegar mais peixe do que ele. As tardes, a princípio, eram reservadas para o trabalho.
Então, jantavam juntos e passavam a maior parte da noite conversando, até irem cada um para seu quarto.
Eles evitavam o máximo falar sobre Renée e o tio-avô, o que significava que pretendiam ignorar o passado completamente. Isso também significava que Bella não contou sobre o que aconteceu a ela quando tinha 16 anos.
Bella estava em dúvida se deveria contar, porém, quanto mais tempo eles passavam juntos, mais se conscientizava de que não teria problema em se envolver numa intimidade sexual com ele. O que não queria, realmente, era falar sobre aquele episódio de sua vida. Portanto, não precisou fazer nenhum esforço para quebrar a barreira que Edward havia estabelecido em não discutir o passado.
Esme telefonou no primeiro dia, e após saber que Bella ainda estava na ilha insistiu em falar com ela. Depois disso, elas se falavam todas as tardes. Bella gostava realmente de suas conversas com a mãe de Edward.
Esme a tratava como uma amiga estimada, quase como um membro da família, e Bella apreciava isso.
Em determinado momento, teria de retornar ao trabalho, mas não conseguia imaginar-se deixando Edward e crescente relacionamento entre eles.
No quarto dia, Edward chegou para o café-da-manhã com uma expressão apreensiva nos olhos.
— Qual é o problema? — perguntou ela depois que ele inclinou-se para beijá-la na boca.
Ele a beijava com frequência, mas nunca a pressionava para algo mais, e embora Bella apreciasse sua atitude, não podia deixar de se questionar por que Edward agia desse modo.
— Tenho negócios em Atenas e preciso pegar um avião ainda hoje.
O coração dela comprimiu-se de tristeza.
— Entendo. Acho que será melhor fazer a reserva de meu voo para casa.
Os lábios dele delinearam certa austeridade.
— É isso que você quer?
— Devo voltar para a Califórnia. Não sei por quanto tempo eles irão manter minha vaga no emprego.
— Você esteve na Grécia apenas por uma semana. Certamente, uma morte na família em outro país justifica mais tempo afastada do que esse período tão curto.
— Não há motivo para minha permanência na ilha sozinha. Terminei tudo que precisava fazer aqui.
— Você poderia ir para Atenas comigo.
As palavras caíram como pedras no silêncio e ela o olhou, sentindo-se impotente. Edward a estava convidando para avançar mais um passo na relação deles.
Atenas significava a vida real, e ele queria levá-la.
Ele não disse mais nada, mas sua expressão era inflexível.
O lado racional de Bella dizia para ela ignorar a sedutora atração de tal convite e não aceitar, enquanto parte de seu sentimento estava intacto, mas o coração lhe dizia que já pertencia àquele homem poderoso e deveria ir em frente.
Bella sempre fora governada pela cabeça, tinha um estilo de vida muito diferente de qualquer coisa que lembrasse a mãe, mas continuava solitária também.
Desejava Edward desde que o conhecera, e a chance de fazer algo relacionado a isso estava em suas mãos naquele instante.
Seu coração gritava para que seguisse em frente ou essa porta poderia se fechar para sempre.
— Eu gostaria muito de ir — respondeu Bella.
O rosto dele abriu-se num sorriso, e ela retribuiu.
— Então farei os arranjos necessários.
O voo de helicóptero para Atenas foi rápido, sem chance de comunicação entre eles por causa do barulho das hélices, e Edward aproveitou para estudar os documentos de sua maleta executiva, pois estavam voltando para Atenas porque ele não tinha outra escolha, e isso significava que precisava se concentrar no problema em mãos, sem poder dar muita atenção a Bella.
Não se importava, pois só o fato de estar em sua companhia já era algo especial.
Quando chegaram a Atenas, o motorista particular da limusine deixou Edward em frente do edifício no qual ele trabalhava, depois levou Bella para um apartamento num elegante bairro.
O motorista desapareceu com a bagagem dela e uma mulher grega de meia-idade lhe ofereceu um refresco. Bella recusou, pois estava mais interessada em explorar o santuário de Edward do que qualquer outra coisa.
A governanta, então retornou suas tarefas domésticas.
A casa dele era grande e lindamente decorada. O quarto principal era maior que o apartamento inteiro de Bella na Califórnia. Havia uma área para o café-da-manhã tão grande quanto uma sala de jantar formal, uma saleta de lazer com uma enorme televisão de plasma, e um dos cantos do quarto era dedicado à leitura, com poltronas confortáveis e estantes de livros que iam do chão ao teto.
Toda a mobília em madeira nobre com tonalidade escura tinha um toque tradicional. O ambiente era decorado em tons neutros, que combinavam com a personalidade de um homem vibrante como Edward, o que a fez imaginar que o decorador conhecia seu cliente muito bem.
Tudo indicava que o decorador de Edward era um profissional do sexo masculino que preparara, com muito gosto, o ambiente para a reputação de Edward como namorador profissional, sem se comprometer com nenhuma das mulheres.
Os sentimentos possessivos de Bella não eram incomuns, e essa fora uma das razões por que tinha passado os últimos anos nos Estados Unidos. Vivendo longe da Grécia, não era forçada a ver Edward com outras mulheres.
Dirigiu-se para um outro quarto do corredor, pensando na loucura que fizera em ir para Atenas com um homem que tinha fobia por compromissos.
O quarto que entrou era de hóspedes, totalmente mobiliado, mas não havia sinal de sua bagagem.
O quarto seguinte tinha sido convertido em escritório, com computador, impressora, aparelho de fax e sistema telefônico com três linhas.
Enquanto vasculhava as acomodações, não conseguia parar de pensar em sua decisão de acompanhá-lo, em vez de voar para sua própria casa.
Havia tão pouca chance de um futuro para os dois! Na verdade, era praticamente inexistente. Contudo, seus sentimentos exigiam que não fugisse, mesmo que as chances de um futuro com Edward fossem menores do que ganhar na loteria da Califórnia, mas, de qualquer modo, amava-o, e não podia negar isso.
Não havia nenhum outro motivo que explicasse sua decisão de ficar na ilha e, depois, acompanhá-lo a Atenas, sabendo da ojeriza de Edward por relacionamentos longos.
Era terrivelmente irônico que tivesse se apaixonado pelo homem que deixava bem claro não querer se envolver com qualquer mulher da família Swan, devido ao comportamento de Renée.
Mas havia ganhadores de loteria, e talvez ela pudesse ser uma vencedora no amor, também.
Bella levou apenas alguns minutos para checar seus e-mails e verificar que havia muitas mensagens. Tantas, na verdade, que quase deletou uma, enviada por uma amiga de Renée.
Suspirando, clicou na mensagem, esperando palavras de pêsames pela sua perda recente.
Em vez disso, a mensagem era quase uma crítica séria sobre Anthony Mansen e sua ameaça de se divorciar de Renée. Foi somente então que Bella percebeu que o e-mail havia sido mandado no mesmo dia do acidente.
Ela não recebera tal mensagem antes de partir, e agora desejava tê-la mandado para a lixeira virtual.
Aparentemente, Anthony tinha ficado esgotado com o comportamento ultrajante da esposa e dito que pretendia divorciar-se, estabelecendo uma pequena remuneração mensal para seu sustento. Nada suficiente para impedir que Renée continuasse seu estilo de vida decadente.
A amiga de sua mãe acreditava que Bella deveria ir para a Grécia e ficar ao lado de Renée em sua hora de necessidade.
Era uma insinuação que lhe causava náuseas. A mera sugestão de ficar ao lado da mãe em tais circunstâncias era obscena.
Outra sugestão feita pela mulher, de que isso seria para o próprio interesse de Bella, era também repugnante, afinal de contas ela nunca considerara Anthony Mansen como uma galinha dos ovos de ouro e jamais exigiria qualquer quantia, por conta de Renée, de um homem que já tinha sofrido demais com o casamento.
O restante dos e-mails não era importante e Bella os leu rapidamente.
Depois, continuou sua sondagem. Ao longo do hall, encontrou o quarto de Edward, decorado com detalhes bem masculinos, e ela quase podia sentir a presença dele no meio da decoração marrom e bege. Passou diversos minutos apreciando a realidade de estar no interior do santuário, que seria de maior privacidade.
Encontrou suas malas no quarto seguinte, no final do corredor.
O mobiliário era totalmente feminino e decorado em tons de azul-claro e pêssego, o que fez Bella imaginar se aquele quarto fora projetado para o conforto das amantes.
Mas não podia imaginá-lo planejando ter mulheres como hóspedes, para passarem a noite, sem que fossem compartilhar sua cama. Talvez Edward tivesse decorado o quarto para as visitas da mãe, o que era muito mais condizente com seu caráter.
O fato de ter colocado as coisas dela naquele quarto de hóspedes indicava sua vontade de respeitar o direito de Bella escolher se e quando eles começariam um relacionamento físico. Ela gostou que Edeard não estivesse pensando que eles dormiriam juntos imediatamente. Contudo, sabia que se ficasse no apartamento, por qualquer período de tempo, não seria dormindo na cama de casal no quarto de hóspedes.
Edward esfregou os olhos e se recostou na cadeira diante de sua mesa de trabalho.
Tinha sido um dia longo, com diversas reuniões exaustivas. Os contatos de negócios chineses lhe haviam tomado quase metade do dia.
A vontade de voltar para seu apartamento e ver Bella era muito tentadora, mas forçou-se a verificar sua correspondência pessoal antes de sair. Havia poucas cartas, mas algumas datavam de uma semana, pois ele permanecera na ilha mais tempo do que planejara, em função do funeral do tio-avô.
Sabia exatamente qual a razão de tal demora, além da expectativa. Nada mais do que sua atração pela mulher complicada que o esperava em seu apartamento.
Ele ligou para Bella duas vezes naquela tarde, como um adolescente apaixonado, e ela o atendeu como se estivesse realmente alegre em ouvi-lo, e, provavelmente, estava se sentindo muito feliz.
Edward não tinha ninguém para culpar senão a si mesmo. Não deveria encorajá-la a pensar que o relacionamento deles poderia se aprofundar, uma vez que não estava pronto para um casamento, e confusão emocional estava fora de sua lista de prioridades, pelo menos até o próximo século.
Certa vez, havia chegado perto demais de se envolver com uma mulher muito semelhante a Renée Mansen, mas acordou a tempo, e com isso ganhou experiência, livrando-se de pagar pensão eterna por sua estupidez. Havia determinado, então, não amar mulher alguma na vida, e o casamento do tio reforçara essa decisão.
Definitivamente, não queria se casar, e estava certo de que não se apaixonaria.
Pegou uma carta que parecia com a caligrafia de Anthony. Deveria estar mais cansado do que pensava. O nome do remetente e o endereço estavam manchados, mas… Não, não podia ser, mas era.
A carta tinha sido escrita pelo tio-avô antes de sua morte, sem dúvida. O envelope era grosso e Edward hesitou em abri-lo. Não queria ler algo que aumentasse seus sentimentos ambivalentes com relação a Bella. Detestava qualquer espécie de confusão e aquilo parecia ser uma bomba que detonaria seus sentimentos por ela.
Mas era um homem, não uma freira assustada, portanto, rasgou o envelope marcado "confidencial" e retirou de dentro uma carta com diversas folhas. Meia hora depois, permaneceu, atônito, em silêncio, tentando digerir o que havia lido.
Seu tio tinha se conscientizado quanto à esposa mais jovem, porém tarde demais.
Anthony não somente reconhecia o horrível erro que cometera casando-se com Renée, mas havia escrito que estava preocupado com a esposa, que era uma mercenária. Se ela imaginasse que, com sua morte, pudesse obter algum benefício, ele sabia que não viveria muito tempo. Tinha, portanto, mudado seu testamento para deserdar a esposa completamente.
Admitir tal erro num julgamento, sem mencionar a necessidade de tomar tal atitude, teria sido devastador para o orgulho grego do velho homem, e ler as palavras deixou Edward fisicamente abalado.
Anthony tinha informado Renée da alteração no testamento, assim como sua intenção de divorciar-se. Não era de admirar que ela ficasse furiosa com a notícia. Uma vingança era naturalmente esperada, pois ela não tinha nada a perder. Percebendo isso, Anthony escrevera a carta para Edward, de modo que, no caso de ele morrer antes de obter o divórcio, o sobrinho saberia que Renée não teria nada a reclamar como a viúva da família Mansen.
Edward olhou para a carta, o estômago se contorcendo num nó.
Renée havia contado à filha que o homem mais velho pretendia expulsá-las de sua vida? Bella poderia ter ficado zangada e ajudado Renée a conspirar para obterem o maior acordo de divórcio possível?
Ele cerrou os dentes quando rejeitou o pensamento. Afinal, Bella não era nada parecida com a mãe e já demonstrara isso de inúmeras maneiras.
Sua mente racional lembrou-lhe que seu tio tinha sido enganado pela falsa impressão de inocência de Renée. Estaria sendo tolo do mesmo modo, lidando com uma mulher da família Swan? Anthony escrevera que se casara com Renée para protegê-la, e apenas mais tarde percebera o quanto o caráter da mulher era predador.
Ela o convencera que tivera uma experiência traumatizante com determinado homem e apelara para os instintos protetores de Anthony. Foi somente depois do casamento que ele percebeu que a esposa não era vítima e, sim, viciada em sexo, para não mencionar o álcool e outras drogas, o que piorava sua personalidade.
Mas Bella não era daquele jeito, pensou. Nunca bebia. Não flertava e não mentia. Dizia a verdade mesmo quando isso a constrangia. Desejava Edward, mas não fizera nenhuma tentativa de usar o sexo para manipulá-lo. Talvez fosse uma das poucas mulheres honestas que ele conhecia.
Conscientizar-se disso o deixou mais ansioso para chegar em casa e estar com ela.
— Que cheiro incrível é esse?
Bella afastou-se do fogão, onde tinha adicionado os temperos no último minuto a uma panela com frango ao molho curry, e foi ao encontro de Edward.
Ele segurou-lhe os braços antes que ela pudesse se mover, e inclinou a cabeça para roçar os lábios dela com os seus.
— Esta é a maneira que o homem gosta de ser recebido após um dia cansativo.
Então, Edward beijou-a vagarosamente, com afeição. Sentindo o delicioso aroma da loção após-barba masculina, Bella tremeu tanto que pensou que iria cair.
Aninhando-se ao corpo forte, segurou os ombros largos, feliz por poder tocá-lo e ser tocada por ele. Uma onda de desejo percorreu seu corpo.
Talvez Edward tivesse tomado um copo de licor de anis grego recentemente, pensou ela, sentindo o sabor da bebida enquanto a língua dele penetrava sua boca. Adorava o gosto, o aroma e o toque do corpo rígido contra o seu. Cada um de seus sentidos aguçava-se diante da presença daquele homem.
Enquanto a beijava, as mãos de Edward se moveram dos braços para as costas de Bella, pressionando seu corpo flexível contra sua ereção.
Algo zumbiu ao fundo, mas ela não podia pensar o que era e, honestamente, não se importava.
Contudo, Edward afastou-se, fazendo-a gemer em protesto, enquanto procurava-lhe a boca novamente.
Ele a beijou mais uma vez, firmemente, então se afastou.
— Alguma coisa está pronta, acho.
— O quê? — Ela não podia pensar em nada, e não queria olhar para mais nada além daquele rosto amado.
— Jantar, pethi mou. — Ele virou o rosto para o fogão. O curry, pensou ela, e imediatamente correu para o fogão.
Desligou o fogo e tirou do forno o pudim de caramelo que fizera como sobremesa. Felizmente, nada estava queimado.
— Pedi que minha governanta a informasse da minha intenção de jantarmos fora esta noite.
Aquilo era uma crítica por que ela havia decidido cozinhar?
— Você parecia tão cansado na última vez que lhe falei ao telefone que pensei que comermos aqui seria mais relaxante.
— Você não precisava cozinhar.
Ela se voltou para encará-lo, mordendo o lábio inferior.
— Sinto muito se desobedeci sua ordem, majestade.
Edward meneou a cabeça.
— Você não desobedeceu, mas me surpreendeu.
— Ótimo. Esta era a ideia — disse Bella, sorrindo. — Espero que goste de curry.
— Adoro.
Edward foi tomar um banho enquanto ela punha a comida na mesa.
Voltou de jeans e uma camiseta de algodão, parecendo um modelo de revista de moda masculina.
— Nunca tive uma mulher que cozinhasse para mim — disse ele, examinando as travessas com arroz, frango ao curry e vegetais grelhados com temperos diversos. — Não deixa de ser uma experiência nova.
— Boa ou má? — perguntou ela servindo a comida.
— Decididamente, boa. Isso me faz sentir mimado. — Ele estendeu a mão e tocou-lhe o braço com as pontas dos dedos, acariciando-o e fazendo-a se arrepiar de prazer. — Geralmente, sou eu quem paparica as mulheres.
Ela não gostou da lembrança de que ele tinha mais amigas de cama do que gravatas de seda, e isso a deixou insegura.
— Estou certa que outras mulheres da sua vida são sofisticadas demais para apreciar uma refeição em casa e depois um filme antigo na televisão.
Bella deveria parecer desajeitada e estranha, pois sabia que mulheres do mundo de Edward não executavam tarefas domésticas, portanto, por que ela deveria executá-las? Simplesmente porque gostava.
Quando ele ligara à tarde para dizer que não chegaria no horário esperado, parecera exausto. Bella tentara fazer algo para ajudá-lo, mas qual era o sentido?
Ele tinha uma governanta que podia cozinhar se quisesse comer em casa. Ela passara a tarde mais ocupada em melhorar a imagem do que se familiarizar com a cozinha.
— Então, essa é a oferta para mais tarde? — perguntou ele.
— O quê?
— Um filme na tevê.
— Se você gostar.
Ele riu e a tensão de Bella se dissipou.
— Eu gosto.
Edward provou um pedaço de frango, parecendo deliciar-se com o sabor, e ela sentiu-se extremamente lisonjeada.
— Você sabe que gosto de filmes clássicos? — murmurou ele minutos depois.
— Eu não sabia, mas fico contente que goste. — Ou ele estava apenas tentando ser gentil? — Olhe, não temos de assistir ao filme se não quiser. Essa cena deve parecer muito doméstica para você.
Edward tinha parado de comer e estava olhando-a. Bella parou o garfo no meio do caminho até a boca.
— O que foi?
— Gosto disso.
— Você gosta disso? — Ela realmente não estava compreendendo a conversa daquela noite.
— Gosto de ser paparicado. Gosto do fato de você ter feito tudo só para mim e gosto da ideia de passar algumas horas aconchegado ao seu lado, enquanto assistimos a um filme.
— Eu gostaria de fazer parte de seu mundo, Edward, mas isso não acontece.
Nunca tivera lugar no mundo de sua mãe, também. Não era do tipo rica e famosa.
— Não acabei de dizer que gosto de tudo isso? — Ele parecia confuso.
— Sim, mas você está simplesmente sendo amável.
— Estou sendo sincero. — Ele franziu o rosto. — Não estrague uma noite tão especial duvidando da minha sinceridade.
Bella ofegou.
— Especial?
— Sim, especial. Acredite ou não, seu esforço é muito especial para mim. Gosto disso — repetiu Edward.
— Estou feliz. Eu queria que você se sentisse mimado, mas não me ocorreu que poderíamos ter pedido a Eugenie para cozinhar, se quiséssemos ficar em casa.
— Mas você fez isso porque queria que eu relaxasse, porque se importa comigo. — Ela sorriu, agradecida pelo reconhecimento. — E a noite não terminou. Este jantar maravilhoso é apenas o começo.
Bella engoliu em seco diante do olhar malicioso que ele lhe lançou, o qual não parecia se referir ao filme.
Ela o amava, e se quisesse fazer amor com um homem, seria com Edward Cullen.
Bella lambeu os lábios secos e se esforçou para dizer o que precisava ser dito.
— Esta noite pode ser tão especial quanto você queira que seja.
Reconhecimento e desejo chamejaram nos olhos dele, antes que uma expressão de dor lhe cobrisse as feições.
— Eu a quero, mas não estou prometendo casamento.
A falta de tato com que as palavras foram ditas a magoou profundamente.
Edward estava lhe dizendo que apreciara a atitude dela naquela noite, provavelmente apreciaria ainda mais o uso de seu corpo, mas nada daquilo alterava a realidade entre os dois.
O relacionamento deles não tinha futuro.
— Nunca pensei que você prometeria. Como poderia? Sou filha de Renée, e a última coisa que sua família precisa é de uma lembrança constante da dor que ela causou a todos.
Edward ameaçou falar, mas ela se levantou num salto. Já tinham discutido o suficiente sobre o assunto.
— Deixe-me pegar a sobremesa.
— Bella!
Ela não se virou.
— Voltarei num instante.
— Eu não disse isso para magoá-la, mas não seria justo levá-la para minha cama sem estabelecer os termos.
— Claro — concordou ela, mas aquilo doía do mesmo jeito.
Bella desapareceu na cozinha, e Edward se sentiu frustrado. Poderia ter agido e lidado com o assunto de maneira mais adequada, sem feri-la?
Ele fizera a ida de Bella para sua cama parecer um encontro sexual insignificante entre duas pessoas. Não era nada daquilo. Não a amava, não podia casar-se com ela, mas a desejava com uma intensidade que nunca sentira por outra mulher.
Isso era o que deveria ter dito, não uma declaração grosseira, algo sobre não esperar uma proposta de casamento depois do ato sexual.
Quando Bella voltou com a sobremesa, não lhe deu oportunidade de retificar o erro, mantendo uma conversa animada sobre o filme a que iriam assistir, sobre como a governanta abrira mão de sua cozinha de boa vontade e o quanto Bella gostava da decoração do apartamento.
Mas, no momento em que se virou para sentar-se numa poltrona longe dele, que se acomodara no sofá, para assistirem ao filme, Edward estendeu o braço e a segurou.
— Você deveria aninhar-se ao meu lado, lembra-se? — Ela não respondeu. — Faz parte da noite especial que planejou.
Em vez de argumentar, como ele esperava, Bella apenas assentiu.
Ele a puxou para o sofá, antes de pegar o controle remoto da televisão.
A música de um filme antigo encheu a sala, e enquanto Edward a colocava numa posição reclinada ao seu lado, perguntava-se por que Bella estaria tão cordata. Afinal de contas, não estava feliz com o que ele havia lhe dito.
Bella ofegou quando fizeram contato corporal e ele colocou um braço em volta de sua cintura. Ela arregalou os olhos, surpresa.
— Isto se chama aconchego. — Ele a puxou o mais que pôde para si. Ao contato do corpo quente de Bella, Edward esqueceu-se de sua intenção de forçar um confronto e conformou-se com o que tinha no momento.
Talvez ela não se importasse pelo fato de que ele não estava planejando um final feliz para os dois, depois que fizessem amor. Talvez ele tivesse se enganado com relação à raiva de Bella.
— Deite a cabeça no meu ombro e relaxe — ele sussurrou.
Fazendo o que ele pedia, a mão de Bella pousou como uma borboleta tímida sobre o peito musculoso.
— Confortável? — perguntou ele, imaginando quanto tempo aquilo duraria antes que a tocasse.
Uhhh! Esses dois! E o Edward como sempre desconfiando da inocência da Bella!Ahh parei na melhor parte!kkkk Desculpem meninas pela demora mas estava sem cabeça pra adaptar, com tantas coisas acontecendo no Brasil e no mundo, não sei onde vcs vivem, mas por favor tomem muito cuidado ao sair de casa e se possível fiquem em casa! Eu moro no interior do Espírito Santo e graças a Deus aqui está bem tranquilo quanto a esse Corona vírus, mas se alguém vive nas área mais de risco, por favor fiquem em casa e se protejam! Fiquem com Deus e comentem se quiserem falar sobre onde vcs moram e como está aí! Prometo não demorar a postar e já que é pra ficar em casa vamos ler pra fugir dessa realidade tão triste e alarmante! Bjim!
