Boa Leitura!!!

Capítulo 6

— Você disse que me conhecia. Se conhecesse, saberia o quanto foi difícil a noite passada, depois do que me aconteceu quando eu era mais jovem.

— Essa farsa foi usada também por sua mãe. Pode ter funcionado com Anthony, mas não funcionará comigo.

Renée tinha fingido ter um trauma sexual no passado? Ela acreditaria em qualquer tramoia, pois havia tido uma vida inteira de joguinhos e mentiras. Todavia, o que não podia aceitar era que em tão pouco tempo Edward tivesse se transformado de um amante carinhoso e quente em um impiedoso estranho. Como tudo poderia, ter saído tão errado?

— A noite passada foi linda!

Alguma coisa brilhou nos olhos dele, mas Bella nem mesmo tentou entender o que era. Seu coração estava sendo despedaçado.

— Uma manipulação linda, você quer dizer, mas não sou meu tio e não serei enganado pela minha libido num relacionamento com uma meretriz, e, ainda por cima, mercenária.

Ela saiu da cama indignada, pois o último insulto tinha sido muito forte.

— Não ouse me xingar.

— A verdade dói?

— A verdade? O que você sabe sobre a verdade? Você está tão errado quanto Anthony nunca esteve. — Ele acreditava em mentiras sobre ela, mas mentiras que o próprio Edward havia criado. — Não sou como minha mãe, entreguei-me para você virgem, pelo amor de Deus!

Edward a olhou sem se convencer, mais parecendo uma estátua de mármore gelada.

— Sua virgindade era tão falsa quanto seu suposto amor.

Ela sacudiu a cabeça, incrédula com as palavras dele.

— Você não acredita que eu era virgem?

— Você foi pega nas suas próprias mentiras. Deu a entender que foi violentada, mas depois falou que era virgem. Violentada e virgem? Não dá para entender.

— Eu nunca tive uma relação sexual antes. — Foi tudo que Bella pôde dizer, pois não estava a fim de relembrar um momento tão doloroso de sua vida, não depois do que ele tinha dito.

— Você não sangrou.

E isso era prova incontestável de que ela tivera experiência sexual? Que não tinha sangrado?

Não, não tinha. Sangrara aos 16 anos, tanto que havia ficado horrorizada, pensando que morreria. Bella havia se recusado a levá-la para o pronto-socorro, dizendo-lhe para não ser um bebê chorão, que todas as mulheres sangravam quando seu hímen era rompido.

Ela estava sangrando novamente agora. Por dentro, onde não podia ver seu amor tendo uma hemorragia letal, e a dor era até mesmo pior do que tinha sido naquele dia horrível, tanto tempo atrás.

— Eu não exigi casamento. Entreguei-me a você livremente. Isso não conta? — Bella não estava nem mesmo tentando convencê-lo, apenas acentuando o óbvio.

— Você vendeu-se muito barato.

Cada palavra era como uma bofetada no rosto dela.

Se Edward pensava que o ato de fazer amor fora do casamento era algo impensado para ela, estava completamente errado. Bella nunca aceitara o estilo de vida da mãe como exemplo, e sempre almejara uma cerimônia de casamento, um vestido branco e um príncipe encantado, mas havia se entregado ao seu príncipe, sem tramoias, porque o amava muito.

E esperara que ele descobrisse seu amor como realmente era, e valorizasse a dádiva de seu coração.

Ela fora completamente tola e ingênua.

— Nada mais a dizer? — perguntou Edward, com um tom de voz que ela não reconheceu.

Bella simplesmente meneou a cabeça, recusando-se a olhá-lo novamente. Seu coração doía tanto que imaginou se poderia ter um infarto.

Edward permaneceu ali por diversos segundos, fitando-a, a tensão visível no semblante, mas finalmente virou-se e saiu do quarto.

Levou algum tempo para Bella se estabilizar das ofensas sofridas. Então, tirou o roupão que vestia, incapaz de suportar o toque em sua pele de qualquer coisa que pertencesse a ele. Saiu nua do quarto para o corredor e entrou no próprio quarto, fechando e trancando a porta.

Pelo canto dos olhos, viu um movimento, mas não se virou para ver quem era, não se importando se era um dos empregados ou se a tinham visto nua.

Nada mais importava.

O processo de aniquilamento emocional, que Renée começara tanto tempo atrás, tinha sido completado no quarto de Edward.

Bella fora uma tola em amar tal monstro.

O peso no peito dizia-lhe que jamais cometeria o mesmo erro novamente. Estava anestesiada contra a dor porque, em vez de tristeza, sentia entorpecimento. O que, de alguma maneira, lhe causava certa satisfação. Já tinha tido sua cota de dor.

Ao fazer a mala, pegou a caixa de lembranças que pegara no quarto da mãe e tirou de dentro uma concha da praia do dia que haviam saído para pescar. Encontrou também uma flor que Edward tinha colhido em um dos passeios deles, coisas simples que agora agrediam sua própria estupidez emocional. Fechou a caixa e jogou-a no cesto de lixo, depois ligou para a companhia aérea, fez uma reserva e chamou um táxi para levá-la ao aeroporto.

Trinta minutos depois, deixou o apartamento.

Bella ouviu a voz de Edward ao telefone através da porta, quando passou pelo escritório, mas não tinha desejo de parar e dizer "Adeus". Tudo já havia sido dito, e ela esperava nunca mais ver o cínico novamente.

— E como vai sua hóspede, filho?

Edward apertou com força o telefone ao ouvir a pergunta da mãe. A última vez que havia visto sua hóspede, ela parecia derrotada.

Ele tinha passado as últimas horas tentando tirá-la da mente, assim como a noite anterior, mas não havia funcionado. Os negócios da companhia não conseguiam afastar seus pensamentos de Bella, e a pergunta de sua mãe apenas lhe trazia tudo de volta à mente, com impressionante clareza.

Meu Deus, o que eu fiz?

Não havia resposta para o que fizera, mas Esme chamou seu nome ao telefone.

— Fale, mamãe.

— Perguntei como vai Bella.

— Não muito bem.

— Vocês discutiram? — perguntou a mãe dele, em tom de censura, deixando claro que, se houvera uma discussão, a culpa era de Edward.

— Bella é igual à mãe.

— Você não acredita nisso realmente, acredita?

As coisas na cabeça de Edward estavam confusas, e admitir que estava completamente errado era difícil até para si mesmo.

— Quais são as chances de ela ser diferente?

— Você é um tolo se a julga igual à mãe.

Ser chamado de tolo por Esme não era agradável, e Edward cerrou os dentes, frustrado.

— Você fala com tanta certeza! Diga-me por quê.

— Uma hora na companhia de Bella é o suficiente para mostrar que duas pessoas não podem ser mais diferentes. Você deixou seu preconceito abalar seu julgamento.

Ele tinha pensado nisso também, mas depois se convenceu que estava errado.

— Talvez você tenha permitido que sua compaixão abalasse seu julgamento — disse Edward.

O suspiro da mãe foi longo e cheio de desaprovação.

— Ela passou os últimos anos vivendo completamente independente de Renée. Não somente insistiu em viver num outro país, longe da influência da mãe, mas também parou de aceitar ajuda financeira de Anthony quando se formou na universidade. Se Bella fosse igual à mãe, não estaria na Grécia participando do estilo de vida decadente da mãe? No mínimo teria permitido que Anthony lhe desse uma mesada.

— Não sei se Anthony deixou de sustentá-la.

— Mas você mudava de assunto todas as vezes que o nome dela era mencionado nos últimos anos.

Edward a queria, e ouvir falar sobre Bella somente exacerbava sua dor.

— Ela mentiu para mim — disse ele na defensiva.

— Não acredito nisso.

Estimulado pelo tom de reprovação na voz da mãe, ele contou a verdade:

— Pois, acredite, Bella disse que era virgem, mas não era. Estava tentando me fazer cair numa armadilha, da mesma forma que Renée trapaceou Anthony.

O suspiro da mãe foi seguido de um gemido que revelava verdadeiro desgosto grego.

— E como você pode estar tão certo disso?

Acostumado à aprovação inquestionável dos pais, a insistência da mãe de que ele estava errado o deixou zangado.

— Como você acha?

Sua mãe falou uma palavra que Edward nunca a ouvira pronunciar antes.

— Não me diga que você a acusou dessas coisas depois de fazer amor com ela.

— Não serei enganado como meu tio — insistiu Edward.

— Não, você simplesmente está enganando a si mesmo. Oh, criança tola.

Apesar de não gostar de ser chamado de tolo ou de criança, aos 30 anos, ele não disse nada.

— Em que evidência você se baseou para concluir que ela não é virgem?

— Isso não é uma coisa que gostaria de discutir com você.

— Com quem vai discutir, então, senão com sua mãe? Se pode fazer uma acusação, pode também dizer-me o motivo da mesma.

— Bella não sangrou. — Mesmo a léguas de distância, Edward corou, constrangido em dizer aquilo à mãe.

— E daí?

— Daí que ela não era inocente como dizia. Eu não teria me importado, mas se Bella mentiu para mim sobre isso, mentiria sobre outras coisas também.

— E baseado nesse raciocínio você partiu-lhe o coração?

— Não parti o coração dela.

— Você não a rejeitou?

— Não fiz promessas, para início de conversa.

— E você diz que Bella é a mentirosa? — De repente, Esme começou um discurso sobre homens gregos tolos e teimosos. Informou-o que mesmo um homem das cavernas deveria perceber que nem todas as mulheres entram na maturidade com seu hímen intacto. A falta de sangue não era evidência em absoluto.

Sua mãe estava envergonhada por Edward tirar a inocência de Bella fora dos laços do casamento e, depois, culpá-la. Terminou dizendo-lhe que Edward mereceria se Bella nunca mais falasse com ele, e que ela, Esme Cullen, achava que o filho tinha sido um completo tolo. Se quisesse netos, teria de esperar que Emmett estivesse pronto para casar-se, porque não queria netos com genes tão cínicos e imprudentes.

Os ouvidos de Edward ainda zuniram por diversos minutos depois que a mãe desligou o telefone sem ao menos se despedir.

Sua mãe estava certa. Como ele podia ter se convencido daquelas coisas sobre Bella? Ela nunca deixara transparecer a menor tendência de ser semelhante à mãe. Entretanto, a maneira grega, ele a culpava pelos pecados de Renée.

Ele empalideceu quando se lembrou de todas as coisas horríveis que dissera a Bella, as acusações que havia feito. Edward a magoara, quando ela se entregara livremente, e a verdade estivera nos olhos encantadores de Bella para que visse como estava ferida.

Ele até mesmo se convencera de que fazer amor sem preservativo tinha sido culpa dela, quando, na verdade, a culpa fora toda sua. Afinal, era Edward quem tinha experiência, e em sua fúria em possuí-la não havia sequer pensado em sexo seguro.

As palavras de sua mãe não eram nada comparadas aos pensamentos que o castigavam agora.

Um abismo profundo abriu-se diante dele, escuro, frio e tenebroso. Se não pudesse desculpar-se com Bella, certamente cairia nele rapidamente.

Com essa apressada convicção, foi até o quarto de Bella procurá-la, mas, quando chegou estava vazio, não tinha sinal de suas coisas.

Edward sentiu um nó no estômago e sua respiração tornou-se ofegante quando abriu gavetas e armários, confirmando o que deduzira: ela tinha ido embora, e, o pior, sem deixar um bilhete sequer. Na sua procura, percebeu uma caixa decorativa no cesto de lixo, que parecia um pequeno cofre de lembranças, como a que sua mãe tinha, e onde guardava coisas que haviam pertencido ao pai.

O que aquilo estava fazendo no cesto de lixo de Bella? Ela a levara da ilha e era estranho que escolhesse aquele momento para jogá-la fora.

Edward pegou a caixa e abriu-a. No momento que seus olhos viram seu conteúdo, um sentimento de pavor o dominou. Literalmente, Bella o jogara fora de sua vida, juntamente com todas as lembranças que poderia ter dele. Memórias do começo do relacionamento deles lhe vieram à mente, tudo que testemunhava os sentimentos que Bella nutria por ele desde o princípio.

Sentimentos que ele ignorara.

Não, isso não era bem verdade. Havia notado a adoração ingênua de Bella por ele, e a incentivara porque ela o atraía como nenhuma outra mulher fora capaz, mesmo aos 17 anos de idade. Edward a desejara desde então, mas a inocência dela o amedrontava, assim como a timidez no meio de homens. Nunca havia ido à piscina quando os amigos da mãe estavam por perto, embora tivesse ido algumas vezes com ele.

Bella tinha evitado as festas de Renée quando vivia na ilha.

A tolice de suas convicções anteriores o atingiu novamente. Sua única desculpa era que estava ficando louco desde a morte do tio. Seu pesar pela perda de um homem que, além de ter sido a figura de pai, foi seu mentor de negócios, havia se intensificado pela morte desnecessária do velho homem, e sofrimento pelo que sua vida se transformara desde que se casara com Renée.

Adicionando isso à necessidade que sentia em não se apaixonar por Bella, uma necessidade que não podia mais controlar, o levara a agir de modo irracional.

Bella sentou-se na cadeira coberta de vinil do consultório, num misto de entorpecimento e estupefação.

A expressão impessoal do médico não lhe oferecia conforto diante da notícia tão devastadora.

Tinha ido ao médico para descobrir o que estava acontecendo com seus hormônios femininos e havia sido surpreendida pela descoberta.

— Esta não é uma condição incomum. Você ficaria surpresa se soubesse quantas pessoas com menos de 30 anos têm problemas cardíacos. Arritmia é o mais comum, e um dos mais suaves.

Suave? Ela não considerava suave o risco de derrame ou de um infarto, mas talvez aquela fosse a opinião dele. Não havia dúvida de que dr. Volturi, muito frequentemente, atendia pacientes em estados bem mais graves do que o de Bella.

— Tratamentos bem-sucedidos para hipertireoidismo podem fazer desaparecer sua arritmia.

— E se não for feito significa que meu coração está condenado? Isso não me parece tão suave assim.

O dr. Volturi assentiu, com a mesma expressão impassível.

— O risco é muito pequeno.

— Quão pequeno?

— Seu ecocardiograma revela que com um tratamento eficaz de seis semanas o risco de um infarto ou derrame é quase inexistente.

Bella suspirou.

— Então, como trataremos da minha tireoide?

Ela tinha 23 anos e era jovem demais para lidar com esse tipo de coisa.

Contudo, de acordo com o médico, hipertireoidismo era algo bastante comum.

— Você tem a opção de tratar isso com medicamentos, cirurgia ou radioterapia suave.

Bella indagou mais sobre as três opções e achou que a pior de todas seria cirurgia. O médico informou que uma terapia com medicamentos seria indolor e não provocaria efeitos colaterais.

— Contudo, você precisará se afastar de crianças pequenas e abster-se de abraçar qualquer pessoa por 72 horas depois de tomar a medicação.

— Entendo. — Um assunto que ela vinha tentando ignorar nos últimos dois meses não pôde ser evitado por mais tempo. — Que impacto esse tratamento poderia ter sobre uma gravidez?

— Há uma possibilidade de você estar grávida?

— Não sei. — O médico arregalou os olhos. — Minha menstruação atrasou uma semana — A voz de Bella vacilou, pois não podia dizer o que ela e Edward tinham feito. Deu um suspiro profundo e continuou — Bem, tive uma relação sexual e não menstruo há dois meses.

— Tem enjoo matinal?

— Não.

— Seus seios estão sensíveis?

— Um pouco, acho. — Ela não costumava tocar os seios, exceto para lavá-los, no chuveiro.

— Há uma porção de razões para interrupção de menstruação além de gravidez.

— Eu sei. Este foi o motivo pelo qual agendei uma consulta médica.

Bella, certamente, não havia esperado ir ao consultório e ficar sabendo que tinha um problema cardíaco por causa da tireoide.

— Gravidez impediria o uso de radioterapia para seu problema de tireoide. Se você tem tempo, poderemos fazer um teste de gravidez agora, antes de qualquer decisão.

— Sim.

Uma hora depois, Bella se sentou na mesma cadeira de vinil, sentindo-se como se seu mundo tivesse desmoronado.

— Estou grávida há dez semanas?

— Correto. Precisamos discutir as opções.

— Sim. — A atenção de Bella não estava focalizada no médico.

Pelos mesmos dois meses e meio em que o bebê vinha crescendo em seu interior ela havia se fechado emocionalmente, vivendo num casulo isolado, no qual nenhuma outra pessoa tivera permissão para entrar.

De repente, outro ser vivo estava em seu casulo. Iria ter o bebê, e aquela criança estaria dentro de seus mecanismos de defesa para o resto da vida.

— O pai do bebê está informado?

— Não. — Uma imagem de Edward tentou formar-se na, sua cabeça e uma porta mental se fechou. — Ele não está mais na minha vida.

— Dois meses não é um tempo longo demais para se considerar um aborto — disse o dr. Volturi, sem um pingo de emoção.

Bella sentiu uma proteção feroz pela pequena vida crescendo dentro de seu corpo.

— Esta não é uma opção.

O médico continuou na sua impassibilidade.

— Você deveria pelo menos considerar isso.

— Não!

— Acho que você não considerou todos os aspectos de sua situação. Se não tratar de seu hipertireoidismo, sua arritmia cardíaca vai continuar, colocando-a em risco tanto para um infarto quanto para um derrame. A medicação que poderia curar sua arritmia pode, também, ter efeitos colaterais adversos à gravidez.

— Neste caso, não tomarei os remédios.

— O que a deixa com duas opções médicas potencialmente sérias, sem um tratamento pelos próximos sete meses.

— Não há qualquer tratamento satisfatório que seja seguro para a gravidez?

— Você poderia tentar betabloqueadores, mas um tratamento com medicações mais agressivas iria lhe proporcionar maior chance de recuperação total. Além disso, o tratamento com betabloqueadores também não é completamente sem risco.

Bella disse ao médico que consideraria as alternativas e agradeceu o tempo dispensado, mas foi para casa determinada a não retornar ao dr. Volturi, pois qualquer pessoa que pensasse que matar um bebê fosse a resposta para seus problemas de saúde era louca.

Até aquela consulta médica, Bella nem mesmo sabia sobre ter arritmia e hipertireoidismo, portanto nenhum dos dois problemas podia ser assim tão grave.

Fez o possível para se alimentar de maneira saudável, tanto para seu coração como para o bebê, e estabeleceu um ritmo diário de exercícios leves, treinando numa academia para mulheres. Essa parte foi fácil. Procurou uma obstetra e começou a tomar suplementos pré-natais. Sentia-se fisicamente melhor do que em qualquer outro período de sua vida, e deixando de lado a preocupação com a saúde, Bella não mencionou seus problemas cardíacos para a médica.

Se ainda sentia falta de Edward nas horas tardias, recusava-se a ter qualquer tipo de sentimento à luz do dia.

Sua atitude de complacência em relação à sua condição cardiológica durou até que acordou numa ambulância, a caminho de um pronto-socorro, depois de desmaiar no trabalho.

Estava em condições de ir para casa poucas horas depois, mas a realidade de sua condição física não poderia mais ser desprezada.

Bella precisava estar segura que o bebê seria bem cuidado se alguma coisa lhe acontecesse.

A vontade de ligar para Edward vinha crescendo diariamente nas duas semanas desde a descoberta da gravidez. Não o amava mais. Como poderia, depois de tudo que ele lhe dissera? Contudo, não permitiria que o filho fosse privado do pai, como ela mesma tinha sido.

Não importava se Edward pensasse que ela era a reencarnação de Renée, ou mesmo se visse a gravidez como uma outra armadilha. Ela não estava tentando ludibriá-lo, e mais cedo ou mais tarde ele saberia isso. Edward amava a família, e se aceitasse que o bebê era seu, amaria o filho também.

Ela ligou para o escritório de Edward no dia seguinte.

A secretária se ofereceu para anotar um recado, porque ele estava em reunião.

Quando Bella deu o nome à secretária, a mulher exclamou:

— Isabella Swan? — como se quase não pudesse acreditar no que ouvia.

— Sim, mas diga-lhe para retornar a ligação para meu trabalho e mandar chamar por Isabella Newman.

— Por favor, aguarde um momento. — A secretária parecia muito agitada. — Colocarei Kyrios Cullen na linha para você diretamente.

— Oh, não, isso não é necessário. Ele pode me ligar depois.

— Tenho instruções muito claras, sra. Newman.

Que instruções? Bella teria pensado que Edward diria à secretária para recusar qualquer chamada telefônica sua, não interrompê-lo numa reunião importante. Ainda estava intrigada quando a voz profunda dele surgiu na linha.

— Bella? — A voz dele era impessoal.

— Sim?

— Isabella Newman agora? — perguntou ele com inflexão muito estranha na voz.

— Sim.

— Eu estou…

Ele silenciou por tanto tempo que ela chegou a pensar que a linha tivesse caído.

— Edward?

— Sim. Acredito que você merece os parabéns.

Se ele congratulasse sempre as pessoas naquele tom de voz, não teria muitos amigos.

— Por quê? — De modo algum ele podia saber sobre o bebê…?

— Seu casamento.

— Você está louco? Não estou casada.

— Não está?

— Não.

Seria possível que Edward acreditava que ela sairia de uma relação com ele para envolver-se com outro homem e se casar, assim tão rápido? Talvez, pois ele a considerava uma mulher de moral baixa, para não dizer uma meretriz, e, ainda por cima, mentirosa.

— Então, o que significa Isabella Newman? — A voz dele revelava raiva, deixando-a confusa.

Mas ela tinha se esquecido que Edward não sabia sobre a mudança de seu sobrenome. Ela contou sobre o assunto, então.

— Certo. Por que você me ligou, agape mou? — disse ele em grego.

A conexão deveria estar péssima. Ela podia jurar que ele a chamara de "meu amor", mas isso não era possível.

— Há uma coisa que preciso lhe contar. Duas, na verdade.

— Conte-me, então.

— Estou grávida. Sei que não vai acreditar que o bebê é seu até que façamos testes de DNA, mas estou querendo fazê-lo. — Ela havia tomado essa decisão simplesmente pelo bem-estar do bebê. Novamente, um silêncio sepulcral. — Edward?

— Estou aqui.

— Diga alguma coisa.

— Não sei o que dizer. — Então, finalmente, ele falou, numa voz atônita: — Você está grávida e me ligou. Agradeço a Deus por isso. Você não tem muitos motivos para confiar em mim.

— Eu não confio em você. — Como ela seria tão tola em confiar, depois da maneira como ele a rejeitara?

— Todavia, você me ligou.

— Não tive outra escolha.

— Porque está grávida.

— Porque há complicações. Tenho de saber que meu bebê vai ficar bem.

— O que está dizendo? Que tipo de complicação? — O sotaque grego era carregado. — Você corre risco?

— De certo modo, sim. — E ela explicou o que o médico tinha dito, mas omitiu sua ida recente ao pronto-socorro.

Ele fez perguntas detalhadas, incluindo o nome da obstetra e algumas que ela não soube responder, sentindo-se até constrangida, mas em nenhum momento Edward a acusou de ser negligente com a saúde do bebê.

Quando ela contou-lhe sobre a recomendação do dr. Volturi para um aborto, ele praguejou tanto em grego como em inglês. Ela não soube se era porque o médico havia sugerido aquilo ou porque Bella se recusara a aceitar a sugestão.

— Dê-me seus dados para contato. — A ordem abrupta a espantou. Mesmo assustada por ele exigir tanto o endereço de sua casa como o do trabalho, Bella lhe deu os detalhes. — E, agora, você está bem?

— Estou ótima.

— Entrarei em contato mais tarde — disse ele, de modo sucinto, e desligou o telefone.

Eaiiiii!!! Meninas que capítulo em?! Vou explicar algumas coisas: primeiro, a Bella disse que era virgem, e era, ela só sofreu uma violência sexual na adolescência, nós próximos capítulos ela vai explicar, continuando, ela nunca teve relações sexuais, só com o tonto do Edward que fez o favor de não acreditar nela, já que nem todas as mulheres sangram na primeira relação sexual, como Esme explicou pra ele. Segundo: ela está grávida e com arritmia cardíaca, eis que o nosso querido Edward volta, maaasss ela não vai facilitar as coisas para ele, ele vai ter que se esforçar muito pra conquistar ela novamente! Nossa falei demais! Kkkkk só explicando pra vcs ! Até o próximo capítulo! Bjim