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O Aventureiro Atari
Dia 2
- PARTE UM -
Falcão Negro
Quando Satoshi entrou no Salão da Guilda de Aventureiros na manhã do dia seguinte, não pôde deixar de notar que o local se silenciou com sua presença. Conforme caminhava em direção ao mesmo balcão de ontem, ele ouvia os sussurros dos aventureiros e do staff.
Nos sussurros que ouvia as pessoas geralmente se referiam a ele com os títulos de "Convocador Negro" e "Convocador de Lichs".
Uhm, parece que a exibição de ontem impressionou os veteranos...
No dia anterior um desconfiado Mestre da Guilda, Pluton Ainzack, o tinha testado para ver se ele realmente podia lançar magias de 4º Nível. Ele então foi conduzido a uma sala de treinamento para provar sua alegação e diante de uma boa plateia convocou com [Summon Undead IV] um Elder Lich.
Eles ficaram tão impressionados! Mesmo sendo apenas o tipo mais fraco de Elder Lich, um Red Counterfeiters…
Ele lembrou da face assustada que os presentes fizeram quando o morto-vivo apareceu. Muitos aventureiros chegaram a sacar armas para combater a criatura recém-surgida. Não fosse por eles terem sido pacificados pelo Mestre da Guilda talvez o mal-entendido terminasse em luta.
"Bom dia, Catelina-san. Eu vim hoje a pedido do Mestre da Guilda..."
"Ah! Atari-sama! Pluton-sama já está à sua espera, por favor, me acompanhe..."
A jovem atendente loira disse com um sorriso bonito e uma postura solícita. A atitude dela para com ele havia mudado 180º desde a demonstração de ontem.
Satoshi tinha adotado o nome-disfarce de Atari, um viajante de um país distante que quer se tornar um Aventureiro nesta cidade.
Reparei só agora, mas essa mulher é bem formosa, não?
Enquanto a seguia subindo lance após lance de escada, Satoshi não pôde deixar de notar os dotes femininos na linha de visão dele.
Uma pena que seu uniforme seja tão conservador…
Seguir esta dama com uma saia-curta nesta escadaria teria sido o melhor.
Ops, estranho eu pensar assim... normalmente sou mais respeitoso.
Satoshi estranhamente vinha reparando muito nas mulheres desta cidade, de volta na Terra ele era muito menos consciente destas coisas, ao ponto de ser apelidado de 'eunuco' no colégio.
Ele considerou que isso talvez tivesse a ver com seu novo corpo cujos sentidos o deixava mais consciente dos arredores.
"Catelina-san, os membros da Falcão Negro já deram as caras?"
"Sim, Atari-sama! Pluton-sama está com eles à sua espera neste exato momento..."
Quando chegaram no terceiro andar, Satoshi esperou do lado de fora de uma das salas de reunião da guilda enquanto Catelina entrava para falar com o Mestre da Guilda, Pluton Ainzack.
Depois de pouco tempo, ele foi autorizado a entrar ao mesmo tempo que Catelina saia.
Naquela sala, cinco pessoas estavam ao redor de uma mesa. Tão logo Satoshi entrou a atenção daquelas pessoas se centrou nele.
A pessoa que o cumprimentou primeiro já era conhecida por ele. Foi Pluton Ainzach, o Mestre da Guilda de Aventureiros nesta cidade.
Pluton era um bem constituído homem no meio dos 40 com um bigode e cabelo que se destacavam.
"Ah! Aqui está nosso novo aventureiro… gostou da noite em nossa cidade Atari-dono?"
"Sim, Pluton-dono foi uma noite… recompensadora."
Satoshi disse com um sorriso.
Consegui pilhar um grupo de bandidos e tenho até moedas de ouro agora...
Ontem um Satoshi mascarado tinha vasculhado a cidade até o amanhecer em busca de recursos. Ele encontrou um grande grupo de bandidos que vendiam drogas em um prédio decrépito, bateu neles até estar satisfeito e os roubou.
"Hehe… então você foi nos locais que recomendei!"
No dia anterior enquanto conversava com o Mestre da Guilda, aquele homem tinha recomendado a Satoshi dois bordéis no pequeno distrito da luz vermelha da cidade para dormir com putas.
Obviamente Satoshi não foi naqueles lugares, na realidade ele sequer entendeu porque Pluton recomendou bordéis ontem para ele, afinal, Satoshi era uma pessoa que Pluton tinha acabado de conhecer.
Talvez bordéis fossem um hobby desse homem…
"Não fui, Pluton-dono, encontrei entretenimento na rua mesmo..."
"Haha! Um jovem de exigências modestas! Bem, hum, vamos continuar, deixe-me te apresentar esses meus excelentes aventureiros da Falcão Negro, que cortejam o Mithril..."
Depois de cumprimentar Satoshi, Pluton acenou para um homem entre as outras quatro pessoas presentes, o homem então se adiantou e tomou a fala.
"É um prazer conhecê-lo, Atari-san. Eu me chamo Sylvo Nobelle, já há três anos sou líder da Falcão Negro. Estes são os membros da minha equipe..."
O homem chamado Sylvo estava no começo dos vinte anos e tinha uma aparência galante com um equipamento que fez Satoshi pensar nele como um guerreiro de dupla empunhadura. O tal grupo de aventureiros de platina Falcão Negro tinha quatro membros e buscava um mago para sua equipe já que o anterior havia deixado a equipe cerca de dois meses atrás para estudar no estrangeiro.
A ideia de Satoshi entrar em uma equipe foi totalmente sugestão de Pluton Ainzach.
Mas Satoshi aceitou isso de bom grado, pois como ele não tinha ideia de como era trabalhar como aventureiro neste mundo, ele considerou que seria um excelente aprendizado participar de uma ou duas aventuras em um grupo.
Eles são mais fortes que o pessoal lá embaixo...
A habilidade passiva {Level Evaluation} de Satoshi dizia que Sylvo era de nível 16. Muito mais forte que a média lá no salão. Na equipe também havia a clériga Zara de nível 15, a ranger Helenda de nível 14 e o ladino Favel de nível 13.
Depois das apresentações, com todos já sentados, foi Sylvo, o líder da equipe, que começou.
"O Mestre da Guilda nos disse um pouco de sua situação, Atari-san. Não posso sequer imaginar a dificuldade de ter que recomeçar em um país diferente..."
A história que Satoshi tinha inventado ontem como plano de fundo para seu disfarce de Atari era a tradicional história do exílio. Na sua breve descrição para Ainzack ele não entrou em detalhes profundos, apenas disse que seu antigo país, Helheim, sofreu uma catástrofe natural e ele então viajou a procura de um novo lugar para morar.
"... Sim, é uma dor. Espero ter um bom recomeço aqui."
Satoshi só pôde responder de forma curta às considerações de seu colega aventureiro. Mentir era uma habilidade que ele precisaria cultivar bastante a partir de agora então ele tinha que ser cauteloso com o que dizia para não ser pego em contradições.
"Hrm... Atari-san, posso fazer uma pergunta?"
Uma jovem esguia de longos cabelos loiros lisos que era a Ranger do grupo disse isso um pouco tímida.
"Claro, Helenda-san."
"Por que escolheu se fixar no Reino? Por que ser um aventureiro? Os Magos do seu calibre são tão melhor recompensados no Império..."
Satoshi ficou sabendo ontem por suas investigações superficiais que existia um poderoso mago no país vizinho e que havia até uma Academia de Magia naquela nação.
Normalmente se pensaria que seria melhor para ele ficar naquele país com melhores condições, mas Satoshi tinha medo de encontrar este tal mago lendário do qual ouviu dizer.
Ele chegou a ouvir que aquele mago já vive a mais de 200 anos. Um ser tão transcendental poderia ser um grande problema para Satoshi.
Para a própria segurança de Satoshi, se possível, ele gostaria de adiar ou até mesmo evitar encontrar uma figura tão problemática.
"Helenda-san vou ser sincero e direto com vocês: sou bem habilidoso na minha área específica, mas não me encaixo em um trabalho acadêmico ou erudito então nesse recomeço optei por me tornar um Aventureiro. Mas… eu não tenho noção da realidade do trabalho e nem conhecidos nesta cidade… se possível, vocês poderiam me conceder um período de experiência na sua equipe?"
Satoshi foi direto ao ponto e inclinou a cabeça para a equipe ao fazer este pedido.
"Ara… levante a cabeça, Atari-san. Nós temos uma vaga para um mago, acho que não seria esse custoso se saíssemos em algumas aventuras juntos, vocês não acham?"
O líder Sylvo perguntou a equipe parecendo satisfeito com a humildade que enxergou no gesto japonês típico feito por Satoshi, embora, como todos os presentes, ele estranha-se aquele tipo de cumprimento.
"Atari-san aparecer agora é uma mão na luva… já estamos três semanas sem suporte e tendo que nos limitar."
"Realmente! Atari-san foi enviado pelos deuses!"
"E Atari-san parece ser um bom homem! Aceite ele!"
Cada um dos outros três respondeu do seu jeito.
Fácil assim, Satoshi tinha encontrado senpais neste novo mundo.
Os seis ficaram conversando por um tempo até que a equipe platina Falcão Negro deixou a guilda na companhia de seu novo membro temporário.
- PARTE DOIS -
Matando Tempo na Cidade
Depois que saíram da guilda os aventureiros da Falcão Negro se separaram em dois grupos que tinham combinado de se encontrar na primeira hora após o meio-dia na saída leste da cidade.
Bom isso nos dá três horas…
Satoshi estava acompanhando Favel e Helenda na compra de alguns suprimentos no lado oeste da cidade.
A equipe tinha decidido ir até as Planícies de Katze para caçar mortos-vivos e testar as habilidades de Satoshi. Pelo que ele soube, as Planícies de Katze eram um dos quatro campos de caças habituais dos aventureiros de E-Rantel.
Aquele lugar era um campo amaldiçoado onde mortos-vivos spawnam como grama e uma névoa densa dominava todo o cenário.
Muitos aventureiros de E-Rantel se especializaram em combater mortos-vivos em Katze. Além de poder vender o metal deixado para trás pelos esqueletos eles ainda ganham dinheiro por cada criatura morta.
Era de certa forma o campo de caça mais lucrativo de E-Rantel.
"Nossa! Então cada vez que você convoca é um Elder Lich diferente que aparece?!"
A jovem ranger Helenda perguntou espantada enquanto ela e Satoshi esperavam de pé na porta do lado de fora da taverna.
O ladino Favel tinha entrado no interior da loja para conversar com conhecidos e aprender as novidades do dia.
Helenda vinha bombardeando Satoshi com perguntas já a algum tempo e ele estava em dificuldades por conta disso.
"... sim. Bem, cada um deles é criado pela duração da magia, penso."
"Eles são feitos pela magia! Isso é totalmente diferente dos anjos que vem do céu, né?!"
Como eu respondo isso?!
"... É diferente, mas... no final é a mesma coisa."
"Magia é incrível… tão abstrata! Alonzo não fazia convocações, mas suas Setas de Fogo nos ajudaram muito! Me pergunto como Alonzo está agora..."
Ela disse pensativa olhando o céu, fazendo uma óbvia expressão de saudade romântica.
Ela e esse Alonzo são algo...
Satoshi olhou para a face da garota com cuidado pela primeira vez. Helenda, cujos olhos verdes encaravam uma nuvem, devia ter 18 anos.
Ela era a irmã mais nova de Sylvo, o líder do grupo, e pelo que eles falaram antes na guilda, ambos vieram de outra região de Re-Estize e se tornaram aventureiros em E-Rantel por necessidade.
Ela é bem bonita… que inveja desse Alonzo.
Como homem, Satoshi pensava que teria um grande orgulho se fosse capaz de fazer uma jovem garota bonita como essa fazer tal expressão de saudade.
"Você disse que Alonzo foi para a Academia de Magia no Império? Então com certeza ele está indo bem, magos de 3° Nível são populares em Academias…"
Satoshi não perdeu a oportunidade dada pela mudança de humor de Helenda e tentou mudar o tópico para evitar receber mais perguntas sobre as habilidades dele.
"Populares? Populares como?"
"... bem, penso que por serem de 3° nível eles fazem sucesso entre os outros alunos de 1° ou 2° nível, mesmo entre os professores..."
Isso era especulação de Satoshi.
Ele não tinha como saber com certeza isso, mas devia ser verdade. Na Terra, quando ele estava no colégio, os terceiroanistas eram muito populares com os outros alunos.
Bem, níveis de magia não são anos de colégio mas acho que a comparação cabe...
Vendo a reação de Helenda, Satoshi pensou que ela, como a jovem garota que era, interpretou as palavras dele como o tal Alonzo sendo alvo de romance por outras garotas.
Ele se sentiu um pouco mal por colocar dúvidas em uma garota apaixonada. Mas a expressão angustiada de Helenda enquanto mordia o lábio preocupada com Marias-varinhas dando em cima de Alonzo foi estranhamente satisfatória para Satoshi.
Foi mais ou menos nesse momento que Favel saiu da taverna.
"O que é essa cara, Helenda-chan? Tá com dor de barriga?"
"Não! Não é nada disso, idiota. Alguma coisa nova em Katze?"
A jovem Helenda foi um pouco dura com Favel na sua resposta, mas ele não alterou a expressão nem um pouco.
"Nada, nadinha. Não aparece um morto-vivo poderoso no nosso lugar habitual já a um tempo. Só os mesmo esqueletinhos de sempre..."
Eles caminharam até um farmacêutico próximo onde comprariam poções. Depois iriam vadiar até dar a hora estipulada pelo líder.
"Você disse que não era um necromante, Atari… mas você tem algum trunfo contra mortos-vivos?"
Para evitar possíveis preconceitos, Satoshi disse ser um mago com um repertório diversificado.
Necromantes sempre costumam ter má fama, então Satoshi, que havia convocado um Elder Lich ontem, estava se pondo longe deles para segurança de seu disfarce.
Perdão por esse vacilo, Momonga...
"Contra Mortos-vivos, hein? Bem… que tal anjos?"
Os outros dois pararam de andar por alguns segundos e o encararam.
"Você também lança magia divina?!"
Helenda perguntou com um tom de voz um pouco alto demais.
"Não… apenas convoco anjos. Sabe como é, né? Sou um convocador..."
Satoshi tinha Karma neutro e 10 níveis na classe Divine Summoner. Por isso ele podia conjurar magias divinas, mas apenas as das árvores de convocação [Summon Angel] e [Summon Demon], bem como outras uma dúzia de magias de convocação divinas específicas.
"Nunca ouvi falar disso..."
"Ora, ora, temos um achado incrível entre nós!"
Os dois pareciam bastante surpresos.
Cara… algo me diz que é melhor omitir que também convoco demônios...
"No meu antigo país isso é normal, a magia de convocação lá era muito avançada."
Ele deu uma desculpa qualquer.
Eles continuaram conversando até entrar na loja, Favel ficou esperando o atual atendimento acabar e os outros dois ficaram olhando ao redor.
Esse cheiro forte de mato é horrível… ainda bem que com este anel eu posso suprimir meu olfato de vampiro!
Quando chegou a vez de Favel ser atendido, Satoshi se aproximou novamente.
"Nfirea-san, meu bom! O pedido de hoje é de duas poções de cura pequenas e cinco antídotos simples. Faça um bom desconto para esse camarada recorrente por favor!"
"Favel-san… bem-vindo de novo, vejo que voltaram a ativa, mas o preço é o mesmo para todos, ok? São 3 ouros e 10 pratas."
Um jovem com uma franja que cobria ambos os olhos disse isso enquanto ia até uma prateleira pegar os itens.
Nossa! Isso é muito caro, não?!
Em Yggdrasil a mais simples poção de cura valia dezenas de milhares de ouro, isso era o mesmo valor de uma refeição mediana dentro do jogo. Neste mundo refeições custavam algumas poucas moedas de cobre, mas as poções por outro lado pareciam ser valiosas.
Satoshi ficou curioso sobre quanto valeria uma de suas poções de Yggdrasil então depois que Favel terminou de mendigar um desconto para seu pedido, ele falou para o garoto-franja.
"Nfirea-san, não é? Sou Atari, colega de Favel, diga-me por favor, vocês compram ou avaliam itens aqui também?"
O garoto olhou curioso de Satoshi para Favel e de Favel para Satoshi antes de responder.
"Uhm… se for de nossa competência. Posso dar uma olhada nos itens?"
"Na verdade é um item só… aqui."
Satoshi tirou uma poção Minor Healing Potion do bolso.
Na verdade ele tirou do inventário, mas de um jeito disfarçado.
"Isso é… o que é isso?!"
"Uma poção de cura que ganhei de um amigo muitos anos atrás."
"Poção de Cura?! Nesta cor?! U-Um momento Atari-san me deixe fazer alguns testes..."
O garoto então entrou na loja com a poção Minor Healing Potion de Satoshi. Ele desapareceu por cerca de quinze minutos.
Quando voltou ele tinha um rosto mais que confuso.
"Atari-san! Eu não sou capaz de avaliar essa poção! Por favor, venha novamente à noite, minha avó deve chegar da coleta de ervas nesse horário! Ela é a melhor farmacêutica da cidade! Certamente vai conseguir avaliar esta poção!"
"... Vou sair de tarde para uma aventura com a Falcão Negro, vou ficar fora por dois ou três dias. Que tal eu deixar isso aqui com você por enquanto?"
"Isso é… não sei se seria correto… mas se não for assim… Ok! Está bem! Deixe conosco!"
O garoto-franja estava quase em pânico, mas decidiu manter a poção aqui, provavelmente para evitar que Satoshi fosse a outro farmacêutico com aquilo.
Satoshi, Favel e Helenda saíram da loja para andar pela cidade. Ainda havia muito tempo até o horário marcado por Sylvo para o encontro no portal Leste.
Durante aquele pequeno passeio dos três, Favel e Helenda mostraram os principais pontos da cidade para Satoshi.
Em um ponto quando passavam em frente ao portão vigiado da Villa VIP, onde residiam os altos oficiais da cidade, Favel que conversava com Helenda comentou sobre um assunto que dizia respeito a Satoshi.
"... você não sabe da maior, os caras também disseram que alguém estourou uma casa do Sindicato de Drogas. Quase vinte malandros tiveram o joelho virado pro lado errado e quem fez isso só levou o dinheiro deixando todas as mercadorias. Estão procurando os responsáveis feito doidos…"
"Uma disputa interna dentro dos Oito Dedos?"
"Eu acho que pode ser… talvez algum outro sindicato criminal esteja com inveja. Em cada esquina das favelas tem pó preto, isso deve render bastante, o sindicato de drogas cresceu muito no submundo… os olhos dos outros sindicatos criminais devem ter crescido de ganância."
Eu acho que estão falando de mim...
Ontem a noite, um Satoshi mascarado tinha invadido um prédio onde se vendiam drogas. Ele chegou lá quando viu pessoas arrastando uma mulher para aquele lugar. Ele pensou que ia quebrar alguns estupradores, mas na verdade aquela loja tinha uma série de viciados que eram forçados a trabalhar e aquela mulher era uma fugitiva daquele cárcere.
Estou com mais de cem moedas de ouro graças a isso...
Satoshi tinha posto todos para dormir com magia e feito a limpa. Nunca esperou ganhar tanto dinheiro com isso.
Antes de sair ele vendou os olhos de bandidos e viciados, e espancou os primeiros. Quebrando a perna direita de cada um deles.
"O que é Oito Dedos?"
Satoshi perguntou, entrando na conversa.
"Como assim? Ah! Você não é daqui… bem, Oito Dedos é uma organização que controla esse Reino a partir das sombras. Eles dominam quase todos os negócios ilegais. Fuja de se envolver com eles, Atari-san. Simples Aventureiros de Platina como nós somos apenas palitos de dentes para eles."
Favel disse em um tom sinistro.
Então eles são tipo uma Yakuza?
Satoshi fez essa associação.
Enquanto eles caminhavam conversando na rua, sem aviso, uma comoção tomou conta da via. As pessoas se afastaram para abrir caminho para algo e os três fizeram o mesmo.
Um grupo de cinquenta homens a cavalo desfilaram apresados por eles indo em direção ao portão da Villa VIP.
"Oh! Aquele não é o Capitão-Guerreiro?"
Helenda perguntou apontando um homem no centro da formação.
"Sim, o próprio Gazef Stonoff. Parece que finalmente vão fazer algo sobre os ataques do Império as vilas próximas."
Foi a resposta dada por Favel.
Satoshi olhou o homem em questão e a tropa que passava.
Nível 30, ele tem o maior nível que vi neste mundo… mas além dele o mais forte desta tropa está apenas no nível de Sylvo.
Depois que o grupo a cavalo cruzou o portão da Villa VIP a rua voltou a normalidade e os três seguiram seu caminho.
- PARTE TRÊS -
Primeiros Lacaios
Para surpresa de Satoshi existia um serviço de carruagem na saída leste da cidade. Daquele portão saia uma estrada comercial que ia em direção a uma cidade do Império de Baharuth.
Ele e a Falcão Negro fretaram uma dessas carruagens, que na verdade era pouco mais que uma carroça coberta, junto com algumas outras pessoas comuns.
Eles viajaram pela estrada principal naquela carruagem durante quase toda aquela tarde até que desceram da carruagem e passaram a caminhar por uma pequena estrada de terra por pouco mais de uma hora.
Ao anoitecer estavam em uma pequena vila acostumada a receber aventureiros que caçavam em Katze.
Naquela vila havia até hospedarias e o grupo ficou hospedado em uma delas.
A maioria dos aventureiros que passava por aqui tomava abrigo em casas de aldeões ou na natureza, mas como eles eram Aventureiros de Platina eles tinham que manter o mínimo de ostentação e alugar aposentos em uma hospedaria.
Afinal, além deles só havia outras três Equipes de Platina na cidade e eles tinham um certo status entre os aventureiros.
Para manter alguma aparência eles alugaram dois quartos na hospedaria. Um para Sylvo e as duas garotas, e o outro para Satoshi e Favel.
Ser líder deve ser o máximo, pelo menos ele vai dormir com o cheiro de duas meninas no quarto...
Um Satoshi de cuecas pensou isso enquanto se limpava com uma toalha molhada pela primeira vez na vida. O detalhe era que ele tinha que fazer isso no mesmo quarto onde ia dormir.
Graças aos sentidos que recebeu quando Yggdrasil terminou, Satoshi ultimamente tinha estado mais consciente do quão agradável era o cheiro feminino. E ele podia dizer que certamente seria muito melhor estar no lugar de Sylvo e dormir com o cheiro daquelas duas garotas se espalhando pelo quarto do que estar na situação atual tendo Favel como companheiro de quarto.
O ladino Favel já dormia roncando de cuecas do outro lado do quarto.
O certo seria separar homens e mulheres... o líder é muito malandrinho...
Talvez essa tenha sido uma medida protetora tomada por Sylvo, afinal, Zara era namorada dele e Helenda era a irmã mais nova dele. Olhando deste ângulo, Satoshi era um estranho perto dos tesouros daquele espadachim.
De forma geral, Satoshi estava satisfeito com a equipe de aventureiros Falcão Negro.
Favel e Helenda são pessoas muito legais, Sylvo é um líder confiável, já Zara...
Para infelicidade de Satoshi, a namorada do líder da equipe estava um pouco interessada nele, alguém que ela acabou de conhecer. Satoshi suspeitou disso várias vezes e graças a seus sentidos vampíricos pôde confirmar isso através do padrão cardíaco dela.
Ele sempre teve pouca libido na Terra e estava acostumado a afastar pretendentes para evitar dores de cabeça.
Satoshi nunca teve uma namorada por conta disso. As únicas experiências com o sexo oposto que teve na terra foram pagas e foram um experimento social mal-sucedido.
Pessoalmente, Satoshi não achava que Zara faria um avanço nele, mas se ela fizesse seria dispensada, óbvio. Desde que chegou em E-Rantel ele reparou que muitas mulheres olhavam para ele de um jeito mais quente.
Para piorar ele também passou a estar um pouco mais consciente do sexo oposto.
Será que eu virei uma pessoa normal nesse assunto?
Satoshi estava inclinado a pensar que era esse o caso.
Depois de se lavar usando apenas uma toalha e um balde de água, Satoshi deitou na cama e fingiu dormir por um bom tempo.
[Silent Magic: Mass Sleep]
Duas horas depois ele lançou essa magia silenciosa.
Sob efeito da magia o ladino Favel dormia profundamente agora, assim como boa parte da hospedaria.
Satoshi levantou da cama e se vestiu novamente enquanto assobiava uma música. Depois, apenas por segurança, ele simulou com ajuda de panos o volume de uma pessoa embaixo dos lençóis.
Acho que isso dá para enganar, agora vamos lá...
Ele suspirou fundo.
"[Greater Teleportation]!"
No instante seguinte ele já não estava mais no quarto da hospedaria, mas em uma clareira na floresta. Para ser mais preciso, ele estava na clareira onde testou convocações na manhã de ontem.
"Bem-vindo de volta, Meu Tudo!"
Assim que se acostumou com o novo ambiente, uma voz feminina sibilante soou por telepatia dentro da cabeça dele.
Satoshi olhou ao redor e encontrou sua eidolon Miya flutuando a alguns metros de onde estava. A pequenina Couatl Miya estava na forma miniaturizada dela e as penas dela emitem luzes coloridas.
Satoshi tinha se separado dela ontem e deixado ela com a responsabilidade de tornar esta floresta segura para uma base.
"Olá, Miya. Como tem passado?"
Satoshi perguntou isso a sua eidolon enquanto calmamente tirava o seu Ring of Doppelganger e voltava a sua forma de Greater One.
Assim que voltou a sua forma vampírica foi bombardeado por sensações de seus sentidos aguçados que já não podiam ser suprimidas pelo item.
"Esta Miya esteve bem, Meu Tudo, esta Miya se dedicou inteiramente à tarefa dada por Meu Tudo! Esta Miya encontrou muitos lacaios para Meu Tudo nesta floresta!"
Usando magia [Message], ela já o tinha animadamente informado durante os dias de ontem e de hoje o progresso que teve. De fato, Satoshi estava curioso sobre estes muitos lacaios a que Miya se referia.
"Certo, então, onde estão eles?"
"Esta Miya reuniu a elite deles um pouco longe daqui... mas Miya levará Meu Tudo até lá!"
Depois que Miya disse isso, Satoshi sentiu uma energia estranha se juntar em um ponto a alguns metros de onde estava. Quando olhou naquela direção ele viu uma lágrima negra surgir no ar, esta lágrima se expandiu em poucos segundos criando um portal.
"Venha com Miya, Meu Tudo."
Miya se adiantou serpenteando no ar em direção ao portal. Satoshi ficou aliviado, essa ação deixava claro que era um portal de Miya. No seu íntimo ele temia que algo perigoso saísse do portal ou que fosse o portal de um estranho.
Depois que Miya cruzou o portal, Satoshi respirou longamente e fez o mesmo, não sem fechar os olhos antes de mergulhar no desconhecido. Cruzar o portal foi semelhante a se teleportar, mas foi um processo um pouco mais lento.
O que Satoshi viu quando saiu do outro lado foi uma visão perturbadora.
Havia dezenas de grandes figuras e centenas de pequenas, a maioria prostrada com a testa no chão. Entre as grandes figuras havia trolls e ogres, entre as pequenas figuras havia goblins e hobgoblins. Havia também uma matilha de lobos estranha com correntes de metal que deitavam expondo as barrigas.
Esses caras fedem demais!
Satoshi levou as mãos ao nariz e tomou seu tempo avaliando o bando de semi-humanos selvagens que vestia peles e ocasionalmente armaduras de osso, madeira ou metal.
"Aquele ali é o tal Gigante do Leste que você falou durante o dia?"
Satoshi perguntou a Miya em voz alta, apontando com o queixo para um troll, possivelmente uma espécie evoluída, que era de longe o mais forte do bando, com nível 29.
Ouvindo a voz de Satoshi, o Troll se mexeu desconfortável de sua postura submissa no chão.
"Muito perspicaz, Meu Tudo! É ele mesmo! Aquele é teu escravo Guu, o Gigante do Leste!"
No curto período que esteve nesta floresta ontem, Satoshi tinha ouvido enquanto se infiltrava em duas vilas de goblins que eles e os outros moradores da floresta eram taxados pesadamente pelo Gigante do Leste, que recebia mais da metade dos recursos escassos deles.
Isso fazia deste troll efetivamente um governante nesta área selvagem.
"Guu seu cachorro inútil! Saúde o Mestre!"
Miya ordenou Guu rispidamente em voz alta. O troll tremeu um pouco antes de falar, se abaixando ainda mais no chão. Ele já estava praticamente deitado no chão.
"O escravo Guu saúda o Mestre! Por favor tenha misericórdia de Guu e sua família!"
Miya deve ter ameaçado eles bastante… estão aterrorizados.
"... Certo. Saudações aceitas."
Foi tudo que Satoshi respondeu a Guu.
Ele então voltou a avaliar o bando com cuidado.
Deve haver uns dezoito trolls aqui, uns cinquenta ogres e uns trezentos pequenos...
Era um exército grande. Satoshi se pegou imaginando os homens a cavalo liderados pelo Capitão Guerreiro do Reino enfrentando este bando.
É difícil dizer, mas acho que seria uma luta acirrada?
"Isso é tudo que conseguiu, Miya?"
Satoshi perguntou distraído depois de um tempo.
A resposta de Miya saiu com um tom de preocupação.
"Não, Meu Tudo! Esta Miya juntou aqui só os mais fortes! Ainda há muitos e muitos goblins e hobgoblins! O escravo Guu controlava dezenas de aldeias!"
Satoshi reparou no tom de Miya e percebeu que não tinha elogiado ela ainda pela tarefa.
"Não se preocupe, você fez um bom trabalho, Miya, nos próximos dias continue arregimentando o povo da floresta, mas fuja se algo for ameaçador."
"Sim, Meu Tudo! Pode deixar com esta Miya!"
Se tudo desse certo, Satoshi poderia erguer uma base nesta floresta enquanto fazia alguma fama fora dela com seu disfarce de Atari.
Satoshi ainda conversou com Miya mais alguns minutos sobre o que ela tinha descoberto sobre os poderes da floresta e só depois desse tempo ele voltou para a hospedaria.
Ele temia que se demorasse demais pudesse ser descoberto.
- FIM DO CAPÍTULO -
NOTA DO AUTOR:
Opa, tudo bem?
Apenas informando que estou trabalhando com esta tabela:
- Cobre: 1-3 (3 de range)
- Ferro: 4-6 (3 de range)
- Prata: 7-9 (3 de range)
- Ouro: 10-12 (3 de range)
- Platina: 13-16 (4 de range)
- Mithril: 17-20 (4 de range)
- Oricalco: 21-24 (4 de range)
- Adamantina: 25-29 (5 de range)
- Heróis: 30-35 (6 de range)
- Outliers: 36-42 (7 de range)
- 1% do 1% do 1%: 43+
Não sei se ficou claro no capítulo anterior, mas Satoshi/Famicom chegou neste mundo no mesmo momento e lugar que Ainz e Nazarick chegaram no original.
Flw
