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A Aldeia de Carne
Dia 7
- PARTE UM -
A Maligna Ordem dos Manzuri
"Manzu, você está fedendo muito!"
Isso foi tudo o que Satoshi conseguiu dizer ao Vampire Knight Manzu ao mesmo tempo que dava um passo para trás e levava a mão ao nariz para se blindar contra o cheiro ruim do morto-vivo.
Antigamente Manzu era conhecido como Ferum, um humilde Tenente da Escritura da Luz Solar. Mas Satoshi transformou ontem à noite o cadáver de Ferum em um Vampire Knight e teve a ideia de dar ao novo servo a tarefa de montar uma Ordem de Vampiros.
Satoshi nomeou aquela Ordem de 'A Maligna Ordem dos Manzuri' e pretendia usar aquela Ordem como uma peça de tabuleiro.
O líder da ordem e também o atual único membro, o próprio Manzu, estava neste momento totalmente encharcado de sujeiras e porcarias, mas apesar disso ele estava ajoelhado na frente de Satoshi com uma postura superior e nobre.
Parecia um cavaleiro se prostrando respeitosamente frente a seu rei.
Mas no caso dele ele estava com merda por todo corpo.
"... Este humilde servo lamenta ofender o olfato do Ser Supremo, por favor, permita a este servo se redimir com..."
"Não, não, nada de banho para você Manzu. Não está vendo aquela linhazinha de luz? Você ainda se diz vampiro? Faz alguns minutos que é manhã lá fora, se você sair agora você vai… tá aí, boa questão, você queima sob o sol, Manzu?"
"Não, Ser Supremo. Eu… sinto que o sol apenas me faz fraco como um humano. Por outro lado, também sinto que a maioria das minhas futuras crias queimaria sob o sol..."
Manzu era um Vampire Knight de nível 35.
Em Yggdrasil os Vampire Knight eram reduzidos ao nível 10 durante as doze horas do dia, mas apenas quando em contato com o sol na superfície ou sob luz solar artificial, ou seja, se não estivessem sob contato do sol eles não seriam enfraquecidos.
Por outro lado, durante as doze horas noturnas, eles recebiam muitos bônus e eram considerados tão fortes em termos de ataque quanto um monstro de nível 40.
Isso fazia deles perfeitos para serem defensores de sedes de Guilda do tipo masmorra uma vez que, normalmente, não havia sol nestas sedes de guilda.
Na Grande Tumba de Nazarick, que era a base da guilda que Satoshi pertencia quando em Yggdrasil, havia uma área no segundo andar que era cheia de NPCs mercenários do tipo Vampire Knights.
Apesar daquela ser uma área sem muita importância na defesa do andar, ainda assim aquele lugar tinha um posicionamento especial naquele piso: a área estava geograficamente no extremo oposto da Câmara Adipocere onde residia a Guardiã de Andar, Shalltear Bloodfallen.
O grande amigo de Satoshi, Peroroncino, havia criado aquela guardiã e tinha uma grande afeição/tara pela criação que ele fez.
Satoshi tinha ajudado Peroroncino a elaborar uma história lateral para a NPC Shalltear onde ela tinha o hábito de aprisionar em uma fortaleza no extremo oposto do palácio dela qualquer um dos subordinados vampiros do sexo masculino dela que se destacassem ou fizessem algo excepcional.
O motivo era muito egoísta: ela queria mantê-los longe das escravas sexuais dela, as Vampires Brides, que eram proibidas de se envolver com homens. Por isso, qualquer vampiro masculino que ela controlava e que se destacava a ponto de chamar a atenção de suas escravas sexuais era confinado no extremo oposto do andar.
"E então, Manzu. Como foi a exploração?"
"Ser Supremo, os túneis e canais subterrâneos desta cidade são muito antigos, numerosos e complexos. Este servo teme que nestas poucas horas foi capaz de explorar com ajuda de ratos e morcegos convocados apenas uma pequena parte dos túneis. Este servo encontrou muitas infestações de Slimes, alguns semi-humanos que comem sujeira e incontáveis ninhadas de ratazanas, mas não pôde encontrar nada de muito valor ou pessoas de má-fé..."
Quando voltou da Instant Fortress a noite, Satoshi trouxe consigo as cinco criações mortas-vivas que ele tinha feito das sobras de cadáveres da Escritura da Luz Solar.
As cinco criaturas dele eram o Vampire Knight Manzu e os quatro High Wraiths, que ele nomeou Gaspar, Bibidi, Babidi e Boo.
Satoshi tinha chegado nesta cidade praticamente uma semana atrás e nesses sete dias ele sempre reparou que havia grandes entradas de esgoto em praticamente qualquer distrito que passasse.
Algumas eram tão grandes que uma carroça entraria nelas. A maior parte era fechada com barras de ferro, outras não eram. Algumas estavam ativas, outras não.
Aproveitando que agora ele tinha servos permanentes que estavam desocupados, Satoshi decidiu explorar essa parte esquecida de E-Rantel.
Para isso Satoshi levou o Vampire Knight Manzu a uma das grandes entradas desativadas e ordenou que ele fizesse uma busca completa nos esgotos.
Para Satoshi era quase certo que os bandidos desta cidade iam se aproveitar desses tuneis sujos e esconder coisas nesse esgoto. Então ele queria desbaratar estes hipotéticos bandidos e saqueá-los enquanto tomava os esgotos para si, tornando aquele lugar um território dele na cidade.
Mas parece que, por enquanto, nenhum bandido foi encontrado por aqui.
Que seja… isso não muda uma vírgula do meu incrível plano maravilhoso.
Tomar os esgotos era apenas um degrau deste plano bem bolado feito por Satoshi.
"Manzu, continue a exploração durante os próximos dias e não se esqueça de desenhar um mapa detalhado do esgoto para mim, ok? Aqui estão suas primeiras refeições e também futuros membros da ordem de vampiros… eu vou ficar fora por uns dias então gerencie bem estes suprimentos. Lembre-se que isso é tudo que sua Ordem pode comer enquanto eu estiver fora. Ah, você só pode sair lá fora de noite, seja um bom garoto e sempre retorne ao amanhecer..."
Enquanto dizia as regras que pensou para Manzu, Satoshi indicou os suprimentos empilhados em um canto.
Os suprimentos de Manzu eram quinze pessoas amarradas e amordaçadas. Elas deveriam servir como alimento para Manzu e depois elas seriam convertidas em vampire-kin.
Durante as últimas quatro horas, enquanto Manzu explorava os esgotos, Satoshi se dedicou a capturar estas pessoas e as trouxe aqui através de magia de transição.
Todas estas quinze pessoas eram criminosos.
Elas foram coletadas por Satoshi em algum dos três pontos de drogas que ele já conhecia tão bem por ter pessoalmente atacado e pilhado cada um daqueles lugares nos dias anteriores.
Satoshi, que precisava de suprimentos, decidiu visitar estes três lugares mais uma vez à procura de candidatos, mas, diferente das primeiras visitas, desta vez ele decidiu conversar com os bandidos ao invés de apenas espancá-los e roubá-los.
Após interrogá-los, ele decidiu coletar estes quinze criminosos que, quando sob o efeito de {Mystic Eyes of Charms}, foram os que assumiram ter cometido os piores crimes.
Realmente há muita escunalha neste mundo...
Para aliviar a consciência dele, Satoshi definiu um pré-requisito rigoroso para qualificar alguém como digno de ser suprimento para Manzu: era preciso possuir o combo de ser um estuprador serial e um multi-homicida.
Porém conforme foi interrogando os muitos criminosos ele acabou ouvindo cada tipo de atrocidade que sua vontade era trazer para Manzu o triplo de suprimentos que pensou inicialmente.
Infelizmente ele teve que se controlar já que a população da futura Ordem dos Manzuri não pode explodir.
Ele escolheu então apenas cinco malfeitores em cada um dos três pontos de droga e liberou os demais bandidos, apenas quebrando as pernas deles, como fazia habitualmente.
Ainda assim… estupro e homicídios são coisas rotineiras nesse mundo, né?
Foi uma descoberta triste a que Satoshi fez conversando com aqueles caras. Não que Satoshi pudesse falar muito, ele mesmo estava neste mundo a apenas sete dias e já tinha uma cota gigante de homicídios.
Em Roma faça como os Romanos… era isso?
"Manzu, sequer transforme estes lixos em Lesser Vampire, que eles não valem a pena. Transforme-os em Vampire Spawns ao invés disso. Não se preocupe que no futuro trarei pessoas dignas de se tornarem vampiros decentes."
"Entendido, Ser Supremo."
Os Vampire Spawns eram os Vampire-kin mais fracos, eles eram versões só um pouquinho melhores fisicamente que o indivíduo original. Apesar deles só terem isso de benefício, eles tinham todas as fraquezas de vampiros na intensidade máxima.
Embora possa parecer um prêmio que estes fracotes fossem transformados em vampire-kin, isso não era bem verdade.
Isso não era de forma alguma um prêmio, isso era apenas uma sentença de morte adiada.
A Maligna Ordem dos Manzuri foi criada com data de validade e motivo mundano.
Aquela Ordem era uma peça de xadrez para Satoshi.
A Ordem foi uma ideia que Satoshi teve após uma pesada reflexão. Ela foi criada apenas para servir de escada para o Aventureiro Atari subir de classificação e o Vampiro Famicom resolver os seus problemas com o reino.
Satoshi engordaria a Maligna Ordem dos Manzuri, quando ela estivesse grande e gorda o suficiente ele a abateria para proveito próprio.
Seu plano era simples: ele criaria uma dupla de vampiros, um seria o vampiro bom e o outro o vampiro ruim.
Manzu seria o vampiro malvado que se apossou desses esgotos com sua horda de monstros.
O alter-ego Famicom dele seria o vampiro bonzinho. No futuro, quando o Humunculi Wizard Kuro se encontrasse com os líderes da cidade de E-Rantel conforme Satoshi orquestrava, ele faria Kuro, que era o enviado de Famicom, se juntar à equipe de subjugação de Manzu.
Enquanto Kuro pegasse a grande cena e derrotasse Manzu em nome de seu alter-ego Famicom, seu alter-ego Atari teria junto com a equipe Falcão Negro um papel secundário sendo os melhores aventureiros da missão.
No final de tudo, Atari receberia a placa de Mithril, não, certamente Oricalco. E Famicom teria o reino em dívida moral com ele.
Este era o plano de Satoshi.
É um pouco complexo e tem muitos elementos, mas não tem como dar errado, certo?
Se esse plano funcionasse, tanto Atari quanto Famicom iam se beneficiar.
"Nós cinco estamos indo, Manzu. Se comporte e beba com moderação."
Satoshi foi em direção à saída do túnel enquanto Manzu estava grudado no pescoço de um dos suprimentos.
"Vocês se escondam e me sigam de longe."
Satoshi disse para os quatro High Wraiths presentes. Os quatro, que ainda estavam com os contornos de Tsuki, se puseram na horizontal no chão e ficaram cada vez mais transparentes, chegando ao ponto de serem praticamente invisíveis para olhos humanos.
Satoshi cruzou a grade que tinha uma barra faltando e voltou à rua com cuidado. Teve sucesso em não ser visto por ninguém quando saía da entrada inoperante de esgoto.
Gastou seu tempo para se espanar e esfregar ervas em si.
Era manhã e havia poucas pessoas naquele lugar ermo, a maioria das pessoas nas ruas já estavam iniciando o dia delas caminhando pelas grandes artérias da cidade.
Satoshi rumou por uma dessas artérias já que seu próximo destino ficava em um lugar privilegiado da cidade.
- PARTE DOIS -
Apenas um Tolo sem Nome
Quando Satoshi saiu dos esgotos faltava pouco mais de duas horas para o encontro com os aventureiros do Breu, um grupo de ocasião formado pelas equipes Falcão Negro, Espadas das Trevas e Chuva Escura.
O encontro seria no portão norte da cidade e de lá o grupo Breu seguiria para a Aldeia de Carne onde eles iniciariam a participação deles na missão Cidade na Floresta encomendada pelo prefeirto da cidade.
Satoshi ainda tinha coisas a fazer antes deste encontro por isso precisou acelerar o passo na sua caminhada.
Após quase vinte minutos andando, Satoshi finalmente estava de frente para seu objetivo: um prédio elegante, rebuscado e alto, praticamente uma mansão nobre.
Aquele era o Pavilhão Dourado, a pousada mais cara da cidade.
Satoshi escorou-se na parede do lado de fora do prédio elegante a alguns metros da entrada enquanto lançava de forma silenciosa [Message] para falar com um dos seus três homunculi que tinham se hospedado aqui ontem.
Depois de conversar por um tempo através de [Message], Satoshi esperou que a Humunculi Thief Sapphire descesse para falar com ele.
Enquanto esperava ele gastava o tempo dele olhando as pessoas na rua.
No segundo minuto que gastou observando as pessoas estranhas que iam e vinham enquanto cuidavam de suas vidas simples, algo chamou a atenção dele.
Uhm… aquele cara é bem forte, não? Mas não vejo placa de aventureiro, talvez seja um militar?
Do outro lado da rua havia uma hospedaria menos cara que a Pavilhão Dourado. Era uma das várias hospedarias da rua e não parecia um lugar ruim. Saindo dela Satoshi viu um homem loiro e forte muito bonito que usava o cabelo estilo boi-lambeu e tinha uma presença arrogante, ele usava uma roupa muito diferente das habituais de E-Rantel e, para surpresa total de Satoshi, a espada na cintura dele era indubitavelmente baseada em uma katana japonesa.
A habilidade de {Level Evaluation} de Satoshi tinha dado para aquele homem nada menos que nível 25, o que era apenas cinco níveis a menos que o Capitão-Guerreiro do Reino, Gazef Stronoff.
Satoshi pensou que talvez, assim como Gazef, ele fosse algum figurão do país, mas desconsiderou isso logo pois ninguém que passava dava muita atenção para o homem com katana, indicando que ele não era conhecido localmente, provavelmente era um estrangeiro de passagem.
O homem tinha saído do prédio em frente e, assim como Satoshi, estava parado perto da porta olhando a rua. Diferente de Satoshi, no entanto, ele estava com um semblante impaciente.
Como os dois estavam parados quase de frente um para o outro com apenas a rua separando eles, não foi surpresa que em menos de um minuto os olhos de ambos acabaram se encontrando.
Satoshi usava um anel que o protegia contra adivinhações e tornava muito difícil alguém ver seus dados. Era um de seus nove itens Divine-class e Satoshi confiava muito naquilo.
Como o homem não foi capaz de notar qualquer anormalidade na força de Satoshi, tudo o que aquele cara fez foi uma cara de inveja após perceber a qualidade das roupas caras que Satoshi ostentava.
Após gastar poucos segundos avaliando Satoshi desinteressadamente, o homem voltou seu olhar invejoso para um ponto alguns metros distante de Satoshi, lá ficava a entrada do Pavilhão Dourado. Os olhos do homem então se arregalaram um pouco em deleite e seu olhar se transformou em um olhar luxurioso.
Seja lá o que ele via devia ser uma boa visão.
Satoshi só percebia essas coisas perifericamente, sua atenção principal estava na porta da hospedaria do outro lado da rua, a mesma hospedaria de onde o outro homem tinha saído a alguns momentos.
Daquela porta saíram três mulheres chamaram a atenção de Satoshi.
Elas vestiam vestidos simples e com rasgos que não combinavam com o padrão-médio daquela hospedaria.
Cada uma das três tinha um cabelo de uma cor diferente das outras. Em comum, as três tinham um corpo frágil, um comportamento assustado, um semblante desolado e um nível dado por {Level Evaluation} consideravelmente alto para os padrões daqui.
A dama de cabelo vermelho-amarronzado e a dama de cabelo loiro eram de nível 14, mesmo nível que a companheira de equipe de platina de Satoshi, a ranger Helenda.
A terceira mulher era de nível 16, mesmo nível que Sylvo, o líder da equipe de platina que Satoshi pertencia. Esta terceira mulher tinha o cabelo azul-claro aparentemente natural, um tom que Satoshi nunca tinha visto na Terra.
Satoshi estranhou aquelas três mulheres que tinham um nível tão alto, o mesmo nível de Aventureiros Platina, fossem tão mal vestidas e parecessem pobres. Mas Satoshi entendeu o motivo disso enquanto admirava a beleza do tom azul de cabelo que a terceira mulher possuía.
Elfa... Escrava Elfa...
Entre as mechas de cabelo azul curto da terceira mulher se podia ver um par de orelhas que foram cortadas toscamente, a mesma mutilação se via nas outras duas.
Isso indicava que elas eram elfas.
E também que elas eram escravas em trânsito aqui em E-Rantel.
Como ele já estava vivendo nesta cidade fronteiriça a uma semana, obviamente que esta não foi a primeira vez que Satoshi encontrou pessoas reduzidas à escravidão.
Embora no Reino de Re-Estize a escravidão tenha sido proibida dois anos atrás, Satoshi ouviu dizer que a prática ainda era feita em pequena escala em lugares remotos no interior do Reino e até mesmo no submundo de cidades grandes.
Porém, era inegável que ter sido marcada como uma atividade ilegal dois anos atrás pela lei real reduziu em muito a prática da escravidão, ao ponto do número de escravos ter sido reduzido talvez à centésima parte do que era no passado.
Satoshi tinha ouvido o colega de equipe dele, o ladino Favel, falar animado sobre a Princesa Dourada que quando ainda era uma jovem de quatorze anos conseguiu comover e convencer seu pai, o rei Ramposa III, e também muitos outros nobres de alto patamar a abolir a escravidão no país e libertar os sofridos.
Apesar de abolida em Re-Estize, pelo que Satoshi sabia, a escravidão ainda era praticada em três dos vizinhos: o Império, a Teocracia e o Reino do Dragão.
Como E-Rantel era o entreposto comercial de Re-Estize com estas três nações era normal que detentores de escravos passassem por aqui com suas propriedades.
Estas propriedades eram chamadas de escravos em trânsito e deviam ser obrigatoriamente registradas nos portões da cidade como os bens que eram.
Normalmente eles não poderiam permanecer mais que um período de tempo determinado aqui, sob risco de serem elevados ao nível de pessoas.
Assim que saíram da hospedaria as três damas elfas olharam em volta e quando viram o homem bonito com a katana elas tremeram levemente.
De medo e repulsa.
Mas mesmo que elas estivessem muito abaladas, elas foram em direção a ele de cabeça baixa e juntas.
Foi mais ou menos no instante que elas falaram com o homem com a katana que a pessoa esperada por Satoshi anunciou a chegada dela.
"Desculpe fazê-lo esperar, Famicom-sama."
Parada à direita de Satoshi estava uma beleza de longos cabelos vermelhos-cacheados com um corpo curvilíneo envelopado em um vestido verde justo e curto que terminava acima do joelho. Aquele vestido foi um presente dado por Satoshi àquela beleza e ele não pôde deixar de perceber o quão bem o vestido caia nela.
Os lindos e grandes olhos azuis dela olhavam Satoshi com profundo respeito e os lábios carnudos dela sustentavam um genuíno sorriso de alegria ao vê-lo.
Satoshi, que tinha acabado de observar o grupo que estava do outro lado da rua e agora olhava para a mulher na sua frente, não pôde deixar de pensar filosófico que um sorriso verdadeiro pode tornar o rosto de uma mulher lindo e que a desesperança pode tornar medíocre até mesmo o rosto de uma beldade.
"Quando eu estiver com esta forma me chame de Atari, Sapphire. Eu não estive esperando você por muito tempo, eu chamei você aqui porque gostaria de informar uma mudança de planos e trocar ideias com vocês sobre..."
Satoshi respondia a homunculi Thief, mas parou de falar no meio da frase e olhou para o outro lado da rua onde um barulho alto de lamento ecoou.
Na outra ponta do olhar de Satoshi, uma dama elfa de cabelo loiro estava no chão depois de receber um golpe violento dado pelo homem bonito.
Por algum motivo desconhecido aquele cara parecia irado.
As outras duas elfas se agacharam de cócoras em submissão, com a mão na nuca e lágrima nos olhos, enquanto o homem gritava com elas.
As pessoas que passavam pela rua apenas davam um olhar para a cena, sem interferir, mas estavam visivelmente desconcertadas pela atitude do homem estrangeiro.
"Que pessoas desagradáveis! Fazendo uma cena deplorável destas diante de Atari-sama! Você quer que eu vá educar eles, Atari-sama? Atari-sama…?"
Ao lado de Satoshi, Sapphire falava prestativa depois de reparar na cara de raiva que Satoshi fazia vendo aquela cena.
Esse babaca provavelmente é o proprietário das três… mas existe a pequena possibilidade que não seja e esteja só fazendo bullying com elas que estão em situação precária.
Depois de vencer um pequeno conflito dentro de si, Satoshi decidiu sair de seu caminho e caminhar até o homem com katana.
Ele cruzou a rua e parou na frente do homem que esbravejava raivoso enquanto pisava pesadamente na elfa loira chorosa no chão.
"Ei, você. Essas são suas escravas?"
O homem que tinha sua atenção na elfa loira se virou para Satoshi com uma cara irritada por ter sido interrompido e com visível disposição para discutir.
Mas quando viu Satoshi e Sapphire, principalmente Sapphire, seu rosto passou por uma mudança, ficando mais amigável.
"São sim, comprei recentemente. Estou disciplinando estas coisas lerdas"
Uhm… então ele era o dono delas mesmo.
Esta era a hipótese mais provável, afinal.
Ser dono dessas escravas devia permitir legalmente que ele disciplinasse elas. Desde que ele não chegasse ao assassinato dentro desta cidade, Satoshi suspeita que aquele homem estaria dentro da lei.
Não havia nenhum ponto em que Satoshi pudesse censurá-lo aqui.
Satoshi olhou para as três mulheres no chão.
Mesmo a respiração e o ritmo cardíaco delas era lamentável, era como se passassem por situações assim o tempo todo e já tivessem com a vontade quebrada.
Elas deviam sofrer esse tipo de abuso físico com frequência, o olfato invasivo de Satoshi também identificou que as três também sofreram abuso sexual recentemente.
Esse cara é um bosta… mas não posso comprar uma briga com esse panaca aqui no meio da rua.
"Entendo, desculpe o transtorno, tenha um bom dia. Vamos indo Safira-san."
Satoshi deu as costas para os quatro e começou a caminhar apressado na rua com Sapphire no seu encalço.
Atrás dele o homem chamou eles de volta algumas vezes, mas como foi completamente ignorado e não teve nenhuma resposta, o homem decidiu não persegui-los e ficou apenas encarando cobiçoso o magnífico corpo curvilíneo de Sapphire que se afastava.
Poucos instantes depois o homem já estava disciplinando as mulheres novamente, desta vez com mais brutalidade que antes devido ao humor dele ter piorado bastante depois de ter feito dentro da cabeça dele comparações estéticas desnecessárias e injustas entre Sapphire e as escravas dele.
Assim que estavam a alguma distância deles, Satoshi, que ainda percebia os lamentos da elfa com ajuda da audição privilegiada dele, falou.
"Esse cara era forte, não é?"
"Atari-sama achou ele forte? Achei ele apenas acima da média..."
"Ele foi o terceiro humano mais forte que vi neste mundo..."
"Mesmo assim ele não era esse forte não é, Atari-sama? Alguém assim estar entre a elite... isso apenas indica o quanto os humanos são lamentáveis!"
"Depois que eu matá-lo espero que ele pelo menos renda algo de bom..."
Satoshi disse isso sem pensar enquanto conduzia a beldade Sapphire até um beco lateral apertado, deserto e escuro.
Os dois ficaram lá parados, se encarando em silêncio a menos de um metro um do outro por quase três minutos.
Satoshi reparou com curiosidade que a cada segundo que passava Sapphire se remexia um pouco mais ansiosa.
Até que em um ponto ela disse:
"Atari-sama, por que estamos aqui sozinhos? Você quer que eu faça… algo com você?"
Satoshi fingiu não entender o que ela quis dizer com algo.
"Estou esperando eles aparecerem."
"... eles?"
Satoshi não respondeu Sapphire, mas apenas virou para o lado olhando a parede do prédio para encarar os recém chegados. Quando Sapphire seguiu os olhos dele, ela imediatamente ficou alerta tirando uma faca mágica das dobras do vestido e se posicionando entre os recém chegados e Satoshi.
"São aliados."
Satoshi a tranquilizou e voltou-se para a parede em questão.
"Se revelem para deixar Sapphire mais tranquila."
Ao sinal de Satoshi os quatro High Wraiths ficaram visíveis por alguns instantes e se separaram da superfície da parede. Era um pouco estranho ver a forma da pequena Tsuki, que os fantasmas haviam simulado, se contorcendo em ângulos anormais, mas Satoshi já estava acostumando-se com isso.
Satoshi tinha um sentido que o permitia sentir mortos-vivos com eficiência, esses High Wraiths não poderiam se esconder dele. Mas parece que eles conseguiram enganar Sapphire, mesmo ela sendo uma Thief.
Ela provavelmente estava com a cabeça em outro lugar e não estava focada...
Eles quatro sendo capazes de se aproximar de uma Thief de Nível 36 sem serem notados, mesmo que ela estivesse um pouco distraída, provava que estes High Wraiths eram discretos e seriam úteis no futuro.
"Gaspar, você vai seguir aquele cara com quem eu estava conversando antes, aprenda o máximo possível sobre ele e se ele for sair da cidade você deve informar essa dama aqui do meu lado. Se isso acontecer será ela aquela que te dará os próximos comandos."
Um dos fantasmas fez um sinal de concordância por uma fração de segundo e sumiu mais uma vez. Satoshi tinha orientado os quatro a evitarem falar ao máximo, porque a voz deles era desconfortável aos ouvidos dele.
"Sapphire estes outros três são Bibidi, Babidi e Boo. Bibidi será subordinado a você, Babidi será subordinado de Ruby e Boo será subordinado de Wasabi..."
Sapphire já tinha se recomposto e acenou com a cabeça demonstrando entendimento.
"... eles irão com vocês três como uma força adicional. A missão de vocês mudou. Não quero mais que vocês busquem prioritariamente informações quando saírem de E-Rantel. Quero que cada um de vocês ascenda socialmente nas cidades onde vão, como farão isso é critério de vocês, mas não sejam apressados ou imprudentes, entende?"
"Sim, Atari-sama."
Satoshi não precisava mais deles três coletando informações. Para ter informações bastava vampirizar pessoas e aprender o que ele desejasse. Por outro lado, ele precisava de pessoas com alguma influência na sociedade de outros países.
"Também quero que busquem foras-da-lei, criminosos de nível alto ou pessoas com alguma habilidade única. Miya vai ficar responsável por coletar eles de vocês..."
"Entendido, Atari-sama."
"Outra coisa... também é bom que vocês tenham recursos. Então quero que ganhem muito dinheiro e que gastem pouco, ok? No futuro, depois que estiverem estabelecidos, também vou passar a coletar recursos de vocês, isso é apenas para o bem de vocês, não tem nada a ver com ganância minha, entende? Com isso eu pretendo obrigar vocês a aprenderem a se virar e a se educarem financeiramente. Vou punir quem não pagar, considere isso como um imposto educacional."
"... Sim, Atari-sama."
"Bom que você entende, agora me diga o que você achou do seu primeiro dia em uma cidade humana e como planeja seguir para seu destino? Também fale em nome de Wasabi e Ruby."
Satoshi e Sapphire então ficaram conversando no beco apertado, escuro e deserto por quase uma hora.
Eles conversaram sobre os humanos e sua sociedade. Satoshi tentou passar tantas informações e dicas sobre a vida em sociedade quanto pôde para a ruiva de vestido decotado na frente dele.
Quando finalmente terminaram de conversar, eles saíram do beco e se despediram, cada um seguindo seu caminho.
Um grupo de jovens garotas e rapazes em uniformes de artesãos que passavam na rua rumo a oficina deles fez vários comentários em voz alta quando viu os dois saindo juntos do beco.
Ao que parece, aquele era um lugar popular para casais jovens ousados.
Sapphire pareceu envergonhada pelos comentários, mas Satoshi achou aquilo irrelevante e rumou para o Portão Norte.
- PARTE TRÊS -
Um Papo entre Talentosos
O grupo temporário Breu tinha alugado duas carroças e vários cavalos para a viagem que faria hoje rumo a Aldeia de Carne.
Cavalos pareciam ser algo relativamente caro neste mundo já que antes deles partirem os líderes das três equipes discutiram intensamente como se daria a viagem e como dividir os custos.
Satoshi lembrou-se que apesar de ver muitas lavouras ele não viu muitos rebanhos enquanto voava nos campos em torno de E-Rantel.
Alimentar uma cidade de mais de cem mil habitantes devia ser difícil, então Satoshi acreditava saber o porquê de não haver tantos rebanhos.
Provavelmente os recursos de trabalho eram escassos e a agricultura dava mais resultado que pecuária.
Gado precisa comer para engordar, né?
Este foi um drama que Satoshi acreditava que até mesmo o mundo natal dele, a Terra, sofreu por muito tempo.
Pelo menos até a popularização da carne artificial, a Terra teve que sacrificar muitas coisas para poder alimentar vacas que virariam alimentos.
Como este mundo era um mundo muito mais hostil à humanidade do que a Terra uma vez havia sido, a manutenção de rebanhos aqui era ainda mais difícil do que no início das atividades humanas no planeta natal de Satoshi.
Por exemplo, um simples morto-vivo inferior desgarrado de Katze ou uma besta-mágica qualquer saída de Tob poderiam comprometer todo um rebanho caso cruzassem o caminho dos animais durante a noite.
Quanto ao porquê de os cavalos serem muito caros aqui, Satoshi acreditava que, além da dificuldade natural de criação, isso era devido a grande demanda.
Satoshi não viu nenhuma carruagem mágica neste mundo, logo considerou que neste mundo a tração animal reinava absoluta, essa demanda excessiva então se somava às dificuldades de criação e acabava encarecendo os cavalos.
O objetivo do grupo Breu era encurtar os dois dias de carroça até a Aldeia de Carne e chegar lá ainda durante a tarde deste mesmo dia, por isso dos quatorze deles ninguém caminharia hoje.
Seis deles iriam montados e oito iriam nas carroças. Eles também não fariam uma pausa longa para o almoço.
Eles planejavam fazer pequenas pausas para alternar os animais que puxavam as carroças e enquanto faziam isso eles dariam água e frutas aos cavalos, aproveitando também para rapidamente comer alguma coisa eles mesmos.
A viagem apressada do grupo deles acabou por ser tranquila e até mesmo, pelo menos para Satoshi, um pouco monótona.
Satoshi tinha ficado em uma carroça com o líder da equipe Chuva Escura, o mago Tibur, com a ranger usuária de lança curta da Falcão Negro, Helenda, e com o mago da equipe Espadas das Trevas, Ninya.
Helenda estava guiando habilmente a pequena e veloz carroça que mais parecia uma biga egípcia.
Satoshi não tinha nenhum problema em conversar com as duas garotas com quem ele compartilhava a carroça, mas ali no veículo também havia Tibur, um homem que exalava um ar macabro, um mago com quem ele não queria papo.
Apenas por causa de Tibur, Satoshi aproveitou que estava levemente frio hoje, pegou um cobertor de sua mochila e fingiu dormir sentado a maior parte da viagem enquanto ouvia a conversa dos outros três.
Ninya e Tibur eram magos de 2º Nível filiados a Guilda de Magia de E-Rantel, já Helenda era uma garota adolescente apaixonada por um mago que a deixou para cursar a Academia de Magia do Império.
Era um pouco óbvio que os três deles iam conversar sobre magia em algum momento.
Para surpresa de Satoshi, ele ficou sabendo com a conversa deles que o tão lembrado amado de Helenda, o Mago de 3º Nível Alonzo, tinha sido um figurão dentro da Guilda de Magia de E-Rantel.
Alonzo tinha sido um dos maiores detentores de talentos da cidade. O talento dele permitia que ele doasse ou sugasse grandes quantidades de mana através do toque.
Mas quando um famoso mago do Império Baharuth chamado Anather Vux esteve hospedado na cidade de E-Rantel enquanto fazia o caminho de volta de uma viagem até a Teocracia de Slane, Alonzo foi tentado pelas ofertas de Vux e voltou com ele para o Império.
Junto com Alonzo também foram outros seis magos da Guilda que tinham bons talentos, um destes seis era um mago de 3º Nível como Alonzo.
Depois da partida deles, por uma semana inteira, o Mestre da Guilda de Magia de E-Rantel, Theo Rakheshir, encheu a cara de bebida todas as noites para afogar as mágoas na companhia do Mestre da Guilda de Aventureiros, Pluton Ainzack.
Me pergunto se Ainzack-dono levou ele para um dos seus estimados bordéis...
Satoshi também ficou sabendo que aquele Mago do Império, Anather Vux, era um conjurador de 4º Nível, tal qual Atari, a persona-disfarce mantida por Satoshi para se infiltrar entre os humanos de E-Rantel.
Vux também era um dos muitos discípulos de Fluder Paradyne, que por sua vez era um mago de 6º Nível que já vivia a mais de 200 anos.
Enquanto os três companheiros de carroça dele conversavam sobre isso, a garota disfarçada de garoto, Ninya, revelou a todos que repetidamente disse não aos convites de Vux e que o velho insistiu bastante porque gostou do talento de Ninya.
Ouvindo isso Satoshi não pôde deixar de abrir os olhos de sua posição de repouso e se juntar a conversa para poder fazer uma pergunta a Ninya.
"Se não for um segredo, você poderia dizer qual é o seu talento?"
"Oh, ah, isso… bem, isso é conhecido como Magic Aptitude. Graças a isso posso aprender magias com muita facilidade, pelo menos o dobro de facilidade que uma pessoa normal."
Parecia algo bom, embora Satoshi não achou algo incrível.
"Isso é tão Incrível! Você deve conhecer muitas magias graças a seu talento, Ninya-san!"
Helenda por outro lado achou o talento de Ninya excepcional, Tibur também parecia concordar com Helenda.
"Bem… isso é meio que verdade. Meu repertório tem 35 magias diferentes, atualmente estou estudando duas em paralelo."
"Impressionante! E você é um menino tão novinho!"
Trinta e cinco magias… Ninya é de nível 12 então isso é apenas dentro do esperado, não?
Em Yggdrasil, normalmente um conjurador podia escolher três magias por nível de classe que fornecia progressão mágica. Isso significa que, normalmente, um jogador focado só em magia teria até 300 magias no nível 100.
Satoshi tinha um pouco mais que isso, já que comprou magias adicionais na loja do jogo e completou missões de evento com ajuda de seus colegas de guilda.
"Você também tem um talento, não é Helenda-san?"
Pelo que Satoshi tinha descoberto, dentro da Equipe Falcão Negro, Helenda, Sylvo e Zara tinham talentos, o que era o mesmo que dizer que apenas Favel não tinha um.
Aquela era uma média muito alta para um grupo de aventureiros, Satoshi pensava.
Isso porque, pelo que ele ouviu, talentos são uma coisa rara.
Em comunidades de centenas de pessoas havia um ou dois apenas que era um detentor de talento, e nem sempre o talento era algo útil. Também haviam talentos que eram tão sutis que eram difíceis de serem descobertos e havia muitas pessoas que detinham talentos e não sabiam disso.
"Atari-kun! Não seja tão formal comigo! Somos da mesma equipe, não é?"
"Certo, certo, Helenda."
"Agora, quanto ao meu talento, ele não é esse incrível como o de Ninya-san. Ele é chamado Breath Control. Com ele posso controlar minha respiração de forma excelente, o que me ajuda muito com minha lança e com o arco. Ah, também posso ficar meia-hora embaixo d'água sem muito esforço!"
Satoshi pensou que realmente não era grande coisa, mas era útil.
Na sua forma atual como humano, Satoshi tinha que respirar. Mas quando ele retirava o Ring of Doppelganger essa necessidade ia embora.
Graças a isso ele sabia o quão útil era não precisar respirar.
Por outro lado, o talento de Helenda parecia bem incompleto aos olhos de Satoshi, já que apenas diminuía a necessidade dela por ar e não eliminava a necessidade daquilo completamente.
"Seu talento parece ser muito útil para guerreiros, Helenda-san. O meu por outro lado é voltado para magia. Ele foi minha principal motivação para insistir como mago. Se chama Rapid Casting, faz com que minhas magias sejam lançadas mais rapidamente. Graças a ele posso lançar magias de 2º Nível em cerca de cinco segundos."
"Oh! Incrível! Minhas magias de 2º Nível demoram pelo menos uns doze segundos..."
O líder da equipe Chuva Escura disse seu talento para todos com orgulho.
Diferente da opinião impressionada que Ninya emitiu, Satoshi achou o talento de Tibur apenas um talento básico. Desde que chegou neste mundo, Satoshi nunca demorou mais que um segundo para lançar uma magia instantânea, mesmo aquelas de nível alto.
Mas eu acho que essa trapaça se daria bem em magias com conjuração demorada… como por exemplo a Criação de Mortos-vivos.
Tibur entrou na conversa, esse era o sinal para Satoshi sair dela.
Satoshi fechou os olhos e se ajeitou com o cobertor para fingir dormir novamente, foi quando Tibur falou com ele.
"E você, Atari-san. Você por acaso é um detentor de talento?"
Ah porra, sério que você vai desrespeitar meu sono fingido?
"O talento de Atari-san deve ser de primeira ordem, para ele ter chegado tão longe como mago."
A garota disfarçada de garoto, Ninya, também pareceu curiosa.
"Sim! Atari-kun deve ter um talento excepcional! Pelo menos igual ao de Alonzo! Diga para nós, Atari-kun!"
Helenda que conduzia a carroça era o mesmo que Ninya e se virou brevemente para trás para olhar Satoshi.
Ei, você devia olhar a estrada, Helenda-chan… mas, e essa agora, o que eu respondo para eles?
Obviamente Satoshi não tinha talento, dado que essa mecânica não existia em Yggdrasil. Por outro lado Satoshi podia se aproveitar disso e usar um talento falso para justificar o fato dele ser um conjurador tão excepcional neste mundo.
Depois de pensar apressadamente Satoshi inventou algo.
"Meu talento era muito raro no meu país natal. Lá ele se chamava... Magic Sovereign, ele era tão raro que no país inteiro apenas eu e uma outra pessoa possuíamos isso. Ele me permite muitas coisas relacionadas a todo tipo de magia... mas, como sou um convocador, é graças a ele que posso ter convocações mais duráveis, fortes e variadas."
Isso foi propositalmente vago, mas devia justificar a maior parte das anormalidades de Satoshi frente às pessoas de E-Rantel.
"Oh! É por isso que suas convocações duram tanto, Atari-kun!"
"Isso é tão amplo… é um grande talento, Atari-san."
"Magic Sovereign… esse talento deve ser um de primeira ordem..."
Depois de responder aquilo, Satoshi voltou a fingir dormir enquanto os três ainda falavam.
Apesar de fingir dormir, a cabeça de Satoshi estava funcionando a mil.
Os próximos dias seriam essenciais no plano dele.
No fim da tarde, depois de fazer em menos de nove horas um percurso que teria demorado no mínimo vinte horas em circunstâncias normais, o grupo Breu finalmente chegou a Aldeia de Carne.
- PARTE QUATRO -
Três Damas em uma Fonte D'água
Satoshi tinha se hospedado em um lugar conhecido como Aldeia de Fritzer quando esteve na missão das Planícies de Katze, portanto, a Aldeia de Carne não seria a primeira Aldeia de Nativos onde ele se hospedaria.
Apesar disso, diferentemente da Aldeia de Fritzer, que embora fosse uma aldeia rural também recebia muitos recursos dos aventureiros que sempre paravam lá, Carne era uma aldeia rural por excelência e, por consequência, retirava seu sustento quase que unicamente do trabalho no campo.
A Aldeia de Carne sofreu uma grande tragédia recentemente.
Apenas três dias atrás esta aldeia tinha sido atacada por Cavaleiros Imperiais e tinha perdido quinze de seus habitantes. Para esta aldeia de apenas vinte três famílias aquilo foi equivalente a perder um décimo de seus habitantes.
Apesar disso, no geral, os camponeses daqui não pareciam desolados ou desesperançados. Alguns deles podiam até estar emocionalmente abatidos, mas a maioria deles já estava recuperada e podia, portanto, oferecer suporte aos vizinhos que perderam familiares próximos naquela tragédia.
Como Carne era uma aldeia rural, quase todos os seus moradores eram aparentados entre si, mesmo que distantemente aparentados.
Os membros de quinze das vinte e duas famílias restantes da aldeia podiam traçar sua linhagem até dois ancestrais em comum, que estavam entre os fundadores da aldeia.
Por morarem em uma aldeia pequena todos aqui se conheciam bem o suficiente para que pudessem se amparar mutuamente em momentos difíceis como este.
Quando os integrantes do grupo Breu chegaram na Aldeia de Carne no fim daquela tarde e desceram de suas montarias cansadas, eles todos tiveram uma grande surpresa.
Isso porque a Equipe de Mithril Kralgra, que também estava contratada para missão da Cidade da Floresta, tinha chegado na Aldeia de Carne apenas algumas horas antes deles chegarem aqui.
Os três líderes da Breu então se apresentaram e passaram a conversar com o líder da Kralgra, o aventureiro Igvarge.
Satoshi, por sua vez, aproveitou dessa folga para vaguear livremente na aldeia neste fim de tarde e ver como era o cotidiano de uma aldeia medieval padrão.
Não há nada mais universal que a rotina de uma aldeia, dizia um ditado que Satoshi ouviu o pai dele, um homem que tinha vivido na Grande Tóquio a vida inteira, dizer uma vez.
Mas como o lugar era muito pequeno, ele precisou de pouco tempo para cruzar a aldeia toda, apenas alguns minutos, os quais ele passou esquadrinhando tudo com atenção.
Um pouco decepcionado pelo tamanho minúsculo do povoamento, ele já começava a fazer o caminho de volta até a casa do Chefe da Aldeia, onde os aventureiros estavam reunidos.
Mas assim que ele começou a voltar, ele parou novamente, desta vez para admirar o esforço de três moradoras da Aldeia que realizavam aquilo que, ele especulava, devia ser uma rotina diária delas.
As três moradoras eram uma mulher de cabelo marrom-avermelhado, uma adolescente loira de talvez quinze anos e uma menininha de uns nove anos.
Elas estavam enchendo baldes de água em um dos únicos três poços comunitários que ele tinha visto em toda aldeia.
Satoshi parou para admirar o esforço daquelas mulheres enquanto se perguntava o que ele teria que fazer para implantar na cidade que estava construindo a distribuição encanada de água.
Quando as três finalmente terminaram de encher os baldes elas tinham os corpos suados e expressões de cansaço de fim de dia. Elas então trocaram algumas palavras entre si e limpavam o suor das próprias testas para tomar um fôlego.
Agora elas teriam que levar a água até a casa delas.
Elas tinham enchido cinco grandes baldes desta vez e esta, obviamente, não era a primeira viagem do dia, muito certamente elas já faziam isso a um bom tempo.
A mulher e a adolescente se prepararam para carregar cada uma dois dos baldes e a menininha um.
Satoshi pensou que o esforço necessário para fazer isso era demais para os corpos femininos delas, então assim que elas levantaram os baldes ele decidiu, como o cavalheiro que ele era, que as ajudaria.
"Vocês querem ajuda?"
Ele que este tempo todo tinha olhado elas de longe sem ser notado se ofereceu.
"... e o senhor quem seria?"
A mulher de cabelo marrom-avermelhado se pôs à frente da garotinha quando disse isso para um Satoshi que apareceu do nada. Pelo jeito que ela olhava ele de cima a baixo o avaliando, ela estava estranhando as roupas chiques dele talvez até o confundindo com um temível nobre.
"Meu nome é Atari, um aventureiro e mago que acabou de chegar na aldeia. Querem ajuda para transportar esses baldes?"
Ouvindo que ele era um aventureiro e vendo a Placa de Platina que Satoshi mostrava, a mulher ficou muito mais tranquila com relação a ele.
Aquela mulher estava no começo dos trinta, ela tinha na face dela uma beleza comum cativante, ela também era uma senhora com um corpo bem formado cuja apreciação era prejudicada pela escolha dela em usar vestimentas tão conservadoras e rústicas.
Apesar do vestuário discreto que para ele soava como a escolha de roupa de uma bonita mulher casada que não quer chamar atenção indesejada do sexo oposto, Satoshi não pôde deixar de notar o considerável volume daqueles seios e o quão as proporções dela eram atrativas.
"Ah! O senhor é um dos Aventureiros-san que chegaram de tarde… sabe, Aventureiro-san, vou aceitar sua oferta!"
Os quatro então distribuíram baldes entre si.
Três para Satoshi, um para a mulher que se chamava Angie Emmot e um para sua filha mais velha dela, que se chamava Enri.
Estes baldes são pesados… talvez contenham algo entre vinte e trinta litros?
Além do conteúdo pesado, os próprios baldes de madeira eram pesados e ainda eram transportados em pares, com cada um deles na extremidade de uma vara, que por sua vez, também não era leve.
Isso é muito pesado!
Satoshi pensou que aquelas mulheres eram muito fortes, na Terra ele não imaginaria que mulheres pudessem levantar tanto peso.
Por questão de orgulho masculino, Satoshi levou, além dos dois baldes na vara, um terceiro na mão direita.
A garotinha de cabelo marrom-avermelhado, que era a caçula daquela família e se chamava Nemmu, reclamou com a mãe dela que por causa de Satoshi ela não teria nada para carregar.
Como pode isso? Nemmu é uma criança nessa idade e ainda assim é prestativa… vivi minha vida inteira para ver um caso desses.
Aquela era outra coisa que ele também achava que dificilmente veria na Terra, onde, atualmente, as crianças eram criaturas cada vez mais raras e preciosas e que sempre eram, invariavelmente, muito mimadas pelos pais.
Bem, isso é natural… atualmente ter filho custa um bom dinheiro e isso está ficando cada vez mais caro, mesmo se eu tivesse uma mulher eu não poderia pagar por isso!
Nos tempos dos pais e tios de Satoshi essas coisas eram mais fáceis.
De volta na Terra, a maioria das crianças saudáveis que atualmente nasciam naquele mundo degradado e moribundo eram de proveta, ou seja, frutos de inseminação artificial.
Por esse motivo, aquele era o investimento mais caro e longo da vida de qualquer trabalhador corporativo japonês da geração de Satoshi.
Desde muito tempo o esperma do homem terrestre tinha se degradado tanto em qualidade devido a alimentação não natural e aos efeitos do clima que a cada dia que passava se tornava cada vez mais difícil para as mulheres engravidarem naturalmente.
E mesmo quando isso acontecia, era necessária muita sorte para que uma criança dessas, sem o selo de qualidade de um bom laboratório, não tivesse um mal congênito ou uma gestação muito problemática para a mãe. Por esses motivos, esse tipo de gestação 'às antigas' quase sempre saía muito mais caro para os pais do que o jeito moderno, de fato gestações 'às antigas' eram muito perigosas podendo até serem fatais para as mulheres no caso da ocorrência de uma gravidez problemática.
Era muito mais seguro contratar o longo e custoso processo de seleção artificial de espermatozóides e óvulos para buscar células que, dentro do possível, resultassem em uma criança saudável.
Havia países onde a gestação humana já se tornara impossível devido ao histórico de radiação daqueles lugares e eles tinham que recorrer a crianças in vitro, que eram caras demais.
Curiosamente, eram estas nações com a natalidade muito mais reduzida que possuíam a melhor qualidade de vida para os cidadãos que viviam nelas, pois, como a vida humana era valiosa lá, as pessoas eram protegidas e bem usadas, diferente do Japão onde Satoshi viveu toda a vida dele.
O país de Satoshi era um lugar onde o estado era um fantoche corporativo e onde, a menos que você fosse empregado por alguma corporação, em pouco tempo você certamente não poderia arcar com o seu sustento, com impostos e com dívidas.
Uma pessoa nessa situação seria despejada das Zonas Seguras da cidade e arremessada para viver junto dos desabrigados nas ruas ou nas estações de metrô abandonadas, cedo ou tarde, morreria no clima hostil do século 22 e teria o corpo sem vida coletado por caminhões autônomos para ser usado como objeto de teste para fármacos e remédios.
Aquele era o pior destino para um trabalhador no Japão e ainda assim era um destino muito comum que era visto com cada vez mais naturalidade pela geração de Satoshi.
Lembrar dessas coisas deixou Satoshi tão admirado pela atitude promissora da garotinha Nemmu que ele decidiu pedir a ela que levasse a 'mochila' dele para ele.
Aquela era uma bolsa de Yggdrasil que ele sempre carregava pendurada nos ombros e que, obviamente, pesava bem menos que um destes baldes.
Assim, Nemmu poderia ajudar, ainda que de forma indireta, e, portanto, seria capaz de se sentir útil para a mãe dela, tudo isso sem ter que carregar esse balde pesado de mais de trinta quilogramas.
A garotinha pegou com um ar desconfiado a mochila que Satoshi ofereceu a ela e logo após sentir o tecido com a mão ela imediatamente apertou a mochila contra o rosto enquanto dizia 'Mamãe! O pano é tão macio! A bolsa é tão cheirosa!'.
Ela então foi repreendida por Angie por ficar cheirando as posses de homens estranhos, ainda que "fossem homens gentis como este Aventureiro-san".
A verdade é que Satoshi tinha comprado vários temperos, algumas barras de sabão de diferentes fragrâncias e palitos de incenso na cidade, por isso ele podia entender a animação da garota.
Durante o pequeno trajeto que os quatro deles fizeram carregando os baldes, eles procuraram respeitar o pequeno passo de Nemmu que andava abraçada a mochila de Satoshi, como que querendo que parte do cheiro da mochila colasse nela.
Bem que eu queria convocar algo para carregar esses baldes… mas acho que isso ia ser muito espalhafatoso.
Satoshi achava que não seria bom chamar atenção desnecessária para si por causa de algo tão trivial como carregar baldes d'água.
Além do que, foi apenas por ter tido que carregar estes baldes que Satoshi pôde conversar descontraidamente com elas durante o trajeto.
"Fiquei sabendo que essa vila foi atacada recentemente..."
"Isto é verdade Aventureiro-san, tragicamente os Cavaleiros Imperiais atacaram nossa aldeia três dias atrás… perdemos bons vizinhos. Não fosse por Miya-sama e seus Anjos-sama nós estaríamos todos mortos! Miya-sama veio até nós e nos protegeu mesmo que nós todos sendo apenas simples aldeões que nada tem haver com a cidade de Famicom-sama!"
Ei, ei… como assim?
"... Famicom, é? Quem é este?"
"Ele é o mestre de Miya-sama. Um nobre e misericordioso vampiro que deseja governar a floresta."
Uhm… pelo jeito Miya conversou com estes aldeões antes de Gazef chegar.
"Você pode falar mais sobre isso?"
Satoshi ouviu Angie e Enri atentamente até que eles chegaram na casa delas, ele ajudou elas a pôr os baldes no grande reservatório que estava quase cheio devido ao esforço delas esta tarde.
Ele então recebeu para beber um copo de água não fervida, mas que havia sido filtrada em um primitivo filtro de barro.
Parece que Miya tinha falado pouca coisa para os aldeões ou pelo menos falou pouca coisa para os Emmot. Mas mesmo assim era irritante que a Eidolon dele fosse tão língua solta.
Satoshi realmente esperava que, depois do que aconteceu e de todo problema que ela causou, Miya corrigisse a atitude dela.
Depois de conversar com Angie e Enri mais um pouco, Satoshi se despediu das Emmot e voltou para a casa do chefe da aldeia, onde os aventureiros estavam reunidos.
Lá ele ficou sabendo que foi decidido que o grupo Breu e a equipe de Mithril Kralgra não iam trabalhar juntos. Amanhã, Kragra partiria para a floresta pela rota noroeste e Breu pela rota Nordeste.
Também soube que a equipe Kralgra alugou, após negociar com o chefe da aldeia, a casa da família que morreu no ataque e coube a cada um dos componentes do grupo Breu escolher entre alugar residências de moradores da aldeia ou dormir no celeiro.
As informações sobre o ataque dos Cavaleiros Imperiais, que envolvia a história sobre Miya, Famicom e Gazef, tinham chegado rapidamente aos aventureiros do grupo Breu.
Eles ficaram confusos ao descobrir que a guilda omitiu a presença de Gazef, mas por outro lado os aventureiros também tiveram muita dificuldade em acreditar no que os aldeões diziam.
Isso porque os aldeões insistiam em dizer que um mero anjo convocado teria limpado o chão com o Capitão-Guerreiro, algo inconcebível para eles.
Depois daquela reunião estratégica, Satoshi se separou de sua equipe e, já que precisava de abrigo durante a noite, decidiu rumar para a casa dos amigáveis Emmot e tentar se hospedar lá.
Ele ofereceu a Angie uma moeda de prata por uma noite de hospedagem.
Isso era três moedas de cobre a mais do que ele pagava na hospedaria que frequentava na cidade. Angie aceitou a moeda e o recebeu como hóspede com um largo sorriso no bonito rosto comum dela.
Queria pagar um valor melhor, mas acho que seria suspeito...
Satoshi acreditava que mesmo que alguém vasculhasse de cima abaixo toda esta aldeia dificilmente encontraria uma única moeda de ouro por aqui.
Pelo que Satoshi sabia, uma moeda de ouro era muito mais do que uma família camponesa padrão precisava para passar um ano inteiro.
Isso acontecia porque, diferente dos habitantes da cidade, os camponeses produziam seu próprio sustento no dia-a-dia e raramente interagiam com a cidade a não ser para trocar o excedente do que produziam por bens.
Mesmo nas muito mais frequentes trocas com aldeias vizinhas, eles preferiam usar o método do escambo, mesmo método que era usado pelos mascates que iam de vila em vila.
Esses mascates, a propósito, faziam um bom dinheiro se aproveitando da ignorância dos camponeses sobre o valor do que trocavam.
Para piorar, os impostos do Domínio não eram baseados em moedas, mas sim em grãos produzidos e de tão salgados, eles levavam boa parte do que eles eram capazes de plantar.
Por isso, o dinheiro não é uma necessidade diária nos campos agrícolas ao redor de E-Rantel, nesses lugares o dinheiro era apenas uma reserva de emergência para eventuais problemas, quando fosse necessário contratar, por exemplo, o serviço de um médico ou aventureiro, ou quando um item que não podia ser produzido localmente ou nas aldeias vizinhas era necessário.
Também era por esse motivo que sempre que bandidos atacam aldeias, muito mais que dinheiro o que eles desejam é roubar suprimentos, crianças para escravidão e mulheres para alivio.
Quando teve seu pedido de hospedagem aceito por Angie, Satoshi novamente entrou na casa dos Emmot, ele ficou sabendo que a garotinha Nemmu tinha ido esperar o chefe da família na entrada da aldeia e, com isso, Satoshi tinha ficado sozinho dentro da casa com a mãe e com a filha mais velha da família.
Os três ficaram conversando na cozinha por um tempo, enquanto Nemmu não voltava com o pai dela.
Elas são hospitaleiras demais… isso chega a ser perigoso para elas.
Talvez isso fosse por Satoshi ser um aventureiro, ou talvez apenas por Angie ter confiado nele, mas mesmo assim era preocupante o quão abertas estas pessoas eram para gente de fora.
Enquanto Angie e Enri cozinhavam a janta, ambas bastante atarefadas e falantes, Satoshi observava as duas mulheres gerindo uma cozinha medieval simples.
Isso é muito arcaico...
Satoshi se privou de fazer perguntas ou sugestões sobre as coisas que via, apesar de estar um pouco incomodado com coisas relativas à higiene dos alimentos não era nada grave a ponto de justificar a interrupção do espetáculo.
Nos dias atuais o senhor Emmot estava chegando um pouco mais tarde que os outros homens da aldeia pois tinha mais responsabilidades no campo agora que o número de mãos diminuiu.
Ao ver tão pouca variedade de alimentos na cozinha, Satoshi decidiu apimentar as coisas e tirou vários ingredientes que tinha comprado em E-Rantel do inventário dele, enquanto fingia que aquelas coisas estavam no interior da mochila dele.
Eram principalmente temperos e carne defumada.
Ele então deu essas coisas a Angie para que ela pudesse incrementar a refeição de hoje e fizesse algo especial.
A aldeã ficou maravilhada com os itens e agradeceu muito a ele por ajudar com ingredientes para a janta.
É uma casa simples, não é?
De fato era uma casa muito simples.
Eram três cômodos apenas.
Um deles era a cozinha onde a comida era preparada e servida, um era o quarto do casal, o outro era o quarto onde as duas filhas dormiam e que também servia para todos os outros propósitos da casa.
Satoshi não pôde deixar de reparar que não havia um sanitário ou banho dentro da casa.
Desde que chegou neste mundo, uma semana atrás, por estar a maior parte do tempo na forma humana, Satoshi teve que defecar algumas vezes. Era desconfortável para ele usar palha então ele preferia folhas de plantas ou água, mas folhas adequadas também eram raras.
A vida medieval tem suas dificuldades...
Satoshi pensou isso enquanto lembrava de sua primeira ida ao sanitário neste mundo.
Angie aproveitou a lenha aquecida da cozinha para esquentar um grande balde de água e o deu para que Satoshi pudesse se lavar antes do jantar.
Isso era incomum em casas de camponeses pois normalmente eles não esquentavam a água nesta estação, o normal era usar a água na temperatura ambiente mesmo em dias um pouco frios como o de hoje.
Eles só gastavam lenha com uma trivialidade dessas ou no inverno ou em banhos para enfermos.
Satoshi vinha percebendo que Angie estava tentando fazer o máximo para agradá-lo, provavelmente para que ele não tivesse uma impressão de pobreza da casa da família dela.
Por mais humildes que sejam, todos tem seu orgulho...
Aquele era o pensamento dele quando Satoshi saiu com o balde de água na mão pela saída lateral que Angie indicou.
- PARTE CINCO -
O Mais Longo dos Banhos
Satoshi entrou em uma área a céu aberto que era isolada das casas dos vizinhos com precárias divisórias anti-espionagem feitas de madeira e folhas secas.
Como desta vez ele tinha água quente consigo e não estava em um quarto compartilhado com ninguém, ele decidiu fazer diferente do que vinha fazendo desde que chegou neste mundo e se despiu quase por completo, ficando apenas com a cueca dele.
Hoje ele tinha alguns luxos enormes apenas para si, que eram: um enorme balde de água quente completamente cheio, uma toalha macia e várias barras de sabão cheirosas que comprou na cidade.
Com estas coisas a disposição dele, ele decidiu que ia aproveitar e fazer uma festa.
Satoshi também acreditava que as mulheres Emmot estariam ocupadas decifrando e testando os ingredientes novos que ele deu para elas prepararem a janta de todos, por isso, além de todos os luxos que tinha para o banho, Satoshi ainda teria tempo de sobra para se lavar com calma e com cuidado.
Estive me sentindo desolado e sujo esses dias...
Como o japonês que era, Satoshi se sentia mal por não ser capaz de fazer uma adequada higiene. Mas agora que ele tinha essa oportunidade ele pretendia ir às forras e lavar a alma junto com a sujeira.
No entanto, tal qual vinha acontecendo com relativa frequência na vida dele ultimamente, o que Satoshi planejava não se realizaria.
Um imprevisto aconteceu e o banho ideal de Satoshi foi para o ralo poucos minutos após começar.
Em um ponto, enquanto Satoshi ensaboava o corpo, ele ouviu passos vindos do interior da casa se aproximarem da porta que levava até a área separada onde ele estava se limpando.
Satoshi reparou através de seus sentidos afiados que a filha mais velha de Angie, Enri Emmot, ficou parada por quase um minuto atrás da porta espiando ele por uma fresta, só depois deste tempo que a jovem suspirou determinada e tomou coragem para abrir a porta.
Ela entrou naquela área cercada evitando contato visual com Satoshi e carregando um balde de água quente e alguns panos.
Satoshi pensou que Angie tinha enviado, através de Enri, mais um balde de água para ele usar, algo que Satoshi não julgava necessário e ele já planejava dizer isso educadamente para a garota que entrava ali na área cercada, mas, enquanto ela evitava olhar na direção de Satoshi e fechava a porta atrás dela, Enri Emmot falou com ele antes mesmo que dele encontrasse as palavras educadas com que planejava recusar o balde extra.
"Mãe me disse para eu me lavar agora também, Atari-san, então, com licença."
As palavras ditas pela garota que era Enri Emmot deixaram claro para Satoshi que o achar dele sobre o motivo que a trouxe aqui estava errado e que por isso não seria necessário que ele dissesse nada para a jovem em resposta.
Depois de dizer o que a trouxe aqui, uma levemente corada Enri começou a despir o vestido simples dela.
Quando ela começou a fazer isso, um completamente surpreso Satoshi entendeu imediatamente o que ia acontecer agora.
Ele ia tomar banho no mesmo ambiente que alguém do sexo oposto!
Tal ocorrência, definitivamente, estava fora das mais ousadas expectativas que ele poderia ter.
Como um japonês do Século 22, Satoshi estava acostumado a tomar banho na frente dos outros, mas apenas na frente de homens como ele. Ele já tinha se banhado com seu tio e primos dezenas de vezes, mas nem uma vez sequer com sua tia e prima.
Quando era criança, Satoshi sempre se banhou com a falecida irmãzinha dele, mas aquilo foi em tão tenra idade que ele mal se lembrava.
Bom… eu estou em outro mundo então essa vai ser só mais uma das muitas novas experiências que terei.
Uma vez que estava sem o vestido, Enri, timidamente, se sentou em um tronco de árvore cortado que servia de banco e ficava a menos de quatro metros de onde Satoshi estava.
Um pouco insegura, Enri começou a se lavar.
Assim como ele, a garota Enri manteve as peças básicas de roupa enquanto se lavava, no caso dela as peças eram um pano que cobria, e sustentava, os seios dela e uma calcinha antiga conservadora que parecia uma bermuda de algodão e cujo pano das pernas ela tinha levantado tanto quanto possível para poder limpar a pele lisa das coxas dela.
Se eu me demorar aqui… será que ela tira esses panos?
Satoshi geralmente era indiferente a essas coisas, mas por algum motivo agora ele estava estranhamente curioso e excitado.
Tendo sentidos excepcionais, Satoshi não pode deixar de notar que ele não era o único que espiava o outro lado, ele notou que Enri também olhava para ele periodicamente de forma disfarçada.
Ele também percebeu que, como ela era uma jovem mulher ainda em processo de amadurecimento, a curiosidade dela era até maior que a dele.
Ao perceber isso, Satoshi decidiu que usaria a anormal percepção do ambiente dele para fazer um experimento.
Enquanto se ensaboava ele intencionalmente se posicionou de uma forma que, para alguém que estivesse na posição em que Enri estava, ia parecer que ele estava olhando para o outro lado, porém aquilo era um engenhoso truque de perspectiva.
Na verdade, a posição que ele tomou ainda permitia que ele observasse ela razoavelmente bem.
Como uma reação à nova posição dele, tal qual Satoshi esperava que acontecesse, os olhos de Enri, que agora estava erroneamente confiante de que ela não estava sendo vista ao espiar o homem seminu ao lado dela, passaram a alvejá-lo por mais vezes, por períodos mais longos e com uma maior intensidade.
O medo de ser visto e julgado limita todos os seres humanos...
Estando satisfeito até demais com o resultado do experimento, Satoshi só notou depois de algum tempo algo que teria reparado de imediato se não tivesse desnecessariamente se perdido em examinar as formas e reações femininas de Enri nos últimos minutos.
Uhm! Como pude não notar isso antes... ela não está usando sabão!
Sabão perfumado era algo razoavelmente caro neste mundo.
Satoshi teve considerável dificuldade para achar isso na Cidade de E-Rantel, tendo que ir em uma loja pomposa para conseguir algumas barras. Se isso era raro na cidade então este artigo devia ser ainda mais raro em um lugar remoto como esta Aldeia.
Tendo acabado de ensaboar os membros e o tórax, enquanto todo este tempo aquela jovem ao lado dele se lavava apenas com água e uma esponja vegetal, ele se sentiu culpado e ofereceu uma barra de sabão a Enri.
"... você quer usar meu sabão?"
Ele perguntou para ela, um pouco ousado.
Apesar de ser apenas um compartilhamento de sabão, dizer isso fez Satoshi se sentir um pervertido do mesmo nível de Peroroncino.
Satoshi estar tão animado com interações com o sexo oposto era algo realmente novo para ele, de forma que ele mal sabia como agir aqui.
"Ah… eu posso Atari-san? Dizem que isso é tão valioso..."
"Eu tenho vários destes comigo, pela hospitalidade de vocês vou dar esta peça de presente para sua casa, aqui pegue..."
Enri pareceu insegura em aceitar, mas foi derrotada pela curiosidade e aceitou o item perfumado que Satoshi tinha oferecido. Ela andou até Satoshi cobrindo com ambos os braços o agora transparente par de peças de pano brancas molhadas que tapavam as vergonhas dela.
No entanto, uma vez que pegou a barra de sabão dele ela se distraiu completamente ao receber aquele novo objeto perfumado e, por isso, negligenciou suas defesas contra o homem seminu diante dela, ela ficou admirando a cheirosa barra de sabão enquanto segurava aquilo com ambas as mãos como se fosse um tesouro.
Satoshi, que desde o momento em que a jovem se levantou estava aguardando com expectativa o momento onde ela cometeria tal desleixo, pôde ver de perto e com absoluta clareza, para o completo deleite dele, o relevo dos mamilos que se projetavam contra o pano molhado cobrindo os seios dela e pôde ver a cor rosada das auréolas ao redor do bico dos seios de Enri.
Graças aquele temporário desleixo da jovem, cuja atenção se focou inteiramente na barra de sabão nas mãos dela por vários segundos, ele até mesmo conseguiu dar uma rápida olhada para baixo, de forma bem disfarçada para não parecer grosseiro, e ter um pequeno vislumbre de uma fina mata dourada na área mais baixa do baixo ventre de Enri, a escassa mata era visível mesmo estando abaixo do fino pano da calcinha antiquada que a garota camponesa usava.
Apesar de ter podido olhar apenas um instante e do tom um pouco escuro dos pêlos devido a água e ao tecido que os cobriam, Satoshi estava certo que aquela singela mata de pêlos íntimos era de um tom loiro bem claro.
Por estar encharcada com a água do banho, a calcinha branca antiquada de Enri se agarrava firmemente às partes mais escondidas e protegidas da jovem, o que também permitiu a Satoshi por alguns instantes ter uma tentadora ideia dos contornos da delicada intimidade da garota.
Pouco depois que Enri pegou da mão dele a barra de sabão que Satoshi tinha esfregado por todo corpo dele nos últimos minutos, a jovem voltou ao lugar dela enquanto caminhava um pouco mais lenta que o normal para que ela pudesse admirar a barra de sabão perfumado que ela tinha em mãos.
Durante esse breve tempo em que ela caminhava absorta na flagrância do Sabão, ela teve a silhueta traseira dela desavergonhadamente avaliada por Satoshi, que obviamente, excitado como ele estava, não perderia a oportunidade de admirar as curvas e formas do corpo dela, em especial admirar a jovem bunda de Enri.
Hm~ Bom~ Acho que olhar um pouco não tira pedaço huh~
Apesar de ter consciência de que o comportamento dele era ultrajante e desrespeitoso, Satoshi, que foi posto naquela situação inesperada, estava excitado e com o sangue quente, e por isso ele se esforçava para ignorar os óbvios erros e grosserias que percebia no próprio comportamento.
Afinal, tomar banho com uma garota era uma situação inédita para Satoshi.
Porém, mesmo isso sendo novidade, ainda era surpreendente o fato do corpo e mente dele estarem reagindo aos estímulos da figura de Enri.
Durante toda a vida dele, Satoshi, cujo apelido foi Eunuco no colegial, nunca sentiu tamanho nível de animação.
Depois que Enri voltou ao seu lugar, ela se sentou e começou a se lavar novamente, desta vez totalmente distraída com o novo item de banho.
Talvez fosse pela agradável sensação que a pele dela teve ao sentir a textura até então desconhecida do sabão sendo pressionado e esfregado contra si, talvez fosse pela perfumada fragrância herbal do sabão que multiplicava por muitas vezes a impressão de limpeza e pureza do banho, ou talvez fosse simplesmente por perceber a eficiência do sabão que removia visivelmente a sujeira e a oleosidade dando um aspecto ainda mais bonito a pele dela.
Seja lá qual tenha sido o motivo, em vários momentos enquanto ela se lavava com o sabão, ela fez um sorriso lindo, um encantador sorriso de descoberta, um sorriso que Satoshi não tinha visto nela nenhuma vez desde que a conheceu no fim da tarde de hoje.
Um pouco fascinado pela garota na frente dele, ele demorou o máximo possível para se lavar enquanto observava aquela dama inexperiente ter sua primeira vez tomando banho com sabão.
Enri, por sua vez, estava tão entretida com o sabão que já nem mais espiava o Satoshi semi-nu nas imediações.
Não me diga… será que antes ela só me olhava o tempo todo porque estava curiosa com o sabão?!
A auto-estima de Satoshi foi mortalmente ferida quando ele pensou isso. Aquilo indicava que, no fim de tudo, ele não era lá um cara interessante.
"Aqui, Enri-san. Meu balde ainda está pela metade. Pode usar."
Após um bom tempo no qual ambos passaram se lavando em silêncio e no qual Satoshi pôde não só apreciar a água que o limpava, mas também a cativante visão da jovem seminua se lavando feliz na frente dele, ele finalmente deu por encerrado o banho dele e ofereceu o resto de sua água para Enri.
Ele então se levantou do tronco cortado que servia de banco para levar o balde com o resto da água até ela e para poder pegar a toalha que deixou perto da porta e se secar.
Ele tinha decidido parar de se lavar já que ele não podia observar por mais tempo o corpo encharcado e ensaboado da bonita jovem na frente dele sem que ficasse claro que ele estava propositalmente se demorando apenas para poder espiar o corpo seminu dela.
Satoshi teve até agora a ingênua esperança de que se ele esperasse o suficiente ele ia conseguir ver a garota inteiramente nua, mas aparentemente isso não ia acontecer, uma vez que ela não dava sinais de despir os dois panos brancos, molhados e semi-transparentes que cobriam as visadas vergonhas dela.
Satoshi também sofria com um outro problema que crescia a cada segundo que ele passava ali com Enri e que demandava que ele saísse do banho para resolver aquilo logo.
Esse problema era o grande 'pacote' que aumentava dentro da cueca dele, 'aquilo' estava tão descaradamente alterado que, ao se levantar para entregar o balde a Enri e se secar, ele teve que instintivamente se inclinar em um angulo estranho numa tentativa inútil de disfarçar o volume daquela parte do corpo e teve ainda que caminhar com um passo incongruente e esquisito até poder entregar o balde com o resto da água a jovem.
"... ah, obrigada, mas Atari-san, já terminou? Você não vai lavar tudo?"
Enri perguntou distraída enquanto aceitava o balde.
"O que você quer dizer?"
"... digo, papai sempre se lava todo... até mesmo, embaixo da cueca… Eerh!"
Enquanto Enri dizia aquilo, ela, que tinha acabado de receber de Satoshi o balde d'Água dele enquanto ainda estava sentada na frente dele, falhou em conter o olhar curioso dela ao proferir a palavra 'cueca' e, inconscientemente, se voltou para referida peça de roupa de Satoshi, peça de roupa esta que, por sinal, era a única que ele vestia.
Dada a proximidade de ambos, foi inevitável que ela notasse a projeção não-natural que irrompia da virilha dele e que, além disso, também estava muito próxima do rosto dela, de fato, a peça dentro da cueca dele estava distante no máximo um palmo da ponta do nariz de Enri.
Imediatamente, a garota, que ainda estava no meio da fala dela, como que por ato reflexo, afastou a cabeça vários centímetros para trás para poder ver melhor.
Inclinada para trás, ela agora via a cena de um ângulo mais aberto e podia ver com grande clareza a situação crítica da coisa de Satoshi que, de forma dolorosa, se arremessava contra o pano rústico se esforçando para romper os tirânicos grilhões daquela cueca.
Vendo aquela cena de carcere e tortura que, possivelmente, era inédita para ela, Enri soltou um som de difícil classificação e interrompeu, sem concluir, a frase que falava, ao mesmo tempo em que ela fazia uma expressão facial complexa que juntava partes parecidas de confusão, surpresa, curiosidade e, bem, algo mais íntimo e instintivo.
Talvez não fosse apenas curiosidade pelo sabão... talvez eu também tenha valor em mim mesmo...
A outrora abalada auto-estima de Satoshi começou a ser pouco-a-pouco renovada quando ele voltou a receber a atenção da jovem, desta vez com Enri dando uma complexa encarada na virilha dele.
Satoshi não respondeu de imediato as palavras que Enri estava dizendo antes, afinal, o olhar que a jovem Enri dava para ele não era algo que ele recebia com frequência então ele decidiu apreciar aquilo um pouco mais.
A garota Enri, por sua vez, durante os poucos segundos de silêncio que durou aquilo, parecia estar se esforçando para adivinhar os reais contornos da ferramenta cilíndrica grossa com cabeça proeminente que estava coberta por um pano branco molhado, e portanto, semi-transparente, a curta distância da face dela.
Apesar dela já ter essa idade, essa, provavelmente, é a primeira vez dela vendo um desses nesse estado crítico... talvez ela nem soubesse que eles podiam tomar essa forma.
Satoshi achou tão meiga a face feita pela ingênua Enri ao observar o membro coberto dele que ele sorriu para si mesmo satisfeito.
De alguma forma a ideia daquela visão ser algo inédito para ela era, estranhamente, um agravante para a crise na virilha dele, já que o deixava ainda mais animado.
Ao mesmo tempo, era muito estranho para Satoshi, o fato de haver uma jovem de quinze longos anos, que via pela primeira vez, ainda que estando imprecisamente coberto por um pano molhado, o contorno da sexualidade excitada do sexo oposto.
Se aqui fosse a Terra do século 22, uma jovem de quinze anos muito provavelmente já teria certa experiência com essas coisas e já teria visto falos excitados, sem qualquer pano cobrindo eles, por várias vezes na vida.
Satoshi era um adulto e por isso obviamente foi obrigado a passar pela lamentável fase conhecida como adolescência no passado, portanto ele não podia criticar Enri por ser curiosa quanto ao corpo dos outros dado que isso era uma coisa comum para a idade dela, mas ainda mais do que apenas entender Enri, Satoshi se sentiu identificado com essa garota tardia.
Desde muito novo Satoshi sempre teve muito pouca libido, devido a isso quando ele estava na idade de Enri, uma idade em que todos os colegas dele, Hajime incluso, já tinham experiência com essas coisas, Satoshi tinha apenas um estúpido e secreto amor platônico por uma Senpai no colégio, uma bela, mas comprometida, garota do clube de mangá com quem ele mal falava e, honestamente, também mal conhecia, tendo, pelo que lembrava, nunca sequer tocado a pele dela.
De fato, mesmo naquela idade, ele era tão pouco interessado nessas coisas que, ao contrário do que se esperaria ele raramente se engajava em ações íntimas com a única mão restante dele.
Foram poucas as vezes que Satoshi, um jovem amplamente conhecido como 'Eunuco' no colégio, precisou se auto-aliviar na vida dele já que ele quase nunca se excitava ao ponto de tal ação extrema ser necessária.
Portanto Satoshi, que foi, sem dúvidas, um tardio tal qual Enri, se identificou com a ingenuidade da garota na frente dele.
No entanto, apesar dele se identificar com a jovem Enri, era curioso ver a expressão de surpresa que ela fez durante aqueles poucos segundos, com os belos olhos castanhos dela arregalados e com a boca aberta, estando completamente absorta avaliando o pacote na frente dela, possivelmente imaginando como aquilo seria uma vez que estivesse fora da embalagem.
Depois de ver com cuidado aquela reação extremamente exagerada de Enri que durou por, e isso ele fez questão de contabilizar, sete longos segundos, o que era mais do que um décimo de minuto, Satoshi não pôde deixar de pensar algo deselegante.
Embora seja muito difícil de acreditar… acho que essa garota está encantada com a minha rola!
Foi o que ele concluiu no tempo que analisou a reação de Enri a ereção dele.
"Debaixo da cueca? Você quer dizer a minha virilha, Enri-san?"
Estando satisfeito por ter sido capaz de observar a face mesmerizada da primeira jovem ever a ter se maravilhado com a rola dele e tendo sido capaz de recarregar completamente a auto-estima pessoal dele, Satoshi decidiu interromper o estado confuso da mente da observadora Enri e retomou a conversa.
"Eh, Hã… Ein? Ahhh!"
Assim que Satoshi retomou a conversa dos dois, a garota piscou e voltou a si, ela então ainda com a cabeça inclinada para trás levantou o rosto dela olhando por alguns instantes para o rosto de Satoshi que estava de pé na frente dela e tinha falado algo para ela a pouco.
No momento que os olhos dela cruzaram com os do sorridente Satoshi foi quando ela percebeu a forma estranha com que agiu a pouco, imediatamente então, sem qualquer aviso, o rosto dela se avermelhou completamente e em um piscar de olhos se igualou a um tomate.
Ela então, em um movimento universal feminino de vergonha, que no caso dela de tão rápido e brusco se aproximou da velocidade da luz, se virou para o lado e se encolheu bruscamente enquanto cobria o rosto completamente corado de vergonha com ambas as mãos.
Sim, sim, fique envergonhada, minha jovem. Você terá dificuldades em casar se continuar se comportando assim, Senhorita Enri.
Após gastar alguns segundos naquela posição, que para as mulheres envergonhadas equivalia a posição fetal, ela pareceu recuperar a compostura, Enri então voltou à posição normal dela e fingiu que nada aconteceu alí.
"O que eu estava dizendo antes… é que… é assim como, como papai sempre fez, pelo menos… ele sempre lava alí… sempre lava o… dele… você sabe..."
Foi o que ela respondeu olhando em outra direção e corando novamente.
"Você quer dizer lavar a minha virilha? V-i-r-i-l-h-a… certo? Curioso ser você aquela que me lembrou disso, quero dizer, eu não te vi lavar a tua virilha todo esse tempo que ficamos aqui."
"Eh?! Isso é porque eu ainda não terminei de me lavar! Sempre lavo isso por último!"
"Isso é verdade, Enri-san? Você realmente não devia deixar de lavar isso, sabe, é uma das partes do corpo que mais cheiram..."
"Eu já disse que faço isso por último!"
"Hã? É sério? Sério mesmo? Estou aqui este tempo todo e você parece estar evitando isso com todas as suas forças. Você já lavou debaixo dos braços umas seis vezes, não? Se você gastar tanto tempo namorando esse sabão, daqui a pouco amanhece e você vai apenas ficar resfriada e com a virilha suja."
"... isso é, é que, nunca me banhei com sabão antes... então eu queria apreciar e lavar aquela parte devagar... e em paz… espere, por que estou te explicando isso?!"
Enri que estava na defensiva até agora se mostrou um pouco irritada pela primeira vez desde que Satoshi a conheceu.
Embora o motivo dela estar irritada fugisse ao entendimento de Satoshi, ele considerava que aquele estado era contraproducente.
"Haha! Claro! Foi esse o motivo da demora então!"
Satoshi falou amigável e sorrindo para que a garota não se irritasse mais.
"Obrigado por me lembrar isso, Enri-san, veja só, de todas as coisas que eu podia esquecer eu esqueci disso! Eu, que já vivi tantas coisas, esqueci de lavar minha virilha no banho, tsk, tsk, sorte minha que Enri-san está aqui para me lembrar dessa parte tão importante da higiene pessoal… bem, já que eu ainda não terminei com a água do banho vamos fazer isso direito…"
Satoshi disse isso e, com um movimento limpo e rápido, removeu a maldita cueca que a essa altura já estava machucando a intimidade rija dele.
"...!"
Com dois segundos de atraso em relação a aparição da tromba de elefante que se ergueu na frente dela, a adolescente na frente dele cobriu o rosto dela completamente envergonhada.
"... hã? O que foi, Enri-san? Não foi você que me lembrou de lavar embaixo da minha cueca..."
"... mas, mas você não precisava tirá-la toda de uma vez… e, e, você está muito perto! Essa coisa… para de ficar balançando ela de um lado pro outro, Atari-san!"
Apesar de cobrir o rosto com as mãos, Enri tinha grandes frestas entre os dedos dela por onde ela espiava a ferramenta ereta de Satoshi e movia, sem erro, os olhos castanhos dela de um lado para o outro acompanhando a ponta balançante da coisa de Satoshi, tal qual uma gata doméstica faria olhando um daqueles brinquedos de gato.
Aliás, se alguém observasse estritamente, Enri sequer estava se esforçando para cobrir os olhos direito, afinal, agora que a ferramenta dele estava liberta ela não precisava adivinhar os contornos daquilo por baixo de um pano.
Bastava olhar para frente e descobrir, sendo isso o que ela estava fazendo agora enquanto fingia esconder os olhos.
Ela realmente está com s atenção dela nesse cara!
Satoshi até achava que como ela estava observando aquilo tão atentamente pelas frestas dos dedos, quase como se quisesse guardar as minúcias para um exercício futuro, talvez se o Satoshi nu na frente dela continuasse balançando aquilo, de um lado para o outro, simulando com o membro dele o relógio de um hipnólogo, ele ia hipnotizar Enri.
Isso não… seria possível, né? Talvez… eu deva tentar uma hipnose? Não! Aff… por enquanto vou parar de balançar isso, no máximo ela vai ficar tonta...
"Você está tão vermelha, Enri-san… parece uma fruta, por acaso você pegou uma febre? Por que está escondendo o rosto? Aconteceu algo com tua face? Não aconteceu nada com os teus olhos, não é? Afinal, você está cobrindo o rosto todo menos os olhos..."
"... Não é nada."
Ouvindo as óbvias provocações de Satoshi, ela fechou os olhos e respirou fundo quando disse aquilo um pouco mais recomposta. Ela então tirou as mãos do rosto se ajeitando no tronco que servia de banco e olhando para o lado oposto.
Apesar do esforço para parecer séria, adultinha e madura, ela ainda estava com o rosto completamente vermelho de vergonha e de algo mais.
Uhm? O que é isso… esse perfume é tão bom...
Neste mundo, Satoshi tinha um olfato tão aguçado que podia deixar o olfato dos cães no chinelo, mas mesmo com esse sentido tão afiado, aquela foi a primeira vez desde que chegou neste mundo que Satoshi pôde sentir, em tamanha intensidade, aquele que seria o odor que mais motivaria ele de agora em diante.
Aquele perfume que agora Satoshi sentia em Enri, era um perfume sagrado e ao mesmo tempo profano, era um perfume que podia arruinar um homem por completo, mas também fazer ele ascender aos Céus.
Aquele era o aroma inconfundível.
O odor que uma jovem mulher fértil e excitada sempre libera quando anseia por ser usada e preenchida por um alguém.
Aquele odor convidativo que uma movida Enri estava liberando tinha abalado um pouco o raciocínio de Satoshi de forma que ele estava um pouco incomodado sobre isso.
Ele balançou a cabeça sobre o pescoço algumas vezes antes de dar um forte tapa nas bochechas com as duas mãos para recuperar a compostura.
"... Certo, acho que vou levar meu balde de volta."
A garota por sua vez, estava quieta olhando em outra direção, mas o perfume só aumentava enquanto ela, com a mente comprometida pelo calor, parecia se esforçar para se decidir sobre algo importante.
Isso sim é um clima estranho...
Depois de recuperar o balde e a compostura, Satoshi retornou ao lugar dele e, ainda de pé, começou a lavar a própria intimidade com o cuidado adequado, algo que ainda não tinha podido fazer neste mundo desde que chegou aqui.
Dado o fato de estar em um novo corpo e da situação incomum que tinha se enfiado, tendo uma jovem atraente e visivelmente movida se banhando seminua a alguns metros dele e podendo sentir claramente o tentador perfume de excitação que ela exalava, Satoshi agora estava excitado de uma maneira que talvez ele nunca tenha estado na vida.
Isso é estranho… esse perfume é tão inebriante, isso é quase... um chamado animal...
Os novos sentidos de Satoshi tinham seus mistérios.
Tal qual ele, a garota também estava bem excitada com aquela situação e ela parecia estar tendo dificuldade de lidar com isso, estando aparentemente perdida em pensamentos circulares e confusos ela estava liberando ferormônios, produzindo fluídos e inconscientemente se comportando de forma atraente enquanto se lavava.
Em uma situação normal, um homem que visse uma mulher nesse estado movido se aproveitaria desse momento onde o desejo era dominante e a racionalidade apenas uma linha fina na mente da mulher.
Com certeza, com o incentivo certo, a maioria das mulheres se deixaria levar nessa situação, ainda mais as que não são experimentadas, como era o caso dessa garota, depois de um ou dois fracos e obrigatórios, ainda que completamente falsos, 'Não… não podemos uh~', elas certamente iam se permitir serem conduzidas até o alívio desejado.
De fato, Enri estava em um daqueles momentos ideais onde a mulher anseia pela possibilidade do prazer e escolhe ela mesma pôr abaixo as outrora fortes e impenetráveis muralhas que eram os sensos de virtude e preservação feminina.
Mas é claro que Satoshi não tinha experiência para se aproveitar desse momento de fraqueza e vulnerabilidade proporcionado pela fisiologia feminina e esse momento era desperdiçado com ele.
Mas, apesar da inexperiência dele, de forma inconsciente Satoshi acabou jogando gasolina no fogo, quando, novamente, tomou uma posição que fazia a garota acreditar que ele não estava olhando para ela.
Ele então passou a fazer considerações.
Satoshi estava em uma situação moralmente perigosa por isso o importante agora era continuar pensando para não se deixar levar por suas emoções e fazer uma besteira.
A solução mais óbvia a se adotar para pôr um fim nesta situação era ele sair dali indo para longe daquela garota cuja forma, charme e perfume o tentavam.
Mas isso é tão bom...
O rolo de carne que ele agora ensaboava assiduamente entre as mãos era o resultado da primeira ereção plena que ele teve neste mundo, mesmo ele já estando aqui a sete dias ele nunca tinha se sentido tão bem na sua intimidade.
Pensei que por eu ser praticamente um assexuado na Terra o mesmo aconteceria aqui, mas parece que o caso é diferente…
Ele já suspeitava disso a um bom tempo, já que neste mundo os olhos dele sempre estavam atentos aos corpos femininos e buscando deslizes em decotes e barras de saia.
Esse tipo de comportamento ele nunca teria na Terra.
Hirata Satoshi sempre teve muito pouca libido.
Tão pouca libido que ele sequer sentia necessidade de se masturbar.
E mesmo que Satoshi não fosse virgem, isso se devia apenas a um experimento que ele fez no passado onde dormiu com uma amiga distante que, além do trabalho formal dela, se prostituía para fazer um dinheiro extra.
Naquele experimento, mesmo tendo usado drogas afrodisíacas em doses suficientes para levantar o falo de um cavalo morto, tudo foi tão frustrante para ele que ele não viu muito valor naquilo e aceitou que não era bom nisso, ou melhor, que era um fracasso absoluto, riscando em definitivo da vida dele algo que ele não tinha vocação para.
Ela de tão decepcionada que ficou, nem mesmo me cobrou...
Mas agora as coisas pareciam ser diferentes nesse mundo.
Foi graças à garota Enri, e aos encantos dela, que Satoshi percebeu aquilo.
Tal qual uma pessoa normal, nesta nova vida ele podia se excitar.
Mesmo agora ele era tomado por um intenso desejo que para ele era também inédito.
O desejo de fazer sexo.
Mas mesmo com isso dito, Satoshi ainda tinha seus traumas pessoais.
Assim que voltar a E-Rantel vou ir até um dos bordéis que Ainzack-dono recomendou…
Apenas se ele fosse até um bordel e contrata-se uma puta ele poderia, sem remorso, descobrir como seria o sexo neste mundo, onde ele era tão sensível, sem causar problemas ou inconvenientes a ninguem e sem envergonhar a si mesmo novamente.
Satoshi fazia essas reflexões quando reparou que Enri agiu corajosa e começou a remover o pano que envolvia os seios dela para lavar corretamente aquela parte.
A garota estava evitando se expor demais até agora, mas pelo jeito a timidez dela foi derrotada pela excitação latente.
Seios...
Essa palavra-chave surgiu na mente dele e Satoshi não pôde evitar de se virar e, com uma encarada completamente descortês, olhar melhor os montes gêmeos que ganharam a liberdade, eles ainda estavam em formação e eram pontuados por proeminentes e bem rígidos mamilos rosados, que por sua vez eram envolvidos por auréolas que eram apenas um pouco mais escuras que a pele da jovem tendo uma textura totalmente diferente.
Aqueles eram os jovens Seios de Enri.
Eram os dotes de uma adolescente de genética promissora, bastava que se visse as montanhas que eram os seios da mãe dela para concluir que os Seios de Enri ainda iam crescer um bocado nos próximos anos.
Mesmo com tal perspectiva de crescimento, nesse momento, Satoshi apenas achava o tamanho deles ideal para as mãos dele.
Enri, por seu lado, obviamente, percebeu imediatamente o olhar desejoso dele que caiu como um raio sobre os seios que ela tinha acabado de expor tão corajosamente.
Satoshi olhava a garota que continuava a lavar as mamas, ela agora abertamente expunha os seios dela em excelentes e planejados ângulos para que Satoshi visse aquilo claramente e a desejasse ainda mais, ele achou que Enri parecia ficar estranhamente satisfeita enquanto recebendo o olhar do homem nu que era Satoshi.
Ele observou hipnotizado os macios, mas firmes, seios pêra de Enri reagirem às quase carícias que ela fazia neles enquanto os lavava gentilmente. Os seios dela cediam com facilidade a pressão dos dedos da jovem e do sabão, mas os pequenos montes sempre retornavam ao seu formato original assim que a pressão cessava sempre acompanhados de um breve e cativante tremor que os abalava por um instante.
Naquele breve porém longo tempo ela limpou os visivelmente sensíveis seios dela dedicando particular atenção aos bicos dos seios onde, vez ou outra, ela apertava e girava os proeminentes mamilos rosados dela de uma forma que, não importa como se olhasse, era muito erótica.
Parecia que por estar agora sendo tão atentamente observada, Enri tinha ficado ainda mais ousada já que pouco tempo depois de despir o pano de cima ela fez, com gestos provocativos, o mesmo com o pano de baixo.
A esta altura Satoshi já tinha esquecido que estava aqui para se lavar.
Agora ele apenas olhava ela e apreciava com os sentidos aguçados dele a inebriante excitação exalada por aquela jovem.
Era estimulante poder ver aquela jovem corajosamente se aventurar pelo que, para ela, era o inexplorado território da maturidade. Porém assisti-la se lavar completamente nua, algo que ele estava esperando desde que tudo começou, também fez Satoshi passar por descobertas nesse novo mundo.
A poucos metros dele, uma corada e excitada Enri respirava de um jeito cada vez mais difícil e soltava sons leves enquanto lavava de um jeito cada vez mais ousado e menos disfarçado, tanto os seios pêra dela quanto a visível intimidade que começava logo abaixo de uma fina cobertura de pelos íntimos dourados.
Vendo aquilo Satoshi desistiu do teatro do banho e então passou a se estimular abertamente, se masturbando na frente da jovem sem qualquer pudor.
No entanto, para surpresa dele aquela garota reagiu ainda mais ousada e passou a fazer o mesmo que ele, também abandonando o disfarce do banho e começando a estimular a si mesma se qualquer disfarce ou pudor.
Apesar daquilo, sem dúvidas, parecer um grande desperdício de oportunidade de troca entre os dois, parece que aquele foi o limite acordado inconscientemente por ambos.
Durante os vários minutos seguintes os dois ficaram naquela situação de auto-estimulo que olhada de qualquer ponto de vista exterior parecia ridícula, mas que foi muito intensa para os dois que participavam daquele pequeno espetáculo de ingenuidade erótica.
Em defesa de ambos, deve-se dizer que aquela foi uma situação de descoberta para os dois.
Durante aquilo não passou sequer por um momento pela cabeça do bobo Satoshi, que era tanto o homem quanto o mais velho ali e por isso também era aquele de quem se esperaria alguma iniciativa e liderança, dar alguns passos a frente e fazer contato físico com a garota nua com o corpo em fogo que abertamente se estimulava na frente dele e que cada vez estava mais perto de obter o alívio dela enquanto fazendo sons mais ruidosos de forma que não seria nem um pouco estranho que alguém dentro da casa tivesse ouvindo ela.
Bem, felizmente, ou infelizmente, os dois foram interrompidos do mundinho em que se enfiaram antes de qualquer um deles receber o prêmio que procurava.
Uma agitada Nemmu chegou na precária área de banho dos Emmot com um balde de água e com um amontoado de roupas dobradas. Aquilo fez tanto Satoshi quanto Enri voltarem imediatamente a si, ambos então ficaram bem envergonhados, uma vergonha muito ruim, dolorosa e brochante.
Eles então se secaram e se vestiram apressados sob os olhos confusos de uma Nemmu que já se despia para começar a se lavar com aquela cheirosa novidade chamada sabão.
- PARTE SEIS -
Hospitalidade Emmot
Meia-hora depois daquele fiasco a céu aberto, durante a calma janta hospitaleira com os quatro membros da família Emmot, Satoshi se sentiu como um grandíssimo ingrato por ter feito um papel tão ridículo e desrespeitoso com a filha da família Emmot.
Apesar de se sentir um merda por ter sido tão desrespeitoso, ele ainda tinha um gosto amargo na boca.
Talvez eu devesse ter feito algo mais?
Como alguém que recebeu o apelido de Eunuco no Colégio, Satoshi não tinha como saber como agir na situação que passou no banho.
Agi como um pré-adolescente... Ah! Que vergonha!
A comida com especiarias e carne defumada estava muito boa, Angie devia ser talentosa na cozinha já que soube usar muito bem os temperos que Satoshi a presenteou para confecção do jantar, muitos dos quais ela nunca tinha visto antes.
A pequena Nemmu comeu com um sorriso de orelha a orelha, mas a irmã mais velha dela, Enri, praticamente não falou durante o jantar e evitou contato visual com ele.
Ao que parece ela também tinha reflexões a fazer sobre o comportamento dela.
Enquanto todos comiam, Satoshi conversou com Rick Emmot, o homem da casa, sobre as coisas que aconteceram naquela aldeia ultimamente e descobriu que, durante o ataque, Rick tinha sido pesadamente ferido por um dos cavaleiros e que sua esposa estava sendo despida diante dele por aqueles homens pouco antes da chegada dos anjos.
Os anjos curaram Rick e salvaram a esposa dele.
Rick falou que nos ataques recentes do Império contra as aldeias em torno de E-Rantel geralmente eram poucos os aldeões que sobreviviam.
Todos os moradores de Carne estavam muito gratos a Miya e Famicom por salvarem a vida deles e dos vizinhos.
Depois de todos comerem a janta gostosa feita por Angie, o senhor Emmot e sua esposa foram se lavar juntos. Assim como Nemmu e Enri, eles ficaram maravilhados com a barra de sabão, a senhora Emmot não se banhava com sabão há vários anos.
O sabão em si não era grande coisa para Satoshi então ele planejava deixar uma barra a mais aqui antes de partir amanhã.
Enquanto o casal Emmot ousada e ruidosamente se divertia no banho, Enri limpava a bagunça da cozinha e Nemmu aprontava as camas.
Satoshi escolheu se sentar do lado de fora da casa e olhar a aldeia.
A cortesia aqui ordenava que ele pelo menos lavasse alguns pratos. No entanto, ele não queria ficar sozinho na casa com Enri.
Satoshi estava tendo alguns pensamentos errados com relação aquela garota e, agora que tinha a cabeça clara, não queria fazer uma besteira da qual se arrependeria depois.
Sentado olhando a aldeia silenciosa a noite, Satoshi não pode deixar de pensar que era um lugar cheio de pessoas simples e rústicas. Ele se sentiu feliz por ter sido capaz de deter o massacre que teria acontecido aqui três dias atrás.
"É um lugar tranquilo..."
Satoshi disse para ninguém em especial.
Das três equipes do Breu, apenas a equipe Espadas das Trevas escolheu dormir no celeiro, tanto a Chuva Escura quando a Falcão Negro alugaram as casas dos moradores.
Satoshi se pegou pensando em seus colegas de equipe e onde estariam hospedados. Sylvo certamente estaria em um quarto com as duas garotas da Falcão Negro, ele era super protetor com relação a irmã e não ia ficar longe de sua namorada.
Enquanto Satoshi se sentava na entrada da casa e olhava a vila, Enri terminou de arrumar a cozinha e, apressadamente, se juntou a ele se sentando a alguma distância de onde ele estava.
"Um lugar tranquilo que vocês têm aqui."
Satoshi falou depois de uma incômoda dezena de segundos de silêncio entre os dois.
"Pois é, Atari-san, aqui é muito tranquilo a maior parte do tempo, bem, talvez a exceção seja… oh sim, na Época da Colheita. As coisas começam a se agitar naquela parte do ano, o trabalho triplica e para trazer um alívio mantemos três festivais naquela temporada."
"Festivais?"
"Sim! A aldeia toda se reúne e prepara comida, à noite acendemos fogueiras e vestimos máscaras para encenar peças. No fim todos dançamos em volta da fogueira… diga, Atari-san, não há festivais em E-Rantel?"
"Eu não sei. Pra ser sincero com você, Enri-san, sou estrangeiro. Estou em E-Rantel a apenas... uma semana, eu acho?"
"Oh! Eu não tinha ideia disso… e de onde Atari-san veio?"
"Fique tranquila que não vim de Baharuth, Enri-san. Eu vim de um lugar distante, levou… doze anos, sim, foi uma viagem de doze anos que me trouxe aqui."
"Que?! Atari-san viajou por doze anos?! Isso é praticamente… ei, quantos anos você tem, Atari-san?"
"Vinte sete. Doze anos atrás eu tinha mais ou menos a tua idade."
Foi nessa época que ele descobriu Yggdrasil, embora só fosse se dedicar ao jogo vários anos depois.
Satoshi conversou com Enri por mais de uma hora sob aquele céu estrelado, no meio desse tempo Nemmu se juntou a eles.
Satoshi tinha descoberto com elas que esta aldeia tinha apenas cento e vinte anos. Era tão pouco tempo que o chefe atual era trineto do fundador Thomas Carne. Aquele homem fundou essa pequena comunidade aqui, na beira da perigosa floresta, cerca de um dia de distância da aldeia mais próxima e dois da cidade.
Também soube por elas que a maioria destas pessoas só ia até E-Rantel depois de adultos. Isso era particularmente verdade para as mulheres que não precisavam transportar as coisas pesadas para a cidade.
Nenhuma das duas garotas Emmot tinha deixado a aldeia ainda.
"... um pequeno lugar tranquilo."
Satoshi por sua vez contou a elas uma série de mitos e lendas da Terra e de Yggdrasil. Falou também sobre algumas aventuras que viveu com seus amigos. Conversar com as duas sob a luz da lua foi tão tranquilo e gostoso que ele talvez tenha errado o filtro e dito coisa que não devia sobre si mesmo.
Eventualmente, Angie os chamou e eles entraram para dormir. Para surpresa de Satoshi, ele foi designado para dormir no quarto das duas garotas.
Por insistência de Satoshi ele dormiria no chão, no lugar que foi apontado para Enri, desta forma a garota poderia ocupar o beliche onde ela normalmente dorme.
Satoshi tinha tarefas para fazer na Cidade que fundou na Floresta de Tob, mas ele não era um perdedor para sair daqui assim tão cedo.
Ele era um homem.
E por isso ele não ia estragar a noite do casal Emmot.
Apenas por isso, ele decidiu esperar pacientemente os sons lascivos que vinham do quarto do senhor e senhora Emmot terminarem.
Aparentemente o sabão deu uma reanimada no casal. A fragrância não era grande coisa, mas estando ambos limpinhos e cheirando bem foi natural que eles aproveitassem a oportunidade para reforçar os laços matrimoniais.
Deitado no chão do quarto das garotas, Satoshi acompanhou com os ouvidos e com o nariz a estimulante saga do quarto ao lado, onde a insaciável senhora Emmot sugava de muitas formas cada gota da virilidade de Rick até que ele secasse e, enquanto fazia isso ela espalhava por todos os ambientes da casa, através do ar que se lançava para fora das frestas da porta do quarto do casal, um inconfundível e tentador perfume liberado por uma mulher madura que se entregava totalmente ao homem que escolheu.
Por fim, já passava muito da meia noite quando Rick Emmot levantou a bandeira branca não aguentando mais nada e os dois terminaram as atividades.
[Silent Magic: Mass Sleep]
Depois de ter que esperar tanto tempo, Satoshi pôs os quatro Emmot para dormir com magia.
Ele se levantou do seu leito no chão, que tinha sido arrumado por Nemmu mais cedo e que consistia de um lençol afofado cobrindo palhas amarradas, Satoshi então simulou uma pessoa dormindo embaixo do cobertor dele com panos retirados do inventário dele.
Antes de criar o portal que o levaria até Miya, Satoshi deu uma olhada demorada cheio de curiosidade na cama do beliche onde Enri estava.
Os sons luxuriosos vindos do quarto ao lado, somados ao que aconteceu mais cedo quando ambos se lavavam, foram estímulos demais para Enri e a garota teve que se aliviar sozinha com os dedos dela no quarto escuro como a adolescente tardia que é.
Satoshi, que tinha observado todo processo com sua {Night Vision}, se perguntou se talvez a jovem garota tenha usado a imagem dele como referência durante o ato.
Quase certo que sim.
Devido ao que aconteceu mais cedo enquanto se lavavam, Satoshi estava certo que ao menos por algum tempo a figura de Atari seria a referência mais acessada na memória dessa garota quando ela estivesse naquele clima e quem sabe, dependendo da intensidade da impressão que ele passou, ela usasse a imagem dele até mesmo depois de amadurecer um pouco e ter um companheiro.
Afinal, ele foi o primeiro homem pelado se masturbando no banho que ela viu.
Derrota… isso deve ser o pior posto de 'Primeiro' que alguém pode ter...
Realmente risível, mas ainda que fosse ridículo pensar isso, Satoshi ainda pensava que esta jovem tocaria algumas siriricas pensando nele no futuro e isso de alguma forma o deixava orgulhoso.
Mas talvez... só talvez…
Também existia a possibilidade de em algum momento, ou até mesmo na siririca de agora a pouco, Enri colar na face do Atari imaginário dela a imagem do rosto de um crush dela ou de um garoto que ela admira, os livros de ficção que Satoshi lia geralmente diziam que garotas dessa idade são ingenuamente românticas.
Nesse caso contaria como meio gol?
Foi esse pensamento imbecil que ele teve naquela casa que estava completamente impregnada com o erótico perfume da 'Excitação Feminina das Emmot'.
Seja lá como for, isso não é nem de longe meu assunto... apesar de que eu quase faço uma besteira agora a pouco.
Antes, enquanto assistia a garota buscar o alívio com as mãos sob um cobertor tosco na falsa segurança da escuridão do quarto, Satoshi, que também tinha fraquezas e vontades, considerou seriamente interferir e buscar ter sua vez com essa garota.
Felizmente ele se deteve e não agiu com ingratidão para com o senhor e senhora Emmot.
Por sinal, aqueles dois não ajudaram ele nem um pouco em manter a posição nobre e honrada dele, pelo contrário os dois só atrapalharam ele de fazer o certo.
Durante toda provação pela qual Satoshi passou ao ter que, novamente, assistir o 'ato solitário' performado por Enri, os dois pais no quarto ao lado não paravam de produzir incessantemente uma cacofonia de sons lascivos. A senhora Emmot, por sua vez, não parava de liberar no ar feromônios que se somavam aos de Enri e perturbavam o raciocínio de Satoshi.
Com as ações safadas que eles performaram no quarto ao lado, o senhor e a senhora Emmot inconscientemente colocaram em perigo a castidade da própria filha!
Já a própria Enri, para dificultar ainda mais as coisas para Satoshi, parecia estar muito movida pelos gemidos do pai e da mãe chegando ao ponto de estar tão absorta na atividade que deixou de usar o cobertor enquanto fazia aquilo, quase como se quisesse ser vista apesar do quarto escuro.
Aquilo foi quase como se ela estivesse convidando ele a se juntar a ela na cama e os pais dela estivessem dando a benção deles para os dois.
Tanta hospitalidade, certamente vai trazer ruína a essa casa!
Foi apenas graças ao orgulho e a consciência dele que Satoshi pôde resistir a profanar esta jovem e esta casa, porque, se dependesse dos moradores da casa, nem o hímen de Enri, nem a dolorosa blue balls que agora tão vorazmente o torturava existiriam.
Como um exercício de autocontrole para si mesmo, Satoshi deixaria a ereção dele morrer sozinha.
Há muitas profissionais em E-Rantel… eu posso esperar e fazer isso do jeito certo.
Satoshi deixou Enri que dormia relaxada com um rosto satisfeito e cruzou o portal para a Instant Fortress.
- PARTE SETE -
O Destino de um Tolo
"Bem-vindo de volta, Meu Tudo."
No hall principal da Instant Fortress uma Miya na sua forma miniaturizada de Couatl recepcionou Satoshi que saiu do portal.
Após responder a Eidolon dele, Satoshi tirou o Ring of Doppelganger e assumiu a forma de Greater One, ele foi com Miya até o quarto andar da fortaleza onde os dois se reuniram com o homunculi Wizard Kuro, a homunculi Dread Necromancer Tsuki, os goblins Capitães Latinos e alguns dos Escravos arregimentados por Miya.
Lá, todos eles elaboraram as ações que aconteceriam no dia de amanhã.
Também foi durante aquela reunião que Satoshi encontrou pela primeira vez a Besta do Sul, a qual os humanos incompreensivelmente chamam de Sábio Rei da Floresta.
Aquela era uma enorme Besta-Mágica na forma de um Djungarian Hamster com uma longa cauda escamosa que se estendia por metros.
Satoshi nomeou aquela criatura como Hachi.
Hachi foi a criatura com mais níveis que Satoshi achou neste mundo, com o Nível 31 dela ela tinha um nível a mais que o campeão dos humanos, o Capitão-Guerreiro Gazef.
A fera tinha sido domesticada por Miya durante o dia, agora era muito servil à ela. Mas, apenas por segurança, assim como fez com Ryraryus e Guu, Satoshi usou em Hachi uma das habilidades raciais dele que forçava obediência e lealdade.
Quando deu por encerrada a reunião que determinou os detalhes para o encontro planejado amanhã entre o grupo Breu e os representantes da Cidade na Floresta, Satoshi ainda tinha uma coisa a fazer aqui na Instant Fortress.
"Eles estão na masmorra, Miya?"
"Sim, Meu Tudo!"
Satoshi junto com sua Eidolon Miya, o homunculi Wizard Kuro e a homunculi Dread Necromancer Tsuki foram em direção a masmorra.
Na manhã de hoje ele tinha deixado um de seus quatro High Wraiths, aquele que ele nomeou Gaspar, vigiando um sujeito filho-da-puta e desagradável que ele tinha encontrado na cidade quando foi visitar uma homunculi dele no Pavilhão Dourado.
Durante a tarde de hoje o homem que era vigiado por Gaspar deixou E-Rantel, junto com as três escravas que possuía, rumo ao Império. Sendo informado disso por [Message], Satoshi tinha ordenado que os homunculi estacionados em E-Rantel capturassem ele e as escravas causando o menor dano possível.
No início da noite, Miya tinha coletado os quatro prisioneiros capturados na estrada e os colocado na masmorra da Instant Fortress.
Satoshi chegou com o grupo dele no andar que servia como Masmorra, um servo morto-vivo de Tsuki vigiava a única entrada daquele andar que era o mais profundo da Instant Fortress.
A maior parte dos mortos-vivos que outrora foram a Escritura da Luz Solar agora trabalhava 24 horas por dia na construção da cidade e alguns poucos serviam Tsuki pessoalmente.
Quando todos chegaram ao hall da Masmorra, aquele homem desagradável e suas três escravas foram trazidos até eles por alguns mortos-vivos.
Desde que chegaram aqui os quatro prisioneiros foram atados e paralisados com a magia [Paralyze] lançada continuamente por um dos Elder Lichs de Tsuki para que eles não começassem uma luta desnecessária.
Vendo que eles estavam neste estado, Satoshi sorriu.
Ele ordenou que o homem fosse mantido sob efeito da magia e que o efeito que paralisava as três mulheres fosse liberado. Ao serem libertas das amarras e perceberem que ficaram livres da magia as três se amontoaram chorosas na frente deles pedindo misericórdia.
Elas estavam apavoradas.
Isso devia ter sido feito de um jeito menos traumático… elas são as vítimas aqui!
Enquanto pensava isso, para o choque de Miya e dos outros, Satoshi se abaixou na frente das três escravas para ficar no mesmo nível ao falar com elas.
"Não se preocupem que nenhum mal vai ser feito a vocês três. Eu me chamo Famicom, sou o Senhor por aqui. Peço desculpa por qualquer inconveniente causado ao trazê-las aqui, mas o fato é que agora vocês são minha propriedade... minhas escravas. Então para começar me digam seus nomes."
Satoshi estava reivindicando a posse dessas três.
Elas eram de nível razoável e, por mais nojento que isso fosse, elas já tinham sido aclimatadas a escravidão. Sendo assim Satoshi era o Mestre ideal para elas.
Claro, com o tempo talvez eu as liberte, mas elas vão ter que fazer por merecer.
Satoshi não estava neste mundo para distribuir doces.
Se muito, ele estava aqui para comê-los.
Ele não era um maníaco por justiça como seu antigo colega de guilda Touch Me foi.
Satoshi não 'faria o bem sem olhar a quem'.
"... e-esta escrava tem por nome Mirella, novo Mestre. Por favor, cuide bem de tua Mirella a partir de agora."
A mulher de cabelo azul foi a primeira a se acalmar e a responder Satoshi. Ela fez kowtow depois de dizer isso.
"Boa garota, Mirella. Pode se levantar, sim? E esteja certa que eu cuidarei bem de você a partir de agora."
Satoshi deu um tapinha carinhoso no topo da cabeça de Mirella.
Vendo esta interação as outras duas se acalmaram o suficiente para responder também.
"... esta é chamada Tantalle, novo Mestre. Por favor, não seja cruel com Tantalle, Tantalle vai ser uma boa coisa para o Mestre."
"... e-esta escrava se c-chama Pazuka, Fa-Famicom-sama. Por favor, seja gentil com sua Pazuka."
A elfa loira era Tantalle, a elfa de cabelos vermelho-amarronzados era Pazuka e a elfa de cabelos azuis era Mirella.
"Muito bom, muito bom. Tantalle e Pazuka, podem levantar também."
Depois que as três ficaram de pé, Satoshi avaliou elas de cima a baixo.
Elas não pareciam seriamente machucadas, mas estavam magras.
"Mirella, Tantalle e Pazuka, como minha primeira ordem, quero ouvir um pouco sobre vocês. Primeiro Mirella, me fale sobre você."
"... s-sobre mim?"
"Sim, sim."
Satoshi então conversou com as três até faltarem duas horas para amanhecer. Enquanto conversavam, eles comeram uma refeição trazida por Kuro, durante aquilo em algum ponto Satoshi deu um uniforme de empregada para cada uma delas e disse a Miya que elas seriam suas empregadas pessoais na fortaleza.
Uniforme de empregadas estão grafados profundamente na psique dos japoneses.
Como um japonês do século 22, Satoshi não era diferente. E sendo o melhor amigo de Hajime, cujo personagem Herohero foi o criador de uma Plêiade e de mais de uma dezena de empregadas em Nazarick, Satoshi tinha muitos conjuntos de empregada com ele.
Quando o tempo ficou curto, Satoshi cessou a conversa.
"Bom, tenho que ir agora, amanhã nós teremos um dia trabalhoso."
Satoshi disse isso enquanto tirava uma faca de aspecto sinistro do inventário.
Ao verem Satoshi armado, as três elfas, que não tinham total confiança nele ainda, ficaram um pouco abaladas. Satoshi fingiu não notar a desconfiança delas e deu a faca para Pazuka.
Em seguida tirou duas facas iguais, uma para Tantalle e outra para Mirella.
"Mirella, Tantalle e Pazuka, para que vocês se tornem posses minhas de fato eu não posso ter desconfiança sobre a lealdade de vocês. Essas facas que eu entreguei a vocês agora são suas, são meu primeiro presente para vocês, elas são um símbolo da nossa relação. Agora vocês três, usem este símbolo de apreciação que dei a vocês para matar seu antigo dono, só se fizeram isso vou aceitá-las como coisas minhas."
Satoshi indicou às três o corpo do Homem Sem Nome que durante todo este tempo estava paralisado por magia e amarrado fortemente em cima de uma placa de madeira, acompanhando tudo que acontecia com os olhos e ouvidos.
Quando recebeu sua sentença de morte, os olhos do tolo sem nome passaram a se mover frenéticos.
As três escravas olharam para a faca, para Satoshi e depois para o homem. As faces delas se deformaram sorridentes de um jeito que deixou Satoshi surpreso.
Ele tinha ouvido pelas últimas horas, enquanto conversava com as três, sobre o sofrimento que essas mulheres foram expostas e agora ele queria que elas retornassem parte do que sofreram para um dos brutos que as fizeram sofrer.
A vingança é um prato que se come frio… mas sofrer injustiças deixa qualquer um faminto demais para se queixar da comida.
Com as facas na mão, as três se aproximaram do Tolo Sem Nome, enquanto elas faziam isso Satoshi falou para elas:
"Não precisam se apressar muito, meninas, podem tomar seu tempo, ele não vai sair do lugar."
A primeira facada da lâmina mágica, que restringe o sangramento e amplia a dor, foi dada por Tantalle no ombro do homem. O homem estava amarrado sobre a mesa de madeira e quando recebeu dano a magia de paralisia foi encerrada.
O Tolo Sem Nome então tentou romper as amarras, mas magia emanava daquelas cordas e as tentativas dele foram em vão.
"ARGH! PARE SUA CADELA! SEMI-HUMANA MALDITA! ARGH! PARE! PARE! DISSE PARA PARAR PORRA! PARE! POR FAVOR! PARE!"
No instante que seguiu ao golpe de Tantalle, uma segunda facada atingiu a mão dele, então uma terceira atingiu a coxa, e uma quarta lhe separou do corpo o falo…
O tolo sem nome foi penetrado e cortado pelas três escravas centenas de vezes naquela noite.
Apesar dessa execução ter sido ideia dele, ver isso ser feito deixou Satoshi um pouco enojado e ele voltou para Carne antes mesmo do homem estar morto usando a desculpa de estar atrasado.
- FIM DO CAPÍTULO -
NOTA DO AUTOR:
Opa, blz?
Vamos as triviais de hoje:
Pazuka é de Nível 14, a classe principal dela é Ranger e ela apode lançar o 1° Nível do Sistema Mágico Natural.
Tantalle é de Nível 14, a classe principal dela é Druida e ela apode lançar o 2° Nível do Sistema Mágico Natural.
Mirella é de Nível 16, a classe principal dela é Clérigo e ela apode lançar o 2° Nível do Sistema Mágico Divino.
Cada uma das três tem pelo menos 1 Nível nas Classes Slave e Sex Slave.
O Tolo sem Nome, bem, ele não importa, então vocês podem dar um nome para ele :)
Masssss em breve esse cara ganhará nome na história!
Vlw.
