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Aqui está o Dia 10!
Tenham uma boa leitura!


PS: Ele ficou muito grande então talvez seja bom ler em dois tempos.


NO EPISÓDIO ANTERIOR:
(leitura não necessária)

No dia anterior Satoshi decidiu eliminar os Oito Dedos de E-Rantel. Ele reservou o período do dia para fazer suas atividades normais como os Aventureiro Atari e Vampiro Famicom. Pela noite ele iniciou a Operação Yubizume para por fim aos bandidos da cidade. Ele então atacou todos os trinta pontos de negócios dos Oito Dedos que pôde mapear ao interrogar um Chefe de Departamento capturado. Para ter mais liberdade ao fazer essa atividade e não comprometer uma de suas personas, Satoshi adota uma terceira persona, o Justiceiro Commodore, e durante a operação de limpeza da cidade precisou confrontar Evileye, Tina e Tia.

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Vulgaridades no Cemitério

Dia 10


- PARTE UM -
Dinheiro, Dindin, Bufunfa

Satoshi ficou por várias horas naquele esgoto acompanhando o pós-evento da Operação Yubizume.

Ele tinha criado um portal para trazer até os esgotos da cidade suas aliadas Miya e Tsuki, junto com parte da Escritura dos Mortos-Vivos, do Batalhão Latino e também as três escravas elfas dele, Tantalle, Pazuka e Mirella. Além disso, também vieram para trabalhar como carregadores muitos ajudantes hobgoblins coletados por Miya dentre cidadãos da Famicômia.

"Ser Supremo, como solicitado, nós somamos todos os metais das moedas coletadas e convertemos para Moedas de Ouro. A riqueza que o Ser Supremo obteve com estes humanos foi de 35.510 Moedas de Ouro de Re-Estize, 10.135 Moedas de Ouro de Baharuth, 3.317 Moedas de Ouro de Slane, 738 moedas de Ouro do Dragão, 65 Moedas de Ouro de Karnassus e 41 Moedas de Ouro de Roble..."

"Bem, isso parece ser bastante coisa… Diga, esses dois, Karnassus e Roble, eles são países?"

A tarefa que Satoshi deu ao pessoal que ele trouxe aqui essa noite foi contabilizar todos os itens coletados na operação e transportar aquelas coisas para a segurança da Cidade dele na floresta.

A única exceção seria as centenas de quilos de moedas, ou talvez algumas toneladas, que ficariam no inventário de Satoshi.

Hoje Satoshi aprendeu, de um jeito que não esqueceria tão cedo, que o metal pesa mais que papel-moeda.

As três escravas elfas dele, Tantalle, Pazuka e Mirella, receberam subordinados temporários entre o Batalhão Latino e ficaram encarregadas de levar os 58 escravos humanos e os 46 escravos elfos capturados nos porões dos Oito Dedos para a Instant Fortress para que eles possam ingressar como os futuros servos domésticos da torre.

Felizmente para Satoshi o ratio de escravas femininas do grupo era de quase 7 em 10 entre os humanos e maior que 9 em 10 entre os Elfos, o que ia garantir um ambiente perfumado na Instant Fortress.

Honestamente, Satoshi estava cansado do cheiro dos Goblins do Batalhão Latino que se entranhava nas paredes da Instant Fortress. Embora houvesse mulheres entre os Goblins do Batalhão Latino, elas eram uma minoria esmagadora e não conseguiam dar vazão ao odor dos goblins masculinos.

Acho que são tão poucas as mulheres entre os Goblins Convocados que vai ser difícil formar casais entre eles...

No futuro Satoshi planejava fazer experiências de reprodução entre os goblins que comandava.

Tanto entre 'Batalhão Latino x Batalhão Latino' quanto entre 'Batalhão Latino x Goblins Nativos'. A intenção de Satoshi era conseguir manter a qualidade e lealdade dos súditos dele com o passar do tempo.

Claro, todas estas experiências seriam experiências voluntárias e remuneradas.

Voltando ao assunto dos escravos coletados, Satoshi também ordenou a Tantalle, Pazuka e Mirella que escrevessem uma pequena ficha para cada um dos cento e quatro escravos, com nome, idade, história de fundo, capacidades e anseios pessoais.

Em uma oportunidade futura ele teria as três, que só escrevem na língua élfica, lendo estes papéis para ele e o apresentando a cada um dos escravos.

"Sim, Ser Supremo, está correto, esses lugares são países. Karnassus é uma liga de cidades-estado que flerta com semi-humanos e que os tolera como cidadãos, aquela nação fica ao leste de Baharuth, já Roble é uma nação humana semireligiosa que fica ao sudoeste de Re-Estize."

"Entendo, então para terem estas moedas com eles os Oito Dedos devem ter alguns negócios nestes países também… me diga, estes países são poderosos?"

Satoshi lembrou agora que aquela não foi a primeira vez que ele ouviu o nome 'Karnassus', se ele não estava enganado, ontem, enquanto sentada no colo dele em um beco, Tina da Equipe Adamantina Rosas Azuis tinha dito a ele que ela vinha de um lugar 'perto de Karnassus'.

Ainda assim, uma Liga de Cidade-Estados que 'flerta' com semi-humanos… talvez eu deva fazer uma visita àquele lugar.

Satoshi planejava que a cidade que ele fundou, Famicômia, se tornasse uma cidade-estado multiracial, portanto seria um bom aprendizado visitar aquela nação que, aparentemente, mantinha tantas similaridades com o objetivo dele.

Bom, bom, acho que vou visitar aquele país em breve… afinal é uma nação multiracial irmã.

Atualmente apenas Semi-humanos e Heteromórficos habitavam a cidade de Satoshi, felizmente os primeiros plebeus humanos já estavam a caminho.

A pequena Couatl Miya, tinha recebido uma ordem especial de Satoshi quando ele a trouxe aqui esta noite.

Miya recebeu a tarefa de tentar usar magia para desintoxicar os 97 viciados capturados e curá-los de suas doenças físicas, antes de colocá-los para viver e trabalhar na Cidade de Famicômia.

A maior parte dos viciados coletados também era feminina, com 85 deles sendo mulheres e 12 sendo homens, quase todos estes viciados eram obrigados pelos Oito-Dedos a se prostituir para pagar dívidas.

Para os Oito-Dedos o status deles era pior que o dos escravos, já que eram bens com defeito que não tinham valor para serem vendidos.

Felizmente parece que Miya teve ótimos resultados com a desintoxicação e cura dessas pessoas, apesar de meia-dúzia de casos não terem tido sucesso com as magias básicas, quando ela usou magia de 6º Nível de Convocações Angelicais o sucesso foi obtido.

Mesmo que estivesse animado por ter obtido os primeiros colonos humanos de sua cidade, havia uma coisa que perturbava a consciência de Satoshi. Ele sabia que o que estava fazendo com essa gente não era diferente de um sequestro e, sendo sincero, Satoshi tinha um coração-mole para fazer tal ato sem se sentir mal por isso.

O destino dos homens viciados e mulheres viciadas uma vez que chegassem a Famicômia seria ter que se estabelecer em uma cidade caótica que ainda não forjou seu rumo e que era povoada por semi-humanos primitivos que comiam gente até uma semana atrás.

Era um destino duro que eles teriam pela frente.

Apesar de recomeçar sempre ser algo difícil, Satoshi pensava que isso era difícil demais. Por outro lado, Satoshi também pensava que mesmo que isso fosse um recomeço difícil, isso era melhor do que a situação anterior dos viciados.

Satoshi ainda se lembrava nitidamente de uma das cenas que presenciou durante um dos ataques da noite, a cena do gordo pelado bebendo vinho e das cinco jovens viciadas que davam um banho de língua naquele flácido homem peludo.

Na minha cidade todos eles terão um rumo e pelo menos não terão que passar por isso de novo...

Assim como pediu às Escravas Élficas dele, Satoshi pediu a Miya que também fizesse uma ficha para cada um dos resgatados. Satoshi tentaria dar ocupações adequadas a eles na cidade e também daria tantos incentivos quanto possível para eles neste começo.

"Ser Supremo, não tenho confiança em dizer se estes dois países são países poderosos ou não. Na Teocracia temos muito pouco contato com ambos. Mas cada nova geração da Cidade-Estado de Karnassus, que é a maior cidade e que também dá nome ao país, sempre possui um poderoso guerreiro a quem é dada a Armadura do heroico Cavaleiro Negro do passado. Também é em algum lugar no território de Karnassus que fica a sede de uma grande e eficiente Ordem de Assassinos, os Ijaniya. Quanto ao Reino Sagrado de Roble, eu sei que eles lutam frequentemente com hordas de semihumanos vindos das Colinas Abellion e que há uma orgulhosa Ordem de Paladinos no país deles, que eles dizem se comparar a Escritura da Luz Solar."

"Eh? Então esses paladinos não são lá grande coisa, não é Nigurath? Vocês eram tão fracos, fracos de dar dó."

"Nós somos todos agradecidos pelo Ser Supremo ter nos matado. Não fosse por isso, Lady Tsuki não teria nos levado como os cães leais dela."

Satoshi se perguntou se Tina tinha algo a ver com esta tal Ordem de Assassinos chamada Ijaniya, como ela era uma ladina talentosa que veio daquela terra isso não era completamente impossível.

Quando tiver a oportunidade vou perguntar a ela sobre isso... além disso, esse tal Cavaleiro Negro cruza meu caminho novamente, hein?

Ontem quando Satoshi ouviu da magicamente controlada Maga das Rosas Azuis, Evileye, que no passado ela tinha lutado junto com os treze heróis, ela também tinha dito a ele que a raça desse Cavaleiro Negro, que era parte daquele grupo, era chamada 'Enepecê' e que ele tinha vindo de um Reino chamado Yggdrasil.

Ou seja, ele era um NPC do jogo Yggdrasil.

Então depois de morrer ele deixou um título que é mantido pelo campeão daquele cidade… mais um motivo para eu visitar Karnassus.

Satoshi também pensava que seria lucrativo fazer compras e comércio em Karnassus, afinal, agora ele era um cara rico e tinha muitas mercadorias que precisava converter em moeda sem deixar rastros para trás.

Enquanto as três escravas élficas lidavam com os escravos e Miya com os viciados, coube a homunculi Dread Necromancer Tsuki lidar com a contabilidade do imenso loot.

Ela ainda estava fazendo isso neste momento com a ajuda dos mortos-vivos dela, dos hobgoblins da cidade e de mais de uma centena de Convocações feitas por Satoshi e Miya.

Nigurath, que tinha seus próprios subordinados, tinha sido encarregado por Tsuki de ser o responsável por contabilizar as centenas de milhares de moedas dos mais variados metais e emissores que foram coletadas nos trinta alvos atacados do Oito Dedos.

Eram sacos e sacos de moedas, cada um pesando dezenas, centenas de quilos. Era tanta coisa que uma vez separada a contabilidade foi feita com ajuda de uma grande balança.

Parece que E-Rantel foi um grande polo gerador de riqueza em termos de crime e dinheiro sujo. Mas mais do que isso, E-Rantel também foi um ponto onde o dinheiro coletado pelos bandidos nos países vizinhos era obrigado a passar antes de ser enviado para a capital de Re-Estize.

Satoshi não tinha ideia se o valor contabilizado por ele, quase 50 mil moedas de ouro, era muito ou pouco nos termos de orçamento nacional ou municipal. Mas como esse valor foi toda a riqueza encontrada com quase todos os criminosos da cidade, ele decidiu considerar que fosse muito.

Como o aventureiro que ele era, ele sabia que geralmente missões de equipes de platina giravam de 10 a 40 moedas de ouro, sempre tendendo para o valor mínimo, e as missões destinadas a equipes de mithril começavam em 41 moedas de ouro e podiam chegar até 70 moedas de ouro.

Pode parecer muito, mas a duração média de uma missão era de duas semanas então, por consequência, duas missões eram muitas vezes o máximo que uma equipe podia fazer em um mês atarefado.

Além das cinquenta mil moedas de ouro, Satoshi também tinha coletado um mundaréu de itens com os Oitos Dedos durante a noite.

Vou usar tudo… com Exceção das Drogas.

Os depósitos do Departamento de Contrabando estavam cheios de itens que seriam muito úteis na Cidade da Famicômia ou que, se não fossem úteis, podiam ser vendidos.

Satoshi tinha ordenado que pegassem tudo dos locais que atacou, até mesmo os móveis dos trinta lugares tinham sido pegos.

Ele tinha deixado aqueles lugares completamente vazios.

Satoshi só não coletou os prédios também porque estava com pouca mana e pouco tempo.

"Manzu, a partir de hoje você não deve mais sair para fora dos esgotos. Atualmente existem pessoas na cidade que podem destruir nossos planos se descobrirem vocês."

Satoshi deu aquele comando para Manzu que estava ali perto, ele se referia, obviamente, às Rosas Azuis.

Os vampire-kin da Maligna Ordem dos Manzuri estavam atualmente responsáveis pelos quase 800 bandidos capturados e nos próximos 10 dias estes bandidos iam se tornar vampire-kin também.

Apenas após este tempo, Satoshi planejava começar o projeto chamado 'Subjugação dos Manzuri', se o Ninho de Vampiros nos Esgotos de E-Rantel fosse descoberto antes disso o plano dele seria arruinado.

Com esse projeto, Satoshi esperava conseguir três coisas:

Garantir a Persona Atari dele um UP enorme no Ranking da Guilda de Aventureiros, garantir ao Embaixador da Famicômia Kuro das Luzes Tortuosas alguma moral com o Reino de Re Estize, e por último, impressionar a beldade Lakyus e quem sabe ganhar o favor dela.

"Nigurath, você pode voltar com seus subordinados até Tsuki. Diga a ela que como já amanheceu eu voltei para a superfície para fazer meu papel como Atari e que minhas Convocações ainda durarão mais uma hora, você também deve falar com ela que eu vou pegar o inventário dos itens à tarde na Instant Fortress."

Depois de ordenar os dois líderes vampire-kin naquele túnel, Satoshi usou [Teleportation] para ir até seu quarto na estalagem Pavilhão Dourado.

Mais um dia do Aventureiro Atari tinha acabado de começar.

- PARTE DOIS -
Cortejando a Mulher Ideal

Assim que apareceu no quarto dele no Pavilhão Dourado, Satoshi, já na forma de Atari, se deitou na cama e começou a fazer considerações.

Já havia amanhecido há uma hora então ele esperava que os três homunculi, Wasabi, Sapphire e Ruby, já tivessem deixado a cidade.

Os portões da cidade abrem, em média, meia-hora antes do amanhecer e fecham, sempre, três horas após o anoitecer. Satoshi tinha orientado os homunculi a deixarem a cidade hoje o mais cedo possível e que, uma vez fora da cidade, eles tentassem se distanciar daqui rapidamente.

A homunculi Fighter Ruby e a homunculi Thief Sapphire teriam facilidade em cumprir esta ordem já que tinham bagagem apenas por questão de aparência. Mas o homunculi Samurai Wasabi teria dificuldades.

Ele tinha uma carga de produtos como comerciante, com mais de três carruagens, e até, apenas para manter aparências, duas equipes Aventureiros de Ferro e uma de Prata como escolta.

Wasabi tinha se inscrito na Guilda de Comércio nos dias que passou aqui em E-Rantel e tinha que passar pela burocracia no portão sul rumo à Cidade de Palumia, na Teocracia de Slane.

Um pouco preocupado com Wasabi, Satoshi decidiu mandar [Message] e verificar se ele já tinha conseguido sair da cidade.

Para alegria de Satoshi, o garoto tinha passado com sucesso pelo portão e já estava na estrada há meia hora. Parece que Wasabi fez uso de dinheiro para pular a fila de verificação e para obter notas falsas de saída para produtos.

Satoshi não entrou em detalhes com ele, mas ele desaprovava isso.

Não pela ilegalidade, mas porque poderia chamar a atenção se alguém pulasse a fila justo na manhã seguinte a um grande evento como aquele onde quase 1.000 pessoas da cidade desapareceram.

Bom… dificilmente alguém ligaria os pontos.

Apenas por segurança, Satoshi mandou [Message] para as garotas Ruby e Sapphire. Ruby tinha saído com segurança pelo portão leste rumo à Cidade de Sittar, no Império de Baharuth, e Sapphire tinha saído com segurança pelo portal oeste rumo à cidade de E-Pespel, do Reino de Re-Estize.

Minha ligação com Keno… ou melhor Evileye, acaba de ser cortada.

Satoshi reparou que a ligação dele com a aventureira de Adamantina Evileye que ele tinha estabelecido através da habilidade racial {Undead Control} tinha se extinguido, isso foi estranho pois as seis horas tinham passado já há algum tempo, a ligação durou quase sete horas. Parece que, tal qual as magias, as habilidades também tinham durações um pouco diferentes neste mundo.

Ainda deitado na cama ele se recordou do perfume feminino de uma vampira antiga, se Evileye fosse um pouco mais velha ele sem dúvidas ia insistir em se relacionar com ela daqui para frente.

Bom… ela é velha, não é? Ela tem 254 anos, mas quero dizer, isso não faria bem para minha cabeça.

A vontade de Satoshi era evitar esta guria de agora em diante, mas ele teria que voltar a encontrá-la já que com os 254 anos dela ela era um livro de história viva.

Felizmente para ele, Evileye tinha aquele item que mascarava a natureza dela, então para Satoshi ela seria sempre uma garota humana mascarada com perfume natural ordinário.

Porém, se porventura ela parasse de usar aquilo, Satoshi teme que acabaria se enveredando pelo tortuoso e desprezível caminho dos Lolicons.

Sinceramente espero que isso não aconteça, pode ser conservador de minha parte, mas ainda quero ver o rosto de um cara decente quando olhar no espelho no futuro...

Satoshi levantou da cama e destrancou a porta do quarto. Ele ia até a recepção para perguntar onde era o quarto das Rosas Azuis. Pelo que ele sabia elas tinham se hospedado aqui ontem quando chegaram na cidade.

Uma vez na recepção, ele foi informado que elas estavam em quartos no quarto andar, o último do prédio.

Ele também ficou sabendo que uma carta tinha acabado de chegar para ele, aquela carta tinha chegado há apenas dez minutos e ia ser entregue no quarto dele nos próximos minutos se ele não a tivesse pego aqui agora.

Receber uma carta deixou Satoshi perplexo com quem seria o remetente.

Eu apenas disse para Favel e os outros onde eu me hospedaria agora que a pensão da Gentil Senhora se foi...

Satoshi não podia imaginar seus amigos usando um meio tão formal para se comunicar com ele, então não havia como ser uma carta deles.

Então quem?

Ele ficou em uma situação difícil, pois ele não sabia ler. Ele cogitou pedir à moça da recepção que lesse para ele, mas então teve uma ideia.

Lakyus-chan! Essa é uma excelente desculpa para bater na porta dela!

Satoshi precisava mesmo de uma desculpa para ver as Rosas Azuis e isso caia como uma luva.

Ele então subiu até o quarto andar e bateu na porta do quarto que a recepcionista disse ser o de Lakyus.

Satoshi já preparava o nariz e os olhos em antecipação à beldade abrindo a porta. A imaginação dele até voava um pouco com as roupas de dormir que ela usaria, talvez um pijama, roupas casuais, talvez lingerie?

Lingerie, hein… que seja uma lingerie...

Mas então ele notou uma coisa.

Acho que o sol nasceu a um hora e pouco… eu estou sendo meio inconveniente, não é?

Ele, que só se encontrou oficialmente com as Rosas Azuis ontem e apenas por algumas horas, estava batendo na porta da líder delas de manhãzinha para pedir favores.

Quem ele pensa que é para perturbar o sono dessas celebridades?

Isso não parecia certo!

Satoshi já dava meia volta e saia de fininho quando a porta se abriu.

"Uhwah~… Evileye, você esqueceu a chave…?"

Quando Satoshi viu aquela cena, ele fez questão de queimar na mente para observá-la muitas vezes no futuro.

Uma Lakyus totalmente à vontade em um pijama azul folgado com mais da metade de seus botões desabotoados tinha aberto a porta enquanto se espreguiçava.

O cabelo dela estava bagunçado como o cabelo de alguém que acabou de acordar, o rosto dela tinha uma expressão preguiçosa de quem queria continuar dormindo com os olhos parcialmente fechados e a face solta.

Satoshi achou aquela visão tão bonita que cogitou usar a magia [Take Picture] silenciosamente para sempre lembrar dela. Mas ele não sabia como o pergaminho com a foto surgiria então preferia não correr o risco de acabar sendo pego caso aquilo aparecesse no ar entre ambos.

Ele também não pôde deixar de considerar a cena erótica.

Havia toda aquela pele que não devia estar à vista na região dos seios, ombros e abdômen, que somado ao agradável e forte perfume natural dela que nesse horário ainda não tinha sido corrompido por artificialidades e camuflagens femininas como maquiagem, loções e fragrâncias, perfume este que era fortalecido pelo fato dela não estar usando roupa de baixo.

"Que… huh? Quem é…? Kyaaa! Desculpe, espere um minuto!"

Infelizmente para Satoshi após ter ficado a vontade na frente dele por menos de quatro segundos, mesmo ela estando visivelmente sonolenta e tendo acabado de acordar, Lakyus reparou o quão vulnerável a roupa dela a deixava.

Isso foi talvez porque mulheres têm um sentido para essas coisas, adquirido com a vivência e como meio de defesa contra os assaltos dos olhos dos homens, assaltos visuais aqueles que se deixados livres podem levar a um assalto físico.

Lakyus fechou a porta para se trocar e ficou desaparecida por quatro minutos inteiros.

Nesse meio tempo, Satoshi considerava como pedir a ela o favor de ler a carta. Keno, ou melhor, Evileye poderia chegar a qualquer momento e interromper eles, então Satoshi esperava que Lakyus não demorasse.

"Ah! Atari-san, bom dia, o que te trás aqui tão cedo?"

Depois de ter se vestido brevemente e dado uma mascarada na bagunça do cabelo, Lakyus abriu a porta novamente e perguntou com o sorriso no rosto que sempre mantinha, o de uma Nobre-Aventureira Profissional.

Por que ela teve que colocar perfume? Isso teve um efeito oposto...

O perfume que ela gotejou em si, não agradou Satoshi, pelo contrário, o frustrou tanto quanto as várias camadas de roupa dela, que lhe ocultavam a pele e o odor.

Bem, não é como se ela tivesse que me agradar mesmo… quer dizer, quem sou eu?

A verdade é que Satoshi era apenas um Zé Ninguém diante desta beldade perfeita na frente dele. Ele devia se sentir honrado apenas por ter visto o que viu a pouco.

Minha função como homem que corteja é reverter esse quadro…

Ele então começou o pedido dele.

"Lakyus-san, desculpe o incômodo, mas veja você, eu recebi uma carta, e como lhe disse ontem não sei ler os caracteres de Re-Estize. Então pensei que talvez… você pudesse ler para mim."

Lakyus inclinou a cabeça para o lado, levemente em confusão.

"Para isso não seria melhor perguntar a alguém da pousada?"

Satoshi tentou não fazer uma cara difícil enquanto pensava numa desculpa para a colocação óbvia de Lakyus.

Obviamente pedir a recepção teria sido mais correto.

Lakyus e ele eram praticamente desconhecidos, mas apesar dele ter muita estima por ela, o contrário provavelmente não era válido.

Oh, certo... essa pode ser uma boa desculpa.

"Como se trata de correio, prefiro perguntar a alguém em que conheço e confio profundamente."

Isso foi o que Satoshi disse para a garota que conheceu a menos de 24 horas e com quem se encontrou apenas uma vez antes.

Ela fez um rosto cuja interpretação era muito difícil para Satoshi, mas que foi, talvez, uma face que ela faz muito e que preferia não ter que fazer.

Foi algo como 'saco, lá vamos nós de novo'.

Satoshi sentiu um revés.

Ela deve receber lisonjas com frequência... espero não estar dando um passo errado, vou maneirar a partir de agora.

"É isso então? Entendo… bem, sendo assim vou lhe ajudar com isso, então, por favor, entre… aliás, não! Espere um minuto!"

Novamente por quase quatro minutos, Satoshi teve que esperar do lado de fora do quarto, neste tempo ele fez algumas considerações.

Satoshi estava certo que Lakyus devia receber muita atenção do sexo oposto, provavelmente de um jeito que devia incomodar ela pra caramba, a atenção dos homens devia ser um dos maiores inimigos desta clériga.

Era realmente um feito digno de lendas que uma dama que era tão bela, educada, gentil, bem-sucedida, forte, popular e talentosa tivesse conseguido se manter virgem até esta idade, ela deve ter tido que perseverar muito.

Claro, existia a pequena chance de Satoshi estar errado em relação a castidade de Lakyus, mas essa era uma chance muito pequena, ele acreditava. Os hormônios sexuais não mentem e ele tinha um nariz afiado para essas coisas.

Satoshi também não pensava que a ausência de castidade fosse um demérito, mas sem dúvidas a presença dela em determinadas condições indicava uma mulher virtuosa.

Era óbvio que Lakyus deve ter rejeitado dezenas de pretendentes e que muitos deles só desistiram dela depois de receberem várias e várias recusas seguidas.

Satoshi também tinha certeza que muitos ainda assim insistiam em cortejar ela independente de quantos 'não' recebessem, sendo necessário um 'Holy Smite' no meio-da-cara para perceberem que eram inconvenientes ou talvez fosse necessário até mesmo que ela fizesse uma chamada para Gagaran e a gigante desse uma surra correcional nos pretendentes insistentes.

Eu sei que este é um caminho cuja chance de sucesso é ínfima... mas estou indo para cortejar Lakyus de agora em diante. Fato.

Vendo essa mulher solteira que casava tão bem com as preferências dele, seria impensável que ele pelo menos não a admirasse. Mas neste mundo Satoshi iria além da admiração, ele ia partir para a ação com Lakyus.

Satoshi nunca teve um relacionamento, mas neste mundo em que ele era sexuado, isto era algo pelo qual ele teria que passar já que ele percebeu que conviver com o outro sexo lhe fazia falta atualmente.

Considerando isso, ter um relacionamento romântico com alguém como Lakyus era, bem, a situação mais próxima do ideal.

"Pronto, Atari-san, pode entrar, eu estava apenas... ajeitando o quarto. Por favor entre e fique a vontade, não se assuste com a bagunça ou qualquer coisa fora de lugar."

Satoshi entrou enquanto Lakyus parecia estranhamente nervosa e preocupada com a perspectiva de ser considerada uma bagunceira.

Aquele era um quarto muito mais elegante que o dele, também era um quarto de casal com uma única cama. Os quartos do quarto andar chegavam a custar até três vezes o que Satoshi pagava no segundo andar, mas este apesar de tão elegante não era o mais caro, ele achava.

"Você tem esse quarto gigante só para você?"

"Ah? Não, Atari-san, eu estou dividindo ele com Evileye. Infelizmente só havia um quarto para nós duas nesse andar e era um quarto de casal. Como somos ambas garotas você não vê problemas nisso... certo? Sabe, ontem conosco chegaram na pousada alguns magos arrogantes do Império e eles se hospedaram aqui ocupando quase todo este andar, tivemos que negociar para que sobrasse um quarto..."

Para surpresa de Satoshi, Lakyus levou ele até a cama e pediu que ele se sentasse lá, na cama em que ela tinha passado a noite.

Ela não tinha trocado o lençol, apenas ajustado ele, e Satoshi teve que lutar contra a vontade de se jogar naquela cama, girar e girar, para se banhar com o perfume noturno de Lakyus.

Lakyus, por sua vez, não sentou na cama, mas foi até uma mesa do outro lado do quarto e pegou uma cadeira a pondo em frente a Satoshi e se sentando elegantemente nela.

Satoshi ficou encarando ela fazer isso, perdido em pensamentos.

Lakyus era de fato uma jovem beleza. Com longos cabelos loiros ondulados, encantadores olhos verdes, um rosto feminino lindo com lábios convidativos, um corpo bem desenvolvido, bem dotado e bem mantido.

A beleza de Lakyus faria inveja até as modelos fotográficas da Terra. Satoshi se pegou pensando se ele viu alguma mulher tão bonita no seu planeta natal.

Aqui neste planeta certamente ele não viu.

Talvez Sapphire… não, Sapphire é meu sangue, não posso ver ela com esses olhos!

Satoshi tinha um tempo difícil com suas três homunculi femininas. Elas eram todas belas garotas, Sapphire, por sua vez, era a com maior beleza física das três. No entanto, os homunculi eram seres criados a partir do sangue de Satoshi.

Mesmo os homunculi tendo vivido tão poucos dias, e portanto ele não tivesse laços emocionais profundos com eles, ele tinha decidido que os veria assim, como filhos e filhas dele.

Sapphire e Ruby fizeram alguns comentários estranhos ontem, eu devia ter corrigido elas no ato...

A mente de Satoshi já voava enquanto seus olhos distraidamente observavam o rosto de Lakyus.

Isso durou um tempo indefinido até que a aventureira finalmente trouxe ele a realidade com uma voz um pouco incomodada por ser encarada longamente em silêncio.

"E então, Atari-san? A carta? Não vai me dar a carta? Ou... você tem outro motivo para estar aqui?"

Merda! Quanto tempo passou?

Satoshi tinha se perdido em pensamentos que nada tinham a ver com o que estava acontecendo diante dele e se deslocado da realidade completamente.

Ele esperava sinceramente que Lakyus não julgasse ele como um freak por ter ficado olhando ela por sabe-se lá quantos minutos.

"Ah! Sim, perdão, Lakyus-san. Aqui está a carta."

Depois que Satoshi retirou a carta do manto e entregou a ela. Lakyus olhou para a carta apenas alguns instantes antes de falar.

"Veja, esta é uma carta do Mestre da Guilda de Aventureiros desta Cidade, Pluton Ainzach."

"Ainzack-san? Por que ele me mandaria uma carta?"

"Muitas vezes a Guilda precisa, por questão de formalidade, fazer comunicações oficiais a nível individual… posso romper o lacre da carta?"

"Sim, por favor, vá adiante."

Depois que Lakyus habilmente rompeu o grosso lacre de cera com os dedos delicados mas surpreendentemente fortes e habilidosos. Ela retirou uma folha longa do envelope e deu uma rápida olhada por alguns segundos, ela então sorriu lindamente, embora tentasse conter o sorriso, só depois de dar três tossidinhas fofas na mão fechada para limpar a garganta ela começou a ler o conteúdo da carta em voz alta para Satoshi.

Conforme ela lia ficou claro que aquela carta era a carta oficial que informava Satoshi de sua promoção a Aventureiro de Oricalco.

Nela Pluton Ainzack listava os feitos de Satoshi e seu grupo, além dos motivos que levavam a guilda a promover ele duas fileiras de uma única vez e de promover os demais membros da equipe Falcão Negro em uma fileira, elevando eles ao Mithril.

Parece que a Falcão Negro estava na fronteira do Mithril a algum tempo. Então quando fizeram com Satoshi a missão de caça e controle de Mortos-Vivos em Katze, onde eles derrotaram em um único dia dois Skeletal Dragon, mais de vinte Skeleton evoluídos e mais de 200 Skeleton, eles tinham indubitavelmente provado que eles eram habilidosos o suficiente para uma promoção ao Mithril.

No entanto, o Mestre da Guilda decidiu esperar o fim da missão de reconhecimento da 'Lobo do Céu' às Planícies de Katze e o reporte daquela equipe antes de decidir promover eles.

Ao que parece o sucesso na missão 'Cidade da Floresta' teve pouca importância na decisão que promoveu a Falcão Negro ao Mithril, mas colaborou para a decisão de elevar Satoshi ao Oricalco, pois mostrou que ele tinha 'excepcional conhecimento' e 'habilidades que vão além do Mithril'.

"'... por isso aguardo tua presença na guilda o mais rápido possível. Pluton Ainzack, 19º Mestre da Guilda de Aventureiros de E-Rantel'. E aqui termina a carta que você recebeu, Atari-san. Parabéns pelo seu feito, pular da Platina direto para Oricalco é algo muito raro!"

Satoshi achou que essa notícia foi inesperada neste momento, mas não surpreendente. Ele lembra de ter mencionado para o prefeito alguma coisa sobre isso o incomodar e, honestamente, Ainzack devia ter feito isso mais rápido.

Ele fingiu um sorriso de surpresa e alegria, para não decepcionar Lakyus que lhe deu essa notícia boa.

O fato de ser ela que estava dando uma notícia importante em primeira mão para ele era uma boa coisa, isso ia colaborar um pouquinho para que no futuro houvesse uma amizade entre ambos.

"Sim, Ainzack-san certamente é um Mestre da Guilda muito gentil para me promover duplamente..."

"Nem tanto Atari-san, vou ser muito sincera e te dizer que quando encontrei Atari-san pela primeira vez tive certeza que você era um aventureiro talentoso, promissor e capaz. Além disso Evileye sempre me diz o quão difícil o 4º Nível é para vocês da Magia Arcana. Então acho que Oricalco é o mínimo para alguém tão dotado em magia. Tenho certeza que caso você continue como aventureiro, no futuro próximo teremos mais um colega Aventureiro de Adamantina no Reino!"

"Eu, me tornar um Aventureiro Adamantina? Você realmente acha isso, Lakyus-san?"

"Mas claro que vai, Atari-san! Esta carta contém tantos elogios a você que acho que Ainzack-san te vê como um protegido. Continue assim e essa promoção virá rapidamente! Quando este momento chegar, e acho que certamente chegará, saiba que nós de Adamantina temos uma tradição informal quando escolhemos o nome dos times, não é nada obrigatório certamente, mas é algo que vem desde a 'Folha Verde' há três gerações atrás, desde aquela época todos os times de adamantina do reino colocam uma cor dos deuses no seu nome de equipe, mesmo os 'Abraço de Urso' de quatro décadas atrás quando promovidos se renomearam para 'Ursos Marrons' em honra ao deus da Terra..."

Ele conversou gostosamente com Lakyus, para surpresa dele ela demonstrou pelas falas dela ter excelente impressão de Satoshi. Aquilo fez Satoshi ganhar o dia já pela manhã.

Outra coisa que Satoshi percebeu pelas palavras de Lakyus é que existe toda uma cultura e um cuidado com a memória das equipes de aventureiros que alcançam ou, em alguns casos, apenas flertam com Adamantina.

Durante mais da metade do tempo nos últimos duzentos anos o Reino de Re-Estize teve apenas um único time de Adamantina ativo, durante um terço desse tempo teve dois times de Adamantina e durante um décimo teve três times de Adamantina.

Re-Estize nunca ficou um único ano inteiro sem um time de Adamantina.

Times de Adamantina de antigamente são sempre lembrados e cantados nas histórias populares, muito diferente dos ancestrais da nobreza de quem apenas os nobres se lembram.

Poder conversar com Lakyus tão relaxadamente foi uma experiência deliciosa e Satoshi aproveitou cada instante enquanto tentava, sutilmente, marcar pontos com ela.

Para ele não havia dúvidas que ter tão satisfatório encontro logo pela manhã era um sinal de que o dia de hoje seria ótimo!

Porém, depois de cerca de quinze minutos de conversa, os dois foram interrompidos bruscamente.

A porta se abriu violentamente e o restante das Rosas Azuis entraram apressadas no quarto de Lakyus.

"Lakyus! Temos problemas! Durante a noite nós três fomos… eh?! O que é isso?! Porque este homem está aqui?!"

Como esperado, finalmente ela chegou… mas justo agora que eu estava tendo um bom momento com Lakyus-chan!

Evileye que estava dezenas de minutos atrasada em relação à previsão inicial de Satoshi tinha chegado com más notícias para pôr fim ao bom momento dos dois.

- PARTE TRÊS -
Um Orfanato Expiatório

Depois que Evileye e as outras três chegaram no quarto de Lakyus, Satoshi, que não era parte das Rosas Azuis, sendo apenas um estranho ali, foi expulso às pressas para que elas pudessem conferenciar com urgência sobre algo que tinha acontecido na noite anterior.

Apesar dele, como o Aventureiro dessa cidade que ele era, ter se oferecido para ajudar com qualquer coisa que elas fizessem a partir de agora, Evileye o expulsou do quarto sem nem mesmo anunciar o motivo pelo qual ela estava tão agitada, sem qualquer misericórdia, ela o chutou para fora do Paraíso, mesmo que Lakyus e Tina tendessem a querer que ele permanecesse e ouvisse pelo menos o começo.

Acho que Commodore deixou uma impressão forte em Keno… ela está muito alterada. Bem, que seja! Sou um homem ocupado, tenho muitas outras coisas a fazer também!

Satoshi não ia deixar o fato que ele foi expulso por Evileye daquele Éden em Floração que era o quarto de Lakyus o incomodar.

Ele era uma pessoa muito ocupada e atarefada, a própria Lakyus disse com os lábios carnudos da boca perfumada dela que ele era um 'aventureiro talentoso, promissor e capaz', portanto ele tinha muitas coisas a fazer.

Satoshi saiu do Pavilhão Dourado caminhando rapidamente rumo a um lugar que ele conhecia muito bem. Ele decidiu fazer uma coisa que ele pensou que seria útil para cidade, que seria um salva-vidas para algumas pessoas em estado vulnerável e que traria paz a seu espírito que estava tumultuado.

Enquanto ele andava pelo caminho dele, Satoshi não pôde deixar de reparar no movimento anormal de pessoas nas ruas e nos comentários que estas pessoas faziam.

Durante a noite de ontem trinta locais obscuros e de má fama na cidade foram atacados sorrateiramente em um espaço de tempo de apenas nove horas.

Em praticamente todo lugar estavam falando disso, muitas pessoas que tinham renome, poder e influência passaram a estar desaparecidas ontem a noite.

Quando teve que caminhar em frente a um dos locais que atacou ontem a noite junto com a Maligna Ordem de Manzuri, Satoshi pôde ouvir muitas pessoas aflitas questionando os guardas no local em busca do paradeiro de um conhecido, de um amigo, de um esposo, de um pai, de um filho... enfim, em busca de alguém que trabalha a noite e que não voltou para casa ao amanhecer.

Satoshi sabia que a maioria dos quase 800 bandidos que estavam no esgoto agora, e que viveriam no máximo 10 dias, tinham famílias ou dependentes. Pessoas que, por mais culpados que aqueles bandidos fossem, dependiam deles para sobreviver e obter sustento, gente que por causa da ausência daqueles crápulas teria pela frente uma grande dificuldade na vida a partir de agora.

Pensar isso deixou Satoshi um pouco abatido e ele virou o rosto para outro lado enquanto passava por aquelas pessoas que questionavam os já impacientes guardas sobre as pessoas desaparecidas.

Antes naquele local tinha funcionado a sede do Departamento de Segurança do Oito Dedos.

Ah cara, nem vem reclamar… as vítimas do Oito Dedos todas tinham família também, não é como se esses bandidos fossem santos!

Pensando deste jeito ele se consolou um pouco.

Só um pouco.

Um pouquinho.

Aquele tantinho de consolo que é difícil de notar mas que está lá.

Pensando bem, vou fazer Miya questionar os viciados e descobrir se há alguém que eles querem que eu leve com eles para Famicômia ou se eles tem alguém que deixaram para trás e que precisa de ajuda.

A ideia que Satoshi teve agora para remediar a consciência culpada dele foi encontrar um jeito de ajudar estas possíveis pessoas ligadas aos viciados, mesmo que fosse apenas deixando uma ou duas moedas de ouro na porta delas.

No fim de tudo, o que ele fez com os viciados foi um sequestro, ele os abduziu à força para que se tornassem colonos na cidade dele.

Dar uma compensação mínima não seria ruim, pelo contrário, seria justo.

Era difícil pensar que houvesse muitos casos desses, já que eles eram escravos em dívidas e viviam presos no 'local de trabalho' deles. Mas mesmo assim podem haver pessoas com quem eles se importavam e queriam convidar para viver na Famicômia com eles, ou talvez, houvesse pessoas a quem eles apenas queriam que ficassem bem, para estas Satoshi daria algum ouro.

A verdade é que Satoshi, atualmente, era um coração mole demais para ser um líder de seja lá o que for.

Ele sabia disso muito bem e tentaria no futuro endurecer seu coração, nem que para isso precisasse fazer atos extremos.

Mas neste momento ele ainda faria algumas coisas positivas.

Mesmo enquanto ainda estava no Pavilhão Dourado, Satoshi planejou começar uma coisa positiva para a cidade, e era isso o que ele estava indo fazer agora.

Ele faria isso, motivado principalmente pelo coração de gelatina dele, que finge ter consistência mas se parte sob a primeira pressão, e também por essa consciência culpada dele, que ele carregava com cada vez mais esforço por ainda estar preso a conceitos morais da Terra.

Satoshi, que estava cheio de recursos e estava se sentindo mal por ter tantas moedas, tinha planejado construir um orfanato na Cidade de E-Rantel para ajudar um pouco a cidade que o recepcionou tão bem neste mundo.

Uma coisa que sempre o incomodou nesta cidade foi a quantidade de meninos e meninas de rua.

O destino das meninas era um pouco certo quando eram bonitinhas: se tivessem azar elas seriam coletados pelo Departamento de Escravidão do Oito Dedos e seriam 'feitas' como escravas de caráter sexual, se tivessem sorte virariam aprendizes em um bordel e, mesmo que fosse uma versão corrompida, teriam uma 'familia' de prostitutas zelando por elas. Já as não tão bonitinhas tendem a definhar nas ruas ou ser 'pegas para criar' por alguém não tão bem intencionado assim.

Já o destino dos meninos era um pouco certo independente da maioria das coisas, se eles crescessem o suficiente para ter alguma força seriam recrutados como capangas descartáveis e bodes expiatórios. Muitos dos bandidos com Manzu nos esgotos agora aguardando sua vez de serem mordidos, uma boa quinta parte deles, eram apenas pirralhos como aqueles que foram recrutados e, infelizmente, se tornaram bandidos.

Já entre os escravos-mirins da raça humana que Satoshi possuía agora, uma boa parte deles eram meninas com menos de 12 anos de idade. Satoshi podia adivinhar que elas foram coletadas entre estas crianças de rua da cidade ou compradas de suas famílias em troca de um pouco de prata ou em troca do perdão de uma dívida de origem duvidosa.

Agora, depois da Operação Yubizume já não havia quem fizesse esse tipo de mal às crianças de rua. O Departamento de Escravidão estava desmantelado e o Oito Dedos como um todo era composto apenas de resíduos espalhados.

Mas a vida das crianças de ruas continuava sendo dura e cruel como sempre foi, então Satoshi planejava fazer algo para ajudar algumas dessas crianças. Seu projeto inicial era de um orfanato pequeno voltado para até 50 crianças em um prédio grande, um prédio que ele conhecia bem e que por acaso estava à venda.

Ele queria testar se seria viável manter orfanatos em E-Rantel e ele faria deste pequeno orfanato o laboratório dele. Posteriormente ele planejava construir um orfanato maior, para duas ou três centenas de crianças, o que ele pensa que devia suprir a necessidade de boa parte da cidade.

A ideia de Satoshi é a de que todos os órfãos eventualmente migrem para Famicômia e se tornem colonos, se assim desejarem. Ele também buscaria por detentores de talentos entre os órfãos e estes seriam induzidos a querer migrar para Famicômia desde pequenos.

O motivo de Satoshi não levar as crianças diretamente para a Famicômia de uma vez é que a cidade dele estava caótica agora, por enquanto E-Rantel parecia ser um lugar melhor para elas crescerem e aprenderem.

Enquanto pensava em como manter e o que ele desejava para o Orfanato dele, Satoshi chegou ao destino final da caminhada que fazia.

Era a hospedaria da Gentil Senhora.

O lugar onde ele esteve hospedado por praticamente uma semana e que foi vandalizado, por causa dele, a ponto da proprietária deixar a cidade com medo dos bandidos.

Uma vez na pousada depredada, que tinha uma grande placa com letras que Satoshi não podia ler, ele foi até a casa que ficava em frente ao espaçoso prédio, o filho da proprietária morava naquela casa e para sorte de Satoshi ele estava em casa naquele momento.

Hoje Satoshi iria comprar uma propriedade nesta cidade.

Satoshi conversou com Bastian, o filho da Gentil Senhora, por uma hora inteira e eles chegaram a um acordo de negócios.

Satoshi pagaria 60 moedas de ouro pelo prédio e até 20 moedas de ouro pela reforma dele que ficaria a cargo de Bastian e cuja realização não poderia exceder dez dias, além disso Satoshi iria arcar com as taxas de transferência com a Prefeitura da Cidade e com os impostos pendentes.

Ele estava sendo muito generoso no pagamento.

Se essa fosse uma situação normal ele se aproveitaria do fato de que Bastian estava com a corda no pescoço com uma multa que seria executada em breve e imporia termos mais desagradáveis para o negócio.

Mas esta não era uma situação normal.

A verdade é que Satoshi era o culpado por tudo de ruim que aconteceu com a Gentil Senhora, com a filha e as netas dela, e com Bastian. Não fosse por Satoshi que era um hóspede dali ser um alvo da Oito Dedos, essa pousada não teria sido depredada e ainda estaria operante.

Por esse motivo Satoshi estava pagando pelo prédio um valor maior do que o valor real dele caso não estivesse depredado, estava custeando toda a burocracia e estava ainda pagando um valor alto pela reforma com a desculpa que queria que aquilo ficasse pronto rápido.

Com isso posso ficar em paz comigo mesmo pelos problemas que causei a eles...

Enquanto Satoshi olhava a bagunça que tinha virado a pousada de três andares feita com paredes de madeira e um grande quintal com poço, e que costumava ser chamada de Flor ao Vento, ele explicou criteriosamente o que planejava fazer daquele lugar para o filho da proprietária, Bastian.

Bastian ficou tão encantado com a ideia do Orfanato que prometeu se empenhar na reforma com o máximo da dedicação dele.

Depois que Satoshi marcou de se encontrar com Bastian no portão da Villa VIP uma hora antes do anoitecer para registrar o negócio na prefeitura, Satoshi deixou o prédio da Flor ao Vento rumo ao próximo destino dele hoje, a Guilda de Aventureiros da cidade.

Alguns dias atrás Satoshi ouviu Pluton Ainzack, o Mestre da Guilda de Aventureiros de E-Rantel, dizer orgulhoso que um em cada dez aventureiros do Reino de Re-Estize estava no Domínio Real de E-Rantel.

Foi naquele dia também que ele ouviu que existiam pouco mais de 300 aventureiros ativos em E-Rantel que se agrupavam em cerca de 70 equipes, dessas equipes mais da metade delas era de Cobre e Ferro, um terço era de Prata e Ouro, e apenas um décimo eram de Platina e Mithril.

Até onde Satoshi sabia, com a recente promoção dele, ele estava prestes a se tornar o único aventureiro de E-Rantel com uma Placa de Oricalco.

Quando entrou na Guilda naquele dia, Satoshi, como habitual, causou um silêncio no salão e, passados alguns instantes, ele pode ouvir o cochicho fofoqueiro dos aventureiros presentes na guilda naquela manhã.

Ele caminhou lentamente apenas para absorver mais das palavras que eram ditas.

Os senpais tem um misto de inveja e desejo por mim… uma mistura de amor e ódio.

Isso era o que ele podia sentir das palavras que ouviu deles.

Quando chegou no balcão em que sempre costumava ser atendido, o balcão da linda atendente loira Catelina, Satoshi aguardou o atual atendimento terminar.

Havia outros balcões livres e uma das moças até sinalizou para ele, mas ele sinalizou dispensando aquela moça, afinal ele era um homem fiel, Catelina foi sua primeira Atendente da Guilda e também seria sua Atendente da Guilda para a vida.

Depois de alguns minutos, o aventureiro que era atendido finalmente saiu, dando a vez a Satoshi.

"Bom dia, Atari-sama! Em que posso lhe servir hoje?"

A bonita atendente disse com um sorriso legítimo muito diferente do sorriso cético que lhe deu no primeiro dia. Enquanto estava na fila, Satoshi tinha notado feliz que ela passou a apressar o Aventureiro anterior do balcão dela depois que reparou que Satoshi era o próximo a ser atendido.

"Bom dia, Catelina-san, aqui, o Mestre da Guilda me mandou esta carta."

Depois que Catelina leu a carta, os olhos dela se arregalaram em sincera felicidade.

"Meus parabéns, Atari-sama! Uma promoção dupla direto para Oricalco! Você faz feitos incríveis como sempre! Por favor, me siga!"

Ela disse isso indo em direção a escadaria.

Se é você, eu te sigo por qualquer escadaria a qualquer hora, Catelina-chan...

Satoshi foi atrás dela pelo salão, atento ao movimento feminino do quadril largo e das nádegas volumosas da Atendente de Guilda, já antecipando o momento em que eles iam se elevar até o nível dos olhos dele quando eles dois estivessem subindo a escadaria.

Realmente é uma pena que esse uniforme dela seja tão longo… se um dia eu tiver uma Guilda de Aventureiros na minha cidade Famicômia, vou fazer os uniformes das atendentes ao menos um palmo acima do joelho!

Enquanto seguia o rebolado de Catelina pelo salão ele ouvia várias coisas sussurradas pelos Aventureiros como "Ela disse dupla promoção para Oricalco?", "Como pôde isso? Esse novato chegou a menos de duas semanas atrás!" e, também coisas como, "Ele é um tipo de tarado? Olha o olhar doente que ele dá para nossa Catalina-sama!".

Pelo jeito parece que agora o fato dele ter se tornado Oricalco começaria a se espalhar pela Guilda. Também parecia que Catelina tinha uma fanbase entre os Aventureiros da Guilda.

O que era esperado com tamanha formosura.

Depois de acompanhar atentamente o rebolado de Catelina subindo a escada. Satoshi foi deixado em sala de espera e lá ficou por quase dez minutos olhando a rua do alto, por uma pequena janela.

Nesse tempo, pela primeira vez em muito tempo ele se lembrou dos colegas dele em Yggdrasil.

Será que eles aprovariam meus passos? O que eles fariam no meu lugar?

Até o quarto dia neste mundo, Satoshi ainda tentava enviar [Mensagem] para eles ocasionalmente, mas depois de encontrar com a Escritura da Luz Solar e cometer a primeira atrocidade dele por aqui, ele parou com essas tentativas.

Depois de morder ansioso o lábio, ele tentou, depois de muito tempo, enviar [Mensagem] para os amigos.

Mas foi em vão, não houve nenhuma conexão ou resposta.

Estranho… por que eu me sinto aliviado com isso? Será que sinto tanta vergonha assim que não quero vê-los?

Quando Satoshi pensou isso, finalmente Pluton Ainzack apareceu acompanhado dos quatro membros do Falcão Negro. Parece que durante a espera os membros da Falcão Negro tinham vindo receber suas placas de Mithril.

Ainzack falou com os cinco deles e os parabenizou, eles assinaram alguns papéis e receberam as novas placas deles.

Depois daquilo Ainzack saiu apressado, isso porque estava muito atarefado, ontem muitas equipes chegaram machucadas da missão 'Cidade na Floresta' e parece que hoje a equipe de Mithril, Kralgra, tinha chegado pela manhã completamente arrebentada.

Kralgra tinha enfrentado ninguém menos que o Sábio Rei da Floresta em pessoa e o líder da Equipe, o Aventureiro Igvarge, tinha apanhado tanto que os clérigos diziam que ele demoraria uma semana para se recuperar e mesmo assim ainda teria sequelas.

Satoshi ficou olhando demoradamente a nova Placa de Oricalco que segurava entre os dedos antes de por ela no pescoço.

Oricalco, um metal esverdeado, incomum isso... Urânio Celestial também é verde mas aquilo emite luz e tem requisito de nível senão causa dano...

Satoshi se lembra vagamente do Metal Oricalco no início do jogo, ele se lembra vagamente porque ele passou pelos níveis iniciais rapidamente e isso foi há muito tempo atrás. Por conta disso ele não podia dizer nem mesmo se a cor verde era a mesma em Yggdrasil, muito menos saber qualquer coisa de especial desse metal.

"Então estamos combinados assim, Atari-san. Será um prazer fazer negócios com você no futuro."

"Claro, Sylvo-san. Teremos que cooperar desta forma por este período até que essa diferença suma, mas dado a habilidade de vocês será questão de tempo."

"Haha, não sei sobre isso Atari-san, como posso dizer… sinto que é mais fácil para você ser elevado a Adamantina do que nós a Oricalco..."

Satoshi não podia continuar na Falcão Negro, que agora era uma equipe de Mithril, por que ele era um Aventureiro de Oricalco.

As regras da guilda para formação de equipes sempre foram complexas, mas eram claras quanto a isso.

Havia uma sub-classificação no Ranking de Aventureiros que era: Cobre/Ferro, Prata/Ouro, Platina/Mithril, Oricalco/Adamantina.

Por isso, se uma equipe proposta tem por membros um aventureiro de placa de Mithril e, digamos, cinco aventureiros de Platina. Aquela equipe poderá ser formada e será considerada Mithril.

Mas se for um placa de Oricalco e cinco placas de Mithril, aquela equipe não poderá ser formada como uma equipe de Oricalco. O motivo para isso é: a guilda estaria agindo de má fé com os clientes se vendesse como uma equipe de Oricalco uma equipe que só tem um único aventureiro de Oricalco.

Em tais casos o aventureiro deve ser contratado como aventureiro solo e se for necessário, uma missão acessória deve ser chamada para rankings mais baixos com pagamento retirado da recompensa do aventureiro.

A diferença de Mithril para Oricalco era grande demais para ser negligenciada, portanto deveria haver no mínimo dois aventureiros Oricalco em uma equipe Oricalco.

Isso dito, Satoshi ainda planejava viajar com a Falcão Negro para fazer missões de nível Mithril e Platina, sempre que eles solicitassem, em um sistema de cooperação de equipes.

Embora a Falcão Negro não pudesse fazer missões restritas a Oricalco, Satoshi podia fazer missões de Mithril e Platina. O que eles fariam nestas ocasiões seria uma cooperação de equipes, dividindo o prêmio e tarefas da missão.

Não era como se houvesse muitas missões Oricalco na guilda, aventureiros Oricalco são tão raros que as Missões de Nível Oricalco são dadas em mãos e não postas no painel da guilda.

De fato, Ainzack havia dito quando parabenizou Satoshi que em todo Reino de Re-Estize estavam ativas apenas três equipes Oricalco e dois aventureiros Oricalco solitários na mesma situação de Atari, ou seja, ganhando a vida em parcerias com equipes de Mithril.

Satoshi pensou em tirar um dia para viajar até o Marquesado de Pespea e ao Condado de Lytton, para tentar recrutar estes dois aventureiros Oricalco solitários e formar uma equipe.

Isso é claro teria que ser agendado e só poderia ocorrer no futuro.

Satoshi recebeu do líder Sylvo da equipe Falcão Negro, 5 Moedas de ouro e 50 moedas de Prata pela missão 'Cidade na Floresta' além de 3 Moedas de Ouro e 50 moedas de Prata de bônus porque estava no grupo que teve o melhor resultado.

Depois daquilo, Satoshi e a Falcão Negro marcaram para daqui a quatro dias uma viagem as Planícies de Katze onde fariam juntos uma Missão Permanente de Caça-Controle e também marcaram para hoje a noite uma noite de comemoração e bebedeira no Cervo Saltitante.

Eles escolheram essa missão simples e rotineira porque foi ela aquela que lhes deu a placa de Mithril e eles queriam, de certo modo, agradecer às Planícies de Katze por isso.

Satoshi pensou na cabeça dele várias formas de apimentar esta missão para que, tal qual a primeira, esta também fosse inesquecível para eles.

Depois de se despedir deles, Satoshi deixou a guilda.

- PARTE QUATRO -
Visitando um Amigo

O Cemitério de E-Rantel ficava um pouco longe da sede da Guilda de Aventureiros e, mesmo que ele tenha se apressado, Satoshi demorou um pouco para chegar lá.

Ele tinha aprendido em uma conversa com Helenda durante a viagem para Katze muitos dias atrás que cemitérios neste mundo eram uma coisa verdadeiramente problemática que podiam até pôr em sério risco a cidade onde ficavam.

Isso era algo que era muito difícil de ser entendido por alguém vindo da Terra como era o caso dele.

Mas, para começar, os cemitérios aqui eram quase como grandes prisões, muradas e vigiadas, isso porque volta e meia Mortos-Vivos eclodem dentro deles devido ao acúmulo de muitos cadáveres no mesmo lugar.

O Cemitério de E-Rantel ocupava ⅛ do Interior da Cidade. Isso era um bocado de espaço e na opinião de Satoshi era um bocado de espaço muito mal utilizado.

Para Satoshi era simples, se enterrar corpos juntos gera Mortos-vivos, porque eles simplesmente não cremavam os mortos e descartavam as cinzas? Se fizessem isso, eles ainda teriam o espaço do cemitério liberado para uso pela população que poderia construir casas e negócios.

Mas a religião dos Quatro Deuses não permitia cremação, então eles passavam por todo este inconveniente apenas por estes motivos religiosos.

Dado que aquele cemitério na frente dele é uma gigante realidade, Satoshi chegou a pensar em fazer uso do daquilo como fonte de matéria prima coletando alguns corpos do cemitério para fazer Mortos-vivos, mas desistiu logo, pois isso seria profanação da mais alta ordem sobre pessoas aleatórias.

Depois que ele testemunhou que Nigun e Ferum mantiveram seu conhecimento de vida quando transformados nos vampiros Nigurath e Manzu, ele percebeu que transformar alguém em morto-vivo envolvia corromper a 'alma' da pessoa.

Apesar de não saber o que exatamente era uma 'alma' e se uma 'alma' realmente era uma coisa importante, Satoshi decidiu que, apenas por segurança, só transformaria caras ruins em Mortos-vivos, pois isso serviria de castigo.

Portanto, por mais lucrativo e tentador que fosse, ele não ia de forma alguma assaltar túmulos aleatórios nesse cemitério.

Mas a coisa seria completamente diferente se o Morto-vivo se formasse naturalmente sem intervenção dele. Neste caso, Satoshi não teria nenhum problema em usá-los. Afinal aquilo foi uma ocorrência da natureza, como a chuva ou a neve.

Ontem a noite enquanto via o corre-corre do pós-evento da Operação Yubizume e percebia que faltava mão-de-obra para servir aos seguidores de confiança dele, Satoshi tinha tido a ideia de coletar qualquer morto-vivo que surgisse naturalmente neste cemitério para servir ele.

Foi pensando nisso que ele tinha ordenado que o High Wraith Gaspar fosse ao cemitério e passasse a noite contabilizando os mortos-vivos disponíveis aqui.

Os irmãos de Gaspar, o trio Bibidi, Babidi e Boo, saíram para acompanhar os homunculi viajantes, mas Gaspar ficou na cidade para servir como espião para Satoshi.

Claro, seria impossível para o pequeno Gaspar vistoriar todo o cemitério em uma noite, mas se ele achasse alguma coisa que valesse a pena já seria um bom resultado. Satoshi planejava controlar qualquer Mortos-vivo descoberto com as habilidades de Greater One dele.

O quê uma surpresa quando Satoshi pulou o muro do cemitério e ouviu o reporte de Gaspar.

"Você tem certeza disso?"

"... sIm, SeR sUpReMo..." (Sim, Ser Supremo.)

O que Satoshi ouviu Gaspar dizer com sua voz repulsiva foi que havia mais de quinze mil mortos-vivos em um complexo de Catacumbas no centro do cemitério.

Aquela era uma aglomeração que gerava tanta energia negativa que mesmo estando na borda do cemitério, Satoshi estava com uma sensação agradável, similar aquela que teve ao caminhar nas Planícies Katze.

Segundo Gaspar, estes mortos-vivos foram amontoados em diversas áreas no subsolo e eram pastoreados por seis seres vivos.

Isso não parece bom… será que alguém teve minha ideia antes de mim?

Satoshi pensou que alguém inteligente teve a ideia de coletar os Mortos-vivos antes dele, ou no caso desse alguém ser uma pessoa filha-da-puta, esse alguém pode ter decidido criar mortos-vivos com o corpo de inocentes e os armazenar sorrateiramente aqui.

Mas a pergunta é, o que esses indivíduos querem obter juntando esse monte de Mortos-vivos?

Segundo o High Wraith Gaspar embora haja mortos-vivos com muitos anos de vida entre os muitos mortos-vivos amontoados, a maioria deles é jovem. Ainda segundo Gaspar os mortos-vivos mais poderosos são apenas um par de Skeletal Dragon recém despertos.

Aquilo deixou Satoshi muito curioso.

Mas ele decidiu verificar isso só à noite.

Por agora ele ia aproveitar que estava perto do mercado na entrada das Favelas e visitar um amigo para acompanhar o andamento de um negócio antigo.

Depois de orientar Gaspar a continuar com sua tarefa pelo resto do dia de hoje, Satoshi novamente pulou o muro do Cemitério para andar pela Cidade.

Naquela parte da cidade, havia soldados passando por todos os lugares a todo momento indo de lá para cá, muitas vezes escoltando pessoas suspeitas e invadindo casas.

Satoshi pensou que isso foi uma consequência da investigação dos desaparecimentos da noite anterior.

Como Satoshi estava perto de um dos quatro principais acessos às Favelas, o mais movimentado dos quatro, se ele não se enganava, os guardas aqui eram um pouco brutos demais nas abordagens.

Talvez eles estejam aproveitando a fraqueza dos Oito Dedos para fazer um Choque de Ordem nessa área?

Curiosamente, Satoshi, que foi o culpado pelo desaparecimento de quase mil pessoas na noite de ontem, não foi parado nenhuma vez por qualquer um dos numerosos guardas que viu, já que ostentava uma insígnia de Oricalco e uma roupa cara.

Depois que chegou no mercado ele precisou cruzar poucas quadras para chegar em uma rua lateral, Satoshi então foi em direção a uma casa com um pequeno canteiro de flores.

Depois de parar na porta ele soube pelo olfato e pela audição dele que a pessoa que procurava estava na casa.

Toc Toc

Satoshi bateu na porta.

Depois disso ele sentiu que a pessoa dentro da casa tinha parado seus afazeres, provavelmente para ela se assegurar de que realmente ouviu uma batida na porta.

Satoshi bateu novamente na porta.

Toc Toc

A pessoa então, ajeitou vários papéis, ou coisas que soavam como papéis, depois pareceu esticar um tecido e pouco tempo depois estava abrindo a porta, para receber o visitante.

"Olá, quem… ah, é Atari-san. Que você quer, cara?"

A 'Garota disfarçada de Garoto' que atendia pelo nome de Ninya perguntou ao entreabrir a porta.

"Só vim checar como você está indo com as tarefas da Guilda de Magia."

"Não se preocupe, Atari-san. Depois da missão lucrativa em Tob, nós quatro vamos ficar parados quatro dias inteiros, eu consigo fazer neste tempo, fique assegurado, Atari-san, o negócio não está em risco."

"Foi tão lucrativo assim para quatro dias de pausa?!"

"Ara, ara, certamente você já recebeu o seu também. Eu recebi quatro moedas de ouro e 50 moedas de prata nessa missão, isso foi um alívio para mim, me salvou esse mês e o próximo!"

"Bom, eu recebi um pouco a mais… mas mesmo assim, parar por quatro dias inteiros só porque um trabalho foi fácil, isso não é vocês fazendo corpo-mole?"

"Fuu… sério Atari-san? Você está falando que nós Aventureiros de Prata fazemos corpo-mole? Nós somos os mais ferrados da categoria, a maioria das nossas missões deviam ser do ranking Ouro, mas a guilda desce um grau de propósito para atrair clientes! Eu tive que ficar metade do mês passado fora da cidade acampando apenas para fechar o mês sem dever dinheiro a ninguém! E mês passado inteiro nem cheguei perto de fazer metade do que fiz só com essa missão!"

"Bah… mesmo assim, quatro dias é muita coisa, é mais do que meia-semana!"

"Tsk… as pessoas precisam descansar às vezes, não é? Não acho que você entenderia nossas dificuldades, cara, você parece ser o tipo de mano que tem moeda de platina debaixo do colchão e que só come pão com recheio temperado..."

"Ah, certo, certo, eu meio que sou esse cara mesmo... mas vamos mudar de assunto, por que eu não ouvi meus parabéns ainda? Hein?"

"Parabéns pelo quê? Por um acaso é teu aniversário?"

Satoshi ajeitou a insígnia de Oricalco, alinhando ela ao meio do queixo.

"Ah?! Não acredito?! Onde você conseguiu isso?!"

"Onde? Óbvio que o Mestre da Guilda me deu depois que fui promovido duas fileiras de uma vez, como mais eu ia conseguir isso?"

"Mas isso é Oricalco… você não falsificou isso não é, Atari-san? Isso é uma infração grave..."

"Porra senpai, você tem uma ideia suja de mim. Foi uma promoção, fui de Platina ao Oricalco de uma só vez. Até a Falcão Negro foi elevada, só que para Mithril."

"Haha! Legal! Parabéns para eles, eles merecem!"

"Incrível, não é?"

"Sim, quanto a você, nunca ouvi falar de algo como promoção dupla antes..."

Satoshi olhou para Ninya que durante toda conversa esteve atrás da porta entreaberta ainda presa a uma pequena corrente.

"Ei Ninya-san, você não vai me convidar para entrar?"

"Convidar você para entrar na minha casa? Claro que eu não vou fazer isso."

"Eh? Isso é um pouco descortês..."

"Ei, nem minha equipe entra aqui dentro, então não insista, isso sim ia ser descortês."

Satoshi fez uma cara irritada.

"Tem algum outro assunto para tratar comigo? Ou já está de saída?"

Ninya perguntou fazendo pouco da cara irritada dele.

Satoshi cogitou arrombar essa porta e cagar no chão da casa de Ninya, não, melhor, em cima da mesa da cozinha.

Mas preferiu não fazer algo tão extremo.

O rapaz Ninya tinha um segredo.

Ele era a moça Ninya.

Manter isso oculto tem suas dificuldades… eu entendo o receio dela.

"Bom saber que as minhas tarefas da Guilda de Magia estão em dia. Agora quanto a ter outro assunto, só tenho mais um, nós vamos fazer uma comemoração pelas promoções no Cervo Saltitante assim que anoitecer, então estou te convidando. Ah, as refeições e bebidas serão pagas por esse trouxa aqui."

"Não tenho certeza se posso ir..."

"Se puder apareça! Tchau!"

Satoshi se despediu de Ninya rapidamente antes de receber um 'certeza que não vou' e deixou a casa dela.

O sol estava no topo do céu indicando que era meio-dia.

Como ele estava perto de um mercado, Satoshi aproveitou para fazer compras.

E-Rantel tinha quatro grandes mercados de rua e este era o mais popular dos quatro em termos de preço. Claro, isso também significava que os bens não eram exatamente os melhores, mas isso não impedia que dentre estes bens houvesse coisa boa e quase todas estas coisas boas estavam no melhor preço da cidade.

Satoshi andou pelo mercado e gastou quase uma moeda de ouro comprando coisas menores que sequer eram necessárias para ele, mas que seria bom ter com ele apenas por garantia, já que uma pessoa normal sempre teria.

Enquanto andava no mercado, Satoshi viu alguém de quem não gostava muito.

Este foi Tibur, o mago da equipe Chuva Escura, que estava comprando cera para velas, incenso e sal em grande quantidade. Satoshi que estava a uma distância considerável dele cogitou ir embora do mercado, mas então teve uma ideia melhor.

Satoshi sempre achou que era bom conhecer o máximo possível de coisas sobre pessoas notoriamente problemáticas, porque conhecer coisas sobre elas diminui a gravidade do problema que elas podem causar para ele.

Sendo assim Satoshi decidiu seguir Tibur um pouco, já que aparentemente ele veio fazer compras com vendedores específicos e não estava vagueando aleatoriamente pelo mercado como Satoshi.

Depois de comprar o que parecia todo o estoque de sal de um comerciante, Tibur deixou o mercado.

Sal e incenso, embora essas coisas não fossem esse caro, não eram exatamente coisas baratas, então Satoshi não tinha ideia de porque Tibur precisava de tanto.

Comida salgada faz mal para o coração… não me espanta você ser um coração-ruim.

Satoshi decidiu seguir Tibur que deixava o mercado com pesados fardos. Em um ponto enquanto seguia para fora do mercado, Satoshi aproveitou que não havia pessoas próximas e se ocultou com magia de alto nível conjurada de forma silenciosa.

Tibur, para completa confusão de Satoshi, virou uma rua em direção ao cemitério. Ele então foi até uma área pouco vigiada do muro do cemitério, conjurou uma magia que Satoshi nunca viu antes, uma magia que fazia uma placa quadrada de energia flutuante. Tibur subiu naquilo e conduziu aquela placa com magia por sobre o muro, entrando assim no cemitério ao meio-dia.

Se ele fizesse isso à meia-noite eu poderia suspeitar de algo macabro, mas como é meio-dia, então certamente é alguma outra coisa…

Óbvio que não era alguma outra coisa.

Estava claro para Satoshi que o sinistro Tibur estava acostumado a fazer coisas erradas no cemitério, estava tão acostumado que mesmo sob a luz do dia ele fazia seus malfeitos.

Satoshi se perguntou se ele não seria um dos seis pastores de mortos-vivos que Gaspar disse ter visto pastoreando os milhares de mortos-vivos nas catacumbas.

Preciso inspecionar esse cemitério sem falta…

Depois de decidir investigar o cemitério com calma essa noite, Satoshi se teleportou para a Instant Fortress.

Ele ainda tinha que verificar qual foi o resultado dos saques e como estava indo a aclimatação dos novos moradores da Famicômia.

- PARTE CINCO -
A Mobília Sortuda de Tsuki

Uma vez que a magia de teleporte que ele lançou o levou até o interior dos aposentos pessoais dele na Instant Fortress, Satoshi removeu o Ring of Doppelganger para assumir sua forma de Greater One.

Quando se teleportou desta vez ele se pegou pensando se as regras da Instant Fortress eram as mesmas regras restritas de Yggdrasil.

Em Yggdrasil, assim como também ocorria com a fortaleza criada com a magia [Create Fortress], apenas o proprietário da Instant Fortress, ou membros da Party em que ele estivesse, podia se teleportar para o interior da Fortaleza.

Esta mesma regra se aplicava a quem poderia abrir as portas de entrada da fortaleza.

Satoshi já havia testado com Miya e com os goblins do Batalhão Latino a abertura das portas. Ele tinha descoberto que apenas ele e Miya, que era parte dele, podiam abrir as portas principais da fortaleza, os outros não podiam.

Por este motivo, a Instant Fortress sempre estava com as portas principais abertas ou entreabertas, mas sempre corretamente vigiadas, 24 horas por dia.

Satoshi imaginava que com o teleporte devia ser o mesmo, com apenas ele e Miya podendo teleportar, e anotou mentalmente que devia perguntar no futuro ou ao homunculi Wizard Kuro ou a homunculi Dread Necromancer Tsuki se eles podiam teleportar dentro da Instant Fortress.

Antes de descer a procura do povo dele, Satoshi parou e decidiu olhar algo que o deixou curioso já na primeira vez que entrou naquele quarto.

Em seus aposentos havia uma elegante escrivaninha de trabalho feita em mogno, e atrás desta escrivaninha havia uma estante cheia de livros.

Desde que viu aquele móvel pela primeira vez, Satoshi sempre se perguntou o que esses livros seriam, seriam eles livros de verdade ou apenas elementos do cenário?

Além destes livros nos aposentos dele e em alguns outros aposentos da Instant Fortress, havia uma sala inteira repleta de livros no Segundo Andar daquela Fortaleza, lá havia várias e várias estantes de livros, aquela sala era quase uma mini-biblioteca.

Satoshi foi até os livros daquela estante e ficou admirado ao ver as lombadas em japonês. Ele então pegou um deles para folear, o título era "Sobre a correta Administração de um Domínio Feudal" cujo autor era chamado Zasmundo Vein Kart.

O livro parecia muito bem escrito de forma que para Satoshi o que estava escrito ali não poderia ter sido inventado ou falseado.

Satoshi sentou algumas horas na cadeira da escrivaninha e folheou o livro, durante a leitura Satoshi pensou que era impossível o personagem de Zasmundo ser ficcional, Satoshi estava convencido que realmente existiu um Barão de Tandica e que ele realmente escreveu este livro para que seus descendentes continuarem o bom trabalho dele que de tão bem sucedido até chamou a atenção do Arquiduque.

E pensar que essa é lógica insana por trás dos pedágios feudais… Impressionante!

Sem perceber Satoshi ficou imerso na leitura do livro por horas, apesar da linguagem difícil e deslocada, Satoshi já tinha lido metade do grande livro. Foi quando foi interrompido pela porta dos aposentos dele se abrindo.

Quem entrou foi a escrava elfa de cabelos azuis e de Nível 16, Mirella, que estava sendo seguida por umas vinte e cinco garotinhas, entre elfas e humanas. Todas elas estavam vestidas com um uniforme de serviçais que Satoshi não reconheceu mas que foi improvisadamente ajustado ao tamanho pequeno delas. Todas aquelas crianças tinham a aparência de estarem com a barriga cheia e também cheiravam a sabão perfumado.

Conforme as pequenas entravam elas lançavam olhares atentos e fascinados ao redor, mas se algo, o semblante delas era de insegurança. Elas foram muito bem tratadas nas poucos mais de oito horas que estiveram aqui, mas por quanto tempo este tratamento duraria?

Quando Mirella, que entrava conversando sorridente com elas, viu Satoshi, Mirella pareceu surpresa que ele estava presente no interior do quarto lendo, ela pareceu considerar que fez algo muito errado porque imediatamente depois de entrar no quarto ela fez kowtow no chão.

"Por favor, desculpe sua escrava Mirella por entrar sem bater, Gentil Mestre, esta estava apenas..."

As garotinhas atrás de Mirella pareciam em pânico quando olhavam de Mirella se prostrando no chão para Satoshi, pensando bem, esta era a primeira vez que elas o viam nessa forma.

Como se fossem mímicos, uma a uma, elas imitaram o gesto de Mirella e fizeram kowtow. Muitas delas não sabiam fazer direito, possivelmente fazendo pela primeira vez, e levantavam a cabeça para olhar como as do lado fizeram.

"... Mirella e as demais já podem se levantar. Mirella, você é uma das minhas empregadas pessoais, entrar no meu quarto é apenas um de seus muitos deveres."

"... ainda assim eu deveria ter..."

"Não se preocupe com isso, se eu estivesse fazendo algo que não pudesse ser interrompido eu teria trancado a porta por precaução, você está muito próxima a mim para ter que ficar batendo na minha porta. Agora levante-se e venha aqui."

Depois de ser comandada tão claramente Mirella se levantou e se aprofundou no quarto, as muitas garotinhas com ela entraram todas no quarto também, antes a maioria delas estava do lado de fora no corredor.

Quando Mirela se aproximou, Satoshi perguntou.

"E o que trouxe vocês aqui neste lugar?"

Os olhos de Mirella fugiram um pouco antes dela responder.

"Esta escrava Mirella estava instruindo as escravas mais novas sobre os deveres. Então decidi mostrar a elas o aposento do Mestre, ensiná-las como se comportar no banho caso chamadas pelo Mestre e como é o cheiro do Mestre."

Entendo, trabalho de senpai... ainda assim esse último ponto foi curioso.

"Se não for inconveniente de responder, o que Mirella-chan acha do meu cheiro?"

Devido aos sentidos especiais dele, Satoshi era um pouco fixado com esse assunto de odores, essa fixação foi algo que passou a ter só depois que veio a este mundo e ganhou este novo corpo.

Ele desconfiava que o 'Eu Terrestre' dele consideraria o 'Eu Atual' dele um freak por causa dessa obsessão dele por cheiros. No entanto, como ele estava neste corpo já a algum tempo ele tinha entendido que esta agora esta era a natureza dele então nada viria de bom em negar ela.

Mas Mirella trouxe um tópico que o deixou muito curioso.

Apesar dele estar sempre atento ao odor das outras pessoas, saber como parecia o seu próprio odor para os outros foi algo que não tinha ocorrido a ele ainda.

"O cheiro do Gentil Mestre é molhado, sombrio e noturno, como orvalho no chão da floresta. Para Mirella o cheiro do Mestre traz ideias de gentileza, justiça e poder, como a imagem de uma linda coruja branca voando pela floresta e predando as serpentes rastejantes da noite."

Isso foi surpreendentemente poético e abstrato.

Satoshi estava acostumado a fazer descrições mais simples do cheiro dos outros. Ele se sentiu como um ignorante iletrado por não conseguir entender o que ela quis dizer com tais palavras.

Isso é, como dizem, a enorme diferença do vocabulário de alguém de ciências humanas em relação a alguém de ciências exatas...

"Entendo, bom saber disso."

Satoshi pensou em elogiar o odor de Mirella também como retribuição, mas depois da elaborada descrição feita por ela ele ficou com vergonha de dizer as coisas simples que sempre usa, tais como 'agradável' e 'estimulante'.

Ele decidiu mudar o tópico.

"E essas crianças, quem são?"

"Estas são as escravas mais jovenzinhas dentro do grupo das Novas Escravas da Fortaleza. Elas foram escolhidas para serem nossas aprendizes mirins de empregadas, as meninas humanas são crianças com 12 anos ou menos e as meninas elfas são crianças com menos de 50 anos…"

Porra! Meio-século?! Nenhuma dessas elfas parece ter mais de onze anos!

Também, essas vinte e seis garotinhas eram provavelmente 1/4 dos escravos trazidos dos Oito Dedos. Satoshi ficou feliz de ter resgatado elas. A vida dessas crianças seria muito escura se elas fossem vendidas como escravas para algum maníaco.

"Uhm… É um prazer conhecer vocês, jovenzinhas. Meu nome é Famicom, sou seu Mestre e o Senhor destas terras, mas como vocês são apenas crianças, podem me ver como um padrasto… o tipo bom de padrastro, não o tipo ruim, vamos deixar isso claro."

Depois de cumprimentar as garotinhas de um jeito que não deixasse mal entendido ele ouviu as respostas desarmoniosas delas, cada uma delas tinha ou uma voz tímida ou uma voz assustada.

Satoshi perguntou a Mirella como estava indo a adaptação das escravas e escravos. Pelo que ela falou a maior parte das escravas femininas adultas tinha uma profissão antes de serem reduzidas à escravidão, o mesmo valia para os homens, só que os homens tinham profissões mais complexas que as mulheres, eram escravos estudados e valiosos, havia até um escravo tutor entre eles.

Parece que a oferta de escravos homens para serviço físico era bem grande nas nações escravistas pois lá a escravidão era usada como punição por crimes o que garantia um suprimento abundante de mão-de-obra desqualificada.

Isso fazia a venda de escravos homens para serviço físico render pouco lucro, já que eram baratos demais. Por isso não havia um único escravo homem com uma profissão ruim em posse dos Oito Dedos, todos os escravos homens tinham boas profissões, sendo portanto mais valiosos de se negociar.

Estava a cargo da escrava elfa loira e Druida de Nível 14, Tantalle, descobrir e empregar as habilidades particulares de cada um dos novos escravos da fortaleza.

Mirella também disse que havia várias escravas elfas da cidade natal dela no grupo de escravas elfas trazidas de E-Rantel e que Pazuka até teve a sorte de encontrar uma amiga de sua época de infância entre as novas escravas.

Satoshi lembrou de ter ouvido de Mirella e Pazuka, no dia em que elas picotaram o Tolo Sem Nome, que a Cidade Natal delas tinha caído onze meses atrás para as tropas da Teocracia de Slane com todos os civis sendo escravizados e os militares mortos.

Elas deveriam ter sido mortas, como lutaram na defesa da cidade, mas por causa da aparência e do valor delas como escravas, elas já começaram a ser 'aclimatadas' a escravidão pelos Soldados da Teocracia ainda nas ruinas da cidade delas.

Ao que parece a Teocracia já estava a um bom tempo em guerra com o país delas, o Reino Élfico Vashen, e no momento atual da guerra a nação religiosa humana tinha esmagadora vantagem sobre a nação de elfos.

"Esses uniformes, são de onde?"

Satoshi mudou de assunto e perguntou sobre o uniforme preto e rosa que todas aquelas garotinhas vestiam.

"Estas roupas foram dadas a cada um dos novos escravos por Tsuki-sama, Gentil Mestre. Faziam parte dos itens trazidos da cidade humana. As mulheres humanas de Miya-sama ajustaram o uniforme ao corpo dos escravos do Mestre durante a manhã. As mulheres sob Miya-sama também ganharam algumas peças de roupa parecidas mas que eram verde e negras."

"Isso é bom, acredito que todos também foram curados, não é?"

"Sim, Mestre. Cada um dos escravos que vieram à casa do Mestre recebeu cura dos anjos de Miya-sama. Por sugestão de Miya-sama, todas as escravas femininas passaram pelo mesmo processo de cura e renovação que tua Mirella, todas elas tiveram seus lacres reconstituídos para o caso do Mestre desejar rompê-los durante o serviço íntimo no futuro..."

Satoshi se perguntou o que deu em Miya para fazer uma sugestão desnecessária dessas, ela certamente estava trolando ele às custas dessas pobres mulheres escravas.

"… Certo, Mirella. Agora, vamos falar de coisas importantes, eu tenho um comando para vocês escravos: vocês devem aprender a linguagem escrita do Reino de Re-Estize. Deve haver pessoas alfabetizadas no grupo de vocês, então quero que vocês formem grupos de estudo, não quero ter qualquer analfabeto trabalhando para mim nesta fortaleza no prazo de seis meses."

"Entendido! Nós vamos nos educar e também educaremos todos os novos escravos corretamente, Gentil Mestre!"

"Bom, isso é o que espero de vocês, agora eu vou descer, com licença."

Satoshi se despediu de todas e saiu do quarto carregando o livro consigo. Ele planejava terminar esta leitura no futuro.

Enquanto caminhava pela fortaleza, Satoshi não pôde deixar de se elogiar pela ideia que teve de encher a Instant Fortress de escravas femininas, o ambiente estava muito mais agradável e perfumado por conta disso.

Satoshi foi até a homunculi Dread Necromancer Tsuki depois de usar [Message] e descobrir a posição dela na fortaleza. A ruiva baixinha estava no depósito, no subsolo da fortaleza, revisando o Relatório sobre o loot dos Oito Dedos que ela devia entregar a Satoshi agora de tarde.

Quando passou pela dupla de guardas Death Warrior que vigiavam a única porta do armazém e entrou no hall do Armazém, Satoshi não esperava ver o que viu.

Tsuki estava sentada numa cadeira atrás de uma escrivaninha absorvida na correção de um longo pergaminho.

A problema que Satoshi viu nessa cena era que a escrivaninha era um Death Knight de quatro no chão e a cadeira era ninguém menos que o, também de quatro no chão, Vampire Lord Nigurath. Este último, por sinal, apesar da humilhação que passava, tinha uma expressão de satisfação extrema no rosto, o que desagradou profundamente Satoshi.

Depois que Tsuki viu Satoshi ela se levantou de seu assento e se curvou respeitosamente para ele. Satoshi reparou que Nigurath fez uma expressão de tristeza quando a carne abundante, macia e quente da bunda de Tsuki que repousava nas costas dele o deixou. Ver aquilo fez Satoshi ter ainda menos consideração por ele.

"O relatório sobre o Loot já está pronto, Famicom-sama. Eu estava apenas revisando isso. Por favor sente-se para lê-lo."

Tsuki acenou para um Death Cavalier e o morto-vivo fez menção de adiantar para se colocar no papel de cadeira para Satoshi.

"Isso não é necessário, Tsuki. [Create Greater Item]!"

Satoshi usou magia para fazer uma pequena cadeira-trono para ele poder se sentar em frente ao Death Knight, ou melhor, a escrivaninha de Tsuki.

"A magia de Famicom-sama é fabulosa como sempre. Uma pena eu não conhecer tal feitiço..."

Tsuki disse esse elogio que tinha som de queixa enquanto repousava o maior dote físico dela nas costas de Nigurath. Quando sentiu novamente o calor e a maciez da carne de Tsuki, o Vampire Lord soltou um som estranho que deixou Satoshi com um pouco de raiva.

"Este tipo de aplicação para tal magia não é esse fantástico Tsuki, afinal se alguém tiver necessidade de uma cadeira esse alguém sempre pode ir até a sala ao lado e trazer uma, não é?"

"Esta realmente é a opção mais ordinária escolhida pelo povo comum, Famicom-sama. Felizmente para mim, eu sempre tenho esses indignos comigo e posso convertê-los em mobília a qualquer momento e fazê-los ter alguma utilidade."

"Esse tipo de prática não te parece estranha, Tsuki?"

"Estranha? Como assim, Famicom-sama?"

Tsuki genuinamente não parecia ver estranheza naquilo. Satoshi tentou mostrar a ela o erro das ações dela como comandante.

"Veja, humilhar outros não é algo positivo, principalmente se são nossos subordinados. Imagine alguém que você estima na situação que Nigurath está agora, uhm vamos dizer, eu ou Miya, você acha que isso seria certo? Digo, sentar em cima de mim ou de Miya? Como você acha que nós dois iríamos nos sentir na situação com você sentada em cima de nós? Como você mesma se sentiria fazendo isso com seus superiores… Tsuki?"

"Ahn~cofcof... Famicom-sama, estou acompanhando o raciocínio, por favor, continue."

Por algum motivo a geralmente inexpressiva Tsuki estava corada, tinha coberto a boca de nervoso e tinha fortes indicativos de excitação enquanto Satoshi tentava lecioná-la. Ela até soltou um som estranho no começo da frase que Satoshi não pôde classificar corretamente e então o disfarçou com duas leves tossidas.

"... certo, bem, o contrário também é válido. Não seria estranho para você se eu algum dia ordenasse que você se pusesse de quatro para servir de cadeira para mim? Então imagine como Nig..."

"Não."

"Perdão?"

"Não seria estranho. Eu obedeceria prontamente a Famicom-sama. Eu existo para atender a Famicom-sama, independente de que tipo de atendimento Famicom-sama precise."

"Uhm… então não foi um bom exemplo. Mas no primeiro caso você identificou a estranheza?"

A geralmente inexpressiva Tsuki ficou novamente corada e sensivelmente excitada enquanto, possivelmente, algumas imagens constrangedoras passavam na cabeça dela.

"... Bem, obviamente alguém como eu jamais poderia sentar em cima de Famicom-sama ou Miya-sama. Isso seria muito desrespeitoso... não importa que grande feito eu faça, nunca serei digna de tão prazerosa recompensa..."

Sério?! Ela não percebe onde isso está errado? Diante disso, eu tenho que desistir… vamos esperar que ela corrija a si mesma com o tempo.

"Esquece, vamos voltar ao trabalho, este é o relatório?"

"... Sim, Famicom-sama. E estas folhas anexas são o inventário."

Satoshi dedicou vários minutos para ler o relatório por inteiro. Depois deu uma lida por alto no inventário habilmente organizado.

O fato dela ter coletado os itens e feito isso em apenas algumas horas, mostrava que Tsuki estava realmente empenhada na tarefa que recebeu.

"Muito Bem, Tsuki. Deixarei com Miya a decisão do que fazer com os itens, agora quanto às drogas, você deve fazer uma fogueira e queimá-las. E faça isso bem longe da cidade."

"Entendido, Famicom-sama. Por drogas, Famicom-sama também se refere às muitas variedades de álcool, tabaco e remédios?"

"Não, só as drogas que eram ilegais para os humanos como Pó Negro, Erva Branca e Néctar Vermelho."

"Compreendo, Famicom-sama."

"Bom, então já vou indo. Com licença."

Satoshi se despediu dela apressado e começou a sair, mas já na porta lembrou de perguntar algo.

"Você pode teleportar dentro da fortaleza, Tsuki?"

"Não posso teleportar para lugar algum no interior, quando para o exterior posso teleportar apenas a partir de 10 metros além dos muros, Famicom-sama."

Satisfeito com a resposta clara, Satoshi se despediu de Tsuki e colocou o Ring of Doppelganger.

Ele não falou com Miya, mas ele achava que ela estava indo bem, ao menos pelas palavras de Mirella, Miya estava lidando bem com os colonos humanos.

Satoshi tinha coisas a pedir a Miya com relação aos colonos, mas ele ia pedir em outra oportunidade quando o relógio estivesse favorável.

Naquele momento ele estava atrasado para um compromisso que ele tinha marcado na cidade de E-Rantel.

Faltava uma hora para o anoitecer quando Satoshi surgiu através de magia de transição em um beco de E-Rantel.

Aquela altura, Satoshi, por mais que quisesse, não podia remover da mente dele uma imagem que se formou quando ele ainda estava no depósito.

Era a imagem dele nu e de quatro sendo feito de cadeira por uma Tsuki em uma lingerie negra e empunhando um chicote de equitação.

Por que essa imagem não me parece desagradável?! Estou enlouquecendo! Preciso ir no puteiro hoje a noite sem falta!

Satoshi acreditava que precisava se livrar de toda carga acumulada por sua libido nos últimos dias para voltar a ser uma pessoa normal e decente, para se livrar dessa carga, sem falta, ele passaria essa noite em um quarto de bordel esporrando em um puta.

- PARTE SEIS -
Caminhada Bipolar

Satoshi só conseguiu chegar na entrada da Villa VIP para o encontro combinado com Bastian, o filho da Gentil Senhora, quase trinta minutos depois do horário acertado.

Bastian foi educado o suficiente para não pontuar que Satoshi se atrasou demais, na verdade, o filho da Gentil Senhora parecia bastante aliviado de Satoshi ter aparecido.

Ao que parece, durante a espera ele começou a temer pela desistência de Satoshi no negócio e já estava se lamentando por isso. Afinal, dificilmente ele encontraria melhores termos para a venda do imóvel se fosse vendê-lo a outra pessoa.

Ambos tinham marcado de se encontrar uma hora antes do anoitecer para registrar a passagem de propriedade da antiga estalagem da família de Bastian , a Flor ao Vento, para o Aventureiro Atari.

Eles foram juntos até o 'Escritório de Imóveis da Cidade de E-Rantel' para registrar a transferência do prédio. Cada propriedade dentro da limitada área interna dos muros devia ser registrada naquele prédio.

O espaço dentro dos muros da cidade era pequeno e restrito, o que tornava a manutenção deste esse tipo de registro viável em E-Rantel.

Mas apesar dessa aparente facilidade é notório que após muitos anos de descaso com as áreas de Favelas, qualquer controle do registro de propriedades daqueles bairros foram completamente abandonados pelas autoridades do Escritório.

Satoshi tinha como documentos pessoais apenas os papéis da Guilda de Aventureiros e da Guilda de Magia. Hoje, ele faria uso desses papéis como documento de identificação.

Esta era uma das vantagens de ser membro das guildas.

Durante o registro, ele também teve que pagar três anos de impostos atrasados deixados pela Gentil Senhora e uma taxa de 10% do valor da transação do imóvel à administração da cidade.

No final, adquirir esse prédio custou a Satoshi, 90 moedas de ouro.

Foram 60 moedas de ouro pelo prédio, 20 moedas de ouro pela reforma pendente, 6 moedas de ouro pela taxa da administração da cidade e 4 moedas de ouro de impostos atrasados.

Se ele tivesse ido selvagem sobre Bastian ele poderia ter conseguido este prédio por menos de um terço desse valor, porém ele não fez isso. Ele achava que era mais correto que ele assumisse algumas perdas e favorecesse essas pessoas neste negócio, afinal, mesmo que tenha sido sem querer, foi por causa de Satoshi que aquelas pessoas tiveram as vidas deles viradas de cabeça para baixo.

Um Satoshi sorridente deu os valores na mão do Oficial da Cidade e de Bastian, e recebeu a escritura se tornando o dono do prédio da Flor ao Vento.

Como agora ele era dono de um imóvel na cidade ele podia agora, caso quisesse, requerer a 'Cidadania de E-Rantel'.

E foi exatamente isso que ele fez em seguida.

Foi estranho para Satoshi saber que mesmo que ele residisse em E-Rantel, que era uma das cidades do Reino de Re-Estize, ele não seria considerado um cidadão do país que era Re-Estize.

A Cidadania que ele ia obter o faria apenas um Cidadão do Domínio de E-Rantel e um súdito da Realeza Vaiself.

Mas ele considerou que a ideia de cidadania aqui neste mundo era muito diferente da ideia amplamente difundida na Terra durante o Século 22.

Ele teve então que ir até um prédio próximo, o 'Escritório de Registro de Cidadãos Urbanos de E-Rantel' para conseguir o documento que o tornava 'Candidato-Cidadão' na cidade.

Os 'Candidatos-Cidadãos' eram pessoas que se candidataram à cidadania e que deviam morar na cidade por três anos, pagando a taxa anual três vezes, antes de receber o título de 'Cidadão de E-Rantel'.

Durante estes três anos eles eram contados como cidadãos, mas ainda estavam sob avaliação e podiam ter a cidadania cassada com facilidade.

Normalmente apenas moradores da Cidade-Fortaleza, e mesmo assim nem todos eles, tinham o direito de pedir a cidadania do Domínio de E-Rantel.

Moradores do campo raramente tinham registro, eles eram conhecidos apenas como um número pela administração do Domínio e a população das vilas só era contabilizada uma vez ao ano para determinar a tabela de imposto que cada vila deveria seguir naquele ano.

Já os moradores pobres da cidade, que não tinham seu pedaço legalizado de chão dentro dos muros, não sendo donos de imóveis registrados, sequer podiam requerer cidadania e contavam apenas como residentes, mesmo se vivessem dentro dos muros a vida toda.

Os benefícios de ser um cidadão não eram muitos, mas eram tentadores, e por isso Satoshi fez questão da cidadania.

Basicamente, um cidadão tem prioridade sobre os residentes em termos jurídicos e administrativos. Isso significa que ser um cidadão faz de você juridicamente melhor que um simples morador, tendo preferência legal em muitos casos de disputas ou processos penais.

Ser um cidadão também faz com que seja necessário um 'Decreto de Alistamento' por parte do Rei ou da Corte para conscrição militar, traduzindo isso, um cidadão só pode ser obrigado a ser um soldado conscrito em caso de guerra total declarada.

Não-cidadãos, por sua vez, podem ser recrutados como conscritos de acordo com a conveniência, a qualquer tempo e sob qualquer critério pelos regentes da terra que residem ou pelos vassalos deles.

Satoshi já tinha duas camadas de proteção contra conscrições para ser um militar, que eram o fato de ser um aventureiro acima do cobre e ser mago filiado a uma guilda. A cidadania seria sua terceira camada de proteção.

Depois de assinar alguns papéis, carimbar sua digital com sangue e fazer um vergonhoso juramento de lealdade em voz alta onde ele se punha à disposição da vontade da Realeza Vaiself, Satoshi foi aprovado como 'Candidato-Cidadão'.

A próxima parada de Satoshi estava no mesmo prédio.

Era o 'Sub-escritório de Filantropia e Assistência aos Plebeus em Miséria', que se sediava em uma pequena sala 3x3 no andar do arquivo, e tinha apenas duas funcionárias, que já estavam de saída, quando ele chegou ao anoitecer.

Ao saber das intenções dele, as duas abriram mão de ir embora e tiraram todas as dúvidas dele, até mesmo trazendo um chá para ele que retiraram de uma repartição vizinha.

Segundo elas, há seis orfanatos em E-Rantel, todos eles tinham o mesmo porte do que aquele que Satoshi gostaria de começar, ou seja, até 50 crianças. Quatro desses orfanatos eram administrados por igrejas, um por uma pessoa da cidade e um pela própria cidade.

O déficit de vagas era muito grande e aumentava a cada mês, sendo que, possivelmente, haveria um salto neste déficit graças ao lamentável incidente dos desaparecimentos que ocorreu na noite anterior, elas acreditavam que nas próximas semanas aquilo seria responsável por centenas de crianças serem arremessadas nas ruas da cidade.

Em seu íntimo Satoshi sabia que isso aconteceria, mas apesar dele já ter considerado isso antes, quando ouviu isso ser dito com tanta certeza e preocupação por outra pessoa, ele ficou muito impactado, afinal, ele mesmo nunca disse aquilo em voz alta.

Minha ação de ontem fabricou muitas viúvas e órfãos...

Isso era certo, certamente a Operação Yubizume deixou várias centenas de pessoas desamparadas e sozinhas, muitas delas crianças que não tinham como se virar por si mesmas.

Mas, mesmo tendo noção disso, ainda assim Satoshi não voltaria atrás para poupar a vida das centenas de bandidos que agora ele tinha cativos nos esgotos de E-Rantel.

Aqueles homens eram bandidos, tinham que ser punidos e seria Satoshi aquele que os puniria.

O destino deles estava selado e não haveria retorno.

Cada um deles ia se tornar alimento dos Manzuri e, posteriormente, cada um deles se tornaria um dos Manzuri.

Isso pode parecer insensível, mas acredito que seja o certo...

Quanto às crianças desamparadas, tudo que Satoshi podia fazer era remediar a situação daqueles órfãos.

Por isso, já naquele momento, ele começou a planejar na mente dele a fundação de uma série de outros Orfanatos nesta cidade, ele planejava poder abrigar todos os órfãos desta cidade dentro de um ano.

As duas mulheres acordaram com Satoshi que elas fariam uma visita em breve ao local sendo reformado para abrigar o orfanato. Nesta visita elas iam avaliar se ele poderia seguir em frente com o projeto dele e, só então, eles iam começar a fase de preenchimento da papelada administrativa.

Aparentemente era muito trabalhoso e custoso fazer filantropia nesta cidade. Satoshi soube que ele teria até impostos próprios para pagar.

Absurdo! Isso devia ser incentivado, não taxado!

Depois de terminar de falar com as duas, Satoshi saiu da área administrativa da cidade.

E-Rantel realmente tem uma administração mais complexa do que pensei, estou bem impressionado...

Comparado ao que ele esperaria de uma cidade medieval, Satoshi achou as coisas aqui bem civilizadas e organizadas.

Comparado a essas coisas, a Famicômia de Satoshi rastejava nua no chão de barro com a boca aberta.

Devo começar a pensar na organização da minha cidade na floresta em termos legais...

Ele pensou sobre isso por todo o caminho rumo ao Cervo Saltitante.

Hoje ele planejava beber muito com a equipe Falcão Negro em comemoração a promoção deles para Mithril e a promoção dele para Oricalco.

Quando Satoshi chegou no local marcado, nenhum dos amigos tinha chegado ainda.

Enquanto esperava eles chegarem, Satoshi se pegou pensando na coisa curiosa que observou acontecer com Zara, a Cleriga da Falcão Negro, varios dias atras.

Ele teve a chance de observar a ex-colega de equipe passar por um aumento de nível na parte final da expedição que fizeram para as Planícies de Katze.

Segundo o que Satoshi tinha observado com a habilidade {Level Evaluation}, naquele dia a namorada de Sylvo tinha ido do nível 15 ao nível 16 depois da derrota do último Skeletal Dragon daquele dia.

Esse tinha sido o único caso onde Satoshi testemunhou o nivelamento de alguém desde que chegou nesse mundo.

Depois de refletir sobre o caso de Zara enquanto bebericando um licor, Satoshi começou a planejar um pequeno presente para os amigos.

Daqui a quatro dias, na viagem até Katze que ele tinha marcado com a equipe Falcão Negro, Satoshi planejava novamente atrair mortos-vivos e forçar toneladas de cálcio pra cima da equipe amiga.

Dessa forma ele esperava que Sylvo, Helenda e Favel também aumentassem de nível. Satoshi tinha certeza que os três estavam agora na iminência de nivelar e com apenas mais um empurrãozinho eles subiriam de nível.

Esse seria um presente dele para aquela equipe: Ele ia tornar os amigos mais fortes.

Eventualmente eu vou sair desta cidade… e bom que eles cresçam e se empoderem.

Após ficar sozinho bebericando em silêncio por uma boa meia-hora finalmente outra pessoa chegou na sala que tinha sido reservada no bar Cervo Saltitante.

E esta pessoa foi ninguém menos que uma convidada, a garota disfarçada de garoto, Ninya.

"Ué… isso não era uma comemoração de equipe?"

"O pessoal já está chegando, por enquanto somos só nós dois, sente aí e pegue um copo!"

"... certo."

Ninya sentou na mesa e começou a selecionar o que beberia enquanto avaliava os rótulos das muitas garrafas encomendadas por Satoshi.

"Cara… as coisas lá fora foram bem tensas hoje, né?"

"O que você quer dizer?"

"Ontem houve vários ataques a casas de criminosos, dizem que vários milhares estão desaparecidos. Tudo muito estranho."

"Ouvi dizer que foram 776 criminosos, 104 escravos e 97 viciados que desapareceram."

"Bem específico, hein? Ouviu quem dizer isso? O próprio responsável?"

"Não, não do responsável, apenas de um sem-teto que mora num túnel de esgoto."

"Besteira, o álcool desse cara tá vencido. Estão falando por aí que foram pelo menos três mil desaparecidos..."

"Três mil? Isso sim é besteira... Te garanto que foram menos de mil, aposto um ouro aqui agora."

"Bah… confia bastante nesse sem-teto, hein?"

"Ele foi um homem de fé antes da ruína."

"Mesmo assim, nada de aposta, não faço apostas sem sentido, ainda mais quando são altas assim."

"Faz bem em não apostar, sua derrota seria certa, não existe a menor chance de eu estar errado nisso e você certo."

Ninya não se deixou provocar por Satoshi e não fez a aposta.

Satoshi já ia insistir e provocar mais ela para fazer ela apostar, mas então uma voz masculina foi ouvida na porta de entrada do compartimento reservado para eles.

"Dizem que a maior parte dos desaparecidos era de criminosos e parias, agora mesmo as favelas estão uma bagunça com as investidas dos guardas e com a luta para ver quem assume o lugar de quem sumiu."

Quem falou foi Sylvo, o líder, que chegou com as duas garotas da equipe Falcão Negro, a Ranger Helenda e a Clériga Zara.

"Nós sempre falamos que seria melhor se eles morressem todos, e não é que eles morreram, onii-sama?"

Helenda que veio junto com o irmão se sentou rapidamente ao lado de Satoshi.

"O Templo da Água estava muito agitado hoje, alguns sacerdotes falavam que foi um demônio que coletou os pecadores da cidade para convocar um grande mal que surgirá no futuro…"

A sacerdotisa Zara, que era uma Clériga do Deus da Água além de namorada do líder, deu uma versão maluca da história. De todos os presentes, apenas Satoshi viu alguma verdade camuflada.

Zara, sua frase estaria correta se você trocasse 'demônio' por 'cara sentado na minha frente'...

Eles conversaram e beberam por um longo tempo, eventualmente Favel finalmente chegou, muito atrasado. Como o ladino que ele era, o mundo dele virou de cabeça para baixo quando informantes de informantes já não podiam informar porque estavam desaparecidos.

Eles confraternizaram por um longo tempo, foi apenas faltando menos de duas horas para meia-noite que o primeiro deles decidiu sair, esta foi Ninya que considerou ter bebido mais que o suficiente e resolveu ir para casa, Satoshi aproveitou a oportunidade para sair também.

Ele ainda tinha que visitar dois lugares sem falta hoje:

O cemitério e um puteiro.

Ele já estava adiando a bastante tempo a visita a estes dois lugares, principalmente ao último deles.

Como a 'Garota disfarçada de garoto', Ninya, não morava muito longe do cemitério, ele decidiu ir com ela até a casa dela.

"Cara… tu tá me seguindo?!"

"A palavra certa é 'escoltando'..."

"Não, não, não, não, a palavra certa é SEGUINDO. Estou desconfiado de você mano, bancar o stalker para cima de um cara como eu…"

"Isso me traz lembranças… parece com a forma que nós nos encontramos pela primeira vez, não é?"

A garota disfarçada de garoto, Ninya, ficou quieta depois de ouvir isso.

Quando Satoshi encontrou ela pela primeira vez, ele estava sendo seguido por ela. Até hoje ele não perguntou o motivo daquilo.

Depois de ter ficado apenas alguns quarteirões em silêncio, ela voltou a reclamar incomodada por Satoshi ainda estar andando ao lado dela.

"O Pavilhão Dourado está no caminho oposto... você vai ter que andar todo o caminho de volta..."

"Uhm… Ei! Bem lembrado, Ninya-san! Já te falei que a Rosas Azuis estão hospedadas na mesma estalagem que eu?"

"Mais um motivo para você ir por aquele caminho ali, ali, vai logo, vai!"

A garota disfarçada de garoto, Ninya, tentou empurrar Satoshi com o físico fraco de uma conjuradora de nível 12 que ela tinha.

"Ei, Ninya-san, não seja esse violento, com esses braços de graveto aí, você não vai me mover, sabe?"

"Mano, você é um cara muito esquisito... por que você está me seguindo? Você por acaso é gay?"

"Se for o caso, você tem algum problema com isso?"

"Normalmente não, mas se você ficar insistindo em me seguir eu vou ter, não corto para esse lado, cara."

"Uma pena, consigo imaginar perfeitamente eu e Ninya-san pelados debaixo de um lençol no inverno aquecendo um ao outro com nossos corpos… alguém já te disse o quanto você cheira bem? Não me veja como um tarado por te dizer isso mas se a velha Bareare tivesse o cheiro de Ninya-san, eu estaria no negócio farmacêutico agora... Ninya-san?"

Satoshi só percebeu que tinha ido longe demais com a brincadeira quando seus sentidos se voltaram para Ninya, antes os sentidos dele estavam fixos na mulher de aparência suspeita e com aura assassina, que perseguia os dois disfarçadamente a distância na rua deserta.

Quando Satoshi prestou atenção na garota disfarçada de garoto, ele viu que Ninya tinha parado de andar ao seu lado e olhava para ele com um aspecto muito ruim.

O coração de Ninya batia uma confusão triste, ela já começava a lacrimejar e a respiração dela estava barulhenta de catarro do choro que começava a nascer dentro dela.

"Desculpa, acho que foi um idiota."

Depois de notar aquilo, Satoshi ignorou a mulher de aura perigosa que seguia ambos a distância e pediu desculpas imediatamente a Ninya.

A garota disfarçada de garoto, Ninya, levou a manga da camisa aos olhos para remover as lágrimas que acumulavam a ponto de comprometer a visão dela.

Depois de um tempo ela falou com a voz um pouco alterada.

"Você sabe, não é?"

"Saber? O quê em específico?"

"Não se faça de sonso! Você sabe sim! Você não é gay!"

"É, de fato, eu sei que não sou gay..."

Ninya pareceu não gostar da resposta dele que fingia ignorância, o rosto triste dela ficou de repente irado e ela deu um potente soco na cara de Satoshi.

Foi um soco tão potente que ela segurou a mão em dor, porque ela não tinha as qualificações mínimas para causar dano físico a ele e a mão dela se chocou contra uma impenetrável e sólida parede invisível.

"Ui! ui! Seu filho-da-puta! Sua cabeça é feita de pedra?!"

"É um feitiço defensivo que tenho sobre mim, ele não teria ativado se ao invés de tentar quebrar meus dentes você fosse me fazer um carinho, no entanto..."

"Babaca de merda..."

Satoshi sorriu para a garota disfarçada de garoto que estava abaixada na rua e que segurava a mão dolorida.

"Deixa eu soprar pra dor passar..."

Satoshi ofereceu a mão para ela levantar, mas ela empurrou a mão dele para longe e ficou de pé por si própria.

Pelo menos ela não está mais chorosa...

Ela encarou ele com raiva.

"Então o que você vai querer?"

"Eh? Não entendi?"

"Você sabe meu segredo, não é? O que você vai me mandar fazer para você ficar em silêncio?"

Satoshi não entendia o que ela estava querendo dizer, e os sinais vitais dela também estavam estranhos, havia rancor que não cabia na situação ali.

Ela parece estar projetando algo do passado na situação presente...

"Deve ser um trabalho, não é? Algum trabalho sujo? Um assassinato?

"Eh?!"

Satoshi subitamente estava surpreso com o ritmo que a conversa tomou.

"Não acho que seja dinheiro, você já é rico… também não acho que seja sexo, você não é como eles, você pode ter coisas melhores do que eu muito facilmente..."

De repente uma lâmpada acendeu na mente de Satoshi.

"Ei, Ninya-san. Eu não vou te chantagear. Do jeito que você fala aguem já te chantageou antes, mas eu não vou fazer isso, ok? Podemos voltar a nossa conversa em tom de amigos?"

Ela olhou ele nos olhos profundamente, avaliando ele.

"O que me diz? Eu fiz comentários infelizes, me arrependo e peço desculpas humildes agora, não vou mais cruzar essa linha. Vou respeitar sua persona, que tal? Podemos fingir que acabamos de sair do Cervo Saltitante e que nada aconteceu?"

Os olhos dela começaram a lacrimejar de novo.

Caralho! O que é agora?! Essa garota é bipolar?!

"V-você jura?"

"Pelo que há de mais sagrado."

Satoshi beijou o próprio dedo anelar para enfatizar o compromisso.

Aquele era o dedo do Anel da Guilda.

"V-Você não p-precisa ir tão longe no juramento… p-perde credibilidade."

Ei, isso foi a voz dela?

Aquela foi a primeira frase que Ninya falou para Satoshi sem fazer o menor esforço para camuflar a voz dela.

Satoshi não sabia se era porque ela tinha começado a chorar de leve e esqueceu ou se foi deliberado, mas ouvir a voz de garota de Ninya o deixou estranhamente orgulhoso de si mesmo.

Porque estou orgulhoso? Ela está chorando!

Ele enfiou a mão no bolso, que na verdade era o espaço negro do inventário dele, e tirou o primeiro lenço que encontrou.

Então Satoshi, um pouco envergonhado, levantou o queixo de Ninya da forma mais gentil que pode e limpou as lágrimas dela com o lenço.

Enquanto fazia isso os dois se encaravam nos olhos.

O coração dela já não bate mais desesperado, hein...

Felizmente Ninya reagiu de forma muito positiva ao gesto de Satoshi de limpar as lágrimas dela.

Agora ela estava ficando corada, então Satoshi se deu por satisfeito e colocou o lenço nas mãos dela.

"Eu não posso assoar seu nariz todo encatarrado por você, então por favor vá em frente..."

O rubor dela sumiu em um instante e ela pegou o lenço e se virou de costas.

Mas, ainda de costas, tudo o que ela fez foi falar enquanto olhava o lenço de Satoshi.

"Mas… eu não posso fazer isso… esse tecido é muito lindo..."

Oh! Ninya está falando em sua voz feminina! Acho que conquistei a confiança dela...

"Vire de costas, Atari-san."

"Uhm? Por que?"

"Apenas vire!"

Satoshi se virou para trás, enquanto virado ele espiou a mulher com manto que seguia ambos. Ela estava em um beco, oculta nas trevas da noite, apenas na distância limite para ouvir o que eles falavam.

"Pppphhhhffffnnnnn!"

Depois que Ninya assoou o nariz audivelmente, a mulher no beco se moveu desconfortável, ela devia estar com audição muito focada neles e foi surpreendida pelo barulho exagerado de Ninya.

Agora que eu penso nisso… essa conversa que eu tive com Ninya seria bem esquisita se vista de fora, né?

"Aqui, Atari-san."

Satoshi se virou para Ninya que lhe oferecia o lenço dele de volta.

Ela não tinha usado o lenço dele para assoar o nariz porque achou aquilo elegante demais para isso, no lugar do lenço de Satoshi ela usou outro pano que tinha com ela e que agora estava escondido fundo no bolso do casaco dela.

O pano usado por ela emergencialmente foi um pano que ela tirou da virilha dela e que normalmente cumpria o papel do 'volume masculino' no disfarce dela.

Apenas durante o curto período de tempo em que aquele pano esteve ao ar livre, aquilo tinha conseguido perfumar o ar da noite com o perfume mais íntimo de Ninya.

"Ei, você não usou meu lenço e sim um… que seja, mas mesmo assim você ainda pode ficar com esse meu lenço para você, Ninya-san, como um presente, ok?"

"... Tem certeza? Essa coisa parece bem chique..."

"Claro que tenho, bom, agora que você já está melhor, vamos indo?"

Satoshi tinha centenas destes panos sedosos da cor púrpura bordados com fios de ouro e com o brasão da Ainz Ooal Gown.

Depois daquilo os dois voltaram a caminhar até a casa de Ninya e, atrás deles, a mulher com manto continuou a persegui-los.

Ela já desconfia que eu notei ela nos seguindo… mas mesmo assim ela não nos abordou ou abandonou a perseguição.

Satoshi ponderava qual seria a identidade da mulher em sua mente.

Ele tinha confirmado o nível dela quando Ninya assoou o nariz antes e a perseguidora tinha a incrível marca de Nível 32.

Ela era a criatura com mais níveis que Satoshi viu neste mundo depois de Evileye, a vampirinha das Rosas Azuis.

Após caminharem em silêncio todo o percurso até a porta da casa de Ninya, a garota disfarçada de garoto se virou para Satoshi e disse com a voz engrossada.

"Boa noite, Atari-san. Obrigado pela escolta."

"De nada, Ninya-san."

Depois de se despedir dele, Ninya entrou pelo portão, cruzou o pequeno canteiro, parou em frente a porta da casa alugada dela, pegou uma chave no bolso e abriu a porta.

Satoshi lembrou de uma coisa.

"Ninya-san!"

"Sim?"

"Te incomoda se eu te chamar apenas de Ninya?"

Ela pareceu tão surpresa que quase perdeu a frente, mas quando respondeu ainda usou a voz engrossada e falou composta.

"Não me incomodo, fica à vontade."

"Ok, Ninya! A recíproca é válida, tá?"

"Entendo, Atari-san."

"Fique à vontade para me chamar apenas de Atari se quiser..."

"Certo, se eu quiser eu farei isso, Atari-san."

Ela sorriu, fez tchau com a mão e fechou a porta.

Satoshi ainda esperou três longos minutos enquanto olhava em direção a casa de Ninya, apenas quando ele percebeu com os sentidos dele que uma pensativa Ninya tinha finalmente deixado de se escorar de costas na porta e entrado profundamente na casa, é que Satoshi finalmente deu as costas para casa da garota para ir embora.

Era hora de lidar com a perseguidora.

- PARTE SETE -
Uma Irresistível Armadilha de Mel

Satoshi voltou pelo caminho que tinha feito a pouco com Ninya. Ele subiu a rua lateral que o tinha levado a casa onde a garota morava e foi em direção a rua principal.

Quando estava perto da rua principal, Satoshi passou em frente a um pequeno vão entre duas casas, ele parou sem aviso naquele lugar, ficando a alguns metros daquela coluna de completa escuridão.

Sentindo assim de perto… essa mulher tem um perfume tão bom, não é algo agradável ou puro como Ninya ou Lakyus, isso é corrompido mas sem perder a atratividade, o perfume dela é mais, mais como uma Evileye dissolvida, sim é isso! Estimulante, erótico, irresistivel…

Satoshi, que avaliava de forma dedicada o perfume liberado por aquela mulher tendo os olhos dele fechados para uma melhor experiência, sofreu um efeito afrodisíaco similar ao que teve com Evileye, só que em um nível bem menos absurdo.

Para aproveitar melhor aquele perfume erótico, Satoshi ergueu levemente o nariz, farejando, tal qual um lobo faria durante uma caçada, alheio a todo resto ele tentava classificar o valor como incenso da mulher escondida a alguns metros nas trevas.

Talvez… deva colocar este perfume junto com o de Lakyus e Ninya? Não, não… aqueles dois incensos tem uma finalidade diferente e nela eles são imbatíveis… acho que pela natureza desse incenso vou por ele logo abaixo de Evileye na Lista dos Afrodisíacos...

A mulher em questão estava parada na segurança da sombra e obviamente percebeu que tinha sido notada. Ela atualmente parecia avaliar ele com curiosidade também, só que ela fazia isso com os olhos, que são o sentido primordial humano, e não com o nariz, que entre os humanos é um sentido de percepção que pode ser considerado no máximo secundário.

Depois do que pareceram alguns minutos naquilo, Satoshi não aguentava mais a curiosidade sobre a aparência física deste incenso fabuloso que apenas com o perfume já o tinha deixado tão animado.

Como será a aparência dela? Antes ela estava coberta e não avaliei com a devida atenção… se além desse perfume ela ainda for bonita, por tudo que é sagrado, isso ia ser até injusto com as demais mulheres do mundo...

Não aguentando mais de tanta curiosidade, Satoshi se virou para o espaço escuro entre duas casas e falou com a perseguidora.

"Você poderia vir para luz para eu poder ver teu corpo e rosto, Dama Perfumada?"

Pouco depois dele dizer isso, a mulher oculta sob um manto negro com capuz deixou a segurança das trevas e caminhou alguns passos em direção a luz da rua.

"Ara ara, essa pergunta foi real~? Eu tinha algumas dúvidas antes, mas vendo como você se agiu nos últimos minutos… Você é mesmo um freaaak~!"

A mulher disse aquilo sorrindo com um ar brincalhão.

Ela devia ter mais de 160 cm de altura e apenas parte de seu rosto era visível sob o manto com capuz, todo restante estava coberto.

Aquilo deixava Satoshi morto de curiosidade sobre o que estava debaixo daquele pano.

A impressão dele, que era dificultada pelo manto longo, era que ela tinha seios de tamanho não-negligenciável e que era o tipo de mulher de cintura fina e de quadril largo.

A cintura dela era particularmente fácil de medir sob o manto porque ela tinha pendurado lá o que parecia alguns floretes ou sabres.

Satoshi avaliou cuidadosamente as formas cobertas dela antes de falar.

"Qual seu negócio comigo?"

Apesar dele estar tão excitado com o perfume dela e de estar absurdamente curioso quanto a aparência dela, ele não pôde deixar de notar que ela tinha uma aura cruel, a aura de uma assassina recorrente a qual ela tentava disfarçar com uma voz brincalhona.

Ela também tinha um leve cheiro residual que estragava parte da experiência do perfume dela, era o cheiro de quem esteve a pouco tempo atrás em contato com mortos-vivos.

Satoshi estava tendendo a classificar essa mulher como uma vilanesa.

"Uhm~? Bem, o que você acha de nós dois fazermos juntos uma caminhada sob o luar, Aventureiro-kun~? Você poderia me escoltar até em casa também~?"

A mulher perguntou aquilo para Satoshi, dessa vez com o tom teatralmente coquete e feminino de uma mulher que se oferece.

Satoshi pensou o que fazer aqui, sendo posto diante dessa óbvia armadilha de mel.

Essa mulher perfumada era uma humana de nível 32 e por isso ela não devia ter Stats muito altos.

Muito dificilmente ela teria algum Stats que chegasse a 40, e se tivesse ido tão longe para ter isso, como consequência os outros stats seriam todos muitíssimo baixos, muitos deles inferiores a 20.

Dentre os Stats de Satoshi, os Stats físicos eram os piores e essa mulher, que tinha espadas na cintura, parecia ser uma combatente, por isso ela devia ter bons Stats físicos.

Porém, por ser um player heteromórfico de nível 100, ele poderia seguramente dizer que era mais forte e ágil do que, por exemplo, Gazef Stronoff ou essa mulher, que estavam ainda no início dos 30 níveis.

Claro, como aqueles dois eram espadachins eles tinham técnicas e experiências que Satoshi não tinha, isso podia representar alguma dificuldade para Satoshi no caso de ele lutar com eles como um guerreiro.

Mas era evidente que ele nunca lutaria nestas condições desfavoráveis com estas pessoas.

Satoshi decidiu morder essa isca deliciosa na frente dele.

Mesmo que essa armadilha o levasse a problemas depois, ele estava confiante que poderia superar aquilo.

"Claro, será um prazer meu escoltar uma dama como você até a sua casa, afinal é perigoso para uma beldade andar a noite sozinha, pessoas estão desaparecendo nesta cidade…. Na verdade, eu já ia em direção ao cemitério mesmo, então isso foi providencial."

Satoshi disse isso solícito e deu as costas para a mulher.

Ele seguiu para direita, em direção ao cemitério, o lugar de onde ele considerou ser de onde aquela mulher vinha, ele tinha concluído isso principalmente devido ao residual odor de Mortos-vivos que sujava o afrodisíaco perfume dela.

A mulher pareceu atônita com a atitude de Satoshi e só depois do quinto passo dele é que ela passou a seguir ele, dando passos largos para recuperar a distância.

"Ehh~? O que é isso~? Dando suas costas para minha figura suspeita, Aventureiro-kuuun~? Assim vou pensar que você não me leva a sériooo~!"

"Eu não sou esse ingênuo, Dama Perfumada, eu sei que você quer me levar até o cemitério, certo? Mas sei também que você não pode me machucar aqui já que se você fizer isso você vai ter que me carregar até lá, o que é uma distância razoável e pode chamar atenção de alguém..."

Satoshi passou a explicar longamente e cheio de confiança o ponto de vista dele para a mulher que o seguia.

Foi quando ele sentiu uma irrisória sensação de ameaça e percebeu que foi violentamente atacado na parte de trás do joelho. Felizmente para ele aquele potente ataque foi tão inútil quanto o soco de Ninya tinha sido antes.

Pasmo, Satoshi parou de andar e se virou lentamente para encarar com um olhar sério a mulher atrás dele que tinha sacado uma espada fina estranha que só posers usavam em Yggdrasil, um Stilleto.

"Ara, ara, isso agora foi inesperado~! O que foi isso, Aventureiro-kun~? Uma magia defensiva de 4º Nível~?"

"Sério mesmo? Você ia me aleijar o joelho e se dar ao trabalho de me carregar até o cemitério?"

Satoshi estava irritado porque sua previsão se mostrou errada.

Por outro lado os sentidos dele diziam que ela só atacou ele para mostrar que ele estava errado e contrariar a previsão dele.

Ela é uma 'menina-do-contra', hein? Gosta de contrariar os outros...

"Ahhh~! Pode não parecer Aventureiro-kun, mas eu sou uma garota forte~! Carregar um mago aleijado até um local de descanso é como rotina para mim~!"

"Entendo, então é assim que é, não é? Mas mudando um pouco de assunto, você tem uma roupa estranha aí, não? Você pode abrir um pouco mais este manto para eu dar uma checada?"

Por ter tirado o stilleto o manto dela estava parcialmente aberto.

Como Satoshi adivinhou, ela tinha seios do tamanho ideal, na concepção dele, e usava uma roupa de muita exposição, optar por tanta exposição era uma coisa rara neste mundo medieval e aquela foi uma das poucas vezes que Satoshi viu um caso desses.

De fato, era tão expositivo, que por aquela pequena abertura Satoshi pôde ver parte considerável da coxa, decote dos seios, abdome, ventre e umbigo.

O que ela vestia por baixo do manto com capuz era um tipo de top contemporâneo da Terra e um short curtíssimo de ginástica. Algo muito deslocado do padrão conservador neste mundo. Além disso, ela vestia algumas peças de metal que, na opinião de Satoshi, não protegem nada.

Desde que chegou nesta cidade, Satoshi viu apenas as Gêmeas Tina e Tia das Rosas Azuis mostrarem tanta pele. O visual daquelas duas era bem adesivo para os olhos de Satoshi, quando estavam no restaurante ontem ele teve que fazer algum esforço por culpa delas, um esforço para não olhar elas de forma safada e acabar se envergonhando na frente de Lakyus ganhando a indesejável fama de tarado.

Quando vivia na Terra, Satoshi tinha ouvido várias vezes de suas amigas mulheres que homens que olhavam intensamente qualquer mulher bonita que aparecesse eram apenas doentes e desprezíveis.

De fato, algumas das mulheres que inutilmente se confessaram para ele na Terra, argumentaram que ele era respeitoso e não via mulheres como objeto.

Bem... acho que isso era porque minha libido era zerada na Terra, do contrário eu provavelmente seria um desses homens encaradores...

Vamos voltar a falar da mulher com manto na frente dele.

Satoshi viu aquela surpreendente quantidade de pele exposta sob o manto e aquilo foi recompensador para ele, mas Satoshi também viu uma coisa que o deixou surpreso e confuso.

A roupa daquela mulher estava repleta de enfeites que eram no mínimo doentios e que estavam pendurados por todo o top e short dela.

Satoshi percebeu já a algum tempo que esta mulher emitia um som muito baixo para os humanos ouvirem sempre que se movia, era um som metálico de chocalho.

Não parecia ser o som habitual de uma Cota de Malha já que era muito mais baixo e localizado, então Satoshi estava realmente curioso sobre o que orginava aquele som.

Mas o que viu estava além da imaginação mais fertíl dele.

Costurados nos tecidos que cobriam a mulher estavam muitas Placas de Aventureiros, que iam do cobre ao mithril.

"Eeeehh~?! Não me olhe assim~! Aventureiro-kun, seu pervertido!"

Ela disse teatralmente se cobrindo completamente novamente e protegendo os seios com a mão em posição de defesa feminina. O sorriso perverso no rosto dela, no entanto, estragou completamente a interpretação dela de uma menina envergonhada.

Ela obviamente estava jogando com ele.

Só posso imaginar como ela conseguiu tantas Placas de Aventureiros… isso é doentio.

"Vamos lá, me mostra só mais um pouquinho, que tal? É apenas que não vi nenhum Oricalco pendurado aí, sabe como é, eu tenho uma Placa de Oricalco pendurada aqui comigo..."

Satoshi levantou a Insignia de Aventureiro dele e a mostrou a ela, agindo provocativo.

"... você por outro lado, apesar da quantidade, parece ter apenas uma coleção de metal barato contigo. Me deixa dar uma olhadinha, vai, tira este manto e me deixe ver se estou errado, que tal?"

A atitude de Satoshi e o fato dele fazer pouco da roupa dela, pareceu irritar ela. Os olhos dela brilharam de raiva por um instante e ela aumentou o aperto no cabo do Stiletto.

Mas o sorriso de uma menina feito por ela não mudou, apenas se acentuou e ela falou novamente em um tom brincalhão.

"Eh~? Aventureiro-kuun é mesmo um pervertido~! Mas realmente falta essa cor de figurinha na minha coleção... Oh sim~! Decidi! Vou ter um desses enfeites verdes para mim esta noite~!"

Satoshi ficou um pouco triste porque ela não parecia que abriria o manto. Quanto à ameaça implícita na fala dela, Satoshi não deu muito peso.

"Pena, muito triste isso, então você não vai tirar esse manto pra mim, não é? Tudo bem, tudo bem, a noite está só começando para nós, não é?"

Ele então colocou a Insignia de Aventureiro que segurava entre os dedos dele dentro da roupa dele, acima do peito.

"Agora, como você quer tanto um enfeite desses, fique sabendo que nessa cidade eu sou o único que tenho um desses. Então que tal me agradar me deixando dar uma olhadinha?"

Satoshi viu ela estreitar um pouco os olhos irritada com a atitude dele, mas ela disse teatralmente toda coquete.

"Uhm… já que Aventureiro-huun, insiste tanto, só um pouquinho tá~?"

Ela então fez um movimento amplo levantando lateralmente um dos braços e o manto ficou parcialmente aberto por alguns poucos segundos.

Tem várias dezenas de insígnias hein...

Satoshi pôde ver várias Insignias de Aventureiros costuradas nas duas pequenas peças de roupa dela, as insígnias iam do Cobre ao Mithril.

Ele não pode contar ou analisar elas com cuidado porque como diante dele também estava o corpo de uma beldade escultural que apenas com o cheiro dela já o tinha deixado duro, Satoshi gastou a maior parte do tempo que o manto se elevou olhando as formas da mulher e não para as Insignias de Aventureiros.

"Hehe~ Então Aventureiro-kuun, posso ter seu enfeite agora~?"

Ela disse depois que o pano se assentou.

"Você vai ter que me dar muito mais do que um vislumbre se quiser que eu te dê algo que trabalhei tanto para conseguir. Por enquanto, deixe-me escoltar você até sua casa, lá teremos privacidade para discutir isso melhor."

Satoshi disse isso e se virou continuando o caminho até o cemitério.

Novamente a mulher pareceu pasma com a atitude despreocupada dele com ela, mas dessa vez ela deixou transparecer um pouco de irritação com ele quando passou a segui-lo.

"Aventureiro-kuun~! Você não devia dar as costas para uma mulher assim~!"

"Se isso te incomoda, caminha ao meu lado ou lidere o caminho."

"Uhum essa atitude… cada vez estou mais tentada a pegar esse enfeite seu aqui e agora ~!"

Ela disse isso ajustando o passo para caminhar ao lado dele.

"Se algum dia você tiver minha Placas de Aventureiro… coloque ela no ponto mais baixo do short, entre as coxas, naquele lugar íntimo, não nos seios, ok?"

Satoshi disse olhando para o lugar a que se referia no corpo dela, claro que este lugar estava agora coberto pelo manto.

Estranhamente ela pareceu divertida ao receber esse olhar dele.

"Eh~? E você por acaso merece isso~? Fique sabendo que para ficar em um lugar tão especial você vai ter que me fazer muito feliz~! Vai ter que chorar como as garotinhas costumam chorar quando brinco com elas~!"

"Acredite no que digo, se alguém neste mundo merece estar entre as suas pernas esse alguém sou eu."

Honestamente ele tinha uma ideia bem clara do que essa mulher misteriosa queria dizer com as palavras dela.

Essas Insignias de Aventureiros que enfeitavam a roupa dela eram, possivelmente, com quase toda certeza, insígnias de vítimas dela. Pelo que ele concluiu com a breve troca de palavras que tiveram, ela talvez tenha atormentado cada dono destas Placas de Aventureiros antes de matá-los e aqueles de quem pegou um gosto especial, ela guardou no baixo ventre.

Além disso, essa mulher deu a entender que torturou crianças antes.

Ela deve ser doida da cabeça… quão conveniente para mim.

Essa mulher aparecer diante dele agora foi muito conveniente, quase como se tivesse sido enviada pelos céus.

Satoshi planejava ir ao cemitério e depois no puteiro essa noite.

Como esta mulher estava presente, ele poderia resolver todas as suas pendências apenas no cemitério e ainda economizar dinheiro.

Todo malfeitor precisa pagar uma penitência, certo? Mas como ela é tão perfumada e formosa, seria um desperdício matar ela, então é apenas natural que eu dê a ela uma pena alternativa...

"Tem me incomodado a algum tempo, mas eu me chamo Atari, não 'Aventureiro-kuun'. E a Dama Perfumada que me acompanha, tem um nome?"

Satoshi perguntou aquilo depois deles caminharem lado a lado em silêncio por um longo tempo.

"Eh~ Claro que tenho um nome, você pode me chamar de Clementine, Placa-de-Oricalco-kuun~ Mas acho que você fará isso apenas por essa noite, hehe~"

Eles chegaram até um ponto do muro do cemitério que era pouco vigiado e então pularam ele de uma só vez.

Clementine pareceu surpresa com a agilidade de Atari, ela talvez esperasse que ele fosse usar uma magia ou que pedisse a ajuda dela para subir aquele enorme muro.

Já do outro lado do muro, tal qual Satoshi ordenou por [Mensagem], o High Wraith Gaspar estava presente escondido dentro do solo e passou a seguir os dois conforme eles entravam no Cemitério.

Depois que estavam dentro do Cemitério, foi Clementine que liderou o caminho.

"Ei~! Placa-de-Oricalco-kun, como você sabia o local para onde eles me mandaram levar você~?"

Ela perguntou isso enquanto, ainda avançando, olhou para trás e fez uma sexy pose de dúvida colocando a ponta do indicador nos lábios.

"Você tem um perfume afrodisíaco excelente, um dos melhores, em um nível que me excitou imediatamente, mas esse seu perfume precioso estava manchado com o fedor de mortos-vivos inferiores, mais precisamente Zombies. Nada que comprometesse a qualidade da experiência, no entanto..."

Satoshi respondeu sinceramente.

"Oh~! Você realmente é um freak~!"

Ela, no entanto, reagiu exagerada apontando o dedo para ele e o condenando.

Isso é sério? Estou sendo chamado de freak por uma mulher com calcinha de chocalho?

Conforme adentravam cada vez mais fundo no cemitério Satoshi teve, para surpresa dele, a certeza de que estavam indo em linha reta.

Ele pensou que ela disfarçaria o caminho até o lugar onde queria levar ele, assim ela poderia confundir ele e impedir que ele fugisse ou voltasse aqui com outras pessoas no futuro.

O fato dela não se dar ao trabalho de disfarçar o percurso provavelmente indicava que ela não planejava permitir que ele saísse desse cemitério vivo.

O plano devia ser matar Satoshi aqui esta noite.

Satoshi se perguntou quem eram as pessoas com Clementine e o que ele fez para chamar a atenção dessas pessoas.

Seja lá o que tenha sido, certamente foi algo muito bom para Satoshi que eles tivessem essa atitude para com ele.

O fato da vida dele estar sendo visada por essas pessoas aliviava a consciência dele de qualquer peso e permitia que ele fizesse qualquer coisa com elas, já que ao tentar matá-lo, essas pessoas se tornaram inimigos a serem punidos por ele.

Muito provavelmente essas pessoas têm algo a ver com os milhares de Mortos-Vivos que Gaspar disse estarem escondidos nesse cemitério…

Enquanto seguia o balanço dos quadris cobertos de Clementine pelo Cemitério, Satoshi sentia que estava entrando em um 'Grande Plano Maligno' ou coisa do tipo.

Afinal, era estranho alguém fazer tantos mortos-vivos em um ambiente urbano, era difícil imaginar que houvesse qualquer boa intenção por trás disso.

Seja lá o que fosse esse 'Grande Plano Maligno' deles, agora que eles haviam ameaçado a vida de Satoshi, isso estava condenado.

Desde ontem a noite Satoshi tinha notado que precisava de mão de obra, então ele ia confiscar alguns mortos-vivos dessa gente nesse cemitério antes de administrar uma punição adequada.

Satoshi considerava estas coisas enquanto comemorava internamente o fato da Clementine na frente dele ter começado a caminhar contra o vento permitindo que ele sentisse o perfume dela melhor.

Certamente, no final de tudo, este encontro providencial será lucrativo…

Satoshi considerou o dia de hoje um dia muito bom até agora e estava certo que essa ida ao cemitério não ia destoar do resto deste excelente dia.

- PARTE OITO -
A Gangue do Cemitério

Os dois deles cruzaram o grande Cemitério de E-Rantel que sozinho ocupava ⅛ da área da cidade.

Eles caminharam calmamente e em silêncio por vários minutos até chegarem em um grande complexo de sinistros mausoléus antigos.

Depois que eles adentraram naquele complexo de Mausoléus, Clementine finalmente parou, a cerca de trinta metros de um destes mausoléus, o mais grandioso que Satoshi viu neste cemitério até agora.

Na entrada daquele Mausoléu, no alto de uma escadaria, estavam nove pessoas posicionadas em uma formação, todos os nove eram homens.

E todos aqueles homens eram conjuradores mágicos.

Oito deles estavam cobertos com manto e meia-máscara de cor escura.

Mesmo àquela distância, mesmo que eles estivessem cobertos, Satoshi pode reconhecer um deles.

Aquele era o mago da equipe Chuva Escura, Tibur, com o qual Satoshi tinha se aventurado na época que eram companheiros no Grupo de Ocasião Breu.

Tibur… você nunca me enganou, seu fedido.

A frente dos oito homens vestidos de forma similar, estava o nono homem vestido de forma singular.

O nono homem era um careca curvado, também era o único deles que não escondia o rosto e vestia vermelho. Aquele era um homem que, apesar de velho, apenas começava a envelhecer e que não tinha nenhum pelo visível no corpo, sendo completamente careca.

Ele estava no centro da formação sinistra que emanava magia.

Como o careca tinha um outfit especial e estava no lugar de destaque da formação mágica, Satoshi pensou que ele provavelmente era o líder da Gangue do Cemitério.

"Hai~! Khazi-chan~! Estou de volta! Aqui está a encomenda~!"

Clementine falou aquilo para o homem careca pouco antes dela velozmente se posicionar vários metros atrás de Satoshi de forma a evitar que ele corresse de volta pelo caminho que o trouxe aqui.

"Quê?! Não acredito! Você conseguiu se conter e trouxe ele sem faltar nenhum pedaço, sem nem mesmo judiar um pouco dele?"

"Ei~! Khazi-chan~! Não fale assim~! Com você falando desse jeito Placa-de-Ocicalco-kuun vai pensar que sou uma garota má~!"

Clementine e o careca conversavam como velhos conhecidos.

Talvez… esse velho seja o Dark Sugar Daddy dela?

Se esse fosse o caso, aquele velho homem teve muito bom gosto quando fez a escolha dele.

O oposto podia ser dito de Clementine.

"Por que você se conteve? Ele tem algum truque com ele?"

"Nooo~! Ele colaborou e veio comigo de boa vontade… beeem, para ser mais precisa, acho que ele tem uma magia de 4º Nível que lhe salvou o joelho~!"

"Oh! Uma magia defensiva?"

"Siiiim~! Mas ainda não explorei isso para ver quantas estocadas isso aguenta..."

Os dois praticamente ignoravam Satoshi enquanto falavam.

Isso irritou Satoshi, afinal, ele era o convidado e merecia alguma atenção dos anfitriões.

Levemente irritado, ele decidiu falar com o careca.

"Então você é Khazi-san, não? Diga Khazi-san, por que você enviou essa Armadilha de Mel de primeira qualidade para me trazer aqui?"

Os dois pararam a conversa deles e voltaram a atenção deles para Satoshi.

"Euuuzinha, uma Armadilha de Mel ~? Você ficou retardado por acaso, Placa-de-Ocicalco-kun~?"

"Hehe, Aventureiro Atari, esta mulher não é esse tipo de armadilha, ela é uma matadora cruel, a roupa dela está cheia de troféus de aventureiros infelizes como você, que sofreram o inferno na terra nas mãos dessa sádica, ela é uma assassina e não alguém que usa esses 'truques de mel'..."

Então meu palpite sobre a Roupa de Clementine estava certo… bom, isso é perfeito.

"Isso não responde a minha pergunta, Khazi-san. O que você pode querer comigo para enviar Clementine para me trazer aqui? Eu suspeito que você planeja apenas me matar, mas talvez você queira uma relação mais longa?"

Depois que Satoshi disse essas palavras, o homem careca olhou para Satoshi longamente.

Satoshi pode perceber que estava sendo avaliado com cuidado.

"Meu nome não é Khazi, é Khajiit, Aventureiro Atari. Eu tenho ouvido falar muito de você por um informante, mas te vendo agora percebo que você realmente se empenha muito em ocultar sua magia."

Khajiit disse jogando verde.

Informante, hein, Tibur, Tibur… seu puto vendido.

Para Satoshi estava claro que Tibur estava mantendo este careca informado das coisas que aconteciam na Guilda de Aventureiros.

E também, pelo jeito eles não conseguiram ver muito de mim por causa do meu 'Ring of Modesty' e do 'Anti-Divination Ring'...

Por causa destes itens, Satoshi deveria parecer apenas um humano medíocre para todas as pessoas nativas deste mundo.

"Nem tanto, Khajiit-san... eu realmente não tenho que empenho nem um pouco, tudo que eu preciso é usar esse anel no dedo anelar para ser subavaliado por todos."

Satoshi disse a fala dele enquanto tirava as luvas e deixava a mostra os Dez Anéis Mágicos que vestia. Depois que ele fez aquilo, Satoshi viu os olhos de Khajiit se arregalaram cobiçosos.

"Muhahaha! Como eu pensava! Você é um Conjurador de 4º Nível depois de tudo, certamente teria bons tesouros, talvez nós devamos te interrogar sobre eles antes de matar você e te transformar em um morto-vivo..."

Khajiit deixou claro as intenções dele e disse a sentença que causaria a morte de pessoas hoje.

"Então você realmente queria me matar, mas por que isso? Nunca te fiz mal..."

Satoshi tentou se fazer de tolo para pescar informações.

"Para só perceber que nós visamos sua vida nessa altura do campeonato, você é cara muito lento, hein, Aventureiro Atari… quanto ao motivo de você ter que morrer é o mesmo motivo pelo qual todos os dias a partir de hoje um aventureiros de Alto Nível morrerá nesta cidade, a razão para isso é que preciso reduzir o número de empecilhos para quando começarmos o sacrifício da cidade no futuro..."

Satoshi encarava Khajiit que começava a entregar os planos dele como um vilão de quinta classe faria.

Bem… acho que se eu ficar quieto agora ele vai falar tudo por si mesmo.

"... é muito melhor lidar com os estorvos de um em um antes de começar o grande evento. Desta forma quando eu iniciar o ritual de Sacrifício da Cidade será muito mais seguro já que haverão menos aventureiros para tentar nos impedir. Você é um grande impedimento para meus planos e por isso você vai morrer hoje. Porém, eu vejo que você tem bons itens contigo. Me diga, você talvez tenha algo a oferecer pela sua vida, talvez você tenha algo que te promova de um 'empecilho a ser eliminado' para apenas um 'prisioneiro'?"

Satoshi fez uma cara pensativa enquanto murmurava.

"Talvez eu tenha algumas coisas de valor..."

"Como esperado, como esperado, nos entregue estes tesouros, então nós..."

"... mas eu não sinto que preciso dar estas coisas para você, eu estaria subutilizando elas se fizesse isso. Então, vou apenas devolver a tua pergunta para você: você talvez tenha algo a oferecer pela sua vida, qualquer coisa que possa te promover de 'empecilho a ser eliminado' para apenas um 'prisioneiro'?"

A resposta de Satoshi pareceu deixar Khajiit surpreso. Depois de ter se dado ao trabalho de preparar todo este cenário, Khajiit não esperava uma afronta deste aventureiro em um estagio tão avançado da operação.

"Vejo, vejo, um tolo, parece que mesmo no nosso 4º Nível eles existem… Entenda de uma vez Aventureiro Atari, entenda que sua situação é desesperadora, observe com atenção seus arredores, você está nos Domínios da Morte! Diante de você estão dois membros dos Doze Executivos da Zurrenorn! Eu, um mestre das artes da morte e conjurador de 4º Nível, e ela, uma combatente que entrou no reino dos heróis! Um Aventureiro de Oricalco como você não poderia sequer sonhar em sobreviver caso nós dois começássemos a..."

Satoshi não sabia o que eram 'Doze Executivos da Zurrenorn' e também não estava com muita pressa para saber. No entanto ele estava curioso pela parte da fala dele referente a Clementine que dizia que ela 'entrou no reino dos heróis'.

Ouvindo aquilo ele pensou em uma forma de provocar a beldade que cortava qualquer caminho de fuga para ele enquanto o vigiava por trás.

"Então você também chegou lá, Clementine? Excelente! É sempre bom conhecer um colega heroína, ainda mais uma tão encantadora como você."

Ele disse aquilo enquanto dava as costas de forma debochada para Khajiit que estava falando em um tom grandioso o quanto Satoshi estava fudido e o quanto ele e o grupo dele eram os fodões.

De costas para Khajiit ele olhou para Clementine atrás dele.

Ela tirou o capuz e abriu o manto dela, hein… será que ela pensa que está segura e por isso está mais à vontade?

Apesar de Satoshi pensar assim enquanto devorava o corpo e face de Clementine com os olhos, Clementine não parecia assim tão à vontade depois que ele terminou de se virar para ela.

Provavelmente esse negócio de 'entrar no reino dos heróis' era algo grande porque depois da afirmação de Satoshi de que ele também esteve lá, ela ficou alerta e pôs a mão no Stiletto.

No entanto, quando ela falou ela tinha um sorriso e uma cara de descrença e deboche.

"Ara, ara~ Então Placa-de-Oricalco-kun além de ser um pervertido e um freak também é um mentiroso~! Pobre Placa-de-Oricalco-kun! Você vai afastar todas as mulheres com todos esses defeitos~!"

"Não é mentira."

Satoshi insistiu na mentira dele.

Ela avaliou ele de cima a baixo com uma expressão de descrença, mas os olhos dela se alargaram quando caíram no Anel no dedo Anelar que Satoshi tinha dito enfraquecer a presença dele.

Ela deve ter feito alguma associação óbvia.

"Não… isso não seria possível… eles disseram que neste Reino apenas Gazef Stronoff..."

Ela murmurava baixo para si mesma em uma voz diferente da habitual, os murmúrios dela não eram musicais como as falas em voz alta.

Mesmo que ela estivesse murmurando em um volume que humanos normalmente não ouviriam. Claro que Satoshi ouviu o que ela dizia.

"Clementine, não me subestime, querida. Eu não sou de Re-Estize, eu vim de muito longe e estou aqui há poucos dias. De onde eu venho muitas pessoas entraram no reino dos heróis, então eu não ficaria para trás nisso afinal eu era..."

Satoshi começou a inventar uma baboseira qualquer sobre o falso passado dele, ele não tinha que se incomodar com o que falaria, já que essas pessoas já tinham tido o destino decidido por ele e não espalhariam isso por aí.

Satoshi queria apenas conversar um pouco com Clementine antes de puni-la, mas Satoshi não pode completar a verborragia dele.

Atrás dele, um careca de túnica vermelha falou aos berros o interrompendo rudemente.

"Suficiente de suas baboseiras! Não importa as mentiras que diga, elas não te permitiram viver mais um dia! Deixe-me tornar as coisas muito, muito mais claras para que até um tolo mentiroso como você entenda a situação em que está!"

Khajiit levantou a mão direita que segurava uma bola preta com um relevo que lembrava o formato da lua.

O que é essa coisa? Por que ele está mostrando isso agora?

"Orb of Death! Mostre nossos campeões para este tolo!"

A Bola Preta brilhou com uma luz linda e emitiu uma energia muito gostosa de se sentir. Como Satoshi era um morto-vivo, ele tinha faro para Energia Negativa e um prazer em ser exposto a isso.

Embora em situações normais ele teria suprimido essa capacidade com o Ring of Doppelganger, a verdade é que Energia Negativa era algo tão bom que ele habilitou sua sensibilidade a isso assim que entrou no cemitério.

De certa forma, Energia Negativa, era revitalizante e gostosa de sentir, ela até mesmo o curaria se ele estivesse ferido.

Entrar tão fundo nesse cemitério era ainda melhor do que estar nas margens das Planícies de Katze, como ele esteve antes alguns dias atrás.

Agora, ele se sentia renovado, animado e estimulado apenas em estar em um ambiente repleto de Energia Negativa.

Depois que a bola preta brilhou, vários Mortos-Vivos começaram a sair dos mausoléus ao redor.

Satoshi olhou em volta enquanto cerca de três centenas de Skeletons e Zombies evoluídos cercaram ele por todas as direções, deixando ele sozinho em um círculo de dez metros de raio.

Aqueles mortos vivos claramente estavam fortalecidos com magia, pois estavam todos acima do nível 10, alguns até mesmo no nível 15, monstros desse tipo sendo tão fortes foi algo que Satoshi não teve a chance de ver quando esteve em Katze.

Em algum momento durante os bons cinco minutos nos quais os monstros apareciam e cercavam Satoshi, Clementine rapidamente deixou sua posição atrás dele e subiu até a entrada do mausoléu onde Khajiit e os oito homens cobertos estavam.

"E então, Aventureiro Atari, acredito que você já reviu sua forma de pensar e decidiu mostrar seus tesouros para nós antes de..."

"Não estou impressionado."

"Eh?"

"Esses Skeletons e Zombies são uma vergonha… Você devia ter colocado tudo para fora se quisesse que eu te considerasse alguma coisa."

"... O que você quer dizer?"

"Isso não é tudo, não é? E pensar que, apesar da minha fama, das coisas que eu disse, das dicas que dei, nem assim você me avaliou como digno de enfrentar seus minions trunfos… você é cara muito lento, hein, Khajiit."

Khajiit não respondeu de imediato, ele ficou em silêncio por alguns instantes parecia como se ele estivesse pensando profundamente em algo, era quase como se tivesse tendo um diálogo dentro da cabeça dele.

"Ande logo, Khajiit. Ponha para fora os dois Skeletal Dragons que você escondeu debaixo da terra, tanto aquele que está ali, quanto aquele que está lá."

O fato do Conjurador Mágico na frente de Khajiit saber da presença dos trunfos dele e mesmo assim dizer aquelas palavras sem qualquer medo deixou Khajiit com uma expressão desconfiada.

Era fato mundialmente conhecido que Skeletal Dragons eram mortos-vivos imunes à magia, como o aventureiro diante dele era um mago, aqueles mortos vivos deveriam ser o nemesis dele.

Khajiit tinha ouvido sobre aquele aventureiro ser capaz de convocar um Lich e tinha contra-medidas para isso, mas quais contra medidas um conjurador solitário poderia ter contra Skeletal Dragons?

"Também, Khajiit, ponha para fora os quatro Necrosome Giants escondidos dentro dos mausoléu atrás de você, na situação que você está, qualquer ajuda é bem vinda."

Gaspar tinha denunciado a presença destas coisas para Satoshi por [Message]. O High Wraith tinha passado o dia avaliando este ninho de mortos-vivos.

A última fala de Satoshi fez Khajiit parecer ainda mais pálido do que o normal por causa da confiança que Satoshi estava demonstrando.

Enquanto Khajiit se preocupava, os homens ao lado dele estavam irritados com a petulância de Satoshi e Clementine tinha um ar de surpresa divertida para o que, provavelmente, julgava serem blefes de Satoshi.

Todos os inimigos tinham se alterado pelas palavras de Satoshi.

Mas ele estava longe de calar a boca.

"Como um 'Candidato-Cidadão' desta cidade, eu sou forçado a me perguntar o que Khajiit e seus capachos vão fazer com tantos mortos-vivos. Você mencionou algo sobre 'remover empecilhos' para o 'sacrifício da cidade' antes. Diga, você por acaso planeja destruir essa cidade, Khajiit? A cidade em que eu moro? A cidade em que estou me esforçando tanto para construir uma reputação, formar uma base? A cidade onde residem pessoas com quem tenho laços? Se esse for o caso, você realmente considera a si mesmo alguma coisa, seu grande careca de merda!"

Satoshi disse aquilo e levantou em uma postura agressiva os dois dedos do meio para Khajiit.

Tanto Khajiit, quanto os oito capachos reagiram com surpresa ao gesto inesperado de Satoshi. Até mesmo Clementine se pôs em guarda e reforçou o aperto no Stiletto dela quando Satoshi fez aquele gesto estranho.

Khajiit olhou atentamente aquela súbita atividade de Satoshi. Ele se perguntava se com aquele gesto aquele aventureiro poria para fora, seja lá o que fosse que lhe dava tanta confiança diante dos mortos-vivos de Khajiit.

Por alguns segundos toda a Gangue do Cemitério observou Satoshi.

O estranho gesto onde o dedo do meio de ambas as mãos eram levantados poderia muito bem ser o gesto de ativação de um item poderoso.

Temendo essa possibilidade eles mesmos se preparavam para o início das hostilidades.

Mas os segundos passavam e tudo o que eles viam era Satoshi, que estava cercado por trezentas elites Mortas-Vivas hostis, estendendo os dedos do meio para eles em uma postura agressiva sem que nada acontecesse.

"Hahahaha… Vocês estão em guarda? Vejam, de onde venho esse é o gesto da inimizade, imagine cada um dos meus dedos médios sendo sendo uma piroca, esse gesto quer dizer que se vocês ainda quiserem conversar, a conversa vai ter que ser entre minha piroca e o cu de vocês."

Para surpresa de toda Gangue do Cemitério aquelas foram as palavras que Satoshi disse em meio a risadas.

Satoshi achou bem divertidas as reações deles às palavras fora de lugar que ele disse.

A cara de indignação dos capachos de Khajiit era impagável, a cara de fúria do próprio Khajjit era ainda mais impagável, mas a risada alta e insana que Clementine deu foi impagável multiplicado por impagável.

"Suficiente de suas baboseiras! Você é um maldito tolo, Aventureiro Atari! Terei certeza de atormentá-lo na sua não-vida! Orb of Death! Comece!"

Após as palavras de Khajiit ele novamente levantou aquela bola preta que brilhou intensamente.

Quando o brilho diminuiu um pouco, dois poderosos rugidos foram ouvidos no cemitério e logo após isso dois Skeletal Dragon começaram a emergir do solo de dois pontos distantes entre si, um à direita e outro atrás de Satoshi.

Eles estavam fortalecidos com magia assim como todos os outros Mortos-Vivos que cercavam Satoshi e eram pelo menos três níveis mais fortes que os que viu em Katze.

Mas mesmo com isso, o nível deles era apenas Nível 21, estando abaixo de um Skeletal Dragon padrão de Yggdrasil que era de Nível 22.

Vários sons guturais e agonizantes também puderam ser ouvidos no grande mausoléu atrás de Khajiit quando quatro Necrosome Giants saíram de lá, desceram atrapalhadamente as escadas e se juntaram aos muitos mortos-vivos inferiores que cercavam Satoshi.

Pela intel que Satoshi tinha graças a Gaspar, os dois Skeletal Dragon, que eram enormes esqueletos de dragão feitos com ossos de criaturas menores, e os quatro Necrosome Giants, que eram uma espécie de golem de carne com seis metros de altura feito de corpos humanos amontoados e costurados juntos, eram as elites supremas deste Ninho de Mortos-vivos.

Ambos também faziam parte da camada inferior da Lista de Criação de 4º Nível.

É estranho, esse careca tinha mencionado antes ser um mago de 4º Nível… mas há coisas melhores que isso naquele nível, então por que recorrer a esses fracos?

A estratégia do líder da Gangue do Cemitério provavelmente era baseada no fato dos Skeletal Dragon serem imunes a magias arcanas que nível fossem do 6º nível ou menor.

Como Satoshi era um mago, era esperado que ele ficasse indefeso aqui.

Mas Khajiit, aparentemente, era precavido.

Ele devia saber que Satoshi era um Convocador e por isso tinha trazido tantos combatentes mortos-vivos quanto possível, tendo recorrido até mesmo aos preciosos Necrosome Giants dele.

Daquela forma ele poderia garantir que qualquer convocação que Satoshi fizesse estivesse ocupada demais e não pudesse finalizar para Satoshi os problemáticos Skeletal Dragons.

Satoshi esperou olhando ao redor enquanto o exército Morto-Vivo de Khajiit se ajeitava ao redor dele em uma posição que os favorecia.

Era surpreendente que o irritado Khajiit não tivesse ordenado um ataque total de imediato, os mortos-vivo se moviam tão ordenadamente tomando posições que era quase como se não fosse o alterado Khajiit aquele que controlava os mortos-vivos.

A formação mágica onde esses caras estão… talvez eles estejam compartilhando consciência? Os oito capachos parecem estar em transe...

Satoshi viu que desde que Khajiit tinha posto os bichões para fora os oito homens de máscara e manto tinham entrado em uma espécie de transe.

"Se demorar mais, amanhece, Khajiit..."

Satoshi provocou Khajiit para induzir um erro.

"Cala a boca, seu tolo! Orb of Death, todos os mortos-vivos, ataquem ele agora!"

Khajiit levantou a bola negra uma terceira vez e aquilo novamente fez um brilho muito forte.

Ao mesmo tempo, os mortos-vivos que se ajeitavam com arqueiros e conjuradores atrás e guerreiros à frente pararam de tomar posição de forma ordenada e voltaram os olhos ameaçadores deles para Satoshi enquanto liberavam de forma palpável intenção assassina e ódio.

No instante em que notaram Satoshi eles começaram a se mover em linha reta para atacar ele.

"{Undead Domination - Field}!"

Porém antes que os Skeleton Archer soltassem uma única flecha ou que os Skeleton Mage lançassem uma magia, antes até mesmo que os Necrosome Giant e os Skeleton Rider fechassem a distância para dar um golpe, os olhos dos Mortos-vivos se acalmaram como se nunca tivessem sido hostis.

Satoshi tinha usado a versão superior da habilidade racial que usou em Evileye ontem, usou isso com uma propriedade de área.

Como os antigos proprietários falharam no teste de resistência, ele reivindicou o controle de todos os morto-vivos de nível baixo ou intermediário em um raio de 100 metros da posição dele.

"KiIiArhg!"

"ArHGah!" x8

Para completa surpresa de Satoshi e mesmo para a surpresa da espectadora Clementine, que até aquele momento observava tudo que acontecia com ar divertido de quem assiste a uma peça de teatro, Khajiit e os oito homens mascarados de preto caíram em dor com as mãos na cabeça e sangrando pelo nariz.

Opa, erro meu, acho que fui muito grosseiro com eles, eu só queria apressar a tomada...

Como efeito colateral da habilidade racial usada por Satoshi com força máxima, os antigos proprietários dos mortos-vivos sofreram danos mentais pela perda brusca das antigas conexões.

Se Satoshi não estivesse tão animado e empoderado por toda essa energia negativa no ambiente, ele teria feito isso com calma e cuidado.

Os nove ficaram rolando no chão em agonia. Satoshi pensava que dado a quantidade de conexões roubadas essa agonia duraria ainda muitos minutos.

Satoshi comandou mentalmente os mortos-vivos que agora eram servis a ele, a abrirem um caminho para ele passar e começou a caminhar até a entrada do grande mausoléu, onde os homens rolavam agonizando e Clementine estava de pé, tendo sacado um stiletto com um ar totalmente preocupado.

Ela não parece estar divertida agora, heh…

- PARTE NOVE -
Os Tesouros do Domínio da Morte

"O que você fez?!"

Clementine disse aquilo enquanto olhava surpresa para todos aqueles mortos-vivos abaixo da escadaria do mausoléu que a encaravam com ódio e intenção assassina.

Na frente dela estavam os nove idiotas que eram os antigos companheiros de crime dela, todos babando e rodando no chão, como se fossem dementes.

Satoshi não respondeu a questão dela e continuou a caminhar lentamente, começando a subir as escadas, degrau por degrau.

"Merda! Seu maldito freak!"

Vendo que Satoshi inexoravelmente se aproximava dela com um olhar perverso no rosto e sentindo a hostilidade de todas aquelas centenas de mortos-vivos, Clementine optou por ser cautelosa e recuar.

Ela rapidamente foi até o agonizante Khajiit e abaixou ao lado dele.

Habilmente ela coletou várias coisas em questão de segundos, uma tiara estranha, uma bolsa e uma bola negra.

Clementine então se levantou olhando em volta para estabelecer um caminho de fuga que permitiria que ela saísse dali com alta probabilidade de sucesso.

Uma vez que decidiu que caminho faria, ela então deu as costas para Satoshi, inclinou os joelhos preparada para um grande salto que a levaria ao topo do mausoléu e...

"Fique parada, Clementine."

Foi interrompida por estas palavras poderosas ditas por Satoshi.

Clementine ficou estática em uma posição que era quase a posição de agachamento pouco antes de ter a chance de saltar. Ela parecia estar fazendo força para se mover, mas o corpo dela não obedecia.

"O que você fez com meu corpo?! Me liberte! Seu bastardo filho da..."

"Fique muda, Clementine."

Clementine se calou.

Quando ela percebeu que não podia mais falar, tal qual ele ordenou, os olhos e face dela estavam muito mais preocupados.

Realmente, os comandos padrão funcionam muito bem em humanos… mas será que ela aceitaria comandos complexos?

Assim que terminou de subir as escadas e chegou na entrada do Mausoléu, Satoshi decidiu testar isso.

"Tire seu manto com capuz, Clementine."

Obedecendo o comando complexo dado por Satoshi, uma das mãos de Clementine foi até o capuz e o baixou, enquanto a outra ia até o primeiro ponto de ligamento do manto dela e separava aquilo, em seguida indo ao segundo e fazendo o mesmo, o manto negro então foi liberado e caiu como uma peça única no chão aos pés dela.

Agora a figura de roupas curtas em um visual ousado de duas peças que Clementine possuía estava exposta.

O perfume afrodisíaco dela ficou várias vezes mais forte no ar da entrada daquele Mausoléu.

Parece que comandos complexos também funcionam… essa habilidade vai ser muito útil para mim neste mundo.

A habilidade que Satoshi se referia era a habilidade racial de Greater One, {Command Mantra}.

Esta habilidade racial, que era muito comum entre raças especiais de Devil e Demon, relativamente comum entre raças especiais de Brain Eater e que dentre os muitos tipos de Vampire só está presente nos Greater One, permite que o personagem dê comandos de uma lista de dezesseis comandos pré-configurados a jogadores ou NPCs de nível baixo.

Satoshi olhou para a bela figura de Clementine que ainda lutava para se mover, mesmo que ela, basicamente, tivesse controle apenas do sistema respiratório dela.

"Além de ter um perfume avassalador, você ainda tem um rosto fofo e um corpo sexy. Acho que ganhei a noite hoje, hein?"

Satoshi disse enquanto dava a volta e avaliava a parte da frente da figura dela.

"São algumas dezenas de insígnias que você tem aí. Cada uma delas é de alguém deste país ou você é uma garota viajada?"

Clementine não podia responder, já que foi ordenada pelo {Command Mantra} a ficar em silêncio e imóvel, mas a respiração pesada e acelerada dela indicava que ela estava lutando ao máximo para se libertar e não estava gostando do que provavelmente ia acontecer aqui.

Satoshi então passou os dedos de leve pelas Placas de Aventureiros na peça que cobria os seios bem formados dela. Ele não pode deixar de reparar, com alguma excitação, que podia sentir os seios dela afundarem brevemente sobre a pressão das Placas de Aventureiros que ele tocava, assim que a pressão sumia, os seios voltavam à forma original.

Ele teve que lutar um pouco contra si mesmo para não agarrar com ambas as mãos aquelas tetas tentadoras, mas ele não faria isso, por agora, em respeito aos mortos.

Para honrar aquelas vítimas, ele faria questão de tocar cada uma das Placas de Aventureiros de seus colegas de profissão como uma homenagem póstuma a eles que foram brutalmente mortos pela Serial Killer na frente dele.

"Realmente há bastante coisa aqui… mas que pobreza aqui em cima, só há de cobre, ferro e prata!"

Depois de algum tempo, um Satoshi cada vez mais animado terminou de tocar as insígnias que enfeitavam aquela parte da roupa dela e se agachou para inspecionar as que enfeitavam a parte de baixo do vestuário dela.

"Veja só… você até que tem cobre e ferro aqui embaixo, mas por aqui a maior parte é de metal valioso, na lateral a maioria é prata e ouro, agora, agora, olhe isso, nesse triângulo central, as primeiras platinas começam a aparecer, e conforme nós nos aproximamos da parte que interessa, aparecem os únicos quatro mithrils. Hummm... Esse aqui está posicionado num lugar especial, hein? Será que Clementine tem um história com ele, ou quem sabe, com ela?"

Satoshi removeu, com algum esforço, a insígnia de mithril que Clementine tinha posicionado num lugar de destaque entre as pernas dela e guardou aquilo no inventário dele.

Estava claro para Satoshi que havia uma conotação sexual muito óbvia na disposição das Placas de Aventureiros na coleção de Clementine.

Isso podia ser alvo de um estudo de psicanálise.

Satoshi decidiu fazer um breve estudo psicanalítico enquanto estava abaixado encarando a curiosa disposição das peças de troféus na prateleira inferior de Clementine e era bombardeado pelo perfume celestial dela.

Talvez Clementine torturasse pessoas como uma válvula de escape para alguma frustração sexual dela. Ela então escolhia guardar algo dessas pessoas como um símbolo do alívio que recebeu delas, e guardava esses símbolos nos lugares que eram responsáveis pela frustração em si, as áreas sensíveis e desejadas do corpo dela.

Uma das coisas que os feromônios exalados por Clementine diziam sobre ela ao sensível nariz de Satoshi é que, incrivelmente, ela era uma virgem.

Para uma mulher bonita como ela chegar na casa dos 20 sendo virgem, ou isso se devia a uma pressão social ou uma questão pessoal, certamente que não foi falta de oportunidades e, diferente de Lakyus, também não foi por excesso de virtude.

Deve ser bem frustrante ser tão atraente e não ser capaz de dar o passo final. Ela então tinha que se aliviar dessa frustração de alguma forma e ela fazia isso causando dor aos outros.

Ele tinha a suspeita que, quase certamente, a tortura feita por Clementine certamente envolvia a vandalização e a mutilação das areas erógenas de sua vítimas.

Ou seja, a perfumada beldade Clementine na frente de Satoshi era um maldito combo de Serial Killer e de Mulher Sexualmente Frustrada.

Dois dos mais problemáticos e perigosos tipos de pessoas que existem.

Ele se deu por satisfeito com a análise psicológica que fez em Clementine.

Como psicanalista, Satoshi era um ótimo programador.

Enquanto ele ainda estava agachado diante de uma Clementine estática, Satoshi não conseguiu resistir e alisou, com a ponta do dedo indicador dele, a área da roupa dela onde antes estava a Placa de Aventureiro Especial que ele removeu.

Aquele era um ponto muito sensível então houve reação leve nos olhos e na respiração de Clementine.

Uhm... Isso não pareceu nem de longe uma reação de prazer, foi isso dor, talvez rejeição ou desprezo? Nojo?

Satoshi ainda era um homem inexperiente com reações femininas e não sabia dizer o que foi aquela reação. Ele então por um longo minuto alisou aquele ponto enquanto olhava os olhos de Clementine.

Esses olhos… não há dúvidas que não foi prazer, apesar do corpo dela estar mais perfumado que nunca, dela estar se umedecendo um pouco e deste ponto dela estar enrijecendo um pouco… ela está em profunda dor.

Tendo chegado a essa conclusão, Satoshi se levantou pensativo e, inconscientemente, levou a mão ao nariz.

É estranho que ela se expresse assim… dor? Eu nunca li algo assim na Terra...

Ele nunca tinha lido ou ouvido falar sobre isso na terra, nunca imaginaria que era possivel que o corpo de uma mulher demonstrasse grande prazer, mas que os olhos dela gritassem com absoluta dor.

Esse tipo de reação dela podia prejudicar as coisas que aconteceriam a seguir, já que certamente iam atrapalhar o psicológico de Satoshi.

Satoshi decidiu pensar nisso só quando fosse a hora da ação.

Por enquanto ele tinha que conferir o Loot que ganhou desbaratando a Gangue do Cemitério.

"Agora, Clementine, ouça bem: Você não pode fugir de mim, não pode me prejudicar, não precisa ficar parada."

{Command Mantra} funcionaria apenas enquanto Clementine estivesse perto de Satoshi, por isso Satoshi não podia permitir que ela se afastasse muito dele.

Depois que foi liberada de ter que ficar parada, ela começou a ensaiar vários movimentos tentando entender os limites do que podia fazer.

"Me dê os itens que pegou de Khajiit."

Clementine obedeceu Satoshi imediatamente e entregou os itens a ele.

"Acho que eles já estão quase se recuperando... Mate aqueles nove homens."

Satoshi ordenou que Clementine matasse Khajiit, Tibur e os outros sete desconhecidos. Khajiit já tinha conseguido se pôr de quatro e tentava tonto levantar a cabeça com a mandíbula mole.

Satoshi se perguntava se esse tipo de lesão seria permanente.

Se assim fosse, no futuro, ele deveria ter cuidado quando roubando o controle de mortos-vivos dos outros. Ele tinha certeza que se fizesse isso com cuidado poderia causar muito menos ou nenhum dano aos antigos controladores.

Isso provavelmente só ocorreu porque eles são humanos de mente frágil...

Se eles fossem mortos-vivos ou tivessem alguma proteção mental, Satoshi tinha certeza que estariam bem agora.

Enquanto Clementine liquidava cada um dos homens no chão com movimentos rápidos e funcionais, Satoshi olhou os itens que recebeu dela.

Uma bolsa, uma tiara e uma bola preta.

Dentro da bolsa havia um bom dinheiro em termos de riqueza de indivíduos, principalmente ouro e platina tanto da Teocracia quanto de Re-Estize, havia também uma grande pedra preciosa lapidada do tamanho de um punho de moça e também havia alguns itens mágicos que quando avaliados com magia se mostraram como sendo itens assinatura e itens de comunicação.

Estes itens Satoshi não quis sequer testar, ele aprenderia sobre a utilidade deles depois que terminasse seu tempo de diversão com Clementine e perguntasse a ela.

A Tiara acabou por ser um item chamado 'Crown of Wisdom'.

Aquele item tinha duas restrições de usuário que eram: só podia ser usado do Nível 50 em diante e só podia ser usado por usuários de magia divina capazes do 8º Nível.

Ele também tinha uma Imposição de Efeito de Status ao usuário que era: o inconveniente debuff mental 'Heavy Insanity'.

Quanto aos efeitos daquele item, eles eram até impressionantes.

Aquele item permitia a um Usuário de Magia Divina lançar até oito vezes ao dia, com a mana do usuário, Magias Arcanas Intermediárias retiradas de uma lista de trinta e cinco magias.

Era um excelente item comparado ao que ele viu com a Escritura da Luz Solar, mas a limitação dele era tão pesada.

Como aquilo infligia ao usuário o debuff mental Heavy Insanity ele era um item inútil para um conjurador divino que pudesse usá-lo mas que não tivesse contra-medidas permanentes para Efeitos de Mente.

Eu não conheço nenhum Conjurador Divino de 8º Nível por aqui… Pelo nível de Lakyus ela deve poder conjurar apenas até o 4º ou 5º Nível então ia ser inútil dar isso a ela.

Embora Satoshi pudesse, através de alguns itens dele, eliminar o revés do Heavy Insanity para o usuário, aquele item ainda seria inútil se o usuário não preenchesse os outros dois requisitos, que eram ter pelo menos Nível 50 e poder conjurar magias divinas de 8º Nível.

Talvez conforme meu relacionamento com Lakyus avançar eu seja capaz de fazer ela nivelar até que ela possa conjurar 8º Nível… naquele dia eu poderei dar este item de presente para ela.

Isso dependerá, claro, das regras de nivelamento deste mundo.

Satoshi já planejava realizar com a ajuda da Equipe de Aventureiros de Mithril Falcão Negro um experimento de nivelamento nos dias futuros.

Ele esperava ter sucesso naquele experimento.

O último item de Khajiit entregue por Clementine a Satoshi foi a bola preta que Khajiit por várias vezes levantou e usou no 'combate' que ambos tiveram a pouco.

Satoshi ficou encantado com aquele item.

Aquilo era um Item Inteligente.

Itens Inteligentes não eram tão comuns em Yggdrasil já que a 'inteligência' deles consistia em spammar frases feitas nos canais de texto e nos canais de áudio dos jogadores.

Se os Desenvolvedores de Yggdrasil tivessem dedicado mais linhas de código aos Itens inteligentes do jogo, dando a eles alguma IA simples e de baixo desempenho ao invés de fazer uso de um algoritmo repetitivo, certamente os Itens Inteligentes seriam muito mais populares entre os jogadores.

Mesmo que fossem itens impopulares, Satoshi ainda tinha uma trinca de Itens Inteligentes com ele e tendo a oportunidade de conversar longamente com o Item Inteligente na mão dele que era chamado 'Orb of Death', Satoshi ficou curioso sobre como seria conversar com os três Itens Inteligentes que ele tinha no inventário dele.

Ele anotou mentalmente que deveria fazer isso nos próximos dias.

Satoshi deu para aquele 'Orb of Death' o nome Toleto. Principalmente por causa da aparência feia que ele tinha.

"Já fiz como me ordenou, Senhor da Morte, tomei o controle completo de todos os servos destes nove necromantes mortos pelo Senhor da Morte. Também fiz os servos que se afastaram para voltarem para suas áreas de armazenamento. Mas... Senhor da Morte realmente vai poupar a Cidade dos Vivos?"

Enquanto conversava com Toleto, Satoshi ficou sabendo que os 'armazéns de Mortos-vivos' que existiam no subsolo desse cemitério tinham sido rompidos pelos mortos-vivos armazenados lá. Como os necromantes que controlavam eles estavam agora mortos, aqueles mortos-vivos passaram a vagar soltos nas Catacumbas abaixo.

Satoshi então pediu a Toleto, que reconheceu ele como o Mestre dele, que prendesse novamente os mortos-vivos que vagavam livres.

Bom trabalho por isso, Toleto. Mas para o teu próprio bem, não mencione mais para mim o sacrifício desta cidade. Agora receba isso como uma recompensa pelo teu esforço e um cala-boca.

Satoshi lançou uma magia.

"[Triple Maximize Boost Magic: Ray of Energy Negative]!"

Ele tinha aprendido anteriormente com Toleto que o usuário anterior dele além de estar muito aquém em termos de habilidade do que era esperado para um usuário dele, também raramente presenteava o Item Inteligente com coisas gostosas.

Quando o Item disse aquilo para Satoshi antes, Satoshi pensou que Toleto se referia a algo macabro e desagradável como sacrifícios humanos, mas ele estava errado.

Assim como Toleto explicou posteriormente para ele, as 'coisas gostosas' das quais ele se referia eram energia de magias, principalmente as rotuladas como Profane e Negative Energy.

"Ahnnnhhnnn~! Senhor da Morte~! Tão Gostoooso~! Tão fooorte~!"

Enquanto a Orb of Death se banhava com a energia negativa de altíssima qualidade da magia de Satoshi, aquele item também soltou estranhas expressões de prazer com a voz masculina dele na mente de Satoshi.

Querendo se livrar rapidamente daquela voz masculina extasiada dentro da cabeça dele, Satoshi entregou apressado a bola preta gemedora, que era Toleto, para o Zombie sem mente na frente dele.

O Zombie então pegou Toleto e enfiou aquela bola preta no espaço oco onde antes estava o coração do Zombie.

Aquele foi um Zombie que Toleto fez, a pedido de Satoshi, do corpo do Aventureiro de Ouro e membro da Gangue do Cemitério, o mago Tibur.

Satoshi tinha pedido que a Toleto que usasse o Zombie Tibur como um avatar para ele, aquele Orb of Death estava tão carregado de energia negativa que podia até mesmo se dar ao luxo de sentir o mundo através de magias como [Undeath Slave Sight].

Satoshi ia deixar Toteto aqui no cemitério como o administrador desses milhares de mortos-vivos armazenados nas catacumbas do subsolo. Até que chegasse o momento em que estes Mortos-Vivos tivessem alguma utilidade para Satoshi eles ficariam aqui sob a tutela de Toleto.

Talvez eu envie algumas destas elites de Khajiit para engrossarem as fileiras de subordinados de Manzu durante a 'Subjugação dos Manzuri'... quando precisar eu também posso contar com esses mortos-vivos como carregadores.

Segundo Toleto, essa Hoste de Mortos-Vivos já era auto-suficiente e, enquanto não fosse danificada, poderia gerar quantidades crescentes de energia negativa.

Satoshi olhou longamente para o céu noturno, a partir da entrada do mausoléu.

Ele não podia dizer que horas eram, mas talvez já passava da meia-noite.

Satoshi então se afastou de Toleto e se voltou para a mulher de pé a alguns metros dele.

Embora ela segurasse o cotovelo, em uma posição feminina universal de vulnerabilidade, ainda assim ela olhava para Satoshi com olhos furiosos.

Clementine devia estar furiosa por vários motivos.

Atualmente ela não podia se afastar dele, pois tinha sido proibida de fazer isso por ele. Ela também não podia reclamar com ele, pois foi proibida por ele de falar qualquer coisa. Tudo que ela podia fazer era respirar pesado e mover o corpo, mas os movimentos dela nunca poderiam prejudicar Satoshi, pois ela também foi proibida por ele de fazer isso.

Em suma, Clementine perderá sua liberdade, ela agora era apenas uma refém das palavras de Satoshi.

Hoje à tarde, Satoshi tinha prometido para si mesmo ir ao Cemitério e um puteiro resolver suas pendências.

A presença de Clementine aqui no Cemitério ia permitir a ele resolver todos os seus problemas no mesmo lugar.

"Desse jeito você parece uma bonequinha, Clementine, uma Sex Doll."

Satoshi disse isso enquanto se aproximava devagar de Clementine, propositalmente fazendo o tradicional ato de lamber os lábios que os violadores e vilões sempre fazem antes de fuder suas vítimas nos H-Animes.

- PARTE DEZ -
Núpcias sob um Céu Estrelado

Quando Satoshi chegou onde Clementine estava, ele começou a coletar calmamente da roupa dela as muitas insígnias dos aventureiros que ela tinha matado. Ele também removeu as peças de metal da armadura leve incompleta dela.

Isso sim é uma luva elaborada… estou a dois minutos tentando tirar essa coisa dela.

Foi particularmente difícil entender as amarras e presilhas das peças que compunham a armadura leve disfuncional de Clementine. Satoshi perguntou-se qual era a utilidade dessas peças, que deixavam tanto exposto.

Satoshi iria enterrar todas estas insígnias posteriormente em um serviço fúnebre descompromissado. Era um ato estúpido que não melhoraria a situação dos mortos, mas ele faria questão de fazer como sinal de respeito e pedido de desculpas aos seus colegas aventureiros por deixar a assassina deles viver.

Sim, por mais que essa mulher na louca na frente dele, que matou com requintes de crueldade dezenas de seus colegas de trabalho e que, aparentemente, torturou mesmo crianças, merecesse a morte, Satoshi não concederia isso a ela.

Isso porque ela era tão formosa e perfumada que despertou o interesse de Satoshi em tal grau que ele fez um malabarismo ético e decidiu aplicar nela uma 'pena alternativa' pelos crimes que ela cometeu.

Após retirar a última das Placas de Aventureiros, Satoshi se afastou alguns passos de Clementine e a olhou longamente.

"Você está muito mais bonita assim, sem ter aqueles mementos sinistros presos na sua roupa, Clementine"

Isso era verdade.

Sem aqueles adereços de metal, ela parecia quase uma mulher sexy com uma roupa de noite.

Agora, Clementine se movia aflita e de forma desconexa, os movimentos dela eram restringidos pelas ordens dele então ela quase não completava nenhum dos que começava, já que era obrigada a interromper eles no meio pois tentava convertê-los em dano para Satoshi ou fuga.

Satoshi, a alguns passos de distância, a encarou longamente enquanto ela se agitava, cada vez mais desesperada e parada no mesmo lugar.

"Acho que você sabe o que vai acontecer agora entre nós dois, ao ar livre, sob as luzes da lua e das estrelas, nesse cemitério, não é Clementine?"

Ela parou de se mover subitamente e voltou o rosto dela na direção de Satoshi, olhando para ele com um rosto que pela primeira vez na noite mostrava sinais de medo.

"Eu pensei bem em como te castigar, afinal, vamos concordar, uma menina má como você precisa de punição, não é? Eu tenho uma habilidade chamada {Enslave}... Digamos que é um talento natural que torna os outros obedientes e leais a mim. Mas eu não pretendo usar isso em você agora, na verdade, eu só vou usar isso em você depois que terminarmos a sessão de foda de hoje, se eu usar ela agora você vai acabar feliz por me satisfazer e isso tira todo mérito da punição, não é?"

Satoshi disse aquilo tentando fazer uma face cruel e ameaçadora.

A verdade é que ele lutou bastante com ele mesmo antes de finalmente ser capaz de aplicar a punição de Clementine. De certa forma, o que ele faria com ela seria desumano, mas ele considerou que seria uma penitência muito mais eficiente fazer isso com ela do que simplesmente matar ela.

"Penso que é importante que você tenha pelo menos um mínimo desagrado em ser violada durante sua primeira vez. Mas, não se preocupe, depois que eu terminar a punição de hoje eu vou usar {Enslave} em você e então, para o resto da tua vida, você terá imenso prazer em satisfazer qualquer desejo ou capricho sexual meu. Falo sério, se for para me agradar você terá prazer até em fuder um abacaxi e um cavalo ao mesmo tempo."

Os olhos de Clementine, que foi proibida de falar, gritaram o que, na linguagem de olhos, eram gritos de pânico.

{Enslave} era uma habilidade racial dada pela classe Greater One ao avatar de Satoshi em Yggdrasil.

Greater One eram Senhores da Vida e da Não-Vida, e tal qual a habilidade racial {Undead Domination} fazia com seres mortos-vivos, {Enslave} fazia seres vivos se tornarem reféns da vontade do Greater One.

Em Yggdrasil esta habilidade permitia que, até quatro vezes ao dia, Satoshi tomasse permanentemente o controle sobre um NPC ou monstro de até nível 60, desde que estes não fossem imunes a controle mental ou conseguissem resistir a habilidade.

Essa habilidade era particularmente útil em ataques a guildas, que muitas vezes tinham estratégias de defesa que dependiam de NPCs chave personalizados de baixo nível.

Infelizmente em Yggdrasil esta habilidade não funcionava em jogadores. Mas nesse mundo, Satoshi teve sucesso usando esta habilidade em Guu, Ryraryus e Hachi e parece que os habitantes daqui eram considerados NPCs em termos de regras.

Em Yggdrasil, uma vez que a habilidade {Enslave} funcionasse, as duas únicas formas de se livrar dela de forma definitiva eram, ou morrer e ser ressuscitado, ou ultrapassar o nível 60.

Também era possível se livrar dela temporariamente conferindo ao alvo de {Enslave} imunidade a controle de mente, porém tão logo a imunidade passasse o controle voltava.

Apesar de algumas vezes poder mudar o rumo de uma batalha, {Enslave} não era particularmente útil no atual nível máximo de Satoshi, já que um monstro de nível 60 podia ser morto em um ou dois hits por um bom jogador de nível 100.

Mas aquela habilidade foi um grande trunfo dele quando ele a recebeu nos níveis 80, naquela faixa de níveis esta habilidade poderia ser considerada levemente desequilibrada.

Satoshi começou a desafivelar bem devagar o cinto dele, para poder tirar o robe.

"Você é complexada com esse tipo de coisa, não é? Algum bloqueio ou um trauma? Depois que terminarmos, vou ouvir sua história, isso claro, apenas depois que terminarmos..."

Satoshi deu seu melhor sorriso para mulher que transbordava raiva, asco e medo, com o último sendo cada vez mais predominante.

"... você vai ver, eu sempre escuto falar que as primeiras vezes são doloridas para seu gênero mas vou ser gentil com você novata, afinal, diferente de você eu não sou um sádico. Você não deve se preocupar muito com isso, cedo ou tarde todas as garotas devem caminhar na estrada das mulheres, talvez você até tenha tido sorte em encontrar um cara coração-mole como eu para obedecer e satisfazer até o dia da sua morte, imagina se aquele que te escravizasse fosse um degenerado ou um zoófilo? Você é escrava sexual de sorte..."

Depois de dizer isso ele removeu o robe, Satoshi agora vestia apenas a cueca armada dele enquanto de pé na porta do Mausoléu.

Honestamente falando ele não estava acostumado a ser malvado, então para uma assassina fria e cruel como Clementine, as tentativas dele de parecer perverso, em uma situação normal, seriam alvo de piadas.

Mas aquela não era uma situação normal, haja visto que Clementine sequer controlava o corpo dela.

Ela realmente parecia estar assustada.

"Se dispa devagar."

Como ele ordenou de forma direta, as mãos de Clementine começaram a obedecer imediatamente.

Satoshi já tinha removido as peças de armadura dela enquanto retirando as Placas de Aventureiros da roupa dela. Então tudo o que ela vestia eram as meias, top e short, todos negros.

Ela removeu primeiro o top, não exatamente de forma graciosa, mas como ele tinha ordenado que fosse feito lentamente se tornou satisfatório.

Não é o striptease que merecemos, mas o que temos...

Satoshi observou a quantidade de pele exposta aumentar aos poucos, as montanhas macias que eram os seios dela tremendo encantadoramente como resposta ao movimento do tecido que era removido e que já não mais as sustentava.

Satoshi observou em silêncio com expectativa até os dois pontos proeminentes cercados por auréolas escuras, que eram os mamilos de Clementine, finalmente aparecerem. Para surpresa e deleite de Satoshi os mamilos dela estavam visivelmente rijos e excitados.

"Veja só, veja só, para alguém que está lacrimejando, você até que está animada, não é Clementine? Talvez, além dos seus olhos, haja água caindo de algum outro lugar?"

Aquilo era verdade.

Tinha lágrimas nos olhos dela.

Para alguém como ela estar chorando deve ser realmente um trauma... bom, a melhor forma de superar um trauma é enfrentando ele, acho que ao fuder ela eu vou acabar ajudando ela a superar isso.

Não que essa mulher cruel e maluca merecesse que Satoshi a ajudasse com qualquer coisa, mas como Satoshi devia usar ela como um toilet humano de agora em diante, então era bom que a cabeça dela se ajeitasse.

Ela então começou a despir, também devagar, o short. Satoshi observou aquilo atentamente, antecipando uma densa pelagem loira.

Mas conforme o short descia, tudo o que Satoshi via era a pele daquela parte do corpo. Como uma hábil manipuladora de lâminas que ela era, Clementine tinha o hábito de se depilar.

Porém, para surpresa de Satoshi, além da delicada e intocada pele da região acima da intimidade de Clementine, também havia algo mais ali.

Havia uma tatuagem tribal no baixo ventre dela.

E aquela tatuagem emanava uma pequena Aura de Magia.

Satoshi tinha ficado tão perturbado com a aura daquilo, que ele quase não tirou prazer em ver uma Clementine remover as meias com todos os seus dotes femininos expostos balançando.

Aquela tatuagem dava um sinal de ameaça a Satoshi.

Essa tatuagem pode representar algum problema para nosso Rape Time...

Quando ela estava completamente desembrulhada na frente dele, Satoshi se aproximou dela e se ajoelhou de frente para a intimidade exposta e biologicamente excitada dela.

Apesar da cara cheia de lágrimas de Clementine, o corpo dela tem desejado ser deflorado por muito tempo e parecia prever que isso aconteceria esta noite, já preparando o caminho para Satoshi.

Concentração, concentração… tenho que verificar isso primeiro.

Satoshi se esforçou muito para que o ar absurdamente erótico da situação que o cercava não o fizesse perder o foco na análise da tatuagem mágica.

Ele precisava por logo isso fora do caminho para então poder começar o estupro punitivo de Clementine.

Sim. É bom que a palavra seja dita.

Estupro.

Ainda que fosse uma mancha na alma dele, era uma mancha menor que assassinato. A partir de agora Clementine estava condenada a aliviar as necessidades sexuais do corpo de Satoshi neste mundo.

Clementine seria a aliviadora de libido oficial dele.

Tendo uma forma de aliviar essa necessidade perturbadora, ele esperava ser capaz de parar de agir como um freak na frente das demais mulheres e voltar a ser uma pessoa decente.

Como Clementine era uma serial killer criminosa, bem, foda-se ela.

Satoshi tocou a tatuagem.

Além do fato de emanar uma leve e desagradável aura de Magia, a tatuagem não parecia diferente.

O corpo dela é quente e a pele é muito suave… ela deve ter se depilado muito recentemente.

Se este foi o caso, foi muito conveniente ele ter encontrado ela hoje.

"[Safe Divination], [Identify]!"

Depois que tomou uma medida de proteção simples, mas incompleta, Satoshi lançou uma magia para identificar as propriedades mágicas na tatuagem da beleza sádica nua na frente dele.

O resultado o deixou surpreso.

"Clementine! Ainda bem que eu decidi avaliar isso, você poderia morrer se eu te fodo sem desarmar essa bomba!"

A tatuagem de Clementine era um tipo de maldição nativa personalizada que servia como Cinto de Castidade.

Satoshi estaria em problemas se esticasse a rola dele naquele buraco, ele estava certo que, por causa da natureza de morto-vivo dele, ele resistiria a maldição e talvez nem sofresse qualquer dano. Por outro lado, se ele fizesse aquilo, Clementine ia sentir uma dor excruciante e definhar até a morte enquanto estava sendo deflorada.

De fato, qualquer estímulo sexual físico direto ia ativar doses menores de dor que seriam cada vez mais fortes.

Satoshi olhou para cima, para o rosto de Clementine, que tinha uma expressão de garotinha chorona a essa altura.

"Seus pais ou seja lá quem pôs isso em você devia se importar muito com sua castidade, mas eles devem ter fodido sua cabeça com essa atitude deles. Bem, fodasse isso, eu já vi o suficiente dos seus encantos para simplesmente te deixar aqui e ir para um puteiro."

Satoshi enfiou a mão no espaço negro do inventário dele para procurar um item, Clementine pareceu surpresa ao ver o espaço negro do inventário. Foi no entanto uma surpresa de 'por que?!' e não de 'o que?', isso indicava que ela já tinha visto um inventário antes.

Satoshi tirou um pergaminho da magia [Remove Curse IV].

Ele não ia usar gastar nada maior que isso, se isso não desse certo ele ia dar a Clementine a punição tradicional dos bandidos e ir a um puteiro.

Felizmente para o bolso e para o pênis de Satoshi, depois que o pergaminho se consumiu, Clementine levou a mão a tatuagem e caiu em uma posição de 'mulher sentindo muita cólica' enquanto arfava sem falar, pois tinha sido anteriormente proibida de falar pelo {Command Mantra} de Satoshi.

Depois de menos de um minuto passando por aquelas cólicas infernais, a dor pareceu passar.

Nua ao ar livre, deitada no chão de pedra do mausoléu, Clementine tocava o lugar onde antes havia uma tatuagem, mas agora apenas sua pele lisa e branca podia ser vista.

"Bom! Ótimo para você que isso funcionou, certo, Clementine, a partir de agora o teu dever perpetuo como meu brinquedo e boneca de foda têm inicio."

Satoshi disse isso para ela, Clementine por sua vez tinha um rosto de absoluta descrença quando viu que a maldição dela tinha sido extinta.

Ela deve ter tido muitos momentos difíceis por conta dessa tatuagem perversa. Satoshi se perguntou se em algum momento da vida dela, ela talvez tenha sido torturada continuamente por alguém através daquela coisa.

Caso isso tenha acontecido, era mais fácil entender como ela adquiriu essa personalidade perigosa e maluca dela.

"Veja Clementine, vamos seguir a cartilha de um AV esta noite. Nós vamos começar com uma massagem nos seus seios, na sequência eu te lambo e então você me faz um boquete demorado, após isso é a minha vez de te satisfazer com uma tentativa de squirting, nunca fiz isso, então nisso você será minha primeira, só depois de tudo isso que eu começo a penetrar você, nas diversas posições e formas possíveis. O roteiro de atividades está claro, Clementine?"

Satoshi disse se aproximando da confusa Clementine que estava sentada no chão. Ela tinha acabado de experimentar se tocar de forma íntima para descobrir se a maldição ainda a afligia, mas ela não foi punida pela maldição por tocar a própria buceta, pelo contrário, como se fosse uma mulher normal ela foi recompensada por aquele toque com sensações prazerosas.

Satoshi podia sentir que, apesar da situação fudida que ela estava entrando, Clementine sentia muito alívio por se livrar daquele velho inimigo que foi aquela tatuagem.

Talvez ela acabe gostando de tudo no final… todo psicopata é um safado pervertido, tenho certeza que ela só não fudeu com uma galera antes porque morreria se fizesse isso.

Satoshi podia prever que mesmo durante o pseudo-estupro que ela ia passar a partir de agora, ela tentaria agradar ele ao máximo, para tentar fazer com que ele não usasse {Enslave} nela depois que amanhecesse.

Essa era a única linha de fuga para ela agora.

Mas isso seria inútil.

Não importa o que ela faça, Satoshi usaria {Enslave} em Clementine quando estivesse satisfeito por hoje.

Estava decidido.

Clementine estaria casada para a vida com o caralho de Satoshi.

Acho que de fato eu estou virando um freak...

Satoshi olhou para o céu noturno do cemitério.

"Ainda faltam umas seis horas para amanhecer então, vamos começar estimulando teus seios. Venha Aqui…"

Com aquelas palavras, Satoshi começou a atividade que mais satisfaria ele neste novo mundo a partir de agora e que também o levaria a cometer inúmeros atos extremos no futuro.

- FIM DO CAPÍTULO -


NOTA DO AUTOR:

Opa, Blz?

Bem, o que posso dizer aqui, após cruzar as linhas do assassinato, da tortura e das chacinas o personagem cruzou mais uma linha neste capítulo. Só espero que vocês não vejam mais ele como um cara muito simples e monocromático, porque este não é meu plano para ele.

Vamos a trívia...

Tipos de Moeda:

0,1 Moedas de Platina = 1 Moeda de Ouro = 100 Moedas de Prata = 1.300 Moedas de Cobre

Câmbios:

1 Ouro do Re-Estize = 1 Ouro do Baharuth = 0,75 Ouro de Slane = 1,5 Ouro do Roble = 2 Ouro do Dragão

Flw

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No Dia 11 teremos… Escritura Negra!