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Aqui está o Dia 12!

Este é o último dia do Volume.
No mais, quando terminarem este capítulo convido vocês a lerem o Epílogo desse volume onde a Zesshi aparece.

Tenham uma boa leitura!


NO EPISÓDIO ANTERIOR:

(leitura não necessária)
No dia anterior Satoshi iniciou o dia mais tarde que o habitual por ter virado a noite brincando com seu novo brinquedo, Clementine. Ao retornar ao Pavilhão Dourado no papel de Aventureiro Atari, Satoshi teve um encontro inusual com sua colega aventureira Tina da Equipe Adamantina Rosas Azuis e um encontro lucrativo com um dos Vice-Ministros da Magia do Império de Baharuth, Anather Vux. Satoshi então retornou a Instant Fortress para Atuar como Vampiro Famicom, lá ele criou um novo escravo morto-vivo e gastou muitas horas resgatando dependentes dos ex-viciados que foram resgatados dos Oito Dedos. Tarde da noite Satoshi se encontra com o homunculi Kuro para um resumo diplomático e acaba por ter que engajar em uma luta com um estranho grupo chamado Escritura Negra que o espionou. Após um curto combate, Satoshi deixa o local com reféns materiais e humanos.

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O Colecionador de Almas

Dia 12


- PARTE UM -
O Teatro do Soberano

Quatro seres estavam em um sinistro quarto subterrâneo.

Aquele quarto ficava subsolo do Cemitério de E-Rantel e era um dos muitos quartos existentes dentro de um grande complexo fúnebre, composto por vastas câmaras e inúmeros túneis interligados entre si, que se estendia por todo subsolo da área central do Cemitério, se espalhando em todas as direções como um enorme formigueiro.

Muitos séculos atrás aquele complexo funerário foi um importante ponto da cidade e era chamado de Catacumbas dos Fundadores, mas hoje, com o decorrer do tempo, a origem importante dele era desconhecida pelas autoridades da cidade e também por quase todos os moradores.

O quarto onde aqueles quatro seres estavam era um quarto com uma decoração muito desagradável que, sem dúvidas, fazia jus a imagem macabra que a maioria das pessoas normalmente teria da decoração de um quarto de dormir localizado em um complexo fúnebre subterrâneo.

Aquele aposento, que obviamente não tinha janelas, era iluminado por duas dezenas de velas de cera vermelha cujos suportes eram nada menos que crânios humanos fixados nas paredes. Ossos humanos de todas as idades também eram vistos aqui e ali, dispostos em arranjos de forma a servirem como enfeites de parede e, em uma estante em um dos extremos do quarto, havia uma bacia d'água que estava cheia, com água e sangue humano.

Apesar da decoração macabra daquele quarto, aquele aposento tinha algumas mobílias de qualidade, sendo a principal delas uma cama grande, forte e confortável onde Satoshi, um dos quatro seres presentes no quarto, estava repousando.

Aquela cama não era exatamente uma peça de luxo, mas era agradável de se deitar e também era muito resistente já que durante a noite suportou sem quebrar todo o intenso movimento que Satoshi e Clementine fizeram em cima do colchão.

"Entendo, Khazi-chan. Então o real objetivo do tal líder da Zurrernorn é se tornar um desses tais Night Lich?"

Satoshi que estava sentado naquela cama com as costas na cabeceira perguntou isso para o mais novo servo dele, o Vampire Lord Khazi-chan, outrora conhecido como Khajiit da Zurrernorn.

Quando ainda era um ser vivo e ainda atendia pelo nome antigo dele o Vampire Lord Khazi-chan foi o dono deste quarto, mas isso agora era coisa do passado. Ainda noite anterior, assim que Satoshi o transformou em vampiro ele tinha ordenado que Khazi-chan cedesse o quarto dele para a nova ocupante e que a partir de agora ele dormisse no chão do lado de fora.

Bem, como ele é um vampiro superior não acho que precise de sono… esse é mais um motivo para eu não querer ele vivendo no mesmo quarto que minha Clementine!

Aquela que escolheu o nome Khazi-chan como o nome de guerra da versão vampirizada de Khajiit foi ninguém menos que a antiga colega dele entre os Doze Executivos da Zurrenorn e atual proprietária deste quarto, a beldade maluca Clementine.

Clementine havia ingressado sob serviço de Satoshi na noite de anteontem quando foi condenada por ele na entrada de um Mausoléu a se tornar a Escrava Sexual e Toilet Humano dele, sendo obrigada a partir de então a satisfazer Satoshi em todos os desejos e caprichos dele até o fim da vida dela.

Para que ela possa cumprir este papel com eficiência, Satoshi concedeu a ela a propriedade daquele quarto, que era o único com uma cama decente em todas as Catacumbas dos Fundadores, desta forma ele poderia ter melhores sessões de foda com ela nas vezes que visitasse este cemitério.

"Precisamente, Ser Supremo. O dito Sábio Líder da Zurrernorn, Temyr, se afoga em pesquisas na Cidade de Morte dele em Katze enquanto acumula energia negativa, mana e conhecimento para presidir um ritual superior que tornaria ele igual aos colegas dele do centro do continente. O contato que ele alega ter com o Primeiro Seguidor só ocorreu uma vez e foi acidental. Atualmente isso é só um engodo para afastar a ameaça da Teocracia."

O Vampire Lord Khazi-chan respondeu aquilo para ele, enquanto se esforçava para manter os olhos dele fixos nos olhos de Satoshi.

Imagino que seja difícil para Khazi-chan resistir a espiar a visão divina na frente dele… mas se ele espiar, ainda que apenas um pouco, ele estaria sendo desrespeitoso para comigo, o mestre dele, não é?

"Ainda assim, Night Lich… o que diabos é isso, não me lembro de nenhuma raça assim… Clementine, na Escritura Negra vocês já lutaram contra algum desses Night Lich?"

Satoshi perguntou aquilo para a mulher loira nua na cama com ele.

Clementine estava de joelhos na cama com a cabeça dela abaixada pagando um boquete para Satoshi ao mesmo tempo em que ele, que estava sentado com as costas encostadas na cabeceira da cama, alisava carinhosamente os curtos cabelos dourados dela para incentivar ela a continuar o bom trabalho que ela fazia enquanto ele mesmo se esforçava para manter uma fachada de quem estava acostumado com essas coisas.

O belo traseiro nu de Clementine estava empinado eroticamente, com a intimidade dela completamente exposta e encharcada tanto com os fluidos dela mesma quanto com os que ela coletou de Satoshi durante a noite. Enquanto ela trabalhava com a mão esquerda e a boca em Satoshi, com a mão direita dela ela se confortava.

O Vampire Lord Khazi-chan estava respondendo às perguntas de Satoshi já a dezenas de minutos e durante todo este tempo ele se esforçava para olhar apenas os olhos do novo mestre dele. Ele estava de pé a apenas alguns metros da cama, logo em frente a maravilhosa visão da bunda desprotegida e empinada de Clementine, mas ele não ousava agir de forma desrespeitosa fazendo algo estúpido como encarar a área mais intima da mulher que atualmente satisfazia o senhor dele.

Ainda com a cabeça dela abaixada e o traseiro levantado, Clementine inclinou a cabeça e olhou para cima, para os olhos de Satoshi, enquanto bombeando o membro dele com a mão e soltando dos lábios dela uma das bolas na qual ela estava trabalhando no momento.

"Uhmm~ Gulp~ Goshujin-sama~ Nunca lutei contra esse tipo de ossos mágicos~ Me fala, Goshujin-sama~ Desse jeito está bom para você~?"

Aquela cena absurda na qual Satoshi tinha propositalmente se enfiado, a cena onde ele tinha que conversar com alguém enquanto recebendo esse serviço de Clementine, foi um experimento que ele decidiu fazer menos de uma hora atrás para vencer sua timidez natural como um homem japonês do século 22.

Apenas por estar fazendo isso o coração de Satoshi já estava queimando de vergonha, mas agora com este novo fato que se somou, que foi ter outras pessoas ouvindo Clementine chamar ele com o embaraçoso título de Goshujin-sama, o rosto pálido de vampiro dele, que antes estava levemente corado, ganhou agora tons mais fortes de vermelho devido ao supremo embaraço que ele sentia.

No entanto, Satoshi fortaleceu a resolução e a poker face quebrada dele, agindo como se isso fosse apenas uma coisa natural para um ser grandioso como ele.

Para essas pessoas aqui neste quarto com ele, Satoshi tinha que agir como o Soberano Famicom, não como o normal Satoshi, por isso ele não devia se abalar com coisas assim.

Já a algum tempo ele tinha decidido construir uma frente poderosa e imperturbável como o Vampiro Famicom e para conseguir tal coisas ele precisava se preparar de antemão.

Ele esperava que ao se pôr, durante momentos de paz, em situações vexatórias como a que estava agora, ele perdesse as velhas vergonhas e restrições do seu mundo anterior, ficando assim imune a qualquer um dos efeitos negativos aos quais ele estaria normalmente sujeito quando fosse exposto às situações vergonhosas, indesejadas e imprevistas que certamente ocorreriam no futuro.

Para Satoshi, apenas ao se colocar em situações extremas ele ganharia a capacidade de lidar de forma tranquila e imperturbável com a vergonha e o fraquejo herdado do seu fraco Eu Humano da Terra.

"Sim, sim, assim está muito bom, Clementine, mas suba para o caule de uma vez, pois essa será a última recompensa que minhas bolas te darão de beber hoje e eu estou ficando sem tempo. Quanto a você, Khazi-chan, se foque nos meus olhos, nos meus olhos, não me obrigue a te castigar por ser desrespeitoso, agora continue me falando sobre as habilidades deste líder e sobre os outros membros dos Doze Executivos."

"... M-mil perdões, Ser Supremo. Como você desejar, das doze cadeiras atualmente apenas onze estão ocupadas, ou melhor dizendo, com a minha entrada e a de Clementine como teus humildes escravos, apenas nove cadeiras estão ocupadas. Os ocupantes das nove são dois mortos-vivos e sete humanos, sendo que o mais destacado dos humanos se tornou a poucos anos um mago de 5º Nível, embora ele ainda engatinha neste caminho..."

Satoshi ouviu atentamente as palavras de Khazi-chan por longos minutos.

Neste meio tempo ele lutava para não deixar escapar pequenos gemidos vergonhosos enquanto recebia o carinho, cada vez mais intenso e prazeroso, da boca de Clementine. Ela pareceu seguir a recomendação dele e se apressava no serviço de forma que um cabo de guerra tinha lugar naquela cama, com Clementine querendo puxar a satisfação de Satoshi para fora e com Satoshi tentando manter isso dentro de si.

Naquela situação exótica que estava, Satoshi se lembrou de seu colega de guilda Peroroncino. Ele sempre eventualmente tinha conversas com Peroroncino durante as quais ele nunca entendeu o que o amigo queria dizer, visto que não compartilhava tais interesses pervertidos.

Uma dessas conversas aleatórias que sempre intrigaram Satoshi retornou a mente dele enquanto ele ouvia Khazi-chan falar longamente e, ao mesmo tempo, travava uma ferrenha guerra de resistência contra o poderoso boquete mágico de Clementine.

Segundo Peroroncino, um dos achievements mais difíceis em H-games de escritório que ele já tinha conseguido foi um que obteve em um jogo quando jogando como um CEO. Naquela vez, Peroroncino foi capaz de receber um boquete da secretária dele do início ao fim com uma poker face inabalável no rosto enquanto participava de uma reunião de negócios importante.

Satoshi não entendia como, com os limites sensoriais do Dive, tal coisa poderia ter sido difícil. No entanto, ele era capaz de entender como isso era extremamente difícil aqui na realidade.

Como estava passando por uma situação parecida no momento, Satoshi decidiu se esforçar para conseguir o mesmo achievement que Peroroncino, o melhor Sniper da Ainz Ooal Gown, se gabou para ele uma vez.

Ele considerou que seria fabuloso se conseguisse isso já que essa honraria era conquistada, segundo Peroroncino, por menos de 1% dos jogadores de 'Sex Domination V: Business CEO'.

Segundo o amigo dele, apenas líderes excepcionais que maximizavam 'Social Control' e 'Self Confidence' tinham alguma chance de conseguir isso. Então, já que Satoshi sempre desejou ter uma imagem de Soberano Confiante como o Vampiro Famicom, ele decidiu que conseguiria esse troféu a qualquer custo.

Infelizmente, no entanto, não seria desta vez que ele poderia estar entre os 1% melhores líderes.

A atual tentativa dele estava completamente comprometida e ele tinha que admitir isso se quisesse ser justo.

Mesmo que tivesse se esforçado tanto, Satoshi já tinha falhado na tarefa de manter uma inabalável poker face por dezenas de vezes durante esta tentativa.

E, para coroar a derrota dele, no momento final quando Clementine venceu o cabo de guerra e fez ele por pra fora a satisfação acumulada dele, apesar dele ter lutado muito para parecer inabalável conforme aquela sensação boa crescia nele, Satoshi foi incapaz de manter a compostura e deixou escapar um sonoro e vergonhoso "Ooh~ ahnnnn~!".

Se Satoshi realmente fosse o CEO de uma empresa e esta fosse uma reunião corporativa, todos teriam se voltado para ele com dúvidas, julgamentos e certezas nos olhos.

Droga! Pensei que eu fosse um líder melhor que isso!

Apesar de ter falhado miseravelmente nesta primeira tentativa, ele faria questão de tentar novamente no futuro.

Felizmente para ele, Clementine sempre estaria aqui, perpetuamente disponível para satisfazer ele, que era o dono dela, então não faltarão novas oportunidades futuras para Satoshi obter a badge que Peroroncino tinha.

Enquanto ele sinalizava com o queixo para que Clementine engolisse a grande quantidade de recompensa branca leitosa recebida dele, que ela mostrava orgulhosa com a boca aberta tal qual ele ensinou ela a fazer no dia anterior, Satoshi continuou ouvindo Khazi-chan por longos minutos.

Durante este tempo Clementine ficou oferecendo a si mesma para ele enquanto repousava no peito dele e correndo as mãos dela pelos tórax e abdômen de Satoshi.

Essa foi minha completa derrota… não só falhei em obter o achievement, mas também não consegui segurar a carga por muito tempo com Clementine e fui completamente finalizado no meio da explicação de Khajiit, quer dizer, da explicação de Khazi-chan...

Entender isso irritou Satoshi, isso deixava seu orgulho como homem um pouco ferido, mas o fato é que Clementine se tornou muito boa com a boca dela em um curto período de tempo e ele estava tendo dificuldades de acompanhar esse progresso exponencial.

Ela tem jeito para essas coisas… ela tem talento para boquetes.

"Entendo, então assim como Clementine me disse antes aquele mago de cueca marrom da Escritura Negra também é um membro da Zurrernorn… e há ainda esses dois mortos vivos, esse Mummy chamado Xez e essa Vampire chamada Nicolete Rhapsody. Diga, Khazi-chan, essa mulher vampira, onde ela está ativa no momento?"

Satoshi estava curioso sobre esta mulher com quem compartilhava uma raça, Nicolete Rhapsody, segundo Khazi-chan ela era uma conjuradora multi-sistema de 3° Nível, capaz de conjurar aquele nível de magia tanto em magia arcana como em magia espiritual e que estava entre os três mais poderosos executivos da Zurrernorn.

Ele também não pôde deixar de notar com um pouco de satisfação revanchista que Clementine ficou perturbada com o interesse que ele teve na tal vampira. Satoshi pensou que talvez elas fossem rivais na organização ou coisa assim.

"Aquela mulher está no Reino do Dragão, Ser Supremo. Ela é muito ausente nos encontros, mas pelo que sei ela está enraizada no noroeste daquele país, perto das terras dos bárbaros Wyvern Riders, ela é uma grande provedora de humanos para Katze."

Satoshi tinha ouvido falar antes destas tribos humanas que domesticavam Wyvern e que não pertenciam a nenhum país. Aquelas tribos viviam em um área selvagem entre o Reino do Dragão e o Império de Baharuth, e elas eram, segundo ele ouviu falar, compostas por bárbaros orgulhosos de suas tradições primitivas que combatiam tanto os humanos destes dois países vizinhos quando os muitos semi-humanos das terras onde viviam.

No futuro talvez fosse bom enviar alguém para aquele lugar… fazer lá o mesmo que estou fazendo na Floresta de Tob.

Os instintos de vampiro dele diziam que o sol já tinha nascido a mais de duas horas, então Satoshi se levantou da cama depois de se afastar de uma Clementine grudenta.

"Toleto, acredito que esteja tudo certo com as três prisioneiras?"

"ElAs EsTãO nOs ApOsEnToS dElAs, MEsTrE da MoRtE..." (Elas estão nos aposentos delas, Mestre da Morte...)

A Orb Of Death, que Satoshi tinha nomeado Toleto, respondeu através das cordas vocais do corpo zumbificado de Tibur. Toleto estava encravado onde antes estava o coração do outrora mago da equipe de Aventureiros Chuva Escura.

Satoshi tinha feito mortos-vivos intermediários com cinco dos corpos dos sete discípulos restantes de Khajiit e posto eles como guardas para vigiar as três reféns da Escritura Negra.

Enquanto ouvia Toleto falar das reféns, Satoshi assumia a forma de Atari e se equipava com os itens que usava normalmente para aquele disfarce como um aventureiro humano.

Quando mudou da bem moldada forma de Greater One dele e assumiu a forma dele como Human que foi baseada no corpo original dele na Terra, Satoshi refletiu sobre uma coisa que tinha achado surpreendente.

Realmente ela aguentou tudinho...

Foi impressionante o fato de que a Escrava Sexual dele, Clementine, que até a noite de anteontem era uma apertada virgem, foi mulher o suficiente para aguentar o tranco da sessão de foda de hoje onde ele impiedosamente socava a monstruosa giromba de Famicom na buceta dela.

Apesar de no começo do tempo deles esta noite ela ter feito algumas caras doloridas, hoje pela manhã ela já estava sentando nele com tanta força e disposição quanto uma Amazona que cavalgava livre por uma planície gramada no lombo de seu corcel.

Existia antigamente na Terra a crença de que uma mulher deve sempre adaptar os próprios hábitos para completar ao máximo o homem dela… imagino que a mesma coisa deve valer para a buceta também.

Mas mesmo que ela se adaptado tão magistralmente aquele pé-de-mesa que era o pau dele na forma de Greater One e teve substanciais explosões de prazer enquanto sentava naquela tora de carvalho, apenas por segurança, Satoshi fuderia Clementine muito espaçadamente quando no corpo de Famicom.

Não quero que ela se acostume com aquele padrão… isso ia estragar meu estimado brinquedinho.

Satoshi temia que se ela se acostumasse com aquele padrão de espessura e comprimento então Satoshi teria dificuldades em satisfazê-la via penetração no futuro.

Além disso, ele estava muito preocupado com a possibilidade de que com o tempo ela fique tão acostumada com o falo do corpo de Greater One, que nenhum dos outros corpos de Satoshi vai poder sentir qualquer aperto da buceta dela durante as fodas futuras, o que diminuiria bastante o apelo da Escrava Sexual e Toilet Humano dele.

Depois que terminou de se aprontar como Atari, Satoshi se voltou para os três seres estranhos naquela sala com ele.

Aqueles eram os responsáveis por cuidar deste Cemitério de E-Rantel em nome de Famicom.

Os 'Caseiros de Cemitério' eram um trio exótico composto por:

Uma Vadia Linda, um Vampiro Careca e um Item Inteligente.

Antes de voltar a cidade era bom que Satoshi deixasse algumas ordens temporárias para cada um deles.

Ele começou dando ordens ao Item Inteligente, o Orb of Death nomeado Toleto.

Satoshi olhou para o corpo de Tibur onde Toleto residia, o Zombie deveria feder a morte, mas graças a um pedido anterior de Satoshi o corpo tinha sido corretamente desodorizado com uma magia que ele mesmo desconhecia a existência, mas que estava feliz por Toleto conhecer.

"Toleto, você deve manter as prisioneiras da Escritura Negra seguras e bem tratadas. No mais, continue sua coleta de energia negativa, você disse que perto do seu limite, certo?"

"AsSiM FaReI, MEsTrE da MoRtE. EsTe EsTá CoM 80% dA CaPaCiDaDe, mEsTrE da MoRtE." (Assim farei, Mestre da Morte. Este está em 80% da capacidade, Mestre da Morte.)

Para manter essa fachada quase perfeita de um morto-vivo e não de um item, a Orb of Death precisava estar conjurando muitos feitiços ao mesmo tempo.

Enquanto este Ninho de Mortos-Vivos fosse mantido íntegro não faltaria energia negativa para Toleto, mas Satoshi planejava desfazer esse ninho em breve, então era importante que aquele item inteligente enchesse completamente as reservas de energia de Toleto o mais cedo possível.

Este item usava Energia Negativa e não mana para lançar as magias dele.

Ou melhor, segundo Toleto, ele e seus três irmãos, convertem Energia Negativa em mana quando lançam magia. Ainda era necessário para Satoshi entender melhor este item e ele estudaria isso com calma no futuro.

Depois de ter comandado o Item Inteligente, Satoshi parou de olhar para a desagradável figura do Zombie hospedeiro de Toleto e olhou para a coisa mais bonita neste quarto, que era a mulher humana nua na cama que o encarava em uma uma pose convidativa e desavergonhada.

Ele não queria pensar assim, pois isso podia ser considerado deselegante da parte dele para com as mulheres como um todo, mas Clementine parecia que tinha vocação para a profissão de Escrava Sexual.

Era como se ela fosse o tipo de mulher 'born to be bitch'.

"Clementine, eu quero que você mantenha as três mulheres capturadas entretidas durante todo dia. Você deve tratá-las bem e... falar bem de mim para elas, promover minha pessoa, entende?"

Satoshi considerou que Clementine entendeu já que ela estreitou brevemente os olhos em contrariedade e insatisfação antes de concordar através de um aceno com o pedido de Satoshi.

"Também quero que você vá até a cidade com Gaspar como guarda-costas e compre as necessidades humanas para vocês quatro, também compre para você... alguns daqueles contraceptivos que você comentou. Bem, eu vou estar aqui a noite então não se esqueça de comprar isso hoje, entende?"

Satoshi jogou uma sacola com algumas poucas moedas de ouro na cama onde Clementine estava sensualmente estirada nua.

De alguma forma, na mente dele, isso pareceu pervertido e profano, como se tivesse jogado o pagamento para uma puta depois de ter coberto ela com a porra dele e abandonado o corpo dela frouxo na cama.

Estou tendo uns pensamentos estranhos ultimamente...

"Siiiim, Goshujin-sama~! Sua Clementine vai tomar todas as medidas para poder receber dentro dela o leite de Goshujin-sama~! Heh~ Aguardarei ansiosa pela noite~!"

Satoshi pensou que talvez ele tivesse que arrumar alguma outra ocupação para Clementine, se ele pensasse com cuidado era um pouco de um desperdício usar uma guerreira de Nível 32, algo grande nestas terras de nível baixo, exclusivamente para alívio sexual.

Acho que quando eu for disfarçado a outras cidades vou ter ela como minha guarda costas e quem sabe no futuro fazer dela uma aventureira...

Infelizmente Clementine não podia usar essa cara linda dela como uma aventureira ao lado dele, já que ela era uma proscrita. Por isso quando fosse a hora de tornar ela uma aventureira ele ia camuflar ela com algum item dando a ela uma nova persona.

No futuro ele pensou em talvez ter Clementine junto com mais alguns escravos como colegas de equipe Adamantina. Faltava a ele apenas achar pecadores perversos e fortes, pelo menos no nível Adamantina, para que ele pudesse escravizar com {Enslave} sem culpa.

Dependendo de como as negociações que vou ter com a Teocracia daqui a duas semanas terminarem, eu posso ter muitos escravos em breve...

Satoshi deixou de olhar a beleza nua na cama e olhou para o último servo com que ia falar antes de sair. Ele olhou para o Vampire Lord que vestia uma capa negra e vermelha enquanto aguardava as ordens dele.

Estava bem claro para Satoshi que ao se tornar um Vampire Lord, Khajiit se tornou um cara estiloso. Para Satoshi, Khazi-chan era muito mais bem apessoado como vampiro que Nigurath.

Mas fique claro que essa era a opinião de Satoshi que não era um bom avaliador de beleza masculina e que também tinha um grudge com Nigurath por conta das costas dele terem sido premiadas como lugar de repouso para a maravilhosa bunda de Tsuki.

Bom, Khazi-chan, Khazi-chan, que comando te dou? Não é como se houvesse tarefas sobrando neste cemitério...

Para Khazi-chan, Satoshi não tinha atualmente pensado em nenhuma ordem em específico.

Então Satoshi decidiu que iria usar Khazi-chan como uma ferramenta em um ensaio de interpretação, Satoshi decidiu treinar agora com Khazi-chan a postura dele como um 'soberano possessivo' para que assim ele pudesse ampliar as 'facetas de soberano' que ele possuía.

"Khazi-chan, não pense que eu não vi como você olhou para o traseiro da minha escrava enquanto ela fazia o trabalho dela. Você por acaso pensou, na cara dura, bem na minha frente, em fuder minha propriedade? Você tem um desejo de morte?"

"N-não é o c-caso, Ser Supremo! E-Este n-não pensou em sujar a propriedade d-do Ser Supremo! A-Apenas a-achou que era algo bonito de se o-olhar..."

O Vampire Lord Khazi-chan se abaixou se desculpando e colocou a careca dele no chão.

Eu obviamente te entendo, imagino que deva ter sido uma bela visão e talvez você tenha tido a tua libido aumentada por ter se tornado vampiro superior… porém isso não vai te salvar de ser repreendido aqui, afinal agora eu sou um 'Soberano Possessivo'.

"Khazi-chan! Seu pequeno pedaço-de-merda! Tenho certeza que antes de entrar em meu serviço, na época que você era mortal, você já se imaginou fodendo minha Clementine, não é verdade? Responda! Você imaginou, não é, seu bostinha? Mas saiba você que isso não vai acontecer! Nunca! Isso não pode acontecer nem-dentro-dessa-tua-cabeça-de-merda então controle seus pensamentos, você entende?"

Satoshi deu diversos pisões com força na nuca do Vampire Lord desesperado, que estava pedindo perdão com a testa no chão.

Cada palavra que Satoshi dizia ele pisava na cabeça de Khazi-chan uma vez, até que os dentes resistentes do Vampire Lord fizeram um som de 'crack' quando romperam os lábios dele e arrancaram alguns pedacinhos de pedra do chão.

Fazer isso foi uma ação que necessitou de muito estômago da parte de Satoshi, isso porque Satoshi não estava acostumado a prejudicar quem estava em dificuldades e a figura de Khazi-chan era verdadeiramente triste de se ver.

Mas Khazi-chan uma vez foi Khajiit, um cara que fez centenas de sacrifícios humanos nesta cidade, então, na opinião de Satoshi, ele se enquadra em um dos poucos tipos de pessoas que merecem sofrer bullying após a morte.

Apenas pensando assim Satoshi conseguiu manter essa farsa.

A intenção que se formou em Satoshi enquanto ouvia Khazi-chan descrever a estrutura da Zurrernorn mais cedo foi uma só.

Ele queria engolir a Zurrernorn.

Afinal eles eram um bando de cultistas, fora-da-lei, com culpa no cartório, eram pessoas de quem nenhuma pessoa normal sentiria falta. Então Satoshi ia usar os membros da Zurrenorn como matéria-prima de servos de nível alto.

Além disso o que Khazi-chan entregou de bandeja para Satoshi foi totalmente diferente do que Clementine tinha dito antes.

Parece que havia várias camadas de verdade sobre essa organização e sobre os mentores daquilo, Satoshi se perguntava se a camada revelada por Khazi-chan seria a última ou se mesmo Khazi-chan estava sendo manipulado.

Peões hein...

Segundo a versão de Khazi-chan, a Zurrenorn era apenas uma peça de Xadrez para os mortos-vivos de Katze que controlavam um país oculto habitado por incontáveis Mortos-Vivos.

A Zurrernorn seria então uma unidade avançada desses Mortos-vivos nas terras humanas.

Já a muito tempo fazia parte do plano de Satoshi eventualmente tomar as Planícies de Katze, agora que ele sabia da existência de um país organizado naquelas terras o interesse dele tinha apenas aumentado.

Com a quantidade de mão de obra morta-viva, incansável e numerosa que ele conseguiria quando conquistasse as Planícies de Katze, Satoshi teria pessoal suficiente para construir centenas de Pirâmides iguais as de Gizé.

Não que eu precise dessas pilhas de pedras...

Mas se a cidade dele tivesse um suprimento externo de trabalhadores para fazer o trabalho bruto de forma barata, as pessoas da Famicômia poderiam se dedicar a outras tarefas, como realizar pesquisas, aprender técnicas, a desenvolver a ciência e a fazer as artes prosperarem.

Já que tinha decidido a pouco que ele ia assumir o papel de líder das Planícies de Katze, Satoshi decidiu que tinha que se acostumar a ter um ar mais sinistro para sua persona de Famicom. Então ele escolheu treinar isso agora com Khazi-chan, treinar uma interpretação mais cruel e terrível de um 'Soberano Possessivo'.

Sem aviso, Satoshi deu um potente chute no tórax de um Khazi-chan prostrado no chão, ele o chutou como um jogador de futebol que bate uma falta de fora da área.

O Vampire Lord saiu voando e se chocou contra a parede, fazendo o quarto tremer e poeira cair do teto, derrubando uma dúzia de velas que estavam sobre suportes de crânios humanos e diminuindo pela metade a precária iluminação do lugar.

Aquela súbita agressão a Khazi-chan feita por Satoshi parece ter pego de surpresa todos os presentes que ficaram congelados de medo.

Khazi-chan, que tossiu algumas gotas sangue escuro e cobriu com uma das mãos algumas das costelas dele que tinham quebrado e perfurado um dos pulmões inativos de vampiro dele, imediatamente voltou a se prostrar com a testa no chão e pedir desculpas a Satoshi. A voz dele estava levemente alterada pelo ar estrangeiro que entrava pelo pulmão rompido e ele tinha sangue escuro misturado com saliva sendo ejetados da boca dele sempre que ele abria aquilo para pedir misericórdia.

"Khazi-chan e Clementine! Se eu descobrir que meu Toilet Humano foi usado por qualquer outra pessoa além de mim, ambos vocês estarão em pior situação do que se estivessem mortos! Fui claro, nessa bodega?!"

Satoshi simulou sua cara mais irritada possível enquanto ativava a habilidade {Aura of Predador I} apenas para dar ênfase nas palavras ditas.

Quando ele viu que ambos estavam muito apavorados e afirmando entendimento, sendo que Clementine, que era um ser vivo, estava pálida e tremendo enquanto ela se ajoelhava nua na cama com a testa dela no colchão em uma posição de submissão, Satoshi se deu por satisfeito com o experimento teatral dele.

Eles são criminosos no fim das contas… não posso tratar eles bem como trato aqueles na Instant Fortress.

Era importante que Satoshi aprendesse a não tratar todos bem, então ele a partir de agora, sempre que fosse possível, faria este tipo de exercício com ajuda destes criminosos confessos que ele recrutou como escravos.

Apesar dele ter pego um gosto por Clementine e, assumidamente não desejar ferir ela, no final ela ainda era uma prolífica e louca Serial Killer que ele converteu em um objeto a ser fudido e não amado.

Amor, seja lá o que isso seja, Satoshi só daria a alguém no caso de optar por ter uma futura parceira, ou seja, quando estivesse em um relacionamento com alguém que mereça isso, alguém como, por exemplo, Lakyus.

"Eu estou indo, mas estarei de volta a noite, se assegurem de tratar bem as três reféns. E Clementine, faça sua higiene corretamente, você relaxou hoje e isso foi desagradável. [Teleportation]!"

Depois de dizer a mentira mais desnecessária e ofensiva que ele pôde pensar apenas para torturar o ego da apavorada Clementine que tremia enquanto estava nua e prostrada submissa no colchão, Satoshi se teleportou para uma parte vazia do cemitério.

Naquela parte abandonada do cemitério, durante alguns poucos minutos daquela manhã, o ateu Satoshi fez algumas orações Shinto japonesas e enterrou todas as insígnias que tinha com ele e que uma vez pertenceram a aventureiros que Clementine torturou e matou.

Cada uma das insígnias foi uma vez vestida como um troféu por Clementine , que prendeu aqueles itens de identificação nas roupas dela e que ostentava aquela bizarrice com orgulho.

Enquanto enterrando algumas insígnias de prata, Satoshi se lembrou de sua amiga Ninya e pensou que ele ficaria muito puto se ela morresse uma morte em dor nas mãos de uma doida, assim como, Satoshi tinha certeza, muitas pessoas ficaram putas com a morte dos donos destas insígnias que ele estava enterrando.

Clementine é uma vadia louca, uma assassina cruel, uma safada que senta com gosto e que faz um boquete mágico...

No entanto, o mais importante nessa frase é que ela era uma 'Assassina Cruel' e Satoshi ia se esforçar para nunca esquecer que ela tinha esse rótulo com ela.

Depois de fazer um breve minuto de silêncio para os mortos, Satoshi falou em voz alta, para ninguém em especial.

"Vocês não precisam se preocupar... ela não viverá só de gozo."

Apesar de que, no que dependesse dele, ela ia gozar muito mais na vida dela do que qualquer outra mulher dessa cidade, mesmo no caso das profissionais da cidade que têm por trabalho diario o sexo serem consideradas como elementos da amostra.

Porém Satoshi, entre a concessão de um orgasmo ou outro para Clemetine, sempre faria questão lembrá-la da condição dela como Toilet Humano e Escrava Sexual dele, lembrar ela que, pelos crimes bárbaros dela, ela foi reduzida a um mero objeto de foda e que não era mais uma pessoa.

Satoshi então deixou para trás aquele túmulo improvisado partindo para fora do cemitério.

Era hora de deixar o Vampiro Famicom de lado e encenar o papel dele em E-Rantel como o Aventureiro Atari.

- PARTE DOIS -
Em um quarto de Hotel

Depois que saiu do cemitério, Satoshi cruzou a cidade rumo à estalagem de luxo onde estava hospedado, o Pavilhão Dourado.

Durante todo o caminho que percorreu, um pensativo Satoshi fez considerações sobre quais passos ele tomaria neste novo mundo de agora em diante.

A ideia original de Satoshi foi fundar uma cidade para si mesmo na área de selvageria que era a Floresta de Tob, ele esperava que passariam meses, talvez um ano inteiro, antes que a cidade dele entrasse em contato com os países vizinhos.

Mas aquilo não aconteceu, pelo contrário, no dia seguinte a ele comunicar a decisão de fundar uma cidade para Miya, os líderes da Cidade Humana de E-Rantel já sabiam da cidade dele e discutiam como reagir a ela.

Bom… isso ao menos serviu como um aprendizado para Miya.

Por conta desse fato, Satoshi tinha agora que formar laços com os países vizinhos ao mesmo tempo em que erguia a cidade dele.

A cidade de Satoshi era praticamente uma recém-nascida, mas, como a existência dela foi exposta tão cedo, ela agora deveria crescer aceleradamente para ter meios de se manter de pé diante de ameaças externas.

Durante todo o percurso até o Pavilhão Dourado, Satoshi considerou formas de acelerar o crescimento da cidade.

Quando ele chegou na pousada e se dirigiu aos aposentos de banho no prédio lateral, Satoshi ponderava sobre os impactos que a futura Conquista de Katze, que ele planejava realizar nos próximos dias, teria na Famicômia.

O fato é que segundo Khazi-chan, dentro das Planícies de Katze havia uma gigantesca Metrópole, ou melhor, uma gigantesca Necrópole.

Segundo aquele Vampire Lord careca, naquela Necrópole de Katze viviam milhares de mortos-vivos inteligentes que usavam centenas de milhares de mortos-vivos menores como ferramentas e que também criavam como gado dezenas de milhares humanos e semi-humanos.

Khazi-chan havia dito que os seres vivos de lá eram usados como uma fonte suprimento tanto para Energia Negativa Ativa, quanto para Almas, além de também serem usados como objetos de teste em experimentos necromânticos.

Satoshi apenas podia imaginar quão infernal era a vida daquelas dezenas de milhares de pessoas.

Porém, uma vez que ele conquistasse esse pequeno país escondido que era a Necrópole de Katze, ele daria um melhor destino para aquelas pessoas em sofrimento recebendo elas na Famicômia. Ele ainda planejava transferir de Katze para Famicômia muitos milhares de mortos-vivos entre os que são usados como ferramentas para realizar trabalho repetitivo e bruto na cidade dele.

Com tantas mãos novas que a cidade teria, entre mãos vivas carnudas e mãos mortas-vivas ossudas, Satoshi estava certo que a trabalhosa Muralha de Miya, cuja construção tanto ocupava a Eidolon dele, estaria pronta em questão de semanas.

Depois que terminou de se lavar e saiu da banheira, Satoshi foi até o espelho de corpo no canto daquele aposento de banho e olhou brevemente o corpo de Atari dele.

Com cabelos e olhos negros, aquele corpo humano se destacava muito nesta cidade.

Ele ficou sabendo que pessoas de cabelos negros eram raras por aqui e que este tipo de cabelo só era mais comum em uma Diocese Sul da Teocracia de Slane e nos diversos países que havia ao sul daquele país.

Enquanto se vestia para sair dos aposentos de Banho, Satoshi ponderou sobre as nações deste mundo onde foi jogado.

O 'Mapa Mundi' que ele teve acesso do Loot dos Oito-Dedos, e que mais parecia um mapa regional, mencionava apenas sete países, sendo que a República de Argland e a Aliança de Karnassus eram os únicos de maioria Semi-Humana.

Em compensação, o mesmo mapa tinha muitas dezenas de marcas, as quais segundo Tsuki, representavam 'tribos', 'nações' e 'povos', a maioria deles de não-humanos, seja na fronteiras dessas sete nações ou mesmo no interior delas.

Para Satoshi aquilo indicava que as fronteiras nacionais aqui não eram consolidadas e também significava que a inimizade natural entre humanos e não-humanos era tão grande que durante todo tempo não houve nenhuma iniciativa para um início de diálogo nacional ou o estabelecimento de relações diplomáticas iniciais entre nações humanas e não humanas.

Em seu íntimo, Satoshi planejava se aproveitar do isolamento dessas numerosas áreas cinzas, presumivelmente mais atrasadas, para fazer delas alvo de conquista, apenas como ele estava fazendo atualmente com a Floresta de Tob e que faria em breve com as Planícies de Katze.

Mas, enquanto nisso, ele deveria também se preocupar com as ações resposta das sete grande nações já consolidadas da região.

Aquelas sete nações eram: Re-Estize, Baharuth, Slane, Karnassus, Argland, Roble e Iridea.

Sendo que os dois últimos, o Reino Sagrado de Roble e o Reino Iridescente do Dragão, apesar de não possuírem muitas informações deles registradas nos mapas que ele teve acesso e de serem geograficamente isoladas, eram ainda assim nações humanas de tamanho significativo.

Depois que ele saiu dos aposentos de banho, ele se informou brevemente com a ruiva da recepção sobre algo e, logo depois daquilo, Satoshi começou a subir as escadas rumo ao quarto andar onde ele era esperado.

Das sete grandes nações da região, a Teocracia era, aparentemente, a mais poderosa e, infelizmente, ela já era uma inimiga de Satoshi, sendo que não havia nada que pudesse ser feito para consertar isso.

Em duas semanas Satoshi teria um encontro com representantes da Teocracia e, ao que tudo indicava, aquele seria um encontro sangrento onde o início de uma inimizade duradoura seria selada.

Mas também seria nesse encontro que Satoshi esperava ter a chance de aleijar a capacidade de luta daquele inimigo natural da cidade dele, que era a Teocracia, de uma forma tão eficiente que aquele país não seria capaz de apresentar qualquer ameaça para Famicômia nas próximas décadas.

Já quanto a Re-Estize e Baharuth, Satoshi tinha esperanças de fazer deles nações aliadas.

Foi com esse pensamento que ele entrou no corredor do Quarto Andar.

O Quarto Andar do Pavilhão Dourado tinha apenas doze quartos de hóspedes, sendo que pelo que Satoshi sabia, neste momento presente, aquele andar tinha alguns convidados ilustres hospedados nos quartos dele.

Um destes convidados ilustres era a Equipe de Cinco Aventureiras Adamantina conhecida como Rosas Azuis. O outro convidado ilustre era o Vice-Ministro da Magia de Baharuth que estava acompanhado de seus alunos passando pela cidade rumo à Teocracia.

Como Satoshi ia em direção ao quarto no final do corredor principal do andar, onde a recepcionista ruiva disse que o Vice-Ministro Vux estava hospedado, ele teve que passar pela frente da porta do quarto de Lakyus.

Um pouco na cara dura, ele parou na frente da porta para ouvir o interior, mas aparentemente o quarto estava vazio. Apenas depois de constatar aquilo, Satoshi foi em direção ao final do corredor.

Em frente a porta no final do corredor, quatro homens em roupas aventureiras de qualidade estavam de pé em guarda.

Satoshi se aproximou já imaginando do que se tratava.

"Olá, camaradas Aventureiros, sou Atari, tenho um apontamento com o Vice-Ministro para… dez minutos atrás."

Ontem, Satoshi tinha acordado se encontrar com Anather Vux, para outra cansativa sessão de perguntas antes do ministro partir da cidade esta tarde.

"Oh, então você é Atari-san! Bom te conhecer, sou Ribart das Oito Ondulações, mas você está um pouco atrasado, hein? Esse cheirinho de sabão... tava batendo uma no banho e perdeu a hora, Atari-san?"

Um dos homens, aparentemente o ladino do grupo, com o qual Satoshi falava pela primeira vez, respondeu aquilo sorrindo para ele enquanto fazia brevemente um gesto com a mão que lembrava o ato masturbatório.

Em resposta aquilo, um outro homem, aparentemente um Clérigo do Deus da Terra, deu um sonoro tapa a nuca do Ladino antes de falar com Atari.

"Ignore esse panaca, Atari-san. Vux-sama já está te esperando, a propósito, nosso Líder estará com vocês hoje."

Depois de dizer isso ele bateu na porta ritmicamente e depois de alguns segundos uma jovem em um uniforme escolar verde claro, que Satoshi conhecia como a fofa estudante de magia Palema, abriu a porta e conduziu Satoshi para dentro.

Isso é bem grande… deve ter sido caro.

Aquele era o quarto de Vux, um quarto que era ainda maior que o de Lakyus e que de tão bem mobiliado fez Satoshi se perguntar se aquele não era o quarto mais caro da pousada.

Quando Satoshi entrou naquele quarto havia nove pessoas nele.

Os nove eram o velho mago Vux, os sete alunos da Academia de Magia do Império que acompanhavam o Vice-Ministro na Comitiva dele para a Teocracia e, por último, um dos Aventureiros do Grupo de Adamantina Oito Ondulações que foram contratados para escoltá-los.

Entendo… o líder é bem mais forte que os caras lá fora, ele está no nível das Gêmeas.

O líder do grupo aventureiro era um homem loiro muito bonito, que aparentemente já estava no ínicio dos trinta. Assim como a persona humana de Satoshi nesta cidade, o aventureiro Atari, aquele homem era um mago.

Ele estava vestido elegantemente com roupas de conjurador e, segundo a habilidade racial passiva de Satoshi, {Level Evaluation}, ele estava no Nível 26 e tinha uma insignia de Adamantina enquanto todo os quatro aventureiros lá fora estavam entre os níveis 22 e 24 e ostentavam insígnias de Oricalco.

"Ah! Atari-dono! Que bom você ter chegado agora, veja, hoje trouxe para nosso encontro um antigo aluno meu na Academia que dirijo, este é Dalton Machinea Dale Gryad, um dos maiores jovens talentos arcanos de meu país e que apesar disso, incompreensivelmente, decidiu se tornar um aventureiro..."

"Sensei, sensei, você pode continuar me censurando por isso, mesmo que já tenham passado oito anos inteiros, mas há muitas coisas no mundo que não se aprende em uma biblioteca..."

"Isso é óbvio, Dalton! Mas no Ministério você não ficaria restrito a uma biblioteca, você poderia organizar pesquisas em laboratório e em campo..."

"Sensei… Eu estou muito bem vivendo minha vida em liberdade, por favor não me ofereça uma coleira ingrata novamente..."

"Incompreensível, realmente uma escolha incompreensível, com o status da sua família e seu talento para magia você poderia galgar muito… mas bem, que seja, vê Atari-dono? Infelizmente, há muitas semelhanças entre este meu aluno e você, não é?"

Vux perguntou isso a Satoshi.

Satoshi se perguntou o que responder aqui.

Aparentemente Vux ia querer traçar similaridades entre este Dalton e Atari para mostrar a Atari que o futuro dele como aventureiro não era lá muito recompensador.

Muito antiético senhor Vux, para usar um ex-aluno teu dessa forma...

"Realmente, vejo algumas semelhanças, Vux-sama, atrás dos olhos de ambos de nós, há um cerne Aventureiro, uma sede por descoberta e liberdade..."

"Um cerne de desperdício, isso sim! Bem… mesmo assim, como somos todos nós três magos de 4º Nível, espero que nossa conversa hoje seja proveitosa, por favor, tome um lugar, Atari-dono."

Quando disse as palavras '4º Nível', Vux deu uma piscadela para Satoshi, aquilo claramente indicava que Vux estava avisando que o segredo de Atari ser um mago de 5º Nível estava bem guardado com ele.

Vou fingir que acredito em você senhor Vux...

Ainda que Vux mantivesse isso em segredo, o que era impossível dado que ele tinha responsabilidades e superiores hierárquicos, ainda havia os sete alunos com ele que também sabiam daquilo.

Satoshi até temia que, infelizmente, em apenas alguns meses, ou mesmo semanas, isso fosse amplamente conhecido em E-Rantel.

Ainda assim… esse aventureiro também é um conjurador no 4º Nível, ontem Vux disse que oito pessoas podiam fazer isso em Baharuth e que só uma delas estava fora do ministério...

O Império de Baharuth investia pesado em formar usuários de magia arcana, o principal destino dos magos de talento mediano formados era o exército, já quanto aos poucos magos que se mostravam muito mais talentosos que a média dos formados, esses eram indicados para o Ministério da Magia.

A sociedade civil geralmente ficava com os magos abaixo da média, mas é claro que havia muitos magos talentosos e medianos que não se amarravam ao governo do Império e que preferiam viver por si mesmos.

Durante a conversa deles, Satoshi aprendeu que esse aventureiro Dalton Machinea Dale Gryad era o caso mais extremo disso.

Ele era o quarto filho de um antigo membro dos Quatro Grandes Nobres do Império, o outrora poderoso Duque Gryad, e teve o pai dele enquadrado e decapitado durante os Três Anos de Expurgos que sucederam a posse do Imperador Jircniv Rune Farlord El Nix.

O sucessor do Ducado, o irmão mais velho de Dalton, não teve a chance de suceder o pai, pois foi acusado pela corte imperial de participar do mesmo plot e foi decapitado poucas semanas depois do antigo Duque.

Coube ao Segundo Filho, o qual sempre foi um inapto, o papel de assumir o Ducado de Gryad e se tornar um fantoche da Corte Imperial.

Satoshi não tinha certeza, mas, pelo que entendeu de um trecho da conversa com os dois, uma das irmãs de Dalton foi obrigada a 'servir no palácio do Imperador' contra a vontade dela, Satoshi não sabia o que isso queria dizer exatamente, mas ele suspeitava que ou ela estava servindo lá como empregada ou como uma das mulheres do harém do Imperador Jircniv.

Satoshi lembrou que certa vez ele chegou a ouvir uma conversa de bêbado aqui em E-Rantel, onde um homem afirmava que o harém do Imperador Jircniv era composto de cem mulheres de famílias nobres que ele expurgou e de cem filhas de comerciantes que ele elevou a nobreza.

Isso é obviamente impossível… se fossem tantas mulheres ele não teria tempo de governar o país.

Dado o destino humilhante que foi imposto pelo Imperador a centenária família dele, não era de se estranhar que Dalton se negasse a trabalhar para o Ministério da Magia ou mesmo como um colaborador do Ducado Fantoche do Irmão dele.

Ele então deixou de frequentar por completo os círculos nobres e passou a viver o dia-a-dia dele como um Aventureiro, formou uma grande equipe de Oito Membros e agora liderava um dos únicos dois times de Adamantina do Império, a equipe Oito Ondulações.

A Conversa dos três durou três horas, nas quais Satoshi teve que opinar bastante sobre questões sobre Kuro e a Famicômia, falou muito sobre o passado fake dele como Atari e, como um bônus, obteve daqueles dois novas informações sobre Império.

A conversa em si foi desgastante demais, já que Satoshi tinha que ficar atento às cada vez mais confusas e emaranhadas redes de mentiras que teceu.

As piores aranhas são aquelas que ficam presas nas próprias teias… isso serviria muito bem como ditado popular, não?

No final daquelas três horas onde manteve atenção absoluta ao que dizia, um Satoshi desgastado se despediu de Dalton e Vux e, antes de sair do quarto do Velho Mago, deu uma última longa olhada para o aluno Alonzo que, tal qual ontem, tinha entranhado nele o cheiro íntimo de uma das duas jovens alunas naquele quarto, que era a garota que atendia pelo nome de Frianne.

Será que esse Alonzo é realmente o Alonzo de Helenda? Eu não ouvi Helenda comentar nada sobre isso na festa que tivemos no dia da promoção...

Satoshi pensou que talvez esse Alonzo fosse mesmo o Alonzo de Helenda e que ele não pagou sequer uma visitinha para a namorada dele na cidade durante a estadia dele em E-Rantel.

Também era possível que, talvez, ele até tivesse visitado ela, mas fez isso no momento final da estadia dele e fez isso apenas para terminar em definitivo o relacionamento dos dois.

Satoshi realmente esperava que, se fosse o caso de um término, a amiga dele, que estimava tanto esse gordo peludo, estivesse atualmente bem com isso e não estivesse aos prantos.

Já fora do quarto de Vux, pensando essas coisas enquanto caminhava pelo corredor do Quarto Andar rumo as escadas, Satoshi teve que passar novamente em frente ao quarto de Lakyus.

Foi naquele momento que ele jogou qualquer pensamento de lado e parou surpreso na frente da porta daquele quarto.

Havia sons vindo de dentro do quarto.

E eram sons molhados, rítmicos e lascivos feitos por um casal.

Gemidos baixos femininos, respiração pesada masculina e o lamento de uma cama que recebe o impacto de dos corpos se unindo em cima dela.

Não havia dúvidas, aquele era o som de uma foda bem feita!

O que é isso?! O que diabos está acontecendo no quarto de Lakyus-chan!

Um pouco apavorado, Satoshi ajoelhou na frente da porta do quarto para olhar pela fechadura.

Mas a chave do quarto estava na fechadura e ele não conseguiu ver nada.

Ele entrou em pânico.

Tina! Isso é coisa de Tina! Ela deve ter trago alguém para o quarto de Lakyus-chan!

Está certo que Tina era, assumidamente, uma camarada jardineira e florista, mas talvez ela tivesse deixado as flores de lado por hoje para finalmente experimentar bananas.

Isso! É isso! Não há como ser Lakyus-chan!

Enquanto a mente dele buscava explicações para os sons que ouvia saindo do quarto de Lakyus, Satoshi sentiu que vários pares de olhos estavam sobre ele e, quando olhou o final do corredor, viu que Dalton tinha saído do quarto para falar com os quatro membros da equipe dele que estavam de guarda na porta.

Os cinco estavam agora olhando com estranheza para Satoshi que estava ajoelhado no chão do corredor em frente ao buraco da fechadura de um dos quartos daquele andar.

Satoshi rapidamente se levantou e disfarçou, mas quando olhou novamente para a porta fechada ele tornou a ouvir o que para ele eram torturantes sons de uma foda bem dada saindo do quarto de Lakyus.

Ele entrou em pânico de novo.

Isso não é possível… sim, sim, é totalmente impossível! Não há como ser Lakyus-chan! Evileye! Ela compartilha esse quarto com Lakyus-chan! Sim, deve ser Evileye! Ela deve ter usado alguma habilidade de vampiro para fisgar alguém ou encontrou um lolicon de rua que ofereceu um doce para ela...

Mas Evileye era uma virgem.

Mais do que uma simples virgem, Evileye tinha 235 anos de virgindade a mais do que Lakyus, algo digno de uma medalha.

Talvez seja Gargaran! Isso! Com certeza deve haver homens neste mundo, onde existe magia e dragões, que gostem de mulheres cheias de músculos…

"Atari-dono, está tudo bem com você? Você está pálido..."

Satoshi ouviu alguém entre os cinco homens da equipe Oito Ondulações, que tinham cruzado o corredor até onde ele estava, perguntar aquilo com uma voz preocupada.

Merda! Eu queria lançar uma magia para ver dentro do quarto, mas com eles aqui vai ser impossível!

Aquela magia era uma magia de nível alto que a persona dele como Atari nunca poderia saber, se Satoshi lançasse aquilo ele acabaria por destruir o disfarce de mago de nível inferior que vinha construindo nesta cidade.

Ele então teve uma realização brilhante.

Satoshi se virou para os cinco aventureiros que olhavam para as ações estranhas dele com caras mistas.

Ele lembrou que quatro daqueles aventureiros ficaram de guarda na porta de Vux todo aquele tempo.

"Vocês… vocês quatro viram quem entrou neste quarto enquanto eu estava conversando com Vux-sama e Dalton-dono?"

"Claro que vimos, nós estávamos de guarda logo ali."

"Foi um casal bem fogoso, né? Estavam quase se despindo no corredor... o cara parecia um nobre, mas não parecia grande coisa. Mas cara… aquela beldade loira de olhos verdes, aquela era uma mulher divina, não era?"

"Ei, ei, Ribart, pelos deuses, escute isso… você tá ouvindo isso que eu to ouvindo por esta porta?!"

"Claro que eu estou, meu ouvidos são afiados para as atividades da noite! Hehe… pelo jeito o cara deve tá metendo o pau dele com força nela agora! Acho que aquela loira divina deve tá virando os olhinhos verdes dela!"

"Ei, ei, isso agora foi uma pausa? Hoho! Meu sentidos de Ranger dizem que ele botou ela de quatro, pelo jeito tá na hora deles fazerem o doguinho, hehe..."

"Opa, opa, essa diminuição do ritmo, quase como se começasse de novo… ele tá botando atrás, Ray?

"Esteja certo disso, dou minha palavra como Ranger Oricalco como garantia, aquela loira divina de olhos verdes tá de quatro e aquele nobre tá socando a rola no cuzinho dela agora..."

Os quatro membros que antes vigiavam a porta de Vux estavam agora com os ouvidos colados na porta do quarto de Lakyus tecendo comentários infelizes que faziam imagens aterradoras surgirem na mente de Satoshi.

Lakyus-chan...

O coração da atual forma humana de Satoshi estava prestes a ruir ao imaginar que a Crush dele estava agora do outro lado desta porta levando ferro de um nobre idiota qualquer no meio do bunda dela.

Por que Lakyus-chan...

"Vocês quatro! Se comportem! Porra Derick, você é um padre!"

Ao lado de um Satoshi arrasado, Dalton colocava os aventureiros do grupo dele na linha.

"Tsk, vocês são uma perda mesmo, fazendo essa vergonha na frente de Atari-dono! Não vou deixar ninguém ir pro puteiro de Madame Saleh quando chegarmos em Kami Miyako!"

Ouvindo aquela ameaça os quatro se separaram da porta e pararam de tecer comentários vulgares que serviam apenas para fazer imagens desagradáveis saltarem na mente de Satoshi.

"Perdoe minha equipe, Atari-dono, eles são uns cachorros no cio, metade do que recebem eles gastam nessas coisas, me devem até dinheiro esses canalhas… mas está tudo bem com você Atari-san? Você por acaso conhece a moça?"

Satoshi, que ainda estava muito abalado e pálido, teve forças apenas para concordar com a cabeça.

"... vish, entendo muito bem seu caso, Atari-dono. Bom, cedo ou tarde esse tipo de coisa sempre acontece com quem leva uma vida agitada como a nossa. Te falo isso com a experiência de quem tem uma extensa coleção de galhos, você deveria apenas dar um esculacho nessa mulher e partir para outra dama sem arrependimentos, essa é a melhor abordagem aqui, vai por mim, não vale a pena insistir em uma mulher infiel. Atari-dono é realmente uma pena que nós vamos partir hoje! Senão nós poderíamos te ajudar a esquecer isso em um bordel, numa boa Festa para Aventureiros!"

Satoshi ouviu Dalton falar com ele cheio de solidariedade, mas ele teve a impressão de que "Festa para Aventureiros" era apenas um nome alternativo para uma suruba.

E também, o que esse cara está dizendo? Eu e Lakyus-chan nem somos um casal, é apenas que, que... por que fazer isso Lakyus-chan!

Sem dizer uma única palavra, um Satoshi derrotado e com o coração partido, deu um fraco tchau com uma das mãos para aqueles cinco membros da Oito Ondulações e, depois de dar as costas a eles, foi em direção às escadas com a cabeça baixa.

"Tsk, esqueça essa vadia, Atari-san!"

"Deixa essa piranha para lá, Atari-san!"

"Isso mesmo, ela é só um puta suja!"

"Isso é certo! Essa vagabunda é só uma cadela imunda que está sujando o antigo quarto da Deusa das Rosas Azuis!"

Os comentários feitos pela Oito Ondulações, que deviam ser um incentivo para Satoshi, se resumiam basicamente a um agregado crescente de ofensas machistas à figura feminina de Lakyus, o que irritou Satoshi demais.

Mas um dos comentários chamou a atenção de Satoshi e ele se virou para um dos aventureiros rapidamente com esperança.

"Como assim 'antigo quarto', Derick-san? As Rosas Azuis deixaram o Pavilhão Dourado?"

"Hã? Foi isso mesmo, Atari-san. Acho que elas estavam desperdiçando dinheiro aqui, pelo menos foi o que Gagaran me disse, entre uma cerveja e outra, era muito mais em conta para elas se hospedar na casa do prefeito..."

Ouvindo aquilo, Satoshi não pode deixar de sorrir quando sentiu uma luz tocar o coração dele que estava em trevas.

Ele então deu as costas para aqueles cinco e partiu correndo pelo corredor, descendo as escadas de três em três degraus e indo até a recepção do Pavilhão Dourado.

Uma vez lá, ele perguntou à recepcionista ruiva sobre as Rosas Azuis e ficou sabendo que elas, de fato, tinham deixado a hospedagem no fim da tarde de ontem.

Quando o alívio tomou conta dele, ele, de repente, se sentiu culpado.

Como eu pude tão facilmente duvidar da honra de Lakyus-chan!

Enquanto deixava o Pavilhão Dourado, Satoshi tinha uma dúvida séria.

Um homem de pouca fé, como ele se mostrou ser, era realmente qualificado para cortejar a virtuosa Lakyus?

- PARTE TRÊS -
Relaxando na Guilda de Aventureiros

Depois que saiu do Pavilhão Dourado, Satoshi foi em direção a propriedade recém-adquirida dele nesta cidade, a antiga pensão da Gentil Senhora, que, quando pertencia a antiga dona, se chamava Flor ao Vento.

Três dias atrás ele tinha adquirido aquele prédio e, de acordo com o negócio acordado com a outra parte, o prédio deveria estar sendo reformado neste exato momento para que preenchesse as necessidades que um orfanato para até cinquenta crianças exigia.

Assim que chegou em frente a construção, Satoshi pode perceber graças aos sentidos aguçados dele que pelo menos uma dezena de pessoas estava trabalhando no interior daquela obra de reforma.

Satoshi encontrou Bastian parado na entrada principal do prédio, analisando um papel amarelado que parecia ser um esboço simples.

Bastian era o filho da antiga proprietária e foi ele que fez negócio com Satoshi, sendo ele portanto o responsável pelas obras de reforma do Flor ao Vento.

Satoshi se aproximou de Bastian e comprimentou aquele homem, o qual ficou muito animado ao ver que Satoshi finalmente deu um sinal de vida na obra.

Conversando com Bastian, ele ficou sabendo que não haveria problemas na entrega da construção que foi planejada inicialmente para daqui a uma semana, de fato, talvez houvesse um adiantamento na entrega de dois ou três dias.

Ouvindo aquilo, Satoshi decidiu então percorrer junto com Bastian o prédio em obras para definir coisas específicas que tinha em mente para o orfanato, dando novas ordens para a obra em andamento e recebendo as muitas sugestões do encarregado.

Dentre as principais sugestões de Satoshi estava a duplicação da área cercada de banho para que aquilo passasse a atender os dois gêneros de forma separada, a construção de paredes e telhados nas duas áreas de banho para que elas se tornassem salas de banho, e a ampliação de ambas as novas salas de banho para que fosse possivel usar uma banheira para cinco pessoas em cada uma delas.

No projeto original a única sala de banho era pequena, e não tinha banheira, a ordem de Satoshi fez ⅕ do pátio da estalagem ser ocupado pelas salas de banho.

Quando Bastian informou a ele da impossibilidade de manter banheiras desse porte, Satoshi garantiu a ele que tinha encomendado artefatos mágicos que geram água quente e que os custos dos artefatos seriam cobertos por Satoshi, sem envolver o orçamento da reforma, o que deixou o homem mais tranquilo e também um pouco maravilhado.

O fato é que Satoshi não tinha encomendado nada disso, mas como nos próximos dias ele planejava ir ao Império então ele buscaria esse tipo de Item Mágico lá.

Segundo o que Vux tinha dito para ele, enquanto em toda E-Rantel apenas o Pavilhão Dourado oferecia banhos de água quente, no Império de Baharuth, mesmo pensões medianas faziam isso, tudo graças aos artefatos produzidos em grande quantidade pela 'avançada pesquisa arcana de Baharuth' e que eram vendidos abertamente no Mercado Maior de Awintar.

Satoshi também ordenou outras coisas, como o aumento do número de latrinas e a construção de dois cômodos para uma sala de aula e uma pequena biblioteca.

Aquilo consumiria outro quinto da área do pátio da estalagem, mas ele achou muito necessário que as crianças tivessem uma 'área sagrada do conhecimento'.

Com as mudanças de Satoshi, a data de entrega voltaria a ser inicialmente combinada, ou seja, uma semana a partir de hoje.

Depois de passar meia-hora orquestrando essas coisas com Bastian, Satoshi considerou que quando o prédio ficasse pronto aquilo cumpriria plenamente as funções como a casa de cinquenta crianças órfãs.

Apesar da proximidade da inauguração, a verdade, no entanto, é que desde a compra do prédio, Satoshi não se movimentou um centímetro para contratação de um staff ou para selecionar as crianças entre as muitas que vagam nas ruas.

Isso pode parecer um descaso dele e, de certa forma, era isso mesmo, porém havia um motivo para ele não ter começado a tomar medidas sobre essas coisas e esse motivo era que, segundo os planos dele, essas tarefas não seriam responsabilidade dele.

Satoshi planejava eventualmente delegar essas tarefas para uma outra pessoa e vendo o andamento das coisas aqui na Flor ao Vento talvez já estivesse na hora libertar alguém para ser a futura administradora do orfanato.

Mais tarde, quando eu for a Instant Fortress, vou ter alguém responsável por isso...

Estando satisfeito com sua inspeção da reforma, Satoshi se despediu de Bastian e foi em direção a Guilda de Aventureiros em busca de uma missão.

Apenas dois dias atrás, Satoshi se tornou o único aventureiro de Oricalco da Cidade de E-Rantel, esse fato sozinho abriu um novo leque de possibilidades de solicitação de missões para a população da cidade.

Apesar do curtíssimo período de tempo desde a promoção dele, Satoshi estava curioso para saber se alguma missão de Oricalco já tinha sido posta na Guilda.

Depois de vários minutos de caminhada, ele finalmente chegou ao prédio da Guilda e entrou no Salão dos Aventureiros, ele então, como de costume, sentiu o ar do ambiente mudar logo depois da chegada dele.

Cada vez que entro aqui fico mais certo de uma coisa e essa coisa é o fato de que Aventureiros são, antes de tudo, murmuradores...

Satoshi pensava isso enquanto ouvia os murmúrios e conversas sobre ele que os presentes no salão faziam conforme ele cruzava aquele aposento enorme até a recepção.

Era estranho que ninguém aqui o parabenizasse pela promoção dele ou que começasse uma conversa com ele. Satoshi considerou que como ele não se enturmou com seus colegas quando era de ranking baixo, agora que o ranking dele era o maior da guilda, nenhum dos colegas aventureiros dele se sentia confortável em abordá-lo.

Eu tenho um trabalho solitário...

Satoshi chegou até o balcão da formosa loira Catelina que o recepcionou com seu tradicional sorriso bonito.

"Bom dia, Atari-sama! Em que posso te ajudar hoje?"

"Ah, Olá Catelina-san… hoje vim apenas verificar se há algo novo por aqui, talvez alguma missão Oricalco ou alguma outra novidade?"

A recepcionista loira pôs o dedo indicador nos lábios fazendo uma pose pensativa e sexy antes de responder a pergunta dele.

"Uhm… acho que não temos nenhuma missão de Oricalco há uma década, penso que isso ainda não mudou mesmo com a promoção recente de Atari-sama, talvez no futuro próximo surja algo neste ranking, mas enquanto isso não acontece, existem algumas alternativas plausíveis para Atari-sama… aqui, além das missões de controle tradicionais que podem ser tomadas por todos, nós temos atualmente um recorde de duas missões de mithril e quatro de platina pendentes..."

Catelina-chan é prestativa como sempre...

Como a formosa Catelina foi a única atendente da guilda que atendeu ele desde o primeiro dia que ele chegou aqui nesta cidade, ela sabia muito bem que Satoshi era um iletrado e que era incapaz de ler qualquer coisa diferente dos numerais, por isso, muito prestativamente, Catelina informou a ele calmamente sobre conteúdo de todas missões que apresentou a ele, ela fez isso automaticamente, mesmo que ele sequer tenha solicitado.

Percebo hein… a maior parte dessas missões são demoradas, essa de escolta dura um mês inteiro!

A maioria das missões disponíveis envolviam, basicamente, duas tarefas: ou eram contratações de escoltas para comerciantes ou eram pedidos de ervas raras que só são encontradas nas profundezas da Floresta de Tob, Montanhas Fenir e, em menor escala, nas Terras de Karst.

Quanto às missões permanentes de controle, que eram basicamente uma remuneração aos aventureiros pelo trabalho de extermínio, elas se resumiam a matança monstros e semi-humanos hostis em um dos quatro campos de caça tradicionais de E-Rantel, que eram: as Planícies de Katze ao leste, as Terras de Karst ao oeste, as Montanhas Fenir ao sul e a Floresta de Tob ao norte.

Era irritante para Satoshi que a Floresta de Tob, que era um domínio pessoal dele, fosse vista como um 'campo de caça' pelos habitantes de E-Rantel.

Isso era algo que certamente seria corrigido com o tempo.

De sua parte, Satoshi já tinha instruído a Eidolon Miya a espancar e expulsar qualquer humano aventureiro que entrasse nas áreas de floresta que ela controlava, com aquele simples movimento ele esperava que em pouco tempo, a Floresta de Tob fosse removida da lista de Campos de Caça de E-Rantel.

Isso dito, atualmente parece que havia muitas missões de Platina e Mithril acumuladas na guilda.

Aquilo foi um efeito colateral da missão 'Cidade na Floresta' lançada na semana passada pela Prefeitura. Durante aquela missão, muitas equipes de Platina e Mithril tinham se machucado bastante ao serem surradas por Miya e as convocações dela.

Embora fosse muito fácil para Satoshi cumprir todas estas lucrativas missões de coleta de Ervas na Floresta de Tob, o fato de apenas ele ter acesso livre a floresta dentre todos os aventureiros de E-Rantel, poderia ser visto como algo muito suspeito e terminar permitindo que alguém fizesse uma associação perigosa entre a persona de Atari dele com a persona de Famicom.

Quanto às missões de Escoltas, aquelas eram demoradas demais e ainda pagavam menos que as coletas de Ervas Raras, se considerado o tempo investido pelos aventureiros nos dois tipos de missão.

Parece que elas eram menos lucrativas porque eram missões muito mais seguras do que as que envolviam adentrar em áreas selvagens. Nenhuma dessas missões de escolta duravam menos de uma uma semana e, uma vez que elas estivessem terminadas, cabia aos Aventureiros pegar uma missão de escolta na cidade-destino que fizesse o caminho contrário e os levassem de volta à cidade-origem.

Por esses motivos, Satoshi não se interessou por nenhuma das missões apresentadas.

Mas, apenas para não ser ingrato com a prestatividade de Catelina, ele decidiu pegar uma das missões para que a atendente se sentisse recompensada e útil depois dela ter tido um longo trabalho explicando pacientemente as missões para Satoshi

Ele escolheu então a única missão que destoava das tradicionais missões de abate, escolta de comerciantes ou coleta de ervas, e que também era a missão que pagava a maior soma.

A missão escolhida por ele era uma Missão de Platina lançada ontem e que tinha caráter de urgência, essa missão envolvia resgatar uma comerciante que foi sequestrada por um grupo de bandidos que se ocultavam nas Terras de Karst, Satoshi sabia que Krast era um lugar selvagem e sem-lei, relativamente perto daqui que era habitada por alguns semi-humanos e muitos monstros.

"... Ótima escolha, Atari-sama! Essa missão escolhida por Atari-sama foi posta na guilda ontem pela Companhia Comercial Kuruoka. Bem… como Atari-sama, já estará nisso, talvez Atari-sama se interesse por essa missão de Ranking Ouro que também envolve as Terras de Karst e que foi posta hoje de manhã pela própria guilda… aqui!"

A sempre prestativa Catelina mostrou a Satoshi uma segunda missão, essa sendo uma missão de Ouro. Aquela missão de ouro tinha sido posta pela guilda hoje e envolvia descobrir o paradeiro de uma equipe de Ferro que não retornou de uma Missão de Reconhecimento às Terras de Karst.

"Certo, pegarei ambas."

Não era proibido empilhar missões, mas caso um aventureiro não cumprisse uma missão que ele aceitou dentro do prazo estabelecido então uma multa de ½ do valor da recompensa da missão era imposta ao aventureiro.

Catelina então explicou a Satoshi todos os pormenores das duas missões, chegando a dar a ele um retrato-falado da comerciante a ser resgatada. Ao que parece, um valor pela libertação da prisioneira foi pedido pelos bandidos, mas a Companhia Comercial Kuruoka preferiu abrir uma Missão de Platina do que negociar com os bandidos.

Um pouco insensível da parte deles...

O valor da recompensa da missão poderia alcançar 40 moedas de ouro se Satoshi conseguisse prender/eliminar os bandidos e resgatar a moça.

A missão de ranking ouro por sua vez pagava 6 ouros no caso de sucesso ideal.

Satoshi então se despediu de Catelina e foi até uma mesa no saguão da guilda.

Ele decidiu aproveitar o ambiente para ler um pouco do caderno que recebeu de Tsuki no dia anterior, logo após criar Lady Veminose.

Naquele caderno, escrito em japonês, Tsuki tinha escrito tudo que ela achou relevante do depoimento do subordinado Nigurath, o outrora Capitão da Escritura da Luz Solar.

A caligrafia de Tsuki era agradável e o conteúdo revelador.

Satoshi ficou um bom tempo ali lendo aquilo e conjecturando.

Incrível… esse Nigun, ou melhor, Nigurath, foi um conspirador muito bem informado quando era um humano...

Nigurath deu uma descrição precisa das forças da Teocracia de Slane e de muitas das relíquias que aquele país possuía. Havia até uma menção ao "Downfall of Country and Castle" referido por ele como "Traje do Deus da Vida".

Lendo aquilo, Satoshi ficou sabendo de detalhes que ignorava sobre a existência dos God-kin.

Antes, quando Clementine mencionou aquilo para ele, Satoshi pensou que aquilo era apenas um título para pessoas muito habilidosas, assim como era o caso dos tais Heróis.

Por conta desse pensamento ele não se aprofundou no tema com Clementine.

Mas agora, enquanto lendo os escritos de Tsuki, ele soube que os Seis Grandes Deuses de Slane, que eram cultuados na Teocracia, tinham deixado vários descendentes que, por sua vez, eram naturalmente mais fortes que pessoas comuns e que dentre os muitos milhares de descendentes que existiam atualmente, alguns poucos deles despertavam o poder do sangue ancestral deles de forma tão avassaladora que eram considerados God-kin, ou seja, um Parente Divino.

Segundo Nigurath, atualmente, havia apenas três desses na Teocracia, sendo que dois deles estavam na Escritura Negra e um desses dois até era um velho conhecido de Satoshi, trata-se do Capitão Fedido da Escritura Negra.

E aqui, novamente, o tal monstro é mencionado...

Assim como Clementine mencionou antes para Satoshi e como o Capitão da Escritura Negra deu a entender no interrogatório de ontem, Nigurath também menciona nos registros de Tsuki que havia um 'ser monstruosamente forte' guardando os tesouros da Teocracia.

Segundo Nigurath aquele ser era uma mulher, uma garota para ser mais preciso, e aquela garota foi o primeiro caso na história de um Parente Divino que conseguiu despertar o sangue dos dois Deuses de Slane simultaneamente.

E foi justamente o sangue dos dois deuses mais fortes do panteão de Slane e que também eram aqueles que tinham os domínios mais opostos: o Deus da Vida e Luz, Alaf, e o Deus das Trevas e Morte, Surshana.

Alaf e Surshana, hein...

"Ei, o quê que você está lendo, Atari?"

Satoshi foi chamado de volta à realidade por uma voz feminina familiar.

Olhando em volta no Salão da Guilda, pouco atrás dele, Satoshi viu Tina, a gêmea ladina da Rosas Azuis, acompanhada daquela que era a personificação da beleza feminina, Lakyus Alvein Dale Aindra, a líder da Rosas Azuis.

Lakyus-chan… falhei com você hoje.

Satoshi pensou aquilo se lembrando do que aconteceu no quarto andar do Pavilhão Dourado e, ao mesmo tempo, inspirando profundamente para sentir o perfumado odor feminino de Lakyus que ele não teve a chance de sentir ontem.

Apenas depois de um longo silêncio, tempo que ele levou para conseguir amenizar de forma suficiente a intensa saudade dele por aquele incenso divino que Lakyus exalava, Satoshi respondeu a pergunta de Tina, que naquela altura já estava ficando impaciente com o silêncio.

"Apenas um livro de contos infantis da minha terra, mais precisamente estou na parte onde se narra um conto muito popular entre as meninas da corte do meu país, esse conto se chama: 'O beija-flor no bananal'."

Satoshi inventou aquilo.

Por motivos óbvios ele não podia dizer a elas que aquilo era um dossiê que continha segredos do alto escalão de um país vizinho.

"Eh? Sério isso, Atari? De todos os nomes possíveis você vem com 'O Beija-flor no bananal'? Pfft, você sempre se supera, isso é tão ridículo..."

"Tina, seja mais considerada, aquela é a cultura do país natal de Atari-san…"

Tina pareceu não acreditar nem por um segundo na mentira de Atari, não, para ser mais preciso, ela pegou com maestria a clara referência que ele fez escolhendo aquele nome.

O que é teu está guardado nas minhas calças Tina… então, vamos, canse logo de ficar beijando flores por aí e venha procurar minha banana.

"Precisamente, Lakyus-san. Essa é a cultura popular do meu povo, então por favor, Tina, seja mais respeitosa com minha terra natal, o povo de Helheim sempre foi conhecido pelas bananas incríveis que sempre possuiu e eu não posso permitir que você critique nossa especialidade natal sem ter provado, pelo menos uma vez, uma das incríveis bananas de Helheim."

Satoshi disse aquilo olhando Tina nos olhos com um leve sorriso no rosto dele. Para surpresa dele, ela também deu um um breve sorriso antes de virar o rosto divertida.

Ora, ela estava tão irada ontem… por que a mudança de humor?

Da última vez que Satoshi viu Tina ela estava esfaqueando ele com os olhos de tão irada que estava com ele, mas agora ela estava bem humorada e com um ar divertido diante das provocações dele.

Uhm… será que estou novamente na 'zona de strike' dela?

Satoshi tinha certeza que descobriria isso em breve.

"Bom… isso dito, para mim é sempre um prazer agradável encontrar vocês das Rosas Azuis, mas estou muito surpreso de ver vocês aqui, pensei que estavam em uma missão para o prefeito."

Pelo que Satoshi soube ao visitar Kuro ontem, as Rosas Azuis estavam de guarda na mansão do prefeito. E, pelo que ele aprendeu com as Oito Ondulações hoje, elas tinham até mesmo abandonado os quartos no Pavilão Dourado e se hospedado na casa do velho bulldog Panasolei.

O prefeito ainda aguardava ordens da capital sobre como lidar com o enviado da Cidade da Floresta e tinha empregado elas como agentes de segurança para ele.

Além disso, graças ao encontro de ontem com Tina, Satoshi sabia que as Rosas Azuis tinham uma segunda missão, e esta era uma missão que muito o incomodava.

"Oh, bem, Atari-san, na verdade nós viemos aqui apenas para conversar com o Mestre da Guilda sobre uma missão paralela que nos foi oferecida dois dias atrás. Mas, sabe, foi muito bom encontrar você aqui, nós podemos sentar com você um pouco para conversarmos, Atari-san?"

Uhm… Lakyus-chan é tão docemente transparente.

Estava claro para Satoshi sobre o que elas queriam conversar.

Muito provavelmente o último encontro dele com Tina não tinha sanado as dúvidas sobre uma possivel relação da persona de Atari dele e o desaparecimento das pessoas dos Oito Dedos.

"Uhm… pelo tom de Lakyus-san acho que deve ser uma conversa sensível, que tal nós três irmos para uma das Salas de Conferência da Guilda, para uma maior privacidade?"

Ao redor deles no salão havia muitas pessoas, entre Aventureiros, trabalhadores da guilda e civis, sendo que mais da metade daquelas pessoas tinham algum grau de atenção nos três deles. Aquilo era compreensível, afinal, aquelas duas damas com ele, além de belas mulheres, eram também duas Aventureiras Adamantinas famosas, e elas tinham saído do caminho de estrela delas para conversar com o novato em ascensão meteórica e o único Aventureiro Oricalco da cidade, que era ele.

Era apenas natural que a reunião dos três chamasse a atenção da plebe naquela terra de murmuradores.

"Essa é uma ótima idéia, Atari-san. Não se preocupe que será rápido, eu só quero tirar uma dúvida que me ocorreu há agora a pouco. Prometo."

Lakyus parecia estar um pouco indecisa se deveria fazer perguntas a ele sobre aquele assunto.

Talvez ela não tivesse suspeitas significativas dele e estivesse receosa de ser inconveniente gastando o tempo dele com perguntas desnecessárias.

Os três saíram do salão enquanto todos os aventureiros murmuravam olhando o grupo deles. Satoshi guiou o caminho, como o cavalheiro que era, até uma sala de conferência vazia dentre as muitas destinadas a encontros de equipes de aventureiros.

Os três então sentaram na mesa no centro da pequena sala de conferência.

"Bom… então, o que você quer saber, Lakyus-san?"

"Atari-san, a verdade é que nós também estamos investigando para a guilda o desaparecimento de pessoas que houve aqui em E-Rantel a alguns dias."

"Sim, vejo, até mesmo Lakyus-san está nisso?"

"Bem, para ser precisa, Atari-san, na nossa equipe apenas Tina e Tia estão trabalhando nessa missão, eu estou no grupo que guarda a casa do prefeito, saí hoje apenas para reportar ao mestre da guilda, mas como vi Atari-san, não pude deixar de lembrar de algo…"

Pelo jeito que Lakyus falava, parece que ela não tinha sido informada por Tina do encontro que a ladina gêmea que vestia uma fita vermelha no cabelo teve com Satoshi ontem.

Satoshi olhou para Tina, mas enquanto Lakyus falava com Satoshi, a ladina Gêmea só olhava pela janela da pequena sala com um sorriso no rosto dela e uma das mãos no queixo, cobrindo parcialmente os dentes brancos da boca divertida dela enquanto matutando algo.

Será que ela não comentou nada com Lakyus? Mas por que ela ia omitir isso da líder da equipe dela...

"... se me lembro bem, quando nos encontramos pela primeira vez no 'Sre Drè Pah' e você pagou a conta de nossa equipe você fez isso em gratidão a Tina que tinha te salvo, não é?"

"Correto, naquela época eu tinha sido perseguido por bandidos..."

"Ah, foi isso mesmo, Chefe Maligna! Quando encontrei Atari aquele dia ele tinha sido encurralado em um beco sem saída escuro por bandidos dos Oito-Dedos, onze deles, quatro deles eram tão habilidosos quanto platina e me deram muito trabalho, a cena que vi naquele beco foi uma cena realmente aterradora que fiz questão de gravar na minha mente."

"Eles eram mesmo dos Oito-Dedos, Tina?"

"Sim, pelo que eu investiguei posteriormente eles estavam procurando suspeitos de trabalhar com o tal 'Montanha' e como não tiveram nenhum sucesso passaram a enquadrar pessoas aleatórias que nada tinham a ver com isso, entre elas Atari…"

Para surpresa de Satoshi, Tina tinha se metido na conversa. E para a suprema surpresa dele, ela estava livrando a cara dele frente a Lakyus.

"... quando eu cheguei para salvar ele, Chefe Maligna, os onze deles já tinham jogado Atari contra a parede do beco e tinham removido completamente as calças dele, a maioria deles já estava com aqueles bigolins amarelos e nojentos deles para fora, um deles já estava apontando aquela coisa feia dele para caçapa traseira de Atari, acho que ele já estava batendo na tua porta, não é Atari? O que seria de Atari sem mim! Realmente sou uma salva-vidas..."

Tina falava aquelas coisas em um tom divertido enquanto, volta e meia, olhava Satoshi nos olhos.

Ela dizia aquelas coisas horríveis na frente de Lakyus, a Crush de Satoshi, e a deusa ficava cada vez mais horrorizada enquanto imaginava na mente divina e pura dela as provações imaginárias que Satoshi teve que passar naquele beco.

Satoshi percebeu qual era o jogo de Tina ali.

Ela está dizendo para mim aguentar a difamação que ela está fazendo, então ela pode limpar a minha barra e me pôr fora de suspeita...

Mas ainda assim, conforme ela descrevia aquela cena imaginária de terror digna de um esgoto Fujoshi, Satoshi só podia levar as mãos ao rosto e cobrir a face com raiva e humilhação.

"Tina! Não seja tão gráfica! Você, você está fazendo Atari-san reviver aqueles momentos! Está tudo bem com você, Atari-san?"

No meio daquele inferno vergonhoso, sem aviso, o calor se apossou do braço dele, foi quando uma Lakyus sinceramente preocupada, pôs a mão no antebraço dele para animá-lo.

O calor de Lakyus que tocava a pele dele pela primeira vez desde que ambos se conheceram deu forças a Satoshi para passar por aquilo.

Certo, Tina, vamos fazer o seu jogo sórdido.

"Está tudo bem, Lakyus-san, tudo bem..."

Satoshi disse aquilo enquanto retribuia o toque da Crush dele dando algumas palmadinhas gentis na mão de Lakyus.

Quando ele fez isso, por algum motivo, Lakyus retirou a mão dela rapidamente do alcance dele e voltou a atenção para Tina.

"Então você já tinha investigado Atari antes, Tina?"

"Sim, Chefe Maligna, fiz isso ontem."

"Ah, entendi, não sabia disso. E?"

"Aparentemente ele não está envolvido."

"Você, você usou até mesmo aquilo, Tina?"

"Sim, eu usei aquilo, durante a maior parte do tempo eu mantive contato próximo com ele… mas não pude usar o tempo todo, em determinado ponto, assim como eles sempre fazem, ele me pressionou na cama e tentou me encurralar então eu tive que abandonar o interrogatório porque ele estava muito insistente em ter a vez dele comigo, quase como se eu fosse a única mulher do mundo, ele estava agindo como um animal estúpido, bem, isso era apenas esperado, afinal Atari é um homem, não é?"

"Entendo, Tina."

Lakyus desta vez segurava o braço de Tina confortando ela com o calor do toque dela e, enquanto fazia isso, ela deu um breve olhar um pouco decepcionado para Satoshi.

Aquilo fez do coração dele frangalhos.

"Mas pelo que pude confirmar, Atari está limpo nesse caso, Chefe Maligna."

"Bom, isso é bom de saber, Tina."

Depois de dizer aquilo para Tina, Lakyus se voltou para Satoshi, se comportando de um jeito tão formal que deixou Satoshi triste.

"Atari-san, bem, nos desculpe por todo o inconveniente que causamos a você. Eu realmente, peço desculpas, não é que nós desconfiamos de você, mas como um colega Aventureiro você sabe, não é? Uma missão é uma missão."

"Claro, Lakyus-san."

Foi tudo o que Satoshi em pedaços conseguiu dizer para Crush dele que falava com ele formalmente para mascarar a decepção dela.

Depois daquilo, os três deles então saíram da Guilda juntos, antes de se separarem na porta do prédio da guilda.

Quando eles separaram os caminhos, Satoshi reparou um pouco triste que Lakyus tinha uma face levemente desagradada no lindo rosto dela.

Já Tina, essa tinha uma cara muito satisfeita e assim que ela e Lakyus partiram em uma direção diferente, Tina, que acompanhava a líder de equipe dela enquanto andando de costas e olhando Satoshi, deu uma piscadela para ele e com ajuda de ambas as mãos arremessou na direção dele um beijo exagerado.

Vendo aquilo, com uma cara de raiva, Satoshi deu um poderoso murro acertando a beijo invisível que se aproximou dele, partindo aquele coração imbecil em um bilhão de partículas subatômicas.

Em resposta a reação raivosa dele, Tina fez um 'pfftt' e riu cobrindo os dentes brancos com a mão e deu as costas para ele, voltando a dar atenção a Lakyus que falava algo para ela.

Eu me livrei das suspeitas, certo… mas a que custo?

Deixado para trás, desolado, Satoshi amaldiçoou a própria sorte, abaixou a cabeça e também fez caminho dele.

- PARTE QUATRO -
Um Jogador Sincero

Depois de deixar a Guilda, um pensativo Satoshi decidiu caminhar um pouco pelas ruas de E-Rantel para tentar ordenar seus pensamentos e sentimentos.

Honestamente... não entendo o comportamento de Tina.

Como se os acontecimentos entre os dois no dia de ontem no Pavilhão Dourado já não fossem estranhos o suficiente, hoje ela tinha escolhido mentir deliberadamente para a líder da equipe dela para acobertar Satoshi.

Ele realmente não conseguia entender isso.

Satoshi pensou bastante e concluiu que no fim de tudo ele apenas foi pego em uma armadilha da gêmea.

Se eu pensar com cuidado, meu silêncio ao ser acobertado é uma confissão de culpa minha... acho o próximo passo dela agora deve ser tentar me chantagear...

Depois de caminhar por vários minutos, Satoshi se deu conta de algo e suspirou irritado.

Vejo… ela deve estar tão ansiosa pela minha desgraça que não conseguiu esperar nem mesmo algumas horas para vir me ferrar!

Satoshi tinha percebido a algum tempo que estava sendo seguido e não ficou surpreso quando identificou com clareza que a perseguidora misteriosa tinha a presença de Tina.

Depois de decidir que não valia a pena fugir aqui e que era melhor resolver as coisas de uma vez, ele fez o que sempre é recomendado fazer nestas ocasiões de perseguição urbana.

Ele entrou em um beco.

Uma vez dentro do beco, ele esperou um pouco de tempo até que a perseguidora dele, a problemática Gêmea da Rosas Azuis, se revelou na boca do beco.

"Seus sentidos são muito afiados para um mago, Atari."

Ela falou aquilo enquanto entrava mais fundo no beco indo sem cerimônia em direção a ele que, precavido, tinha se posicionado no final do beco.

"Nah, foi a sua presença que estava forte, você sequer tentou disfarçar dessa vez..."

"Usar Shadowalk ao meio-dia é muito cansativo, sabe? Então eu só te segui normalmente."

Ela disse isso enquanto se aproximava dele que estava no fundo do beco, ela só parou de se aproximar quando estava a poucos centímetros de tocá-lo.

Como ela era uma mulher baixa, ele foi obrigado a olhar para baixo para ver os olhos exóticos dela.

Ela olhava para ele com um olhar curioso.

"Talvez, você esteja irritado comigo, Atari?"

Tina perguntou isso inclinando a cabeça em uma expressão dúvida.

"Irritado? Não estou."

Foi o que Satoshi respondeu insincero.

"Eh~ Você é um péssimo mentiroso, sabia Atari? Ou você peca por excesso ou por falta de detalhes, de volta na guilda, você até inventou aquele nome de conto infantil ridículo, como é mesmo? 'O Beija-flor no bananal"? Pfff! Hehe, eu entendi referência.'"

Ela falou isso com um sorriso antes de dar um abraço nele.

Aquele gesto fora de lugar dela surpreendeu Satoshi que realmente não esperava isso.

Tina realmente toma muitas liberdades comigo, né?

Inicialmente Satoshi estava irritado com ela, mas receber uma demonstração tão afetuosa de carinho, mesmo que ela fosse praticamente uma desconhecida, diminuiu pela metade a indisposição dele para com essa garota problemática.

"O que é isso agora Tina? Está carente? Não, não, melhor, o que foi aquila cena na guilda, Tina? Não pense que eu não percebi o que você fez lá..."

"Eh, se você percebeu, então por que está perguntando o que foi?"

"... não me enrola. O que você quer de mim? Agora que eu estou te devendo um favor você deve me chantagear, não é?"

"O que você sabe sobre o 'Montanha', Atari?"

Tina perguntou isso enquanto ainda o abraçava com a cabeça encostada no peito dele. Aparentemente aquele abraço era o tipo que tinha 'duração indeterminada' já que ela repousou ali e não dava sinais de sair.

"O que eu sei sobre o quê?"

"... É como os bandidos daqui o chamam, 'Montanha, o Juiz Noturno', o cara que desapareceu com boa parte dos Oito-Dedos desta cidade. Me diga o que você sabe sobre ele."

Tina perguntou aquilo e pôs o queixo no peito de Satoshi para poder olhar para cima e ver o rosto dele.

Opa, opa, como assim, ela está falando do Commodore?

Satoshi só podia pensar que, para Tina, a persona Commodore dele era a principal suspeita dos desaparecimentos de três dias atrás, mas mesmo assim ele não pode estranhar a certeza nas palavras de Tina.

Era como se ela estivesse certa que foi Commodore quem sumiu com aquelas pessoas.

Isso não é bom… essa conta tinha que bater em Manzu!

Afinal, Manzu era o vilão oculto que Satoshi estava especialmente criando, Commodore ainda não tinha um papel definido no plano dele.

Ele refletiu por muito tempo sobre o que falar aqui enquanto era analisado atentamente pelos olhos inquisitivos de Tina que estava colada nele.

"Não é bom, não é bom, Atari, tem uma gota de suor se formando na sua testa, acho que minha questão foi difícil?"

Tina disse aquilo enquanto se separava e dava um passo para trás para encarar ele melhor.

Como ele ainda estava com uma cara difícil enquanto considerava o que fazer, ela continuou falando.

"... Talvez ele seja um amigo seu? Um conhecido de longa data? Sabe Atari, eu te limpei com minha equipe por que eu não acho que você seja um cara ruim, você pode falar comigo, eu prometo que não vou deixar isso respingar em você, afinal, como está óbvio, tenho um interesse pessoal em você..."

Ela disse aquilo enquanto erguia o dedo indicador e corria aquilo pelo peito e abdômen de Satoshi.

Cara, como me livrar de Tina aqui?

Satoshi estava quieto porque ele sabia que essa garota tinha a estranha capacidade de saber quando ele mentia e quando dizia a verdade.

No entanto, ele não podia ficar em silêncio pra sempre e o fato dele não responder faria ela pular para cada vez mais conclusões.

"Eu não sei nada sobre esses desaparecimentos..."

Satoshi começou a falar.

"Mentiroso."

Mas foi cortado.

"Tsk, isso é apenas sua opinião, Tina, eu realmente não sei nada sobre esses desaparecimentos…"

Ele obstinadamente continuou insistindo.

"Não é minha opnião, Atari. Você está mentindo e eu sei disso porque meu talento natural me permite dizer isso."

Ele foi cortado por Tina novamente.

Bem, um talento heim... eu imaginei que seria algo assim.

Certamente era uma habilidade irritante.

Como não podia dizer a verdade, pois se incriminaria, nem a mentira, pois seria pego, Satoshi acabou se calando de novo enquanto pensava em uma solução.

"Você não vai falar, hein?"

Tina disse em um tom levemente irritado.

"..."

Satoshi, que estava sem opções, começava a cogitar usar {Enslave} em Tina e ter ela limpando qualquer suspeita sobre ele naquele caso.

Isso ia contra os princípios dele, mas ele estava muito ferrado aqui.

Não poder mentir era uma desvantagem horrível para Satoshi que tinha escorado todas as ações dele neste mundo nas mentiras que contava.

"Assim fica difícil, Atari… fazendo essa cara e ficando em silêncio, você está agindo como uma criança, será que vou ter que apelar para um discurso de autoridade?"

Tina eleva o tom dos questionamentos e fala em um tom levemente ameaçador enquanto levanta uma das sobrancelhas dela.

Era quase como uma mãe que ameaçava seu filho travesso dizendo que falaria sobre as travessuras dele para o pai.

Oh, cara, ela vai falar com os tiras...

Seria péssimo se as autoridades se envolvessem nisso, então Satoshi pôs toda a sua ética de lado e decidiu que ia usar {Enslave} em Tina.

Me desculpe, Tina… mas você pediu por isso.

Porém, como agora ele tinha uma saída para o problema dele, que era o uso de {Enslave} em Tina, Satoshi decidiu aproveitar que tinha uma margem de manobra e fazer um teste.

Ele ia falar a verdade para Tina apenas para ver como seria a reação dela sobre a situação dele. Ao fim do teste ele planejava sequestrar a vontade dela com a habilidade de dominação {Enslave}.

"Não é necessário apelar a ninguém, Tina. Eu vou te falar a verdade, mas antes disso, me diga… você está disposta a arcar com as consequências de saber das coisas que vou te falar?"

Satoshi disse em tom sério e, para as palavras dele, Tina se mexeu complicada e mudou o ponto de equilíbrio dela.

Ela pareceu pensar um pouco e depois de um tempo ela olhou para ele estranhamente animada e disse:

"Uhm… sinto que isso é algo grande e misterioso, é esse o caso, Atari? Bem, vejamos, acho que antes de começarmos, você pode me dizer o grau das consequências que eu vou ter que arcar?"

"... se você for fraca pode ter sua liberdade de ação restringida."

"Prisão, heim, acho que posso arcar com isso…"

Tina murmurou pensativa com o indicador nos lábios e pareceu ter concluído que no máximo poderia ser encarcerada quando soubesse das informações que Satoshi escondia dela.

"Trato feito, Atari, me conte tudo sobre o 'Montanha'!"

Depois de pensar um pouco ela disse aquilo mais animada que o normal.

O que há com ela? Talvez ela tenha algum interesse estranho em Commodore?

Tina realmente parecia animada em saber sobre o tal 'Montanha'. Estranhamente Satoshi não sentiu que ela tinha qualquer antipatia pelo homem que sequestrou quase mil pessoas nessa cidade.

Satoshi, por sua vez, também tinha seus pensamentos.

Acho que pela primeira vez vou poder falar a verdade sobre minha situação para alguém deste mundo...

Claro que, quando Tina terminasse de ouvir tudo e o chamasse de louco se preparando para ir embora do beco ele usaria {Enslave} nela.

Satoshi deu uma última olhada nos arredores e na entrada do beco atrás de Tina para verificar se estavam sozinhos mesmo.

O anel dele o protegeria de magia de espionagem, mas ele ainda tinha que garantir os arredores.

"Certo, Tina, bem, como começar… oh, sim, já sei como, Tina, eu sou um Alien."

Satoshi disse isso para ela com sinceridade enquanto a olhava nos olhos.

"Uhm? 'Hallien'?"

"Isso mesmo, eu não sou daqui."

"... vejo. Então as pessoas de Helheim se chamam 'Haliens'. Mas o que isso tem a ver com o 'Montanha'?"

"Oh, céus, bem, quando digo que não sou daqui eu quero dizer que não sou deste mundo."

Tina arregalou os olhos.

Havia muita surpresa naqueles olhos.

Ela então balançou a cabeça verticalmente em sinal de entendimento enquanto murmurava 'Entendo, então Atari é de um outro mundo.'

Eh? Ela acreditou?

Ela parecia sinceramente acreditar nele.

Não havia deboche no gesto dela.

Enquanto Satoshi se perguntou se Tina seria uma daquelas pessoas estranhas que existiam na Terra e que tendem a acreditar em baboseiras como UFOs e teorias da conspiração, Tina tomou a iniciativa e falou com ele.

"Eu sempre achei que a história pessoal de Atari fosse estranha, então você era um 'Halien' que veio de um outro mundo esse tempo todo."

"Isso mesmo, estranho que você aceitou isso tão facilmente Tina, oh certo, isso deve ser feito do teu Talento Natural, graças a isso você sabe que eu não estou mentindo, não é?"

Satoshi considerou que Tina acreditava nele com facilidade por causa do talento natural dela.

"Não é bem assim, Atari. Meu talento é um pouco impreciso quando não mantenho contato físico próximo então, a menos que eu te perguntasse diretamente, eu não teria como saber a essa distância."

Tina explicou para Atari como funcionava o talento dela.

Então é por isso que ela toma liberdades comigo, a partir de agora devo evitar que ela me toque. Alias...

Satoshi teve uma súbita ideia.

Como será que ela vai reagir se ela acreditar na minha história?

Ele estava dando como certo que ela pensaria nele como um louco, mas agora ele estava curioso em como ela agiria caso acreditasse nele.

Satoshi então decidiu testar isso e estendeu a mão direita com a palma para cima em direção a Tina.

Vendo o gesto que ele fez, a gêmea não entendeu de imediato, mas logo ela fez uma face de compreensão e cobriu a boca onde um sorriso nascia.

"Heh~ Entendo, Atari quer mostrar sinceridade, isso é fofo."

Ela então segurou a mão que ele estendeu a ela.

Imediatamente Satoshi a puxou para perto dele e deu um abraço nela.

Segundo ela é necessário 'contato físico próximo', certo? Isso também vai evitar que ela fuja do {Enslave}...

Tina pareceu surpresa por um instante antes de corresponder o abraço dele envolvendo com os braços dela o corpo dele, tal qual antes quando eles primeiro entraram no beco.

Depois que ela estava acomodada, Satoshi continuou falando.

"Você quer saber sobre os desaparecimentos, não é, Tina? Bem, essa coisa toda é meu feito, esse tal 'Montanha', ou melhor Commodore, na realidade é apenas um disfarce meu."

Satoshi disse aquilo e em resposta Tina colocou o queixo no peito dele para poder olhar para cima.

"Um disfarce seu...? Mas como, vocês nem se parecem… pensando bem, ambos têm quase zero presença, mas mesmo assim… como você faz isso?"

Tina pareceu muito surpresa pela revelação de Satoshi e fazia uma face complexa ainda abraçada a Satoshi.

Realmente, eu não tinha reparado, mas meu 'Ring of Modesty' faz minha presença parecida, não importa qual corpo eu tome...

Quando ouviu a reação de Tina, Satoshi percebeu essa falha fatal nos disfarces dele. Isso dito, Satoshi não poderia abrir mão de usar aquele anel, já que se fizesse isso a presença dele seria avassaladora.

Satoshi decidiu que removeria o Ring of Modesty apenas quando na forma de Famicom, quem, em princípio, era alguém poderoso e de presença forte.

"Aquela forma, bem, eu tomo ela através de um item. Veja, mesmo esta forma em que eu estou agora é um disfarce meu que eu faço com o mesmo tipo de item."

Ouvindo as palavras de Satoshi os olhos de Tina se arregalaram.

"Então até mesmo você… é falso?"

Vendo a reação surpresa de Tina, Satoshi pensou um pouco e decidiu revelar mais ainda.

"Isso é certo, Tina, este corpo é falso, agora… veja, me dê espaço, como um sinal de confiança vou te mostrar meu eu verdadeiro."

Tina, lentamente, deixou o abraço de Satoshi e se afastou um passo dele.

Ela parecia surpresa com o andar das coisas, mas, estranhamente, ela não parecia com medo. Era quase como se ela realmente confiasse no Satoshi que ela conhecia a tão pouco tempo.

Me pergunto o que eu fiz para receber o interesse e confiança dela...

Satoshi não pode deixar de se perguntar se ela não estaria interessada nele da forma como uma mulher se interessa por um homem. Se este fosse o caso, Satoshi pensava, ele teria tido sucesso no objetivo dele de abrir os horizontes dessa garota que se restringia por escolha própria.

E se esse for o caso, além dos horizontes, também vou abrir as pernas dela e...

Enquanto pensava coisas desnecessárias, Satoshi tirou o Ring of Doppelganger e assumiu a forma do Greater One Famicom.

"Que?! Você não é humano…! Esses olhos… você é um vampiro?!"

Tina aparentava estar um pouco agitada quando concluiu isso, então Satoshi falou rápido para acalmá-la.

"Sou um vampiro, mas não mordo, você, como um membro das Rosas Azuis, sabe que nem todos os vampiros são ameaças às pessoas, certo?"

Tina estreitou os olhos quando pareceu entender a referência que Satoshi fez ao mencionar nas entrelinhas a colega de equipe dela, Evileye.

"Acho que isso conclui as suas investigações, não é, Tina?"

Satoshi perguntou a Tina.

"... sim, foi uma virada inimaginável, mas com isso posso dizer que sim, tenho meu veredito sobre o caso dos desaparecimentos... então, agora que você me disse essas coisas vêm as ditas 'consequências', né? É agora que você vai me prender?"

"..."

Tina olha demoradamente para os olhos vermelhos da forma silenciosa de Greater One de Satoshi.

Depois de um tempo, estranhamente, ela sorri.

"Acho que é cedo para isso, não é? Você parece ter muitos segredos, talvez deseje meus ouvidos emprestados? Então, que tal você me falar mais sobre você, Atari? Isso é, você nem se chama Atari, certo?"

Satoshi olhou para Tina a avaliando.

A curiosidade dela não parecia recuar e ela não parecia estar procurando formas de fugir deste local. Era quase como se ela confiasse que ia sair bem daqui no fim de tudo.

Isso é muito estranho...

Está certo que ela, apesar da pouca idade, era uma Aventureira de Adamantina e por isso já viu muita coisa.

Tina deve ser uma pessoa experimentada e deve ser muito difícil surpreendê-la e assustá-la. Mas ainda assim o que Satoshi mostrou a ela deveria pelo menos fazer ela ficar com cautela.

Não parecia certo.

"Não é bom, não é bom… antes disso Tina, nós vamos a outro lugar, por isso, novamente, me abrace."

Tina pareceu não esperar aquilo.

"... outro lugar?"

Ela falou, demonstrando pela primeira vez um pouco de receio.

"Isso mesmo, vamos para fora da cidade através de magia. A verdade é que as coisas que posso fazer nesta cidade são limitadas e, honestamente, suas reações estão me incomodando, então se apresse e me abrace."

Depois que Tina o abraçou, desta vez um pouco mais rígida que o normal, Satoshi lançou uma magia.

"[Greater Teleportation]!"

Os arredores dos dois mudaram em um instante e eles já não estavam mais em um beco sem saída de E-Rantel, eles agora estavam no meio de uma vasta Planície gramada.

"Isso, em um instante… essa magia, não foi a magia do 5º Nível [Teleportation], não é, Atari? Foi algo maior, certo?"

Tina respondeu quando se soltou de Satoshi e olhou para ao redor.

"Sim, essa foi a magia do 7º Nível [Greater Teleportation]."

Satoshi avaliou Tina.

Apesar dela ter sido transportada sozinha com ele para um lugar isolado ela ainda não parecia estar assustada ou mesmo temerosa. Satoshi considerou que, ou ela tinha um meio de voltar a E-Rantel ou ela estava sendo absurdamente descuidada com ele.

"7º Nível?! Para chegar neste reino... apenas, o que é você, Atari?"

Ele pensou um pouco em como conduziria as coisas a partir de agora antes de falar.

"Tina, você é da equipe de Evileye, então, me diga, você conhece as circunstâncias dela?"

A gêmea estranhou a pergunta, mas respondeu de forma curta e precavida.

"Conheço mais ou menos."

Satoshi reparou que ela pelo menos não era tagarela quanto aos segredos dos outros.

"Você sabe que ela é uma vampira, certo?"

"Talvez."

Ele achou ótimo que ela fosse precavida ao falar dos segredos da colega de equipe dela. Isso era um bom traço de personalidade.

"Isso, então você também sabe sobre ela ter lutado junto com os 'Treze Heróis' no passado distante deste mundo, não é, Tina?"

Tina apenas deu um leve sinal de entendimento para que ele continuasse falando. De alguma forma ela pareceu elevar a expectativa dela quando o assunto dos Treze Heróis surgiu.

"Veja Tina, cerca de duas semanas atrás eu fui forçadamente removido do mundo em que estava, apenas para me encontrar neste exato local onde estamos. O lugar de onde vim se chama… Yggdrasil e quanto ao meu nome, bem, eu me chamo Famicom. Eu não sei o que me trouxe aqui, mas certamente eu gostaria de saber isso…"

Claro, Satoshi não queria voltar para Terra, mas ele ainda desejava saber que força estava tragando jogadores para este mundo. Seja lá que força fosse, aquilo era, certamente, algo potencialmente perigoso.

"... eu tenho vivido neste mundo durante esses poucos dias e decidi estabelecer uma fundação aqui, foi por este motivo que eu adotei as personas que você conhece, sabe se eu tivesse que dizer algo sobre o teu mundo eu diria que ele é 'verde', por isso eu estou interessado nisso…"

Muito mais do que isso, a Terra, de onde Satoshi veio, era um lugar desagradável. Isso ficou muito evidente para ele quando descobriu este mundo, que era uma alternativa ao mundo de nascimento dele, e comparou as duas coisas.

Comparado a este mundo mágico e verde, a Terra era um inferno.

"... eu pensei que eu era o único Jogador aqui, mas, três dias atrás, naquele telhado, eu interroguei Evileye e descobri que, tal qual eu, um outro Jogador de Yggdrasil também foi trazido para cá, ele era o líder desses tais Treze Heróis, eu não conheço bem a história deste mundo, mas parece que ele foi uma grande figura por aqui, então eu… uhm, o que foi Tina?"

Satoshi reparou que Tina estava de olhos e punhos fechados, com o corpo dela inteiramente tremendo.

No entanto, aquilo não era medo.

Era excitação.

Mas, o que raios...

A reação dela era bem inesperada.

Satoshi desistiu em absoluto de entender essa garota que nunca agia normalmente diante dele.

"Atari… não, Famicom… -sama, você é mesmo um jogador? Assim como o Ancestral?"

Ela levantou o rosto, abriu os olhos e olhou para ele em expectativa.

Eh? Tsk, que seja, desisto...

"Eu sou um Jogador de Yggdrasil, isso é fato. Não sei nada sobre esse Ancestral..."

Ele não pôde terminar o que estava dizendo, pois se calou surpreso quando no meio da fala dele Tina se prostrou no chão gramado em uma posição de submissão que lembrou ele das três escravas elfas dele.

"Por Favor, Ser Exaltado, poupe minha vida!"

Satoshi ficou em silêncio um bom tempo olhando o kowtow de Tina.

Por fim, depois de quase um minuto, ele decidiu seguir o clima do ambiente.

"E por que eu deveria?"

Foi o que ele disse.

Por mais que a reação de Tina o surpreendesse, Satoshi tinha se acostumado a interpretar o 'Ser Supremo' nos últimos dias, então ele era capaz de se virar aqui.

Ainda assim, a reação dessa garota foi além do inesperado e, por incrível que pareça, era um reação visivelmente sincera, não havia falsidade ali.

Eu apenas queria testar como um nativo reagiria a minha história… mas mesmo um experimento tão simples ficou esse complicado.

Satoshi tinha decidido antes, ainda no beco, estudar as reações de Tina sobre a inacreditável história dele antes de usar {Enslave} nela, mas ele nunca esperaria esse desenrolar de acontecimentos.

"... Ser Exaltado, eu tenho agido desrespeitosamente, mas eu posso compensar meus erros!"

Isso é verdade, você é muito desrespeitosa!

Satoshi, que se lembrou desagradado das ações de Tina na Guilda quando ela manchou a impressão de Lakyus sobre ele, quase disse o que pensou em voz alta.

Mas para segurança do personagem, ele manteve o papel que interpretava.

"Oh? Você pode? Uhm, bom, bom, eu estava precisando mesmo de uma nova escrava naquela cidade."

Essa resposta é a que um 'Ser Exaltado' daria, certo?

Tina não respondeu de imediato, então Satoshi continuou falando.

"Bem, mas acho que você não serve… minhas escravas precisam ao menos ter interesse em bananas, entende? Então acho que não vou poupar sua vida..."

"... espere! Eu aceito!"

Tina respondeu com medo.

Ela parecia realmente acreditar que ele a mataria.

"Uhm… de pé, Tina."

A jovem Aventureira da Rosas Azuis se levantou.

O tom brincalhão e desafiador que ela sempre mantinha com Satoshi já não era visível em lugar algum.

Perceber aquilo surpreendentemente desagradou ele um pouco.

Acho que vou ter que reconstruir aquilo com o tempo...

Satoshi não sabia o porquê, mas as coisas caminharam desse jeito então ele teria que se adaptar a isso.

A Tina confiante que ele conhecia era agora como uma garotinha assustada de pé na frente dele. O jeito que ela reagiu a tudo aquilo foi quase como se tivesse uma concepção já feita sobre a natureza dos jogadores.

Satoshi se lembrou de algo que ela disse antes.

"...você é mesmo um jogador? Assim como o Ancestral?"

Ele ficou curioso sobre aquilo e lançou uma magia silenciosamente.

[Silent Magic: Create Greater Item]

Ele então sentou no trono pomposo que surgiu no ar e, completamente imerso no papel dele como 'Ser Supremo' ele começou a questionar tina.

"Bem vinda ao quadro de funcionários, Tina. Agora, me diga mais sobre essa tal figura que você mencionou, esse tal Ancestral..."

As próximas duas horas de Satoshi foram gastas interrogando Tina.

No fim daquele tempo, ele sabia de muitas coisas novas e, felizmente, tinha conseguido fazer com que a gêmea voltasse a se comportar de forma levemente parecida como ela se comportava antes.

- PARTE CINCO -
Liberação de Duas Almas

Depois de enviar Tina de volta para E-Rantel, Satoshi se teleportou diretamente para os aposentos pessoais dele na Instant Fortress onde ele preparou um banho para si mesmo.

Enquanto se afundava na água quente da banheira, ele tinha algumas coisas na cabeça.

Quem diria que Tina tinha essa origem…

Enquanto conversava com Tina naquela Planície, Satoshi ficou sabendo de várias coisas, eram informações que iam do irrelevante ao importante, do curioso ao sem-graça e do essencial ao supérfluo.

Uma das coisas que Satoshi aprendeu foi sobre um misterioso grupo de assassinos estrangeiro chamado Ijaniya.

Satoshi se lembrava do nome deste grupo ter sido mencionado por Nigurath na ocasião do pós-evento da Operação Yubizume, mas foi apenas com a conversa que teve com Tina alguns minutos atrás que Satoshi teve um real entendimento daquele grupo.

Ijaniya era um grupo de assassinos cuja origem remonta quase dois séculos atrás e cuja fundação é atribuída a um dos sobreviventes dos Treze Heróis, a assassina Izaniya.

Aquele grupo, aparentemente, vive de vender serviços obscuros que variam de Assassinatos a Roubos, passando por sequestro e espionagem.

A excelência daquele grupo como Assassinos é bem conhecida entre os países da região e eles são ativos principalmente em Karnassus e Baharuth, embora eles também, mesmo que raramente, façam trabalhos fora destes dois países.

A presença de Tina aqui em Re-Estize é, por si só, uma prova de que eles estão ativos em outros países do mundo. Isso porque, Satoshi descobriu ao interrogar Tina que tanto ela quanto a irmã dela eram membros da Ijaniya.

Segundo Tina, as duas irmãs chegaram a Re-Estize quatro anos atrás quando estavam em uma fase do treinamento onde deveriam 'experimentar o mundo exterior' para então voltarem fortalecidas até a aldeia oculta que é a base da Ijaniya.

Elas, no entanto, não retornaram para a aldeia nativa delas.

Quatro anos atrás as duas irmãs acabaram por conhecer o grupo de Lakyus e depois de falharem em roubar a espada de Lakyus, que aparentemente era uma espada de lendas, as duas irmãs acabaram aderindo ao Grupo de Aventureiros das Rosas Azuis.

Mesmo que elas tivessem que ter retornado a vila dois anos atrás, elas nunca fizeram isso. Normalmente isso seria motivo para que elas fossem eliminadas, mas isto também não aconteceu.

Elas foram permitidas, por enquanto, a viver por si mesmas.

O que permitiu a elas esse feito foram dois fatos: um deles é a linhagem das duas, que é especial, e o outro é um pedido pessoal que uma amiga delas fez à líder do Grupo Ijaniya.

Tina tinha confessado a Satoshi que ela e a irmã dela eram descendentes importantes da fundadora do Grupo, a heroína e assassina Izaniya.

Ela disse que ambas eram quase como realeza no Grupo de Assassinos, sendo herdeiros diretos da linhagem de Izaniya e de seu parceiro, o Ancestral.

Este Ancestral, por sinal, era o nome com o qual o Jogador que liderou os Treze Heróis era conhecido dentro do círculo cultural daquele grupo fechado de Assassinos.

Segundo Tina, ele teria morrido na luta contra os Deuses Demônios, mas não sem antes deixar a semente dele no ventre de Izanya, que posteriormente, fundou aquele grupo-seita que existe até hoje.

O fato de Tina não ser surpreendida quando Satoshi disse ser nativo de outro mundo e de ter ficado toda submissa quando ele disse que ele era um Jogador, se deve principalmente a bagagem dela obtida durante toda infância, quando nos momentos de folga entre os pesados treinamentos como assassina de elite, ela aprendeu sobre a poderosa figura do Ancestral e de seu passado como Player.

Pensar que Tina é uma descendente de jogadores, hein...

Tina tinha dito para Satoshi que, dentro da Ijaniya, os que descendem do Ancestral tendem a ser mais fortes que os demais. Ela também disse que o irmão mais velho dela e a irmã mais velha dela, ambos membros ativos na organização, são formidáveis a um ponto que ela não espera igualá-los nunca.

As coisas entre Satoshi e Tina acabaram se acertando, com ela se tornando subordinada a ele e se comprometendo a cooperar com ele em E-Rantel.

Satoshi tinha deixado claro para Tina que ele admirava as Rosas Azuis e que ele nunca faria nenhum mal àquele grupo de aventureiras. Ele tinha dito que mesmo na hipótese dela trair ele e atrapalhar os planos dele, ele não ia permitir que aquela chaga espirrasse nas demais membros do grupo de aventureiros, a culpa toda caindo sobre Tina.

Ele também tentou fazer ela agir mais amigável com ele e teve um parcial sucesso nisso. Com o tempo, ele espera, ela deve voltar a falar com ele como sempre fazia, sem usar honoríficos e fazendo aconchegos não convidados.

Mas isso, ele acreditava, demoraria um tempo.

Aquela outra coisa que ela disse… Seis Braços, é isso?

Tina vinha investigando a questão dos desaparecimentos na cidade e, dentre as coisas que ela descobriu estava o fato de que os membros da 'tropa de elite' dos Oito Dedos tinham sido despachados para E-Rantel.

Essa 'tropa de elite' era conhecida como Seis Braços e, acredita-se, se trata de um grupo de ao menos seis criminosos que atingiram o mesmo nível de habilidade que os Aventureiros de Adamantina.

Ela disse para Satoshi que a 'tropa de elite' deles tinha sido enviada a E-Rantel antes mesmo do dia dos desaparecimentos, o que significava que eles deviam chegar aqui em breve, no máximo alguns poucos dias, no caso deles usarem um cavalo rápido.

Nem todos podiam viajar por mágica como as aventureiras da Rosas Azuis que chegaram aqui apenas dois dias depois de serem solicitadas, mas como os Seis Braços eram supostamente compostos por bandidos que alcançaram o nível Adamantina então talvez eles fossem mais rápidos do que se esperaria.

Tina tinha falado com Satoshi sobre alguns dos criminosos que compunham os Seis Braços, apesar dela saber pouco sobre eles, alguns eram bandidos notórios e ela compartilhou o que sabia.

Satoshi não ficou muito impressionado com o que ouviu. Já que, segundo Tina, tendo Gazef como referência, nenhum deles se comparava ao capitão-guerreiro.

Apesar disso não ser algo com que devo me preocupar, ainda assim vou tentar ficar atento quando estiver em E-Rantel…

Isso era o que Satoshi pensava quando, após terminar o banho e se vestir, ele saia dos aposentos dele e se ocultava com [Perfect Unknowable].

O motivo dele se ocultar, mesmo que estivesse no lugar que era considerado a 'casa' dele, foi para evitar atrapalhar o trabalho das pessoas que também vivem nesta fortaleza.

Se ele caminhasse normalmente e encontrasse alguém pelos corredores, essa pessoa pararia o que estava fazendo para se curvar para ele e permaneceria curvada até que ele passasse, o que seria um incômodo desnecessário e um atraso na realização dos trabalhos diários da fortaleza.

Como Satoshi veio a Instant Fortress hoje principalmente porque precisava de um lugar espaçoso para usar uma de suas habilidades de classe sem ser incomodado, seria injusto da parte dele se ele incomodasse as escravas da fortaleza e os guardas goblins do Batalhão Latino que trabalhavam aqui.

Por isso, Satoshi subiu até o ponto mais alto da Instant Fortress ainda oculto por magia.

Lá em cima, do lado de fora, o espaço não era magicamente ampliado como o interior da fortaleza, mas ainda era suficientemente largo para a atividade que ele faria.

Durante a subida ele tinha contactado Miya para ir até lá também, apesar de não querer atrapalhar o trabalho de ninguém, Miya certamente reclamaria com ele se ela soubesse que ele esteve na Instant Fortress e não falou com ela, então Satoshi fez questão de chamá-la e assim evitar que ela ficasse triste depois.

Como ele já tinha chamado ela, ele não ficou surpreso quando, assim que terminou de subir as escadas que levavam ao telhado, uma garotinha Indígena-Mesoamericana se arremessou em cima dele o abraçando.

"Você chegou mais rápido que eu, Miya."

"Miya usou teletransporte, Meu Tudo!"

Depois de retribuir o abraço de boas-vindas da criança fofa em seus braços, Satoshi pôs Miya no chão e caminhou até o centro do telhado.

Ele tinha algo a fazer aqui em cima.

"O que Meu Tudo vai fazer?"

Miya perguntou aquilo enquanto seguia a caminhada rápida dele com os passos curtos dela.

Dentre as nove Job Classes do avatar de Satoshi, uma delas estava dentro das classes classificadas como raríssimas, ou seja, classes que eram muito difíceis de obter e que, por consequência, eram proporcionalmente recompensadoras.

Uma fração muito pequena de jogadores de nível máximo tinham classes raríssimas, talvez menos de 5%.

A classe raríssima do avatar de Satoshi se chamava Soul Collector.

"Agora eu vou chamar dois novos amigos, Miya."

"Ah?! Meu Tudo... vai chamar aqueles dois?"

Miya perguntou preocupada para Satoshi enquanto segurava a manga da roupa dele.

Satoshi olhou para a garotinha não entendendo a preocupação dela de primeira, mas então veio o entendimento.

Ela pensa que eu vou chamar meus outros dois Eidolons...

Além de Miya, Satoshi tinha outros dois Eidolons, então Miya talvez estivesse preocupada que Satoshi estivesse planejando os chamar e, para diminuir amenizar os custos de manifestar outros eidolons, ele escolhesse dispensar a convocação de Miya.

Manifestar um eidolon reduzia a reserva de MP de alguém em 10% durante a Manifestação, se Satoshi manifestasse seus outros dois eidolons junto com Miya ele teria 30% de sua MP cortada, algo duro de se manter.

Não era normal que eidolons ficassem manifestados o tempo todo, Satoshi apenas mantém Miya perto por falta de pessoas confiáveis (e também porque gosta da companhia dela).

"Não Miya, não vou chamar Ishamael e Ba'alzamon agora."

Ela pareceu ficar sensivelmente mais aliviada quando ouviu aquilo, mas no segundo seguinte, quando percebeu que era avaliada por Satoshi, ela disfarçou o próprio alívio dela para não parecer uma criança egoísta.

"O que eu vou fazer agora é usar Soul Release, Miya."

"Isso é… ah tá! Meu Tudo vai usar aquilo!"

Satoshi já tinha testado a habilidade chamada {Soul Release} oferecida pela classe Soul Collector. Ele tinha testado aquilo ainda no primeiro dia neste mundo quando estava sozinho na floresta junto com Miya, então ele sabia que não precisaria temer ser atacado pela criatura que ele liberasse.

A Job Class Soul Collector dizia em seu lore que se fosse do desejo do jogador ele poderia aprisionar a alma dos inimigos mortos por ele. A alma então seria escravizada e poderia ser convocada livremente no futuro.

O importante aqui é que não havia limite de níveis para a alma coletada, em teoria, Satoshi poderia até coletar a alma de monstros de Níveis 100.

Havia porém uma restrição desagradável que diminuía muito as capacidades da classe, isso é, Satoshi não podia coletar a alma de jogadores, monstros convocados ou monstros únicos (como bosses e NPCs personalizados).

Por mais que procurasse no jogo, Satoshi nunca tinha encontrado monstros acima do nível 90 que não fossem monstros únicos ou convocados, sendo assim, as almas de monstros mais fortes que Satoshi tinha eram desse nível.

Satoshi tinha coletado a alma de dezenas de monstros nos dias que jogava ativamente. Eram monstros dos mais variados níveis e funções, mas infelizmente Satoshi estava limitado a manifestar apenas 300 níveis de monstros simultaneamente.

Satoshi ergueu a mão para frente e fechou os olhos antecipando a pequena dor que sentiria ativando esta habilidade.

"{Soul Release}!"

Da sua mão estendida Satoshi sentiu algo quente e invisível eclodir. Aquilo doeu um pouco, foi como se um osso rompesse a pele e ganhasse liberdade, mas no fim era uma dor mental, pois sua mão estava intacta.

Por outro lado, na frente dele uma grande ave negra com olhos vermelhos havia se manifestado, era um corvo, mas o tamanho da ave excedia o tamanho de um cavalo comum.

Aquele era um Muninn's Child que Satoshi tinha coletado com seus amigos da Ainz Ooal Goal durante uma missão em Asgard. Se aventurar em Asgard era complicado para heteromórficos como eles, por isso foram poucas as Quests Oficiais daquele mundo que eles fizeram, todas elas com o backup de uma ou outra guilda local que desejava forjar boas relações com os manda-chuvas de Helheim.

Este monstro de Nível 70, o Muninn's Child, não era um monstro especializado em combate, mas sim um monstro especializado em vigilância. Ele tinha uma espetacular velocidade de voo, de forma que foi uma sorte Satoshi conseguir capturá-lo naquela ocasião, isso porque sempre que um exemplar deles fosse ferido todos os monstros do bando iniciavam uma fuga, voando a toda velocidade, e se ainda qualquer um deles fosse perseguido, ele usaria a habilidade especial única dele para fugir.

"Ei, Muninn's Child, você tem um nome?"

"Caw, sem nome, kraa!"

"Certo, então você se chamará Karasu."

Não era um nome criativo, mas, bem, foi Satoshi que nomeou então não tinha como ser criativo.

"Karasu, Kreaa, Kreaa!"

O corvo do tamanho de um cavalo começou a grasnar alto, animado com o nome recebido.

"Bem-vindo ao grupo, Karasu! Miya foi o nome que Meu Tudo deu para esta! Miya é a eidolon de Meu Tudo!"

"Miya, Kreaa, Kreaa!"

A garotinha Miya se apresentou a Karasu que continuou o grasno animado, dando pulinhos com seu corpo enorme.

"Ei, se comporte, ela é sua superiora. Você deve obediência a ela."

Ouvindo as palavras de Satoshi, o corvo gigante ficou subitamente solene e abriu um pouco as asas enquanto se inclinava tocando a base do bico no chão, era como se ele fosse um cavaleiro estivesse saudando Miya.

Ou, pelo menos, foi o que Satoshi entendeu do gesto.

"Assim está melhor Karasu, agora, veja bem, os arredores daqui são meus domínios recém-reclamados, toda essa floresta contínua me pertence. Você vai estar alocado diretamente sob Miya e você deve ajudar ela a mapear e vigiar este lugar, você pode dar uma volta no entorno por enquanto, para se familiarizar, mas sempre mantenha o teu corpo principal com Miya."

"Caw, assim será, Kraa!"

Sem aviso o enorme corvo explodiu em várias centenas de pedaços, cada pedaço era um corvo de tamanho normal e estes animais se espalharam voando em todas as direções a partir do topo da Instant Fortress.

Apenas um único corvo, cujas penas eram de vermelho em um tom muito vivo, permaneceu no topo da fortaleza, aquele corvo vermelho voou em direção a Miya e pousou no cocar colorido dela.

Aquela era a Unique Skill de um Muninn's Child. Satoshi não tinha ideia de como isso funcionava em detalhes neste mundo, mas pelo que ele se lembrava em Yggdrasil, o número de corvos que um Muninn's Child podia gerar era muito menor do que o número que ele viu agora.

"Se houver tantas aves, elas não ficarão muito fracas?"

Depois de um tempo observando os pássaros que se dispersaram em todas as direções a partir do topo da fortaleza, Satoshi perguntou aquilo.

"Um nível, Kraa!"

Foi a curta resposta do corvo vermelho na cabeça de Miya.

Vermelho desse jeito esse corvo parece uma arara...

Em Yggdrasil uma Muninn's Child podia se dividir em três corpos de Nível 50 ou cem corpos de nível 5.

Ao que parece neste mundo havia mais liberdade.

"Certo, venha aqui, Karasu, me mostre alguma coisa interessante."

Depois de um tempo, quando as aves já estavam longe, Satoshi ergueu o braço e disse aquilo para o corvo vermelho pousado no cocar na cabeça de Miya.

Karasu então voou agilmente de sua posição de repouso em cima de Miya e pousou no braço de Satoshi.

"Caw, interessante, interessante, Kraa"

Depois de alguns segundos do que parecia ser Karasu interpretando a ordem de Satoshi, uma imagem se formou na mente de Satoshi.

Era um marco de pedra que parecia quase como o formato duma porta, um córrego fino corria por dentro dele. O buraco era largo o suficiente para uma carroça passar, mas o fio de água era fino, talvez com um metro entre as margens e apenas alguns centímetros de profundidade.

Satoshi não tinha ideia de que fenômeno geológico formou aquilo, mas parece que pedras e rios eram a definição de interessante para Karasu.

"Em Yggdrasil eu podia ouvir também. Você pode fazer isso aqui, Karasu?"

"Som, Som, Kreaa, Kreaa!"

Depois que Karasu grasnou animado no braço de Satoshi, ele pôde ouvir um som de água correndo e um barulho persistente de insetos que lembrava o som das extintas cigarras dos animes antigos.

O que Satoshi via e ouvia tão bem dentro da cabeça dele era o que um dos corvos originados do corpo de Karasu transmitia para ele.

Com isso teremos muitos olhos por aí...

Satisfeito com o teste, Satoshi gesticulou com o braço e o Karasu vermelho voltou para seu lugar no cocar de Miya. Satoshi então ergueu a mão para lançar sua habilidade uma segunda vez hoje.

"{Soul Release}!"

Desta vez a figura que surgiu a alguns metros da mão estendida dele foi a de uma mulher vestida em trajes que pareciam gregos. Mas havia algo muito estranho naquela mulher, e isso era que ao invés de uma cabeleira ela tinha dezenas de serpentes na cabeça.

Era uma Gorgo Matriarch, um monstro de nível 25 cuja alma Satoshi havia coletado a muito tempo e cuja utilidade básica para Satoshi era servir canário andando na frente do grupo para ativar armadilhas.

A mulher olhou ao redor com seus olhos reptilianos até se focar em Satoshi.

"Gorgo Matriarch, você tem nome?"

"Não tenho nome, mestre."

"Certo, então você vai se chamar… Cassandra."

Aquele foi o único nome feminino que tinha certeza de ser grego que apareceu na cabeça de Satoshi naquele momento.

Se ele não estava enganado, aquele era o nome de uma profetiza.

"Agradeço o presente, mestre. Cassandra honrará o nome recebido."

Satoshi olhou para a Gorgo Matriarch que ele batizou como Cassandra.

Sinceramente, espero que ela sirva, senão vou estar em apuros...

"Miya, me faça um favor, quero que você desça até o loot dos bandidos e pegue várias mudas de roupa comuns, mas eu quero que elas sejam bonitas, essas roupas serão para Cassandra aqui. E também traga alguém entre os colonos que possa fazer ajustes nas roupas dela para que caibam bem."

"Okay, Meu Tudo! Esta Miya fará como meu tudo deseja!"

Miya correu pelo telhado da fortaleza e se jogou abaixo, com Karasu a seguindo pelo ar. Aquilo foi tão repentino que Satoshi se apressou assustado até a borda do telhado, apenas para ver que Miya voava em direção a cidade.

Ai, ai, crianças certamente vêem o mundo de um jeito diferente…

Se Satoshi pensasse bem, Miya não correria perigo nenhum mesmo que ela se jogasse de cabeça desse telhado e não voasse, mas a visão da estimada e fofa garotinha correndo pelo telhado e se jogando de lá de cima apertou o coração de Satoshi demais da conta.

Vendo à distância com a visão privilegiada dele que Miya já estava pousando em uma das casas da cidade em construção abaixo da fortaleza, Satoshi se virou para a mulher com dezenas de serpentes na cabeça ao lado dele no telhado.

"Cassandra, agora que estamos sozinhos, vamos bater um papo. Diga, você gosta de crianças?"

- PARTE SEIS -
O Hobby do Amigo

Faltavam pouco mais de duas horas para anoitecer e Satoshi estava andando pelas ruas de E-Rantel na companhia da nova subordinada dele, a Gorgo Matriarch Cassandra.

A subordinada dele não estava na forma original dela, mas sim na forma de uma mulher humana com longos cabelos loiros ondulados que vestia um vestido que apesar de comum de adequa bem as bonitas formas dela.

Cassandra fazia uso de uma habilidade racial que dava a ela a forma humana. Tal habilidade foi um dos motivos de Satoshi ter escolhido justamente esse monstro para ser o encarregado de um importante papel aqui em E-Rantel.

"Então, eu te desejo sorte, Cassandra-san."

"Certo, obrigada, Atari-san."

Satoshi observou a figura feminina se afastar dele, os dois tinham acabado de deixar a casa de Bastian onde Satoshi tinha informado ao homem que seria Cassandra a encarregada da gestão do orfanato.

A partir de hoje, Cassandra ia se estabelecer naquela cidade como a matrona do orfanato bancado por Satoshi.

Bem… ela não teria sido uma boa companheira de aventuras já que basicamente é um amontoado de Stats raciais...

Pensando nisso, Satoshi seguiu seu caminho e começou a andar em direção ao mercado perto da entrada das favelas.

Enquanto fazia seu caminho, Satoshi recordava as características de cada uma das almas que tinha coletado em seus anos jogando Yggdrasil.

Ele tinha algumas dezenas de monstros, inclusive alguns com forma humana, mas como tinha um limite de poder materializar apenas 300 níveis de monstro de cada vez, ele teve que escolher o monstro de nível mais baixo para cuidar do orfanato.

Afinal, o cargo exige que o monstro fique aqui em E-Rantel 24 horas por dia, sete dias por semana...

Se Satoshi usasse um monstro de nível alto, caso Satoshi entrasse em uma batalha, ele teria problemas para materializar almas úteis já que teria menos níveis disponíveis.

Satoshi ignorou o mercado movimentado e seguiu em direção a uma pequena rua lateral até estar diante de uma casa com um pequeno canteiro de flores.

Ele parou diante da porta e, inconscientemente, alinhou a roupa dele que poderia estar um pouco amassada e o cabelo que talvez estivesse desalinhado.

Toc, toc, toc

Satoshi bateu três vezes na porta destinada.

Do lado de fora daquela casa simples ele ouviu com a audição aguçada dele a única moradora lá dentro parar de escrever com uma pena em um papel para ouvir os arredores e confirmar se realmente alguém havia batido na porta.

Toc, toc, toc

Depois que ele bateu novamente a moradora se levantou arrastando a cadeira onde estava sentada para atender o visitante que bateu na porta da casa dela.

Alguns instantes depois a porta foi aberta.

"Pois não? Qual o assunt… ah, é você, Atari-san."

A 'Garota disfarçada de garoto' que se chamava Ninya abriu a porta.

Ela pareceu ficar agradavelmente surpresa quando viu o rosto de Satoshi, mas rapidamente ela camuflou o sorriso espontâneo que ela fez.

"Olá Ninya, tudo certo com você?"

"Se está tudo certo comigo? Cara eu to correndo contra o tempo para fazer as tuas tarefas! A transcrição do texto sobre Entropia Arcana está cheia de desenhos! Realmente é um trabalho digno de um grupo..."

"Tsk… eu me lembro que tô te pagando por isso."

"Eh? Eu sei disso já que estou contando com o pagamento, mas eu não estava reclamando..."

"Pareceu uma reclamação para mim, mas você consegue fazer isso Ninya, jovens como você tem que estudar ao máximo… por falar nisso qual a tua idade?"

"...16"

"Uhm... vejo..."

"Que que tu tá olhando?!"

"Eu? Nadinha..."

"Você veio saber das tarefas, certo? Não se preocupe, como eu disse antes, até amanhã a noite eu termino essa última tarefa."

"Bom saber, mas eu não vim aqui por isso, eu vim tomar um chá..."

"E minha casa por acaso é uma lanchonete?"

"Tsk… Você não quer provar essa delícia aqui? Acabei de comprar em uma loja fina, sinta esse aroma herbal..."

Para surpresa de Satoshi, que realmente não esperava isso, Ninya pegou a sacola de pano com chá que ele mostrava e fungou aquilo algumas vezes.

"Isso é só chá comum, Atari-san, vale alguns cobres no máximo. Fuu… que fazer, que fazer, que seja, pode entrar com seu chá barato, mas só por hoje!"

Depois que Ninya abriu a porta, Satoshi se apressou para dentro.

Ele estava surpreso que pôde entrar aqui com tanta facilidade. Da última vez que ele bateu na porta de Ninya ela ficou com a porta entreaberta durante toda conversa e foi bem categórica sobre não receber visitas.

"Na verdade o preço que paguei nisso foi o preço padrão, não é como se eu tivesse pedido o mais barato. A propósito, é uma casa agradável que você tem aqui, Ninya..."

Satoshi olhou em volta. Apesar da simplicidade, a sala era confortável e estava impecavelmente arrumada.

"Me dê isso de uma vez, vou preparar o chá, tente não tirar nada do lugar original, no mais, fique a vontade."

Desde que ela fechou a porta da casa, Ninya passou a falar com ele com a voz feminina normal dela, sem se importar em mascarar o gênero.

Da última vez que Satoshi viu Ninya, dois dias atrás, ela tinha bebido um pouco e estava se comportando toda bipolar. De alguma forma, Satoshi manejou lidar com o comportamento estranho da amiga dele e até mesmo conseguiu ganhar ainda mais confiança dela, desde que aquilo aconteceu Ninya tinha falado algumas vezes com Satoshi usando a voz feminina normal dela.

Pelo jeito, ela se decidiu por sempre usar a voz normal dela comigo quando ninguém estiver por perto...

Satoshi imaginava que devia ser um tipo de alívio para ela o fato dela agora ser capaz de deixar essa farsa de ser um garoto de lado e poder agir normalmente, mesmo que em tão poucas ocasiões.

Ele sinceramente se sentiu feliz por ser útil a amiga dele.

Satoshi realmente não podia imaginar o quão torturante devia ser para uma garota fingir o tempo todo ser um garoto.

Seja lá o que motivou ela a fraudar o próprio gênero, deve ser algo muito significativo para Ninya.

Satoshi vagou a esmo um pouco pela casa de Ninya e, alguns minutos depois, ambos estavam sentados bebericando um chá de preço padrão acompanhado de uns biscoitos simples em uma mesa de um cômodo que Ninya usava para trabalho e estudo.

O perfume de Ninya está entranhado em toda casa… Meu Deus, esse é o paraíso!

Se naquele exato momento Satoshi tivesse que eleger um lugar na cidade como seu favorito, o lugar que elegeria seria esta casa, que era o palácio onde o incenso predileto dele habitava.

"Eu não sabia que você tinha o hábito de desenhar e pintar…"

"Ah… isso são só uns rabiscos que eu peguei gosto em fazer depois que aprendi a desenhar círculos mágicos, eles não são grande coisa, vê? Então não se incomode com eles..."

Por todo aquele aposento havia desenhos.

Aqueles desenhos não eram exatamente lindos aos olhos de Satoshi, que conheceu a Pintura Digital e a Modelagem 3D quando viveu na terra.

Para ser honesto as pinturas que viu eram algo que até ele estava confiante que poderia fazer se ele se acostumasse com os materiais locais, que certamente deviam ser precários, mas se ele se esforçasse no objetivo de se adequar as ferramentas ele acreditava poder fazer algumas pinturas melhores.

Durante o tempo dele no Colégio, Satoshi tinha sido membro do Clube de Mangá e chegou até mesmo a lançar um doujinshi de esportes.

De fato, não fosse por uma decepção que ele teve com uma colega de clube e senpai no segundo ano dele, Satoshi poderia muito bem ter tentado uma carreira como ilustrador.

Está certo que ele estava enferrujado, já que atualmente ele só desenhava em ocasiões muito espaçadas e sempre que fazia isso ele usava as viciosas ferramentas do Dive que deixavam todo artista acomodado e preguiçoso, mas no ensino médio ele desenhava no cru, com caneta e papel, então ele devia ser capaz de fazer algo neste mundo também.

Isso dito, Ninya fez um bom trabalho nos desenhos dela.

Mesmo que isso seja apenas um hobby para ela e que ela não tenha tido as numerosas oportunidades de abertura de horizontes artísticos que Satoshi teve, a jovem garota tinha algumas pinturas excelentes nessa sala que demonstravam que ela tinha talento.

"Aquele que você mantém coberto é bem profissional, tem um carinho e dedicação especial nele, você deve ter investido um tempo pintando aquilo."

"O que...! Você olhou!"

Ninya parecia indignada e arregalou os olhos fuzilando Satoshi que revelou que ele descobriu a única pintura coberta da sala e que bisbilhotou aquilo.

"Ara, você não me disse que eu não podia olhar, pelo contrário, você me disse para 'ficar a vontade' ou algo assim."

Satoshi bebericou o chá enquanto avaliava a reação de Ninya a qual parecia um pouco indignada demais.

"Essa garota na pintura, ela é alguém importante para você?"

Satoshi perguntou curioso sobre a identidade da pessoa retratada naquele quadro que destoava tanto dos outros em qualidade, o que por si só demonstrava que aquela era talvez a peça que recebeu mais esforço ou que mais frutificou inspiração por parte de Ninya até agora.

Ninya ficou um tempo calada apertando as mãos e mordendo os lábios imersa em pensamentos, ficou assim por tanto tempo que Satoshi considerou que era um assunto sensível demais e que ele não devia insistir no tópico.

"Certo, ok, você não precisa falar se não quiser, mas aquela peça está virando um belo retrato de qualquer forma, quando estiver concluído me mostre, por favor, para que eu..."

"... Ela é minha irmã."

Satoshi, que foi interrompido, olhou para Ninya que o interrompeu.

Quando a garota falou a identidade da retratada na pintura, ela soou como se ela estivesse se livrando de um fardo.

Talvez a existência da irmã dela fosse algo que ela só guardava para si e não compartilhasse com os outros e ela se sentiu aliviada por mencionar a irmã para outra pessoa.

Satoshi então se lembrou de uma vez que ele caminhava com Ninya na rua e ela lhe disse que ela era órfã.

Agora que lembro disso, ela disse que tinha parentes vivos, mas que eles estavam muito longe… como foi mesmo, 'longe demais se posso dizer'...

"Sua irmã é muito bonita."

Ele comentou isso.

Satoshi sempre considerou que ao iniciar uma abordagem sobre entes queridos de outros era bom fazer isso de forma elogiosa e além disso, a garota retratada na pintura era, de fato, muito bonita.

Mas diferente da reação que ele esperava, Ninya não pareceu receber bem o comentário dele e apenas retornou olhos furiosos para ele por longos segundos, ela então percebeu o próprio comportamento agressivo e começou a encarar a mesa refletindo sobre algo.

E agora, o que foi isso?

Os dois ficaram em silêncio um tempo.

Acho que eu arruinei essa reunião do chá, mas não consigo ficar de mau humor em um lugar tão perfumado...

Quando o chá dele acabou, Satoshi decidiu aproveitar o ambiente maravilhoso que estava, ele fechou os olhos, começou a inspirar e expirar, inspirar e expirar, inspirar e expirar…

"Ei, seu maluco, o que você está fazendo?"

Depois de longos minutos de silêncio, Ninya falou aquilo.

"Inspirando e expirando."

"Eh?"

"É um exercício de meditação do meu país para renovar o espírito."

Ninya fez mais um minuto de silêncio antes de falar novamente.

"Seu país, como era isso, Atari-san?"

"Acho que vocês daqui iam considerar aquele lugar o inferno, honestamente não quero voltar para lá, nem mesmo morto."

Viver neste novo mundo tinha alguns inconvenientes, como o atraso tecnológico, mas isso era compensado pela posição favorável do avatar de Satoshi frente aos nativos que ele encontrou até agora.

Pessoalmente, Satoshi não sabia se a opinião dele sobre este mundo seria tão positiva se ele tivesse vindo aqui como um humano normal de nível 1, certamente ele passaria por dificuldades gigantes e, talvez, estando em uma situação tão desfavorável ele até ansiasse por voltar para a Terra onde, apesar da podridão social e poluição ambiental, ele já tinha uma posição estabelecida e que tinha ótimas comodidades, principalmente nos momentos de lazer em que ele passava em casa afogado no Dive pessoal dele.

Satoshi tentou não pensar nessas coisas e se focar apenas no exercício de respiração por alguns minutos, aproveitando o perfume de Ninya que jorrava dela que estava em frente a ele e que também era abundante no ambiente.

Enquanto respirava aquele ar sagrado, ele esperava que ela se abrisse com ele. Apesar dele estar curioso sobre a irmã de Ninya e sobre por que aquele assunto era delicado para a amiga dele, ele sabia que Ninya tinha o tempo dela e ele não se meteria na vida da amiga dele sem que ele fosse convidado.

"... Ei, Atari-san, você já tomou seu chá, certo? Que tal ir embora agora?"

Mas depois de cinco minutos de silêncio entre os dois, foi isso que ela disse o apressando a sair daqui.

Fuuu… que casca dura.

Depois daquilo, Ninya acompanhou Satoshi até a porta, ambos em silêncio.

"Você acha que eu posso ficar mais forte, Atari-san?"

Talvez ela tenha feio essa questão motivada pelo desconforto que ela sentiu por Satoshi caminhar em silêncio atrás dela, já que se ele estivesse em um humor normal ele estaria falando coisas para irritar ela, ou talvez aquela pergunta feita por Ninya tenha sido apenas uma questão recorrente que ela sempre se fez e que decidiu externar para Satoshi naquele momento.

Seja lá o que motivou ela a falar isso, antes dela abrir a porta e pôr ele para fora, Ninya parou na sala encarando a maçaneta que segurava na mão direita com Satoshi atrás dela encarando a nuca da garota.

Pelo tom da voz dela ao fazer a pergunta, ela realmente parecia querer uma resposta.

"Oxe, claro que você pode. Você disse que só tem 16 anos, não é? E você já é uma maga de 2° Nível. Mais alguns anos e ninguém te segura..."

"Mas... se demorar alguns anos, talvez seja tempo demais! Eu, eu não tenho esse tempo todo, tenho que começar logo..."

Segurando a maçaneta, enquanto de costas para Satoshi, a voz de Ninya começou a embargar como ela iniciava um princípio de choro, mas repentinamente ela se calou, se segurando e fazendo uma frente forte.

Satoshi então pôs a mão no ombro de Ninya da forma mais gentil que pôde antes de falar em tom sério.

"Ei, Ninya, se te faltar força, você pode contar com a minha força, afinal somos camaradas em infinitas formas, certo?"

Ele esperou para ver a reação dela, mas depois de alguns segundos ela apenas girou a maçaneta, abriu a porta e pôs ele para fora às pressas enquanto tomando o cuidado de se assegurou que ele não fosse capaz de olhar o rosto dela sequer uma única vez durante todo o ato de expulsão.

Bom, seja lá qual for o problema, acho que ela ao menos sabe que pode contar comigo… então só depende dela pedir ajuda.

Satoshi não sabia quão forte Ninya queria ficar nem porque ela queria ficar forte, mas em termos de força, ele estava confiante que poderia fornecer a ela mais ajuda que qualquer outro conhecido dela nesta cidade.

Satoshi então cruzou o pequeno canteiro de flores assobiando.

- PARTE SETE -
Bandidos das Terras de Krast

Faltava cerca de uma hora para o anoitecer quando Satoshi pousou no meio da vastidão de matas e colinas rochosas conhecida como Terra de Karst.

Hoje pela manhã, Satoshi tinha pego duas missões na Guilda de Aventureiros, uma de ranking platina e uma de ranking ouro.

Como Satoshi era o único Aventureiro de Ranking Oricalco da cidade e como ele tinha escalado posições em tempo recorde, Satoshi tinha uma reputação a zelar, então, pelo bem dessa reputação, já era hora dele parar de vadiagem e começar a trabalhar um pouco.

Satoshi desejava completar estas missões com maestria e entregar o resultado perfeito das duas missões tão cedo quanto possível para desta forma manter a reputação dele nas alturas.

Graças às trocas que teve com os Oito-Dedos nos dias anteriores, Satoshi era um especialista em caçar bandidos, mas apenas quando em ambiente urbano.

Certo, vamos lá… hora de caçar bandidos no campo.

O bandido rural era um animal novo para o caçador Satoshi e ele ainda era um novato com esse tipo de presa.

Para ele começar de forma eficiente os trabalhos daquela noite, como não podia deixar de ser, Satoshi, que era um Convocador, decidiu preparar alguns minions para serem suas ferramentas na caçada.

"[Summon Undead X]!"

Ele usou a magia de 10° Nível para convocar dois monstros conhecidos como Eyeball Corpse que pertenciam a lista de convocação de de 9° Nível.

Estes dois mortos-vivos lembravam duas enormes almôndegas de carne podre cheias de inúmeros olhos que tinham tamanhos, formas e funções diferentes, como se cada um dos pares de olhos entre aquelas centenas de olhos pertencesse a uma espécie distinta.

Os Eyeball Corpse eram ótimos rastreadores e vigilantes, mesmo de volta em Yggdrasil, além disso, neste Novo Mundo eles eram seres muito fortes para o padrão local, estando além do nível 60.

"{Summon Household}!"

Em seguida, Satoshi usou uma habilidade racial característica dos Vampiros para convocar várias dezenas de Vampire Wolf de Nível 7. Estas pequenas criaturas caninas não eram seres muito fortes, mas elas tinham ótimos sentidos e agilidade que somadas ao grande número delas permitiam que elas vasculhassem uma ampla área rapidamente.

É bom dizer que, apesar de básica para vampiros, a habilidade {Summon Household} era otimizada em Satoshi, pois, além dele ser de nível máximo e poder convocar um grande número, ele também era um Greater One, um dos três tipos de Vampiros Soberanos, e por isso os serviçais convocados por ele com essa habilidade tinham várias características especiais.

Satoshi se voltou para os monstros convocados e falou com eles enquanto abria amplamente os braços.

"Minhas crianças, eu estou procurando um esconderijo de seres humanos dentro desta área selvagem. O grupo de humanos é composto por uma maioria de machos armados em um número maior do que… uhn, dez. Vocês devem achar esse esconderijo para mim, mas eu não quero que vocês sejam descobertos e vocês não devem iniciar um conflito se possível. Vocês lobos irão para o sul e vocês dois para o norte, voltem em uma hora."

"[Create Greater Item]!"

Depois que as convocações partiram, Satoshi usou uma magia de criação e criou uma cadeira confortável onde ele se sentou.

Durante o dia de hoje, quando ele estava na Guilda, ele havia tentado ler as anotações sobre a Teocracia de Slane que a homunculi Tsuki tinha feito a partir do depoimento de Nigurath, mas naquela ocasião ele foi interrompido por Lakyus e Tina que queriam falar com ele.

Satoshi decidiu aproveitar para prosseguir com aquela leitura que foi interrompida anteriormente na guilda, o momento era oportuno porque ele estava desocupado agora e tinha quase uma hora livre até que anoitecesse e os buscadores começassem a voltar com resultados.

Durante aquela hora, Satoshi leu aquelas notas enquanto estava confortavelmente sentado naquela cadeira executiva ao ar livre, naquele tempo ele descobriu muitas coisas interessantes sobre a Teocracia de Slane.

Uma delas foi a existência das Seis Princesas Miko, que eram conjuradoras capazes de lançar grande magia, mas em contrapartida elas tinham a mente delas 'tomadas pelos deuses' devido ao uso de um artefato religioso chamado Crown of Wisdom.

No inventário de Satoshi havia um item com este nome, este item havia sido pego por ele no cemitério quando matou Khajiit e escravizou Clementine.

Ele lembrava que aquele item permitia ao usuário lançar algumas magias arcanas de 7° Nível, mas ele tinha duas condições de uso e também tinha uma imposição de status.

As condições diziam que ele só poderia ser usado por alguém de nível 50 ou acima e que esse alguém também deveria ser capaz de lançar magias divinas de 8° Nível.

A imposição de Status era que ele causava ao usuário era Heavy Insanity.

Estranho… Nigurath menciona aqui que as Seis Princesas Miko podem usar no máximo magias de 7° Nível.

Se aquilo fosse verdade, então essas Mikos não deveriam poder usar Crown of Wisdom.

Satoshi concluiu que, possivelmente, o fato delas serem capazes de lançar magias divinas de 8° Nível era algum segredo nacional e que Nigurath não devia saber disso.

Ele também considerou que elas deveriam, em acordo com os pré-requisitos de uso do Crown of Wisdom, estarem ao menos no nível 50 cada uma.

Certo… isso é impressionante, esta é uma boa força para os padrões deste mundo.

Satoshi não considerou em momento nenhum que aquelas Princesa Miko pudessem ignorar os pré-requisitos do Crown of Wisdom, isso porque tal coisa era inconcebível em Yggdrasil.

Dentro de treze dias Satoshi iria se encontrar com agentes da Teocracia para a troca de reféns, conforme ele pessoalmente tinha acordado com a Escritura Negra ontem.

Isso aconteceria no lugar onde ele enfrentou a Escritura Negra, que foi numa clareira a uns quinze quilômetros da posição atual de Satoshi.

Ele realmente se sentiu feliz por ter tanta informação assim sobre os inimigos antes do encontro planejado.

Eles devem certamente mandar o tal 'monstro invencível' da tesouraria para negociar comigo, junto com a Escritura Negra, talvez algumas destas Miko e também a elite das outras escrituras...

No que dependesse de Satoshi, ele queria limpar o potencial de combate da Teocracia, então, enquanto fossem inimigos de baixo nível ou de nível intermediário, quanto mais viessem aqui para o encontro com ele nas Terras de Krast, melhor para ele.

O maior imprevisto que poderia acontecer seria a Teocracia trazer a campo um novo Item Mundial, mas, como o próprio Satoshi tinha um Item Mundial em mãos, ele não precisaria temer os efeitos mais temerários de outro Item Mundial.

Muito mais do que isso, agora que Satoshi também tinha o 'Downfall of Castle and Country' ele podia até mesmo se dar ao luxo de trazer um parceiro ao campo de batalha.

Nigurath não tinha mencionado nada que parecesse um segundo Item Mundial na mão da Teocracia, mas, apenas por segurança, Satoshi iria se encontrar com eles levando apenas Miya, que Satoshi faria vestir o 'Downfall of Castle and Country' para que ela estivesse protegida.

Acho que vou levar Nigurath também… aquela vai ser uma ótima oportunidade para me livrar daquele pervertido maldito.

O encontro entre Satoshi e a Teocracia vai ser um evento confuso e, portanto, certamente é um lugar ideal para Satoshi se livrar de Nigurath, que deve encontrar o fim dele enquanto combatendo a Teocracia, o antigo patrão dele.

Mesmo que aquele cara sobreviva aos combates com a Teocracia, Satoshi pode simplesmente matá-lo com fogo amigo e pedir que Miya não comente nada com Tsuki sobre isso.

Satoshi estava certo que Miya concordaria sorrindo em obedecê-lo e ficaria em silêncio, afinal, Miya era uma boa menina.

Não se preocupe Tsuki… vou proteger tuas preciosas nádegas das costas daquele depravado infeliz.

Satoshi não era bobo.

Toda vez que ele via Tsuki repousando o maravilhoso traseiro dela nas costas de um Nigurath de quatro, Satoshi notava com repulsa a escancarada excitação que surgia tanto na face quanto nas calças do Vampire Lord.

A ingênua Tsuki, por sua vez, sempre esteve alheia ao fato de que aquele crápula de quatro no chão estava abusando dela com as costas dele. Enquanto a diligente Tsuki se sentava e fazia o trabalho dela concentrada, por horas e horas, aquele maldito desvirtuado se aproveitava dela.

Sua hora vai chegar, Nigurath, sua hora vai chegar...

Isso dito, se possível, ele gostaria de se livrar de Nigurath mais cedo.

Treze dias é muito tempo… mesmo o lado da Teocracia pode se sentir assim, talvez eles até lancem algum ataque antecipado.

Outra coisa que a Teocracia de Slane poderia fazer nesse meio tempo era pressionar Re-Estize e Baharuth para serem hostis à cidade de Satoshi, Famicômia.

Isso seria péssimo pois colocaria muitos holofotes em Satoshi.

Embora Satoshi não temesse realmente nem Re-Estize, nem Baharuth e nem mesmo Slane, se ele se tornasse um inimigo de três países ao mesmo tempo, a atenção de muita gente se voltaria para ele.

Satoshi temia que se isso acontecesse ele teria que lidar com um Tigre Agachado ou um Dragão Escondido. Por isso Satoshi só podia torcer para a Teocracia não levar a público a troca que aconteceria em poucos dias.

Talvez eu devesse ter simplesmente matado a Escritura Negra inteira e depois ido atacar a Teocracia usando a persona de Commodore… teria me poupado problemas.

Satoshi tinha evitado matar eles ontem para não se tornar um latrocida degenerado, mas dependendo do desfecho disso poderia até haver uma guerra onde muito mais pessoas inocentes morreriam.

Não era de forma alguma um bom negócio.

Quando a hora que Satoshi tinha determinado como tempo limite para a busca pelos bandidos do campo estava terminando, os Vampire Wolf começaram a voltar em numerosos pequenos bandos e, por fim, os dois Eyeball Corpse chegaram juntos quase no horário limite.

"Uhm… então vocês acharam mais de um grupo, hein."

Os Eyeball Corpses que vasculharam o norte tinham achado um único grupo que correspondia às exigências de Satoshi e os Vampire Wolf que vasculharam o sul tinham achado dois grupos, além disso eles também informaram terem achado alguns outros grupos de machos humanos que não passavam de dez.

Satoshi decidiu ir para o norte primeiro e deixou a grande matilha de Vampire Wolf para trás quando saiu da clareira enquanto voava junto com os Eyeball Corpse.

O esconderijo descoberto pelos Eyeball Corpse era, segundo eles, habitado por várias dezenas de machos humanos.

Naquele momento Satoshi voava na recém-iniciada noite sob efeito de [Perfect Unknowable]. Do alto do céu noturno Satoshi podia ver no leste distante os muros da cidade de E-Rantel que ficava a pouco mais de oito quilômetros de onde ele estava, logo abaixo de Satoshi havia uma colina rochosa cercada por uma floresta.

Havia um buraco engenhosamente disfarçado em uma dessas colinas.

"Túneis, huh..."

Ele não sabia quem cavou aqueles túneis, mas o esconderijo que estes bandidos usavam aparentemente era um pequeno complexo de túneis que ficava relativamente perto da cidade.

Satoshi ordenou aos Eyeball Corpse que vasculhem a superfície da colina rochosa e procurassem entradas alternativas no complexo de túneis, também ordenou que os dois mortos-vivos deveriam ficar atentos e matar qualquer homem humano que tentasse deixar a colina.

Depois disso ele decidiu começar a abordagem dos criminosos e desceu até a entrada principal do complexo onde vários bandidos estavam de vigia.

Após passar completamente despercebido por eles graças a magia de ocultação dele, Satoshi dedicou muitos minutos a percorrer aqueles túneis, andando com o cuidado de evitar as toscas armadilhas espalhadas pelo caminho.

Depois de um tempo, tendo rodado aqueles túneis todos e obtido um relativo entendimento do lugar e de seus ocupantes, Satoshi ficou irado.

Esses lixos vivem como ratos aqui e ainda abusam destas mulheres!

Satoshi contou mais de sessenta homens neste covil e talvez quinze mulheres que estes homens tinham como prisioneiras, todas estas mulheres atualmente eram usadas como brinquedos por estes homens.

Apesar de muitas destas mulheres aparentemente já terem se acostumado com a situação em que se meteram, provavelmente devido ao longo tempo em que elas foram expostas a esse contínuo abuso, estava claro para Satoshi que nenhuma delas estava satisfeita com a situação em que estavam.

Naquela noite, enquanto vagando naqueles túneis, Satoshi encontrou uma sala onde várias mulheres eram violadas pelos bandidos numa orgia unilateral.

Em um canto daquela câmara, Satoshi até testemunhou pela primeira vez a ocorrência de um famigerado gangbang.

Imperdoável!

"[Widen Magic: Mass Sleep]!"

A preocupação imediata de Satoshi foi parar essa suruba mongol imediatamente antes que alguém engravidasse de uma criança sem pai.

Depois que ele lançou essa magia o efeito de [Perfect Unknowable] se desfez ao mesmo tempo que os corpos adormecidos das quase trinta pessoas naquela câmara caíram uns sobre os outros.

Satoshi então saiu daquele lugar que ele chamou de Sala da Safadeza e apenas encontrou bandidos dormindo por todos os lugares.

Uhm… talvez eu não devesse ter usado Widen Magic.

Mas, apesar de ser um resultado não esperado, isso facilitava as coisas.

Satoshi rumou então para a parte mais funda dos túneis onde ficavam os aposentos daquele que parecia ser o líder daquele grupo.

Ele chegou a conclusão que aquele cara era o líder porque naquele esconderijo de bandidos aquele homem era o único que tinha uma mulher só para ele, enquanto aparentemente todos os demais bandidos tinham que 'compartilhar' mulheres entre si, e também porque aquele homem era o bandido mais forte do local, tendo nível 29.

Aquele era o mesmo nível que Lakyus e também era apenas um nível a menos que Gazef.

Era um cara muito forte para os padrões deste mundo, o que fazia Satoshi se perguntar o que diabos ele estava fazendo aqui com este bando de Zé Ninguém perturbando estas pobres mulheres.

Assim que Satoshi se aproximou da entrada do buraco que servia de aposento para o líder dos bandidos, ele sentiu que foi notado pelas duas pessoas dentro do cômodo.

Ao perceber isso, Satoshi parou a alguns metros da entrada para permitir que seu adversário se cobrisse com alguma coisa e saísse.

Antes, quando Satoshi passou aqui oculto por magia, este cara estava no bem-bom com uma mulher ruiva amarrada na cama dele. Apesar de parecer bem receptiva para o homem, aquela mulher obviamente era uma das sequestradas.

A mulher ruiva estava nua, mas no pescoço dela havia um insígnia de Aventureiro de Ranking Ferro.

Espero que ela seja relacionada a minha missão de ranking ouro...

Satoshi tinha duas missões aqui nas Terras de Karst.

Uma era uma missão de ranking platina que foi postada na Guilda de Aventureiros pela Companhia Kuruoka e que envolvia resgatar uma comerciante sequestrada por bandidos.

A outra era uma missão de ranking ouro que se resumia a descobrir o paradeiro de uma equipe de Ferro que veio até as Terras de Karst e que já deveria ter se reportado para guilda alguns dias atrás mas que não deram as caras.

O pano velho semitransparente que servia como cortina improvisada na entrada do buraco que servia de aposento para o líder dos bandidos se abriu e um homem saiu de lá.

Ele tinha cabelos azuis, vestia roupas leves e tinha uma postura aparentemente tranquila, mas uma irritação leve podia ser percebida no batimento cardíaco dele, aquela era a irritação de quem teve uma boa foda interrompida em um momento chave.

Na cintura dele estava uma arma muito familiar para Satoshi, era uma Katana. Ele também tinha no pescoço um colar que emanava magia, obviamente, aquele era um item mágico.

Depois que o homem passou pela cortina e saiu do buraco, ele deu alguns passos para frente e se pôs na frente de Satoshi, avaliando ele com um olhar de superioridade.

"Um Conjurador Mágico, huh?"

Satoshi se vestia como mago e usava um cajado então não era difícil concluir que ele era um usuário de magia arcana.

"Precisamente."

"Você se adiantou bastante do seu grupo de invasão, não?"

O homem olhava para trás de Satoshi, de longe se podiam ouvir as vozes barulhentas dos homens despertos da entrada dos túneis que tinham recém-descoberto os homens adormecidos no fundo dos túneis.

O homem com Katana embainhada que estava na frente dele tinha uma audição humana limitada e deve ter pensado que havia um princípio de combate lá atrás que tinha permitido que Satoshi se adiantasse.

"Errado, samurai de quinta, eu estou invadindo esta pocilga de vocês sozinho. Sou o único inimigo que você vai ver hoje..."

Satoshi começou a dizer isso para provocar o homem com a Katana embainhada, mas ele nem sequer pôde concluir a frase dele pois teve que inclinar o tronco para trás para desviar do golpe que o homem tinha dado sem aviso depois de dar um passo à frente e desembainhar a katana em um longo arco visando separar a cabeça de Satoshi do pescoço dele.

Apesar de ter sido muito rápido, Satoshi pôde ver todo o movimento com relativa tranquilidade e conforme o golpe vinha ele optou por desviar ao invés de deixar aquilo ricochetear em suas defesas.

O homem pareceu muito surpreso por Satoshi ter desviado daquilo e recuou quatro passos para trás imediatamente após concluir o golpe anterior, chegando perto da entrada dos aposentos dele.

"Impossível! Como um mago pôde desviar disso?!"

"Eu inclinei o corpo para trás."

A resposta despreocupada de Satoshi pareceu não ter satisfeito a curiosidade do homem já que ele apenas deu um sorriso amargo antes de se apresentar.

"Me chamo Brain Unglaus."

"Atari."

"Tente desviar da próxima, Atari."

Ele disse isso e adotou uma postura de espera estranha e ao mesmo tempo ele ativou o item mágico que era o seu colar e bebeu duas poções.

Ele parece ter preparado buffs para o próximo ataque.

Satoshi estreitou os olhos em expectativa e ficou olhando o homem por vários segundos.

Depois de um tempo, ele finalmente percebeu algo sobre o que deveria acontecer a seguir.

"Talvez eu tenha que ir até você?"

"..."

Aparentemente a postura do homem limitava o alcance dos golpes dele e Satoshi atualmente estava fora deste alcance.

"Cara, isso sim é uma limitação inconveniente não é? Quero dizer, conjuradores mágicos costumam atacar de longe, não é? Eu sou um conjurador mágico..."

"..."

O homem se abalou um pouco com as palavras de Satoshi.

"Certo, vou te ajudar…"

Satoshi decidiu ajudar o homem e deu um passo para frente.

Apenas depois dele se deslocar alguns poucos centímetros para mais próximo do homem, a Katana que o homem empunhava se moveu em um flash relâmpago.

Uou, isso é rápido!

O golpe do homem foi muito mais rápido do que Satoshi esperava inicialmente mas apesar da velocidade incrível que aquilo atingiu, Satoshi ainda pôde desviar de ambos os cortes com facilidade e ele também pôde aproveitar a postura projetada do tal Brain para dar um encontrão de leve que o fez perder o equilíbrio.

O tal Brain foi arremessado na parede do túnel, apesar de não ter sido um golpe forte, sendo apenas um encontrão para fazer distância, Brain tinha uma expressão muito abalada quando olhou para Satoshi.

"Isso foi bem rápido para alguém tão fraco como você. Certamente sua Agility se aproximou de 40 durante esse ataque, parabéns."

Satoshi o parabenizou sinceramente.

Humanos geralmente tem Stats baixos, como eles não têm níveis raciais os Stats deles geralmente são um pouco acima, iguais ou menores que o nível deles. Para um humano de nível próximo ao 30, ser capaz de aproximar temporariamente uma Stat do valor 40 era um feito considerável.

Isso deve ter sido graças a essas tais Artes Marciais desse mundo… acredito que ele usou mais de uma agora a pouco.

O homem caído no chão, que se chamava Brain, ficou com a face ainda mais abalada depois que ouviu as palavras de Satoshi, havia algo estranho no olhar dele, era como se começasse a nascer desespero dentro dele.

Talvez… ele deva ser um homem orgulhoso.

Satoshi olhou para a entrada do corredor que o trouxe até aqui, alguns homens tinham acabado de chegar e os olhos deles varriam o lugar indo repetidamente da figura de Satoshi, que estava de pé, para o líder espadachim deles que estava derrotado no chão.

Após passar o choque inicial, eles então rapidamente se espalharam a toda volta e cercaram Satoshi com armas levantadas, enquanto alguns deles se aproximavam de Brain preocupados com a situação dele.

"Mas o que Diabos está acontecendo aqui! Brain-san, você está bem?!"

Tsk! Essas ratazanas tinham que chegar tão cedo…

Satoshi se virou para Brain que tinha atualmente uma expressão de alguém que se levantaria a qualquer momento e sairia correndo para reclamar com o pai que ele foi vítima de bullying.

"{Enslave}!"

Brain tremeu epilético por alguns segundos.

Depois disso a expressão dele tranquilizou rapidamente e ele olhou para Satoshi como se esperasse algo.

"Mate todos os bandidos, mas não machuque as mulheres ou saia dos túneis."

O que Brain esperava enquanto olhava Satoshi era um comando do mestre dele.

"Brain-san, o que esse filho-da-puta está dizendo... qu-arhg!?"

Menos de um minuto após Satoshi dar a ordem, os quase dez bandidos ali foram cortados pela Katana de Brain. Nesse meio tempo outros se aproximavam, mas Brain dava combate matando todos no caminho em seu percurso pelos corredores dos túneis.

Satoshi via Brain se afastar enquanto calculava os próximos passos.

Não seria correto marchar com estas mulheres durante a noite até E-Rantel, tampouco eu posso usar algo como magia de transição nesse papel de Atari…

Se este ninho de bandidos não estiver ligado às missões da Guilda de Aventureiros, então ele planejava fazer destas mulheres colonos na Famiconia.

Mas se isso estivesse de alguma forma ligado, ele teria que passar a noite aqui e caminhar com elas ao amanhecer até E-Rantel.

Primeiro tenho que confirmar se há qualquer relação com a missão...

Satoshi entrou nos aposentos de Brain que eram um lugar simples e rústico, não havia sentido em mobilhar ou enfeitar um esconderijo desses. O móvel mais elaborado aqui era a cama de solteiro de onde uma mulher atlética ruiva de olhos azuis estava amarrada com as pernas abertas levantadas numa posição indigna que expunha uma intimidade úmida que tinha sido usada por Brain para alívio carnal momentos antes.

A mulher sequestrada estava olhando Satoshi que se aproximava dela com os olhos dele fixos em um ponto normalmente escondido do corpo dela.

"Qu-quem é você?!"

"Aventureiro Atari. Vim subjugar os bandidos. Diga seu nome."

Satoshi levantou a insígnia de Oricalco quando perguntou o nome dela.

Enquanto ela respondia ele reparou brevemente na densa pelagem vermelha da intimidade da mulher, composta de grandes pelos pubianos de um tom quente de vermelho, e ele também encarou desejoso a tentadora xoxota que se encontrava abaixo daquilo.

Aquela buceta que estava escancarada diante de Satoshi estava sendo posta em um bom uso por Brain apenas alguns poucos minutos atrás e os sinais disso eram tanto flagrantes quanto fragrantes.

Aquela pobre mulher Aventureira, por sua vez, se emocionou quando ouviu sobre a subjugação dos bandidos e os olhos dela ficaram um pouco úmidos de alívio antes que ela respondesse a questão feita por Satoshi.

Mesmo que estivesse aliviada por ser resgatada após passar por tantas coisas desagradáveis, havia um pequeno receio dentro dela quando ela reparou na forma que Satoshi se comportava e como ele olhava para ela com olhos nojentos.

"Brita! Meu nome é Brita! E-Eu sou uma aventureira que veio investigar o tamanho dos grupos…"

[Silent Extend Magic: Hypnos Errand]

A aventureira ruiva não pôde terminar a frase, pois os olhos dela ficaram pesados e ela começou a dormir sob a magia de Satoshi.

Como ele já tinha descoberto quem ela era, não tinha sentido conversar com ela agora.

Essa aventureira Brita era a única mulher da equipe de Ferro que ele procurava para cumprir a missão de ranking Ouro que ele assumiu hoje a tarde.

Cerca de vinte minutos depois de entrar naquela sala onde Brita estava amarrada, Satoshi chegou à entrada dos túneis acompanhado de Brain.

O espadachim de cabelos azuis estava todo suado e cansado, além de todo sujo de sangue de outras pessoas. Lutar contra todos estes homens deve ter sido cansativo mesmo para ele, cujo nível era muito maior que o deles.

"Brain, descanse por algumas horas e proteja a sala onde estão as mulheres. Não faça nenhuma gracinha com as donzelas adormecidas, entende?"

Satoshi tinha confirmado que a comerciante da missão platina também estava aqui neste esconderijo.

Ela estava entre as mulheres que foram vandalizadas na Sala da Safadeza. Ele pôde achar ela graças ao retrato falado fornecido pela guilda.

Com isso ele tinha praticamente resolvido ambas as missões.

Como Satoshi tinha feito questão de pessoalmente desamarrar Brita, que estava em uma sala separada, e carregar ela para junto das outras quinze mulheres que estavam todas no mesmo cômodo, agora, todas as mulheres mantidas cativas aqui pelos bandidos estavam juntas e corretamente adormecidas com uma versão estendida de magia de sono que deveria manter elas dormindo até que amanhecesse ou até que elas tomassem dano.

Bem, certo… para meu tempo essa noite com Clementine não seja comprometido, vou acordar todas as mulheres apenas meia-hora antes do amanhecer para começar nossa caminhada rumo a E-Rantel.

Satoshi não planejava deixar de usar hoje o Toilet Humano dele apenas por causa dessas pessoas desconhecidas, pelo contrário, ver tanta 'ação' hoje nesse ninho de bandidos deu a ele uma dose dupla de desejo e luxúria para tentar umas coisas novas com Clementine.

Uhm... isso me lembra, pode ser pouca coisa mas há um loot a ser coletado neste covil.

Os bandidos desse esconderijo tinham poucas coisas de valor, mas eles tinham algumas coisas aqui que iam de mercadorias a baús de moedas.

Satoshi convocou alguns Avarice Zombies para lootear o esconderijo e então algo veio à mente dele.

Os Vampire Wolf tinham achado dois acampamentos no sul, por que não saquear eles também?

Como ele teria que esperar os Avarice Zombies fazerem o trabalho delicado deles aqui, Satoshi decidiu caçar mais alguns bandidos do campo para não ficar parado.

Saquear criminosos nunca é demais.

"Certo, Vamos lá: [Fly]!"

- PARTE OITO -
Desentendimento entre Senhoritas

A noite já durava quatro horas quando Satoshi cruzou o portal e chegou até os esgotos controlados por Manzu.

Nas Terras de Karst, de onde Satoshi tinha vindo, ele deixou para trás apenas o escravo Brain a quem deu a tarefa de agir como o guardião das mulheres que haviam sido sequestradas pelos bandidos daquele esconderijo e que ele adormeceu com magia.

Daquele esconderijo, Satoshi também coletou apenas metade das coisas de valor e deixou para trás metade dos corpos dos bandidos que ele tinha matado ali.

Ele deixou tanto aquele loot quanto aqueles corpos lá porque, como ele tinha duas missões da guilda para apresentar, Satoshi acreditava precisar ter resquícios do grupo bandido no local para as investigações da Guilda.

Já nos outros dois acampamentos criminosos menores que foram encontrados pelos Vampire Wolf na parte sul das Terras de Krast, Satoshi tinha coletado todas as coisas valiosas sem exceção.

Ele pegou os bens materiais, os corpos dos bandidos mortos e as mulheres que estavam cativas naquele local.

Parece que teremos mais dezessete colonos femininos para a Famicômia...

Dentre o 'loot' que ele coletou nestes dois acampamentos finais estavam dezessete mulheres que eram usadas como alívio sexual pelos bandidos dos dois grupos menores.

Eh… acho que aquelas quatro cheiram a gravidez...

Satoshi disse isso enquanto observava quatro das mulheres adormecidas pela magia dele que eram carregadas como princesas pelos anjos de baixo nível convocados por ele.

Os sentidos invasivos de Satoshi lhe diziam que aquelas quatro mulheres sujas e magras estavam grávidas, muito provavelmente, de algum dos bandidos que ele matou esta noite.

Se ele pensasse com cuidado esse tipo de ocorrência era algo inevitável.

Afinal elas provavelmente eram violadas todos os dias ininterruptamente, mais de uma vez por dia e por pessoas diferentes, mesmo em seus dias férteis. Então se elas tivessem o azar de ficar muito tempo no acampamento era certo que elas iam engravidar.

Isso era tão certo que o fato de não haver gravidez avançada aqui era por si só preocupante, pois poderia indicar a prática pelos bandidos do descarte de mulheres de alívio cuja gravidez tinha avançado.

Satoshi olhou em volta da grande câmara de esgoto subterrânea onde estava.

Aquele era o Salão Comunal da Ordem dos Manzuri que foi estabelecido naquele esgoto por Manzu e Satoshi. Em um canto daquele lugar enorme, muitos humanos estavam amarrados e dispostos juntos.

Aqueles eram os criminosos do Oito-Dedos coletados por Satsoshi e pelos Manzuri durante a Operação Yubizume.

O número de criminosos amarrados aqui já tinha se reduzido em um terço do número que havia originalmente.

Todos os criminosos presos aqui estavam fracos, magros, pálidos e fedidos.

Satoshi não sabia como Manzu estava alimentando eles e, para ser sincero, ele sequer queria saber. Satoshi pensava que ele não precisava se preocupar com tais detalhes, o importante é que Manzu cumprisse o cronograma, como ele faria isso, era problema de Manzu, não de Satoshi.

Em frente a Satoshi, a Ordem dos Manzuri estava reunida ordenadamente, enquanto enfileirada de joelhos.

A Ordem já era composta por centenas de Vampire-kin de nível inferior que foram transformados em vampiros a partir de bandidos do Oito-Dedos.

Os membros da Ordem alinhados à frente de Satoshi não pareciam ter indisposição com os anjos e mortos-vivos que Satoshi convocou para transportar as coisas que ele coletou nas Terras de Krast, eles pareciam reconhecer os anjos como humildes aliados que serviam ao mesmo Senhor que eles.

"Vejo que você tem bons números agora, Manzu."

"Obrigado, Ser Supremo, estamos todos a serviço do Ser Supremo."

Um orgulhoso Vampire Knight respondeu de sua posição ajoelhado em frente a seus subordinados.

Satoshi olhou para os numerosos vampiros alinhados com precisão milimétrica na frente dele enquanto se lembrava de uma coisa.

Pelo que aprendi com Tina existe possibilidade da chegada destes bandidos dos Seis Braços na cidade, eu acho que a Ordem daria conta desses caras caso eles chegassem até aqui embaixo, mas...

Satoshi tinha receio que os Seis Braços investigassem pesadamente os desaparecimentos que ocorreram com os colegas de sindicato deles aqui em E-Rantel e, enquanto faziam isso, aprendessem sobre Manzuri nos esgotos.

Satoshi tinha proibido os Manzuri de deixar os esgotos e até mesmo de se aproximar das saídas com receio de que fossem descobertos pela cidade cedo demais.

A intenção original era que a Maligna Ordem dos Manzuri fizesse a estreia dela apenas daqui a 9-10 dias, àquela altura todos os bandidos já tieriam sido convertidos em vampiros e o cenário para a peça de teatro onde o Aventureiro Atari e o diplomata Kuro das Luzes Tortuosas estaria pronto.

Portanto, caso esses tais Seis Braços descobrissem os Manzuri, eles poderiam alertar a cidade e pôr tudo a perder.

Não tem jeito… vou ter que lidar com eles assim que vê-los, ao menos terei mais matéria prima.

Satoshi pensava essas coisas quando se despediu de Manzu e usou a magia [Gate] para abrir um portal que ligava os esgotos de E-Rantel com a Instant Fortress.

Quando todas as convocações tinham terminado de trazer para o pátio da fortaleza os bens saqueados dos acampamentos criminosos junto com as dezessete novas mulheres colonos adormecidas, alguns membros da Escritura dos Mortos-vivos e do Batalhão Latino se reuniram para começar a armazenar aquele pequeno loot trazido por Satoshi.

"Deixe estas para Miya, Meu Tudo! Miya vai adaptar muito bem estas humanas!"

O Aztlan Couatl Miya, que estava na forma de uma garotinha Indígena-Mesoamericana em indumentária tradicional, disse isso enquanto ordenava aos membros do Batalhão Latino para carregarem as mulheres adormecidas até o Pavilhão de Hachi, onde viviam os habitantes humanos da cidade em construção.

"Por falar nisso, Miya, como estão indo os colonos humanos?"

"Estão indo bem, Meu Tudo! Eles são muito úteis já que são mais espertos que os Goblins! Como Meu Tudo ordenou, Miya hoje estabeleceu uma escola para todos eles aprenderem a escrita desta terra e a fazer cálculos!"

Satoshi tinha pedido que Miya fizesse isso ainda no pós-evento da Operação Yubizume.

O analfabetismo em E-Rantel era enorme, devia talvez estar entre 70-80% e como as mulheres e homens trazidos para Famicômia eram quase todos da fração menos favorecida da sociedade, muitos deles eram analfabetos.

Satoshi também tinha ordenado que a escrava Élfica Mirella fizesse um ambiente de ensino para os escravos da torre se alfabetizarem também. Pelo que ele sabia, havia até um escravo tutor masculino entre os coletados com o Oito Dedos.

Aliás… lembro agora que eu vários dias atrás eu ordenei que Tsuki aprendesse a escrita do reino e ensinasse aquilo para Miya e Kuro.

Satoshi tinha feito isso a algum tempo, na ocasião em que criou o primeiro morto-vivo dele, e apesar do humunculi Wizard Kuro ter deixado o local para trabalhar como embaixador, a humunculi Dread Necromancer Tsuki e sua Eidolon Miya ainda estavam aqui.

"E você Miya, você tem aprendido a escrever a escrita deste país?"

"Ah… bem, sim, Meu Tudo, Esta Miya está aprendendo... Tsuki tem ensinado esta Miya..."

Miya não parecia muito animada com isso, talvez ela achasse o aprendizado chato, então Satoshi pensou em uma maneira de incentivá-la.

"É importante que você aprenda a escrita dos humanos, afinal você é Miya das Penas Arco-Íris, a Grande Dama da Famicômia e, cedo ou tarde, precisará lidar com eles pessoalmente."

A garotinha Indígena-Mesoamericana ouvia atentamente Satoshi mas ainda não parecia convencida.

"... Além disso, você vai ser uma das minhas professoras quando eu for aprender essa coisa, então é importante que você aprenda tudinho."

Essa informação pareceu animar ela, já que os olhos dela brilharam quando ouviu aquilo.

"Sim, Meu Tudo! Pode deixar para esta Miya! Esta Miya ensinará tudo a Meu Tudo!"

A sorridente Miya saltou em Satoshi para um abraço, quando ela saltou em Satoshi o corvo vermelho Karasu que estava tranquilo na cabeça de Miya voou do cocar dela, incomodado pelo súbito movimento, e pousou em um Death Knight próximo.

"E Tsuki, onde ela está?"

"Ela está na masmorra, com Lady Verminose e Nigurath."

Satoshi seguiu até a masmorra, estando acompanhado por Miya e Karasu.

A Instant Fortress tinha três andares subterrâneos que eram magicamente ampliados e portanto, pareciam muitas vezes maior do que deveriam ser.

O primeiro andar subterrâneo abrigava uma cozinha profissional com refeitório que servia como local de produção de alimentos e salão de refeição para servos.

O segundo um depósito e arsenal onde estavam guardados as armas da Instant Fortress, bem como os bens da Fortaleza, inclusive todos aqueles bens que foram looteados do Oito-Dedos durante a Operação Yubizume e que não foram carregados por Miya até a cidade.

Mesmo agora, o pequeno Loot que Satoshi conseguiu nas Terras de Krast estava indo para aquele andar.

E por último, também havia o Terceiro Andar subterrâneo, o ponto mais fundo da Instant Fortress e onde ficava a prisão da Fortaleza.

Se alguém perguntasse a opinião de Satoshi sobre a disposição destes andares subterrâneos, ele com certeza pensaria em dizer que o fato do Arsenal estar entre a Prisão e o resto da Fortaleza era um erro grosseiro de arquitetura deste prédio, mas, mesmo que pensasse isso, Satoshi não diria em voz alta, afinal ele não era um arquiteto e não gostava de opinar em áreas que não dominava.

Quando os três deles entraram na masmorra, eles viram muitos mortos-vivos, muitos corpos e alguns humanos amordaçados e detidos em celas.

No hall principal da prisão, Satoshi viu uma cena que, infelizmente, parecia familiar.

Isso foi Tsuki, que estava sentada totalmente compenetrada em escrever com uma caneta-pena em um papel.

Mas a escrivaninha que ela usava era um Death Knight que estava de quatro no chão e a cadeira era ninguém menos que o odioso Vampire Lord Nigurath também de quatro no chão.

Satoshi estava tão incomodado vendo aquilo que passou a considerar agir de forma paliativa e dar para Tsuki, em um disfarce de presente pessoal, peças de mobília, que incluíssem muitas cadeiras, para que assim Tsuki parasse de fazer de móveis os subordinados dela.

Quando a homunculi Dread Necromancer Tsuki viu eles entrarem na sala, ela se levantou rapidamente e abaixou a cabeça para Satoshi e Miya.

Satoshi tentou ignorar a face de desapontamento que ele viu o Vampire Lord Nigurath fazer quando as volumosas e macias nádegas da pequena Tsuki deixaram as costas dele.

Não é bem culpa dele, qualquer um se excitaria com uma bunda dessas sentada nas próprias costas… mas ainda assim é ultrajante!

Satoshi sacudiu a cabeça apressado quando, sem aviso, novamente, a imagem dele próprio nu e de quatro com Tsuki em lingerie preta portando um chicote de equitação sentada em cima dele surgiu na cabeça dele.

"Pode levantar a cabeça, Tsuki. Eu vim aqui lhe devolver isso e te comunicar que há alguns novos corpos que serão trazidos aqui para os seus experimentos com Lady Verminose, são 76 cadáveres."

Satoshi entregou para Tsuki o caderno de anotações com os segredos da Teocracia. Aquele caderno tinha sido escrito por ela mesma e Satoshi já tinha terminado de ler.

"Obrigada, Famicom-sama. Talvez este caderno tenha sido útil a Famicom-sama?"

"Muito útil, Tsuki. O que eu aprendi com este caderno vai me ajudar muito em um conflito futuro, você tem minha gratidão pelo excelente trabalho que fez condensando estes dados, pelo texto limpo e pelo esmero que teve ao elaborar este caderno, realmente, sou feliz por ter alguém como você trabalhando para mim."

Satoshi, que percebeu que quando chegou aqui tinha entregado o caderno sem dizer uma palavra de elogio para Tsuki, aproveitou a oportunidade que surgiu atrasada e tentou compensar dizendo um montão de elogios, todos verdadeiros, ao mesmo tempo.

Ouvindo aquilo Tsuki, que geralmente sempre tem uma expressão Kuudere e que quase não flexiona os músculos da face dela, ficou um pouco corada e imediatamente se curvou levemente para frente de uma maneira antiquada e medieval, erguendo um pouco a barra da saia e se pondo nas pontas dos pés.

"Eh… que cumprimento é esse, Tsuki?"

"Ah, isto? Segundo aquele cão indigno, Nigurath, é como as donzelas nobres agradecem aos cavalheiros nestas terras."

"Uhm… bom saber."

Satoshi, com uma Poker Face, olhou rapidamente de soslaio para Nigurath que ainda estava de quatro no chão e olhava para as costas de Tsuki de uma forma evidentemente suja.

Bem, imagino que seja difícil não fixar o olhar em uma bunda dessas quando diante dela e vendo por tal ângulo, mas... ainda assim! Você é um escravo, homem, se enxerga!

Satoshi também ficou desagradavelmente admirado que Tsuki conversasse sobre essas coisas aleatórias, e não relacionadas ao trabalho, com Nigurath. A verdade é que o próprio Satoshi, que passava a maior parte do tempo fora da Instant Fortress, não tinha interagido com muitas mulheres nobres e não tinha ideia alguma sobre a existência desse cumprimento feito por Tsuki e também não sabia se ele mesmo devia responder esse gesto com algum outro.

Para ser sincero, a única mulher nobre com quem ele interagiu foi Lakyus, mas ela estava sempre fazendo o papel de aventureira durante todo o tempo, ele não tinha visto ela fazer nenhuma saudação assim.

Pensar em Lakyus levou um sorriso nos lábios de Satoshi.

Satoshi queria muito um envolvimento com Lakyus e nutria secretamente a esperança de que, agora que tinha recrutado Tina, ele seria capaz de melhorar a opinião da líder das Rosas Azuis sobre ele.

Mas ele sabia que qualquer envolvimento dele com ela dependeria dela dar valor a ele e, caso ela chegasse a fazer isso, ele precisaria ser um homem capaz de honrar ao máximo essa confiança dela.

No entanto, talvez fosse impossível que ela se interessasse nele dado o fato dele ser um vampiro destinado a matar milhares como ele era.

Afinal, Lakyus era uma boa pessoa e esse era parte do charme dela.

Satoshi também não desejava brincar com Lakyus e ele realmente não seria capaz de perdoar a si mesmo se ele desgraçasse ela em nome de uma aventura passageira na qual ele não corresponderia plenamente às expectativas dela. Afinal Lakyus era uma mulher que está construindo tamanha piscina de virtude para um possível amado, se alguém sujasse isso de forma irresponsável esse alguém, na opinião de Satoshi, estaria cometendo um crime capital e ele mesmo não desejava ser esse criminoso.

Ele realmente achava essas coisas complicadas e não podia deixar de pensar que estava apenas sobrepensando sobre esse assunto.

Em algum lugar no subconsciente de Satoshi, também estava a fraca realização de que ele talvez estivesse idealizando Lakyus demais e imputando naquela garota coisas que só existiam na cabeça dele.

Talvez eu devesse desistir de um amor para vida com Lakyus e partir para um Harém frágil em sentimento mas forte na putaria?

"Famicom-sama?"

Enquanto ele pensava algo idiota de novo, Satoshi foi chamado de volta a realidade pela voz de Tsuki.

Satoshi percebeu imediatamente que ele ficou algum tempo vagueando nas ideias dele e esqueceu do entorno.

"Ah, perdão, Tsuki. Eu estava apenas fazendo considerações sobre o futuro… mas me diga, como estão indo Ruby, Wasabi e Sapphire?"

Satoshi tinha enviado três de seus cinco homunculi para as capitais dos três países vizinhos. A homunculi Fighter Ruby tinha ido a Arwintar no Império de Baharuth, o humunculi Samurai Wasabi tinha ido a Kami Myako na Teocracia de Slane, já a homunculi Thief Sapphire foi para a capital que dá nome ao Reino de Re-Estize.

Tsuki foi a pessoa a quem Satoshi delegou a responsabilidade de monitorar eles.

"Creio que Ruby deve ter alcançado a sede do Marquesado de Sittar esta noite, mas tanto Sapphire quanto Wasabi ainda estão na estrada."

Era bom saber disso.

Satoshi planejava ir até uma o Império amanhã à negócios, então ele provavelmente teria a chance de ver novamente a doce Ruby em breve.

"Certo, continue se comunicando com eles, Tsuki. E quanto a ela… como está indo os experimentos com Lady Verminose?"

Satoshi perguntou isso e olhou para o enorme verme anelado que de tão gordo tinha um tamanho maior do que uma carruagem e que também tinha o tronco de uma voluptuosa mulher nascendo acima da boca vertical, gosmenta e repulsiva dele.

"Ela está indo maravilhosamente bem, Famicom-sama. Lady Verminose é uma criatura tão bem feita que só podia ter sido criada por Famicom-sama. Os resultados dos testes ainda não estão perfeitos, mas eu posso adiantar que..."

Enquanto Tsuki o respondia, Satoshi viu Lady Verminose tremer todo o corpo dela enquanto soltando uns sons estranhos, pouco tempo depois de uma tremedeira particularmente longa do corpo gordo dela, um Elder Lich coberto de fluidos fedorentos saia de um alargado orifício que ficava na ponta traseira daquele verme repulsivo.

Imediatamente, alguns mortos-vivos da Escritura dos Mortos-vivos limparam tanto o Elder Lich quanto o orifício traseiro de Lady Verminose, que por sua vez já começava a engolir um novo cadáver humano pela boca vertical gosmenta dela.

Ei, ela mandou um barroso aqui, agora, na cara dura e na nossa frente?

"Não precisa falar agora, Tsuki, quando os resultados estiverem prontos me envie isso por escrito."

Satoshi se despediu apressado de Tsuki e subiu as escadas.

Ele ainda tinha um encontro com a Escrava Sexual dele no cemitério de E-Rantel então ele não tinha o luxo de ficar vendo essas imagens broxantes dos experimentos na masmorra.

Pensando assim, Satoshi rumou para os aposentos dele para tomar um banho e se renovar completamente, melhorando assim o desempenho dele na sessão de foda de daqui a pouco.

Miya e Karasu o seguiam, Karasu no cocar de Miya e Miya de mãos dadas com Satoshi enquanto falava orgulhosa notícias da cidade que ela estava erguendo.

No caminho Satoshi cruzou com a escrava elfa de cabelos vermelho-amarronzados chamada Pazuka e com a de cabelos loiros chamada Tantalle. Ele prontamente pediu que elas o acompanhassem enquanto conversava com elas sobre a situação na Instant Fortress.

Para surpresa de Satoshi, elas disseram para ele que havia muito pessoal trabalhando na fortaleza e que talvez 'fosse mais justo com o mestre' se metade dos escravos fossem enviados para trabalhar na cidade em construção.

Mas, mas, isso diminuiria a proporção de mulheres jovens perfumando o ambiente!

Um dos motivos de Satoshi ter tantas escravas assim era para compensar o fedor dos homens goblins do Batalhão Latino, fedor este que se deixado solto arruinaria esta fortaleza.

"Não se preocupe Tantalle, apenas garanta a educação de todo mundo. Muito em breve eu vou erguer outra fortaleza igual a essa e quero pessoas qualificadas para trabalhar como empregadas lá também."

"Sua escrava entende, Gentil Mestre."

Tantalle pareceu surpresa com a notícia, mas acenou entendimento.

"Meu Tudo vai fazer outra Fortaleza?"

Miya, por sua vez, perguntou isso quando eles chegaram no andar dos aposentos de Satoshi.

"Sim Miya, eu pretendo ter uma fortaleza nas Planícies de Katze, aquele domínio morto-vivo de que lhe falei anteriormente..."

Enquanto eles caminhavam até a entrada do quarto de Satoshi, a porta do quarto que ficava em frente ao quarto de Satoshi se abriu.

Haviam muito poucos aposentos neste andar e além do quarto de Satoshi, que era o maior de todos por grande margem, apenas aquele outro quarto do outro lado do corredor estava ocupado.

Depois que a porta abriu, uma mulher e uma garotinha saíram enquanto falavam entre si em voz baixa e carregavam cada uma uma bandeja com pratos e copos vazios, além de alguns poucos restos de comida.

Quando as duas viram a comitiva de Satoshi elas congelaram em pânico sobre o que deviam fazer.

Antes que as duas se atrapalhassem com as bandejas com louças que carregavam, Satoshi falou rápido para acalmar ambas.

"... Opa, não, não, por favor, vocês não precisam se curvar nem para mim nem para ninguém desta fortaleza, eu disse ontem para vocês, não disso? Vocês são minhas convidadas, não é? Então, por favor, ajam com tal, apenas relaxem, deem uns sorrisos e ergam a cabeça."

Aquelas duas, eram a ex-viciada Valenzia e a pequena filha dela, Prina.

Ontem, durante a operação onde Satoshi tinha buscado pelos entes queridos dos ex-viciados que foram 'sequestrados' por ele para serem colonos na Famicômia, Satoshi descobriu que tinha feito um grande mal para estas duas.

Esse mal foi que, devido ao capricho dele que adiou por um dia aquela operação, a jovem Prina tinha ficado um dia inteiro por si só e, durante este tempo, um filha-da-puta de um vizinho a tinha mantido em cárcere na casa dele e abusado daquele criança por um dia inteiro.

Satoshi então tinha decidido que receberia ambas dentro da Instant Fortress como convidadas em caráter perpétuo numa tentativa de consertar parte da bagunça que ele tinha criado nas vidas dessas duas, principalmente na vida da jovem Prina.

"A-Ah, certo, então com licença, nós estamos indo, F-Famicom-sama..."

Valenzia respondeu a fala de Satoshi com um sorriso de nervoso enquanto começava a sair e conduzia a garotinha Prina para que a seguisse.

"Ei, espere um momento, Valenzia!"

As duas já estavam saindo e Satoshi já se virava para entrar no quarto dele, quando Miya disse aquilo.

"... Sim, M-Miya-sama?"

"Você e sua criança são humanas de sorte por cruzarem o caminho desta Miya e de Meu Tudo, Valenzia! Saiba você que esta Miya e Meu Tudo vamos tomar banho juntos agora!"

Miya disse aquilo orgulhosa, com o nariz empinado e toda sorridente.

Para Satoshi, Miya parecia estar agindo como uma criança querendo ser elogiada, aquilo foi o que Satoshi pensou sobre o comportamento da Eidolon dele.

"... isso é... maravilhoso, M-Miya-sama, você realmente é afortunada, meu parabéns..."

Valenzia, que parecia ter entendido o mesmo que Satoshi, disse aquilo para Miya com um sorriso um pouco menos nervoso do que o que ela mostrou quando respondeu Satoshi antes, provavelmente porque agora ela falava com uma criança fofa, mas ela ainda dava sinais de querer se virar e sair.

"Sim, esta Miya é mesmo. Como por vocês, vocês não tomaram banho hoje, não é? Esta Miya pode sentir daqui que você duas estão fedendo!"

Ow, o que é isso Miya? Por que agir tão mal-educada?

Está certo que, tal qual Miya supunha, pelo que Satoshi podia notar com os sentidos dele, era altamente provável que elas não tivessem tomado banho hoje.

Mas por que jogar isso na cara delas? Que deselegante...

Neste mundo era comum pessoas passarem dois ou três dias sem se banhar, embora entre mulheres isso dificilmente excedia dois dias.

Então estas duas estavam agindo de acordo com a cultura delas.

"Vamos, Tantale, Pazuka, Meu Tudo! Vamos nos banhar! Senão ficaremos fedendo também!"

Depois de arremessar o insulto de que as duas estimadas convidadas de Satoshi fediam, Miya agora se virava como se nada tivesse acontecido e começava a entrar no quarto.

Ah vá, você acha mesmo que vai sair dessa sem pedir desculpas sua pirralha mal educada...

Satoshi demorou escolhendo as palavras que usaria para chamar a atenção de Miya aqui. Uma bronca que não sirva de aprendizado é apenas uma violência, por isso ele deve se assegurar de fazer Miya aprender a lição dela e que o lado agredido se sentisse bem também.

Mas antes que Satoshi dissesse qualquer coisa, uma voz infantil foi ouvida naquele corredor silencioso.

"Essa menina é tão sem educação..."

Imediatamente após a pequena Prina dizer isso, Valenzia fuzilou a própria filha com os olhos e olhou apologética para as costas de Miya.

Miya por sua vez tinha parado de andar para dentro do quarto e ainda estava com um dos pés levantado no ar como ela interrompeu o passo que dava.

"... mas ela é grossa, mamãe, ela nos ofende e sai andando como se isso fosse normal, o Lorde-sama não disse que nós somos convidados aqui? Ela ignora as palavras do Lorde-sama e age egoísta, como se os pais dela não tivessem dado qualquer educação a ela..."

Conforme a voz da jovem Prina diminuía enquanto ela resmungava para a mãe que a repreendia cada vez mais com um olhar que desesperadamente implorava por silêncio, o ar do corredor começou a gelar. Satoshi entendeu imediatamente o que estava acontecendo com o ambiente, Miya estava começando a liberar sem perceber a intenção assassina dela.

Antes que a intenção assassina de Miya chegasse a um nível que a pequena Prina e mesmo os demais adultos naquela sala começassem a entrar em pânico sujando as próprias calças, Satoshi pôs as mão no ombro de Miya e disse por telepatia "Suprima isso já!" e como ela pareceu que ia responder algo ele calou ela com um "Shhh!" telepático.

Satoshi então caminhou até Prina, que por sua vez, estava um pouco apavorada devido ao breve momento em que sentiu uma pequena fração da intenção assassina de Miya.

Conforme Satoshi se aproximava de Prina, Valenzia colocou apressada a bandeja de louças que levava no chão de qualquer jeito e se jogou de joelhos na frente de Satoshi implorando pela vida da filha.

Que exagero...

Satoshi ignorou Valenzia, se aproximou de Prina e ainda de pé se inclinou quase noventa graus antes de dizer.

"Por Favor! Me perdoe pelo comportamento de minha subordinada, jovem convidada honrada!"

Ele permaneceu naquela posição por muitos segundos, como Prina devia estar terrificada pela sensação que teve antes quando sentiu um vislumbre da intenção assassina de Miya ela demorou bastante para responder.

"Eu disse para você suprimir isso!"

Miya pareceu quase estar perdendo o controle de novo, provavelmente porque Satoshi estava naquela posição a quase meio minuto.

Satoshi tinha aprendido que Miya valorizava ele muito, talvez até mais do que a si mesma, então ele realizou que diminuindo a si mesmo por causa de um erro dela, ele faria ela refletir mais nas atitudes que toma.

E claro que, aos olhos do próprio Satoshi, pedir desculpas não era se diminuir, mas para um ser forjado no orgulho como Miya isso devia parecer assim.

"... p-por favor, Lorde-sama, L-levante a cabeça..."

Finalmente depois de quase um minuto, Prina disse algo.

Mas não foi o que Satoshi queria ouvir, então ele refez o pedido.

"Por Favor! Me perdoe pelo comportamento de minha subordinada, jovem convidada honrada!"

"... L-Lorde-sama, p-por favor, o-os olhos de todos, v-vão me matar…."

Parece que Prina estava recebendo alguns olhares ameaçadores por estar fazendo Satoshi ficar tanto tempo nesta posição.

Não pode ser ajudado...

"Por Favor! Me perdoe pelo comportamento de minha subordinada, jovem convidada honrada!"

"... e-eu perdoou Lorde-samaaa!"

Prina disse aquilo e, devido toda aquela pressão, se deixou cair sentada no chão suando bicas quase não conseguindo amparar a bandeja que segurava.

Satoshi falou para a garotinha algumas breves palavras de incentivo e conforto e se voltou para a mãe dela reproduzindo o gesto de desculpas que tinha acabado de fazer.

"Por Favor! Me perdoe pelo comportamento de minha subordinada, convidada honrada!"

"Eu perdoou, Famicom-sama!"

Desta vez, tendo ficado menos de um instante inclinado, ele recebeu a resposta de Valenzia.

Ele então trocou algumas palavras breves com Valenzia e voltou para caminhar em direção ao grupo original dele.

Quando os olhos dele, que caminhava em direção a comitiva do banho, se encontraram com os olhos de Miya, ele fez uma expressão dura recheada de decepção.

Ao receber aquele olhar de Satoshi, aquela garotinha desabou no choro, derretendo igual uma manteiga aquecida.

Miya caiu sentada no chão com lágrimas saindo dos olhos como um córrego e tendo o nariz dela entupido em fração de segundo enquanto fazia uma cara de choro desesperada sentada no chão estendendo os braços que tremiam e falando com uma voz desesperada "Dheschulphaah! Mheuh Thudho! Mhe Dheschulpha!".

Satoshi manteve o ritmo da caminhada e parou ao lado dela que imediatamente segurou o robe dele enquanto ainda chorava sentada no chão pedindo desculpa para ele.

Meu deus que escândalo… tendo sido isso um feito meu, estou me sentindo o pior dos homens.

Mas ainda assim, parar agora faria tudo ser em vão, então Satoshi continuou com o planejado.

"E por acaso é para mim você tem que pedir desculpas, Miya?"

Ouvindo as palavras neutras de Satoshi que conferiam esperança no coração dela de que Satoshi não a odiava agora, uma chorosa, encatarrada e toda molhada de lágrimas, Miya, começou a rastejar no chão falando "Mhe Dheschulpha!" enquanto ia em direção a menininha Prina, que, por algum motivo, também estava chorando sentada no chão.

Quando Miya estava na metade do caminho, a jovem Prina, talvez em solidariedade a Miya, também começou a engatinhar se arrastando no chão em direção a garota que se aproximava.

Foi apenas quando as duas crianças se encontraram no chão do meio do corredor, uma segurando a mão da outra, que finalmente o choroso "Mhe Dheschulpha!" de Miya se encontrou com o também choroso "E-Eu tih disculpuh!" de Prina, e poucos instantes depois ambos se encontraram com o "Ara, para com o berro, Pri, e você também não chore, Miya-sama, sim, sim, é claro que eu te perdoo, você é minha salvadora, a nossa salvadora, não é?" da mãe de Prina que se aproximou emocionada e abraçou a filha.

Satoshi, que teve um corvo vermelho chamado Karasu empoleirado na cabeça dele desde que Miya desabou no chão chorando, se aproximou também das três garotas que estavam sentadas no chão se abaixou para ficar na altura delas e deu alguns tapinhas na cabeça de Prina e Miya.

Miya, por sua vez, se arremessou sobre ele em um abraço energético assim que a mão de Satoshi tocou a cabeça dela.

"Muito bem crianças, agora façam as pazes sim, não quero nenhum rancor aqui, ouviu Miya?"

Satoshi disse aquilo ao mesmo tempo em que ele acariciava com carinho o topo da cabeça de Prina e que era apertado em abraço dado por Miya.

Ele pensou que aquele abraço devia ser 100x mais forte que um abraço de um Urso, era como se ela não quisesse soltar ele mais.

Crianças podem superdimensionar coisas tão simples...

Enquanto ali no chão, Satoshi sinalizou para que as duas Escravas Elfas, que estavam na porta do quarto dele esse tempo todo, entrassem para dentro e começassem a preparar o banho.

- PARTE NOVE -
Conversa com uma Árvore

Enquanto Tantalle e Pazuka preparavam o banho na grande sala de banhos dele, Satoshi convidou Valenzia e Prina para entrarem no quarto com ele e se juntarem a todos no banho coletivo deles.

Mas como o convite dele foi humildemente recusado por Valenzia, Satoshi decidiu não insistir com o assunto. Eles então se separaram e, enquanto Satoshi entrava no quarto com Miya abraçada nele como um filhote de Mico, Valenzia e Prina iam em direção às escadas com as bandejas de comida delas.

Uma vez dentro do quarto dele, Satoshi pensou com cuidado e concluiu que talvez Valenzia tenha recusado o convite dele tentando proteger a frágil mente da filha dela.

No dia de ontem, Prina tinha sido abusada por um crápula em E-Rantel, então ela provavelmente deve estar muito traumatizada com pessoas do sexo oposto.

Acho que fazer esse convite foi uma estupidez minha…

Satoshi só queria aproveitar a recente interação delas e fazer Miya e Prina se aproximarem uma da outra, mas, ele ignorou o óbvio, é claro que um banho misto não é o local ideal para uma criança que foi recentemente vítima de abuso sexual.

Isso dito, Prina se mostrou uma garota mentalmente forte.

Apesar dela estar com olheiras profundas porque provavelmente não dormiu um minuto na última noite, ela foi capaz de se erguer e responder a ofensa que Miya tinha arremessado sem motivo em cima dela agora a pouco.

É bom ver que mesmo depois de tudo aquilo ela tem força dentro dela… originalmente eu estava preocupado com a apatia dela.

Satoshi lembra da operação de ontem onde as pessoas queridas dos ex-viciados foram trazidas para Famicômia.

Prina tinha sido retirada pelo pessoal de Satoshi diretamente do interior do barraco daquele crápula do vizinho dela e mesmo quando ela encontrou a mãe dela, ela não chorou ou fez qualquer coisa, apenas tinha os olhos abatidos e quase vazios.

Satoshi acreditava que ela não devia ter uma boa relação com a mãe.

Afinal, Valenzia foi uma viciada que devia aos Oito-Dedos e que tinha que se prostituir para pagar essa dívida. Pelo que Satoshi sabia, as condições de vida das duas era próxima da miséria em E-Rantel.

Satoshi entendia que provavelmente Valenzia foi uma mãe de merda para Prina, mas quando Satoshi via o olhar preocupado daquela mulher quando olhava para a filha dela agora que o vício dela foi removido do corpo dela pela magia [Detox] de Miya, Satoshi não era capaz de condená-la, pois ele pensava que se ele fizesse isso ele apenas dificultaria que a vida de ambas se consertasse.

É ótimo que Valenzia foi capaz de aprender com os erros do passado e está dando tanta atenção à filha dela agora…

Satoshi pensava estas coisas enquanto paralelamente passava algum tempo com Miya no quarto, esperando que Tantalle e Pazuka terminassem de preparar o banho deles.

O que não demorou muito para acontecer.

Imediatamente então, ele se apressou para a Sala de Banho, afinal, muitos quilômetros distante de onde ele estava, uma beldade loira ansiava pela chegada dele no subterrâneo de um cemitério.

Depois que Satoshi e Miya entraram na Sala de Banho, ambos se despiram e se lavaram com ajuda das prestativas escravas Pazuka e Tantalle.

Após aquilo, Satoshi e Miya então foram para a banheira de água quente e apenas algum tempo depois, Pazuka e Tantalle se juntaram a eles.

Satoshi estava relaxando na banheira quente com Pazuka escovando o braço direito enquanto via Tantalle tratar o longo cabelo liso escuro de Miya na beirada da banheira.

Ele aproveitou água quente por um tempo, mas quando estava ganhando forças para sair, uma ave vermelha começou a se agitar na Sala de Banho.

"Caw! Interessante, interessante! Kraa!

A voz e o comportamento de Karasu, que voava agitado pela sala enquanto grasnava um 'kreaa, kreaa' barulhento, chamou a atenção de Satoshi.

"Aqui, aqui, Karasu, me mostre o que é tão interessante assim."

Satoshi falou aquilo enquanto erguia o braço para que Karasu pousasse no antebraço dele.

Ele se perguntava o que era tão interessante assim para que Karasu se comportasse dessa maneira incomum.

Quando o corvo vermelho pousou no braço dele, paralelamente à visão normal de Satoshi, que mostrava Miya tendo o cabelo lavado por Tantalle, uma imagem projetada se formou na mente dele.

"Entendo, é uma árvore grande essa que você achou, hein..."

Uma árvore de mais de cem metros era visível na imagem enviada por uma das Aves Remotas de Karasu para o Karasu Original que por sua vez transmitia aquilo para a mente de Satoshi.

Aquela Árvore Sinistra era um pouco cônica e não tinha folhagem significativa, sendo mais parecida com um tronco morto com galhos secos que pareciam tentáculos e um grande buraco no meio do tronco que, estranhamente, lembrava uma boca.

Os galhos daquela árvore se estendiam por mais de cem metros e se mexiam de uma forma não natural.

"Olhar em volta é possível, Karasu?"

"Entorno, entorno, Kraa!"

Respondendo ao comando de Satoshi, Karasu fez o pássaro remoto voar circulando a árvore e olhando o ambiente ao redor dela.

Apesar de ser de noite, os olhos do corvo puderam ver que tudo em volta era uma grande desolação com árvores mortas, todas elas muito menores que aquela Árvore Sinistra.

Não havia nenhum sinal de vida animal naquela área.

"Tente pousar na árvore grande, Karasu."

Depois de Karasu grasnou barulhento, o corvo remoto voou em linha reta em direção ao topo da grande árvore com os olhos focados em algumas plantas verdes que cresciam ali.

Mas, subitamente e sem aviso, a imagem que era enviada até a cabeça de Satoshi girou de forma confusa, foi como se o corvo remoto tivesse feito uma manobra emergencial brusca e então, do nada, tudo ficou escuro.

"Morreu, morreu, Kreaa, Kreaa!"

Karasu grasnou choroso no braço de Satoshi anunciando a morte do corvo remoto.

Foi tudo tão rápido e confuso que Satoshi não entendeu direito o que aconteceu com o pássaro espião, mas ele achou que viu por um breve instante um dos galhos se moverem em direção a ave que desviou e então a conexão caiu.

"A árvore matou ele?"

"Assassina, assassina, Kreaa, Kreaa!"

Karasu agora grasnava zangado no braço de Satoshi.

"O que houve, Meu Tudo?"

Miya, cujo cabelo já estava limpo, se aproximou de Satoshi no interior da banheira, a Eidolon parecia preocupada com o comportamento de Karasu.

Satoshi pensou um pouco para si mesmo.

Aquela árvore gigante é muito estranha, ela me passou a impressão de ser um ser poderoso… talvez eu devesse investigar isso?

Satoshi tinha vindo até aqui tomar banho para se preparar para o bom tempo que teria com Clementine durante todo resto da noite. Se ele saísse em uma aventura agora, teria menos tempo para usar o Toilet Humano dele, além de que, dependendo da atividade que fizesse nessa saída, o banho dele teria sido em vão.

Por outro lado ele estava curioso demais sobre a natureza daquela árvore e tinha um estranho e irracional pressentimento sobre aquela planta superdimensionada.

Eu acho que nem Clementine nem aquela Árvore Sinistra vão sair do lugar, então talvez...

Depois de um tempo pensando em silêncio, Satoshi tomou sua decisão.

"Meu Tudo?"

"O banho chegou ao fim pra nós dois, Miya. Nós agora vamos dar uma sáida rápida."

Ele tinha decidido que agora era a hora de uma expedição noturna.

Quinze minutos depois de dizer aquilo, Satoshi e Miya seguiam Karasu que voava veloz pelo céu noturno. Eles tinham deixado apressadamente Mirella e Pazuka para trás após apenas algumas palavras e tinham voado pela janela após se vestirem.

A pedido de Satoshi, o corvo vermelho agora os guiava até o local onde o pássaro remoto dele tinha perecido em frente da Árvore Sinistra.

Foram necessários menos de vinte minutos de voo acelerado a partir da fortaleza para os três chegarem em uma área que poderia ser chamada sem prejuízo de 'Cemitério de Árvores'.

Era uma vasta área de floresta de uns 10 quilômetros quadrados, estava repleta de árvores secas e sem folhas, mesmo que esta não fosse a estação para isso.

No exato ponto central daquela desolação havia a Árvore Sinistra com uma aparência horrível, aquela árvore era maior que todas as outras ao redor, tendo mais de uma centena de metros de altura.

Era como se o Cemitério de Árvores tivesse se iniciado na Árvore Sinistra e se espalhado em todas as direções ao redor daquele ponto inicial.

Será que isso é uma doença de vegetais?

Satoshi se perguntou isso enquanto flutuava no céu com Miya e olhava a árvore de longe. Ele pensou que talvez esta grande árvore tenha adoecido e espalhado essa doença em volta. Se este fosse o caso e a doença continuasse a se espalhar então a floresta que Satoshi tinha reclamado para si estava em perigo.

Ainda assim… será que foi mesmo esta Árvore Sinistra que matou o Corvo Remoto de Karasu?

Olhar a Árvore Sinistra desta distância dava a Satoshi uma sensação estranha.

Era como se aquilo não fosse uma árvore, mas um animal em repouso.

"[Summon Beast I]!"

Apenas como um teste, Satoshi convocou uma Atlas Eagle, uma besta mágica de nível 5. Ele então comandou por pensamento a criatura convocada e ordenou que aquilo se aproximasse daquela árvore tal qual o Corvo Remoto tinha feito antes.

A Besta Mágica que lembrava uma Águia Gigante, maior que qualquer cachorro, ganhou altura antes de planar lentamente em linha reta, visando pousar no topo do tronco da árvore cônica gigante.

Quando aquela magnífica ave de rapina estava a cerca de cinquenta metros do seu objetivo, um dos galhos da árvore gigante estalou como um chicote indo em direção ao pássaro.

A Águia conseguiu se esquivar, mas, novamente outro galho rumou até ela, ao qual ela também se esquivou, e então um terceiro galho e um quarto surgiram, sendo que este último teve sucesso e desfez a águia em centenas de flocos de luzes.

Satoshi sentiu a conexão com a Atlas Eagle se extinguir enquanto observava chocado que os galhos secos tateavam o ar onde a Besta Mágica estava antes, como se procurando o corpo dela.

"Meu Tudo! Esta árvore é muito perigosa!"

"Eu percebi, Miya. Por segurança, se afaste um pouco mais, está bem?"

Quando a árvore tomou uma postura ofensiva e atacou a Atlas Eagle que se aproximava, Satoshi teve um vislumbre de sua presença sinistra e graças a sua habilidade {Level Evaluation} ele foi capaz de estimar o nível desta árvore macabra como Nível 84.

Aquilo era de uma liga totalmente diferente do que ele já viu neste mundo até agora.

Satoshi não sabia como se portar com essa árvore, então, por segurança decidiu primeiro que faria alguns testes.

"[Summon Demon VI]!"

Satoshi convocou dois demônios de 5° Nível. Eram dois Nalfeshnee, a baixa nobreza dos demônios, os Nalfeshnee eram grandes e gordos demônios alados que possuíam bastante astúcia e, portanto, serviriam a Satoshi agora. Uma curiosidade sobre eles é que eles eram uma raça jogável em Yggdrasil.

Graças às habilidades de convocador de Satoshi, aqueles dois demônios ganharam níveis extras e agora eram de Nível 40.

Satoshi fez um dos demônios tentar conversar com a árvore enquanto o outro esperava do lado dele.

Ele queria descobrir se a árvore tinha inteligência, se tivesse, a abordagem de Satoshi seria totalmente diferente: ele evitaria o combate com a planta.

"Você! Seu sujo graveto crescido! Tenha regozijo pois o Ser Supremo está interessado em ti! Esteja ciente que o Ser Supremo deseja conversar com você, por isso se manifeste! Você! Fale algo! O tempo do ser Supremo é precioso! Estou avisando! Se manifeste criatura insignificante..."

Satoshi tinha que admirar um pouco o grande profissionalismo daquele Nalfeshnee. Ele fazia o seu melhor para conversar com uma árvore apenas porque o chefe dele tinha mandado.

Conforme o Nalfeshnee ia se aproximando lentamente e incitava a árvore a falar, Satoshi ia percebendo uma reação da árvore que aos poucos liberava uma presença, como se aquilo estivesse lutando para ignorar o Nalfeshnee barulhento e quisesse continuar a dormir.

"[Discern Enemy], {Mensure Power}."

Antevendo o que aconteceria, Satoshi lançou uma magia e ativou uma habilidade de avaliação de inimigos.

Eventualmente o Nalfeshnee, tal qual a Atlas Eagle, foi atacado.

"O que?! Você ataca o enviado do Ser Supremo?! Saiba seu lugar seu graveto maldito! [Call Lighting]! Urgh! [Call Lighting]! Argh! [Teleport]! Toma isso vara imunda! [Call Lighting]... eu falhei! Perdão Ser Supremo! Aaaagh!"

A luta não durou muito, em pouco tempo a árvore conseguiu pulverizar o Nalfeshnee de Nível 40.

Pouco antes daquele demônio ser derrotado, um som ecoou na floresta.

"HoARaOOhAROaH!"

Aquele ensurdecedor rugido animal tinha saído da árvore gigante.

Satoshi podia ver agora vários pontos âmbares luminosos cujo tamanho era parecido com o dele pŕoprio, eram como olhos e estavam acima do grande buraco no tronco da árvore, aquele buraco agora também se movia como uma boca.

A árvore furiosa tateou o ar onde o Nalfeshnee tinha se transformado em flocos de luz vermelha e passou a analisar os arredores enquanto seus galhos coletavam as árvores mortas no entorno e os jogavam no interior da boca dela.

Impressionante… essa árvore tem alguns atributos muito fortes para o nível dela.

A Árvore tinha um bom valor de Magical Defense e Physical Defense, além disso, o HP dela excedia o limite de Yggdrasil em 30%.

Pelo que Satoshi sabia, apenas bosses de evento principais podiam exceder o limite de atributos, que era de 100.

Não… pensando bem um punhado de jogadores podia também.

Entre jogadores havia os que usavam itens mundiais para isso. Seu colega de guilda Momonga tinha o tempo todo com ele um item mundial e aquele item, entre outras coisas, permitia que a MP dele excedesse o limite.

Haviam também algumas Classes Mundiais que permitiam isso, como a World Champion de Touch Me.

Para jogadores comuns que quisessem exceder o limite, eles teriam que ter acesso a raras magias de Super-Tier que permitam aos buffs elevarem o atributo para além da marca de 100 temporariamente, algo que as magias de camada tradicionais não permitiam.

Porém, estas magias de Super-Tier estavam entre as mais custosas de se obter e eram muito difíceis de serem usadas na prática.

"Você, é a sua vez, tente fazer a árvore falar."

Ao sinal de Satoshi o segundo e último Nalfeshnee foi em direção a Árvore Sinistra cumprir a ordem do seu convocador. Satoshi tinha que aplaudir a determinação dele, que fez o caminho dele sem medo enquanto bravejando contra a árvore mesmo sabendo que a morte era o único resultado que o esperava no final.

Talvez tenha sido pelo desejo dele em cumprir a ordem de Satoshi, mas o Nalfeshnee restante conseguiu durar vários minutos em uma luta desesperada para arrancar palavras da Árvore Sinistra.

"HaHauRoRaHoRaR!"

"... droga, maldito graveto! Nãoooo! Me perdoe, ser Supremooo! Arghh!"

Depois de uma memorável luta, o segundo Nalfeshnee sumiu em flocos de luz vermelha.

Graças ao esforço do segundo demônio, estava claro para Satoshi que a Árvore Sinistra não tinha inteligência, ou, pelo menos, não tinha a capacidade de falar.

Além disso, essa coisa apenas se comporta como uma besta faminta...

Mesmo durante a luta com o Nalfeshnee a Árvore Sinistra não tinha parado de colocar outras árvores menores na boca. No pouco tempo em que aquilo estava acordado, aquela coisa já tinha comido dezenas de árvores do entorno.

Depois que a Árvore Monstruosa se livrou do Nalfeshnee, Satoshi sentiu o olhar sinistro e ameaçador da árvore sobre ele e viu o tronco dela se inclinando na direção dele para diminuir a distância em um movimento não natural.

Bem… se é apenas uma besta selvagem correndo solta no meu território, eu como o Senhor Local tenho o dever de eliminar isso.

Aquele era o pensamento de Satoshi, mas, como ele estava fascinado por ter encontrado uma nova criatura endêmica deste mundo e que ainda por cima era tão poderosa, Satoshi decidiu que queria aquilo para si.

"{Soul Capture}!"

Satoshi ativou esta habilidade da classe {Soul Collector} tendo a árvore como alvo, depois que ele sentiu que o link estava criado, ele suspirou aliviado pelo fato de que aquela habilidade, que ele ainda não tinha tido a chance de testar, funcionava nesse mundo também.

A ligação entre ele a o alvo já estava feita, agora restava a parte chata da Captura de Alma, que era derrotar o monstro.

A habilidade {Soul Capture} só iria capturar um monstro se a derrota da criatura fosse 75% responsabilidade do avatar de Satoshi. Ele não podia nem mesmo depender de seres convocados.

Como Satoshi era um convocador, ter ele mesmo que lidar com os inimigos era um grande empecilho.

"HahUARhOAhuaRhoarHR!"

Conforme os galhos da árvore se aproximavam dele, Satoshi ia se afastando da árvore e agora estava longe do alcance dos galhos, mesmo com a árvore tendo inclinado o tronco praticamente 45° na direção dele.

Apesar da Árvore Sinistra ter Magical Defense e Physical Defense condizentes com o nível dela e um HP alto demais até para um nível 100, a verdade é que a mobilidade dela era baixa, se deslocando poucos metros por segundo e o valor de Agility era o que se esperaria de um monstro nos níveis 30.

Mesmo que estivesse longe, Satoshi não estava completamente fora de risco, ele viu um enorme objeto enorme vindo na direção dele.

A Árvore Sinistra tinha percebido que não o alcançaria nunca e começou arremessar a comida dela em Satoshi, ou seja, começou a arremessar outras árvores.

Como era um objeto grande e vinha de considerável distância, Satoshi apenas desviou com facilidade.

"HAOUeOhOAhOa!"

A Árvore Sinistra pareceu ficar irritada que seu ataque não funcionou e logo quase uma dezena de árvores foram enviadas na direção de Satoshi em um sequência de intervalos curtos.

A distância é muito grande companheiro… qualquer um desviaria disso.

Satoshi estava um pouco decepcionado.

Ele esperava algum ataque especial, talvez uma habilidade ou magia, mas tudo que a Árvore Sinistra pôde fazer até agora foi arremessar a comida dela em cima dele.

Talvez ela precisasse de algum estímulo.

"[Teleportation]! [Triple Maximize Magic: Vermilion Nova]!"

Satoshi se teletransportou para trás da árvore que tinha toda atenção dela e corpo voltado para a posição anterior dele, logo após teleportar ele usou a magia de 9° Nível antipessoal que causa o maior dano por fogo de todo jogo, ele também usou metamagia para aprimorar a magia.

Três pilares de fogo tão brilhantes que fizeram Satoshi estreitar os olhos sensíveis dele atingiram a Árvore Sinistra em três pontos diferentes, olhos, boca e topo da cabeça. Chamas irromperam pelo corpo de madeira da criatura que gritou desesperada de forma ensurdecedora enquanto batia em si mesma com seus galhos para tentar deter as chamas, às vezes funcionava outras vezes eram os galhos que inflamavam.

Como Satoshi suspeitava, aquela criatura era muito vulnerável ao fogo: a magia dele tinha tirado mais de 2/3 do HP da Árvore Sinistra.

Ufa! Isso é um alívio… se ela não fosse vulnerável seria uma merda!

Satoshi tinha gasto 40% do MP restante dele com este ataque apenas, foi arriscado da parte dele fazer isso sem testar antes a vulnerabilidade ao fogo primeiro, se ele obtivesse qualquer coisa menor que metade do HP da Árvore Sinistra aqui, Satoshi teria sido obrigado a repensar se ia querer coletar a alma deste monstro ou se usaria convocações para matar a árvore.

Felizmente tudo deu certo e a Árvore Sinistra era, de fato, vulnerável ao fogo.

Vendo o quão bem sucedido foi o primeiro ataque dele, Satoshi pensou em brincar com a Árvore Sinistra um pouco, enquanto testava magias e táticas, mas então ele lembrou que em E-Rantel havia uma vadia louca que fazia um boquete mágico esperando ansiosa pela rola dele.

Já deve ter passado da meia noite! Tenho que ir alimentar minha Clementine!

Ele tinha uma Escrava Sexual para nutrir.

"[Twin Maximize Magic: Vermilion Nova]!"

É mais seguro apostar no cavalo vencedor, por isso Satoshi insistiu naquela magia de fogo antipessoal super eficaz. Duas colunas de fogo cegantes atingiram a Árvore Sinistra.

"HahUARhOAhuaRhoarHRhah… Hrauh… hrour… hah..."

Surpreendentemente um resquício de HP permaneceu na Árvore Sinistra e apesar dela estar em chamas, aquilo não parecia estar diminuindo o HP dela, que estava estável, embora estivesse quase zerado.

Será que ela está se regenerando aos poucos?

"[Maximize Magic: Vermilion Nova]!"

Um pouco ansioso, Satoshi reduziu suas reservas de MP a menos de 20% do normal e lançou uma última coluna de fogo na Árvore Sinistra. Ele honestamente esperava que essa árvore não tivesse uma counter para a morte.

Mas mesmo que eu tenha que recorrer a convocações, nessa altura... com este tanto de dano a alma dela já é minha!

"... ah..."

A Árvore Sinistra deu seu último suspiro, seus galhos caíram inertes e os pontos luminosos âmbares agora sem vida que lhe serviam de olhos apenas refletiam as luzes das chamas infernais que a cobriam e que perigosamente se espalharam pelo entorno.

"Madeira! Hahahaha!"

Satoshi gritou animado uma frase que viu em um desenho animado antigo onde um pássaro trabalhava como lenhador.

Poucos segundos depois da Árvore Sinistra morrer, Satoshi sentiu a habilidade {Soul Capture} ser ativada e começar a puxar algo do ambiente para seu próprio interior.

"Ai! Carai!"

Doeu como se os ossos dele estivessem sendo moídos.

Sem perceber, Satoshi começou a perder altitude quando a dor o fez negligenciar a magia do voo.

"Meu Tudo! Está tudo bem?!"

"Caw! Lorde! Lorde! Kreaa, Kreaa!"

Por um instante Satoshi teve uma visão estranha onde via um Dragão Marrom o encarando fixamente. Era um animal imenso e bonito, mas estava abatido e exausto.

"... Droga, você por acaso é um jogador...?"

A voz feminina cansada do dragão foi sumindo junto com a imagem majestosa da criatura, Satoshi não teve certeza se deu tempo dele acenar positivamente em resposta, já que no instante seguinte ele estava no solo com Miya montada em cima dele lhe dando potentes tapas na cara.

"Acorde, Meu Tudo! Vamos, por favor, acorde, Meu Tudo!"

"Tô acordado Miya! Tenha piedade de mim! Não me bata!"

Satoshi disse aquilo rápido enquanto protegia o rosto dos bofetões de Miya.

"Fueee! Meu Tudo! Sniff! Esta Miya ficou tão preocupada! Buaah!"

Miya o abraçou apertado e começou a chorar no peito dele depois que ele se sentou.

Ficou tão preocupada que tentou me matar com tapas? Devo ter perdido 10% do meu HP com essas porradas!

"Estou bem Miya, se acalme, se acalme… Mas importante, eu dormi muito tempo?"

"Não! Meu Tudo acabou de cair! Mas esta Miya ficou tão preocupada!"

Satoshi fez uma anotação mental de, para própria segurança dele, não deixar Miya preocupada novamente.

Ele se levantou tentando fixar na mente a imagem que viu do dragão, mas aquilo deixava rapidamente a cabeça dele.

Era muito estranho que ele tivesse perdido a consciência por causa de {Soul Capture}, tal efeito nunca aconteceu em Yggdrasil. Ele pensou que talvez isso fosse uma mudança de regras na transição para este mundo, mas algo no fundo dele dizia que este foi um caso especial e que não era uma regra.

Bem… vou testar {Soul Capture} em um monstro qualquer no futuro apenas para ter certeza.

Satoshi ainda deveria ter muitos níveis vagos na {Soul Pool} dele.

Subitamente Satoshi se deu conta do cheiro de fumaça e do calor no entorno, aparentemente a floresta seca ao redor do corpo da Árvore Sinistra estava sofrendo de um incêndio descontrolado.

Satoshi considerou que seria melhor apagar isso antes que as chamas se espalhassem ainda mais e chegassem a floresta que estava em condições normais.

Ele voou com Miya e Karasu no encalço.

Depois de atingir alguma altitude ele pôde ver que toda a área tinha virado um verdadeiro inferno.

"Miya, vou usar magia de Super-Nível. Me proteja."

Satoshi começou o longo e chamativo processo de conjuração de uma magia de Super-Tier. Miya, por sua vez, voava em círculos ao redor dele, tendo passado a usar a gigantesca forma serpentina de Aztlán Couatl dela.

Já faz um tempo que não vejo ela assim…

A verdade é que Satoshi tinha se acostumado com a linda e fofa forma de garotinha Indígena-Mesoamericana de Miya. Ele se perguntava se ela envelheceria com o passar dos anos, embora ele desejasse que ela nunca crescesse, seria muito desagradável para ela como indivíduo se não amadurece física e mentalmente, então ele esperava que ela envelhecesse sim.

"[Creation]!"

Depois de cinco minutos, nos quais o incêndio abaixo dele tinha alarmantemente triplicado de tamanho, os muitos círculos luminosos gigantes que envolviam Satoshi de todas as direções se estilhaçaram e uma onda invisível de energia percorreu a área em um mísero instante extinguindo todas as chamas.

Satoshi tinha apenas removido elementos do terreno. Porém se ele tivesse adicionado elementos ao terreno, estes novos elementos desapareceriam em seis horas.

Exceto, claro, se ele optasse por pagar para torná-los permanentes com a habilidade da classe {Planar Trader}.

Restaram apenas alguns poucos pontos de fumaça residual subindo aqui e ali, ele esperava que aquilo não evoluísse em chamas novamente.

Mas, infelizmente, nessa aventura noturna Satoshi sofreu um grande revés. Tragédia das tragédias, agora Satoshi estava fedendo a queimado.

"Merda! Meu banho foi para o saco!"

Ele tinha se banhado antes em preparativo para a noite de luxúria que teria no Cemitério, mas isso tinha sido arruinado. Agora ele estava tão fedido a cinzas que teria que ir a Instant Fortress se banhar novamente.

Para piorar ainda mais a agenda apertada, ele só poderia fazer isso depois que ele fizesse uma última tarefa aqui: ele tinha que usar {Soul Release} para testar a convocação da Árvore Sinistra.

- PARTE DEZ -
Um Captura Incomum

Satoshi olhou para si mesmo por um instante.

A verdade é que ele foi muito irresponsável na abordagem desta Árvore Sinistra e o que comprova isso era que o MP dele atualmente estava em menos de um terço.

No entanto, como foi um sucesso, ele não podia reclamar.

"Miya, faça algumas Convocações para caso seja necessário lidar com a árvore."

"Deixe para Miya, Meu Tudo!"

Miya disse por telepatia em voz sibilante de Couatl dela dentro da cabeça de Satoshi.

A imponente serpente emplumada, de quase sessenta metros de comprimento e asas com uma envergadura de dimensões semelhantes a isso, fez numerosas convocações.

Enquanto Miya estava naquilo, Satoshi ficou fechado na própria cabeça ponderando sobre como faria daqui em diante.

Já passa da meia-noite e eu tenho que estar no esconderijo dos bandidos pelo menos meia-hora, não, pelo menos uma hora antes do amanhecer para conduzir as mulheres resgatadas até E-Rantel, já que ainda tenho que passar na Instant Fortress para tomar banho… fuuuuuu, parece que meu tempo de sacanagem será curto hoje.

Dias laboriosos eventualmente acontecem.

Depois que Miya já tinha convocado cinco criaturas, Satoshi disse a ela que era o suficiente.

Diferente de Satoshi, Miya não era uma summoner, mas era sim uma buffer e, em menor escala, uma scout. Por isso, Satoshi não queria que ela consumisse muita energia com as convocações dela.

Por fim, depois que Miya ativou alguns buffs nas convocações que ela fez, Satoshi ergueu o braço para frente e fechou os olhos já antecipando a pequena dor que sentiria ao usar a habilidade {Soul Release} dada pela Job Class Soul Collector.

"Vamos lá, {Soul Release}!"

Pela terceira vez nesse dia Satoshi sentiu como se um osso eclodisse da palma de sua mão, rasgando a pele no caminho de conhecer o mundo. Novamente foi uma dor psicológica, já que a mão dele estava intacta.

Porém depois de usar a habilidade, quando Satoshi abriu os olhos, ele teve uma visão diferente da que ele esperava. Satoshi ficou tão surpreso que instintivamente recuou voando antes de recuperar a compostura.

Não era uma Árvore Sinistra que tinha aparecido na frente dele, mas um imponente dragão marrom.

A cabeça do enorme dragão se erguia a mais de uma dezena de metros de altura, apesar de ser majoritariamente marrom, o dragão tinha vários pontos como as pernas, peito e barriga com escamas da cor verde. Ele também tinha chifres de veados, bigodes de carpa e uma pequena juba cor de palha, apesar dessas características e do corpo anormalmente esguio e longo dele, ele era claramente um dragão ocidental, não era um Long chinês ou Ryu japonês.

Além disso, Satoshi sentia que ele era um 'ela'.

As cinco convocações de Miya cercaram o Dragão que tinha se materializado, prontas para dar combate caso fosse necessário. A própria Miya flutuava no céu em torno de Satoshi na forma gigante de Couatl enquanto encarava o Dragão recém chegado com atenção, curiosidade e cautela.

Uma coisa que surpreendeu Satoshi foi que o nível que {Level Evaluation} dava para esse dragão era Nível 74, ou seja, dez níveis abaixo da Árvore Sinistra.

Que merda é essa?!

Satoshi estava certo que ele tinha coletado a alma da Árvore Sinistra, então ele sequer imaginava por que este dragão tinha aparecido aqui.

Ele então se lembrou vagamente que já tinha visto essa criatura.

Ah certo… quando eu perdi a consciência.

Antes, quando caiu do céu e acordou no chão, Satoshi tinha visto um grande Dragão Marrom em um ambiente de sonho.

Apesar de estar muito surpreso, Satoshi não estava assustado. Isso porque tal qual com Karasu e Cassandra, Satoshi podia sentir o vínculo de subordinação da Alma Manifestada deste Dragão em relação a si mesmo.

Apenas por isso quando Satoshi falou ele fez isso com confiança e superioridade.

"Diga o teu nome e espécie."

"Esta dragonesa se chama Harin Isa Zytl Qae, Meu Lorde, e também sou conhecida como Lorde Dragão do Outono. Minha espécie é Autumn Forest Dragon. Acredito que eu talvez… deva agradecer ao Lorde por ter me libertado da maldição que me afligia, embora meu Lorde tenha me posto imediatamente em outra..."

A potente voz feminina dela não deixava de ser bonita, mas o conteúdo de suas palavras foi um pouco confuso para Satoshi.

Um Lorde Dragão, hein?

Satoshi tinha ouvido falar dos Lordes Dragões.

Apesar de entre os humanos de E-Rantel haver informações escassas sobre estes seres, foi em E-Rantel que Satoshi soube que alguns deles guiavam uma nação de semi-humanos primitivos no noroeste de Re-Estize.

Satoshi também aprendeu, conversando com Ninya e Helenda, que há cerca de 600 anos atrás os Lordes Dragões governavam o mundo, mas então eles foram depostos de sua posição de liderança pelo aparecimento dos Reis da Ganância que passaram a caçar os Lordes Dragões 'por esporte'.

Quando aprendeu sobre a existência destas figuras, os Lordes Dragões e os Reis da Ganância, Satoshi imediatamente desconfiou delas e, após ter conversado com Evileye no telhado durante a Operação Yubizume, Satoshi passou a suspeitar que se tratavam de Jogadores de Yggdrasil como ele.

Embora não fosse possivel jogar como Dragão em Yggdrasil, ainda assim havia muitas raças Dragon-like, como por exemplo os vários tipos de Dragonoid e Dracotaur, e também havia muitas classes Dragon-stuff, como por exemplo os Dragon Xaman e o Dragon Tamer.

Satoshi pensou que, se de fato fossem jogadores, os Lordes Dragões seriam ou de uma daquelas raças ou classes.

Quando Satoshi leu as anotações que Tsuki fez a partir do depoimento de Nigurath, Satoshi aprendeu muitas outras coisas sobre os Lordes Dragões.

Satoshi até conhecia nomes como Lorde Dragão da Catástrofe e Lorde Dragão Vampírico, que eram os nomes de dois deles que supostamente estavam mortos; Lorde Dragão do Brilho que era cultuado como um deus no Reino Iridescente do Dragão e que estava desaparecido mais de um século; Lorde Dragão do Céu Azul e Lorde Dragão do Diamante que eram dois dos Grandes Conselheiros no Conselho de Argland junto com aquele que Nigurath chamou de líder dos Lordes Dragões e de maior inimigo da Teocracia, Lorde Dragão de Platina.

Embora não houvesse menção a um Lorde Dragão do Outono nas anotações que Tsuki fez a partir do depoimento de Nigurath, o texto deixava claro que haviam muitos Lorde Dragões desconhecidos espalhados por todo mundo.

Ao ficar sabendo dessas coisas através daquelas notas, foi inevitável que a suspeita de Satoshi de que os Lorde Dragões eram jogadores de Yggdrasil tenha se esfriado.

"Lorde Dragão, hein? Me diga, você quer ser chamada de Harin, de Isa, de Zytl ou de Qae?"

"... Ficarei satisfeita com qualquer forma que Meu Lorde me chamar."

"Isso não responde minha pergunta..."

"... Harin."

Uma outra coisa que Satoshi descobriu sobre os Lorde Dragões graças ao depoimento de Nigurath era que eles podiam ser classificados em Lordes Dragões Verdadeiros e Lordes Dragões Falsos.

O critério para esta classificação era que apenas um Lorde Dragão Verdadeiro podia usar um tipo de magia ancestral que ninguém na Teocracia dominava, a Magia Selvagem. Esta magia exótica profanava a alma dos seres vivos e as usava como combustível para substituir a mana durante a conjuração de magias.

Apesar dele lembrar que a palavra 'Wild Magic' era mencionada vez ou outra como elemento de plano de fundo no lore de algumas Quests que ele fez em Yggdrasil, Satoshi não se lembrava de nenhum elemento de jogo que tivesse esse nome, aquilo aparecendo apenas como elemento de cenário.

Apesar de exótico essa coisa de consumir almas para magia parece malvado...

Satoshi estava curioso sobre essa tal Magia Selvagem.

"Diga Harin, você é uma Lorde Dragão Verdadeira ou Lorde Dragão Falsa?"

"... não entendo a sua pergunta, Meu Lorde."

Pelo jeito que Harin respondeu, ela não conhecia os termos usados na Teocracia de Slane para classificar o tipo dela.

"O que eu quero saber é se você pode lançar Magia Selvagem."

Então Satoshi decidiu perguntar de forma mais direta.

"Isso eu posso, sim. E este foi exatamente o motivo da minha ruína, Meu Lorde."

Ela falou aquilo com uma voz triste, ainda que poderosa, enquanto olhava para o entorno cheio de devastação da floresta. Obviamente ela estava se lembrando de coisas passadas.

Como ela é uma dragoa desse tamanho, ela deve ser velha… no futuro vou conversar bastante com ela.

"Se explique."

Ela demorou alguns segundos antes de falar lamentosa.

"Ah, Meu Lorde, antes eu vivia nesta floresta com uma nação de pequenos Elfos Escuros que me serviam e me veneravam. Eu me aprofundei em meus estudos da natureza e sendo muito capaz no uso da magia druídica. Com o tempo eu me apaixonei pela ideia de usar Magia Selvagem e tive um pequeno sucesso naquilo. Eu estava tão orgulhosa de ser capaz de usar Magia de Camada e Magia Selvagem, algo tão raro, que eu agi de forma imprudente e tola mergulhando em experimentação para me fortalecer, eu não queria perder para primos mais velhos… No fim de tudo, eu esgotei a vida dos pequenos que me serviam em um erro durante a criação de uma nova nova Magia Selvagem e por causa deste erro eu fui reduzida a um Devil Ent sem mente, faminto por energia natural..."

Ela contou a história dela por longos minutos.

Parece que ela cometeu alguns erros quando pesquisava magia quando era viva e matou os súditos dela, além de terminar perdendo a mente e se convertendo em uma Árvore Sinistra.

Em respeito àquilo, Satoshi, embora estivesse curioso pra caralho, decidiu adiar o teste de Magia Selvagem.

"Entendo, Harin. Não se culpe por seus erros, afinal você já sofreu tanto por conta deles que já deve ter pago eles com juros."

"... Obrigada pelas palavras, Meu Lorde."

Embora ele não fosse indelicado para pedir um exemplo de uso de Magia Selvagem tão cedo, ele ainda queria saber sobre as habilidades dela já que tinha que avaliar se era útil manter ela materializada ou não.

Satoshi tinha níveis limitados de materialização simultânea com {Soul Release}, para ser exato, ele podia materializar apenas 300 níveis simultaneamente. Se ele mantivesse Harin materializada restaria para ele apenas 131 níveis livres, o que poderia ser perigoso caso ele entrasse em um combate e necessitasse muito dessa habilidade no futuro.

"Você poderia me dizer o que você é capaz de fazer, Harin?"

"Com prazer, Meu Lorde..."

Harin falou longa e orgulhosamente de si mesma.

Satoshi a ouvia atentamente e fazia perguntas pontuais. Ele aprendeu que o nível máximo de magia druídica que ela podia lançar era o 7° Nível, quanto a Magia Selvagem ela conhecia apenas quatro magias incluindo a que ela tinha parado de desenvolver.

Segundo Harin, ela era uma péssima usuária de Magia Selvagem já que ela fazia um tipo de malabarismo para poder usar aquilo.

Basicamente, segundo ela, apenas alguns Lordes Dragões mais velhos podiam usar magia selvagem do jeito certo, todos os outros podendo usar apenas magia convencional, a chamada Magia de Camada.

Harin disse orgulhosa para ele que exatamente por esse fato ela era especial, já que além da Magia de Camada, mesmo que porcamente, ela podia usar Magia Selvagem.

Quando ela começou a descrever algumas das Magias Selvagens, falando tanto das que ela podia conjurar quanto das que ouviu falar através de outros dragões, Satoshi ficou estupefato com as descrições dos efeitos daquelas magias.

Ele ficou ainda mais perplexo com ela dizendo que 'apenas usuários de Magias Selvagem podem resistir a efeitos de uma Magias Selvagem, ah sim, ouvi dizer que alguns Jogadores invasores também conseguem isso com itens valiosos'.

Satoshi pensou que se aquilo fosse verdade, essa tal Magia Selvagem era um elemento muito perigoso para ele e o tipo dele neste novo mundo.

Durante longos minutos, talvez uma hora, Satoshi ficou em meio aquelas árvores queimadas conversando com Harin.

Ela era muito falante e, talvez por causa do vínculo hierárquico, ela não mantinha segredos quando falava com Satoshi.

Era tarde da noite quando Satoshi decidiu retornar para a Instant Fortress voando nas costas de Harin, se banhar rapidamente, correr para o Cemitério de E-Rantel e esporrar na vadia louca dele.

Apesar de devido a várias coisas o tempo de putaria que ele poderia ter naquela noite com a Escrava Sexual e Toilet Humano, Clementine, tenha se reduzido a algumas poucas horas, ele não era um hipócrita para reclamar disso, já que aquela foi uma noite lucrativa onde ele adquiriu um dragão como servo.

Apesar de nesta noite ele ter conseguido tão pouco tempo livre, a estadia de Satoshi por este mundo verde estava apenas começando.

Ele ainda passaria muitas noites e dias neste mundo no futuro.

Pelo menos, isso era o que ele desejava.

- FIM DO CAPÍTULO -


NOTA DO AUTOR:

Ok, ok, ok... essa coisa de Lorde Dragão foi meio inesperada.

Eu me baseei na história do Demon Tree Dragon Lord que o Fluder conta na Web Novel. Para aqueles que não leram a Web Novel e só leram a Light Novel eu recomendo a leitura pois é divertida! Naquela história Fluder diz que havia um Dragon Lord que foi tão longe na magia da natureza que virou uma árvore demoníaca.

A participação de Brain hoje foi pequena hoje, mas aguardem que ele está no time para os possíveis próximos volumes!

Flw!

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Fiquem em paz e leiam o Epilogo!