As pessoas dançavam e cantavam, desejando felicidades e uma vida-longa e auspiciosa ao novo casal, que permanecia sentado como que em permanente exposição. Os presentes não tinham fim, objetos raros e preciosos vindos dos mais recônditos recantos da galáxia. Eram posses que Rey deveria dividir com seu novo marido. E como Rey havia adorado o show das dançarinas aquáticas de Kamino, elas se apresentaram novamente, numa apresentação ainda mais bela do que a anterior.

Mas Ben não parecia interessado em nada daquilo. Nem mesmo na própria noiva. Parecia a própria imagem do tédio.

Por fim, o diretor da festa anunciou a dança nupcial dos noivos.

Com um ar de enfado, Ben tomou a mão de sua nova esposa e ambos foram até o meio do salão.

(For The Love Of A Princess – Braveheart)

Olhos nos olhos, os recém-casados começaram a valsar. Uma luz violeta foi incidida por cima deles.

Rey dançava leve como o vento. Os dois voltejavam como se fosse um só.

Mas não havia amor nos olhos de Ben. Só frieza.

Assim que a dança acabou começaram os gritos de "Beija! Beija" dos convidados. Rey ficou vermelha e sorriu sem graça, especialmente quando Ben a pegou de súbito e engolfou-lhe os lábios num beijo forte e excitante.

As pessoas aplaudiram. Ben foi saindo discretamente. Mas antes segredou algo mentalmente à sua noiva.

"Pensa que esse beijo significou que você terá algo de mim, Rey? Não. Não se engane, querida prima. Apenas significou algo que de mim, você NUNCA terá…"

Rey precisou se controlar muito pra não cair no choro e não dar um vexame no meio dos convidados.

Aquilo fora a humilhação máxima pra ela. Bem quando ela achava que as coisas poderiam ao menos se encaixar, Ben jogava um balde de água fria em suas expectativas.

Sua vontade era de sair correndo dali, acabar com toda aquela farsa e voltar para sua vida tranquila e feliz em Arch-to. Pena que já não mais possível fazê-lo.

E o pior vinha mais tarde, ela bem sabia.

É claro que Rey sabia muito bem o que a esperava assim que estivesse a só com Ben. Ela não desconhecia o que casais faziam na cama, mas só de imaginar-se fazendo o mesmo… Ainda mais com um homem que não a amava… Sabe-se lá o que ele poderia fazer com ela!

Só de pensar, ela começou a suar frio. Chegou a sentir dor de cabeça.

_Tudo bem, Sra.?

Era Finn, sempre tão bondoso, gentil e preocupado com sua senhora.

_Me traga uma cadeira, Finn, por favor. - Ele trouxe uma depressa.

_Está se sentindo mal, Mileyde Rey? Quer algo, um copo d'água talvez?

_Um d'água bem gelado estaria perfeito. E me ache Ahsoka e Aayla. Preciso falar com elas.

Logo o trio estava ali.

_Finn. Eu gostaria de conversar com as meninas a sós. - Ele as deixou e foi conversar com Poe. Rey se virou para as criadas – Me digam, vocês… Como é fazer amor com alguém?

As duas se olharam, compreendendo bem o problema de sua senhora.

Ahsoka perguntou:

_Mileyde… Nunca dormiu com ninguém antes?

Rey fez que não.

_Eu sei o que me espera, mas ao mesmo tempo não sei…- Rey abaixou a cabeça como que envergonhada. - O que eu devo fazer?

Aayla foi a primeira a falar.

_Não há muito o que fazer, senhora. Só relaxe e se entregue. Não vai demorar muito.

_Dói?

_Um pouco. Mas Myleide se acostumará com o tempo.

Elas conversaram um pouco mais.

_Entendeu agora?

_Acho que sim… Mas ainda tenho medo.

_Não tenha. Todas nós, fêmeas, temos de passar por isso quando nos tornamos adultas. Agora vamos. Temos de arrumar vossa alteza para a noite de núpcias…

Uma noite terrível

A lua estava alta no céu. O ar quente e parado como que pressagiava a tempestade que viria.

Depois de tirar-lhes os enfeites e banhá-la com perfumes exóticos, as criadas vestiram Rey com uma simples camisola de seda branca transparente. Nada mais havia cobrindo-a.

_Não devo usar mais nada?

_Não. Deixe que essa noite o príncipe a veja como é.

Rey deu um suspiro. Naquela noite, ela se tornaria uma mulher completa. Porém, ela se sentia como uma ovelhinha indo pro abate.

_E não rejeite nenhum avanço dele. Deixe que ele faça o que quiser. Verá que apesar de parecer estranho no começo, depois não será ruim.

A princesa fez que sim. Suspirando e com o coração aos pulos, ela foi se dirigindo à câmara nupcial.

Tudo ali estava arrumado para aquela noite especial. Velas perfumadas, uma garrafa de vinho da melhor safra de uvas do planeta, pétalas de rosas vermelhas e cor de rosa espalhadas sobre a cama de dossel, lençóis brancos e macios… tudo indicando uma noite que prometia ser maravilhosa.

Então por que Rey não se sentia bem? Por que ela simplesmente não relaxava e deixava a coisa rolar?

Ainda cheia de pensamentos mil na cabeça, ela sentou-se numa poltrona macia e esperou, esperou e esperou.

Por fim, cansada de esperar, acabou adormecendo.

Dali a pouco acordou com alguém mexendo no trinco da porta.

Era ele, Ben. O coração da moça acelerou a milhão.

Ben veio chegando perto dela, bem devagar, como um predador avaliando sua presa. Nada dizia com a boca, mas tudo com o olhar.

Ele estava bêbado. O cheiro da bebida rescendia longe. Rey ficou muito assustada, mas procurou manter-se calma.

Após alguns instantes angustiantes…

_Dispa-se.

_Ãh?

_Estou apenas exercendo meus direitos de marido, "esposa". Não tenho direito de ver como minha mulher é?

A vontade de dar uma resposta a tamanho cinismo ficou presa aqui assim, ó.

Mas de qualquer modo e mesmo MORRENDO DE VERGONHA, Rey fez o que Ben pediu.

Ele sorriu, cinicamente.

_Você realmente é muito bonita, prima… creio que não vou me arrepender dessa noite.

Subitamente, então, Ben agarrou Rey e a beijou com força. Ela tentou se esquivar, mas ele continuou segurando-a fortemente, forçando seu corpo contra o dela e apertando-lhe os seios ao ponto de fazê-la gritar, não de prazer, mas de dor.

Ben a jogou na cama e sem nem pensar em nada, ele entrou nela com tudo, fazendo Rey gritar ainda mais alto. Ela implorou que ele parasse, mas ele nem ligou.

Por isso, a tortura acabou.

Como se nada tivesse acontecido, Ben virou-se pro lado e dormiu como uma criança. E nem percebeu as lágrimas que a pobre Rey derramou por toda a noite na escuridão…

Quando as criadas vieram assisti-la de manhã, Rey ainda estava chorando.

Dias infelizes

Ver a expressão infeliz de sua senhora era tudo que Finn não queria.

Ele se revirara na cama a noite inteira, imaginando o que Ben estaria fazendo com ela. Mal dormiu, imaginando as torturas que o infeliz poderia estar infligindo a sua doce Rey.

Infelizmente, ele não errara. Na manhã seguinte, ele ficou chocado ao ver que os braços e o corpo dela estavam cheios de marcas. A pele branca e delicada estava toda roxa, até parecendo que a garota fora espancada.

O escravo ficou furioso. Como alguém podia tratar sua própria esposa desse jeito, ainda mais na lua de mel? Tudo bem que fora um casamento arranjado, mas Rey não merecia ser tratada assim! Ele, pelo menos, nunca a trataria tão mau se ela fosse sua esposa.

"se ela fosse sua esposa…"

A ideia esquentou-lhe o coração. É claro que tal coisa seria algo absolutamente IMPOSSÍVEL pra ele, mas sonhar pelo menos AINDA não era proibido…

Aayla percebeu na hora a inquietação de Finn.

_Desfaça essa cara! - Ela falou-lhe baixo.- Tudo bem, eu e Ahsoka também estamos com vontade de socar a cara daquele infeliz, mas o que aconteceu não é problema nosso!

_Mas eu não aguento ver nossa patroa sofrer assim!

_Nem eu! Mas como eu disse, não é problema nosso! Não temos o direito de nos meter onde não fomos chamados!

Rey pretendia manter a dignidade intacta. Não queria ninguém sentindo pena dela ou fazendo cochichos sobre o que acontecera entre ela e Ben.

Por isso, fez cara de paisagem e fez que nada daquilo era com ela.

Desceu para a sala de refeições, devidamente seguida pelo trio de criados. Mas antes de entrar ela encarou o trio com um olhar frio e sinistro que eles nunca viram antes nela.

_Vocês não dirão nada a ninguém do que viram.

_Senhora?

_Vocês me entenderam. Quero silêncio ABSOLUTO sobre tudo. Entendidos?

Os três fizeram que fim.

_Muito bem. Entremos.

Na sala de refeições, já estavam Leia e Ben. Illa não estava, felizmente. Seria o cúmulo ter que encará-la depois daquela noite horrível.

_Sente, minha nora. - Disse a rainha, tentando eliminar um pouco da gelidez de velório que tomara conta do ambiente com a entrada de Rey. Ben ficou a olhá-la de lado com a expressão muito irônica.

_Bom dia, esposa… Dormiu bem depois da nossa noite romântica?

Rey teve de contar até 1000 pra não xingar um palavrão.

Mas se conteve e ficou na "delicadeza".

_Sim, meu querido marido. Dormi feito um bebê. Dado que não senti nada mesmo quando fizemos amor, acabei dormindo.

Os criados deram uma risadinha discreta. A rainha ficou vermelha.

_Bem, vamos comer. A mesa não é um bom lugar pra falar de certas coisas.

Ben queria continuar a provocar Rey, mas não era burro. Se fatalmente a rainha soubesse do modo com que ele tratara a esposa na noite de núpcias, a coisa ficaria feiíssima pra ele.

_E sua queridinha Illa, "amado"? Por que ela não está aqui hoje, hã?

Ben não conseguiu encarar Rey.

_Ela… não pôde vir esta manhã. Não se sente bem.

_Na verdade, Rey querida, ela não comerá mais conosco. - Retrucou Leia, encarando de forma firme o filho. - De agora em diante ela ficará restrita a seus aposentos. Afinal, não fica bem uma amante da juventude estar na mesma ambiente que a esposa do futuro rei, não concorda?

Foi bom que Luke chegou naquela hora para o café, senão a briga romperia ali mesmo.

_Papai! Bom dia! - Rey o abraçou, feliz.

_Muito bons dias, minha filha. Vejo que cheguei em boa hora!

_Toda a hora com você é boa, meu irmão. Sente-se e coma. - a rainha falou, feliz.

Os droids garçons começaram a servi-los. A comida estava deliciosa e muito bem preparada.

Porém…

Não havia como esconder nada de um velho sacerdote, hábil no uso da força. Ainda mais Luke, que era um senciente habilíssimo e sentia a dor interna da filha tanto quanto se fosse a sua.

"Rey… Rey…" Ele chamou-a mentalmente, mas sem levantar os olhos da comida.

Também sem dar a perceber que conversavam mentalmente, Rey lhe respondeu.

"Pai!"

"Eu sinto sua dor… O que há de errado?"

"Não há nada errado."

"Você pode mentir pra todos, minha filha mas jamais vai conseguir enganar seu velho pai. Eu a conheço melhor que qualquer um. Vamos, me diga… O que há?"

"Não posso falar disso, meu pai…"

"Foi algo que Ben lhe fez, ontem?"

Rey ficou vermelha e sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

"Ele não fez nada que qualquer marido não faça com a esposa na lua de mel…"

É claro que o pai não se convenceu.

"Venha comigo. Vamos conversar lá fora."

Luke pediu licença à irmã, saindo com a filha para o terraço.

_Agora me diga… O que aconteceu? O que seu marido fez com você?

Rey disparou no choro e entre muitas lágrimas, despejou ao pai toda a tortura que passara. Luke ficou furiosíssimo!

_Eu sabia! Eu sempre fui contra esse casamento, não era a toa!

Ele rilhava os dentes de ódio. Jamais tratara sua filha com tamanha brutalidade e não seria um sobrinho mimado e egoísta que o faria! Jamais!

Luke abraçou Rey.

_Você que pensa que eu deixarei Ben tratar você como uma prostituta qualquer! Ou ele aprende a tratar você como você merece ou pelos deuses, eu…

_Não, pai! Espere! Não diga nada! Só vai piorar as coisas!

_Não vou deixar minha única filha ser tratada como lixo! Seu marido vai ter de aprender a ser um homem de verdade!

Luke voltou ao salão, levando a filha pelo braço.

_Ben!

_Sim, meu tio!

_Como você explica isso? - Luke levantou a manga do vestido da filha, exibindo as manchas roxas do braço de Rey.

Os criados saíram de fininho, vendo que o tempo ia fechar….

Leia ficou chocada.

_Ben, o que é isso?

Luke e Leia olham feio, aliás, feiíssimo pra Ben, exigindo explicações.

_Eu… Eu… estava bêbado e acabei me excedendo.- foi tudo que ele conseguiu dizendo. Não encarava os dois nos olhos nem um pouquinho.

_Ah, sim! Você estava bêbado… Então está tudo certo! - Quem conhecia Luke sabia que quando ele falava sarcasticamente assim, é que as coisas mal paradas. BEM mal paradas! Ele se voltou para a irmã, com os olhos pegando fogo.- Eu lhe disse que não queria esse casamento, Leia! Agora você entende porquê!

Leia abaixou os olhos, profundamente envergonhada pelo filho. Não sabia nem o que dizer.

_Se houvesse um jeito de desmanchar esse casamento, eu faria isso agora, meu irmão…- Disse ela por fim.

_É, mas você não pode e nem eu. O que está feito, está feito! - E voltando-se para o sobrinho, Luke o encarou bem fundo nos olhos. - Eu achei que fosse um homem de verdade, Ben Solo. Silêncio! Não fale nada! Se eu achasse por um minuto que você trataria sua própria esposa, MINHA FILHA, como trataria uma reles prostituta, eu nem sequer permitiria que ela viesse aqui, quanto mais casar com você. Casá-los foi um erro, um erro que infelizmente não pode mais ser corrigido…

Após um suspiro, Luke continuou.

_Portanto, fique sabendo, rapaz. Você está guardado. Volte a tratar minha filha assim e bem… você conhecerá um lado meu que desejará NUNCA ter conhecido…

Luke fixou bem o olhar em Ben.

E pela primeira vez na vida, ali e então, Ben sentiu um arrepio na alma. Nunca viu o tio assim, tão furioso. Os olhos de Luke brilhavam como aço azul polido.

_Não exijo que ame minha filha. Mas exijo que a respeite! Ela é sua mulher e será a mãe de seus filhos legítimos! E futuramente será a rainha de Alderaan! Portanto, você jamais, JAMAIS, deverá voltar a fazer o que fez de novo como ela! Você me entendeu?

_Eu… eu…

_Entendeu ou não entendeu?

_Siiimmm… eu,… eu entendi.

_Muito bem. Estamos conversados então.

Ben tremia. Parecia muito assustado.

_Eu.. Eu… posso sair, minha mãe?

_Está bem. Eu permito que saia… - Ben deixou o recinto depressa. Leia voltou-se para o irmão. - Não precisava ter assustado Ben daquele jeito.

_Ele tinha de aprender. Meu sobrinho não passa de um pirralho mimado e arrogado e precisava de uma dura lição!

Rey estava muito constrangida. Temia o que aconteceria consigo aquela noite.

O pai pareceu adivinhar-lhe os pensamentos.

_Nada tema, minha filha. Ben não ousara machucar você de novo. Não depois do que lhe falei.

O que ninguém sabia era que Luke mandara um recado mental ao sobrinho, mostrando-lhe as consequências se continuasse a tratar Rey mal, tipo acabar no estômago de um sarlacc, sendo digerido em 1000 anos de dor e sofrimento…