Quando a noite finalmente caiu, eu estava animada com o encontro, por mais que tivesse a impressão de que não era assim que Niki estava encarando tudo. Ele só queria conversar comigo de novo, mas será que tinha intenções além dessas? Eu esperava que não, eu achava, pelo menos naquele momento, que ele considerava nosso relacionamento uma amizade improvável.
Mesmo assim, não achava certo eu ir mal arrumada, escolhi um dos meus melhores vestidos para a ocasião, ao me olhar no espelho, achei que tinha caído muito bem. Depois de arrumar meu cabelo do mesmo jeito de sempre, que me dava um ar sério e compenetrado, além de ser mais prático, sentei na sala só esperando por Niki.
Ele tinha sido mais que pontual, a campainha tocou a exatos 19:45, como pude checar no meu relógio na mesma hora. Abri a porta e ele parecia meio nervoso, o que eu estranhei de imediato. Do pouco que o conhecia, ser nervoso não tinha nada a ver com o confiante Niki Lauda.
-Boa noite - ele falou primeiro, sem me dar chance de falar algo antes dele, talvez fosse sua confiança aparecendo de novo, então estava tudo bem com Niki afinal.
-Boa noite, tudo bem? - eu sorri, sendo cordial, esperando por seu próximo passo.
-Tudo sim, podemos ir? - ele foi prático e eu aceitando aquela pequena aventura diante de mim, o segui e partimos para um restaurante.
Era um lugar chique, porém discreto, do tipo que eu sabia que não teria uma conta barata. De qualquer forma, Niki pagaria, ele que tinha me convidado, mesmo assim me senti um tanto culpada. Nem me percebi direito olhando ao redor com o cenho franzido, com certeza isso me denunciou para meu companheiro de mesa.
-Não gostou daqui? - Niki se sobressaltou, eu notei um leve pânico na voz dele - podemos ir pra outro lugar que você quiser, é que como eu fiz o convite, achei que poderia escolher o lugar, mas eu deveria pensar no seu gosto pessoal, me desculpe, eu realmente sou péssimo nessas coisas.
-Calma aí, sr. Piloto, não fez nada de errado - eu quis rir, mas fiquei com pena dele e me contive - eu só reagi com essa careta - refiz minha expressão de preocupação com um pouco de exagero e apontei para meu rosto, o que o fez sorrir, fiquei contente porque era essa a minha intenção - porque esse lugar me parece muito chique e caro e eu não queria te dar trabalho.
-Trabalho? Que trabalho? Você não me dá trabalho nenhum - ele voltou a falar, relaxando mais em sua cadeira.
-Ah qual é? Eu te dei uma carona que não deu certo, depois você teve que me pagar uma passagem de trem... - pus uma mão no rosto enquanto ria, lembrando disso tudo.
-E isso não foi nada, mesmo, na verdade... - e de novo, Niki ficou nervoso, passando a mão pelo cabelo.
-O que? Fala, pode falar, eu aguento - brinquei com ele, já imaginando uma resposta ríspida.
-Na verdade, Marlene, ser minha amiga já recompensa tudo isso - ele deu um sorriso tímido depois de falar isso, mas me olhou diretamente nos olhos quando falou.
-Poxa vida, eu... - aquilo realmente me pegou de surpresa, fiquei lisonjeada e constrangida - bom, obrigada por me considerar tanto.
-De nada e eu agradeço por estar aqui - ele me respondeu cheio de gratidão.
Nós fomos interrompidos pelo garçom e a escolha do menu, mas nesse meio tempo, fiquei pensando em tudo isso que Niki tinha dito sobre mim. Ele pensava bem de mim, bem demais até, de um jeito que ninguém nunca tinha pensado, nenhum outro homem de quem eu tinha me aproximado.
Em contra partida, eu também gostava do jeito dele, como era inteligente, focado, sincero, como nós dois tínhamos um senso de humor parecido, e além disso, ele era charmoso de um jeito único. Eu me peguei bisbilhotando-o por cima do folheto do menu, como uma menina tola. Lá estava aquela mesma cara fechada, concentrada e observadora e de repente, Niki era o homem mais bonito do mundo pra mim.
Ai, céus... Era isso mesmo que estava acontecendo, eu estava gostando do meu mais novo amigo. Guardei essa preciosa informação comigo enquanto o garçom levava o menu e nossos pedidos, não sabia o que fazer, só aguardar para ver o que aquela noite nos reservaria.
Nós nos deliciamos com o jantar, estava realmente ótimo. Não falamos muito durante a refeição, Niki era metódico até na hora de comer e eu respeitei seu jeitinho peculiar mais uma vez. Foi quando ele terminou e ergueu a cabeça de repente, olhando diretamente para mim.
Meu olhar de volta para ele procurava uma resposta para aquela atitude tão repentina, acho que ele percebeu minha dúvida, limpou a garganta, se preparando para falar.
-Marlene, eu te chamei aqui porque precisava te contar uma coisa - Niki disse compassadamente, como se tivesse treinado para fazer isso perfeitamente.
-Ok, me diga - eu fiquei muito curiosa e ansiosa.
-Eu preciso ser honesto com você - ele deu um suspiro, perdendo a confiança outra vez, mas retomando logo em seguida - desde que nos conhecemos, você simplesmente não sai da minha cabeça e olha que eu tenho o campeonato pra me preocupar e tudo mais, mas ainda assim, não tem nada que me faça tirar você dos meus pensamentos... Então, não sei o que você pensa ao meu respeito... Que eu sou um babaca insensível, mas eu precisava falar como me sinto... Eu gosto de você de uma maneira que não sou capaz de explicar...
-Tá bem... - repliquei murmurando, incrédula, de repente, assim, o cara que eu gostava também gostava de mim.
-Me desculpa se te assustei, nós podemos ser amigos... - Niki perdeu a paciência, não comigo, mas com ele mesmo, sentia medo, tudo dependia de mim, do que eu faria depois do que ele contou.
-Está tudo bem, Niki - eu também retomei minha compostura - olha, eu também fiquei pensando muito em você depois que nos conhecemos, e eu tive que ligar pra você, porque senti sua falta então, só queria dizer que gosto de você também, exatamente do jeito que você gosta de mim.
-Ah meu Deus, que maravilha! - ele riu genuinamente, acho que foi a primeira vez que o vi rir de verdade.
-Pois é... - eu concordei, um pouco sem graça - então, o que isso quer dizer?
-Se quiser namorar comigo, tudo que tem que dizer é sim, se você quiser - outra pessoa acharia Niki mandão falando isso, mas ele foi suplicante.
-Então sim, sim - eu assenti várias vezes, me sentindo leve.
Niki não se importou de mais pessoas estarei ali. Quando ele se inclinou sobre a mesa, sabia que ele me beijaria, e como eu também queria que isso acontecesse... No momento em que nossos lábios se encontraram, tudo estava mais que certo para mim.
A/N: E aí gente? O que acharam? Não deixem de comentar!
