Depois que saímos do restaurante mal pude acreditar como tudo podia ter dado tão certo, esse era meu único objetivo ali, esperar que o melhor acontecesse, não somente pra mim, mas pra ela também.
Por vários momentos, eu titubeei, fiquei nervoso, duvidei de mim mesmo, achei que não teria jeito de Marlene gostar de mim como eu gostava dela, mas aí tudo mudou, tudo se virou a meu favor e quando ela disse sim, todas as dúvidas e medos foram embora.
Eu precisava beijá-la naquele momento e fiquei contente por ela não rejeitar minha demonstração pública de afeto. O que eu podia fazer? Não pude me conter, eu estava feliz demais!
Fiz questão de deixá-la em casa, e antes que eu fosse embora, me despedindo apenas com um beijo no rosto dela, Marlene tocou meu braço, me interrompendo.
-Espera só um minuto... - ela pediu, entrando para dentro do apartamento, me deixando bem confuso ao fazer isso.
Não demorou muito e ela voltou à porta com um pequeno pedaço de papel na mão, me entregando.
-Que é isso? - fui obrigado a perguntar.
-Meu telefone, eu vou amar se meu namorado me ligar de vez em quando me convidando pra sair, me fazendo companhia - ela me explicou docemente.
-Ah claro que eu vou, não hesite fazer o mesmo em relação a mim - eu sorri, concordando com os planos futuros dela.
-Eu só tenho que tomar cuidado pra não ligar quando você estiver muito ocupado ou concentrado - Marlene apontou, num claro tom de brincadeira.
-Tá bom, me desculpa por isso, é só que as corridas são muito importantes pra mim - eu estava arrependido por ela me achar rude.
-Eu sei que sim, mas o melhor de tudo, Niki, é que eu tenho certeza que tanto eu como as corridas temos espaço suficiente no seu coração - ela falou de um jeito tão solene que comoveu meu coração.
-É sim... - murmurei, emocionado.
Ela acabou me abraçando, e eu me senti a pessoa mais especial do mundo só por isso.
-Certo, nos vemos amanhã? - ela sugeriu e eu também queria muito isso.
-Claro, eu venho aqui, prometo - eu garanti e a beijei de novo, me despedindo de vez.
-Tchau, Niki, obrigada por tudo - Marlene disse.
-Tchau, boa noite - eu sorri pra ela, a vendo entrar lentamente para dentro.
Eu dei passos lentos para fora do prédio, começando a me acostumar com o fato de que Marlene era minha namorada.
Fiquei o dia seguinte ocupado com trabalho o tempo todo, mas sem falta, quando fiquei com tempo livre, fui direto para o apartamento de Marlene. Cheguei a ignorar as brincadeiras dos meus companheiros de equipe imaginando onde eu iria com tanta pressa. Eu notei um certo espanto na expressão da minha namorada quando ela me viu.
-Que foi? - eu fiquei preocupado - tem algo errado em mim?
-Não, você disse que vinha hoje e veio mesmo - ela desvendou o pequeno mistério, sendo sincera.
-Ora, eu disse que vinha, não disse? - dei de ombros, como se fosse óbvio essa nova atitude da minha parte.
Foi aí que notei o tamanho espanto de Marlene, realmente era novo eu colocar um novo compromisso na minha agenda restrita, que era justamente, de visitá-la.
-Terminou mais cedo, então? - ela me perguntou, enquanto terminei de entrar e me sentei com ela - o que você estava fazendo pra terminar mais rápido?
-Na verdade, não terminei mais cedo - a pergunta me deixou estranhamente sem graça, acabei mexendo na orelha para disfarçar - assim que acabei eu vim direto pra cá...
-Ah sério? É mesmo uma mudança e tanto pra você... - eu ouvi um certo maravilhamento na voz dela.
-Bom, eu tenho uma pergunta pra você - a reação dela tinha me intrigado tanto que eu tinha que descobrir mais sobre isso, cheguei a cruzar os braços, e ela observou minha nova postura.
-Ok, lá vem o Niki muito sério de novo - Marlene respondeu, se preparando para me ouvir.
-Como é que pode me conhecer tão bem assim? - falei de coração - antes que você mencionasse algo sobre mudança e eu estar diferente, era justamente nisso que eu estava pensando, que eu mudei o meu hábito de ir direto pra casa depois do trabalho pra vir até aqui.
-Ora, Niki, não é nenhum mistério - ela acabou rindo, o que me fez me sentir vermelho - é só que é natural você dedicar um tempo a mais à sua namorada, mesmo sendo tão disciplinado, e você tem razão, eu te conheço bem porque te observei muito bem desde que nos conhecemos.
-Ah é? Então, isso que me maravilha... - continuei aquela conversa franca - eu sei que eu posso ser muito chato, e é por isso que estou te avisando agora e te dando a chance de repensar suas decisões...
-Para, não está falando sério! - ela me repreendeu, chegando a empurrar meu braço de leve - não foi sua chatice que fez me apaixonar por você, como eu dizia, sou bastante observadora, é claro que notei que você era chato, um pouco arrogante, metido até...
-Tá bem, está exagerando - eu não queria descobrir se ela tinha mais insultos para mim.
-Um pouco, quem sabe? - ela palpitou - mas não Niki, você foi educado comigo, muito gentil, me tratou como os homens raramente tratam uma mulher e isso é especial, você é especial... Eu fico muito contente por ter me tornado sua namorada.
-Eu também - sorri, agora com certeza constrangido com os elogios dela, só Marlene poderia me fazer ficar assim, sem graça por ter minhas qualidades apontadas, mas o que ela notou, quase ninguém notava.
Marlene olhou de volta para mim, havia um pouco de pena e uma dose muito maior de travessura nos olhos dela. Ela se aproximou, me beijando em seguida, o que me deixou aliviado. Eu tinha certeza de que todas as mudanças que ela provocava na minha vida me faziam me sentir bem, como nunca tinha me sentido antes.
A/N: Eu amo escrever esses dois conversando, de verdade.
