Eu estava muito contente depois que aquelas duas semanas tinham passado, primeiro, porque Niki finalmente voltaria pra casa e segundo, porque ele tinha ganhado a corrida, o que me deixou orgulhosa.
Sabia o dia em que estava previsto ele chegar à Itália, mas não fazia ideia de que horas ele chegaria. Enquanto isso, eu tinha minhas próprias responsabilidades e compromissos a cumprir, e por isso, passei o dia fora de casa.
Antes que voltasse, uma ideia se passou pela minha cabeça. Retribuindo a visita de Niki, que me pegou muito de surpresa, fui até a casa dele sem aviso, esperando encontrá-lo lá. Toquei a campainha, mas ninguém sequer apareceu ou atendeu, talvez eu estivesse muito adiantada e ele estivesse ainda a caminho.
Achei meio exaustivo e tolo ficar esperando ali na frente, então, um pouco triste por minha frustração, decidi voltar para casa. Dei passos lentos me afastando da casa de Niki, eu realmente não estava com pressa de sair dali, mas então levei um tamanho susto quando um carro buzinou para mim.
Quase perdi o equilíbrio, pisando nos meus próprios pés, virando meu salto, mas sem quebrá-lo e sem levar um tombo. Quando olhei pra ver quem é que tinha provocado aquele quase acidente que me deixou muito irritada, fiquei chocada ao ver Niki ao volante, meu namorado estava tão assustado quanto eu.
-Me desculpa, você tá bem? - ele perguntou de imediato, alarmado.
-Eu tô bem, só me assustei - respondi, colocando a cara na janela - eu vim ver se você tinha chegado.
-Acabei de deixar o circuito, tinha os protocolos pra cumprir, mas agora estou livre - ele explicou.
-Tá bem, eu só queria te ver, se tinha feito uma boa viagem de volta e chegado bem - expliquei minha presença ali.
-Não vai embora agora, por favor - Niki pediu, me conhecendo já muito bem, acho que estava meio óbvio que eu estava tentada a ir embora para deixá-lo descansar.
-Não quer descansar? Eu posso vir amanhã, prometo - eu insisti, preocupada com ele.
-Eu posso descansar e receber você, sério - ele me garantiu - também senti sua falta...
A maneira como Niki me pedia as coisas sempre me fazia conceder o que ele queria, bem, na maioria das vezes. Claro que discordava dele em muitas outras coisas, mas fazer companhia um ao outro era o que queríamos no momento.
-Tá bem - dei um sorriso sem graça e entrei no carro.
Ao invés de continuar dirigindo, Niki me beijou, se demorando ali, compensando o tempo que ficou longe. Porém, quando entramos na casa, vi que eu não estava nem um pouco errada. Ele teve forças e ânimo para colocar suas malas em cima da cama, mas depois desceu, deitando-se metodicamente no sofá, chegando a fechar os olhos. Fiquei de pé olhando pra ele, contemplando sua imagem pacífica e exausta.
-Viu? Era disso que eu estava falando - ri baixinho - você tá bem cansado...
-Não precisa ir embora - ele murmurou, mau humorado.
-Não, eu não vou - acabei decidindo, por fim.
Ele viu que iria me sentar, então se encolheu para me dar espaço. Quando me acomodei, Niki deitou a cabeça no meu colo, sem que eu pedisse ou que ele me avisasse. Sorri com sua confiança em mim, não era um gesto fácil para alguém como ele fazer. Toquei seus cabelos com cuidado, esperando alguma reprimenda por isso, mas não, Niki relaxou ao meu toque, e eu continuei acariciando seus cabelos, acabou que eu gostei desse momento. Ele não chegou a dormir, mas ficou quieto por um longo tempo, percebi que não precisávamos de mais nada, só da companhia um do outro.
É claro que nossa fome mútua nos interrompeu, e eu tratei de me aventurar na cozinha de Niki para preparar nosso jantar. Ele chegou a cochilar enquanto estava ocupada, mas acordou quando o chamei para comer. Depois do jantar, eu me despedi, o convencendo de que ele realmente precisava de descanso, afinal a temporada não tinha acabado.
-Boa noite, Niki - beijei sua bochecha ao sair.
Ele me respondeu com um "boa noite" muito sonolento.
No dia seguinte, ele me ligou no mesmo horário habitual de sempre, primeiro querendo saber como estava, mas depois, me dizendo que estava pensando em algo que queria falar comigo.
-Não precisa fazer mistério, Niki, você sabe que eu amo ouvir suas ideias - eu logo o incentivei a falar logo.
-O que acha de eu te trazer pra cá um dia desses? - ele soltou a pergunta, cheio de expectativa.
-Pra cá seria o circuito? Sim, sim, eu adoraria ver de mais de perto o que você faz - eu afirmei, me animando com a ideia.
-Que bom, por um momento, achei que não gostaria - ele confessou.
-Por que achou isso? - fiquei desconfiada.
-Bom, é que você não conhece Fórmula 1 muito bem, só tem uma vaga noção de como realmente é, não achei que tivesse algum interesse - Niki explicou mais a fundo.
-É, pode até ser, mas só até um tempo atrás - não discordei totalmente - só que quando eu vi a sua corrida na Argentina...
-Você viu minha corrida na Argentina? - minha informação alegrou Niki.
-É claro que vi, e pretendo acompanhar todas as outras - logo deixei claro - bom, eu entendi um pouco melhor sobre as corridas e me interessei de verdade em entender como tudo funciona.
-Tá bem, tá bem - Niki parecia não acreditar em como eu estava interessada, se empolgando bastante ao telefone - amanhã eu te busco, tá bom?
-Combinado, meu bem - sorri - te desejo um bom treino.
-Obrigado, até mais! - ele desligou.
Comecei a sentir um pouco da empolgação dele também, seria muito legal ter o próprio Niki me explicando os pormenores do seu trabalho tão diferente.
A/N: Outro capítulo fofinho pra vocês! Espero que tenham gostado!
