Boa Leitura!!!
Capítulo 3
Bella não acreditava que ele iria beijá-la. Não, até sentir os lábios firmes, sensuais e quentes sobre os seus. Fechou os olhos e gemeu enquanto se sentia atingida por centenas de partículas incandescentes.
Edward abraçou-a com mais força, enfiou as mãos em seus cabelos, puxou-lhe a cabeça para trás e intensificou o beijo. Ela sentiu o toque de sua língua e o mundo começou a girar. Estava completamente perdida em sensações que nunca experimentara, provocadas pelos lábios, pela língua, pelo corpo e pelas mãos de Edward. Quando ele se afastou, ela cambaleou, atordoada pela maneira como se entregara.
Ele recostou no banco do carro e olhou calmamente pela janela, como se não tivesse mudado seu mundo para sempre.
— Por... — murmurou ela, tocando os lábios. — Por que você me beijou?
Ele olhou para ela.
— Por quê? — Ele deu de ombros. — O juiz de paz disse que eu podia beijá-la.
Bella sentiu o coração bater mais forte e tentou compreender.
— Você fez isso porque ficou comovido com a cerimônia do nosso casamento? — perguntou ela, atordoada.
Ele deu uma risada. Enquanto o carro entrava na estrada, parecia estar mais interessado no panorama que via pela janela.
— Exato. Fiquei emocionado...
Bella pensou ver um brilho de satisfação masculina nos olhos dele. Costumava evitar conflitos, mas, naquele momento, sentiu-se tomada de intensa revolta.
— Diga-me qual foi o verdadeiro motivo.
— Você estava à mão.
Ela quase engasgou. Ele não a beijara para celebrar um momento sagrado ou porque estivesse tomado de desejo por ela. Ah, não! Ele a beijara porque ela estava ali. Ele afirmara não ter coração, não ser o homem bom que ela imaginava. Aparentemente, não fora suficiente: ele quisera lhe mostrar. E, para isso, roubara cruelmente seu primeiro beijo.
— Não significou nada para você? Você estava apenas me usando?
— Claro que estava — respondeu ele friamente. — Por que mais eu iria beijá-la? Você sabe o tipo de homem que eu sou. Não sou do tipo que se compromete. Não sou do tipo que manda flores e faz versos para virgens inocentes. Portanto, entenda isso de uma vez para sempre.
Bella olhou para ele, boquiaberta. E, de repente, a emoção a atingiu como o fogo sobre a palha. Uma emoção que ela mal reconhecia e que nunca sentira antes.
Fúria.
Ela sentiu as lágrimas lhe queimarem os olhos. Levantou a mão e lhe deu uma violenta bofetada, cujo som ecoou dentro do carro. O motorista se encolheu.
Edward colocou a mão no rosto e olhou para ela.
— Sonhei com meu primeiro beijo a vida inteira — gritou ela. — Você o roubou. Sem motivo. Só para provar algo estúpido!
— Bella...
— Já entendi. Você não quer que eu me apaixone por você. Não há perigo! — Ela sentiu um nó na garganta. — Você transformou uma lembrança que deveria ser sagrada em algo ridículo — sussurrou ela, com os olhos marejados de lágrimas. — Nunca mais me toque.
Ela esperou que ele se desculpasse, que dissesse que sentia muito.
— Tudo bem — falou Edward em voz baixa.
Ela olhou para ele, com os olhos chispando.
— Quero que você prometa. Quero sua palavra de honra!
— Você acha que eu tenho palavra? — Ele estava sem expressão, mas em seus olhos havia uma estranha vulnerabilidade.
— Não brinque com isso! — disse ela, com um soluço humilhado. — Falo sério!
Ao vê-la chorar, ele colocou a mão em seu ombro.
— Muito bem. Nunca mais vou beijá-la. Eu lhe dou minha palavra de honra.
Bella enxugou os olhos.
— Não gosto de ser usada — sussurrou ela. — Mantenha apenas nosso acordo original. Você recupera suas terras. Eu tenho minha irmã de volta.
— Concordo... Chegaremos ao aeroporto dentro de alguns minutos.
— Minha bagagem...
— Vou mandar que a levem até o aeroporto. — Ele pegou o celular, deu algumas ordens e desligou. — O que há de tão importante naquela mochila?
— Nada de mais — disse ela, olhando para as mãos, que colocara no colo. — Uma foto da família, um casaco que pertencia à minha mãe, antes que... — Os lábios dela tremeram. — Antes que ela morresse, logo depois que nasci.
— Sinto muito — falou ele em voz rouca. — Perdi minha mãe quando tinha 22 anos. Ainda sinto falta dela. Ela foi a única mulher realmente boa e decente que conheci, até...
— Até o quê?
— Não importa — murmurou ele. Bella pegou na mão dele. — Você está tentando fazer com que eu me sinta melhor? — perguntou ele. — Pensei que estava com vontade de me matar.
— Estava. Quer dizer, estou. Mas sei o que é perder os pais. Sei o que é se sentir órfão e sozinho. Eu não desejaria isso para meu pior inimigo. — Ela tentou sorrir. — Mas você se saiu muito bem, não é? Acabou sendo um príncipe milionário.
— Isso não é o que as pessoas acham que eu seja. — Ele olhou para o outro lado. — Você queria saber onde estamos indo. Vou levá-la para casa.
— Para o Alaska?
— Nem de longe. — Ele observou o vestido apertado de Bella. — Precisamos lhe comprar algumas roupas.
Ela seguiu o olhar de Edward. Sentada, o vestido a espremia como uma salsicha, erguendo-lhe os seios quase até o pescoço, mal lhe escondendo os mamilos. Ela ficou tentada a se cobrir com o buquê.
— Eu planejava lavar minhas roupas. Esse lugar para onde estamos indo tem máquina de lavar? — Ela se calou ao perceber que ele descia os olhos por seu corpo. — Gostaria de não ter lhe contado.
— O quê?
— A respeito das minhas roupas de baixo.
— Eu também — resmungou ele.
Bella olhou para os lados e para cima.
— Incrível.
— Fico feliz por você ter gostado — falou Edward, sorrindo.
— É aqui que você mora?
— Não. — Ele tomara banho durante o voo e se barbeara. — Minha casa é no deserto, a duas horas de helicóptero. Este é apenas um lugar onde eu faço negócios. Venho aqui o mínimo possível. É civilizado demais.
Civilizado demais?
Bella sacudiu a cabeça e observou o lindo palácio mourisco de dois andares, cercado de palmeiras, perto de um lago.
Realmente, era um paraíso para uma lua de mel se você fosse muito rico.
Depois de dormir a noite inteira na cabine do jato particular de Edward, ela acordara revigorada. Olhara pela janela e vira a terra dourada surgindo no oceano azul e, ao longe, o sol brilhando sobre as montanhas.
— Onde estamos?
Edward olhou para ela com os olhos brilhando.
— Marrocos: meu lar.
Naquele momento, os dois estavam parados diante do palácio na beira do deserto, em Marrakech. Ao longe, ela via a silhueta da Cordilheira do Atlas. Os pássaros cantavam enquanto cruzavam o céu. Uma piscina refletia os raios do sol nas folhas verdes das palmeiras. Era como se estivessem num oásis. Lindo, sim. Bella olhou para a cabine do segurança e para o portão de ferro. Mas também era um lugar de riqueza e de poder.
— É lindo. — Ela suspirou e não conseguiu se segurar. — Ela está aqui?
— Quem? — perguntou Edward, sem entender.
— Roaalie. Você disse que ela estava aqui!
— Eu nunca disse isso. Eu disse que tinha ideia de onde ela poderia estar.
— Você acha que ela está em Marrocos?
— Provavelmente, não.
— Então, por que viemos para cá? — perguntou Bella.
— Eu estava cansado do Havaí — falou ele friamente. — Como eu lhe disse, é aqui que administro meus negócios.
— Você disse que, assim que nos casássemos, iria salvá-la.
— Não — retrucou ele. — Eu disse que, depois que nos casássemos e que eu tomasse posse da sua propriedade, iria atrás dela.
Bella sacudiu a cabeça, desanimada.
— Você não pretende esperar por algumas formalidades legais...
— Não pretendo? Depois de recuperar sua irmã, você pode resolver não transferir as terras para meu nome. Ou exigir que eu lhe pague, digamos, cem milhões de dólares.
— Cem milhões... — Ela não conseguiu nem repetir a quantia. — Por 242 hectares?
— Você sabe o que a fazenda representa para mim e poderia usar meus sentimentos a seu favor — argumentou ele, muito tenso.
— Eu não faria isso!
— Sei que não. Porque não terá esta chance.
— A transmissão de posse pode levar meses!
— Tenho ótimos advogados. Dentro de algumas semanas, as terras estarão em meu nome.
Algumas semanas? Bella tentou se acalmar e argumentar razoavelmente.
— Não posso esperar tanto tempo.
Edward torceu os lábios.
— Você não tem escolha.
— Mas minha irmã está em perigo! — Bella explodiu.
— Perigo? — Ele ficou surpreso. — Se existe alguém em perigo, essa pessoa é Emmett.
Bella franziu as sobrancelhas.
— O que quer dizer?
— Rosalie sempre foi a fraqueza de Emmett — murmurou Edward, pegando na mão dela. — Vamos entrar. Quero lhe mostrar uma coisa.
Ele a fez atravessar um belo jardim e, quando passaram sob os arcos, ela ficou a admirá-los. O saguão era decorado com pinturas de flores e motivos geométricos, coloridos e folheados a ouro. Ela nunca vira algo tão lindo.
Ao entrar na sala, Bella ficou boquiaberta ao ver o teto, que parecia formado por pequenas estalactites perfeitamente simétricas.
— Isso são muqarnas? — perguntou ela, deixando Edward admirado. — Adoro ler livros ilustrados a respeito de arquitetura — ela explicou.
— É evidente — disse ele, divertido.
Bella inclinou a cabeça e franziu os olhos.
— É lindo. Ainda que seja falso.
— Falso?
— O construtor fez com que parecesse antigo e mourisco, mas aqueles elementos art nouveau nas janelas... Creio que ele deve ter sido construído nos anos... 1920?
— Você descobriu tudo isso só através de um livro ilustrado? — ele perguntou, espantado.
— Devo ter passado algumas horas olhando os livros do meu restaurante árabe preferido...
Edward sorriu.
— Você tem razão. Isso foi construído para ser um hotel, na época em que Marrocos era um protetorado francês. — Ele olhou para ela com admiração. — Não acredito que Rosalie possa ser mais esperta que você.
Bella ficou orgulhosa com o elogio e ainda estava prosa quando eles atravessaram o jardim interno do palácio, onde, apesar do sol inclemente, o ambiente era mais fresco, cheio de flores, laranjeiras e palmeiras em volta de um belo chafariz feito de pedras.
Edward a fez entrar por uma porta que se abria para uma das varandas que davam para o jardim.
— Este será seu quarto.
Ela entrou num enorme quarto de teto alto, suntuosamente decorado e com duas janelas com grades. Uma delas dava para o jardim; a outra, para o deserto.
— Você precisará de algo para vestir enquanto estiver aqui.
— Não, só preciso de uma máquina de lavar e uma secadora.
Edward abriu a porta de um armário.
— Agora é tarde.
Bella se aproximou e viu que o armário estava cheio de roupas com etiquetas famosas.
— De quem são?
— São suas.
— De onde vieram? Foram deixadas por outras convidadas?
— Convidadas? — Ele sorriu. — É assim que você as chama?
— Você entendeu o que eu disse!
— Por que eu me daria ao trabalho de vir a Marrakech para ter uma aventura de uma noite?
— É, por quê? — Bella resmungou. Seu marido poderia seduzir qualquer mulher com um sorriso. Ele a derretera com um único beijo roubado. — Olhe, só quero saber se estaria usando roupas que você comprou para outra pessoa.
Edward soltou um suspiro exagerado.
— Elas foram compradas especialmente para você, em Marrakech, Bella. Se não acredita... Dê uma olhada nisso — Ele sorriu maliciosamente e abriu uma gaveta. Ela arregalou os olhos ao ver uma enorme quantidade de roupas íntimas. — Você nunca mais precisará sair sem elas... A não ser que queira.
Ela corou e se afastou.
— Ótimo. Obrigada.
— E, para sua informação, nunca trouxe uma convidada para cá.
Ela estremeceu, mas disfarçou.
— Eu sou a primeira?
— Você é mais que uma convidada — falou ele gentilmente, afastando um cacho de cabelos do rosto dela. — É minha esposa.
Bella sentiu o toque dos dedos de Edward sobre o rosto, sua proximidade, e engoliu em seco. Fingiu examinar as roupas.
— Então? Viu algo que a agradasse? — perguntou ele.
— Sim, mas nada que me sirva.
— Mas todas são do seu tamanho.
— Olhe: aprecio o seu gesto, mas... são todas muito elegantes.
— Muito elegantes? — Ele ficou surpreso.
— Gosto de roupas confortáveis, com as quais eu possa trabalhar.
Edward olhou para ela.
— Você dormiu com esse vestido?
Ela olhou para o vestido de casamento apertado.
— Voltei a vesti-lo hoje de manhã. Dormi nua.
Edward engoliu em seco.
— Nua?
— Olhe, realmente apreciei sua gentileza, mas, até que eu lave minhas roupas, você não poderia me emprestar um jeans velho e uma camiseta?
Ele ficou tão chocado que sua expressão era cômica.
— Você prefere usar minhas roupas velhas às roupas de marcas famosas? Você é uma mulher muito incomum, Bella Cullen.
Ao ouvi-lo dizer seu nome de casada, Bella sentiu o coração bater fora de compasso.
— É o que sempre me dizem.
— E que trabalho você pretende fazer por aqui, princesa? Cavar trincheiras? Trocar o óleo do meu Lamborghini?
— Você tem um Lamborghini? — perguntou ela depressa.
— Você não dá bola para roupas de estilistas, mas se impressiona com um carro? Você nem sabe dirigir!
— Quando eu tinha 6 anos, meu pai importou um Lamborghini que chegou à nossa casa em pleno inverno e ficou coberto de neve. Meu pai deixou que eu brincasse de dirigir durante horas, movimentando o volante, imaginando que participava de uma corrida. Nós dois nos divertimos muito. — Ela começou a piscar. — Foi a primeira vez que eu o ouvi rir. Dizem que ele ria sempre, antes de minha mãe morrer. — Ela fitou o chão. — Sinto falta da minha família e da minha casa.
Por um momento, Edward não se mexeu. E então, ele pegou na mão dela. Bella respirou profundamente, esperando que ele lhe dissesse que Charlie Swan fora um criminoso e que não merecia ter um Lamborghini. Esperava que Edward debochasse da sua tristeza e lhe dissesse para esquecer as lembranças felizes da infância.
Mas, pelo contrário, Edward olhou para ela e puxou-a pela cintura.
— Então, você tem um carinho especial por Lamborghinis? — perguntou ele ternamente. — Eles não são sofisticados demais?
Bella sentia o toque da mão dele lhe aquecer todo o corpo.
— Não — sussurrou ela.
— Nesse caso... — Ele deu um sorriso malicioso e acariciou-lhe o rosto carinhosamente. — Sei exatamente o que fazer com você.
E aí meninas tudo bem? Esse capítulo é curtinho mesmo, eles tiveram o primeiro beijo!!! Ai que fofo! Kkkk e no próximo vai ter mais! Até! Ah e comentem !!!
