Boa Leitura!!!
Capítulo 4
Duas horas mais tarde, Bella tremia de medo ao agarrar o câmbio.
— Não acredito que esteja me mandando fazer isso.
— Não estou mandando você fazer nada.
Ela tomara um banho e vestira um jeans e uma camiseta de Edward, mas estava longe de se sentir confortável, e suava. Os dois estavam dentro do carro, nos jardins do palácio. Pela primeira vez, desde criança, Bella estava sentada no banco do motorista.
— Você queria aprender a dirigir — argumentou Edward.
— Não no seu Lamborghini novo!
— Quanto esnobismo. Ele é sofisticado demais para você?
— Você está rindo agora, mas vai chorar quando nós formos parar dentro da piscina.
— Eu compro outro.
— Ficou louco? Essas coisas custam muito dinheiro!
— Não para mim. — Ele colocou a mão sobre a perna de Bella. Ela ficou extremamente alarmada, até perceber que ele lhe empurrava o joelho. — Pise mais fundo na embreagem. — Ele colocou a mão sobre a dela, no câmbio. — Movimente-o deste jeito. Assim...
Bella engoliu em seco, nervosa. Acelerou e parou. Pisou no acelerador, freou. Derrapou. Repetiu tudo outra vez, levantando nuvens de poeira.
— Você está indo bem — falou Edward pela décima vez, sorrindo encorajadoramente, embora já estivesse tossindo.
— Como pode ser tão paciente? — gritou ela. — Eu sou péssima!
— Não seja tão exigente consigo mesma. É sua primeira vez.
Bella apoiou a cabeça no volante e olhou-o de lado. Desde que conhecera Edward, muitas coisas lhe haviam acontecido pela primeira vez: ser perseguida por um homem que queria se casar com ela, sentir- se tomada por um estranho desejo, estar realmente atraída por alguém.
Ela olhou para o enorme diamante que brilhava em seu dedo. A primeira vez que percebia a profundidade de seu azar: estar casada com um belo príncipe cujo coração jamais bateria apaixonadamente por ela.
O celular de Edward tocou, ele se desculpou e atendeu. Bella ficou aliviada por fazer uma pausa na direção, ou no que seria sua versão apavorante de dirigir. Esticou-se no banco e bocejou.
De repente, ela notou que Edward se virava para o outro lado, saía do carro e fechava a porta. Com quem ele estaria falando? Certamente, com alguém que não queria que ela soubesse quem era.
Bella saiu silenciosamente do carro.
Edward se afastara e estava falando em voz baixa, em russo.
— O jato de Emmett decolou para a Rússia? Tem certeza? Ela ainda está com ele? Muito bem. Deixe Oahu e vá para São Petersburgo imediatamente.
Edward desligou, voltou-se e arregalou os olhos ao vê-la do seu lado.
— O que aconteceu? — perguntou ela calmamente.
— Nada que lhe diga respeito.
— Você não encontrou minha irmã?
— Não. — Ele deu um sorriso cheio de charme, mentindo na cara dela. — Você quase controlou a embreagem. Pronta para recomeçar?
Bella não se mexeu.
— Aprendi russo na escola — disse ela. — Durante seis anos.
A expressão de Edward mudou.
— Você encontrou Rosalie — sussurrou ela. — Ela estava em Oahu. Você não queria que eu soubesse. Edward olhou para ela e concordou, aborrecido.
Bella fechou os olhos e respirou profundamente, entristecida.
— Ela estava em Oahu durante o tempo que estávamos lá. Poderíamos ter atravessado a ilha para encontrá-la.
— Só se fizéssemos isso no momento em que você foi me procurar. — Ele a viu abrir os olhos. — Ainda não estávamos casados. Você poderia ter ido embora. Eu não tinha motivo para lhe contar.
Bella soltou um grito e começou a bater no peito dele.
— Seu miserável!
Edward não reagiu.
— Eu não a culpo por estar furiosa — falou ele gentilmente.
— Foi por isso que você me trouxe para cá? — Ela recuou. — Maldito. Como pode ser tão egoísta?
— Ou você já sabe a resposta ou é tola.
E ela era. Era tola por ter acreditado em seus elogios e nas mentiras que ele lhe contara. Bella se voltou e começou a se afastar.
— Onde você pensa que vai? — falou ele, segurando-a pelo pulso.
— Para São Petersburgo. Para salvá-la, já que você não vai!
— E como pretende fazer isso? — ele falou em tom divertido. — Sem dinheiro e sem nada para dar em troca?
Ela ergueu a cabeça.
— Talvez seu irmão se interesse em trocá-la pela antiga propriedade da família.
— Você não faria isso!
— Por que não? Ela agora é minha. Obrigada por se casar comigo.
— As terras agora pertencem a mim. — Ele apertou o pulso de Bella.
— Assinei um acordo pré-nupcial, lembra-se? Ele protegia tudo que era seu, antes do casamento. Mas também protegia o que era meu!
Os olhos de Edward chisparam
— Você, a única mulher honesta que existe, roubaria minhas terras e as daria a meu irmão?
— Por que não? Você roubou meu primeiro beijo! — gritou ela, tremendoe tentando controlar as lágrimas. — Deveria ter sido especial. Algo que eu partilhasse com alguém que amava ou que poderia amar. E você estragou tudo! Você mentiu para mim desde o momento em que cheguei a Honolulu. Você diz que não pode confiar em mim e que só vai salvar Rosalie depois de tomar posse das minhas terras legalmente? Talvez eu não confie em você também!
Edward fez uma expressão ameaçadora.
— Sim. Eu menti a respeito do destino de sua irmã. E sim: beijá-la foi um erro. Mas não se comporte como uma vítima traumatizada... Você gostou do beijo. Admita.
— O quê? — Ela tentou soltar o braço. — Ficou louco?
Edward a abraçou contra o peito.
— Diga o que quiser. Sei o que senti quando você estava nos meus braços — resmungou ele. — Senti seu corpo tremer. Você arregalou os olhos, conteve a respiração. Entreabriu a boca, lambeu os lábios. Não percebeu que me fazia um convite? — Ele a segurou pelo queixo. — E está fazendo o mesmo agora.
Bella engoliu em seco, virou a cabeça e fechou a boca.
— Talvez eu quisesse que você me beijasse. Naquela hora... — sussurrou ela, olhando esperançosa para o portão de ferro: a saída que a levaria até o aeroporto de Marrakech. — Mas não quero mais. Só quero que me deixe ir embora.
— Estar casada comigo é tão ruim? — perguntou ele. — Me beijar foi tão desagradável para você?
Bella respirou profundamente.
— Não — falou ela com sinceridade. Não podia mentir. — Mas não posso ficar aqui durante semanas, esperando que Rosalie esteja bem. Se você não tem pressa em salvá-la... faço um acordo com outra pessoa.
— Você não chegaria nem a Marrakech.
— Pego uma carona. E empenho meu anel para pagar a passagem até São Petersburgo.
— Você nunca conseguirá falar com Vladimir!
— Meu celular! — Ela se lembrou. — Posso telefonar para Rosalie. Um dos dois vai atender. A bateria descarregou, mas posso recarregá-la e... — Bella olhou para a casa, olhou para ele e percebeu o que ele pensava. Com um gemido, ela saiu correndo.
Estava no meio do jardim quando ele a alcançou e levantou-a do chão.
— Não vou deixar que telefone para ele.
— Solte-me! — protestou ela.
— Emmett nunca terá a propriedade. — Debaixo das palmeiras, perto do chafariz, ele a soltou. Bella sentiu a firmeza do seu corpo enquanto deslizava até o chão. Ele a segurou pelos pulsos. — Ela é minha. Assim como você.
Bella sacudiu a cabeça violentamente.
— Você não pode me prender aqui. Vou gritar o máximo que puder! Um dos empregados vai...
— Meus empregados não dirão nada. Eles são leais.
Bella não conseguia soltar os pulsos. As lágrimas lhe subiam aos olhos.
— Alguém vai falar — sussurrou ela. — Alguém vai me ouvir. Não estamos tão longe da cidade. Vou encontrar um telefone, enviar um e-mail. Você não pode me manter aqui, contra a vontade.
Edward soltou-a de repente.
— Tem razão.
— Você está me libertando? — Ela massageou os pulsos.
Ele deu um sorriso devastador. Parecia exatamente um príncipe russo impiedoso, com os olhos verdes gelados como a Sibéria.
— Errado.
Bella se arrepiou e recuou.
— Seja lá o que você estiver tramando, não vai funcionar. Eu vou fugir...
— Vai? — ronronou ele. E, encolhendo-se como um tigre, ele se aproximou rapidamente.
Parado sobre os grossos tapetes espalhados pelo piso de areia da sua enorme tenda, no maior e mais luxuoso acampamento do deserto do Saara, Edward ouvia o ruído do helicóptero que se afastava e olhava para sua prisioneira, quer dizer, para sua querida esposa, sentada na cama. Amordaçada com uma macia faixa de seda, Bella olhava para ele com os olhos brilhando de raiva. Ainda vestia seu jeans largo e sua camiseta, mas, pela alça de renda do sutiã, ele percebia que ela vestira uma das roupas íntimas sexy que ele lhe dera, e sentia o corpo enrijecer.
— O que vou fazer com você? — perguntou ele amavelmente.
Bella resmungou algo abafado, mas, pelo tom, ele teve a impressão de que não fora algo gentil.
Edward suspirou. Deveria ter imaginado que Bella falava russo, idioma quase sempre ensinado nas escolas do Alaska. Lamentava ter sido apanhado naquela mentira, mas, naquele momento, lamentava ainda mais o fato de ter prometido nunca mais beijá-la. A palavra dada era algo sério: inquebrantável. Sem saber, ele já rompera a promessa que fizera ao pai quando Emmett vendera as terras sem nada lhe dizer. Não romperia outra.
A verdade é que ele se sentira atraído por Bella Swan desde que a conhecera no restaurante, na noite de Natal. Beijá-la no dia anterior, dentro do carro, em vez de saciá-lo, só fizera com que ele a desejasse mais. O beijo tímido, trêmulo, perfeito em sua inexperiência, atingira-o como um tufão, quase o deixando de joelhos. Por que Bella tinha tamanho poder sobre ele?
Ele sentiu algo atingi-lo na perna, suspirou e sentou-se ao lado dela.
— Pare de me chutar, e eu a desamarro.
— Umpf! — resmungou Bella furiosa, dirigindo-lhe um olhar mortal.
Edward suspirou e lhe tirou a mordaça.
— Eu avisei o que aconteceria se você não parasse de gritar — disse ele, aborrecido. — Você estava levando o piloto à loucura. Tark já esteve em lugares perigosos, em missões militares, mas nunca ouvira os palavrões que saíram de sua boca.
— Você me sequestrou. — Bella tossiu e despejou uma série de impropérios contra a masculinidade, a inteligência e a linhagem de Edward, num tom doce que o deixou admirado com sua vulgaridade.
— Santo Deus! — Ele deu uma risada. — Estou começando a achar que você não é tão inocente quanto parece.
— Vá para o inferno!
— Quem a ensinou a xingar desse jeito?
— A sua mãe. — Ela mordeu a língua ao se lembrar de que a mãe dele já morrera. — Desculpe — ela disse, envergonhada, mostrando-lhe os pulsos. — Daria para me desamarrar agora?
Edward ficou admirado. Depois da maneira como a jogara dentro do helicóptero, ignorando seus protestos, amarrando-a, ela se sentia culpada por um insulto impensado? Não queria magoá-lo?
— Você é uma mulher e tanto, Isabella Cullen. — Ele começou a desamarrá-la.
— É o que você sempre diz. — Ela olhou em volta da tenda branca. Uma cama com dossel, tapetes turcos, um biombo de madeira entalhada, escondendo o armário, iluminação amarelada, proporcionada por uma lamparina carregada por luz solar. — Onde estamos?
— Na minha casa. Bem no meio do Saara — disse ele com sarcasmo.
— Obrigada por não me manter acorrentada como uma prisioneira.
— Creia, isso é muito tentador. — Enquanto soltava os nós de seu pulso, ele tentava não notar a maciez de sua pele, nem imaginar as roupas íntimas de renda. Tentava não pensar em como seria fácil empurrá-la sobre a cama, prender seus braços acima da cabeça e entreabrir-lhe as pernas, ainda amarradas nos tornozelos; em como seria lamber-lhe as coxas, até deixá-la trêmula.
Não. Ele não podia pensar nisso.
Edward sentiu o suor descer por sua testa. Empenhara sua palavra. Isso queria dizer que seus lábios não poderiam lhe tocar os seios, nem suas mãos lhe abrir as coxas. Não poderia saciar sua sede de acariciá-la e beijá-la e de se perder dentro do corpo de Bella.
Assim que as cordas se soltaram do pulso da mulher, ele se afastou e passou a mão pela cabeça, sentindo-se atordoado.
Ela esfregou os pulsos e olhou para ele, desconfiada.
— Você está bem?
Ele piscou e fitou os olhos castanhos expressivos, nos quais ainda brilhava o ressentimento. A voz de Bella era como a água fresca do oásis para um homem que morria de sede. Ela sentiria a mesma atração que ele? Ele tivera certeza, em Honolulu; acreditara ter percebido o desejo nos olhos dela, em Marrakech. Agora se perguntava se não fora apenas uma miragem, uma ilusão criada pela própria ânsia e pelo desejo inexplicável.
— Por favor — sussurrou Bella, esticando os pés ainda amarrados — Desamarre-me.
— Sim — falou ele em voz rouca. Queria lhe dar prazer. Queria empurrá-la sobre a cama, rasgar-lhe as roupas, entrar em seu corpo até fazê-la gritar de satisfação...
Edward se controlou e ajoelhou-se a seus pés. Mesmo com as calças largas, ela tinha as pernas de uma houri — uma das belas virgens do paraíso. Enquanto ele desamarrava as cordas, roçou os dedos em suas pernas, na sola de seu pé. Notou que ela se arrepiava e parou, sentindo o coração bater mais depressa. Subiu os olhos por suas pernas, por suas coxas e pelo paraíso que o esperava entre elas. Depois, olhou para os seios e para o rosto de Bella. E começou a suar ainda mais.
Empenhara a palavra.
Assim que a corda se soltou, ele levantou com as pernas trêmulas, os punhos crispados, o corpo ansiando pelo que poderia ter feito.
— Eu não deveria tê-la amarrado. Deveria tê-la deixado gritar e mandado Tark para o inferno.
— Não diga... Vai me pedir desculpas?
— Erros acontecem... — Era o máximo que ele conseguia dizer.
— Você não está acostumado a pedir desculpas, não é?
— Não faço disso um hábito.
— Pior para você. É um hábito que eu tenho. Eu me desculpo a toda hora. Você deveria tentar.
— Já faz muito tempo... — Edward sentiu a garganta arder ao se lembrar da última vez em que pedira desculpas. Há dez anos, chegara a São Petersburgo e descobrira que a "entrevista" que dera estava em todos os jornais. Imediatamente, ele telefonara para o irmão, ainda no Alaska. Ainda se lembrava da maneira humilde como se desculpara.
— Desculpe. Eu não sabia que era um repórter. Perdoe-me, Volodya.
Mas seu irmão usara a confissão contra ele, convencera-o de ter cometido uma traição e rompera a parceria que mantinham juntos na empresa. E, durante todo o tempo, Emmett soubera que iria fechar um negócio de um bilhão de dólares na Sibéria.
— Quanto tempo? — perguntou Bella docemente.
Edward deu de ombros. Pedir desculpas era admitir que cometera um erro, e ele aprendera que pedir perdão humildemente era inútil e autodestrutivo como se jogar diante de um trem.
— Dez anos.
Bella ficou perplexa.
— Está falando sério?
— Preciso sair. Você fica aqui. Estarei de volta em alguns minutos — ele falou, muito tenso.
— Aonde você vai?
— Tomar um banho e trocar de roupa. — Ele viu que ela olhava para a mochila, no chão. Quase podia vê-la raciocinando. Ótimo. Ela que procurasse o celular e tentasse usá-lo: não havia como recarregar a bateria e, mesmo se funcionasse, não haveria sinal. — Fique à vontade, mas não tente sair do acampamento — ele avisou. — Você está no meio do deserto. Não terá como escapar. Por favor, nem tente.
— Certo — falou ela com indiferença. — Não vou fugir.
— Estou falando sério — disse Edward asperamente. — Se você se perdesse na areia, teria uma morte horrível.
— Morte horrível. Entendi.
Edward suspirou, saiu da tenda e entrou em uma menor, onde estava instalado o banheiro. Sabia que Bella tentaria algo, mas logo veria que não havia para onde ir. Ele esticou o pescoço para aliviar a tensão. Com sorte, ela levaria dez minutos tentando fazer com que o celular funcionasse. Ele riu, tirou a roupa e usou os baldes de água para se lavar. Depois de se sentir mais relaxado, vestiu a túnica tradicional sobre calças largas, com as quais realmente se sentia à vontade. Edward amava a natural selvageria do deserto, muito mais racional e piedosa que a selvageria do mundo empresarial.
Ao sair do banheiro, ele contemplou o imenso céu azul e as areias que se estendiam até o horizonte. O acampamento era formado por oito grandes tendas, usadas basicamente pelos empregados berberes que mantinham o acampamento montado em volta de um oásis. No limite do acampamento havia um cercado para os cavalos e, mais além, o heliporto.
Edward apreciou as dunas que se espalhavam em volta do acampamento. A areia abafava todos os sons. O sol começava a se pôr. Seu oásis no deserto não poderia ser mais distante do Alaska. Ali, ele não se lembrava da neve e do frio. Nem da única promessa que deixara de cumprir.
Até agora.
Ele suspirou e pensou que seria um erro esperar até recuperar as terras para procurar por Rosalie. Enquanto Bella se sentia infeliz, ele se torturava por estar a seu lado, sem poder tocá-la.
— Senhor... — Um dos empregados se aproximou correndo e apontando para o deserto. — Sua mulher...
Edward viu Bella tentando escalar uma duna, chutando as sandálias e enfiando as pernas na areia.
Deveria ter sabido que uma ameaça de morte não seria suficiente para detê-la. Irritado, ele foi atrás dela, alcançou-a com facilidade, pegou-a pela mão e arrastou-a até o topo da duna.
— Veja onde você está, Bella! — ordenou ele. — Olhe!
Bella rodou, olhando em todas as direções. Era como estar no meio do oceano, cercada por ondas de areia.
— Há um motivo para eu tê-la trazido aqui — falou ele calmamente. — Não há para onde fugir.
Ela ficou rodando até compreender a realidade e caiu de joelhos.
— Não posso ficar aqui.
Edward ajoelhou-se ao lado dela e tocou-lhe os cabelos.
— Eu vou salvar sua irmã. Pare de tentar fugir. Está bem?
Ela esfregou os olhos, sentou e olhou para ele.
— Você espera que eu fique aqui e não faça nada, deixando-a nas mãos de Emmett? E nas suas!
— Pensei que você tivesse dito que eu era um homem de bom coração.
Bella abafou uma risada e fungou.
— Mudei de ideia.
— Sua irmã não está em perigo. Emmett não fez nada além de fazê-la limpar o chão de sua vila.
— Como você sabe?
— A empregada dele, no Havaí, ficou revoltada ao vê-lo tratar uma hóspede com tamanha grosseria. Mas Rosalie sempre foi a fraqueza de meu irmão. É por isso que eu... — Ele se calou a tempo de não confessar que fizera com que os dois se encontrassem no Havaí. A confiança que Bella tinha nele já estava por um fio. — Descobri que ele a levou para seu palácio em São Petersburgo, onde sua empresa está negociando uma fusão.
— E ele não a está... maltratando?
Edward curvou os lábios.
— Pelo que me disseram, o maior sofrimento que ela teve foi fazer compras em butiques luxuosas, com o cartão de crédito que ele lhe entregou.
— Mas Rosalie odeia fazer compras — disse Bella, desconfiada.
— Talvez você não a conheça bem como pensa. — Ele levantou e estendeu a mão para ela. — Assim como ela não conhece você.
Ela pegou na mão dele.
— O que quer dizer?
— Ela passou os últimos dez anos tratando-a como se você fosse frágil e indefesa. Você não é nenhuma das duas coisas. — Ele a ajudou a levantar e puxou-a contra o peito. — Você é ousada, Bella. Forte, corajosa.
— Eu sou? — perguntou ela.
— Você não sabia? Você se arrisca para cuidar dos outros. Constantemente. De uma maneira que não consigo nem pensar.
Ela mordeu o lábio e abaixou os olhos.
— Nada de tentar escapar outra vez. Falo sério. Juro que Rosalie está bem. Seja paciente. Fique aqui comigo. A partir de agora, você não será tratada como prisioneira, mas como hóspede de honra.
— Hóspede de honra? Você disse que eu era mais.
— Não posso tratá-la como minha esposa — falou ele em voz rouca. — Não mais.
— Do que você está falando? Claro que...
— Não posso fazer amor com você. E, desde que nos beijamos em Honolulu, não penso em outra coisa.
— Ele a ouviu conter a respiração. — Mas lhe dei minha palavra de honra. Não vou tocá-la nem beijá-la. — Ele olhou para seus olhos luminosos, onde qualquer homem seria capaz de se afogar. Para seus lábios... — Você estará segura, até o fim, Bella.
Ela concordou silenciosamente. Eles desceram pela duna, pegaram as sandálias que Bella soltara no caminho e voltaram ao acampamento. Edward pensou no bolo que encomendara para ela e que ficara em Honolulu. Daria uma festa de casamento para ela, naquela noite, e faria de tudo para tratá-la como uma princesa, como uma rainha. Era o mínimo que poderia fazer.
Ao deixá-la na entrada da tenda, Edward pretendia dizer que planejava algo agradável para aquela noite, mas a viu de ombros curvados, com uma expressão de tristeza. Sentiu o coração se contrair e de repente teve o impulso de lhe pedir desculpas, de dizer que sentia muito por levá-la até ali, por envolvê-la em seu plano de vingança. Acima de tudo, ele sentia por saber que, ao descobrir que ele chantageara sua irmã, Bella jamais iria perdoá-lo. Iria desprezá-lo para sempre. E ele começava a perceber o quanto se importava com o que ela pensava a seu respeito.
Porém, quando ele abriu a boca, as palavras ficaram presas em sua garganta. Ele apontou para o guarda-roupa.
— Você tem roupas limpas. Vou pedir que lhe tragam algo para beber e preparem um banho. Quando estiver pronta, vamos jantar. — Ele sorriu. — Uma espécie de festa de casamento.
Bella não sorriu. Não pareceu interessada sequer no banho, um luxo raro no deserto. Sentou-se pesadamente na beira da cama.
— Não quero ficar aqui com você — sussurrou.
Ela estava muito linda, ele pensou, observando o formato de sua boca, seu pescoço gracioso. Tão inconsciente de sua beleza, de sua pele pálida e sedosa ou da bondade e do afeto que a iluminavam, como se tivesse fogo por dentro.
E aquele fogo poderia ser muito maior...
Ele precisava parar de pensar nisso.
Edward parou na porta da tenda e, sem se voltar, falou em voz baixa:
— Nunca deveria tê-la beijado. — Ele a ouviu soltar um gemido e se voltou para encará-la. — Eu estava errado. — Ele respirou profundamente e pronunciou as palavras que não fora capaz de dizer durante dez anos. — Desculpe, Bella.
Uhhhh! Esses dois vão incendiar esse deserto! Kkkkkk no próximo tem mais!!! Comentem!!! Bjim!
