Boa Leitura!!!

Capítulo 5

Uma hora depois, Bella tomara um banho e vestira roupas limpas. Mais que nunca, estava determinada a fugir.

Tudo bem. O celular não funcionara e sua tentativa de fuga fora ridícula. Mas não podia ficar ali. Não importava o que Edward achasse, ela não conseguiria ser paciente. Não abandonaria Rosalie nas garras do ex-namorado, acreditando que tudo estaria bem.

Por que Edward insistira em mantê-la ali? Ele poderia fazer com que ela assinasse algum documento, passando a propriedade para seu nome. Algo não batia: ela se sentia tão prisioneira quanto Rosalie. Duas prisioneiras, de dois irmãos.

Mas, ainda assim...

Bella escovou os longos cabelos castanhos. De algum modo, ele também fazia com que ela se sentisse livre. Tivera a ousadia de viajar pelo mundo, de aprender a dirigir em um Lamborghini e de apanhar um homem poderoso em uma mentira.

"Você é ousada, Bella. Forte, corajosa."

Ele estaria certo? Aquela seria a verdade que ela ignorara por tanto tempo, que tivera medo de admitir?

Ela soltou a escova e prendeu os cabelos num rabo de cavalo. Tudo bem. Agora, ouvira a verdade e isso significava algo: talvez tivesse aceitado viver na gaiola, até agora...

Mas não seria mais prisioneira, principalmente de um homem.

Bella levantou, vestida em calças de linho e, por cima, uma túnica de algodão. Mergulhara deliciosamente na água quente perfumada com pétalas de rosas. Observava enquanto as empregadas berberes enchiam a banheira, sentindo-se como se estivesse em outra era.

— Ele é chamado de Czar do Deserto — uma das mulheres sussurrara. — Veio para cá com o coração despedaçado.

— O deserto o curou — dissera outra.

Com o coração despedaçado? Edward? Se não o tivesse ouvido contar a história, Bella jamais teria acreditado. Ela estremeceu e se lembrou de seus lábios, de seus olhos frios, dos ombros largos e do corpo musculoso. Um homem como ele parecia não ter sentimentos, nem um coração que pudesse ser quebrado.

Mas, agora, ela sabia demais. Um órfão que fora apunhalado pelas costas pelo amado irmão mais velho. Um romântico que esperara para perder a virgindade e se apaixonara por sua primeira mulher, pretendendo pedi-la em casamento.

Se ela tivesse conhecido Edward quando ele tinha 22 anos...

Bella estremeceu. Teria se apaixonado completamente por ele. Um homem com aquela força, lealdade, integridade e bondade era raro. Até ela sabia disso.

Sabia muito bem.

Ela saiu da tenda e olhou o céu estrelado do anoitecer. Pare de se sentir atraída por ele. Não podia sentir ternura pelo jovem que ele havia sido. Nem desejo pelo homem de olhar endurecido que ele se tornara. Não podia se envolver num romance no deserto e começar a se imaginar como uma aventureira de filmes dos anos 1920. Edward não era o xeque Rodolpho Valentino, que pretendia seduzi-la e amá-la, por mais que a tivesse olhado daquele jeito, uma hora antes.

"Nunca deveria tê-la beijado. Eu cometi um erro, Bella. Desculpe."

Bella endureceu o coração. Não podia confiar nele totalmente, por mais belo que ele fosse e apesar da maneira como fazia com que ela se sentisse. Havia algo que ele não lhe estava dizendo. E ela não ficaria à espera de descobrir o que era.

O ar ficava fresco. O acampamento estava iluminado por tochas que cercavam o oásis. O ambiente parecia mágico.

Ela encontraria um jeito de fugir. Desta vez, não sairia correndo. Bolaria um plano. Talvez pudesse pegar um dos cavalos que vira no cercado. Não era muito boa quando se tratava de fazer planos. Rosalie tinha uma mente mais organizada para isso, ela era mais do tipo intuitivo, mas daria um jeito. Aproveitaria uma chance. Quando Edward não a estivesse vigiando.

Bella procurava por ele, olhando para todos os lados. Imaginava seu belo rosto, tão expressivo e duro. Não admira que, sob o peso de sua atenção, ela se tivesse deixado encantar, até descobrir que ele era um mentiroso e sequestrador. Não precisava se envergonhar. Qualquer mulher teria ficado atraída pela aparência de Edward, pelos olhos verdes, pela voz rouca e pelo contato sensual de seus dedos sobre a pele. Mas, agora, isso acabara. Não deixaria que ele a impedisse de fazer o que precisava.

Não custaria nada se alimentar, antes de fugir. Seu estômago roncava. Comer lhe daria energia e, com isso, pensaria melhor.

Um homem de turbante azul cumprimentou-a com uma mesura.

— Princesa — falou ele em inglês, com um forte sotaque.

Princesa... ? Bella corou.

— Ah, sim. Olá. Poderia me dizer onde está Edward... O príncipe Edward?

O homem sorriu e lhe indicou um caminho iluminado por tochas, queconduzia até o topo da duna de areia mais alta. Lá em cima, ela descobriu que havia uma mesa e duas cadeiras sobre um tapete cercado por lanternas.

Edward levantou-se ao vê-la chegar.

— Boa noite. — Ele se aproximou e lhe beijou a mão. — Você está linda.

Ela sentiu o calor de seus lábios e puxou a mão.

— Obrigada pelas roupas e pelo banho. Espero não ter demorado muito.

Ele deu um sorriso caloroso, e ela perdeu o fôlego.

— Vale a pena esperar por você — disse ele.

À luz avermelhada do crepúsculo, Edward estava extremamente bonito com a túnica marroquina de barra bordada, as calças largas e os cabelos agitados pelo vento.

Ele puxou a cadeira para ela e, a despeito do esforço para se manter indiferente, Bella estremeceu e sentiu as pernas bambas: estar com ele naquele ambiente lhe parecia muito romântico. Ela caiu sentada pesadamente, e, quando ele empurrou a cadeira e acidentalmente tocou-lhe os ombros, ela conteve a respiração até vê-lo sentado do outro lado da mesa.

— Adorável — disse ela, olhando em volta. — Nunca pensei que se poderia colocar uma mesa aqui em cima. É encantador...

— Sim — disse ele em voz baixa. — Encantador.

Os dois se fitaram e ela sentiu o corpo se eletrizar, arrepiando-lhe os seios e o ventre, deixando-a constrangida: de repente, sentira vontade de se inclinar sobre a mesa e de acariciar o queixo de Edward, de passar as mãos em seus cabelos. O que estava pensando? Não podia estar atraída por ele.

Constrangida, Bella olhou para as lanternas que cercavam o tapete e ficou aliviada ao ver que quatro empregados se aproximavam, trazendo a comida.

— Encomendei um jantar especial para esta noite. Espero que você goste. Posso servir-lhe um pouco de vinho? — perguntou Edward.

— Claro. — Ela agiu como se estivesse acostumada a beber vinho no Saara, na companhia de um príncipe milionário que, no caso, Santo Deus!, era seu marido!

Edward serviu o vinho. Ela levou a taça aos lábios e não gostou muito do cheiro, mas bebeu um grande gole. Engasgou, começou a tossir e fez uma careta.

— Não gostou? — Edward parecia surpreso.

— Parece um suco que fermentou!

Ele deu uma gargalhada.

— Mas, Bella, o vinho é exatamente isso, embora eu não ache que essa definição possa ser usada como propaganda. Nada de vinho, então... ?

— Não gostei.

— Eu nunca iria adivinhar. Você esconde muito bem seus sentimentos...

Por um instante, os dois sorriram, e Josie sentiu o coração se comover, mas ele logo falou algo para um dos empregados, que se afastou, enquanto os outros três os serviam e iam embora.

Bella olhou para a mesa e viu um jantar tradicional do Marrocos, com coisas que ela adorava: tahine, frango no vapor com cominho e açafrão, azeitonas, salada de cenouras com molho de flor de laranjeira e canela, cuscuz com vegetais. Ela suspirou de satisfação.

— Você não sabe quantas vezes comi em um restaurante marroquino, tentando imaginar como seria estar aqui.

— Quantas vezes?

— Toda vez que eu conseguia um cupom de desconto.

Edward sorriu, mas depois ficou muito sério.

— Isso significa que você me perdoou por trazê-la até aqui?

Ela ficou surpresa ao ver que ele estava vulnerável. Algo mudara: o homem generoso, exoticamente vestido, sentado diante dela, parecia muito diferente do milionário de terno preto que ela conhecera no Havaí. O deserto o deixaria tão diferente? Ou ela passara a saber demais sobre o homem que havia por debaixo das roupas?

— Não gostei que você tivesse mentido a respeito de Rosalie. Nem que tivesse me trazido para cá, contra minha vontade. Mas... — Ela suspirou, provou o tahine e admirou o pôr do sol. — Nesse momento, é difícil ficar furiosa.

Edward pegou na mão dela.

— Obrigado.

Ela estremeceu, mas ele soltou a mão dela ao ver que o empregado voltava, trazendo um samovar de metal trabalhado, que deixou sobre a mesa.

— O que é isso? — perguntou Bella, desconfiada.

— Chá de hortelã.

— Ah — ela falou com satisfação enquanto ele servia o chá. — Isso até parece uma lua de mel.

Edward ficou paralisado.

— O que quer dizer?

— O banho com pétalas de rosas. Este magnífico jantar. Nós dois, em Marrocos. Parece um filme romântico. Se eu não soubesse, iria pensar que... — Ela se calou e mordeu o lábio.

— Iria pensar o quê?

— Que você está tentando me seduzir — sussurrou ela.

Edward enrijeceu os ombros e, depois, relaxou e sorriu com indiferença, para disfarçar a tensão.

— Só em sonho eu poderia ter tanta sorte, não acha? — Ele fez um gesto largo, indicando o ambiente, o deserto. — Você está vendo todos os truques que eu usaria para conquistá-la.

— E eles dariam certo... com outra pessoa. — Ela mudou rapidamente de assunto. — Como encontrou este lugar?

Edward se recostou na cadeira e tomou um gole de vinho.

— Depois que Tânia me deu o fora, tive a brilhante ideia de conhecer todos os lugares onde obtivera direitos de mineração na América do Sul, na Ásia e na África. — Ele deu um sorriso maldoso. — Emmett ficou feliz ao abrir mão dessas regiões. Não acreditava que eu fosse encontrar algo digno de escavar.

— Você provou que ele estava enganado.

— A Cruzeiro do Sul se tornou uma empresa que vale um bilhão de dólares, quase tanto como a dele. Eu deixei São Petersburgo totalmente livre. Sem família, obrigações, quase sem dinheiro, sem nada que me prendesse. O sonho de qualquer homem...

— Isso me parece solitário.

— Comprei uma motocicleta de segunda mão e saí da Rússia, cruzando a Polônia, a Alemanha, a França e a Espanha, até o estreito de Gibraltar. Peguei um barco para a África. Em Marrakech, percorri estradas que mal eram estradas...

— Você queria desaparecer? — sussurrou ela.

Edward deu uma gargalhada.

— Eu desapareci. Meus pneus estouraram, o motor foi mastigado pela areia. Eu estava morrendo de sede quando eles me encontraram. — Ele indicou o acampamento. — Foi o melhor dia da minha vida. — Ele bebeu um gole de vinho. — Eles chamam esse lugar de fim do mundo, mas para mim foi o começo. Encontrei algo no deserto que nunca tinha achado em outro lugar.

— O quê?

Ele pousou o copo na mesa e olhou para ela.

— Paz.

Por um instante, os dois ficaram se fitando, sentados em uma ilha, no meio de um oceano de areia.

— O que seria preciso para você parar com essa guerra contra seu irmão? — perguntou Bella docemente.

— O quê? — Os olhos dele brilharam. — Tudo que tem valor para ele.

— É muito triste.

— Você ficaria triste por ele? — perguntou Edward, admirado. — Pelo homem que raptou sua irmã?

— Não por ele. Por você. Você desperdiçou dez anos de sua vida com isso. Quanto mais pretende desperdiçar?

Edward engoliu o resto do vinho.

— Agora, não muito tempo.

Bella estremeceu ao ver que ele sorria friamente.

— Aí está. Esse sorriso. Você está me escondendo algo. O que é?

Ele olhou para ela por longo tempo e, depois, desviou o olhar.

— Não lhe diz respeito.

Ela percebeu que ele queria encerrar o assunto. Tudo bem. Se Edward quisesse desperdiçar sua vida numa vingança estúpida, não era da sua conta. Ela não se importava. Realmente, não.

— Prejudicar seu irmão é realmente mais importante que ser feliz? — falou ela, hesitante, mordendo o lábio.

— Deixe isso para lá, Bella — disse ele asperamente.

Bella sabia que deveria se calar e beber o chá, mas não conseguiu se conter.

— Talvez, se você dissesse a ele o quanto o magoou...

— Ele faria o quê? Iria se desculpar? Devolveria minha parte da Cullen's Mineração embrulhada para presente? — Ele retorceu os lábios com desprezo. — Seu otimismo deve ter um limite.

Bella corou.

— Você diz que devo ser espontânea, corajosa e ousada, mas há quanto tempo não faz a mesma coisa?

— Se eu não lhe tivesse dado minha palavra, faria a coisa mais espontânea corajosa e ousada que posso imaginar: beijaria você.

Ela prendeu a respiração. Edward suspirou e olhou para o céu.

— Olhe para as estrelas. Elas brilham para sempre.

Bella olhou para ele, sentindo os lábios formigarem e o coração se contrair. Depois, olhou para as estrelas. Edward tinha razão: as estrelas nunca lhe tinham parecido tão brilhantes, e ela se sentia pequenina e, ao mesmo tempo, maior, como se fizesse parte de algo infinito e vasto.

— Você realmente tem tanta vontade de me beijar? — perguntou ela baixinho.

— Tenho.

— Não apenas porque estou ao seu alcance?

— Eu nunca deveria ter dito isso. Sabia que não deveria beijá-la. Tentei agir como se não tivesse significado nada... Esperando que você não percebesse que teve.

— Ah, eu percebi.

Os dois se fitaram por cima da mesa. Enquanto se olhavam, sozinhos no deserto, o tempo pareceu parar.

— Mas por que eu? — perguntou ela. — Você poderia beijar qualquer mulher que quisesse. Concordamos que não sou seu tipo...

— Você insiste em falar sobre meu tipo. Qual é meu tipo?

Bella olhou para o prato agora vazio e mordeu o lábio.

— Magra, em boa forma. Passa horas na academia e raramente come alguma coisa.

Edward balançou a cabeça.

— Continue.

Bella deu uma olhada para as roupas que achara bonitas, mas que agora lhe pareciam fora de moda e muito largas.

— Sofisticada, usa vestidos vermelhos justos e saltos agulha. — Ela passou a mão no rabo de cavalo. — Faz o cabelo todos os dias no salão. Usa maquiagem: delineador e batom.

Edward riu.

— Claro. Quando eu acordo ao lado dela, seu batom está perfeito.

— Quer dizer, de manhã? — Bella piscou e despertou de seu devaneio. — Como isso é possível? Alguma fada viria renovar o batom durante a noite?

Edward ergueu uma sobrancelha.

— Ela acorda mais cedo para lavar o rosto, retocar a maquiagem e se pentear, antes de eu acordar.

Bella deixou o garfo cair ruidosamente sobre o prato.

— Nossa! Que perda de tempo! — Ela pensou em como gostava de dormir até mais tarde quando não precisava trabalhar. E, se estivesse dormindo com um homem como Edward, certamente haveria melhores coisas a fazer ao acordar. Não que ela soubesse. Bella ficou vermelha e cruzou os braços, envergonhada. — Você jamais conheceria os defeitos de uma mulher como essa. Você realmente não iria conhecê-la!

— Tem razão — falou ele. — É por isso que quero você.

Bella descruzou os braços.

— O quê?

— Mais do que eu já quis qualquer outra mulher. — Ele se inclinou para a frente, na cadeira. — Conheço seus defeitos. Eles fazem parte do que a torna tão maravilhosa.

Bella engoliu em seco e olhou para as próprias roupas.

— Eu sou deselegante e mal arrumada.

— Você não precisa de roupas sexy: sua beleza é simples e natural.

— Eu sou desajeitada e como demais.

— Você come a quantidade adequada para manter seu corpo perfeito.

— Meu o quê? — Ela deu uma gargalhada, mas se sentia angustiada. — Não tente dourar a pílula: eu sou gorda.

— Gorda? — Ele sacudiu a cabeça. — Você quase me deixou louco com seu vestido de noiva. Você me provocou com aquele pedacinho de renda branca, mostrando parte dos seios e dos quadris, até quase me enlouquecer. — Edward levantou e deu a volta na mesa. — Você tem o tipo de silhueta que os homens adoram, e, se ainda não reparou, eu sou homem.

Edward estava tão próximo que seus corpos quase se tocavam. Bella entreabriu os lábios e estremeceu.

— Mas eu sou sem graça — murmurou ela. — Tola e ingênua. Eu digo coisas que ninguém quer ouvir.

Ele ajoelhou ao lado dela.

— Sua beleza não vem em potes. Vem do seu coração. — Ele pegou na mão dela.

Bella de repente percebeu que ele não estava sendo apenas gentil. Estava tentando fazer um elogio a uma hóspede de honra. Ele não estava flertando. Realmente, não estava. Acreditava no que estava lhe dizendo.

Ela sentiu um nó na garganta. Sempre desejara ouvir aquelas palavras de um homem, de qualquer um, quanto mais de um homem tão bonito quanto Edward... Mas não podia se deixar encantar. Não podia.

— Não tenho nada de especial — falou ela em voz rouca.

— Está brincando? — Ele apertou a mão dela. — Quantas mulheres teriam gasto seu último centavo para atravessar um oceano e concordar em se casar com um homem como eu, apenas para salvar a irmã, que é perfeitamente capaz de se cuidar sozinha?

Bella tremia toda. Respirou profundamente e se afastou.

— Qualquer pessoa teria...

— Você está enganada — interrompeu ele. — É isso que a torna diferente. Você não é só corajosa e forte. Você não sabe o poder que tem. — Ele beijou a mão dela, e Bella sentiu uma onda de calor. — Você é uma força da natureza.

Bella sentiu o corpo pegar fogo. Com o coração batendo forte, ela olhou para ele: a brisa lhe jogava os cabelos contra a pele bronzeada, contra as altas maçãs do rosto, que pareciam cinzeladas em mármore sob a luz do luar e das lanternas.

— Agora você entende? Agora você acredita? — perguntou ele ternamente. — Eu quero você, Bella. Só você.

Bella olhou para os lábios dele e estremeceu quando Edward lhe tocou o rosto. Ela deveria...? Teria coragem...? Ele, no entanto, afastou a mão.

— Mas pretendo cumprir minha palavra. Estou quase feliz por tê-la dado. — Ele deu um sorriso melancólico. — Porque nós dois sabemos que você é boa demais para um homem impiedoso como eu.

— Edward...

Ele ficou sombrio.

— Você está cansada. — Ele levantou e estendeu a mão. — Vou levá-la de volta para a tenda.

Bella não se sentia cansada. Estava muito consciente das estrelas, da noite, do deserto. À distância, ela ouvia os gritos das aves noturnas. Sentia o cheiro da brisa. Nunca se sentira tão viva, tão desperta.

Por causa dele.

O rosto de Edward estava banhado pelo luar, que emprestava a seus cabelos e a sua pele um brilho prateado. Ele lembrava um príncipe ou um pirata de outras eras. Ela sentiu uma euforia se espalhar pelo corpo, pelo sangue. Como que em transe, pegou na mão dele.

Sem dizer uma palavra, Edward levou-a de volta ao acampamento, para dentro da tenda, onde os dois pararam ao lado da cama e ficaram se olhando.

Bella sentiu os joelhos fraquejarem. Seus lábios pareciam secos, e seu coração batia forte.

Ele olhava para ela com ardor, como se estivesse a um passo de empurrá-la sobre a cama. Como se estivesse esperando ou rezando para que ela dissesse as palavras mágicas, livrando-o da sua promessa.

Num supremo ato de força de vontade, Bella se afastou.

— Bem, boa noite...

— Boa noite? — Ele ergueu as sobrancelhas.

— Sim — gaguejou ela. — Quer dizer, obrigada pelo nosso jantar de casamento... Estava tudo delicioso. Nunca irei esquecer seu sabor... Quer dizer, o sabor do tahine. — Que droga! Ela endireitou os ombros e quase gritou. — Boa noite!

— Ah. — Ele sorriu e deu um passo na direção de Bella. Ela ergueu os braços para afastá-lo. E também porque desejava colocar as mãos no peito dele e sentir a firmeza de seus músculos. — Bella... — murmurou ele. — Acho que você não compreendeu. Esta é minha tenda.

Ela umedeceu os lábios.

— E você a está cedendo a mim, como convidada? Não. Eu não poderia aceitar. Não vou tirá-lo da sua cama.

— Obrigado. E não vou deixá-la fugir.

— O quê? — Ela se sobressaltou, culpada. — O que o faz pensar que eu vou fugir?

— Se você for sozinha para o deserto, morrerá.

— Eu nunca... — argumentou ela, nervosa.

— Então me dê sua palavra. — Ele parecia vê-la até o fundo da alma, na obscuridade da tenda. Edward tocou o rosto dela.

— Minha palavra?

— Como eu lhe dei a minha. Não apenas uma promessa: mas sua palavra de honra de que não vai tentar fugir.

Bella conteve a respiração. Sabia o que a palavra de honra significava para os dois. Corou e umedeceu os lábios.

— Com que finalidade? Você acha que eu seria idiota a ponto de...

— Acho que você é uma otimista incorrigível. Quando se trata das pessoas que ama, você toma decisões com o coração. Não posso permitir que você se ponha em risco. Portanto, pretendo dormir aqui. Com você. A noite inteira.

— Aqui? — exclamou ela, tentando encontrar um jeito de escapar. Talvez esperasse que ele dormisse e...

— Onde você vai dormir? Nas almofadas? No tapete, ao longo da entrada?

— Desculpe. Não vou dormir no chão. — Ele se aproximou e afastou um cacho de cabelos do rosto dela, com um olhar divertido. — Não quando tenho uma cama confortável.

Ela enrugou a testa e suspirou.

— Quer dizer que, depois de toda aquela conversa a respeito de eu ser uma convidada de honra, você fica com a cama e eu durmo no chão? — Ela viu um espaço no chão, não muito longe da entrada. Na verdade, ele lhe faria um favor. Josie se animou. Seria quase fácil demais! Mas Edward parecia estar desconfiado, e ela continuou a se fazer de ofendida. — Tudo bem. Eu durmo no chão, como uma prisioneira. Não me importo.

— Sinto muito, mas essa solução também não é aceitável. Só existe uma maneira de eu ter certeza de que você não irá fugir, assim que eu estiver dormindo.

Ela olhou para ele, apavorada.

— Vamos dormir juntos na cama — afirmou ele secamente.

Iiiiii! Dormir juntos na cama??? Será que vai dar certo? Não sei não mas esses dois não vão aguentar reprimir essa atração que eles sentem um pelo outro! Comentemmm e até o próximo! Bjim