Amei cada comentário! Ahh e Feliz Páscoa!!! Boa Leitura!!!

Capítulo 6

— De jeito nenhum! — Bella explodiu. — Não vou dormir com você! — Ela cruzou os braços, ergueu o queixo e olhou para ele de um jeito que não deixava dúvidas.

Ele tinha razão: Bella planejava fugir.

Edward franziu os olhos e também cruzou os braços.

— Se eu não puder confiar em você, vou mantê-la perto de mim a noite inteira.

Ela parecia estar à beira das lágrimas.

— Você está sendo ridículo! Não acredita que não vou tentar fugir?

Ele ergueu a sobrancelha.

— Claro. Só preciso que você me dê sua palavra de honra.

Bella arregalou os olhos e curvou os ombros.

— Não posso — sussurrou ela. Edward afastou os cachos que se haviam soltado de seu rabo de cavalo.

— Eu sei.

— Como você soube?

— Ah, kroshka — Ele olhou para os lábios dela, que tremiam, para seu rosto corado. — Seu rosto sempre mostra o que você sente. — Ele ficou muito sério. — Mas você viu o quanto estamos isolados no deserto. Mesmo com seu otimismo, você não pode achar que é uma boa ideia fugir a pé, no meio da noite.

— Meu plano não era esse — balbuciou ela.

— Se você tentar escapar, morrerá. Será engolida pelo deserto, e nunca mais será encontrada.

Bella ficou ainda mais desanimada e não teve coragem de olhar para ele.

— Eu não seria... — Ela respirou fundo e o encarou. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e isso o atingiu como se fosse uma facada. — Não posso dormir na mesma cama que você.

Ele crispou os punhos.

— Droga, você não entende? Ou você dorme a meu lado ou vou amarrá-la, como fiz antes, e deixá-la dormir no chão! E então?

— Eu estou pensando!

Edward soltou um suspiro.

— Não vou tentar seduzi-la. A essa altura, você já sabe disso. O que mais posso fazer para lhe provar?

— Não precisa fazer nada — falou ela baixinho. — Confio em você.

— Então, do que tem medo?

— E se eu tocar em você? — sussurrou ela.

O corpo de Edward se enrijeceu tão depressa que ele quase cambaleou de desejo.

— Você...

— Por acidente! — falou ela depressa, corando intensamente. — Enquanto estiver dormindo, posso me virar e abraçá-lo, ou algo assim. Você poderia ter uma ideia errada...

Ideia errada? A cabeça de Edward estava cheia de ideias, e todas lhe pareciam corretas. Ele observou a maneira como ela mordiscava o lábio rosado. Era um hábito. Ele sentia vontade de provar a doçura de seus lábios, de lhe abrir a boca e saborear sua língua. De jogá-la em cima da cama e de sentir seu corpo nu sob o dele.

— Não teria? — perguntou ela, sem graça. — Ou saberia que seria apenas um gesto inocente?

Edward pigarreou e se controlou.

— Não se preocupe. Não tenho o hábito de atacar virgens durante a noite.

Ela olhou para ele e, de repente, deu um sorriso que formou duas covinhas em seu rosto.

— Por quê? Você prefere fazer isso em outra hora do dia?

Ela o estava provocando! Edward ficou surpreso e deu uma risada.

— Para sua informação, nunca fui o primeiro amante de ninguém.

— Nunca? — Bella pestanejou.

— Não — disse ele gentilmente. — Você foi meu primeiro "primeiro" beijo.

— Fui?

— E mudei de ideia — falou Edward em voz baixa. — Eu não sinto por tê-la beijado. Porque nunca esquecerei como foi bom.

Os dois ficaram se olhando por um instante.

— Nem eu — sussurrou Bella.

O vento agitou a lona da tenda, e Edward se voltou.

— Vá se trocar.

— Trocar de roupa, com você aqui? Esqueça!

— Troque de roupa atrás do biombo. Não vou olhar.

— Você não pode esperar lá fora?

— E lhe dar a chance de fugir no escuro? Não.

— Mas eu não tenho camisola. — Ela deu uma risada nervosa. — Devo dormir despida?

Nua. Edward fechou os olhos, imaginando as curvas quentes do corpo de Bella sob suas mãos. Tentou se controlar, mas seu corpo não obedecia.

— Procure dentro daquele baú. — Ele evitou olhar para ela. — Deve haver algo que lhe sirva.

— Obrigada. — Ele a ouviu mexer no baú e entrar atrás do biombo. — Fico lhe devendo...

— Você me paga evitando se matar. Aliás, qual era seu plano de fuga?

— Meu plano?

Quando ele a ouviu falar por detrás do biombo, voltou-se. Viu que ela levantava os braços para tirar a túnica, pendurando-a sobre o biombo, e depois o sutiã. Edward engoliu em seco, excitado.

— Tem razão: era totalmente idiota. Não pensei nos detalhes, mas pretendia roubar um dos seus cavalos e cavalgar na direção do pôr do sol.

— Você sabe cavalgar?

— Não. — Ela jogou as calças em cima do biombo e deu uma risada. — Pensando bem, estou aliviada por você ter descoberto.

Bella estava nua ou quase, atrás do biombo: deveria estar usando apenas a calcinha que ele comprara para ela em Marrakech. Edward tentou não pensar nisso, porque, dentro de um instante, estariam deitados juntos na cama.

Ele pressentiu que a noite seria longa.

— Bela camisola — disse Bella. — E recatada.

Ele agradeceu por isso, embora soubesse que ficaria excitado, ainda que ela estivesse coberta dos pés à cabeça. Edward tirou a túnica e ficou com o peito nu.

— Só para que você saiba, eu costumo dormir despido. — Ele a ouviu engasgar. — Mas não esta noite.

— Ótimo. — Ela suspirou aliviada. — Nunca vi um homem nu, e esta não me parece ser uma boa hora para começar.

— Nunca? — perguntou ele em voz rouca.

Bella ficou na ponta dos pés e olhou por sobre o biombo. Os olhos dela se demoraram em cima do peito dele, e ela ronronou:

— Nunca.

Edward não conseguiu respirar até que ela voltasse a desaparecer. Ele a viu levantar os braços para vestir a camisola pela cabeça, e as calças largas que ele usava lhe pareceram ficar apertadas.

— É seguro eu sair agora? — perguntou Bella.

— Mais seguro que nunca — resmungou ele.

Bella apareceu vestida numa camisola de seda que lhe chegava aos tornozelos, mas deixava os braços nus.

— Obrigada. É bem retrô. Dos anos 1940.

— Mandei que meu pessoal procurasse lojas de roupas antigas e evitasse as butiques. Avisei que não queria nada "sofisticado".

— Adorei. — Ela passou a mão no tecido. — É macia.

— Fico feliz por você ter gostado.

Edward começou a suar. Os dois se voltaram ao mesmo tempo para a bacia de água e suas mãos se esbarraram. Bella puxou a mão

— Você vai primeiro.

— Não, fique à vontade.

Ela lavou o rosto, escovou os dentes e foi para a cama. Tinha medo de tocá-lo, o que queria dizer que também se sentia atraída por ele. Isso fazia com que tudo se tornasse mais difícil.

Edward escovou os dentes e, pelo canto do olho, viu-a deitar e a camisola se colar às suas curvas. Ele jogou a água fria no rosto, desejando poder fazer o mesmo para esfriar o corpo. Enxugou-se, apagou a lanterna e deitou-se ao lado dela. Os dois ficaram deitados o mais distante possível, no escuro.

— Edward...? — falou Bella, depois de algum tempo. — O que vai fazer quando tudo isso acabar?

— Está falando do nosso casamento?

— Estou.

Ele cruzou os braços sob a cabeça.

— Vou ter tudo que sempre quis.

— Você está se referindo às terras?

— Entre outras coisas — ele disse.

— Mas você não pretende morar no Alaska, não é?

Viver em seu antigo lar? Ele se lembrou das noites que passara com o irmão no sótão frio, do amor constante de seus pais e de como acordava cedo para cumprir suas tarefas. Quando criança, tivera certeza do que mais importava no mundo: lar, família, lealdade.

— Não, não vou voltar — disse ele.

— Então, por que deseja tanto essas terras? Só por causa da promessa que fez a seu pai?

— Uma promessa feita em seu leito de morte... — Ele se calou. Durante anos, dissera a si mesmo aquela mentira, mas não poderia mais repeti-la, deitado ao lado de Bella. — Porque não quero que elas pertençam a Emmett. Ele não merece ter um lar, nem um irmão.

— E quanto a você? O que você merece? — perguntou ela docemente.

— Exatamente o que vou conseguir — disse ele. Vingança contra o irmão e a Mata Hari, que causara a discórdia entre os dois. Propriedade exclusiva da Cullen's Mineração e da Cruzeiro do Sul. Isso o deixaria feliz e em paz. Tinha que deixar. — E você, o que vai fazer?

— Não sei. Rose sempre falou em me mandar para a faculdade, mas não tenho certeza de que é isso que eu quero.

— Por que não? Você se sairia bem.

Bella deu uma risada tristonha.

— Rosalie deveria ter ido. Ela é objetiva, batalhadora, mas deixou de estudar para me sustentar.

Edward percebeu a culpa na voz dela, mas Brlla deu mais uma risada.

— Talvez ela tenha ficado contente. Não tinha paciência na escola. Estava sempre de olho nos resultados. Se não fossem os antigos credores que nos ameaçavam, ela já estaria gerenciando o próprio negócio.

— Não perguntei quais eram os sonhos de Rosalie. — falou Edward secamente. — Perguntei quais eram os seus. O que você quer?

— Você vai achar que é tolice.

— Nada do que você quer é tolice. A não ser roubar um cavalo e sair sozinha pelo deserto.

— Não foi uma das minhas melhores ideias — admitiu Bella. Os dois ficaram em silêncio por algum tempo. Edward começou a imaginar se ela dormira, mas Bella se voltou para ele e falou em voz abafada:

— Não conheci minha mãe. Ela morreu um mês depois que nasci. Ela deveria ter começado a fazer quimioterapia, mas descobriu que estava grávida e não quis me colocar em perigo.

— Ela amava você.

— Ela morreu por minha causa. — A voz de Bella estava trêmula. — Enquanto eu crescia, meu pai e Rose estavam sempre ocupados com planos. Eu ficava sozinha em casa, com uma babá que era paga por hora.

Edward se comoveu ao pensar em Josie quando criança, ainda mais piedosa e vulnerável do que era agora, sentindo-se sozinha, carente, desprezada.

— Desde criança eu sabia o que gostaria de ter, algum dia. Não era ir para a faculdade ou fazer uma carreira.

— O que era? — perguntou ele baixinho e a ouviu conter a respiração.

— Quero um lar. Quero ter minha própria família. Quero fazer tortas, lavar pilhas de roupas e cuidar do jardim rodeado por uma cerca branca. Quero ter um marido honesto e forte, que nunca mentirá para mim, que brincará com as crianças e cortará a grama aos sábados. Quero um homem a quem eu possa confiar meu coração. Um homem que eu possa amar pelo resto da vida.

O coração de Edward se revirou dentro do peito. Por um instante, ele não conseguiu falar.

— Viu? — disse ela com a voz embargada pelas lágrimas. — Eu lhe disse que era tolice.

— Não é tolice — falou ele, muito tenso, voltando-se lentamente para olhar para ela, no escuro, percebendo que ela chorava.

De repente, ele sentiu inveja do futuro marido de Bella. Fosse quem fosse, deveria ser digno dela, dar-lhe filhos e cuidar dela. E ela o amaria pelo resto da vida. Bella possuía aquele tipo de lealdade, o tipo de coração que amaria para sempre.

A ironia quase o fazia rir, porque estava casado com ela e não podia ser aquele homem. Não era seu companheiro, nem seu amante. Nem mesmo seu amigo.

Mas poderia ser.

— Depois que eu lhe pagar pelas terras, você e sua irmã estarão livres de todas as dívidas. Você poderá ir atrás de seus sonhos. — Ele sentiu um nó na garganta. — Sejam eles quais forem.

— Você vai me pagar? — Ela se admirou. — Pensei que havíamos feito uma troca: as terras pela minha irmã.

— Sempre pretendi lhe pagar o preço de mercado — mentiu ele, ouvindo-a prender a respiração. Não, Edward resolveu: ele lhe pagaria em dobro.

— Você não sabe o que isso significa para mim. Não precisaremos mais nos esconder, estaremos livres. E, se sobrar algum dinheiro, Rose pode montar uma pousada.

— E isso a fará feliz? Usar o dinheiro para realizar o sonho de sua irmã?

— Sim! — exclamou ela. — Ah, Edward... — Ela lhe puxou o rosto pelo queixo e ele viu seus olhos úmidos. — Obrigada. Você é... Você é... — Ela soltou um soluço e o abraçou. Edward passou os braços em torno dela. Os dois ficaram abraçados na cama. Perturbado, com o corpo agitado, acariciou-lheo rosto.

— Bella... — Na obscuridade da tenda, ele via seus lindos olhos e mal conseguia ouvir sua respiração ofegante acima das batidas do próprio coração. Ela possuía a pele macia. Sentia seus braços nus sobre as costas. Seus rostos estavam a centímetros de distância. Ele queria beijá-la, abraçá-la e esquecer sua promessa, mas conseguiu se controlar e se afastou para o outro lado da cama.

— Boa noite.

— Boa noite — disse ela docemente.

Edward fechou os olhos e suspirou. Ainda via seu belo rosto inocente, as curvas escondidas sob a seda, sinuosas como ondas. Ouvia os ruídos do acampamento, do vento, dos cavalos e ainda escutava a voz doce e inocente de Bella, tremendo de medo e de desejo. "E se eu o tocar?", ela perguntara.

Ele não precisava tocá-la para senti-la. Deitado ao lado dela, sob camadas de cobertas, a distância entre os dois parecia ser um deserto, mas cada suspiro que ela dava lhe causava um terremoto.

Dentro de algumas semanas, quando as terras lhe pertencessem, ele a trocaria pelo que mais desejava. Assumiria o controle da Cullen's Mineração e faria justiça com os que o haviam magoado. Finalmente, venceria. Deveria estar satisfeito, animado. Mas, enquanto ouvia a respiração compassada de Bella, só conseguia pensar no que perderia.

Ele olhou para ela. Bella não se importava com vingança e dinheiro. Queria desistir de uma fortuna para fazer a irmã feliz. Ela dava tudo que tinha, sem se preocupar com alguma retribuição. Nem sequer tentava proteger o próprio coração.

"Obrigada, Edward. Você é..." Ele ainda ouvia a felicidade na voz dela, ao abraçá-lo.

Ele era um miserável sem coração. Beijara-a, sequestrara-a, mantivera-a prisioneira, e ela insistia em perdoá-lo constantemente.

Edward deitou de costas e olhou para o teto. Haveria algum jeito de mantê-la em sua vida? Algum jeito de ligá-la a ele de tal forma que ela perdoasse o imperdoável?

Dois dias depois, Bella olhava para ele, consternada.

— Você deve estar brincando!

— Vamos — insistiu Edward, estendendo a mão. — Você disse que queria fazer isso.

Bella olhou para a duna mais alta e mordeu o lábio.

— Eu disse que parecia divertido... teoricamente.

— Você sabe que quer. — O vento lhe agitou os cabelos enquanto ele sorria para ela. Edward usava uma velha camiseta preta, que acentuava seus músculos e seus bíceps, e um jeans. Parecia relaxado e mais jovem. — Você não está com medo, está?

Bella umedeceu os lábios. Quando ele olhava para ela com aquele sorriso, ela sentia vontade de concordar com qualquer coisa, mas aquilo...? Ela olhou para trás. Três jovens berberes de cerca de 10 a 13 anos equilibravam-se sobre as pranchas coloridas e deslizavam pela areia, gritando alegremente e rindo.

Edward e Bella estavam ao lado da tenda, comendo uvas, pão e kebabs de carneiro, quando os meninos haviam começado a deslizar pelas dunas.

— Gostaria de poder fazer o que eles estão fazendo, de ser corajosa e livre — dissera ela.

Edward levantara imediatamente.

— Então, vamos.

Naquele momento, ele olhava para ela com um olhar de desafio.

— Tenho uma prancha extra. Vou lhe mostrar como se faz.

— Dizer que algo parece divertido e ter coragem para fazer são duas coisas diferentes!

— Não deveriam.

— Parece perigoso. Rose nunca me deixaria fazer isso.

— Mais um bom motivo para fazer.

— Gostaria que você parasse de implicar com ela...

— Eu não me importo com ela — interrompeu ele. — Eu me importo com você e com o que você quer. Sua irmã não está aqui para impedi-la, e não vou proibi-la. Você disse que gostaria. A única pessoa que a detém é você mesma.

Bella olhou para a duna. Parecia muito alta, e a areia, muito áspera.

— E se eu cair?

— E daí?

— Os meninos rirão de mim, ou você.

— Eu? — Ele olhou para ela, admirado. — Isso é uma piada? O medo da minha reação a impediria de fazer algo? Não parece a Josie que eu conheço...

Bella ficou toda prosa. Edward achava-a corajosa. E, quando estava com ele, ela era e mal se reconhecia. No dia seguinte seria noite de Ano-Novo, mas, para Bella, o Ano-Novo — sua nova vida — já começara. Ela pagaria todas as dívidas, e só isso já era um presente. Ela e Rosalie estariam livres da nuvem de medo que pairara sobre suas cabeças durante dez anos, forçando-as a se esconder. Rosalie poderia montar uma pousada. E ela, Bella, nunca mais se sentiria um peso para alguém.

Mas isso teria um preço. Bella olhou para Edward. Ele podia ser duro, egoísta e sem sentimentos, mas, por dentro, era um homem bom, cuja generosidade mudaria sua vida. E ela nunca mais voltaria a vê-lo. Essa ideia começava a atormentá-la. Não podia mais se enganar: há muito tempo deixara de ver o casamento como um negócio.

No dia anterior, Edward a ensinara a cavalgar. Fora paciente, até que ela perdera o medo e se mostrara confiante. Ela ainda se sentia dolorida, depois de terem cavalgado pelas dunas e ido até o vilarejo mais próximo para buscar medicamentos que haviam chegado de Marrakech. Na volta, os olhos de Edward lhe pareciam tão verdes e brilhantes como esmeraldas e, a cada vez que ele sorria, Bella perdia mais um pedaço de seu coração.

— Então? — perguntou ele, ainda com a mão estendida.

— É macio como talco?

Ele riu.

— É áspero. Vai arranhar.

— Parece divertido — resmungou ela.

— Você quer ou não quer tentar?

Bella olhou para os garotos que deslizavam pela areia com incrível velocidade. Pareciam estar se divertindo. Talvez não fosse difícil...

Só dependia dela. Estava cansada de sentir medo de tudo, de viver uma vida muito abaixo de seus sonhos. Ela prendeu a respiração e pegou na mão de Edward. Ele a puxou.

— Ótimo. Vamos fazer isso agora mesmo.

O rosto dele estava a poucos centímetros. Josie estremeceu, mas não de medo. Cada vez que Edward a olhava ou falava com ela, sentia o coração se expandir, como se fosse capaz de voar.

"Vamos fazer isso agora mesmo."

Ele apertou a mão dela, mas, de repente, a soltou, afastou-se e entrou numa tenda. Bella suspirou.

Fora uma tortura dormir ao lado dele nas duas últimas noites. Era um milagre que tivesse conseguido dormir. Principalmente, na primeira noite, quando haviam conversado no escuro e ele lhe dissera que pagaria pelas terras. Ficara tão feliz que o abraçara, e ele a abraçara também. Por um instante, ela achara que ele fosse quebrar sua promessa, e o mais chocante é que ela desejara que ele o fizesse.

Ela sentira os lábios formigarem enquanto esperara que ele a beijasse. Desejara colocar a mão em seu peito, sentir seu calor, seu fogo. Seu corpo ainda estremecia ao se recordar de como o desejara. E, olhando para ele, ela sabia que Edward sentia o mesmo.

Mas ele não a tocara.

Quando se afastara abruptamente, ela se sentira desamparada, decepcionada, quase arrasada. E isso não fazia sentido. Sempre achara que as promessas deveriam ser cumpridas, e, apesar de estarem juntos de uma maneira tão íntima, os dois não estavam — e jamais estariam — casados de verdade. Ela precisava se lembrar disso.

Edward voltou, trazendo duas pranchas. Bella sorriu e liderou a subida até o topo de duna. Ele brincou com ela, dizendo que a esposa queria mostrar que era mais rápida que ele. Quando chegaram lá em cima, ele a fez sentar na areia e ajoelhou-se diante dela, para lhe amarrar os pés nas tiras da prancha. Bella imaginou se seria realmente corajosa. Ele prometera não beijá-la, mas nada impedia que ela o beijasse...

— Você vai adorar — falou ele, tirando-lhe as sandálias.

— Com certeza — disse ela, sentindo a boca seca. Edward sorriu. Bella se perguntou como o achara frio, em Honolulu. Ali, ele se mostrava caloroso como o sol do deserto.

— Você está nervosa? — perguntou ele.

— Estou — sussurrou ela, rezando para que ele não percebesse por quê.

— Não fique.

— Para você, é fácil falar — Ela riu.

Ele prendeu os pés dela na prancha e ajudou-a a levantar. Bella tentou manter o equilíbrio e testou a firmeza da areia. Fazia tempo que não esquiava. Sem as botas para neve, não havia muito suporte para os tornozelos na snowboard. Fazer curvas seria difícil.

Edward prendeu os pés na prancha e pegou-a pelo braço.

— Pronta?

— Sim — sussurrou ela. — Preciso de um tempo para tomar coragem.

— Então... — Ele sorriu. — Vamos apostar uma corrida?

— Apostar corrida? — Bella observou a altura da duna. Não era tão alta quanto algumas montanhas onde esquiara, no Alaska, mas isso fora havia dez anos. Estava enferrujada. Descer pela areia seria como esquiar sobre o gelo. — Não acho que seja uma boa ideia.

— Pensei que você queria mostrar que é mais rápida que eu.

— Quero.

— Então, uma corrida seria o ideal. Eu lhe dou uma vantagem na partida.

Bella riu. Ele achava que seria mais veloz que ela.

— Hum. Obrigada...

— Se você vencer, ganha um prêmio.

— Qual seria?

— Ter sua própria tenda — falou ele. — Pelo resto do tempo que passarmos no Saara.

Bella não ficou tão animada com a ideia, como teria ficado antes.

— E se você ganhar?

Edward olhou para ela, e algo em seu olhar fez com que Bella prendesse a respiração.

— Você divide a cama comigo e deixa que eu faça amor com você.

Não sei não, mas se eu tivesse no lugar da Bella deixaria ele ganhar! Kkkkkk Comentemmm e até o próximo capítulo que está pegando fogo, literalmente!