Disclaimer: Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.


Madison sentiu seu corpo ser sacudido, despertando-a de seu sono confortável, e não ficou nem um pouco satisfeita com isso. Tentando empurrar a mão de quem quer que fosse, ela escutou uma risada.

"Acorda, dorminhoca. Você tem aula."

"Papai", ela choramingou, tentando cobrir a cabeça com o cobertor, "me deixa em paz."

"Se eu fizer isso não estarei sendo o melhor pai do mundo, como sei que sou", Jesse brincou, puxando o cobertor para longe da menina, ganhando um gemido em troca.

"Eu não me sinto bem", ela forçou a voz para parecer deprimente, fazendo seu pai revirar os olhos.

"Você precisa ir ao médico, querida?", Jesse fingiu empatia e se sentou na cama, pondo uma mão na testa da menina. Estava mais fria que o Pólo Norte.

"Argh!", ela bufou.

"Você tem vinte minutos para aparecer lá embaixo. Se apresse", ele falou antes de deixar o quarto.

Com um longo suspiro, Madison se levantou e arrastou os pés até o banheiro para começar a se preparar para o dia. Depois de se vestir e pentear os cabelos, ela desceu as escadas e encontrou os pais tomando café na cozinha.

"Bom dia."

"Bom dia, flor do dia. Deixou a cama lá em cima pelo menos?", Rachel perguntou para o zumbi que ela chamava carinhosamente de filha.

Madison deixou seu corpo sonolento cair em um banco e começou a mexer a tigela de cereal à sua frente, "Sim."

"Estou vendo", Rachel zombou.

Na noite anterior, os três haviam se sentado juntos depois do jantar e leram o contrato que Shelby havia enviado. No fim, Jesse assinou e entregou para que Madison pudesse guardá-lo em sua pasta e entregar no dia seguinte.

"Você já tem tudo arrumado?"

Ela apenas balançou a cabeça assentindo e comeu uma colherada de cereal. Lentamente ela esvaziou a tigela e subiu para buscar sua mochila. Rachel lhe entregou a garrafa térmica com água e uma barra de cereal de frutas.

"Seu pai vai levá-la e buscá-la hoje. Eu vou sair mais tarde para resolver alguns assuntos com o tio Kurt e talvez você não me encontre em casa quando chegar. Seu pai estará lá às três. Boa aula", Rachel abraçou a filha e sentiu ela abraça-la de volta.

"Obrigada, mãe. Eu te amo."

"Também amo você, Maddie. Nos vemos mais tarde."

Madison se despediu de seu pai na porta da escola e caminhou para os armários. Ela deixou suas coisas lá e puxou apenas um caderno e seu livro de Biologia, já que essa era a sua primeira aula. Estava fechando a porta quando Zoe apareceu ao seu lado, sorrindo largamente ao exibir suas vestimentas.

"O que achou?", ela perguntou, dando uma volta em frente à amiga.

"Uau. Você fica bem de vermelho e branco."

"Eu sei!", Zoe respondeu, animada. "Meu pai falou a mesma coisa essa manhã", ela olhou para sua jaqueta New Directions outra vez e então voltou a olhar para a menina à sua frente, "Por que não está usando a sua?"

Madison deu de ombros, "Qual a sua aula agora?"

"Música", Zoe respondeu quando elas começaram a andar pelo corredor.

"Bem, então nos vemos no almoço?"

"Sim. E eu tenho uma surpresa para você", a menina loira sorriu brilhantemente.

"Surpresa? O que é?"

"Esse é o ponto!", Madison parou em seus trilhos e Zoe continuou seu caminho, acenando por cima do ombro, "Tchauzinho. Nos vemos no almoço, priminha."

Quando o sinal bateu, Madison correu para fora da sala de aula até seu armário e depois para o refeitório. Ela pagou por sua bandeja de comida e caminhou até a mesa que Olivia e Scott já ocupavam.

"Qual a sensação de ter o privilégio de não precisar sentar com os novatos?", Scott brincou quando Madison ocupou uma cadeira.

"Eu tiro vantagem de você", Madison devolveu com um sorriso maligno e Olivia abafou uma risada com a feição desacreditada de Scott.

"Você mereceu", a garota mais velha disse ao amigo.

"Onde está Zoe?", perguntou Scott.

"Me pergunto o mesmo. Ela disse que tinha uma surpresa para mim na hora do almoço", Madison respondeu, temperando sua salada, "Fico pensando o que ela está aprontando."

"Ela costuma surpreender?", questionou Olivia.

Madison lhe deu um olhar cético, "Zoe? Você pode esperar tudo dela."

A garota só teve tempo de concluir sua frase antes de olhar para cima de sua bandeja e ver Zoe e Daniel caminhando até ela, com suas bandejas de comida e sorrisos no rosto.

Madison iria matar sua amiga.

"E aí, pessoal?", Zoe cumprimentou alegre e ganhou um olhar fulminante de Madison, "Hoje eu trouxe um amigo para nos acompanhar."

"Se eu não atrapalhar, é claro", Daniel falou, ocupando uma cadeira.

"Claro que você não atrapalha. Não é, Maddie?"

Se naquele momento Madison soltasse laser pelos olhos, Zoe estaria queimando no chão.

"Claro", ela respondeu, sem desviar os olhos da amiga.

Olivia estava se esforçando para não rir, Scott tinha um sorriso zombeteiro e Zoe parecia o ser mais inocente da história, Madison conseguia enxergar o brilho maligno nos olhos esverdeados. Ela havia feito de propósito. Madison estava fervendo por dentro, mas esse sentimento era estranho e inesperado mesmo para ela. Por que ela estava agindo daquela forma com a simples presença de Daniel? Ela não entendia, no entanto não conseguia evitar. Sempre que os olhares deles se encontravam, ele sorria para ela e a deixava sem jeito. Zoe percebeu isso e resolveu se divertir com a situação, mesmo que isso custasse olhares mortais em sua direção e, possivelmente, sua vida.

"Vocês vão vir na festa de boas-vindas amanhã?", Scott puxou assunto, tentando amenizar o clima.

"É uma chance de fazer amigos. Hoje em dia ser excluída é pior do que ser pobre", Zoe dramatizou.

Madison rolou os olhos para o comentário, "Perder essa festa é um passaporte para o antissocialismo."

"E vocês ouviram falar da festa que Randy dará em sua casa depois daqui?", disse Olivia, "Brian me disse que toda a escola será convidada."

"Quem é Randy? E Brian?", questionou Madison.

"Randy é só um veterano popular famoso pelas badaladas festas em sua casa, e Brian é seu irmão mais novo, ele está no segundo ano como nós", Olivia explicou, apontando Scott e Zoe.

"E eu estou supondo que nessas badaladas festas tem todos os tipos de bebidas e nenhum adulto por perto."

"Você está supondo certo", Daniel respondeu. "Randy pode ser um babaca às vezes, e nas suas festas rola de tudo. Eu já fui à algumas e digo que aquilo é uma confusão enorme."

"Bom, eu quero ir", Zoe se animou. "Adoro festas. E será mais uma oportunidade para se enturmar rapidamente."

"Vai ser o tipo de comemoração própria depois da festa que vai rolar aqui no McKinley. Randy é do tipo que gosta de competir. E é unânime entre os veteranos que essa festa de boas-vindas é entediante e sem graça", Scott zombou. "Eu estarei lá."

"Você vai, Madison?", Daniel quis saber, olhando para a garota mais nova.

Madison mordeu o lábio, pensativa. Ela conhecia esse tipo de festa, nunca acabava bem e às vezes até a polícia era envolvida. Quanto a seus pais, bom, eles até que eram do tipo liberais, contanto que Madison não fizesse nada ilegal e que a pusesse em perigo. Olhando em volta da mesa, ela percebeu Daniel a encarando em expectativa, Olivia e Scott compartilhando sorrisos e Zoe não fazendo nenhum esforço em ser sutil ao balançar a cabeça positivamente e erguer os polegares.

"Tudo bem", ela cedeu com um suspiro.

"YEY! Será espetacular!", Zoe bateu palminhas.

Daniel a encarou sorrindo abertamente e Madison devolveu um sorriso tímido, acenando.

BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY

Rachel e Kurt fizeram seu caminho para uma mesa no Lima Bean depois de pegarem seus pedidos. Era uma nostalgia constante estar ali, o lugar que eles sempre iam depois da escola ou nos fins de semana para uma reunião de amigos. Eles haviam passado o início da tarde resolvendo assuntos pendentes da mudança e fizeram aquela pausa para um café.

"Kurt, eu preciso de conselhos. Estou insegura em como contar à Mad sobre Shelby e em como ela pode reagir."

"Apenas seja honesta, okay? Mad vai entender, tenho certeza. Diga à ela que Shelby é sua mãe biológica, mas não realmente sua mãe, entende? Cabe à Madison decidir se ela verá Shelby como avó, mas ela tem o direito de saber. E depois... Bem, depois você tem que arranjar uma forma de dizer à Shelby."

"O que!?", a morena se espantou.

"Sim. Assim como Mad merece saber que tem uma avó, Shelby merece saber que tem uma neta."

"Mas ela quem não quis fazer parte da minha vida, Kurt. Isso equivale também a não saber sobre Madison."

"Eu concordaria com você, Diva, se Shelby fosse uma pessoa distante na vida da Mad. Mas ela é a treinadora dela. No futuro, haverá coisas como reuniões e competições que seria inevitável um encontro de vocês com ela. É apenas adiar o inevitável."

Rachel suspirou e tomou um gole de seu chá, lambendo os lábios em seguida e respirando fundo. Deus, aquela mudança era para ser benéfica para toda a família, não uma reviravolta de assuntos passados. E no pacote ainda tinha Beth. Rachel não sabia até onde a menina sabia da história, e se ela sabia de alguma coisa, e isso a deixava insegura também. Porque, afinal, Beth e Zoe eram meia irmãs biológicas. Toda aquela confusão envolveria todos eles.

"Eu não tenho nem ideia de como iniciar essa conversa."

"Nós sabemos que Mad é uma menina curiosa, diga à ela que há uma história que você ainda não contou. Fale com ela esse fim de semana, um momento só vocês duas."

"Vou fazer o possível. Adiar mais isso não me ajudará em nada."

Kurt estendeu uma mão por cima da mesa e agarrou a da amiga, com um sorriso simpático, "Saiba que estamos aqui. Sempre."

Rachel devolveu o sorriso e acenou, grata pelos amigos que formavam sua família.

BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY

A professora de Educação Física soprou o apito antes de esbravejar, "Mais cinco voltas na quadra, pessoal!"

"Ela quer nos matar?", Madison ouviu alguém reclamar.

Ela própria estava respirando com dificuldade, o corpo curvado com as mãos apoiadas nos joelhos após correr as cinco voltas ao redor da quadra de esportes.

"Não aguento mais", Melanie disse, exausta, ao lado de Madison. Nem mesmo a menina estava aguentando mais aqueles exercícios, e ela era uma dançarina nata.

"ok, pessoal, cinco minutos para beber água e ir ao banheiro", a professora liberou. "Se apressem, na volta iremos jogar vôlei!"

Os alunos suspiraram cansados enquanto iam em busca de suas águas e toalhas para secar o suor. Madison percebeu que sua garrafa estava vazia e saiu para o corredor até o bebedouro mais próximo para encher com água gelada quando ouviu a voz de Beth reclamando sobre alguma coisa.

Ela olhou para cima a tempo de ver Beth e Shelby entrarem no corredor, rapidamente ela se escondeu para não ser vista por elas.

"Mãe!", Beth esbravejou, "Jeremy e eu não saímos tem duas semanas!"

"Eu já disse que não, Beth. Vocês podem sair no fim de semana, pronto. É a primeira semana de aula, pelo amor de Deus", Madison ouviu Shelby responder em um tom como se ela tivesse dizendo aquilo pela milésima vez.

"Meu Deus, mãe! Você não faz nem sentido!", Madison escutou antes de observar elas saírem pelos portões.

Quando o carro de seu pai parou na área de despache, Madison quase chorou de emoção caminhando até ele. Ela abriu a porta de trás jogando sua mochila no banco e se mudou para ocupar o banco ao lado do pai. Suspirando relaxada após colocar o cinto, ela deitou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos.

"Dia difícil?", Jesse brincou, ligando o carro.

"Quase impossível. Aquilo não foi aula, foi tortura. Minha professora de Educação Física definitivamente foi Nazista", Madison murmurou ainda de olhos fechados. "Não quero nem imaginar quando os ensaios com a Treinadora Corcoran começarem, eu não vou sobreviver", ela não viu seu pai apertar as mãos no volante com a menção do nome da mulher que fora sua treinadora anos atrás, mas ele o fez. Era estranho ouvir Madison falar de Shelby sem saber realmente quem ela é.

"Imagino", ele respondeu, distraidamente.

O resto do trajeto de carro foi em silêncio e Madison aproveitou o momento para tirar um cochilo poderoso. Em casa, eles foram recebidos pela calmaria e deram conta que Rachel ainda não havia retornado dos compromissos com Kurt. Madison subiu as escadas quase como se caminhasse à forca, arrastando os pés e a mochila para o andar de cima. Ela tinha planejado começar a lição de casa antes do jantar, mas agora um bom banho quente era mil vezes mais convidativo. Ela jogou as roupas no cesto no banheiro e entrou na água depois que a banheira encheu, sentindo cada músculo do corpo doer depois da "tortura".

No andar de baixo, Jesse estava retirando peitos de frango do congelador para deixar descongelando até a hora do jantar quando a porta da frente se abriu e Rachel entrou, caminhando para a cozinha para cumprimentar o marido.

"Hmmm", ela sorriu antes de plantar um beijo nos lábios de Jesse ao vê-lo ocupado, "O que teremos hoje?"

"Frangos na grelha para Madison e eu, hambúrguer de brócolis para a senhorita e legumes cozidos à vapor para a família. Receita do chefe."

"Você é o melhor."

"Eu sei", Rachel deu língua e lhe bateu com um pano de prato que estava no balcão, "Como foi com Kurt?"

"Tudo ótimo. Nós conseguimos resolver o que estava pendente. Consegui resolver o problema da entrega de correspondências e do aluguel do carro. A propósito, marquei a vistoria e emplacamento para a próxima semana. Você pode ir até lá?"

"Certo."

"E tomamos um café no Lima Bean. Completa nostalgia", Jesse concordou e riu, "Onde está a Mad?"

"Ouvi algo sobre um banho de imersão após uma aula que pode ser considerada método de tortura nazista."

Rachel revirou os olhos, "Ela herdou o melhor de nossas dramaticidades."

"Ainda reclamou que se está assim agora, não quer nem pensar quando começarem os ensaios. Teremos um zumbi para chamar de filha", Jesse brincou. "Mas eu não a culpo. Sei bem como é, às vezes Shelby só era... Difícil de se lidar", ele falou e então se deu conta, lançando um olhar culpado à esposa. "Oh, desculpe, amor. Eu não queria..."

Rachel balançou a cabeça e sorriu minimamente, "Tudo bem. Tenho que me acostumar à isso", ela suspirou e se sentou em uma banqueta, brincando com a cesta de frutas sobre o balcão.

Jesse sorriu com simpatia e tirou uma garrafa de água da geladeira, oferecendo à Rachel, "Já sabe quando vai contar à Mad?"

Ele ouviu o suspiro longo da parte de Rachel, "No domingo. Vou levá-la para almoçar no Breadstix, talvez isso amenize um pouco a raiva que ela vai sentir de mim."

"Ei", Jesse deu a volta no balcão e se aproximou de Rachel, passando os braços em volta dela, "Ela não vai ficar com raiva de você. Eu conheço nossa filha. Nós conhecemos. É só explicar os seus motivos."

"Eu sei, mas não consigo evitar. Tenho medo, Jess..."

"Tudo bem, querida", ele colocou um beijo no topo da cabeça dela e depois apoiou o queixo ali, esfregando as mãos nos braços de Rachel em conforto, "Vai ficar tudo bem."

"Estou morrendo de fome!", Madison entrou na cozinha naquele momento, o cabelo úmido caindo sobre os ombros e vestida com roupas confortáveis.

Jesse revirou os olhos e soltou a esposa, "Quando você não está morrendo de fome, criatura?"

"Quando eu estou morrendo de sono!", retrucou, rindo da careta de seu pai.

Rachel riu da implicância dos dois e encarou sua filha, a chamando com uma mão para ficar ao seu lado e passando um braço por sua cintura quando Madison se aproximou.

"Como foi a escola hoje?"

"Foi bem. Apesar de que eu sinto cada músculo do meu corpo doer", a menina fez uma careta e deitou a cabeça no ombro da mãe.

Rachel riu e a abraçou, "Meu pobre bebê."

"Ai, mãe. Não aperta. Dói", ela fez beicinho.

"Desculpe", Rachel riu e a soltou.

Horas mais tarde, os três ocuparam a mesa na sala de jantar para comer. Apesar do cansaço, Madison estava agitada como de costume e falando sem parar.

"E então ela nos fez correr cinco voltas ao redor da quadra, três vezes!", ela relatava, indignada com os métodos de sua professora. "Depois ainda tivemos que jogar vôlei."

Rachel e Jesse riram dos dramas de sua adolescente. E então ela continuou.

"Quando começarem os ensaios, não sei se vou aguentar isso toda semana", disse. "Mesmo assim estou ansiosa para segunda-feira, não vejo a hora de escolher a setlist das competições."

"Ainda é um pouco cedo para decidir a setlist. Pelo menos o Sr. Schue costumava decidir isso com todos nós, perto das competições", Rachel falou. "Ele amava quando performávamos um rock clássico. Journey era o seu favorito."

"Eu gosto do rock clássico, mas seria ótimo se a treinadora nos deixasse opinar. Quero dizer, temos ótimas opções por aí, nem tudo envolve baladas."

"Nessa parte você diferencia um pouco de sua mãe e eu", Jesse falou, "Nós dois amamos baladas. Acho que conta por causa da nossa química musical."

"Não há nada de errado com as baladas, papai. Só que um olhar abrangente pode ser útil."

"Você está certa", Jesse acenou com um sorriso. Aquela era a sua menina!

"Sim", Madison balançou a cabeça. "Eu vou dar sugestões nos ensaios. Não quero parecer intrometida nem mandona, mas tenho boas ideias na minha cabeça que acho que ficariam ótimas."

Rachel não pode deixar de sorrir com o jeito que Madison lembrava muito dela mesma naquela idade. Ela era ambiciosa como sua mãe, e seu pai também, é claro. Ela era criativa, determinada e altruísta. Ela gostava de participar, de estar envolvida e de ser ouvida. E quando suas opiniões eram levadas em conta, perfeito. Madison tinha um pouco da personalidade de Jesse e Rachel em seus genes. Ela podia ser considerada um 2.0 de seus pais.

"Apesar que... Pode não ser uma boa ideia", a menina disse de repente, remexendo seu prato quase vazio.

"Por que?", Rachel franziu as sobrancelhas.

"A treinadora Corcoran não parece muito aquelas pessoas que aceitam sugestões com facilidade, ela parece ter sua vida e rotina regrada minuciosamente desde o início", Rachel arregalou um pouco os olhos, mas tratou de se recompor ao ouvir o nome daquela mulher.

"Por que diz isso, Mad?"

"Eu vi hoje Beth e a Srta. Corcoran conversando e não me pareceu que ela é uma pessoa aberta a sair da rotina. A sair das regras. Beth até mesmo bateu o pé."

Jesse riu e balançou a cabeça, se levantando da mesa e recolhendo os pratos. Madison tinha isso nela, tentava montar as versões das situações que ela se deparava por aí. Ela precipitava as coisas com base na observação, o que era um erro muitas vezes.

"Ah, meu bem. Talvez essa menina só estivesse tendo um desentendimento com a mãe."

"Talvez", Madison apoiou a cabeça na mão, pensativa. De repente ela uniu as sobrancelhas e encarou sua mãe novamente, "Como você sabe que Beth é filha da treinadora Corcoran?"

Oh oh, campo perigoso! Péssima escolha de palavras.

Jesse voltou da cozinha e Rachel o encarou buscando auxílio, pálida. Madison encarava sua mãe com confusão estampada em seu rosto, buscando respostas.

"Bem, hm, você já nos disse isso, filha", Jesse interveio.

Madison balançou a cabeça, "Não disse, não. Eu nunca mencionei antes."

"Claro que sim, Mad", Rachel respondeu, firme. "Você falou sobre isso conosco algumas noites atrás. Eu me lembro. Senão, como eu saberia?"

Ainda não muito convencida sobre isso, Madison deu de ombros, "Okay, não importa. Mas foi o que eu conclui."

Aliviados, Rachel e Jesse se encararam por segundos e o rapaz voltou a tirar a mesa. Rachel se levantou para ajudar e entrou na cozinha.

"Essa foi por pouco", ele comentou em voz baixa.

"Escapou e eu nem me dei conta", Rachel suspirou e recostou no balcão, cruzando os braços, "Essa conversa precisa acontecer mais cedo ou mais tarde, de fato."