Disclaimer: Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.
Depois de verificar todos os cômodos, portas e janelas de sua casa, Shelby subiu para seu quarto e mudou a roupa para um pijama antes de se arrastar para a cama. Ela estava cansada depois uma semana extensa de aulas, e uma longa noite de sono era o que ela almejava para sua sexta-feira. As horas antes no bar com alguns amigos havia sido bom para relaxar e rir um pouco e ter conversas de adulto, mas agora ela só queria poder dormir em paz.
Sua mente estava no modo de desligar para o início do estado sonolento quando ela pensou ter escutado o motor de um carro em seu quintal. Talvez fosse o vizinho, e com um olhar breve para o relógio na mesinha de cabeceira, definitivamente não era ninguém procurando por ela. Fechando os olhos novamente, ela começou a relaxar quando foi interrompida pelo toque da campainha.
Aquilo era uma piada.
Agarrando o robe da poltrona perto da janela, Shelby xingou se atrapalhando com o laço e calçou os chinelos, saindo do quarto para o corredor e descendo as escadas. Penteou o cabelo com os dedos e o prendeu em um coque bagunçado antes de se dirigir para a entrada. Com um breve olhar pela janela lateral, seu espanto foi crescente com a "visita" inesperada. Ela o reconheceria em qualquer lugar.
"Jesse St. James", ela murmurou, abrindo a porta. Seus olhos se arregalaram quando ela se deu conta das duas meninas que o acompanhavam, principalmente a loira trôpega, "Beth? O que diabos você-"
"Boa noite, Shelby", Jesse disse com um aceno, "Lamento as circunstâncias do nosso encontro."
Madison lançava sua cabeça de um a outro como se estivesse assistindo uma partida de ping-pong, a expressão completamente confusa. Ela observou o modo que eles se trataram por primeiros nomes e... Inferno, como sua treinadora conhecia seu pai?
"Eu não estou entendendo... O que você está fazendo aqui? Madison?"
"Oi, Srta. Corcoran", Madison acenou uma mão no ar, sem jeito.
"Sinto que estou perdendo alguma coisa aqui", ela cruzou os braços firmemente sobre o peito, "Alguém pode me explicar o que está acontecendo?"
"Madison", Jesse olhou para a filha, pedindo que ela falasse.
"Bem, Srta. Corcoran, acontece que Beth estava numa festa comigo e toda a equipe, e ela acabou-"
"Festa!?", Shelby aumentou o tom de voz, "Não, isso é um engano seu. Beth estava na casa de uma amiga."
"Heeey, mãe", Beth gritou, saindo do lado de Jesse e praticamente jogando o corpo em cima de Shelby para um abraço desajeitado.
A mulher imediatamente sentiu o cheiro do álcool em sua filha e fechou os olhos, sabendo que a menina mais nova em sua frente não estava enganada.
"Oh, Beth...", ela disse como um lamento, abraçando a menina de volta.
"Madison", Jesse cutucou a filha.
Madison limpou a garganta antes de continuar, "Ela acabou passando da conta e eu a encontrei vomitando e chorando. Achei que seria certo trazê-la."
Shelby suspirou, "Obrigada. Eu estou completamente sem ação. Pra mim ela estava na casa de uma amiga para uma festa do pijama... Bem, parece que eu estava errada sobre o tipo de festa."
"Tudo bem, agora que ela está em segurança, minha filha e eu precisamos ir."
Shelby congelou, "Filha!? Madison é... Sua filha!?", olhando agora um ao lado do outro, Shelby viu alguma semelhança entre eles, os olhos eram os mesmos.
"Sim, Madison é minha filha", Jesse disse, imperceptivelmente soando rude, "E nós realmente precisamos ir."
"Espere", Shelby chamou quando eles se viraram para sair, "Eu não sabia que você estava de volta na cidade. Visitando a família?"
Jesse queria dizer que aquilo não era da conta dela, mas o fato de ela ter sido sua treinadora e o respeito e admiração adolescente que Jesse sempre teve na mulher, ele não pode evitar, "Estamos morando aqui por um tempo."
"Eu pensei que você estivesse na Broadway. Bem, depois de voltar da Califórnia", ela apontou.
"Eu estava. Mas minha esposa e eu achamos que Madison precisava de uma vida mais tranquila em Lima, perto da família", Jesse estava nervoso, ele queria sair logo dali antes que dissesse mais do que deveria, "Fico feliz que Beth está em segurança. Nós temos que ir."
"Tudo bem. E eu vou cuidar dessa encrenqueira aqui", ela sinalizou Beth que estava abraçada à ela com a cabeça em seu ombro, brincando com a gola de seu pijama, "Mas não vamos perder o contato novamente. Quem sabe um café."
"Quem sabe", ele sorriu e saiu puxando a mão da filha até o carro.
Shelby esperou até que o carro desaparecesse e fechou a porta com dificuldade, arrastando Beth para dentro. Sentindo a raiva dominar seu corpo, Shelby soltou a menina e levou as mãos até o quadril, o olhar bravo e a linha do maxilar rígida.
"Beth Caroline Corcoran! Você está em tantos problemas, mocinha."
"Hmm, mãe, eu... Eu acho que não estou muito legal", a menina murmurou com a voz arrastada, segurando o estômago.
Shelby observou o rosto dela ficar verde e então ela despejou o conteúdo de seu estômago no chão. Fechando os olhos e contando até dez mentalmente, cinco vezes, Shelby respirou fundo. Ela não poderia lidar com sua filha agora enquanto ela não estava processando nada em sua mente e passando mal. Ela então decidiu que lidaria com isso na parte da manhã, e oh pobre equipe, eles iriam descobrir o que o inferno se parecia.
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Depois de chegar em casa naquela madrugada, Madison foi enviada diretamente para a cama. Ela queria ficar e questionar seu pai como ele conhecia sua treinadora e por que eles pareceram tão íntimos para um suposto primeiro encontro, o que obviamente não se tratava de um primeiro encontro, mas ela foi silenciada e não pode retrucar quanto à ordem dada pelos pais para ir dormir. Ela foi, batendo o pé, mas foi. Depois de trocar de roupa, lavar o rosto e escovar os dentes, ela digitou uma mensagem de texto para a amiga explicando a situação o máximo que pode. Ela se deitou debaixo da coberta e continuou tentando conversar com Zoe, quando seu pai passou pela porta e disse que havia deixado claro que era para ela dormir.
Na manhã seguinte, Madison despertou com a insistente vibração de seu celular na mesa de cabeceira. Com uma mão esfregando os olhos, ela usou a outra para alcançar o aparelho e parar o insistente incômodo. Ela percebeu que era uma mensagem de texto de Daniel. Aparentemente, uma mensagem automática.
Desculpe o transtorno a essa hora da manhã, porém estou repassando ordens da treinadora Corcoran. Ensaio de última hora no auditório do McKinley. Esteja lá às oito em ponto se não quiser enfrentar mais problemas.
Daniel S.
"Droga!", Madison vociferou. Com um rápido olhar para o relógio, ela se deu conta que já eram 7:40h, "Merda! Merda! Merda!"
Jogando a coberta para longe, Madison pulou da cama e correu para o banheiro para se trocar e escovar os dentes. Ela rapidamente vestiu seu uniforme de ensaio e calçou seus tênis, puxou o cabelo em um rabo de cavalo e lavou o rosto para espantar o sono. Saindo pelo corredor, ela esbarrou em sua mãe.
"Whoa, onde é o incêndio?", Rachel perguntou segurando o braço da menina para impedi-la de cair.
"Mãe, eu não tenho tempo. A treinadora Corcoran acaba de enviar uma mensagem de ensaio de última hora às oito. Eu preciso que alguém me deixe no colégio."
"Ei, calma. Respire", Rachel pediu calmamente, "Eu posso te levar. Mas qual é a urgência?"
"Eu não faço ideia, mas pelo que diz a mensagem, se não estivermos lá estaremos metidos em grandes problemas."
Jesse estava subindo as escadas quando ouviu o que a filha dizia, "Oh, não. Ela está furiosa."
"O quê?", mãe e filha questionaram confusas.
"Isso já aconteceu uma vez. Shelby pode ser pior do que já é quando seus alunos desobedecem as regras. Ela não admite que a equipe beba quando todos são menores de idade, e principalmente, que vá à festas do tipo que Madison e Beth foram ontem. Se ela descobre, ela pune."
"Ela pode fazer isso?", Rachel perguntou, "Nós permitimos que nossa filha fosse, é nossa responsabilidade lidar com o que ela faz."
"Eu não contrariaria ela, amor. E isso pode custar a permanência da Mad na equipe", Jesse tentou apaziguar.
"E só agora você me diz isso!?", Madison estava incrédula, "Espera... Como você sabe tudo isso?"
Jesse e Rachel trocaram um olhar, quando a mulher enfim agiu.
"Isso é conversa para outro momento, minha filha. Você precisa sair."
Madison não estava convencida, ela sabia que seus pais estavam escondendo alguma coisa dela e que envolvia sua treinadora. Mas naquele momento sua mãe tinha razão, ela não podia se atrasar. De jeito nenhuma ela queria experimentar o que era estar em maiores problemas com Shelby Corcoran.
Rachel estacionou em frente ao colégio e se virou para a filha, "Me ligue quando o ensaio acabar. E leva essa barra de cereais, você não comeu nada."
"Se eu sobreviver", Madison dramatizou, dando um breve abraço na mãe e se inclinando para pegar sua bolsa no banco traseiro, "Te vejo mais tarde."
Com a bolsa pendurada no ombro, ela entrou na escola e percorreu os corredores até o auditório. Com um breve olhar para a tela do celular, Madison viu que já passava quatro minutos das oito, fazendo a menina apressar o passo e praticamente correr. Parando em frente às portas, ela tomou um segundo para recuperar o fôlego e enfim entrou no auditório. No palco já havia alguns alunos, todos com a aparência miserável e usando óculos escuros. Madison desceu o caminho pela lateral das poltronas e sorriu quando Daniel veio para encontrá-la.
"O quão ferrados nós estamos?", ela perguntou enquanto os dois subiam no palco.
"Eu presumo que bastante. Nós dois somos, por enquanto, os únicos livres da ressaca", Madison suspirou e foi deixar suas coisas no canto.
Dois outros integrantes da equipe passaram por eles naquele momento, conversando entre si, "Eu me pergunto como no inferno ela soube da festa. E que todos nós estávamos lá", Madison ouviu a garota resmungar. Se chamava Reagan se não lhe falhava a memória.
"Beth, com certeza", foi o que o menino disse.
"Beth não vacilaria dessa forma. Ela já fez isso antes. Treinadora Corcoran nunca descobriu."
Droga, Madison pensou. Fora ela quem deixou Shelby saber na noite anterior que todo o New Directions estava na festa. E se o que seu pai dissera sobre as punições de Shelby fosse verdade, então ela quem tinha dado bandeira verde para o possível castigo que estava por vir.
Oh Deus, ela estava tão morta.
Daniel percebeu a garota prender a respiração e a encarou confuso, "Algum problema, Mad? Você está pálida..."
"Merda!", ela disse sob a respiração.
"Muito bem, todos. É fascinante encontrá-los nessa manhã de sábado", a voz da treinadora foi ouvida e todos se encolheram para o divertimento explícito em seu tom.
Nunca era um bom sinal.
Atrás dela, todos puderam ver, vinha uma Beth de cabeça baixa e óculos escuros. Seu longo cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo bagunçado e ela usava um moletom azul escuro por cima do uniforme de ensaio.
Shelby havia tirado a menina da cama cedo no sábado e jogado o uniforme na direção dela, exigindo que ela se trocasse rapidamente e descesse para o café da manhã. Beth foi, hesitante, mas foi. Ela não seria burra de contrariar sua mãe naquela altura do campeonato. Ela tinha amor à vida, obrigada.
No entanto, a bronca que Beth ouvira enquanto tentava engolir seu cereal sem vomitar no balcão fez sua cabeça latejar mais do que já doía. Shelby não se importou, ela deu seu discurso durante vinte minutos e em seguida castigou a menina por duas semanas sem aparelhos eletrônicos e sem sair com os amigos ou o namorado. Beth ainda teve a coragem de retrucar, mas ficou quieta quando sua mãe a ameaçou de uma punição que ela não gostaria de receber.
Quando mãe e filha alcançaram o palco, Shelby com uma expressão séria e Beth parecendo uma morta viva, todo mundo se calou e era possível ouvir um alfinete cair no chão. Madison olhou em volta entre os alunos para ver se alguém iria se pronunciar. Nada.
"Obrigada, Daniel, por passar a palavra."
"Sem problemas, treinadora", Daniel respondeu prontamente.
"Bem, vejo aqui na minha frente as evidências que comprovam o motivo de estarmos todos aqui. Chegou ao meu conhecimento que todos vocês foram ontem à uma festa na casa de um aluno, sem permissão, beberam e fizeram mais eu sei lá o quê. Eu estou seriamente desapontada."
A treinadora foi interrompida pelo barulho das portas se abrindo mais uma vez, e por ela entrou uma Zoe esbaforida.
"Está atrasada, Srta. Anderson."
"Me desculpe, treinadora. É que eu vi a mensagem tarde e-"
"Não quero desculpas. Tome um lugar", Zoe abaixou a cabeça e subiu apressadamente no palco. Madison não perdeu o olhar que a menina lhe lançou.
"Eu não tenho crianças aqui na minha frente. Todos aqui têm conhecimento de que é proibido o consumo alcoólico antes dos 21 anos em nosso país, e principalmente, eu não tolero tal comportamento. Como tarefa para casa eu estarei passando um trabalho de pesquisa, dez páginas, sobre os perigos do consumo de álcool na adolescência e como ele é visto na sociedade. Um texto de autoria própria", todos a encararam em choque, mas ninguém ousou retrucar, "Aqui está a punição que vocês terão. Primeiramente nós vamos lá pra fora, no campo de futebol, e eu quero dez voltas em torno dele. Sem reclamar! Vocês têm permissão para vomitar, mas se o fizer, estará ganhando cinco voltas extras. Vamos!"
Os alunos inicialmente gemeram em desgosto, mas um a um seguiu as ordens e desceram do palco para caminhar até o campo externo da escola. Rá, se Shelby Corcoran era conhecida entre os alunos como a vadia sem coração, então ela daria um gostinho aos seus queridos.
"Mas que porra!", um aluno, Damien, murmurou enquanto corria.
"Ela é louca. Beth! Você quem fez isso?", Reagan perguntou, correndo ao lado dela.
"Não, ok? Eu fui... Levada para casa."
"O quê!?", Hailey estava incrédula, "Onde diabos você foi depois da festa?"
"Eu... Eu não lembro", Beth fez uma careta.
"Menos conversas e mais exercícios. Vamos!"
Beth virou a cabeça rapidamente e lançou um olhar mortal à Madison, que desviou e continuou a correr ao lado de Zoe.
"Muito bem, parem todos!", Shelby gritou por trás de seu microfone em sua mesa, "Isto está péssimo. Do início!"
Ela já havia feito todos percorrerem a mesma coreografia incontáveis vezes, até que ela achasse que estava bom. O problema era que ninguém estava disposto a ensaiar com ressaca, o que resultava em um dia completamente improdutivo.
"Treinadora Corcoran, por favor..."
"Eu estou mesmo ouvindo você implorar, Drake? Você não implorou para não te darem uma bebida ontem!", Shelby esbravejou.
O garoto se encolheu, "É-é... É Drew..."
"Não importa. Do início!"
"Eu acho que vou-", Hailey não pode terminar sua frase porque ela teve que correr até a lata de lixo mais próxima para esvaziar o estômago.
"Hailey Jameson! Cinco voltas no auditório!", Shelby anunciou por seu microfone.
Hailey terminou o que fazia e revirou os olhos antes de começar a correr, "Vadia!", ela resmungou sob a respiração.
"O restante, vamos lá. Do início!"
Shelby dava as ordens com uma expressão tranquila, sem nenhum remorso por sua atitude cruel. Seus alunos mereciam a punição, ela queria colocar em cada um deles uma impressão duradoura sobre as consequências pelo comportamento irresponsável. Ela possuía em seu histórico intenso como professora uma abundante lista de alunos que deixaram sua sala de aula aos prantos. Arrependimento? Não, eles mereceram!
"Eu não aguento mais", Zoe choramingou. Quando Zoe reclamava que não suportava mais, a coisa realmente era preocupante. A garota amava dançar!
"Isso já é crueldade", Madison falou ao seu lado.
"Algo que queiram compartilhar, meninas?", Shelby as interrompeu.
"N-não, treinadora", Zoe gaguejou.
"Ok, isso já está ficando ridículo", Madison esbravejou.
O silêncio foi sepulcral. Todos os olhares caíram na menina de cabelos escuros, inclusive o de Shelby, que era fulminante.
"Desculpe?", a mulher falou entre dentes.
Madison olhou ao redor, pensando na burrada que tinha feito. Mas ela estava cansada daquela tortura, "Eu disse que isso está ficando ridículo. Nós estamos cansados de fazer a mesma coisa, e aposto que nem mesmo vamos usar essa coreografia em alguma competição."
Houve alguns burburinhos e todos ainda tinham o olhar sobre Madison, "Silêncio!", Shelby ordenou. "Desculpe, mas eu não quero acreditar que você, garotinha, está sendo impertinente comigo. Eu sou a treinadora aqui, então sou eu quem decido quando vamos parar."
"Pois então, treinadora, estou feita com isso. Eu não vou ficar aqui como um robô por causa de uma regra estúpida, que na verdade eu nem quebrei. Não vamos chegar em lugar nenhum, ninguém quer estar aqui."
"Madison!", Zoe sibilou ao lado da menina.
Madison não sabia de onde estava vindo toda aquela coragem, mas ela não iria ficar ali parada. Não quando ela achava que estava sendo injustiçada. Ora essa, mesmo seus pais tinham conhecimento da festa e permitiram sua ida.
Shelby estava fervendo. Que audácia era aquela de sua aluna? Ela não estava acostumada a ser contrariada. Nenhum aluno ditaria o que ela deveria fazer e sairia impune.
"Todo mundo, cinco minutos", ela disse sem desviar o olhar de Madison. A menina a encarava de volta em desafio.
Ninguém precisava ser dito duas vezes, e rapidamente só restaram as duas ali. Quando Madison se virou para sair e seguir seus colegas de equipe, Shelby interrompeu.
"Você fica", ela chamou, se levantando e descendo até o palco, "Nós vamos ter uma conversa. Siga-me."
Revirando os olhos, Madison deu meia volta e seguiu sua treinadora até o escritório. Shelby destrancou a porta e deu espaço para que Madison entrasse primeiro, apontando uma cadeira para ela ocupar.
"Eu não-"
"Eu estou falando agora", Shelby a interrompeu. Ela se sentou em sua cadeira do outro lado da mesa e trancou seu olhar ao da menina, "Primeiramente, eu não tolero que nenhum de meus alunos me desrespeitem da forma que você fez."
"Eu-"
Shelby levantou a mão, "Eu não terminei, Madison", Deus, ela era teimosa! "Segundo, se uma ordem foi estabelecida, eu espero que ela seja seguida sem questionamento. Eu decido o que é melhor para a minha equipe, e se estou promovendo um ensaio extra, significa que vocês merecem. Você não pode simplesmente decidir que acabou, não quando eu digo o contrário."
Madison sinalizou pedindo para falar e Shelby assentiu com um suspiro, "Eu não acho que todos devem ser punidos por algo que a senhora acha inapropriado quando nossos pais pensam o contrário."
"Eu aposto que todos os pais nem tinham conhecimento", Shelby desdenhou.
"Os meus tinham."
Shelby ficou em choque. Jesse havia permitido a ida de sua filha menor de idade em uma festa com bebidas? Definitivamente ele havia mudado durante os últimos anos, aquele não era o Jesse que ela conhecia nem imaginava.
"Quantos anos você tem, Madison?"
"Quatorze."
"E você acha que uma menina de quatorze anos deveria estar pedindo permissão para ir em uma festa como a de ontem? Tarde da noite?"
Madison encarava sua treinadora seriamente, "Meus pais não são hipócritas, Srta. Corcoran. Eles frequentaram festas como essa em sua adolescência, e principalmente, eles confiam em mim. Contanto que eu siga as regras que eles impõem, não há nada de errado."
"Ainda assim é inapropriado. Há todo tipo de coisa nessas festas, e você nunca conhece todo mundo que frequenta. Eu jamais permitiria minha filha de dezessete anos ir."
"Talvez se você confiasse nela e impusesse condições, ela não iria escondido", Madison retrucou, impertinente. "A minha relação com meus pais é muito aberta, treinadora. Eles confiam em mim e eu jamais faria algo que decepcionasse eles. Eu fui criada em meio a todo tipo de coisa que a senhora possa imaginar que falariam da minha família, então ficarmos juntos e apoiarmos sempre um ao outro era o mínimo que nós podíamos fazer, sem nos deixar levar pelo o que os outros pensam."
Shelby encarava a menina, absorvendo cada informação que ela dava. Aparentemente Madison era uma menina madura para a idade e que aprendeu cedo o valor da confiança e responsabilidade. Shelby amava sua filha mais do que qualquer coisa na vida, mas ela tinha consciência de que Beth não era muito responsável e tinha um comportamento desafiador. Assim como os pais dela."
"Ok, Madison. Não é meu dever educar e decidir sobre a sua vida, mas eu exijo que meus alunos respeitem as minhas regras. O que você decide com seus pais é do portão da escola para fora, aqui dentro eu estou no comando", Madison escutava Shelby falar mas não largava o olhar desafiador, "Posso ter um pedido de desculpas?"
Era difícil para Madison se desculpar quando ela se achava injustiçada, mas ela queria sair logo dali e voltar para casa. Para longe de sua treinadora.
"Desculpe."
Shelby suspirou com o tom que a menina usou. Era nítido que ela não estava arrependida, tudo o que Shelby pode fazer era acenar, "Obrigada, Madison. Você já pode se retirar."
No corredor, Madison foi abordada por Zoe e Daniel.
"Achei que você morreria", Zoe falou, fazendo Madison revirar os olhos.
"Ela foi dura com você?", Daniel perguntou.
"Na verdade ela foi exigente, mas conversamos e não chegamos à lugar nenhum", ela disse simplesmente e continuou a caminhar até o auditório.
Shelby tomou mais alguns minutos no escritório antes de voltar para seus alunos. Ela os fez dançar a coreografia mais algumas vezes antes de liberá-los perto da hora do almoço. Indo para seu carro com Beth no reboque, ela não perdeu o olhar que Madison lançou à ela.
Daniel estava procurando pela menina e a encontrou no estacionamento, "Hey, Mad. Eu tava pensando... Quer ir tomar aquele sorvete?"
Madison torceu a boca, pensativa. Daniel esperava a resposta ansiosamente. Ao longe, Madison viu Zoe subir no carro de seus tios e suspirou. A garota ainda estava chateada.
"Tudo bem. Acho que é uma boa ideia."
Daniel sorriu e eles caminharam para o carro do garoto. Madison digitou uma rápida mensagem à mãe avisando que ela não estaria em casa para o almoço e que Daniel a deixaria em segurança mais tarde. Eles se dirigiram para a sorveteria e caminharam para dentro até uma mesa. Uma garçonete jovial apareceu para anotar os pedidos e saiu sorridente prometendo retornar em poucos minutos.
"Então...", Daniel começou quando eles foram deixados a sós, "O que houve no escritório da treinadora Corcoran?"
Madison sabia que ele não estava tentando soar intrometido, apenas curioso.
"Ela tentou me repreender por retrucar suas ordens e por ter ido à festa ontem. E eu disse que eu não aceitaria uma punição sendo que nem meus pais me proibiram de ir. É patético."
Daniel riu, "Você foi a primeira pessoa da equipe que bateu de frente com ela. Quero dizer, o pessoal sempre reclama, mas pelas costas. Ninguém tem coragem. Não acho que seja respeito, mas sim medo."
"Pois não deviam ter medo. Eu sei que ela é nossa treinadora e quer o melhor para nós, mas ela não pode se intrometer em nossas vidas a cada passo que damos e escolha que fazemos. Nem tudo gira em torno do New Directions."
"Você está certa", Daniel balançou a cabeça e sorriu, "Parece que teremos ensaios intensos daqui pra frente."
"Pode apostar", Madison concordou, rindo, e Daniel a acompanhou. A garçonete então voltou trazendo duas banana split.
"Mas então. Você é de Nova York, certo?"
Madison deu uma colherada na sobremesa e o encarou, "Você muda de assunto do nada", ela riu, "Mas, sim, eu sou de Nova York."
"Cidade ou estado?"
"Cidade. Manhattan. Mas eu morei no Bronx por um tempo."
"Legal. Eu sempre quis conhecer NYC, mas nunca fui. Meu pai já foi com o clube do coral na época que ele treinava."
"Sim, eu sei disso. Minha mãe gosta de contar sobre a primeira vez que ela esteve em Nova York. Ela fala e fala sem parar como foi mágico e maravilhoso e blá blá blá", os dois riram, "Mas eu concordo com ela. Aquele lugar é um sonho."
Daniel percebeu a garota mudar de humor, "Você sente falta de viver lá?"
"Todos os dias", ela suspirou. "Mas eu estou gostando de viver aqui também. Claro, contando a privacidade que temos aqui é perfeito, mas eu também gostava do agito da cidade grande."
"Privacidade?"
"Sim, meus pais estão são atores. Eles estão na Broadway. Quero dizer, estavam, agora eles deram uma pausa."
"Uau, isso é o máximo. Você tinha, sei lá, paparazzi te perseguindo para todos os lados?"
"Mais ou menos. Eles não me seguiam tanto como seguiam meus pais. Mas quando saíamos juntos, era um inferno. E eles não são nem um pouco sutis."
"Isso é uma merda."
"Sim. Tudo na vida tem seus prós e contras, não é verdade? Viver a vida que eu vivia era ótimo, mas tinha o seu preço", Madison falou brincando com seu sorvete antes de dar outra colherada, "Estamos falando só de mim. Isso tem que ser um jogo justo, me conte sobre você."
"Ah, minha vida não é tão emocionante quanto a sua. Vivo em Lima desde que nasci, meu pai é o diretor do McKinley e minha mãe é a orientadora. Tenho uma irmã pentelha que tem como passatempo preferido ser um pé no saco."
"Eu não faço ideia de como é ter irmãos. Cresci com Zoe, mas no fim ela tinha a casa dela e eu a minha."
"Às vezes é legal, às vezes é chato. Eu fui o filho único por seis anos, então eu não lembro direito qual é a sensação."
"Acredite em mim, muitos podem pensar que é um privilégio, e eu concordo até certo ponto, porque também pode ser muito solitário. Teve momentos que minhas únicas companhias eram meus ursos e bonecas."
"Pobre pequena Maddie", Daniel zombou. Madison lhe mostrou a língua.
"Eu me pergunto se um dia meus pais me darão irmãos. Eles são novos ainda. Mas nunca cheguei a perguntar a eles."
"Acredite, você está tendo o melhor da vida agora."
"Coitada da sua irmãzinha, Daniel. Qual o nome dela?"
"Ava. E coitada nada, ela está passando por uma fase onde ela não é mais tão criancinha, mas ainda não é uma adolescente. Aos dez anos eles podem ser irritantes."
"Quero conhecê-la um dia. Para, você sabe, descobrir seus podres."
"Ótimo", Daniel revirou os olhos.
Eles caíram em um silêncio confortável por alguns minutos, saboreando o doce. Madison já não se sentia mais tão sem jeito perto de Daniel, talvez a conversa fácil e o jeito simpático dele trouxeram o lado mais relaxado dela à tona. Ele não dizia coisas idiotas e nem estava com ela por interesse, e os flertes que eles davam fazia o estômago de Madison dar voltas e voltas dentro dela. A atração era nítida, nenhum dos dois podia negar, mas se levassem nesse tempo tranquilo sem forçar nada nem com pressa, quem sabe dava certo.
"Zoe está chateada com você?", Daniel quebrou o silêncio.
Madison suspirou, "Sim. Toda a coisa com Beth ontem deixou ela meio irritada. Acho que tava rolando algo entre ela e Brian. Somando com o que a treinadora nos fez hoje, a resposta dessa equação é 'Madison em várias listas negras'."
"Por que?"
"Você não entende? A treinadora Corcoran só descobriu sobre a festa porque meu pai e eu deixamos Beth em casa ontem. Eu não tenho certeza o que Beth faria depois da festa, mas com certeza não iria para casa. Eu apenas dei passe livre para a punição."
"Oh", Daniel se deu conta então porque Madison estava preocupada toda a manhã, "Bem, ninguém sabe ainda..."
"Tá brincando? Na primeira oportunidade Beth vai se vingar por isso. Ontem à noite a treinadora não parecia muito contente."
Era nítido que Madison se sentia mal por isso, consequentemente Daniel se sentiu mal por ela. Ele havia criado um carinho por ela, era boa companhia e uma pessoa que ele podia passar horas ouvir falando sobre qualquer coisa. Ele sabia que ela só estava tentando ajudar na noite anterior, e inferno, ela nunca iria imaginar que Shelby castigaria os alunos.
Isso a fez lembrar de quando Shelby e seu pai se encontraram, ela tinha muitas perguntas a fazer.
"Daniel, eu adorei passar esse tempo com você, mas eu preciso ir agora", Madison falou se levantando.
"Oh. Tudo bem. Eu posso te dar uma carona."
"Obrigada."
Madison foi com a missão de abordar seu pai hoje. Havia muito mistério nessa história, e uma coisa que Madison não aprovava era mentiras.
