Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.
Nota: Eu sei, levou muito tempo para esse capítulo sair, mas eu não pude fazer mais nada além de esperar a criatividade aparecer. Tempo eu tinha, assim como vontade, porém sem ideias fica bem difícil sair algo que me agrade e que agrade vocês. Não foi o capítulo mais perfeito que eu já escrevi, mas pelo menos chegou perto de onde eu queria chegar. Espero que gostem.
Madison apertou os braços em volta de si quando um vento cortante esvoaçou seus cabelos escuros em seu rosto. A menina imediatamente se arrependeu de não ter trazido um casaco. Depois de caminhar por quase dez minutos, ela havia encontrado um parque praticamente vazio naquele horário de domingo, apenas com duas crianças brincando no playground de madeira e adultos passando por ali ocasionalmente. Madison se sentou em um dos balanços e usou um pé para impulsionar seu corpo pra frente e pra trás devagar, a cabeça encostada na corrente de ferro que sustentava o brinquedo.
Sua mente estava confusa. As coisas estavam acontecendo bem debaixo do seu nariz e ela não havia se dado conta. Mas também pudera, como ela iria sequer desconfiar? Seu pai estava agindo estranho, sua mãe estava agindo estranho, como ela poderia imaginar que esse era o motivo? Que Shelby Corcoran poderia ser sua avó biológica?!
Madison estava com raiva. Ela se sentia traída por seus próprios pais, que desde que haviam chegado em Lima sabiam de tudo e não contaram à ela. Inferno, eles sabiam que a menina estava tendo aulas com sua própria avó e não tiveram a coragem de dizer.
Mas a menina tinha muitas perguntas não respondidas. Pedaços de história não explicados. Shelby havia encontrado Rachel através de Jesse, certo, mas com que finalidade se no fim de tudo Shelby iria embora novamente dizendo que sua mãe não precisava mais dela? Ela sabia que sua mãe fora criada por dois homens gays e tinha uma mulher barriga de aluguel na história, que agora havia sido preenchido pelo nome de sua treinadora, mas era apenas o que Madison sabia, ela era uma barriga de aluguel, não a mãe de Rachel. Pelo menos era isso que sua mãe sempre lhe contou.
Por que Shelby havia resolvido aparecer de novo quando Rachel era adolescente?
Madison precisava de respostas. Ela estava confusa e frustrada, mas ela não sabia se queria ver seus pais naquele momento. Ela ainda estava magoada acima de qualquer outra coisa. Seus pais estavam escondendo as coisas dela durante toda a sua vida. Ela tinha uma avó, sim, que não estivera presente na vida de sua mãe, mas ela ainda existia e, em algum momento e por algum motivo desconhecido, havia tentado algum contato e depois saído do nada.
Alguns buracos precisavam ser preenchidos.
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Rachel sentiu outro beijo no topo de sua cabeça. A mulher estava sentada no sofá ao lado do marido, encostada contra seu peito, enquanto Jesse acariciava seus cabelos e beijava sua cabeça vez ou outra. Jesse também já havia percebido ela limpar o rosto vez ou outra, como se não quisesse que ninguém visse que ela estava chorando. Ele apertou os braços em torno dela e sussurrou palavras de conforto.
"Ela me odeia", a mãe dizia pelo o que parecia a milésima vez.
"Rach, eu já disse para parar de dizer isso. Nossa filha não te odeia. Ela está com raiva agora, mas nós vamos explicar tudo que ela quiser saber."
"Mas ela nem me deixou dizer nada, Jesse. Madison simplesmente disse que precisava voltar pra casa e em seguida fugiu de mim. Ela não nos deu nem a chance de explicar."
Jesse suspirou, "Você conhece a nossa menina. Ela não sabe lidar muito bem com surpresas, Madison gosta sempre de saber das coisas, ela não gosta de ser pega desprevenida. Ela só ficou sem reação e agiu da maneira que ela achou mais fácil, ficar sozinha pra assimilar tudo. Foi um baque, querida, ela é só uma criança apesar de tudo", Jesse beijou novamente a cabeça da mulher em seu peito, "Ela vai voltar para nós. Temos que estar prontos para responder todas as perguntas que ela tiver."
Rachel fungou e se virou para encarar os olhos do marido, "Você acha que devemos dizer tudo? Sobre Beth..."
"Eu acho que devemos apenas deixar rolar. Se entrarmos no assunto, então dizemos à ela. Já escondemos muita coisa por muito tempo, amor. Se ela quiser saber, então diremos. Conforme formos explicando, perguntas irão surgir."
"Eu só tenho medo de machucá-la ainda mais", voltou a olhar para baixo, longe dos olhos azuis de Jesse, "Porque eu sei que ela vai querer saber porque Shelby saiu da minha vida, e vai perguntar se pode ter um relacionamento com a avó. Principalmente convivendo com Shelby todos os dias."
"A gente precisa deixar as coisas acontecerem pelo curso natural. Não podemos simplesmente sentar aqui e fazer predições."
Eles ficaram em silêncio antes de Rachel quebrá-lo com a voz trêmula.
"Eu só espero que ela entenda, Jesse. É tudo que eu posso pedir, compreensão da parte dela. Eu sei que pode ser difícil porque ela é muito jovem ainda, mas eu quero ter certeza que ela entenda as minhas escolhas. Eu não suportaria vê-la machucada por minha causa. Tudo que eu mais quero é livrá-la de qualquer coisa que possa feri-la, quando às vezes a pessoa que vai feri-la sou eu mesma..."
"Rachel, para com isso. Vamos esperar. Vamos apenas ouvir o que Mad tem a dizer e, depois, se ela quiser, a gente dá todo o conforto que ela precisar. Ou se ela precisar do tempo dela, a gente deixa também. Vamos deixá-la lidar da maneira que ela achar mais fácil."
Rachel ficou em silêncio. Jesse mesmo estava tentando se convencer com as próprias palavras, mesmo que internamente podia sentir uma pitada de medo e incerteza. Mas ele seria forte para suas meninas e estaria lá para o que elas precisassem, conforto, um ombro, um conselho ou uma resposta.
BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY
Se tinha uma coisa que Beth não suportava sem bufar a todo momento e mostrar sua insatisfação com reviradas de olhos e acessos de raiva, era quando sua mãe tirava seus eletrônicos. Nem mesmo seu notebook ela podia ter durante esse tempo, e quando Beth tinha que fazer algum trabalho escolar, a menina teria que usar o computador da mãe. E era exatamente isso que Beth se encontrava fazendo naquela tarde de domingo, para completo desgosto da menina, o trabalho que sua mãe havia passado como castigo para o New Directions.
Beth largou a caneta pela enésima vez e girou seu pulso para tentar amenizar a dor aguda. Ela não aguentava mais escrever naquele caderno maldito, sua mãe às vezes era tão antiquada exigindo que seus alunos fizessem trabalhos manuscritos, mas é claro que aquilo era proposital e fazia parte do castigo. Shelby esperava colocar uma impressão duradoura em cada um de seus queridos alunos encrenqueiros. A única utilidade do notebook de sua mãe aberto na sua frente era para pesquisar sobre o tema do trabalho exigido.
E além disso, o que Beth estava detestando naquele momento era ela estar ocupando uma cadeira na mesa da cozinha ao invés da escrivaninha em seu quarto, sob constante supervisão de sua mãe que estava sentada no balcão fazendo planejamento de aulas para aquela semana. Com um olhar para a mulher, Beth observou quando ela ajeitou os óculos de leitura na ponte do nariz e olhou para cima de seus papéis, pegando Beth lhe encarando e apontando o dedo na direção do caderno, indicando que ela voltasse ao trabalho.
Beth bufou e pegou a caneta com raiva, escrevendo sobre o papel com uma letra que ela pouco se esforçava para sair agradável, sem capricho nenhum para mostrar sua revolta. Ela sabia que sua mãe iria reclamar e, do jeito que ela era louca às vezes, a mandaria refazer, mas naquele instante Beth pouco se importava, a raiva assumindo qualquer arrependimento. Sua maior vontade na verdade era sair dali e se trancar em seu quarto, já que ela não podia sair de casa, ignorar sua mãe pelo resto das duas semanas e pronto. Mas ela sabia que Shelby não permitiria, e que provavelmente colocaria a menina para fazer tarefas domésticas já que ela não tinha mais nada para fazer depois da lição de casa.
Beth achava que sua mãe se divertia em castigá-la, que era seu hobby favorito em todo o mundo, mas o que Beth não entendia era que doía em Shelby ver sua filha descontente e lhe dando as costas todo o tempo. Elas mal conversavam durante os castigos de Beth porque a menina sempre cismava em fazer a greve do silêncio, e sempre que a mãe conseguia dirigir uma palavra que seria ouvida era quando ela precisava dar ordens.
Shelby odiava essa parte da parentalidade, era sempre um momento difícil em sua casa, mas se fosse para Beth aprender uma lição, então a mãe o faria quantas vezes fosse necessário. Shelby nunca havia tolerado desrespeito em sua casa, nem palavrões e desobediência por parte de Beth. Ela havia estipulado regras no momento em que Beth começara a compreender que suas ações tinham consequências, e sua menina havia se encontrado muitas vezes de pé no canto com o nariz enfiado na parede para pensar no que havia feito de errado, e ela também havia levado as suas palmadas quando merecidas. Quando Beth foi ficando mais velha, as palmadas diminuíram e foram trocadas por retirada de privilégios da menina, mas isso não significava que Shelby havia deixado de ameaçar sua filha com palmadas quando ela fazia algo grave ou que a pusesse em perigo, e Beth sabia que se pisasse na bola as ameaças não eram blefes. Mesmo que já fizesse alguns anos que ela não levava umas palmadas, Beth não arriscaria sua sorte.
Aos dezessete anos de idade, a adolescente achava estúpido que sua mãe impusesse regras para ela, mesmo que ela não dissesse isso em voz alta, mas a mulher sempre alegava que enquanto Beth vivesse sob o teto dela, ela teria que segui-las. Esse discurso era repetido na casa Corcoran quase todos os dias em momentos como a hora de dormir estipulada ou o toque de recolher por exemplo, mas Shelby não se cansaria de ditá-las até que Beth as ouvisse, e se ela quebrasse alguma, ela enfrentaria as consequências. Se a mãe tinha regras, mesmo que Beth lutasse contra elas o tempo todo, era porque ela queria o bem de sua filha e estava cuidando dela.
Um dos momentos que Beth podia se lembrar quando tinha esses pensamentos foi logo depois que ela havia completado dezesseis anos e Shelby lhe dera um carro de presente. Havia sido o dia mais feliz da vida de Beth, e mesmo que, como o esperado, sua mãe colocara condições para deixá-la dirigir por aí sozinha, Beth estava satisfeita de ter seu próprio veículo e não depender de sua mãe para tarefas simples como ir à escola ou ao shopping com as amigas. No entanto, oito meses após ganhar o carro, Beth foi à uma festa de madrugada escondida de Shelby e bebeu, duas regras quebradas. Para acrescentar à equação problemática, na volta para casa ela havia batido o carro em um poste devido ao teor de álcool no organismo. A polícia havia sido envolvida e Shelby foi desesperada e furiosa até a delegacia recuperar sua filha adolescente bêbada, que havia levado uma multa e teve a carteira suspensa. Mas claro que a mãe não deixou por aquilo mesmo, e como castigo ela vendeu o carro de sua filha e guardou o dinheiro da venda na poupança da universidade de Beth, a qual ela só poderia mexer com dezoito anos. Beth havia chorado por dias e implorado para tê-lo de volta, mas em oito meses sendo capaz de dirigir, a mãe havia dado avisos e regras mais vezes do que podia se lembrar.
E ela sofreu as consequências.
Beth voltou daquela lembrança com um suspiro resignado e retornou para sua pesquisa sobre os perigos do álcool na adolescência. Sua mãe havia exigido dez páginas e Beth estava na sexta ainda. Ela gemeu internamente.
"Mãe, por favor, deixa eu fazer uma pausa", Beth implorou pela quinta vez em meia hora.
Shelby suspirou e olhou para a filha, "O quanto você progrediu desde a última vez que eu chequei?"
Beth desviou o olhar, brincando com o arame do caderno, e respondeu em voz baixa, "Três páginas..."
"Beth!"
"Mãe!", ela devolveu, indignada, "Meu pulso está doendo, eu estou escrevendo devagar para não forçar muito. Sem contar que eu não encontro muitas fontes que não digam a mesma coisa. É difícil preencher dez páginas."
Shelby revirou os olhos e respirou profundamente. Beth não tinha ideia do que era difícil, e Shelby ainda estava achando que pegara leve com seus alunos, quando ela pensara seriamente eu aumentar o número de páginas. No entanto, a treinadora sabia o quanto poderia assustar ao exigir um texto de autoria própria. Mesmo que eles merecessem, ela pensou. A mãe enfim apertou a ponte do nariz, fechando os olhos, ela estava cansada e o constante choramingar de Beth não estava ajudando. Por fim ela decidiu que uma pausa faria bem à Beth e, pelo amor de Deus, à ela mesma.
"Tudo bem. Você pode parar um pouco, mas isso não significa que você pode assistir TV. Você pode fazer um lanche ao invés disso, ou mesmo arrumar o seu quarto que eu já pedi faz tempo", ela lhe deu um olhar de repreensão.
Beth se levantou e se virou para a geladeira, revirando os olhos longe da visão de Shelby. Ela queria estar em qualquer lugar longe de sua mãe naquele momento, então limpar seu quarto de repente pareceu uma ideia não tão ruim. Ela rapidamente bebeu um copo de leite gelado e pegou uma maçã antes de sair da cozinha, mesmo que sua mãe tantas vezes dissesse para ela não comer em seu quarto.
"Você tem 45 minutos antes de ter que voltar aqui e continuar seu trabalho. Não se esqueça, sem TV."
Beth subiu as escadas bufando e batendo os pés contra o piso, deixando sua mãe na cozinha balançando a cabeça pela atitude infantil. Shelby fez um lanche para si mesma e voltou a se concentrar em seus papéis, olhando a hora no relógio para ter certeza que Beth voltaria no tempo estipulado, porque ela sabia que a menina adiaria o quanto pudesse.
A mãe só esperava que as próximas duas semanas passassem depressa.
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Madison entrou em casa uma hora depois que ela havia voltado do restaurante com sua mãe. Ela não queria nada mais do que correr até as escadas e se trancar em seu quarto sem olhar ou falar com seus pais, mas ela sabia que não poderia escapar por muito tempo. A menina fechou a porta atrás de si e tirou as sandálias, colocando-as no armário da entrada. Jesse veio ao encontro da filha quando ouviu a porta fechar e sorriu minimamente.
"Oi, querida", ele estava sendo cauteloso. Madison levantou os olhos para encará-lo sem expressar nada em seu rosto.
"Oi...", ela disse simplesmente e desviou o olhar. Trocando o peso do corpo de uma perna para outra, ela encarou seus pés descalços antes de voltar a falar, "Onde está a mamãe?"
"Ela está tomando banho agora. Vai descer assim que terminar, e então podemos conversar", Madison balançou a cabeça em entendimento, "Está com fome? Você não almoçou..."
"Não, eu to bem", ela balançou a cabeça para reforçar.
"Okay...", Jesse observou sua filha com cautela, preocupado, até mesmo esperando que ela de repente explodisse. Mas a menina estava distante e parecia deslocada ali. Como se ele fosse um estranho.
Jesse não aguentava mais aquela distância. Ele andou até ela e a tomou nos braços, Madison imediatamente enterrou o rosto no peito de seu pai e o abraçou de volta. Jesse acariciava suas costas de cima a baixo e sussurrava palavras de conforto.
Os dois ficaram ali de pé até que Rachel desceu, poucos minutos depois. Rachel congelou quando viu sua filha ali, mas sorriu minimamente e se aproximou dela devagar, tomando seu rosto nas mãos e fechando os olhos ao beijar sua testa. Madison também fechou os olhos e suspirou.
"Como você está, meu amor?"
Madison deu de ombros, "Confusa. Eu não sei."
Jesse sorriu simpaticamente e voltou a esfregar suas costas, "Nós vamos resolver isso, princesa. Vamos lá pra sala e conversar."
Madison se sentou no sofá com os ombros encolhidos e as mãos sobre o colo, tentando a todo custo manter o olhar longe dos olhos atentos de seus pais sentados na mesinha de centro a sua frente. Ambos a encaravam esperando que ela falasse algo. Rachel suspirou colocando uma mecha de cabelo úmida atrás da orelha e se inclinou para frente, chamando atenção da filha.
"Mad... Você tem que nos dizer o que você quer saber, querida. Nós vamos responder o que acharmos que deve ser respondido. Sem mais mentiras."
Madison olhou para seu pai para confirmar e Jesse acenou com a cabeça para ela ir em frente. A menina suspirou olhando novamente para suas mãos e respirou fundo.
"Eu não entendo, mamãe", ela começou, fungando e olhando para a mulher, "Você disse que a Srta. Corcoran entrou em contato com você e depois saiu de sua vida. Eu só queria entender porque ela faria isso senão com o propósito de machucar você. Isso é cruel."
Rachel engoliu o nó na garganta e assentiu lentamente, ouvindo cada palavra da menina. Ela se lembrava do momento difícil que ela teve na adolescência, e mesmo que tivesse superado com muita ajuda de terapia, seus pais e seus amigos e até mesmo Jesse, ouvir sua filha dizendo aquilo, parecendo tão magoada e com os olhos brilhando pelas lágrimas não derramadas, doía na mãe.
"Eu também não entendo, Maddie. Ela apenas apareceu na minha vida depois de dezesseis anos, e então decidiu que eu não precisava mais dela, que ela era apenas minha mãe biológica e que nunca teríamos a relação que eu tinha com os meus pais. Nós não tínhamos um vínculo, ela não fazia parte da minha vida e quis que continuasse assim."
Claro que aquela não era a primeira vez que Rachel tocava naquele assunto em meros detalhes sobre como havia se sentido naquela época, mas era a primeira vez com sua filha. A mãe podia ver que o nariz da menina estava levemente corado e que ela estava lutando para não chorar. Rachel queria chorar por si mesmo, mas agora ela tinha que ser forte por Madison.
"Você disse que ela chegou a você através do papai...", Madison se virou para Jesse, "Como ela soube de você, mãe? Eu não entendo..."
"Como eu já disse a você, Shelby era minha treinadora", Jesse falou dessa vez, "Ela treinava o Vocal Adrenaline no Carmel e nós competíamos com o New Directions, a equipe que sua mãe fazia parte. Ela assistiu quando o New Directions se apresentou nas Seletivas, e viu quando sua mãe cantou 'Don't Rain on My Parade', ela soube imediatamente que aquela era a menina que ela havia gerado para um casal gay dezesseis anos antes", Jesse parou por um momento, pegando uma mão de Rachel e apertando. Os pais olharam para Madison e a menina prestava atenção, assimilando tudo que seu pai dizia. E então ele continuou, "Ela planejou que eu me tornasse amigo da sua mãe para tentar uma aproximação. Na época eu era só um garoto e eu concordei com o plano. Eu me tornei amigo de sua mãe."
"Eu me apaixonei por seu pai no momento que o conheci", Rachel se deixou sorrir por um momento. De tudo aquilo, ela podia tirar algo bom, "Nos conhecemos em uma loja de música, cantamos juntos e nossa troca de olhares era nítida, além da química musical, é claro."
Madison deu um sorriso tímido. Ela sempre soube que seus pais se amavam muito, disso ela nunca duvidou.
"Mas então, depois disso, como a Srta. Corcoran chegou até você, mãe?"
"Bem, eu fiquei muito próxima do seu pai e nós passávamos grande parte dos nossos dias juntos. Até que, um dia, eu o convidei para ir até minha casa e nós estávamos olhando as minhas coisas de bebê e, de algum jeito que eu não vi, ele colocou entre as minhas coisas uma fita que Shelby havia gravado para mim."
"E o que essa fita dizia?"
"Ela estava cantando. Les Miserables", Rachel se deixou sorrir outra vez, "Eu fiquei em choque ao ouvi-la. Era a primeira vez que eu estava escutando aquela voz e a única comprovação de que eu tinha uma mãe em algum lugar lá fora."
"Ela cantou para você. Como... Como vocês cantam para mim", Madison divagou. Rachel pegou uma mão de sua filha e apertou levemente.
"Dias depois, fui com alguns parceiros de equipe assistir um ensaio do Vocal Adrenaline. Fomos escondidos, é claro. É sempre bom manter um olho na competição. Mas então... Então eu ouvi a treinadora deles cantar em uma demonstração de teatralidade, eu soube imediatamente que aquela voz era a mesma voz que cantou na fita."
"E o que você fez, mãe?"
"Eu fui até ela e disse quem eu era. Ela ficou em choque, e disse que precisava ir e que me ligaria. E então, dias depois, eu voltei ao Carmel. Eu me esgueirava entre os ensaios, mas eu precisava da minha mãe. Até o dia..."
Rachel se interrompeu, fechando os olhos. Era sempre um assunto doloroso para ela. Jesse apertou sua mão para lhe passar conforto.
"Até o dia...?", Madison pressionou.
"Até o dia que ela veio até a mim pela primeira vez. Ela veio até o McKinley e me disse a pior coisa que eu poderia querer ouvir naquele momento-"
"Que ela iria te deixar", Madison concluiu, "Que ela não podia fazer parte da sua vida."
"Sim", a mulher assentiu, "Ela disse que eu não preencheria o que ela queria em sua própria vida naquele momento porque eu já tinha isso com meus pais, uma família. Ela queria seu bebê de volta, eu já estava crescida. E então, ela se foi."
"Simples assim? Ela te deixou lá e foi embora?!"
"Sim, querida. Ela me disse que deveríamos ser gratas uma à outra, de longe. Que era o melhor a se fazer", explicou. "E então, dias depois, ela adotou uma garotinha logo após o nascimento dela. Ela finalmente teve o que ela queria, uma família. Em seguida, ela foi para Nova York."
"Ela te deixou e logo em seguida adotou uma menina? Qual é o problema dela?!", Madison esbravejou, apertando as mãos em punho com raiva. Rachel tratou de tentar acalmar a filha, eles precisavam terminar de explicar tudo à ela.
"Se acalma, Mad. Eu sei que você está furiosa agora, mas você precisa se acalmar e deixar a gente terminar", Jesse pediu suavemente.
Madison respirou profundamente e assentiu, "Beth...", ela balbuciou.
"O que disse?", Rachel perguntou.
"A menina que ela adotou... É a Beth."
"Sim, é a Beth", Rachel confirmou, franzindo os lábios em seguida. Ela havia prometido, sem mais mentiras ou esconder as coisas. Por fim, ela decidiu. Ela tinha que contar, porque se Madison soubesse por outra pessoa, Rachel não sabia se ela a perdoaria.
"Então... Beth é tipo... Sua irmã?", Madison franziu o nariz, em seguida arregalou seus olhos azuis, "Ela é minha tia?!"
"Bem... Mais ou menos. Ela não nos conhece dessa forma, então..."
"Mas agora eu sei! E eu jamais vou olhá-la de forma diferente agora. Deus!", Madison sentiu seu pulso acelerar. Grande tia ela foi arrumar!
Rachel olhou para o marido em busca de ajuda e Jesse acenou em entendimento antes de voltar a falar, "Filha... Nós temos algo a mais para dizer."
Madison parou seu surto mental e encarou seu pai com as sobrancelhas franzidas.
"O que é?"
"Beth... Nós... Nós sabemos quem são os pais biológicos da Beth", a mãe soltou.
"O quê?!", a menina quase gritou, em seguida tratou de diminuir a voz, "Desculpe. Eu fui pega de surpresa... Pra variar."
"Pois bem,", os pais ignoraram o sarcasmo evidente na voz dela. Rachel continuou, "nós sabemos de quem Beth é filha biológica. Shelby a adotou assim que soube que ela seria colocada para adoção porque seus pais eram muito novos e queriam o melhor para ela."
Rachel pausou por uns segundos e Madison pressionou, "Então..."
"Sua tia Quinn. Ela e Noah Puckerman. Ambos do clube glee no Ensino Médio."
Definitivamente agora Madison sentiu que poderia desmaiar. Seus ouvidos estavam ecoando e ela podia ouvir seu próprio batimento cardíaco. Tudo, exatamente tudo isso, estava acontecendo bem debaixo do seu nariz e ela não tinha ideia! Aquilo queria dizer muita coisa! Beth, além de sua... Tia... E irmã adotiva de sua mãe, era também meia irmã biológica de Zoe!
Definitivamente Madison iria desmaiar.
"Querida? Você precisa respirar...", Rachel começou a perceber que a menina estava fora de foco e prendendo a respiração. Ela acenou a mão em frente aos olhos azuis até que Madison a encarasse.
"Beth... Zoe... Tia Quinnie...", ela balbuciava em choque, "Mamãe..."
"Sim, docinho. Beth e Zoe são meia irmãs biológicas... Assim como Beth é minha irmã adotiva e, bem, sua tia."
"Mãe!", Madison quase gritou, "Você precisa falar com a Srta Corcoran! Ela precisa saber quem eu sou e Beth precisa saber quem todos nós somos. Nós... Nós somos sua família!"
"Mad... Maddie... Calma, ok? Uma coisa de cada vez", Jesse pediu chamando atenção da filha, "Nós estamos dizendo a você tudo isso porque já escondemos coisas demais, mas isso não significa que você pode sair por aí dizendo a todos sobre o que acabamos de conversar. Isso é muito sério."
"Mas, papai! Zoe precisa saber! Ela é minha melhor amiga. E Beth também tem o direito."
"Madison, me escute", Rachel pediu com seriedade, "Shelby tomou uma decisão dezessete anos atrás, nós não podemos chegar agora e confundir Beth. E Quinn... Bem, Quinn não vê a filha há muitos anos, Shelby decidiu dessa forma e não podemos contestar, ela ainda é a guardiã legal de Beth. Quanto à Zoe... Isso é decisão dos seus tios, não nossa."
"Mas, mãe-"
"Madison, escute a sua mãe", Jesse reforçou, "Nós contamos a você porque somos seus pais e tomamos essa decisão por você, não podemos tomar essa decisão por Beth ou por Zoe. Você precisa nos prometer, Madison."
"Mas-"
"Filha", Rachel tomou sua mão e fez a menina encará-la, "Eu sei. Eu entendo que está passando um milhão de coisas por sua cabeça agora, mas você precisa fazer o que estamos pedindo. É um assunto muito sério e que nós, adultos, precisamos resolver com cautela. Envolve muita gente."
Madison queria protestar, ela queria ir a fundo disso, mas ela também sabia que seus pais tinham razão. Inferno, ela só queria poder dizer à Zoe pelo menos!
Em apenas um dia, muita coisa envolvendo sua vida foi revelada, e ela tinha que ficar calada? Não era nem um pouco justo! Naquele momento, a parte emocional dela estava vencendo a racionalidade, ela só sabia que precisava resolver aquilo. Agora que Madison entendia o que era ficar no escuro sem respostas, ela não podia deixar mais ninguém na mesma situação.
Mesmo Beth, que no momento não estava muito feliz com ela. Madison se perguntava se Beth nunca quis saber de onde ela viera. Ou se mesmo ela sabia sobre a adoção. Claro, era nítido que Beth não se parecia com Shelby, mas a mulher pode ter inventado qualquer coisa sobre o pai de Beth.
Em apenas um dia Madison respondeu um monte de perguntas, e assim surgiu-se muitas mais.
"Maddie?", Jesse chamou sua atenção.
"Tudo bem", a menina por fim suspirou, "Eu prometo."
Não por muito tempo... Ela pensou.
