Disclaimer: Eu não possuo Glee, caso contrário a série nunca teria um fim.


No domingo a noite, Madison se sentou em sua escrivaninha com seu computador aberto a sua frente, junto de um caderno e uma caneta. Ela ainda tinha que fazer o trabalho da Srta. Corcoran para entregar no dia seguinte, mas sua mente não conseguia desviar da conversa com seus pais. Ela ainda estava chocada com toda a revelação e sentia uma ansiedade perturbadora perpassar seu corpo e mente.

O dia seguinte era completamente imprevisível, ela não tinha ideia de como as coisas seriam com tanta informação nova, ainda mais ela sendo a única a saber e não podendo compartilhar com absolutamente ninguém na escola. Madison sabia que era injusto, ela precisava falar com alguém, inferno, nem que fosse Shelby!

A verdade era que ela estava intimidada pela mulher, que há poucas horas ela descobriu ser ninguém menos que sua avó materna, mas isso não anulava o fato de que ela era também sua treinadora e, bem, elas não estavam na mesma página agora. Madison às vezes não conseguia conter sua boca e Shelby era autoritária, o produto disso era que Madison não tinha certeza de como levar aquela conversa adiante com a mulher.

Mas ela não sabia se poderia suportar. Seus pais haviam confiado nela para dizer a verdade, tarde, mas ainda sim disseram, e agora era como se aquilo impedisse Madison de pensar em qualquer outra coisa. Shelby e sua mãe não tinham um relacionamento amigável, mas ainda sim aquela mulher compartilhava seu sangue. E Madison não queria nem tocar no assunto Beth, que tinha ligação direta com Zoe. Elas eram meia irmãs biológicas. Era tanta coisa para lidar que Madison se encontrou tonta de repente. Seu estômago estava revirado durante todo o tempo que ela havia deixado seus pais sozinhos no andar de baixo e se escondido em seu quarto. Ela não estava mais com raiva deles, estava chateada ainda, mas a raiva havia cedido. Ela só precisava processar tudo sozinha antes de qualquer outra coisa.

Sua mãe havia chamado para jantar, mas Madison só respondeu que estava sem fome e muito ocupada com seu trabalho no momento. Ela não tinha cabeça para fazê-lo, no entanto ela tinha que terminar, e colocá-lo como desculpa para não enfrentar seus pais parecia perfeito. Pelo menos para tirar aquilo de suas costas. Mesmo assim Rachel insistiu que ela comesse algo e deixou um sanduíche de queijo e peito de peru para a menina junto a um copo de suco de maçã em uma bandeja. Madison mal tocou na comida, ela estava realmente sem fome e seu estômago revirado não ajudava em nada.

Duas horas e meio sanduíche comido com muito esforço depois, Madison finalmente grampeou seu trabalho pronto e arrumou em sua pasta, guardando dentro da mochila junto com seu material para o dia seguinte. No fim, ela suspirou cansada e fechou o notebook sobre a mesa, se recostando em sua cadeira giratória e fechando os olhos por um momento. Sua mente estava exausta, mas não o suficiente para desligar e fazê-la dormir.

Seu relógio na cabeceira da cama marcava 8:35h ainda, pouco menos de uma hora até seu – ainda ridículo – horário de dormir durante a semana. Mas ainda sim Madison não queria deixar seu quarto e ir enfrentar o olhar atento de seus pais, que ela sabia que estariam rondando ela sutilmente para saber o que ela estava pensando daquilo tudo e como estava se sentindo. Nem Madison podia explicar o que ela estava pensando ao certo. Ela estava pensando em tudo. Seus pensamentos não estavam organizados o suficiente para poder explicá-los, e seus sentimentos, bom, eram outra bagunça. Ela não estava certa do que sentia. Chateação. Surpresa. Ansiedade. Choque. Incerteza. Era uma mistura enorme que só a frustrava ao tentar compreender.

Ela precisava urgentemente tirar sua cabeça daquilo. Resolvendo tomar um banho e por um pijama de uma vez, Madison rapidamente se lavou e vestiu, escovou os dentes e saiu do banheiro bem mais fresca do que o sufocamento de seus pensamentos anteriores. Ela retirou a colcha que cobria sua cama e pegou de debaixo do travesseiro seu cobertor favorito para se cobrir, sem nunca ter dormido sem ele uma noite sequer desde os 3 anos de idade. Havia sido um presente de Hannukah de seus avôs Hiram e LeRoy. Podia parecer infantil, mas Madison não se importava, ele lhe trazia conforto e segurança. Era seu escudo contra monstros na infância e, agora, ele ainda a protegia do que ela considerava incerto e assustador demais para lidar sozinha. E naquela noite em especial, ela precisava do conforto.

Assim, ela se deitou e enrolou a manta macia ao redor de si, era de um rosa bebê com seu nome bordado em branco, cheirava a lavanda devido ao amaciante que sua mãe insistia em lavá-lo, mesmo sob protestos da menina, que achava desnecessário. Ela precisava dele como era e não lavado. Mas sua mãe parecia não escutá-la. Pegando o controle remoto de sua cabeceira, Madison ligou a TV pequena na parede a sua frente e conectou o Netflix em busca da série que ela estava acompanhando recentemente e se encontrava ligeiramente viciada. Ela rapidamente colocou no episódio que havia parado anteriormente em Once Upon a Time e se aconchegou na cama com seu cobertor e um macaco de pelúcia, esperando tirar sua mente de todo o estresse por um tempo.

BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY

No andar de baixo, Rachel estava no sofá fingindo prestar atenção no noticiário na TV enquanto Jesse tirava os pratos já limpos da lava-louças e guardava no armário. A morena estava preocupada. Mesmo com a TV para tentar se distrair, sua mente estava na menina no andar de cima que deu sinais claros que queria ficar sozinha. Seu coração doía, porque ela não queria nada mais do que subir e conversar com ela, saber o que ela estava sentindo. Aquele era um sinal claro que Madison não estava contente, ela iria afastar seus pais e tentar ao máximo não manter contato além do necessário. E Rachel sabia que parte disso era sua culpa por ter escondido por tanto tempo a verdade, mas ela não podia pensar em algo melhor do que tentar proteger sua filha da mágoa.

Shelby havia machucado gente demais, a última pessoa que Rachel colocaria na mira da mulher era sua menina. Madison ainda era jovem demais para entender, mas aquela mulher havia feito Rachel sofrer. Muito. Ela havia literalmente partido o coração de Rachel ao dizer que a jovem, aos dezesseis anos de idade, não precisava mais dela. Que ela não era o suficiente para Shelby e que, logo em seguida, fora substituída por um bebê bonito que estava ficando sem pais logo após seu primeiro choro no mundo. Rachel sabia que Beth não tinha culpa, mas ela não pode, na época, evitar sentir raiva do bebê de Quinn e Puck, que estava tomando o seu lugar na vida de Shelby. Para a mulher mais velha, Rachel era apenas a criança que ela gerou para pais que não podiam conceber por conta própria, ela não era nem sua filha.

O tempo passou e com o amadurecimento, Rachel não sentia mais raiva de Beth. Ela entendeu que a criança não fez nada para ela de propósito, e seria hipocrisia da parte de Rachel desejar que Beth não tivesse uma mãe quando ela mesma queria uma. Sua raiva e mágoa foi totalmente dirigida à Shelby e às escolhas que a mulher fez. E ela era muito grata a seus pais e seu marido que a ajudaram tanto passar por tudo isso.

Ela ainda estava magoada e não achava que deixaria de estar algum dia, mas ela tinha dois pais maravilhosos que a amavam mais que tudo e faziam de tudo para mimá-la sempre que possível, um marido que a amava e estava ao seu lado em todos os momentos, que ela confiava e que amava também com todo seu coração, e uma filha que ela tinha muito orgulho e que fora um do seus maiores acertos na vida. Ele podia se dizer feliz. Mesmo que, às vezes, algo parecia faltar.

E agora, devido ao que Rachel tentou tanto proteger Madison, sua filha estava machucada. Ela lutou com todas as suas forças para não ceder e correr escadas acima, mas era melhor deixar a menina organizar as ideias dela. Rachel conhecia ela e sabia que, por agora, era o melhor. Mesmo que doesse vê-la daquele jeito.

Ela não viu quando Jesse entrou na sala de estar e só o sentiu quando ele beijou sua bochecha, sentado ao seu lado no sofá.

"Um dólar pelo seus pensamentos", ele brincou, ganhando um sorriso fraco dela.

"Você sabe...", suspirou, "Estou preocupada, Jesse."

Ele passou um braço por trás dela no encosto do sofá e plantou um beijo em seu ombro.

"Com o que exatamente?"

"Com tudo. Toda essa situação me fez pensar que talvez Madison não estivesse totalmente preparada. E se ela abrir a boca? Tem muita coisa em jogo. Não é justo com ela."

Jesse suspirou pesadamente. Ele também se preocupava, apesar de Madison ter prometido que não iria contar, ela era só uma criança. Era muita coisa para lidar e ainda mais porque ela teimava em se isolar. Mas ele precisava apoiar sua esposa e acalmá-la dos nervos. Eles precisavam ser racionais para pode lidar com qualquer situação que surgisse.

"Eu sei, querida. Também me preocupo. Mas nós fizemos o que achamos que era o certo, não podemos voltar atrás agora", ele tentou convencê-la e a si próprio. "Vamos passar por essa juntos, como sempre fazemos", ainda assim ela não parecia convencida, "Rach, vai ficar tudo bem", ele estendeu uma mão e agarrou a da esposa.

"Mas e se ela deixar escapar? Sem querer? Pode arruinar tudo, Jesse", Rachel insistiu. Era tudo o que ela podia pensar. Havia muita gente envolvida, e se algo fosse dito sairia tudo do controle.

"Ela vai tomar cuidado. Ela nos prometeu que não iria dizer. Devemos confiar nela, amor."

"Eu confio nela. O problema é que talvez tenha sido demais para ela lidar sozinha. Tem coisas que os adolescentes não conseguem segurar, eles só precisam dizer a alguém. Eu sei porque já fui adolescente. Você já foi adolescente. Tudo é muito intenso para eles, tudo se torna algo grandioso. E isso, de fato, é algo grandioso."

"Nós somos os pais dela e sabemos o que é melhor para ela. Nós tomamos juntos a decisão de contá-la, mesmo que por pressão do destino, mas ainda sim. Eu sei que ela ainda tá processando tudo, mas ela vai entender. E ela também sabe que pode vir até nós se precisar e quiser conversar, ela sabe que nós estaremos aqui para ela", Jesse falava enquanto passava o polegar carinhosamente pelo dorso da mão de Rachel. A mulher deixou escapar um longo e pesado suspiro.

"Acho que ela não quer falar muito conosco agora. Eu posso sentir a tensão no ar. Ela está chateada."

"Sim, ela está chateada", Jesse admitiu. Esse era o fato, "Mas no fim de tudo, nós contamos à ela. Ela está chateada por termos escondido a verdade, mas isso irá passar uma hora ou outra. Seria muito pior se ela descobrisse por nossas costas. O momento apenas chegou e nós demos conta dele. Agora a forma que iremos seguir daqui depende de como lidamos com isso. Vamos continuar nossas vidas, e se vier à tona, nós vamos lidar, juntos. Eu sei que isso não ficará em segredo para sempre, mas nós temos o controle e vamos usar isso a nosso favor. Não vamos nos deixar intimidar por algo que nem aconteceu ainda. Shelby irá descobrir e nós vamos apenas passar por mais essa. Não devemos nada à ela."

Rachel assentiu enquanto apertava a mão de Jesse. Ela sabia que ele tinha razão, mas ainda havia uma pitada de incerteza matutando em sua mente. Mas como ele disse, eles não podiam viver a partir dali inseguros e com medo do que pode vir a acontecer. Eles só tinham que seguir o curso.

"Eu vou subir e ver como ela está", Rachel disse depois de um tempo em silêncio, processando tudo, "Mesmo que ela não queira nos ver."

"Tudo bem", Jesse assentiu e sorriu, se inclinando para beijá-la nos lábios, "Vai ficar tudo bem, ok?", ele afirmou ainda sobre os lábios de Rachel.

Ela apenas assentiu e devolveu o beijo antes de se levantar e se dirigir às escadas. Ela esperava que sim.

No andar de cima, Rachel parou em frente à porta fechada de sua filha, bateu levemente e esperou uma resposta. Quando tudo que recebeu foi o silêncio, resolveu abrir e espreitar a cabeça dentro. O quarto estava parcialmente escuro, com apenas a TV ligada, e Madison estava dormindo. Rachel sorriu levemente e entrou por completo, pisando na ponta dos pés até a cama. Madison ressonava levemente, o macaco de pelúcia preso em seus braços e seu cobertor em volta dela como um casulo.

Rachel alisou o cabelo da menina, tirando-o de seu rosto para que ela pudesse beijar a têmpora. Madison se mexeu, mas não acordou de seu sono, e Rachel sorriu mais uma vez pela imagem. Sua menina parecia exausta depois do dia que eles tiveram, e seu rosto mostrava sinais de um sono inquieto. Rachel só esperava que ela dormisse a noite toda.

"Eu te amo, meu amor. Boa noite", ela sussurrou no ouvido da menina ao se inclinar outra vez para beijá-la. Madison pareceu relaxar os músculos do rosto e ombros, suspirando.

Rachel alcançou o controle da TV e caminhou até a escrivaninha para pegar a bandeja que havia deixado lá mais cedo. Ela desligou a TV antes de se virar para sair do quarto, fechando a porta atrás de si com bastante cuidado. Ela desceu as escadas novamente e viu que o marido estava no sofá na sala de TV.

"Ela dormiu."

"Já?", Jesse disse surpreso, olhando o aparelho de TV à cabo sob a TV para ver as horas, "9:13h. Isso é um record. E sem precisarmos dizer nada."

"Ela estava exausta", Rachel disse, indo para a cozinha, "É bom que amanhã ela acorda melhor. Num humor melhor depois de boas horas de sono."

"Tomara", Jesse concordou. Ele esperou até que Rachel voltasse da cozinha para assistirem um filme juntos.

BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY

Madison acordou na manhã seguinte com o chamado de seu pai e uma singela sacudida nos ombros. Jesse sorriu para sua menina antes de se inclinar para beijá-la na cabeça e avisar que era hora de levantar. Madison ainda ficou alguns minutos debaixo do cobertor depois que seu pai saiu, tentando fazer sua mente acordar completamente. Ela sabia que o faria depois de um banho, mas ela estava com muita preguiça no momento. E a ideia de ir para a escola e enfrentar mais uma longa semana não era muito animadora, principalmente depois do dia anterior. Mas ela sabia que não podia se esconder, ela tinha que enfrentar de cabeça erguida e sem dar sinais, afinal ninguém sabia de nada. Ia ser difícil, mas ela iria tentar. Que Deus a ajudasse.

O café da manhã foi esquisito. Rachel estava aflita, obviamente, os olhares voando vez ou outra para a figura de sua filha, concentrada em sua tigela de Lucky Charms sem levantar os olhos momento algum. Jesse tentava agir naturalmente, ocasionalmente bebendo sua caneca de café e olhando e-mails em seu celular, mas ele também lançava olhares furtivos para Madison. E a adolescente tinha plena noção que estava sendo observada, seus pais não estavam sendo tão sutis quanto pensavam.

Por fim ela suspirou e se levantou, indo colocar sua tigela com restos de leite dentro da pia e se virando lentamente de volta para a mesa.

"Quem vai me levar hoje?", foi o que ela disse. Isso depois de apenas um 'bom dia' quando entrara na cozinha naquela manhã.

"Eu vou", sua mãe falou, olhando pra ela, "Já está pronta?"

Madison estreitou os olhos por mínimos segundos. Ela sabia o que sua mãe estava fazendo. Ela queria conversar e ter certeza que Madison não iria comentar com ninguém sobre a conversa deles. Seus pais confiavam nela, mas era sempre bom um reforço.

"Eu só preciso buscar minhas coisas."

Assim que ela deixou a cozinha, Rachel olhou ansiosamente para seu marido, que ergueu as sobrancelhas olhando por cima de sua caneca. Jesse viu a apreensão nos olhos dela e suspirou, colocando o café na mesa.

"Rach..."

"Eu sei. Só me preocupo", ela admitiu, se levantando para colocar seu prato vazio na pia e encher com café uma caneca térmica de viagem. "Ela mal falou..."

"Ela ainda está processando. Vamos ver como as coisas serão hoje e, se ainda ela estiver chateada quando voltar da escola, conversamos com ela novamente", Jesse falou, terminando seu café, "Um passo de cada vez", ele sorriu.

Madison terminou de aplicar o rímel em seus cílios e suspirou para seu reflexo no espelho do banheiro. Ela tinha certeza que seus pais estavam falando dela lá embaixo naquele momento. Eles não sabiam disfarçar. Isso fez a adolescente revirar os olhos.

"Respire fundo", ela disse para si mesma, "Vai dar tudo certo", pelo menos era o que ela esperava.

Seus cabelos compridos estavam jogados sobre os ombros e costas e ela vestia uma camiseta vermelha escura um número maior, calças jeans skinny pretas e All Stars de cano longo nos pés. Por fim ela decidiu que estava bom para o dia e deixou o banheiro, recolhendo sua mochila com os livros e a bolsa do ensaio perto do armário. Respirando fundo uma última vez, ela deixou seu quarto e desceu as escadas.

Rachel estava na porta a esperando quando Madison desceu o último degrau. A mãe lhe deu um sorriso simpático e estendeu a jaqueta jeans da menina, que agradeceu com um aceno e se despediu rapidamente de seu pai, que entrava no foyer naquele momento. Foi tudo que Jesse recebeu, um aceno por cima do ombro e então ela disse que esperaria no carro. Rachel suspirou, encarando o marido em uma perda.

"Vai dar tudo certo", ele tratou de acalmá-la pondo ambas as mãos em seus ombros. Rachel bufou e assentiu, recebendo um beijo nos lábios em seguida.

"Eu te amo", ela murmurou.

"Eu sei. Eu também te amo. Te vejo mais tarde", Jesse dirigiu um sorriso terno para a esposa e tratou de dizer outra vez, como um mantra, "Vai dar tudo certo."

O carro estava em silêncio, o que era incômodo já que essa era uma raridade quando mãe e filha estavam juntas. Rachel tamborilava os dedos sobre o volante quando parou em um sinal vermelho, olhando de relance para a menina quieta ao seu lado. Madison tinha os olhos presos no lado de fora através do vidro escuro, uma mão apoiando o queixo contra a maçaneta da porta. A mãe respirou fundo, pondo os olhos na estrada novamente e decidiu que aquele silêncio não poderia durar mais. Mesmo que as palavras de Jesse viessem à sua mente, que Madison iria vir até eles quando precisasse. Ela não aguentava mais.

"Você sabe que sempre pode me dizer qualquer coisa sobre o que você está sentindo ou pensando", ela foi direta, não havia tempo para enrolação, "Você não trocou mais que duas frases conosco hoje, Mad. Diga alguma coisa. Qualquer coisa sobre toda essa situação."

Madison bufou com impaciência e revirou os olhos longe da vista de sua mãe, e então virou-se para encará-la.

"Você quer saber o que eu acho de tudo? Pois bem! Eu acho que tudo é uma grande merda!", ela disse com raiva.

"Madison!"

"Pois é, mãe. Eu estou colocando pra fora, como você e o pai insistem que eu faça sempre que algo me deixa chateada. No entanto você pode não gostar do que eu tenho a dizer."

Rachel respirou fundo para acalmar os nervos e apertou o volante.

"Madison, eu sei que você não está muito feliz agora e você tem todo o direito, mas eu não irei admitir desrespeito à mim ou ao seu pai. Eu ainda sou a sua mãe e exijo que fale comigo corretamente. Sem xingamentos ou gritos ou birras. Fui clara?"

Outra revirada de olhos veio da adolescente. Com raiva, ela olhou para fora novamente.

"Tanto faz."

Levou tudo que Rachel tinha para não estacionar no meio fio e mostrar àquela menina insolente o que ela merecia por todo o atrevimento, mas no entanto a mãe apenas respirou fundo, pela enésima vez, e contou até dez mentalmente em um exercício há muito tempo praticado - precisamente, depois que foi mãe – para recuperar a compostura. Não adiantava pedir que Madison parasse de gritar ou agir daquela forma se Rachel mesma não se controlasse.

"Olha, querida. Eu entendo, juro que entendo, que você está chateada com toda a situação e eu me sinto culpada por ter escondido por tanto tempo. Mas eu quero consertar isso e você precisa me permitir. Eu só quero ajudar, quero ouvir o que quer que você tenha a me dizer, civilizadamente e com respeito, e tentar te ajudar a resolver isso. Mas eu só posso fazer isso se você me dizer o que está sentindo. Com palavras. Você tem quatorze anos, Madison, você conhece outras formas de se expressar que não seja a base de birras ou de forma desrespeitosa. Eu só quero ajudar."

Madison encarava a rua como um ato clássico de rebeldia adolescente, tentando ignorar o que sua mãe dizia. Mas ela não pode evitar a leve queda no estômago quando ouviu a mulher dizer que se sentia culpada. Sim, ela estava chateada, mas ela sabia que sua mãe também não deveria estar bem com aquilo tudo acontecendo, e ouvir aquelas palavras trouxe lágrimas aos seus olhos. As quais ela tratou de segurar imediatamente.

Rachel esperou que a menina dissesse alguma coisa, mas nada veio. Ela sabia que precisava ser paciente, e ela havia se disposto a ouvir tudo, no tempo de sua filha. Elas não chegariam a lugar algum agora com ambas suas mentes fervilhando e o trajeto até a escola se encurtando.

Madison abriu a porta assim que o carro parou e Rachel destravou a tranca, mas parou quando sentiu o toque em seu braço e olhou de volta para sua mãe.

"Eu estou aqui, filha. E o papai também. Quando você estiver pronta, venha até nós. É tudo o que peço, só não nos mantenha distante por muito mais tempo."

Madison apenas encarou de volta e esperou até que Rachel afastasse a mão de seu braço para continuar seu caminho. Ela bateu a porta e marchou até os portões da escola sem olhar para trás. Rachel unicamente respirou fundo e começou a sair dali, uma incerteza tomando conta dela.

Madison entrou na escola com uma pitada de nervosismo em seu interior. Ela não estava muito diferente de sua mãe. Seu cabelo estava propositalmente jogado sobre os lados de seu rosto enquanto ela caminhava apressadamente até seu armário sem um segundo olhar para os lados. Silenciosamente ela agradeceu ao chegar ao seu destino sem esbarrar em ninguém que se atrevesse a parar para falar com ela, principalmente Zoe. Madison não sabia se poderia manter a boca fechada.

No entanto, ela sabia que não poderia fugir o dia todo, e mesmo que sua amiga estivesse chateada ainda com o ocorrido de sexta-feira, elas teriam de conversar em algum momento.

Madison afastou isso de sua mente e torceu para que as coisas corressem normalmente, pelo menos o quão normal as coisas poderiam ser. Nada na sua vida era normal, o que a fez rir levemente sem um pingo de humor. Desde pequena ela viveu cercada de exclusividades e coisas incomuns para muitas outras crianças e famílias e, bem, de certa forma ainda era assim, prova disso era ela estar vivendo ali naquela cidade pequena agora, apenas para terminar seus estudos e seus anos de adolescência longe de olhos curiosos e com um pouco mais de liberdade. Ela era agradecida pela família que tinha, mas às vezes era um pouco sufocante.

Soltando um longo suspiro, Madison finalmente fechou seu armário e caminhou para sua aula de Matemática. Ótimo. Tudo que ela precisava para começar a semana. O professor, Sr. Finley, não estava na sala de aula, ainda faltavam alguns minutos até o sinal tocar, mas Madison queria evitar o máximo de pessoas no momento e se isso significasse minutos a mais dentro da sala quase vazia ao som de burburinhos de outros alunos, bem, paciência. Ela ocupou uma cadeira na parede no fundo da sala, encolhida sob sua jaqueta e evitando qualquer contato visual. Rapidamente ela conectou seus fones de ouvido ao iPod e selecionou o álbum da banda Red Hot Chilli Peppers, os primeiros acordes de Under the Bridge soou em seus ouvidos. Ela cantarolou em silêncio a letra conhecida.

"Sometimes I feel like I don't have a partner... Sometimes I feel like my only friend..."

Madison riu da ironia do momento.

Foi perto do refrão que ela sentiu o toque no ombro. Isso a assustou e ela rapidamente se sentou direito e tirou um fone da orelha, levantando os olhos para quem quer que estivesse interrompendo seu momento. O sorriso simpático de Daniel brilhou em sua direção, os cachos avermelhados bagunçados e os olhos levemente inchados de quem acordou há pouco tempo. Madison teve que devolver o sorriso e desligou seu iPod.

"Bom dia", Daniel finalmente disse desde que entrou na sala sorrateiramente e ocupou uma cadeira ao lado da que Madison estava.

"Hey", Madison respondeu com um aceno, "Você não é um aluno do primeiro ano", brincou.

Daniel sorriu outra vez, "Só parei para dizer oi. Vi que tava encolhida aí, quieta. Tá tudo bem?"

Madison riu internamente. A última coisa que ela estava era bem.

"Só estou cansada. Não dormi bem noite passada."

"Você não está com problemas com seus pais, certo? Sobre a coisa toda da festa..."

"Não, está tudo bem", Madison disse e sorriu levemente, em seguida estreitou os olhos, "Por que?"

"Oh. Não é nada. Só curiosidade e...", ele fez uma pausa, coçando a nuca, "Meio que eu gostei da nossa saída no sábado. Você sabe, a sorveteria e tal... E talvez, só talvez, eu queira repetir..."

Madison riu do óbvio desconforto do menino e balançou a cabeça.

"Está me chamando pra um encontro?"

"Sim. Quero dizer,", ele balançou a cabeça rapidamente, "só se você quiser. Podemos sair como fizemos sábado. Pode levar alguém se achar melhor."

"Ok. Nós podemos sair de novo. Sozinhos", Madison riu com o enorme sorriso que surgiu no rosto de Daniel, "Talvez eu também possa ter gostado do nosso momento no sábado."

"Sério? Eu me diverti muito."

"Eu também, Daniel", ela acenou, "Então, onde vamos?"

"Ah, sobre isso...", ele desviou os olhos, nervoso, "Eu meio que não pensei nisso ainda. Mas posso pensar em um lugar legal aqui. Afinal você precisa de alguém para lhe mostrar o que essa cidade pequena pode oferecer."

"Ok. Então quando você pensar, é só me dizer a hora e o local."

"Certo", Daniel assentiu alegre e se levantou quando ambos ouviram o sinal tocar, "Eu vou indo. Nos vemos no almoço?"

"Claro."

Até a hora do almoço, Madison felizmente não esbarrou em Zoe. Ou Beth. Ou Shelby. Na verdade a única pessoa que ela encontrou fora Melanie em uma das aulas da manhã, mas a menina não tinha nada a ver com o que estava acontecendo em sua vida, então ela pode se distrair com a felicidade constante de Melanie. Chegava a ser cômico.

No entanto, o almoço chegou e, para seu desespero, assim que ela entrou no refeitório Olivia acenou da mesa que ela ocupava, sentada ao lado de Scott e Zoe. Sua amiga não fez questão de olhar para cima de seu almoço, e apesar dela querer evitar confronto, doía ver a rejeição de Zoe. Ela era sua melhor amiga afinal. Madison acenou levemente e foi comprar seu almoço, pensando seriamente em ir comer no auditório ao invés de estar ali. Mas desconfiariam, e ela não queria dar motivos para fazerem perguntas.

"Aí está ela... A criadora de confusão", Scott zombou de Madison assim que a menina se sentou com eles para almoçar, se referindo ao incidente de sexta-feira e, consequentemente, sábado.

Madison mostrou a língua na direção dele, rindo em seguida. Olivia também deu risada, sabendo da história por Scott, mas Zoe não demonstrou nenhuma reação. Olivia uniu as sobrancelhas, estranhando o comportamento da menina loira, mas deu de ombros, se virando para Madison.

"E então, problemas em casa depois daquela festa?", perguntou à menina mais nova.

"Com meus pais? Nem um pouco... Eles não têm problema com isso."

"Sorte a sua", Olivia murmurou, Scott acenando.

Zoe bufou ruidosamente e espetou sua comida raivosamente com o garfo. Os outros três na mesa a encararam e Madison unicamente baixou os olhos para sua própria comida.

"Qual o problema, Zoe?", Olivia questionou, percebendo o clima tenso.

"Problema? Comigo?", Zoe ergueu uma sobrancelha clara perfeitamente, soando sarcástica, "Oh, nenhum. A causadora de problemas aqui não sou eu. Por que não pergunta à Madison?"

Wow! Essa doeu! Madison pensou com uma careta.

"Nossa. O que aconteceu entre vocês duas?", Scott perguntou, observando as duas meninas.

"Eu já me desculpei, Zoe."

"Aconteceu", Zoe começou, ignorando Madison, "que minha prima querida não consegue manter a boca fechada nunca. E ainda por cima arrasta todo mundo para as confusões que arruma."

Madison se indignou. Ela sabia que Zoe não estava nem um pouco feliz com ela, mas ela não adivinharia que a treinadora Corcoran seria uma bruxa quanto ao que acontecera sábado.

"Todos nós fomos punidos no sábado", Scott tentou soar sensato, tirando um pouco da culpa de cima de Madison, "A treinadora descobriu porque Beth arrumou confusão."

"Haha", Zoe riu de escárnio, fazendo Madison novamente desviar o olhar para seu prato, "E adivinha quem foi que levou Beth até a treinadora Corcoran? E ainda estragou a noite dos outros!", Zoe enviou um olhar mortal à sua amiga.

Madison não pode segurar por mais tempo.

"Você está assim por causa da merda de um garoto?!", ela explodiu, chamando atenção de algumas mesas perto da deles. Olivia e Scott se assustaram com a súbita explosão.

Zoe olhou para a amiga com raiva, o rosto corando pela atenção adquirida. Madison por outro lado não se importou e continuou encarando a menina loira.

"Não! Não é por isso!", Zoe tratou de responder. Ela não queria admitir ali naquele lugar e na frente de todos, mas a maior parte era exatamente por causa de Brian.

"É! É sim e você está me culpando porque não conseguiu ficar se agarrando na festa. Eu pensei que você fosse minha amiga!"

Agora Scott e Olivia tinham, além dos olhos arregalados, seu queixos caídos. Madison parecia não ter nenhum tipo de filtro e Zoe parecia que se esconderia debaixo da mesa se pudesse, vermelha até a raiz do cabelo. Ambas as meninas fumegavam, mas nenhum deles tratou de interferir. Eles tinham medo de receber uma mordida caso o fizessem.

"Pelo amor de Deus, Madison. Para de falar o que você não sabe! E para de querer chamar atenção, eu sei que isso é difícil pra você, sempre querendo os holofotes", Zoe disse irônica, "Nem sempre tudo é sobre você!"

"Lhe digo o mesmo!"

"Senhoritas? Algum problema aqui?", um dos funcionários do refeitório se aproximou das meninas ao perceber a confusão.

"Não. Não há nenhum problema!", Zoe cuspiu com raiva e se levantou, pegando suas coisas e se virando para sair. Ela deixou os outros três lá, Madison bufando e Scott e Olivia estupefatos.

"Me desculpe", Madison disse ao funcionário, que assentiu e voltou ao seu trabalho. Madison apenas se sentou e apoiou os cotovelos na mesa, as mãos na cabeça se infiltrando em seu couro cabeludo, frustrada.

"Bem,", Scott quebrou o silêncio desconfortável, "isso foi esquisito."

Olivia o encarou fazendo uma careta e lhe deu uma cotovelada na costela, um pedido silencioso para ele calar a boca.

BTY ~~~ BTY ~~~ BTY ~~~ BTY

No ensaio, Madison e Zoe ainda estavam nas gargantas uma da outra. Shelby havia percebido, mas ignorara por aquele momento, o ensaio era o que importava ali e que as desavenças ficassem para segundo plano.

"Antes de começarmos, peço de coloquem as pesquisas que pedi sobre a última cadeira da fileira da frente."

A treinadora pode ouvir alguns gemidos na plateia. Sua equipe estava atualmente sentada nas segunda e terceira fileira do auditório, enquanto ela estava de pé no palco. Pelos gemidos, ela adivinhou que alguns de seus queridos alunos não havia feito a tarefa atribuída. Pouco a pouco, cada aluno que fez colocou seu trabalho onde foi pedido e voltou a se sentar, esperando o próximo comando.

Madison estava sentada entre Daniel e Melanie, encarando Shelby profundamente. Agora sabendo toda a verdade, ela se perguntava como não havia percebido antes as semelhanças. Sua mãe era a cópia mais nova de Shelby, e todas as três delas tinham o mesmo tom e textura de cabelo. Até a forma de Shelby gesticular lembra um pouco de Rachel, e com certeza o talento para cantar. A única diferença era que Rachel sempre carregava um brilho nos olhos, Madison sempre amou isso em sua mãe, mas os de Shelby eram opacos, carregavam profundos segredos. Madison sempre soube que as pessoas falavam com os olhos, que por mais que ela estivessem jurando dizer a verdade, seus olhos denunciavam. Shelby era durona, autoritária, intimidante, mas também era... Triste? Madison não sabia dizer com certeza, mas ela via algo ali. Algo que Shelby tentava esconder atrás da máscara de megera, mas que agora Madison podia enxergar.

Isso deixou a mente da menina em completa confusão. Ela sabia que era arrogante demais assumir que o que ela enxergava em Shelby era exatamente por causa do que ela pensava que era e descobrira no dia anterior, mas ainda assim ela ficou confusa. Porque afinal, se fora do jeito que seus pais lhe disseram, Shelby deve ter seguido em frente e tinha uma vida plena e feliz. Não que fosse do direito de Madison julgá-la ou julgar seu modo de vida, mas aqueles olhos diziam muito.

Mas uma coisa ela tinha certeza: jamais ela veria Shelby da mesma forma. Sempre haveria a curiosidade, o que a mulher sabia, o que ela havia dito à Beth. Coisas que tirariam o sono de Madison.

O ensaio correu normalmente. Shelby vez ou outra lançava olhares esquisitos à Madison porque a menina a estava encarando muito naquele dia, mas talvez, pensou a mulher, fosse apenas uma afronta adolescente depois de sábado. Ela estava acostumada com birras adolescentes, ela tinha a rainha de todas elas em sua casa, então por hora resolveu ignorar e prosseguir com seu trabalho.

Às seis, o ensaio terminou. Shelby liberou seus alunos e esperou Beth juntar as coisas dela e a seguir para o estacionamento. A menina ainda estava com raiva de sua mãe e falava somente o necessário. Ela marchou passando por sua mãe sem uma palavra e seguiu para o estacionamento, Shelby indo atrás dela. Madison estava sentada no banco no lado de fora esperando alguém buscá-la, quando as duas apareceram no lado de fora do prédio. Beth passou por ela como se ela nem estivesse ali, o queixo erguido. Mas Shelby olhou na direção da menina, que novamente a encarava.

"Até amanhã, treinadora."

"Até amanhã, Madison."

Shelby uniu as sobrancelhas enquanto caminhava até seu SUV estacionado, onde Beth já a esperava. Aquela menina estava agindo tão estranho. Sacudindo a cabeça, Shelby se concentrou em apenas ir para casa e tentar conviver com sua filha revoltada. Que Deus a ajudasse.

Madison estava mexendo no celular quando os portões da escola atrás dela se abriram. Por simples reflexo ela olhou para trás e deu de cara com Zoe, que havia ido ao banheiro antes de sair para esperar um de seus pais. A menina loira revirou os olhos quando viu Madison ainda ali e respirou fundo. Ela se sentou na outra ponta do banco comprido, ignorando completamente a presença de Madison, puxando seu celular de dentro da bolsa para ver onde seu pai estava.

"Você vai mesmo ficar com raiva de mim?", Madison disse sem paciência.

Zoe levantou a cabeça de seu telefone e franziu as sobrancelhas para a menina.

"Desculpe, o que disse?", disse, cinicamente, "Perdão, é que eu não ligo para o que você tem a dizer."

Foi a vez de Madison revirar os olhos pela tamanha infantilidade de sua amiga. Bufando, ela voltou os olhos para seu próprio telefone e suspirou quando Jesse finalmente respondeu, dizendo que estava quase lá.

No entanto, o carro de seus tios chegou naquele momento, e foi Kurt quem surgiu atrás do vidro rolando para baixo, acenando para a menina mais nova.

"Hey, Mads. Tudo bem, querida?"

"Oi, tio Kurt", Madison acenou de volta, dando um sorriso forçado. Zoe revirou os olhos enquanto jogava suas coisas no carro pela porta traseira aberta e entrava no lado do passageiro.

"Você precisa de uma carona? Onde estão seus pais?"

"Nã-", Madison ia responder, mas Zoe se antecipou.

"Não precisa, pai. Ela já falou com os pais dela."

Kurt olhou de sua filha para Madison para confirmação, e a menina morena assentiu, calada.

"Ok, então", Kurt deu de ombros, "Apareça lá em casa, Mads. Vou falar com seus pais para marcarmos um jantar ainda essa semana."

"Ok, tio Kurt", Madison sorriu fracamente outra vez, enquanto Zoe fez de tudo para esconder sua insatisfação. Ela não precisava de seus pais questionando seu comportamento.

"Pai, podemos ir? Eu estou cansada do ensaio e quero tomar um banho."

"Já vamos, querida", Kurt disse à sua filha, "Diga à seus pais, Mads. E tome cuidado, ok? Quer que fiquemos esperando com você?"

"Pai", Zoe gemeu desgostosa.

"Não precisa, tio Kurt. Meu pai já está chegando. Obrigada."

Kurt finalmente se deu por convencido e depois de dizer à sua filha para ser mais paciente e parar de choramingar, ele deu a volta para sair do estacionamento.

Jesse chegou dois minutos depois e Madison suspirou aliviada. Ela deu à seu pai um abraço rápido e recebeu um beijo no alto da cabeça, contente por finalmente estar indo para casa depois de um dia exaustivo.

Em casa, Rachel estava quase mordendo os nós de seus dedos, ansiosa. Enquanto preparava o jantar naquela noite, ela esperava que Jesse e Madison se apressassem, não podendo conter por muito mais tempo o nervosismo. Ela precisava saber como o dia de Madison havia sido.

A atriz confessou para si mesma que esperou durante todo o dia alguma ligação da parte de alguém que sabia da história deles ou de alguém envolvido que ficou sabendo hoje. Sim, era paranoia, mas ela esperou. Rachel sabia que Madison era confiável, mas ela não podia evitar. Madison dizia o que vinha na cabeça sem medo, e Rachel temia pelo o que ela tinha a dizer muitas vezes. Madison estava sempre querendo provar pra sua família que ela estava crescendo, que ela não era mais uma criança, e talvez Rachel devesse respeitar isso e se dar conta que sua filha de fato podia guardar aquele segredo. Pelo menos por mais um tempo.

Sua ansiedade aumentou quando ela viu pela janela da cozinha Jesse entrando na garagem. Pai e filha entraram em casa e Madison seguiu diretamente para as escadas, quando seu pai entrou na cozinha. Rachel questionou seu marido com os olhos, mas Jesse apenas deu de ombros.

"Mad?", Rachel chamou pela filha.

Madison parou no meio das escadas com o chamado de sua mãe, fechou os olhos e suspirou, se virando para descer novamente. Ela entrou na cozinha com a expressão impassível e encarou sua mãe.

"Sim?"

"Você não veio falar comigo. Quero saber como foi seu dia", Rachel disse com um sorriso.

Madison teve vontade de revirar os olhos. Ela sabia o que sua mãe queria saber, ela não precisava ficar dando rodeios.

"Mãe, não se preocupe. Eu não dei com a língua nos dentes, ok?", disse sem paciência.

"Oh... Ótimo. Mas eu realmente quero saber se foi tudo bem. Você teve algum problema ou...?"

"Deus, mãe! Já disse que eu não falei nada, você não precisa fazer um interrogatório rodeando o que você quer saber de verdade."

"Madison!", Jesse ralhou, "Não fale assim com sua mãe. Ela só fez uma pergunta."

"E eu respondi o que ela queria saber. Posso subir agora?"

Rachel fechou os olhos, respirando fundo.

"Madison, eu já disse uma vez e não quero repetir. Nós sabemos que você não está contente com a situação, mas-"

"Eu já entendi!", Madison elevou a voz, surpreendendo ambos seus pais.

"Madison, cuidado com o seu tom. Nós somos seus pais!", Jesse avisou seriamente.

Madison queria gritar o quanto pudesse. Ela estava frustrada. Frustrada com seus pais, frustrada com Zoe, frustrada com Shelby, frustrada com sua vida. E ela não precisava de seus pais em cima dela com interrogatórios e desconfianças.

"Vocês vão me deixar em paz agora?"

"Vai pro seu quarto, Madison. Eu não posso lidar com você agora, não quando você não consegue conversar sem elevar a voz. Suba, tome um banho, faça seu dever de casa e espere até que te chamemos para jantar. E eu espero que seu humor tenha melhorado ate lá."

Madison se virou, seguindo as ordens de sua mãe, e grunhiu enquanto marchava até as escadas para seu quarto. Lá em cima, ela chutou os sapatos para fora de seus pés e quis socar alguma coisa, enquanto lágrimas de raiva enchiam seus olhos.